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Zecharia Sitchin




AS GUERRAS DE DEUSES E HOMENS











TRADUÇÃO:

Evelyn Kay Massaro













2002

EDITORA BEST SELLER












SUMÁRIO




Prefácio ......................................................................................... 7

1. As Guerras do Homem .............................................................. 9

2. A Contenda entre Hórus e Set ................................................... 35

3. Os Mísseis de Zeus e Indra ....................................................... 61

4. As Crônicas da Terra ................................................................ 83

5. As Guerras dos Deuses Antigos .............................................. 105

6. Surge a Espécie Humana ......................................................... 125

7. A Divisão da Terra ................................................................... 147

8. As Guerras da Pirâmide ............................................................ 173

9. Paz na Terra .............................................................................. 195

10. O Prisioneiro da Pirâmide ....................................................... 225

11. "Sou uma Rainha”! .................................................................. 253

12. Prelúdio para o Desastre ...........................................................277


13. Abraão: Os Anos Fatídicos ......................................................309



14. O Holocausto Nuclear ..............................................................339

Epílogo ...........................................................................................373

As Crônicas da Terra: Cronologia ..................................................377




PREFÁCIO




Muito antes de os homens guerrearem com os homens, os deuses lutaram

entre si. De fato, as guerras entre os homens começaram com as guerras dos

deuses.

E as guerras dos deuses pelo domínio desta nossa Terra tiveram início em seu

próprio planeta.

Foi por causa delas que a primeira civilização da humanidade sucumbiu num

holocausto nuclear.

Isso é um fato, não ficção, e tudo o que se relaciona com ele foi registrado há

muito tempo - nas Crônicas da Terra.





1


AS GUERRAS DO HOMEM





Na primavera de 1947, um jovem pastor que procurava uma ovelha perdida

nas colinas áridas que dão para o mar Morto descobriu uma caverna e, em seu

interior, centenas de rolos de papiro em jarros de barro. Esses e outros

manuscritos encontrados na área nos anos subseqüentes - chamados

coletivamente de Manuscritos do Mar Morto - permaneceram ali,

cuidadosamente embalados e intocados, durante quase 2 mil anos, depois de

terem sido escondidos durante a época turbulenta em que a Judéia desafiou o

poderio do Império Romano.

Seriam eles parte da biblioteca oficial de Jerusalém, levada para um local

seguro antes de a cidade e seu templo caírem diante dos invasores no ano 70

ou, como afirma a maioria dos estudiosos, livros dos essênios, uma seita de

eremitas com preocupações messiânicas? As opiniões estão divididas, pois o

acervo continha tanto os tradicionais textos bíblicos como escritos que

tratavam da organização, costumes e crenças da seita.

Um dos mais longos e completos rolos, e talvez o mais impressionante de

todos, trata de uma guerra futura, um tipo de Guerra Final. Intitulado pelos

pesquisadores de A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas, o



texto prevê a disseminação de operações de guerra - combates locais em que

de início estariam envolvidos os vizinhos mais próximos da Judéia - que iriam

aumentando em ferocidade e escala até todo o mundo conhecido na Antigui-

dade ser abrangido. "O primeiro ataque dos Filhos da Luz contra os Filhos das

Trevas, ou seja, contra o exército de Belial, se dará sobre as tropas de Edom,

Moabe, a região dos amonitas e filisteus; depois sobre os quítios da Assíria e

aqueles que violaram a Aliança e os ajudaram”... Após essas batalhas, "eles

avançarão sobre os quítios do Egito" e, "na hora azada... contra os reis do

norte”.

Nessa guerra de homens, profetiza o papiro, o Deus de Israel terá um papel

ativo:




No dia em que os quítios caírem, haverá um tremendo combate, uma

verdadeira carnificina, na presença do Deus de Israel;

Pois esse é o dia que Ele marcou há muito, muito tempo para a batalha final

contra os Filhos das Trevas.




Muito antes de esse papiro ter sido escrito, o profeta Ezequiel já havia

vaticinado a Batalha Final, "no fim dos tempos", entre Gog e Magog, em que

o Senhor em pessoa "arrancará o arco de tua mão esquerda e fará as flechas

caírem de tua mão direita". No entanto, o manuscrito do mar Morto vai além,

prevendo a participação física de muitos deuses nessa guerra, combatendo

ombro a ombro com os mortais.




Nesse dia, a Companhia do Divino e a Congregação dos Mortais estarão lado

a lado na carnificina.

Os Filhos da Luz lutarão contra os Filhos das Trevas com uma exibição de

poderio divino, entre estrondoso tumulto, entre os gritos de guerra de homens

e deuses.




Apesar de os cruzados, os sarracenos e inúmeros outros combatentes em

guerras históricas terem ido à luta "em nome de Deus", parece-nos fantástica a

crença numa guerra futura onde o Senhor em pessoa estaria fisicamente

presente às batalhas e deuses e homens combateriam ombro a ombro, uma

idéia que deveria ser considerada, no máximo, uma alegoria. Todavia, não se

trata de algo tão extraordinário assim, pois na Antiguidade acreditava-se que



as guerras dos homens não somente eram decretadas pelos deuses, mas

também contavam com sua participação ativa.

Uma das guerras mais romanceadas da história da humanidade, em que "o

amor lançou mil navios ao mar", foi a guerra de Tróia, que envolveu os

gregos aqueus e os troianos. Segundo sempre nos contaram os gregos a

iniciaram com o objetivo de forçar os troianos a devolver a bela Helena a seu

marido legítimo. No entanto, uma lenda épica grega, a Kypna, conta que o

conflito foi tramado pelo grande Zeus:



Houve uma época em que milhares de homens sobrecarregavam o amplo seio

da Terra. Compadecendo-se deles, Zeus, em sua grande sabedoria, resolveu

aliviar o fardo da Terra.

Para isso, causou uma desavença em Ílion (Tróia) com o propósito de, por

meio da morte, criar um vazio na raça dos homens.



Homero, o escritor grego que relatou os eventos dessa guerra na Ilíada,


atribuiu-a aos caprichos dos deuses, que instigaram os conflitos, levando-os a

assumir enormes proporções. Agindo direta ou indiretamente, às vezes

visíveis, em outras não, os vários deuses atiçaram os principais atores desse

drama humano. E por trás de tudo estava Jove (Júpiter/Zeus): "Enquanto os

outros deuses e os guerreiros armados dormiam profundamente na planície,

Jove mantinha-se acordado, pois pensava em como poderia honrar Aquiles e

destruir muitas pessoas nos navios dos aqueus".

Já antes da batalha o deus Apolo incentivara as hostilidades: "Ele sentou-se

longe dos navios, com o rosto sombrio como a noite, e seu arco de prata

sibilou morte enquanto lançava a seta dos aqueus... Por nove dias inteiros ele

disparou flechas contra o povo... E durante o dia todo queimavam as piras dos

mortos". Quando os contendores aceitaram cessar as hostilidades, para que

seus líderes decidissem a questão num combate corpo a corpo, os deuses, des-

contentes com essa idéia, instruíram a deusa Minerva: "Vá imediatamente ao

campo de batalha e faça com que os troianos sejam os primeiros a romper a

trégua e a atacar os aqueus". Ansiosa por levar a cabo sua missão, Minerva

"lançou-se pelo firmamento como um brilhante meteoro... deixando atrás de si

um rastro flamejante". Mais tarde, não desejando que a batalha encarniçada

cessasse com a chegada da noite, a deusa iluminou o campo: "Ela levantou o

véu de seus olhos e muita luz caiu sobre eles, tanto no lado onde estavam os



navios como no campo de batalha. Os aqueus puderam ver Heitor e todos os

seus homens".

Enquanto os combates prosseguiam, levando às vezes a uma luta corporal

entre dois heróis, os deuses vigiavam, descendo de tanto em tanto para salvar

um soldado acuado ou parar um carro desgovernado. Mas quando eles se

deram conta de que estavam apoiando lados opostos, começaram a ferir-se

mutuamente. Zeus então ordenou-lhes que parassem e se mantivessem fora da

luta dos mortais.

Esse afastamento não durou muito, porque vários dos principais combatentes

eram filhos de deuses com parceiros humanos. Marte ficou especialmente

irritado quando seu filho Ascalafo caiu morto pela flecha de um aqueu. "Não

me culpem, deuses que habitam o céu, se eu for aos navios dos aqueus para

vingar a morte de meu filho", ele anunciou a seus pares, "mesmo se no final

eu seja atingido pelo raio de Jove, para cair coberto de sangue e poeira entre

os outros cadáveres.”

"Enquanto os deuses se mantiveram afastados dos guerreiros mortais",

escreveu Homero, "os aqueus triunfaram, pois Aquiles, que havia muito

recusava-se a lutar, agora estava com eles”. Porém, em vista do crescente

rancor entre os deuses e da ajuda que agora os gregos recebiam do semi-deus,

o herói Aquiles, Jove mudou de idéia:

"Quanto a mim, ficarei aqui no Olimpo, sentado, e observarei tranqüilamente.

Mas vocês outros dirijam-se para os troianos ou aqueus e ajudem o lado que

quiserem, segundo seu gosto”. Assim falou Jove, dando permissão para a

guerra. Ouvindo isso, os deuses escolheram seu lado e entraram na batalha.



Por muito tempo a Guerra de Tróia, bem como a própria Tróia, foi

considerada apenas parte de um fascinante, mas improvável conjunto de

lendas gregas que os eruditos, com um sorriso de tolerância, denominaram

"mitologia". A cidade e os eventos ligados a ela ainda eram vistos como pura

fantasia quando Charles McLaren sugeriu, em 1822, que um certo morro da

Turquia, chamado Hissarlik, devia marcar a antiga localização da Tróia

homérica. Todavia, só em 1870, quando um homem de negócios, Heinrich

Schliemann, começou a escavar o sítio, arriscando nisso a própria fortuna, e

apresentou espetaculares descobertas, foi que os eruditos passaram a acreditar

na existência de Tróia. Hoje, em geral, aceita-se que a guerra ocorreu no

século 13 a.C. Então, segundo fontes gregas, foi nessa época que homens e



deuses lutaram lado a lado. Uma crença estranha, mas os gregos não eram os

únicos a acreditar nela.

Naquele tempo, embora a ponta da Ásia Menor que dá para a Europa estivesse

salpicada de povoados essencialmente gregos, a maior parte da região era

dominada pelos hititas. Inicialmente conhecidos dos eruditos apenas por

serem citados na Bíblia, e mais tarde nos textos egípcios, esse povo e seu

reino - Hatti - também ganharam vida quando os arqueólogos começaram a

descobrir as ruínas de suas cidades.

A decifração da escrita dos hititas e o estudo de sua língua indo-européia

tornaram possível situar a origem desse povo no segundo milênio antes de

Cristo, quando as tribos arianas começaram a migrar da área do Cáucaso,

algumas dirigindo-se para a Índia, outras para a Ásia Menor. O reino hitita

floresceu por volta de 1750 a.C. e entrou em declínio cerca de quinhentos

anos depois, época em que passou a ser atormentado por incursões dos

habitantes da área do mar Egeu. Os hititas referiam-se a esses invasores como

o povo de Aquiyava, e muitos estudiosos acreditam que se trata do mesmo

povo que Homero chamava aquioi - cujo ataque à ponta ocidental da Ásia

Menor ele imortalizou na Ilíada.


Por muitos séculos antes da Guerra de Tróia, os hititas expandiram seu reino,

que chegou a atingir proporções imperiais, afirmando estar cumprindo ordens

de seu deus supremo, Teshub ("O Trovejante"), cujo epíteto mais antigo era

"Deus da Tempestade cuja Força Causa Morte". Os reis hititas às vezes

garantiam que ele participava pessoalmente das batalhas. Segundo escreveu o

rei Murshilis, o poderoso deus da Tempestade mostrou seu divino poder e

lançou um raio sobre o inimigo, ajudando-o a derrotá-lo. Quem também auxi-

liou os hititas foi a deusa Ishtar, cujo epíteto era "A Senhora do Campo de

Batalha". Muitas vitórias lhe foram atribuídas pelo fato de ela "ter descido do

céu para esmagar os países hostis".

A influência hitita como indicam muitas referências encontradas no Antigo

Testamento, estendia-se até Canaã, ao sul. Todavia, os hititas viviam nessa

região como colonizadores, e não como conquistadores, encarando a área

como uma zona neutra, opinião não compartilhada pelos egípcios. Os faraós

estavam sempre pretendendo ampliar seus domínios penetrando em Canaã e

no País dos Cedros (Líbano), e terminaram sendo bem-sucedidos por volta de

1470 a.C. quando derrotaram uma coalizão de reis hititas em Megido.

O Antigo Testamento e as várias inscrições deixadas pelos inimigos dos

hititas os mostram como guerreiros cruéis que aperfeiçoaram o uso do carro



de combate no Oriente Médio da Antiguidade. Todavia, segundo sugerem os

textos desse povo, eles só entravam em guerra quando seus deuses lhes

ordenavam e depois que o inimigo tivesse a chance de se render pacificamente

antes do início das hostilidades. Como vencedores, segundo esses mesmos

textos, satisfaziam-se em receber tributos e cativos; não saqueavam as cidades

nem massacravam a população.

Mas Tutmés III, o faraó que venceu a batalha de Megido, vangloriou-se em

suas inscrições: "Esta majestade foi para o norte saqueando cidades e

arrasando acampamentos". Ao falar de um rei vencido, escreveu: "Destruí

suas cidades, incendiei seus acampamentos, transformando-os em montes de

terra; jamais conseguirão repovoar a região. O povo inteiro capturei, fiz dele

prisioneiro. Apoderei-me de suas inúmeras cabeças de gado, bem como de to-

das as suas mercadorias. Tomei tudo o que podia servir à vida: cortei seus

grãos, derrubei os pomares e as árvores de sombra. Destruí-os totalmente". E,

segundo o faraó, tudo isso foi feito sob as ordens de seu deus, Amon-Ra.

A natureza cruel dos guerreiros egípcios e a destruição impiedosa que

infligiam aos inimigos vencidos eram objeto de orgulhosas inscrições. O faraó

Pepi I, por exemplo, comemorou sua vitória sobre os "habitantes da areia"

asiáticos num poema saudando seu exército, que "arrasou o país dos

habitantes da areia... cortou sua figueiras e vinhedos... incendiou suas casas e

matou dezenas de milhares de sua gente". Os textos eram acompanhados de

vívidas representações de cenas de batalhas.

Seguindo essa tradição de crueldade, o faraó Pi-Ankhi, que enviou tropas do

Alto Egito para esmagar uma rebelião no Baixo Egito, enfureceu-se diante da

sugestão de seus generais para que poupasse os adversários derrotados.

Jurando "destruição perene", o faraó prometeu entrar na cidade capturada

"para arrasar o que tinha restado". E acrescentou: "Por isso meu pai, Amon,

me elogia".

O deus Amon, a cujas ordens os egípcios atribuíam a própria crueldade nas

batalhas, tinha um seu igual no Deus de Israel. Vejamos a citação do profeta

Jeremias: "Assim disse o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: 'Punirei

Amon, deus de Tebas, e os que nele confiam, e levarei a retribuição contra o

Egito, seus deuses, faraós e reis..."'. Essa disputa, como nos conta a Bíblia,

não tinha fim. Já mil anos antes, na época do êxodo, Iahweh, o Deus de Israel,

fez cair sobre o Egito uma série de pragas, com o objetivo não apenas de

amolecer o coração do faraó, mas também para funcionar como um

"julgamento contra todos os deuses do Egito".



A milagrosa partida dos israelitas na direção da Terra Prometida, escapando

da servidão, é atribuída a uma intervenção direta de Iahweh:




E, tendo saído de Sucot, acamparam em Etam, à entrada do deserto.


E Iahweh ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para lhes


mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar.





Houve em seguida uma batalha, que o faraó evitou deixar registrada em

inscrições, mas que é contada no Livro do Êxodo:




E o coração do Faraó e seus servos mudaram a respeito do povo...


E os egípcios seguiram depois deles, e os alcançaram acampados junto ao


mar...





E Iahweh, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o


mar se retirar; e as águas foram divididas.


Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco...




Ao alvorecer, quando os egípcios deram-se conta do que tinha acontecido, o

faraó mandou seus carros perseguirem os israelitas. Mas...




Na vigília da manhã, Iahweh, da coluna de fogo e da nuvem, viu o


acampamento dos egípcios e nele lançou confusão. Ele emperrou as rodas


de seus carros e fê-los andar com dificuldade.


Então, os egípcios disseram:


"Fujamos da presença dos israelitas, porque Iahweh combate a favor


deles contra o Egito".




Mas o governante egípcio que perseguia os israelitas ordenou que seus carros

continuassem o ataque. O resultado lhe foi calamitoso.




E as águas voltaram e cobriram os carros e cavaleiros de todo o exército


do Faraó, que os haviam seguido no mar; e não escapou um só deles...


E Israel viu o grande poder que Iahweh havia mostrado contra os


egípcios.






A linguagem bíblica é quase idêntica à que um faraó posterior, Ramsés II,


usou para descrever o milagroso aparecimento de Amon-Ra durante a decisiva

batalha contra os hititas, em 1286 a.C.

O combate, travado na fortaleza de Cades, no Líbano, mobilizou quatro

divisões de Ramsés II contra as forças reunidas pelo rei Muwatallis, dentre

todas as partes de seu império. Terminou com a retirada egípcia, abortando o

avanço do faraó em direção à Síria e à Mesopotâmia. No entanto, a batalha

esgotou os recursos hititas e deixou-os fracos e vulneráveis.

A vitória hitita poderia ter sido mais decisiva, uma vez que estes quase

conseguiram capturar o faraó. Até agora, só foram encontrados fragmentos de

inscrições hititas sobre a guerra. Mas Ramsés, ao voltar para o Egito, achou

conveniente descrever em detalhes o milagre de sua fuga.

Suas inscrições nas paredes dos templos, acompanhadas de ilustrações

detalhadas, contam como as hostes egípcias chegaram a Cades e acamparam

ao sul da cidade, preparando-se para a batalha. Surpreendentemente, os hititas

não avançaram contra eles. Ramsés, então, ordenou que duas divisões

atacassem a fortaleza. Foi quando os carros hititas surgiram, como se viessem

do nada, pegando pela retaguarda as divisões que avançavam e causando

grandes estragos no acampamento das outras duas.

Quando as tropas egípcias começaram a fugir em pânico, Ramsés subitamente

percebeu que "estava sozinho com seu guarda-costas" e, "quando o rei olhou

para trás, viu que estava bloqueado por 2500 carros" do inimigo. Abandonado

por seus oficiais, pelos condutores e pela infantaria, o faraó voltou-se para seu

deus, lembrando-o de que só se encontrava naquela situação aflitiva porque

atendera as ordens dele:




E sua Majestade disse:


"E agora, meu Pai Amon”?


Um pai esqueceu-se de seu filho?


“Seja o que for que eu tenha feito ou não, não foi seguindo tuas ordens”?





Lembrando ao deus egípcio que o inimigo adorava outros deuses, Ramsés

perguntou: "O que são esses asiáticos para ti, ó Amon? Esses miseráveis que

de ti nada conhecem, ó Deus?".

O faraó continuou implorando a Amon para salvá-lo, lembrando-lhe que os

poderes da divindade eram maiores do que "milhões de soldados, centenas de



condutores de carros", e então aconteceu o milagre: o próprio deus surgiu no

campo de batalha!




Amon ouviu quando chamei.


Ele estendeu a mão para mim e me rejubilei.


Colocou-se atrás de mim e gritou:


"Para a frente"! Para a frente!


"Ramsés, filho amado de Amon, estou contigo”!




Seguindo as ordens de seu deus, Ramsés avançou para o meio das tropas

hititas. Sob a influência de Amon, os inimigos mostraram-se

inexplicavelmente debilitados. "Suas mãos caíram para os lados, eles não

conseguiam segurar e atirar as lanças”. E os hititas diziam uns aos outros:

"Não é mortal este que está entre nós. Ele é um deus poderoso; seus feitos não

são de homem; há um deus em seus membros". Sem encontrar oposição,

matando inimigos à esquerda e à direita, Ramsés conseguiu escapar.

Depois da morte de Muwatallis, os reinos egípcio e hitita firmaram um tratado

de paz, e o faraó tomou como sua principal esposa uma princesa hitita. A paz,

era necessária porque não apenas os hititas, mas também os egípcios estavam

sendo ameaçados pelos "povos do mar", invasores vindos de Creta e de outras

ilhas gregas. Estes acabaram conquistando territórios na costa mediterrânea de

Canaã e tornaram-se os filisteus da Bíblia. No entanto, os ataques que

lançaram contra os egípcios foram rechaçados pelo faraó Ramsés III, que

comemorou a vitória mandando pintar as cenas da batalha nas paredes dos

templos. Nas inscrições, ele atribuiu seu êxito "ao Todo-Poderoso, meu

augusto divino pai, o Senhor dos Deuses". O crédito do triunfo deveria caber a

Amon-Ra, pois, como afirmou o faraó, ele "estava na retaguarda do inimigo,

destruindo-o".



A trilha sangrenta das guerras dos homens contra seus semelhantes em favor

dos deuses agora nos leva à Mesopotâmia - a Terra entre os Rios (Tigre e

Eufrates) -, o país bíblico de Senaar. Foi lá, segundo é relatado no Gênesis,

11, que surgiram as primeiras cidades com prédios feitos de tijolos e torres

que pareciam arranhar o céu. Foi lá também que se iniciou o registro da

História, e mais, onde começou a Pré-História, com o estabelecimento das pri-

meiras povoações dos antigos deuses.



Mil anos antes dos tempos dramáticos de Ramsés II, na distante

Mesopotâmia, um jovem ambicioso subiu ao trono. Seus súditos o chamavam

de Sharru-Kin - "O Governante Justo"; nossos livros de história referem-se a

ele como Sargão I. Esse rei construiu uma nova capital, Acad, e fundou o

reino de Acad. A língua acadiana, escrita com caracteres cuneiformes, foi a

língua-mãe de todos os idiomas semíticos, dos quais continuam em uso o

hebraico e o árabe.

Tendo governado durante a maior parte do século 24 a.C., Sargão atribuía a

longa duração do seu reinado (54 anos) à condição especial que lhe fora dada

pelos Grandes Deuses, fazendo dele "Supervisor de Ishtar, Sacerdote Ungido

de Anu, o Grande e Virtuoso Pastor de Enlil". Segundo escreveu o rei, foi

Enlil "que não deixou ninguém se opor a Sargão" e lhe concedeu "a região do

Mar Superior até o Mar Inferior" (do Mediterrâneo até o golfo Pérsico). Era

por isso que Sargão levava os reis capturados em batalhas, puxando-os por

cordas presas a coleiras, ao "portão da Casa de Enlil".

Numa de suas campanhas nas montanhas Zagros, Sargão teve a oportunidade

de presenciar um milagre dos deuses igual ao testemunhado pelos

combatentes de Tróia. Enquanto ele "avançava pelo país Warahshi...

penetrando na escuridão... Ishtar fez uma luz brilhar". Dessa forma, o rei pôde

liderar suas tropas no avanço através da montanha do atual Luristão.

A dinastia acadiana iniciada por Sargão chegou ao auge sob seu neto Naram-

Sin ("O Amado do Deus Sin"). Segundo está gravado nos monumentos que

ele construiu, suas conquistas foram possíveis porque seus deuses o armaram

com um artefato singular, "A Arma do Deus", e outros deuses consentiram em

sua entrada - ou até o convidaram a fazê-lo - nas regiões sob sua proteção.

Naram-Sin concentrou a maior parte de seu avanço na região a noroeste de

seu reino, e uma de suas conquistas foi a cidade-Estado de Ebla, cujo arquivo

de tabuinhas de argila, recém-descoberto, continua despertando grande

interesse científico. "Embora desde a época da separação da humanidade

nenhum rei jamais tenha destruído Arman e Ebla, o deus Nergal abriu

caminho para o poderoso Naram-Sin e deu-lhe as duas cidades. O deus

também o presenteou com Amanus, a Montanha dos Cedros, até o Mar

Superior”.

Naram-Sin atribuiu aos deuses tanto suas campanhas bem-sucedidas como sua

queda, ocorrida por ele ter ido à guerra contra suas ordens expressas. Os

eruditos reconstituíram, a partir de fragmentos de várias versões, um texto que

intitularam de A Lenda de Naram-Sin. Falando na primeira pessoa, o rei



explica nessa lamentação que seus problemas começaram quando a deusa

Ishtar "mudou de planos" e os deuses deram sua bênção a "sete reis, sete

irmãos, gloriosos e nobres, com tropas de 360 mil homens". Vindos da região

onde atualmente se encontra o Irã, esses guerreiros invadiram os países

montanhosos de Gutium e Elam, a leste da Mesopotâmia, e começaram a

avançar sobre Acad. Naram-Sin pediu orientação aos deuses e foi aconselhado

a guardar as armas e ir dormir com sua esposa (mas, por algum motivo

qualquer, não devia fazer sexo com ela).




Os deuses lhe responderam:


"Ó Naram-Sin, esta é nossa palavra”:


Esse exército que contra ti avança...


Amarra tuas armas, num canto as encoste!


Contenha tua ousadia, fica em casa!


Junto com tua esposa, vá dormir, Mas com ela não podes...


“Sair de teu país, ir ao encontro do inimigo, não deves".





Mas Naram-Sin, contrariando o desejo dos deuses, declarou que confiava no

próprio poderio e decidiu atacar o inimigo. "Quando chegou o primeiro ano,

mandei 120 mil soldados, mas nenhum voltou vivo", confessou o rei na

lamentação. Mais tropas foram aniquiladas no segundo e terceiro ano, e Acad

aos poucos ia sucumbindo diante da fome e da morte. No quarto aniversário

da guerra não autorizada, Naram-Sin suplicou ao deus Ea que passasse por

cima da autoridade de Ishtar para colocar seu caso diante dos outros deuses.

Estes o aconselharam a desistir da luta, prometendo: "Nos dias que virão,

Enlil fará cair a perdição sobre os filhos do mal", e então Acad teria sua

vingança.

A prometida Era de paz durou três séculos, durante os quais a parte mais

antiga da Mesopotâmia, a Suméria, ressurgiu como a sede da monarquia, e os

primeiros centros urbanos da Antiguidade - Ur, Nippur, Lagash, Isin e Larsa -

voltaram a florescer. A Suméria, sob o governo dos reis de Ur, era o cerne de

um império que abrangia todo o Oriente Médio. Todavia, no final do terceiro

milênio anterior a Cristo, a região tornou-se uma arena onde se conflitavam

lealdades e exércitos. Foi então que essa grande civilização a primeira de que

se tem notícia no mundo - sucumbiu, numa catástrofe de proporções sem

precedentes.



Esse foi um evento fatídico que, acreditamos, teve eco nos relatos bíblicos,

um desastre cuja lembrança durou muito, muito tempo, e foi tema de

inúmeros poemas de lamentação. Esses textos nos dão uma descrição bem

clara do estrago e da desolação que se abateram sobre o âmago dessa antiga

civilização. E, segundo os textos mesopotâmicos, tal catástrofe que destruiu a

Suméria ocorreu por decisão do conselho dos grandes deuses.

A parte sul da Mesopotâmia levou um século para ser repovoada e mais outro

para se recuperar totalmente da aniquilação divina. A essa altura, a sede do

poder se transferira para o norte, para a Babilônia, onde se levantaria um novo

império, proclamando como sua deidade suprema um deus ambicioso -

Marduk.

Por volta de 1800 a.C., Hamurabi, o rei que ficou famoso pela criação de um

código de leis que levou seu nome, subiu ao trono da Babilônia e começou a

alargar suas fronteiras. Segundo suas inscrições, os deuses não apenas lhe

diziam se e quando devia desencadear suas campanhas militares, mas também

lideravam seus exércitos.




Com o poder dos grandes deuses, o rei, filho amado de


Marduk, restabeleceu as fundações da Suméria e de Acad.


Sob o comando de Anu e com Enlil à frente de seu exército, e mais os


extraordinários poderes que os deuses lhe deram, ele não podia ser


vencido pelo exército de Emutbal e seu rei, Rim-Sin...




Para Hamurabi derrotar os inimigos, o deus Marduk presenteou-o com uma

"arma poderosa", chamada "O Grande Poder de Marduk".




Com a Arma Poderosa com a qual Marduk proclamava seus triunfos, o


herói (Hamurabi) derrotou em batalha os exércitos de Eshnunna,


Subartu e Gutium...


Com o Grande Poder de Marduk ele venceu os exércitos de Sutium,


Turukku, Kamu...


Com o Grande Poder que Anu e Enlil lhe deram, derrotou todos os seus


inimigos até o país de Subartu.





No entanto, o poderio da Babilônia não durou muito, pois logo surgiu um

rival a sua altura, situado mais ao norte - a Assíria, onde o deus supremo era

Assur (O que Tudo Vê). Enquanto os babilônios engalfinhavam-se com



inimigos ao sul e a leste, os assírios foram estendendo seu domínio nas

direções norte e oeste, indo até "o país do Líbano, nas margens do Grande

Mar". Essas regiões pertenciam aos deuses Ninurta e Adad, e os reis da

Assíria tomaram o cuidado de registrar que suas campanhas foram iniciadas

sob ordens explícitas dos dois. Tiglat-Pileser I comemorou suas guerras, no

século 12 a.C., com as seguintes palavras:




Tiglat-Pileser, o rei legítimo, rei do mundo, rei da Assíria, rei das quatro


regiões da terra;


O corajoso herói, guiado pelas ordens de Assur e Ninurta, os grandes


deuses, seus amos, derrotou os inimigos...


Sob o comando de meu senhor Assur, minha mão conquistou desde a





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