EducaçÃo de jovens e adultos: a formçÃo de processo prático-educativo e sua importância no ensino-aprendizagem



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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: A FORMÇÃO DE PROCESSO PRÁTICO-EDUCATIVO E SUA IMPORTÂNCIA NO ENSINO-APRENDIZAGEM.

RESUMO

Constitui o interesse neste trabalho abordar A Formação do Processo-Prático Educativo e sua importância no ensino-aprendizagem de Jovens e Adultos, como forma de compreender teórica e empiricamente as metodologias e recursos didáticos utilizados na EJA, visando a atender o princípio da adequação destes à realidade cultural e subjetiva dos jovens e adultos. Objetivamos analisar as práticas educativas e pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos buscando compreender suas especificidades. O presente estudo tem como referenciais metodológicos, a pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica desse trabalho consiste no estudo das teorias de Paulo Freire em Educação e Mudança (1979), Fuck em Alfabetização de Adultos (1994), Ferreiro em Reflexões sobre alfabetização (2001), entre outros, possibilitando, assim, um conhecimento teórico que servirá como alicerce para a fundamentação de conceitos que envolvam a prática educativa de jovens e adultos.

Diante dos percalços da Educação de Jovens e Adultos, observa-se que falta uma visão clara sobre os impactos da redução dos limites etários legais. De qualquer modo, a falta de relativa atratividade da EJA reitera a preocupação com a sua qualidade e capacidade de democratização. Conforme a perspectiva sociológica do conflito, pode, tratar-se de escolarização pobre para alunos pobres, resultando e reforçando as disparidades sociais, nos termos da análise sociológica. Pode também ser um caso de estigmatização de uma modalidade educacional, em virtude do status socioeconômico dos alunos que a frequentam.

INTRODUÇÃO

A educação possibilita ao individuo jovem e adulto retomar seu potencial, desenvolver suas habilidades, confirmar competências adquiridas na educação extra-escolar e na própria vida, com vistas a um nível técnico e profissional mais qualificado. Também é oferecido pelos sistemas de ensino cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando assim progressivamente os estudos em caráter regular. A educação de Jovens e Adultos representa uma possibilidade que pode contribuir para efetivar um caminho e desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Planejar esse processo é uma grande responsabilidade social e educacional, cabendo ao professor no seu papel de mediar o conhecimento, ter uma base sólida de formação.

A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência do exercício da cidadania como condição para uma plena participação na sociedade. Além do mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à cultura de paz baseada na justiça. (Declaração de Hamburgo sobre a EJA). O principal objetivo da Educação de Jovens e Adultos é: de auxiliar cada individuo a tornar-se tudo aquilo que ele tem capacidade para ser.

Durante vários anos foram desenvolvidos projetos para a alfabetização de Jovens e adultos, destaca-se, portanto, alguns deles: O Mobral-Movimento Brasileiro de Alfabetização, de 1967-1985; fundação Educar, de 1986-1990 e o Programa Brasil Alfabetizado, de 2003 até o momento atual. Na Constituição Federal de 1988 e a LDB, confere aos municípios a responsabilidade do Ensino Fundamental, e estabelece que aos sistemas de ensino cabe assegurar gratuitamente aos jovens e adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, considerando as características do aluno, seus interesses, condições de vida e de trabalho. Também cabe a esses sistemas de ensino, viabilizar e estimular o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre os diversos setores das esferas pública.

Este trabalho tem ainda, a finalidade em contribuir para um repensar do educador atuante nas classes de EJA, fazendo o mesmo refletir sobre sua prática pedagógica, especialmente como formadora de cidadãos cônscios de seu papel na sociedade. Também pretende, na medida em que analisa profundamente o material utilizado, servir de subsídio a um repensar dessa escolha, relacionando-a aos objetivos da EJA previstos na legislação e no pensamento pedagógico vigente.

O presente curso aborda a educação de jovens e adulto, conhecida anteriormente à atual lei de Diretrizes s Bases da Educação Nacional (LDB), como ensino oferecido aos jovens e adultos que não concluíram seus estudos ou não freqüentaram a escola na idade apropriada.

Segundo Vygotsky (2003), a aprendizagem resulta da interação entre as estruturas do pensamento e o contexto social, num processo de construção e reconstrução pela ação do sujeito sobre o objeto a ser conhecido. Para ocorrer a aprendizagem seria necessário o enfrentamento de situações desafiadoras que propiciem ao aluno chegar a patamares mais elaborados de conhecimento, necessitando da intervenção de outros sujeitos.

A educação de jovens e adultos está estruturada e tem seu funcionamento regulamentado conforme a lei 9394/96, assim como tem os outros dispositivos legais normalizados pelo Conselho Nacional de Educação (CNS) e pelos sistemas de ensino. Ao nos aprofundarmos no estudo dessa população podemos distinguir três grupos, o primeiro representa aqueles que são analfabetos; o segundo é formado pelos que já passaram pela escola e desistiram de estudar por razoes diversas e que, por isso, nem se alfabetizaram, são os chamados analfabetos funcionais e o terceiro é composto por aqueles que estiveram na escola em diferentes períodos escolares.

Nesse sentido, verificamos que a construção do conhecimento não acontece de maneira linear, constituindo-se em importantes etapas deste processo os momentos de dúvidas e os erros cometidos desde que utilizados para se chegar à sistemática produtiva de estágios superiores de desenvolvimento. O conhecimento é adquirido através da interação social. Ele é constituído a partir da relação do indivíduo com o meio social, considerando as experiências de vida, os valores, as crenças, ou seja, a cultura do alfabetizando. Freire (1987) entende que uma aprendizagem significativa se dará a partir de um processo que proporcione uma análise crítica da prática social dos homens, contribuindo para que estes repensem a forma de atuar no mundo.

O aspecto social da aprendizagem diz respeito aos valores e aspirações coletivas, bem como a dimensão política da educação. A intervenção pedagógica pode ter um amplo alcance, requerendo responsabilidade e compromisso por parte dos educadores. Para Paulo Freire educar é um ato político, é um ato de criação e recriação, sendo, portanto, impossível falar em educação neutra. O diálogo aparece como fundamento da construção do sujeito, como mecanismo de compreensão da estrutura social, de conscientização e de transformação. A educação é também um ato coletivo e solidário e nunca se dá isoladamente.

"Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo" (FREIRE, 1987, p. 13).


OBJETIVOS


OBJETIVO GERAL

Promover a inclusão social e a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação na idade própria, proporcionar condições para que essa parte da população construa sua cidadania e possa ter acesso à qualificação profissional, aumentar as taxas de escolarização.

Analisar as práticas educativas e pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos buscando compreender suas especificidades.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Realizar uma pesquisa bibliográfica sobre a educação de jovens e adultos;


Analisar o processo de ensino-aprendizagem da EJA no Brasil

METODOLOGIA

Com base nos objetivos estabelecidos, estruturou-se a pesquisa em base qualitativa e em caráter exploratório, tendo como referência a análise teórica. O presente estudo tem como referenciais metodológicos, a pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica desse trabalho o estudo das teorias de Freire em Educação e Mudança (1979), Fuck em Alfabetização de Adultos (1994), Ferreiro em Reflexões sobre alfabetização (2001), entre outros, possibilitando, assim, um conhecimento teórico que servirá como alicerce para a fundamentação de conceitos que envolvam a prática educativa de jovens e adultos.

O desenvolvimento da pesquisa consiste na leitura de autores que desenvolveram pesquisas que perpassam a temática em estudo, a fim de embasar teoricamente todo o trabalho. O presente estudo tem como referenciais metodológicos, a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental e, por fim, a pesquisa empírica.


A pesquisa bibliográfica consiste no estudo das teorias de Freire em Educação e Mudança (1979) e A experiência do MOVA (1996), Fuck em Alfabetização de Adultos (1994), Ferreiro em Reflexões sobre alfabetização (2001), entre outros, possibilitando, assim, um conhecimento teórico que servirá como alicerce para a fundamentação de conceitos que envolvam a prática educativa de jovens e adultos.

A pesquisa bibliográfica analisa ainda a implementação, a regularização e as reformas legais que ocorreram ao longo da história da EJA. Essa modalidade de pesquisa permite analisar documentos que se constituem de dados ricos e estáveis, podendo ser obtidos sem um contato direto com o sujeito da pesquisa.



A discussão sobre as práticas educativas da educação de jovens e adultos apresenta uma história enriquecida no tempo e no espaço, às vezes influenciada pelo poder público e outras pelos movimentos sociais com experiências as mais variadas e que podem descontinuas ou significativas. Podemos afirmar que os diferentes caminhos tomados deram uma identidade a educação de jovens e adultos analfabetos e que nunca tinham sido prioridade na educação brasileira.

A ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL

Histórico da Alfabetização Brasileira

Antes de tratar especificamente sobre a Educação de Jovens e Adultos, é necessário fazer uma viagem no tempo, discorrendo sobre a política educacional no Brasil, partindo do ponto onde tudo começou como forma de entender o grande eventual de pessoas excluídas do processo educacional.

Apesar da qualificação educação de jovens e adultos ser moderna, a preocupação com os adultos não escolarizados já vem de longa data, desde o início da colonização portuguesa no Brasil, quando os índios, os primeiros habitantes até então eram doutrinados para uma educação restrita à conversão da fé católica pela catequese e pela instrução do que para outros conhecimentos.

Em 1827 no período imperial, é promulgada a primeira lei geral de educação do País, que objetivava "construir um sistema nacional de educação escolar composto por escolas elementares, secundárias e superiores “(NEVES, 2003, p. 15)”.

Segundo Neves (2003), em 1840 surge o ensino das primeiras letras ao adulto nos cursos de ensino profissional oferecido pelo Arsenal de Guerra do Recife. Em 1869, com a finalidade de agilizar o processo de escolarização, atendendo a um maior número possível de analfabetos, foram criadas escolas noturnas e, aos domingos e no período do verão, criaram-se escolas temporárias e ambulantes.

No período republicano, a educação, de um modo geral, também não obteve melhorias, continuando estagnado e, gradativamente aumentando o número de pessoas não escolarizadas.

No entanto, diversos educadores profissionais como Sampaio Dória (1923), Lourenço Filho (1949), Carneiro Leão (1926) e Anísio Teixeira (1924), procuraram estruturar um sistema educacional, com iniciativas de ampliar as condições de educação, solicitando o aumento de escolas e melhorias na qualidade do ensino brasileiro. Ainda assim, observa-se a fragilidade com que tocavam nos reais problemas existentes no Brasil, não evidenciando as questões sociais, pelas grandes diferenças entre as classes sociais.

Nos anos 1945 e 1947 – desencadeiam-se as campanhas de educação de jovens e adultos, com o intuito de aumentar as bases eleitorais para a sustentação do governo central e incrementar a produção nacional. Em janeiro de 1947 foi aprovado o Plano de Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos, atendendo aos apelos da UNESCO. Campanha essa, concebida por Lourenço Filho, seu idealizador e primeiro coordenador, atuou como um amplo movimento de mobilização nacional em favor da educação de jovens e adultos analfabetos.

Ao mesmo tempo em que era lançada a primeira Campanha Nacional de Educação de Adultos, foi preparado pela Associação dos Professores de Ensino Noturno, juntamente com o Departamento Nacional de Educação, o primeiro Congresso Nacional de Educação de Adultos. A ação da campanha estava claramente orientada para o atendimento às exigências da cidadania. O esforço de educação popular era real. Segundo Lourenço Filho: A recuperação de grandes massas da população que vivia praticamente à margem da vida nacional, era necessário educar o adulto, antes de tudo, para que esse marginalismo desaparecesse e o país pudesse ser homogêneo, mais coeso e mais solidário e para que cada homem ou mulher melhor pudesse ajustar-se à vida social e às preocupações do bem-estar e do progresso social (1949, p. 49).

Movimentos educacionais de orientação marcadamente política foram iniciados em 1960. Esses movimentos apontavam para a necessidade de uma maior comunicação entre educador e educando, e a necessidade de adequação dos conteúdos e métodos de ensino às características sócio-culturais das classes populares.

Em 1963, o Ministério da Educação encerrou a Campanha Nacional de Educação de Adultos iniciada em 1947 e encarregou Paulo Freire de se empenhar na elaboração de um programa nacional de alfabetização.

No final da década de 50 do século passado, as críticas à Campanha de Educação de Adultos dirigiam-se tanto às suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica. Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava no curto período da alfabetização, a inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do país. Todas essas críticas convergiram para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo e para a consolidação de um novo paradigma pedagógico para a educação de adultos, cuja referência principal foi o educador pernambucano Paulo Freire. A partir disso, iremos historicizar a Educação de Jovens e Adultos num contexto formal de modalidade de ensino.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das limitações da Educação de Jovens e Adultos, observa-se que falta uma visão clara sobre os impactos da redução dos limites etários legais. De qualquer modo, a falta de relativa atratividade da EJA reitera a preocupação com a sua qualidade e capacidade de democratização. Conforme a perspectiva sociológica do conflito pode tratar-se de escolarização pobre para alunos pobres, reforçando as disparidades sociais, nos termos da análise sociológica. Pode também ser um caso de estigmatização de uma modalidade educacional, em virtude do status socioeconômico dos alunos que a frequentam. Com base em estudo, pude-se concluir que toda a teoria sobre a EJA, que perpassa décadas e décadas, ainda continua em plano utópico, apesar dos educadores dessa modalidade ter este conhecimento e discurso embasado teoricamente.

A escolarização de jovens e adultos informada pelo paradigma da educação popular dialogou criticamente com a tradição, porque se referiu, sobretudo, no universo cultural dos educados e questionou a valorização diferencial do conhecimento científico frente aos saberes construído nas práticas de trabalho e convivência no meio popular. Suas referências curriculares foram fortemente influenciadas pela proposta freireana de eleição de temas geradores pertinentes à experiência sociocultural dos alunos, que induziam também a uma abordagem interdisciplinar do currículo.

Poder contar com a disposição, boa vontade e entusiasmo dos professores em assumir esse compromisso de mudança, para que esse espírito de transformação contagie e motive os educados das classes da EJA, para que os mesmos também lutem para ser partícipes de uma prática educativa coerente com a realidade cultural por eles vivenciada.


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