Discurso proferido pelo Deputado, em



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DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE), NA SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, EM 23/09/2003.

Senhor Presidente

Senhoras e Senhores Deputados,

PATRIOTA HOMENAGEA ZÉ DANTAS

Gostaria de fazer um registro, Senhor Presidente, sobre um ilustre conterrâneo que muito honra nosso querido Pernambuco e todo o Brasil. Quero falar um pouco de uma pessoa das mais versáteis, que foi médico, compositor, roteirista, artista e, acima de tudo, profundo conhecedor do sertão: José de Souza Dantas Filho — ou simplesmente Dantas, um compositor, poeta e folclorista fundamental para a fixação do baião como gênero de sucesso, sobretudo graças às suas parcerias com Luiz Gonzaga a partir de 1950, quando este se separou do parceiro inicial, Humberto Teixeira.

Em 1938 Zé Dantas já compunha suas primeiras músicas e escrevia crônicas sobre folclore para uma revista
pernambucana. Foi em 1949 que conheceu Luiz Gonzaga e a partir do ano seguinte iniciaram uma profícua série de sucessos imortais assinados a quatro mãos, como "Vem Morena", "A Dança da Moda", "Riacho do Navio", "Vozes da Seca", "A Volta da Asa Branca", "Imbalança", "ABC do Sertão", "Algodão", "Cintura Fina" e "Forró de Mané Vito".

O modo como ele conheceu Luiz Gonzaga foi muito interessante: em 1949, em sua segunda viagem ao Recife, Gonzagão foi abordado por um estudante de medicina que sabia todas as suas músicas e conhecia muito bem os costumes do sertão. Cantarolou algumas composições suas que deixaram Luiz arrepiado.

-- Meu nome é José de Souza Dantas Filho, mas me chamam só de Zé Dantas. Esse episódio foi narrado nos seguintes versos:
"Com esse dotô, Zé Danta,
Eu pus o Brasil em guerra,
Fiz gente cá da cidade
Vortá a morá na serra
Coloquemo os Brasileiro

Cada quá em sua terra."


Luiz resolveu na mesma hora gravar as coisas de Zé Dantas. O moço só fez uma exigência curiosa: que seu nome não aparecesse, pois sua família não iria gostar. Luiz não atendeu ao pedido do novo amigo, que em 1950 vinha para o Rio fazer estágio em obstetrícia,
logo tornando-se médico efetivo. A família também não ficou zangada, pois sabia que Zé continuava um sério médico e profissional competente.

Foi na mesma época em que gravava suas últimas composições com Humberto Teixeira que Luiz lançou Zé Dantas: Vem Morena (10/49), A Dança da Moda (04/50), Cintura Fina (05/50), A Volta da Asa Branca (08/50). Com o novo parceiro faria músicas brejeiras, como o Xote das Meninas, mas, principalmente, reafirmaria sua intenção de cantar o Nordeste em seus aspectos curiosos (ABC do Sertão), em seu problema angustiante (Vozes da Seca), os trabalhos de seus homens (Algodão) e as perspectivas de progresso (Paulo Afonso). Músicas voltadas para os problemas sociais do Nordeste e do país, elas são encaradas hoje como precursoras da chamada "música de protesto". Um protesto "lírico", nas palavras de Luiz Gonzaga.

A parceria com Zé Dantas terminaria com a morte prematura do médico pernambucano, em 1962, aos 41 anos de idade. Morria numa época em que o baião e a música sertaneja não mais dominavam as grandes cidades, permanecendo vivos, entretanto, no interior do país.

O município de Carnaíba, no Alto Sertão do Pajeú, realiza, nos próximos dias 24 e 25 de setembro, mais uma Festa do Poeta, dedicada ao poeta Zé Dantas, filho ilustre da cidade e um dos grandes parceiros de Luiz Gonzaga, conforme acabei de descrever. O evento já


está em sua décima primeira edição, e a cada ano leva o nome de uma música do médico pernambucano falecido em 1962.

A programação da Festa do Poeta inclui shows de artistas da região, violeiros, bandas, apresentações de teatro na Praça Santo Antônio. É um evento já consagrado em Pernambuco. Tornou-se uma das grandes atrações turísticas e culturais do Estado e representa fonte de orgulho e desenvolvimento para a cidade de Carnaíba.

Era o que tinha a dizer, Senhor Presidente.
Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2003.

Deputado GONZAGA PATRIOTA



PSB/PE






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