Disciplina: pgl 510095. Políticas do saber. Uma arqueologia da cultura moderna. Curso



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA
Disciplina: PGL 510095. Políticas do saber. Uma arqueologia da cultura moderna.

Curso: O intelectual público

Professor: Raul Antelo. As aulas também irão contar com o acompanhamento e a assistência do Prof. Dr. Leonardo D’Avila, pesquisador do CNPq e professor visitante no Programa.

Período: primeiro semestre de 2016.

Horário: quinta-feira, às 17h.
Programa:

A partir da crise das vanguardas nas primeiras décadas do século XX, a pretensão de poéticas específicas, dentro de uma concepção limitada de esfera pública, também entra em crise. Em contrapartida, entre as décadas de 1930 e 1960, ganha força a figura do intelectual engajado nas discussões políticas e estéticas. Sobre esse fenômeno, antes de repetir a questão em termos modernistas, privilegiando a autonomia da arte e a individualidade do artista, Michel Foucault trouxe subsídios, em seu último curso no Collège de France, para se pensar que o risco, a polêmica e a radicalidade dos intelectuais não diriam respeito a uma conquista de espaço ou redefinição de uma verdade corajosa, mas da própria coragem da verdade, isto é, de uma redefinição da singularidade das relações entre discurso e poder. A verdade e a liberdade, nesse sentido, passariam a ser questões de alteridade e diferença. O principal enfoque da disciplina consiste em discutir alguns desses intelectuais públicos no cenário cultural brasileiro, muitos dos quais não vingaram, ficando como meros corifeus de outras figuras mais destacadas: de um lado, Mário de Andrade, Alceu Amoroso Lima, Oswald de Andrade, mas junto a eles, Rosário Fusco, Prudente de Moraes Neto, Euryalo Cannabrava, Guerreiro Ramos. As aulas deverão problematizar a figura do intelectual público ao considerar diversas disseminações e desvios de noções tais como público, povo, pessoa, caráter, sinceridade, massa, meios e mídias.


Tópicos:

a) As caras de Mario de Andrade: a ausência de caráter e sua relação com a conceituação de um povo informe em relação à concepção holística de nação.

b) O jogo arriscado dos jovens intelectuais dos anos 40: Rosário Fusco, Prudente de Moraes, neto, Euryalo Cannabrava. Cultura e organicidade. Sinceridade. Cinismo e verdade.

c) As utopias nos anos 40 a partir de intelectuais mais afastados do Estado brasileiro: Oswald de Andrade, Alceu Amoroso Lima, Guerreiro Ramos e Otto Maria Carpeaux. Identidade e diferença. Utopia, distopia e heterotopias.

d) Novas abordagens sobre o intelectual público. O “público” do intelectual. Literatura, terra e desterritorialização. Instinto e instituição. Espectros da política.

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