Diplomacia e comercio exterior no mundo globalizado



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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
DIPLOMACIA E COMERCIO EXTERIOR NO MUNDO GLOBALIZADO

JULIA KOCH

3° RI INVERNO

CURITIBA


2003
DIPLOMACIA
O sistema internacional está em profunda mutação. Alcançar a estabilidade é a utopia por ele perseguida desde a formação das distintas comunidades. O sistema internacional nasceu paralelamente ao sistema interestatal. No pós-Guerra Fria, o multilateralismo adota novas formas: a diplomacia de cúpulas. Esta se diferencia da diplomacia tradicional de caráter parlamentar, fundamentalmente, porque nela é a “diplomacia presidencial” que adquire um espaço substantivo. O sistema internacional requer instituições e formas de gestão institucionais capazes de solucionar os grandes problemas da humanidade. A busca de novas formas de diálogo e de ação multilaterais é essencial. No novo sistema internacional, as organizações não-governamentais têm um papel crescente. Apesar disso, o multilateralismo, tanto o tradicional quanto o novo, não conseguiu estabelecer mecanismos de diálogo efetivo com a sociedade civil. Os países latino-americanos devem responder de maneira apropriada às exigências do sistema internacional. Eles têm a oportunidade de incidir sobre a nova ordem internacional na medida em que forem capazes de articular cooperação política e diplomática. Os países da região encontram-se imersos em um intenso processo de diálogo expresso por meio de cúpulas globais, hemisféricas, extra-regionais e sub-regionais. Neste artigo, são analisadas e avaliadas a diplomacia de cúpulas e sua dinâmica, na qual estão imersos os países latino-americanos.

The international system is undergoing deep transformations. Stability has been sought since the formation of its various communities. The international system emerged alongside the interstate system. During the post-Cold War period, multilateralism takes on a new form: summit diplomacy. It differs from traditional diplomacy given the prominent place of “presidential diplomacy”. The international systems requires institutions and forms of governance capable of offering solutions to the great problems of humanity. It is essential to search for new forms of dialogue as well as multilateral practices. Within the new international system, non-governmental organizations play an increasingly important role. However, multilateralism hasn’t established effective channels of communication with civil society. Latin American countries must answer appropriately to the demands of the international system. They have the opportunity to influence the new world order as long as they articulate political and diplomatic cooperation. The countries in the region are immersed in an intense process of dialogue taking place at global, hemispheric, extra-regional and sub-regional summits. This article examines the dynamics of summit diplomacy in which Latin American countries are involved.


Desafios da Diplomacia

Uma das correntes de pensamento das Relações Internacionais surgidas com o final da Guerra Fria considera este evento (o final da Guerra Fria) o marco do fim do tratado de Westfalia, ou Paz de Westfalia. Este tratado foi assinado quando o Sacro Império Romano-Germânico, governado pelos Habsburgos austríacos, foi derrotado, em 1648, confirmando a Paz de Augsburgo e assegurando a liberdade religiosa nos Estados imperiais. Encerrou a Guerra dos Trinta Anos e inaugurou nova fase na história política da Europa, propiciando o triunfo da igualdade jurídica dos Estados, com o que ficaram estabelecidas sólidas bases de uma regulamentação internacional positiva. Esta igualdade jurídica elevou os Estados ao patamar de únicos atores nas políticas internacionais, eliminando o poder da Igreja nas relações entre os mesmos e conferindo aos mais diversos Estados o direito de escolher seu próprio caminho econômico, político ou religioso.

O final da Guerra Fria marcaria também o final do tratado de Westfalia justamente porque nos últimos anos os Estados deixaram de ser os únicos atores nas relações internacionais, tendo que conviver com ONG’s, empreses multinacionais, organizações governamentais, entre outros atores. Restou superada a lógica expressa no Tratado de Westfália, que estribava o Direito Internacional apenas na atuação e nos interesses de Estados Soberanos, uma vez que o desenvolvimento trouxe como conseqüência a fragilização do próprio conceito clássico de soberania, abalado que foi por dois fenômenos da era moderna: a diminuição da esfera de atuação da jurisdição doméstica do Estado e o transnacionalismo, frutos do neoliberalismo e da globalização.

Esta corrente recebeu grande quantidade de críticas, principalmente porque os Estados não deixaram de exercer este papel predominante nas relações internacionais. Mas não há como negar que ele vem gradativamente perdendo espaço e tendo que encarar de igual para igual organismos como GreenPeace, por exemplo. E as mudanças na tecnologia da informação tendem acelerar tais mudanças.

As tecnologias não respeitam fronteiras

Estão desaparecendo as fronteiras que outrora dividiram os seres humanos em áreas geográficas, políticas, sociais, econômicas e culturais. A nova tecnologia não respeita a soberania da fronteira. Se, durante o século XVI apenas era possível transmitir informações da América para a Europa através de navios, hoje um computador pessoal ligado à rede torna-se o passaporte para todo o mundo.

Não só esta fronteira está sendo dissolvida como também a fronteira dos grupos envolvidos na diplomacia internacional. Questões complexas como o comércio ou a pesca, ou os direitos humanos atraem todo um novo bloco de participantes diplomáticos públicos ou privados. Embora fosse antigamente "restrita a um grupo funcional de peritos, agora tornou-se domínio de um grupo aberto e bem informado situado fora das tradicionais organizações de relações exteriores, alcançando outros departamentos e outros níveis de governo, além de representantes do setor privado, do meio acadêmico e outros setores não-governamentais."

Outra fronteira também está sendo abalada: a das questões e eventos dependentes da diplomacia. "Questões antigamente consideradas domésticas, e quase sacrossantas, como as quotas de produtos primários, os serviços hospitalares ou os benefícios aos desempregados, atualmente foram acrescentadas à agenda internacional."¹

Este amontoado de evoluções no contexto diplomático não tem precedentes na história humana. A proliferação dos temas e atores tem agigantado o volume de informações a ser tratados, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Isso tudo associado às demandas de um mundo interconectado, funcionando em velocidade real e às novas exigências públicas quanto à transparência responsabilidade.

Poderá a diplomacia sobreviver?

Informação e comunicação sempre foram matérias-primas da ação diplomática. Portanto, integrar-se aos avanços tecnológicos da Era da Informação é uma exigência inerente à diplomacia. Neste caso, as barreiras impostas pela burocracia não devem impedir a adequação dos serviços diplomáticos às exigência impostas pela sociedade.

"Desde a corrida de Pheidippides de Maratona até Atenas; desde a cavalgada de Paul Revere pelos campos de Massachusetts, e, até à instalação da "linha vermelha" de Washington até Moscou durante a Guerra Fria dos anos 1960s, a diplomacia tem continuado a adaptar-se aos mais atuais desenvolvimentos da tecnologia. As mensagens devem continuar a transitar — quaisquer que sejam os meios."²

O desafio da diplomacia hoje é atuar em um mundo que está ficando cada vez menor e cada vez mais rápido com alta eficiência. Velocidade tornou-se o referencial mais importante num mundo que gira à "velocidade CNN", sem que se perca a necessidade de cuidadosas análises e uma seleção de quantidades cada vez maiores de informações. Um grande desastre, como a queda recente do Vôo 800 da TWA, dá um exemplo da necessidade de rápido acesso a numerosas fontes de informação enquanto, simultaneamente, são protegidas informações de natureza pessoal ou de segurança.

 

Exemplo de como a diplomacia pode ajustar-se às tecnologias da informação: A Diplomacia Cibernética no Canadá:



"Já aludi às "malas diplomáticas". Sim, nós ainda as usamos! Mas também empregamos um sistema de telecomunicações integrado (MITNET), de alcance mundial, e altamente sofisticado, que proporciona acesso direto a telefones de sete dígitos em nossas missões localizadas em todo o mundo. Tal sistema é invejado por serviços de outros países do G-7. Também temos a capacidade de rapidamente instalar conexões em situações de emergência ou em reuniões de cúpula diplomática (como as do G-7), e estamos explorando o sistema MITNET para ampliar nossa capacidade para prestar serviços "fora de horas" em áreas remotas. Atualmente, em mais de 50 missões, chamadas "fora de horas" para serviço consular já são diretamente conectadas a partir de Ottawa. Isto ajuda, por exemplo, quando canadenses em Ruanda necessitam garantir a seus familiares no Canadá que estão seguros e em paz.

Noventa e sete por cento dos nossos trabalhadores em conhecimento localizados ao redor do mundo estão conectados por uma flexível plataforma de tecnologia avançada chamada SIGNET, a qual, com exceção das restrições das larguras das faixas de transmissão, tem capacidade de realizar, virtualmente, qualquer aplicação ou processo de negócios que possa necessitar.O serviço mais simples, com o maior impacto, tem sido a instalação de E-mail, mesa-a-mesa, em todo o mundo, com ligações a outras dependências do governo e à rede pública.

Além disso, tem sido desenvolvidas numerosas aplicações especiais em apoio a programas específicos. Um deles é o altamente bem sucedido sistema de gerenciamento consular chamado COSMOS que ajuda as equipes departamentais no exterior a prestar serviços consulares a canadenses fora do país. Um outro é o WIN Exports, que supre a 1.200 especialistas em comércio com informações sobre exportadores canadenses e seus produtos, para responder a 100.000 pedidos de informações sobre exportações recebidos a cada ano, vindos de importadores.

Foram desenvolvidos "websites" departamentais e para missões, com o objetivo de disseminar informações para além do Departamento, onde informações para o público, tais como assessoria de viagens, são requisitadas.

No sentido de melhorar o acesso a fontes externas de informação, iniciamos o processo de proporcionar acesso à Internet para equipamento "desktop" usados por nossos funcionários.

Com o objetivo de assistir aos funcionários e aos visitantes, foi desenvolvida uma "page" de pesquisa na Internet, a qual organiza os "sites" da Internet por assuntos e pelos tópicos correntemente mais consultados, por exemplo, onde obter informações precisas com respeito às disputas de pesca do salmão ou, até mesmo, com relação ao terrorismo.

Como a maioria dos usuários de tecnologia, nossa verdadeira vantagem operacional e avanço competitivo derivam do entendimento dos nossos funcionários bem como da melhor utilização dos equipamentos disponíveis."³

Desafios


Frente a todas as exigências atuais a diplomacia deverá superar vários desafios, adequando-se à nova realidade. Um dos maiores desafios será de construir um regime de segurança que salvaguarde todos os sistemas não somente para proteger a confidencialidade nacional como também, e da mesma forma, a confidencialidade dos negócios.

Outra necessidade é explorar a tecnologia para compartilhar a informação e a especialização com mais eficiência — mais dinamismo — "bem na hora" — com a construção de "laços interativos" dentro dos departamentos, de formas que se possa identificar quem sabe o que, quem necessita tal informação, como ela pode ser apresentada da maneira mais eficiente, e como pode ser disseminada até alcançar o cliente final.

 

Velocidade CNN



A velocidade com que as informações são passadas é o ponto. Não temos tempo de assimilar, de digerir as informações e padrões que nos são impostos. Logo somos bombardeados com novas informações e padrões. Não é dado tempo para que se façam reflexões e formulações próprias. Tudo é dado "pronto" da forma mais conveniente. Einstein, Galileu, Da Vinci, Descartes passavam a vida toda matutando suas teorias. E a nós habitantes desta era globalizada, que tempo nos é dado entre uma edição e outra do telejornal? "Tempo é dinheiro". E tempo se tornou a principal variável na sociedade atual.

Na diplomacia o tempo para se trocar informações é deveras importante. Mas há necessidade tambpem que se busque uma conduta na qual a diplomacia caminha na direção de um serviço externo "mais informado e mais informante".

Temos acesso a tudo que acontece ao redor do mundo de forma instantânea. Realmente, se um avião cai do outro lado do mundo, no mesmo instante o noticiário entra em edição extra para dar detalhes do acidente, o número de vítimas, a última refeição servida à bordo, a derradeira comunicação do comandante do vôo com a torre de controle. Mas, até que ponto isto interessa? Será que as informações que realmente interessam são disponibilizadas?

Enquanto a CNN, por exemplo, que devido a sua presença mundial e cobertura dos fatos em tempo real tornou-se modelo de eficiência na transmissão de informações (daí se falar em velocidade CNN) já tem nos enviado imagens, antes que os Departamentos Diplomáticos enviem sua "informação", e todos estão em perigo de afogar-se no mar de informação de relevância e qualidade variadas, selecionar, filtrar e analisar as informações disponíveis proporcionadas pelas fontes em atuação, tornou-se o papel principal do diplomata.

Cabe à diplomacia, pela conexão dos nosso servidores a uma rede de fontes de informação em expansão, conferir dados velozmente, mas também proporcionando-lhes as ferramentas e a assistência técnica para examinar, selecionar, e avaliar fontes e realizar análises de forma que possamos oferecer a melhor informação como assessoramento a todos nossos clientes desde ministros, aos homens de negócios e até os cidadãos comuns.

A diplomacia do Governo Lula



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