Discurso proferido pelo deputado eunício oliveira



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DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO EUNÍCIO OLIVEIRA

NA SESSÃO DO DIA _____ DE OUTUBRO DE 2007.


Senhor Presidente


Senhoras e Senhores Deputados
Em breve nota, ao inicio da tarde de sexta-feira, 12 de outubro corrente, o hospital Sírio Libanês, de São Paulo, anunciou, para o país, a morte de Paulo Autran, o maior ator do Teatro brasileiro, o grande mestre das artes cênicas, o Senhor dos palcos, que encantou, por quatro décadas, platéias de São Paulo, do Rio de Janeiro e das demais capitais.
Paulo Autran morreu aos 85 anos de idade, no hospital Sírio Libanês, onde estava internado, sob os cuidados do urologista Draúzio Varella, e se submetia a sessões de radioterapia e quimioterapia, no tratamento de um câncer no estômago.
Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 07 de setembro de 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, Paulo Autran estreou no teatro em 1949, contratado pela atriz Tônia Carrero, como interprete de “Um Deus dormiu lá em casa”, de Guilherme de Figueiredo. A montagem da peça constituiu grande sucesso, ganhando todos os prêmios do ano e recebendo aplausos da critica. Foi o marco inicial da trajetória vitoriosa de um ator que se tornou o continuador de grandes astros da dramaturgia e da comédia brasileiras : João Caetano, Procópio Ferreira, Jaime Costa, Sérgio Costa, Sérgio Cardoso, Raul Cortez, Leopoldo Froes e muitos outros que dedicaram suas vidas às artes cênicas.
O sucesso inicial garantiu a Paulo Autran, o ingresso na Escola do Teatro Brasileiro de Comédia – TBC, do qual saiu para fundar, posteriormente, com Tônia Carrero, sua própria companhia de teatro : CTCA – Companhia Tônia – Celi – Autran, em sociedade com o famoso diretor italiano Adolfo Celi, que teve sobre ele considerável influência profissional.
Nos anos seguintes, deu-se a ampliação de sua trajetória no teatro, encenando peças clássicas de Shakespeare, como “Rei Leal”, “Otelo” e “Macheth”. Desde então, os sucessos se sucederam, a cada encenação de peça.
Dentre outros grandes êxitos, vale lembrar : “My- faiz- Lady”, um musical que marcou record’s de bilheteria; “Lisbela e o Prisioneiro”; “Edipo Rei”; “O Burguês Fidalgo”; “Mundo vasto mundo”; “O Ceu tem que esperar”; “O Crime do Dr. Alvarenga” e Liberdade, Liberdade”, em 1965 – em plena ditadura militar, quando teve sérios problemas com a censura, aos quais não cedeu.
Mas não só no teatro Paulo Autran teve atuação marcante, no curso de quatro decadas. No cinema foi, também, um vitorioso, apesar de participação discreta, bem mais parcimoniosa e esporádica. Em 1962, estreou em “Uma pulga na balança”, mas o reconhecimento nacional à sua presença em filmes só ocorreu seis anos depois, em 1968, como personagem do ditador delirante “Eldorado tropicalista”, de Glauber Rocha, em “Terra em Transe”. Sua última participação no cinema foi em “O ano em que meus pais saíram de férias”, que representou o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar de Filme Estrangeiro.
Na TV, como participante de novelas, sua atuação foi, igualmente, restrita, o que justificou por não gostar de participação em novelas. Mesmo assim, teve presença marcante em “Pai Heroi”, 1979; “Os Imigrantes”, 1981; “Guerra dos Sexos”, 1983; “Saçaricando”, 1987; “Brasileiros e Brasileiras”, 1990; “Hilda Furacão”, 1998; e “Você Decide”, 1999.
Ao registrar sua morte, a imprensa brasileira, jornais, revistas, emissoras de TV e rádio, o considerou, merecidamente, o maior ator brasileiro do século XX, um notável contador de casos, um interprete primoroso de poesia, aplaudido por todo o Brasil. E enfatizou, sobretudo, o espetáculo “Solo quadrante”, no qual Paulo Autran narra sua vida.
Competente, elegante, arguto e, sobretudo, profissional Paulo Autran fez história no Teatro brasileiro. Será sempre o referencial de um período fascinante do nosso teatro. A morte o retirou da cena dos palcos, mas ele permanecerá sempre na lembrança dos brasileiros como o incomparável Senhor dos palcos.
Dias antes da morte, o mestre Paulo Autran planejou a despedida definitiva do seu público fiel, no Teatro Cultura Artística de São Paulo, na noite de 17 de julho do corrente ano, ao reconhecer que a doença insidiosa já não lhe permitia a permanecia no palco que tanto amou.
Mas o destino não permitiu que a saída de cena ocorresse de forma consagradora, como tantas vezes ocorrera. Minutos anos da abertura do espetáculo, teatro lotado, Paulo Autran sentiu-se mal, tendo de ser socorrido de imediato. As cortinas do palco caíram, silenciosas. Um locutor emocionado anunciou a suspensão da encenação da peça “O Avarento” de Moliere, uma montagem dirigida por Felipe Hirsch, seu último Diretor. Era o começo do fim, já bem próximo, que acabou acontecendo ao inicio da tarde de 12 de outubro, data consagrada à Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
Ao seu lado estavam a atriz Karin Rodrigues, sua esposa, e poucas pessoas da intimidade, das quais se despediu com singelo e comovido agradecimento. Deixou uma história de amor ao teatro E uma lição de honradez, de competência, de profissionalismo.
São Paulo o reverenciou, prestando-lhe justa e merecida homenagem, abrindo as portas de sua Assembléia Legislativa para a realização do velório. Autoridades e povo foram vê-lo em romaria, numa despedida marcada pela emoção e pela saudade daquele que tanto engrandeceu o teatro brasileiro, como interprete de grandes clássicos da dramaturgia e de inúmeras comédias.

Com a morte de Paulo Autran, o Brasil perdeu seu maior ator, mas sua trajetória de vida será sempre um referencial para os que vierem a sucede-lo nos palcos de nossos teatros.


Em nome dos meus conterrâneos cearenses, que tanto o admiravam, presto-lhe a homenagem da terra das verdes mares bravios.







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