Discurso do deputado mauro benevides



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DISCURSO DO DEPUTADO MAURO BENEVIDES

PROFERIDO EM 04 DE NOVEMBRO DE 2003

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados:
O Brasil perdeu, hoje, uma de suas maiores expressões culturais, a escritora Raquel de Queiroz, integrante das mais ilustradas da Academia Brasileira de Letras e de nossa Academia no Ceará, a que pertenço, com muita honra, ao lado dos demais integrantes, que, desde cedo, pranteiam a perda de um dos expoentes da vida intelectual do País.

Nascida nos sertões do Quixadá, em sua fazenda Não me deixes, ela demonstrou, desde a sua juventude, aprimorada tendência para as lides literárias, despontando com o livro "O Quinze" e sequenciando, a partir de então, uma brilhante trajetória, espelhada em obras imperecíveis como as Três Marias e Memorial de Maria Moura – esta transformada em minisérie na teledramaturgia do nosso País.

São obras de sua autoria:


  • O Quinze (1930)

  • João Miguel (1932)

  • Caminho de Pedras (1937)

  • As Três Marias (1939)

  • A Donzela e a Moura Torta - crônicas (1948)

  • O Galo de Ouro (1950)

  • Lampião - teatro (1953)

  • A beata Maria do Egito - teatro (1958)

  • 100 Crônicas Escolhidas (1958)

  • O Brasileiro Perplexo - crônicas (1964)

  • O Caçador de Tatu - crônicas (1967)

  • O Menino Mágico - infanto-juvenil (1969)

  • As Menininhas e Outras Crônicas (1976)

  • O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas (1980)

  • Cafute e Pena-de-Prata - infanto-juvenil (1986)

  • Memorial de Maria Moura (1992)

E, ainda, obras reunidas de ficção:

  • Três Romances (1948)

  • Quatro Romances (1960)

Ainda no último sábado, no encontro em Fortaleza com o presidente da ABL, embaixador Alberto da Costa e Silva, focalizamos a figura extraordinária de Raquel de Queiroz, enumerando-lhe alguns dos méritos incontáveis, especialmente o entranhado amor que nutria pelo Nordeste e pela nossa Unidade Federada.

Recentemente, a TV Câmara, numa retrospectiva histórica de enorme repercussão, entrevistou a notável escritora, com o repassar de registros singulares, que evidenciavam o talento fulgurante da primeira mulher a ascender à Casa de Machado de Assis.

Com formação doutrinária convictamente esquerdizante, mereceu, porém, atenção especial do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, que nunca deixou de homenageá-la por suas qualidades comprovadas, postas em evidência em vasta bibliografia, aceita com entusiasmo pelo público ledor.

Ao empossar-se, – já na condição de imortal da nossa ABL – na Academia de Letras do Ceará, afirmou que "a emoção experimentada era redobrada", uma vez que o seu Estado nunca deixou de estar presente em todas as suas elucubrações, sendo cenário de muitos de seus romances, que a tornaram ícone dos nossos foros culturais.

Radicada no Rio de Janeiro, a cada ano destinava um período de férias para visitar o seu município, no Sertão Central cearense, quando retemperava as energias e buscava temas para artigos diversificados, publicados em vários órgãos de nossa imprensa.

Recordo, com profunda saudade, a posse de Darcy Ribeiro, em 1994, quando, ali mantive com Raquel de Queiroz e sua irmã Maria Luiza um longo diálogo, que sempre tinha como evocação os temas do nosso Ceará, que ela sempre soube enaltecer e dignificar.

É, portanto, com sentida emoção, que registro a morte de Raquel de Queiroz, conterrânea eminente, que se tornou Glória do Ceará e do País.



MAURO BENEVIDES


Deputado Federal







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