Dia do imigrante italiano



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PROJETO DE LEI Nº. 049

27de maio de 2010


 

"Institui o DIA DO IMIGRANTE ITALIANO no Município de Botucatu”.

Art. 1° Fica instituído no Município de Botucatu o “DIA DO IMIGRANTE ITALIANO, a ser comemorado no dia 21 de fevereiro de cada ano.


Parágrafo único. O dia a que se refere o caput deste artigo passa a integrar o Calendário Oficial do Município.
Art. 2° Na data referida no artigo anterior, o Município de Botucatu, aliado aos setores competentes e aos segmentos da comunidade, promoverá atividades relativas ao assunto em questão.
Art. 3° Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Plenário “Ver/ Laurindo Ezidoro Jaqueta”, 27 de maio de 2010.


Vereador Autor LELO PAGANI



PT
PROJETO DE LEI Nº. 049

27 de maio de 2010



JUSTIFICATIVA

A primeira viagem de imigrantes italianos para o Brasil aconteceu no dia 3 de janeiro de 1874, às 13 horas, quando partiram do Porto de Gênova, em um navio à vela, o "La Sofia", na expedição Tabacchi, e a segunda pelo “Rivadávia”, ambos de bandeira francesa.


O "Sofia" chegou ao Brasil em 21 de fevereiro de 1874 com 386 famílias que se destinariam às terras de Pietro Tabacchi, em Santa Cruz, Estado do Espírito Santo.

Segundo o sociólogo italiano Renzo M. Grosselli, a Expedição de Pietro Tabachi, foi o primeiro caso de partida em massa de imigrantes da região norte da Itália para o Brasil.

O nome da colônia criada no Espírito Santo, pelo Governo Brasileiro, chamava-se Nova Trento sendo que podemos dizer que Santa Cruz foi o berço da Imigração italiana no Brasil.
Na primeira metade do século XIX, a Europa encontrava-se marcada por diversas Revoluções liberais, vindo a ocasionar profundas modificações políticas e econômicas em seu seio.
Após o Congresso de Viena em 1814, a Itália estava dividida em sete regiões: o Reino do Piemonte-Sardenha; o Reino Lombardo-Veneziano; o Reino das Duas Sicílias; os Estados da Igreja e três Ducados submetidos ao poderio austríaco.
Surgiu na Itália a ordem Carbonária, que tinha por objetivo combater o absolutismo, a intolerância da religião e buscava como princípio fundamental, defender os ideais liberais. Um nome foi destacado, o de Giuseppe Mazzini.
Em 1860 surgiu no conflito Giuseppe Garibaldi, líder da Sociedade Nacional, um movimento que também adotava como preceito, a liberdade italiana e sua unificação.

Em 1850, sobre 1.800 Comunas do Reino de Nápoles sendo que 1.500 não tinham estradas. Em muitas regiões, não sabiam o que era o dinheiro; as trocas se faziam em natura, como no tempo de Cícero. "Il sostentamento di un bracciante costa meno di quello di un asino" - O sustento de um trabalhador braçal custa menos do que o de um burro.


Em 1861, somente 600.000 podiam votar: eram aqueles que tinham um patrimônio ou uma renda. Eram chamados de "Signori" e só os abastados podiam ser votados. Portanto, o povo comum não tinha representantes no Congresso.
Os colonos não tinham propriedades; viviam do trabalho escravo. As massas populares não eram consideradas povo. Quando se falava em "povo", entendia-se a burguesia: os funcionários, os comerciantes, os advogados, os médicos, etc. Os outros (os quatro quintos) não contavam nada. Os cargos políticos eram impostos pelo Rei.

Com essa situação, com as autoridades insensíveis às necessidades das massas populares, começaram os primeiros movimentos imigratórios. Os colonos fugiam de um País ingrato, que nunca foi sua verdadeira Pátria. Entre 1860 e 1865 houve revoltas e massacres no Sul da Itália; muitos bispos foram expulsos ou presos. Aqui começa o período da longa imigração.


A malária matava 40.000 pessoas por ano; a pelagra, 100.000.
Entre 1884 e 87 a cólera tinha matado 55.000 pessoas. As estatísticas falam em 400.000 mortes por ano. Metade eram crianças com menos de cinco anos, porque a comida era escassa, a higiene quase nula e a consulta médica a um preço proibitivo.
Dos 3.672 trabalhadores nas minas sicilianas de enxofre, só 203 foram declarados sãos e aptos para o serviço militar.  O resto era tudo doente. Dos 30.000.000 de habitantes, 21.000.000 eram colonos. O arado era ainda aquele de prego, o mesmo usado por Cincinato, 2.000 anos antes. Entretanto, a Inglaterra, a França e a Alemanha já haviam ingressado na era industrial.

A Itália parecia  um país de miseráveis analfabetos. Só o Piemonte e a Planície do Pó demonstravam um pouco de progresso agrícola.



Centenas de milhares de italianos viviam ainda em grutas ou cabanas de pau a pique e barro, sem janelas, ou em escavações feitas na rocha.
Segundo dados de 1879, aí viviam na média 10 pessoas por vão. As terras pertenciam a quem não tinha amor ao campo; quem trabalhava os campos era um servo, o descendente dos escravos. Havia grandes propriedades burguesas, conseguidas pelos "notabili" através da usurpação  e da aquisição  de terras tiradas da Igreja. Nessas propriedades os colonos eram explorados; não tinham nenhum vínculo com a terra. Por isso, havia uma vontade terrível de terra, não somente de possuí-la, mas de sair do nada, de conquistar uma dignidade. Foi assim que acolheram com entusiasmo a Giuseppe Garibaldi, porque esperavam a distribuição das terras e se atiraram com fúria sobre as propriedades dos "galantuomini", latifundiários, mas foram barrados e espancados.
Alguns repetiam:

"Sarà quel che sarà. Peggio del presente non sarà. Tentiamo la sorte. E poiché abbiamo, presto o tardi, da morire, tanto vale di lasciare la nostra pelle in America come in Europa...

Viva l`America! Morte ai signori!... Noi andiamo in Brasile.

Ora toccherà ai padroni lavorare la terra.“
Nessas condições, portanto, a emigração era não só estimulada pelo governo, como era, também, uma solução de sobrevivência para as famílias. Assim, é possível entender a saída de cerca de 7 milhões de italianos no período compreendido entre 1860 e 1920.
Os primeiros imigrantes a deixarem a Itália na época da "grande imigração" (1870-1920), foram sobretudo os vênetos, cerca de 30% do total, seguidos dos habitantes de Campânia, Calábria e Lombardia. Esse primeiro grupo foi sucedido por emigrantes da região sul. Se os vênetos eram mais loiros do que a maioria dos italianos, eram pequenos proprietários, arrendatários ou meeiros, para quem a possibilidade do acesso à terra era um estímulo decisivo para o empreendimento da arriscada viagem; os imigrantes do sul eram morenos, mais pobres e rústicos, geralmente camponeses que não dispunham de nenhuma economia e eram chamados de braccianti.
Em 1850, o Brasil encarava dificuldades quanto a uma mão-de-obra especializada, basicamente a força de trabalho era formada por escravos e neste mesmo ano, seria adotada a Lei  Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico negreiro.
O governo brasileiro tomou conhecimento que levas de imigrantes europeus estavam partindo para os Estados Unidos, Austrália, a própria América do Sul, levando na bagagem um sonho de uma vida melhor, foi quando o mesmo interessou-se em trazer estas levas ao Brasil.
A primeira leva de imigrantes italianos vinda ao Brasil, aconteceu em 1874, porém a imigração só foi oficializada, em 1875. A travessia do Atlântico, em velhos navios, era dramática, um jogo no escuro: tudo podia correr bem, mais ou menos, ou mal. Mortes de pessoas, na travessia, eram comuns. Naufrágios, também, não raro aconteciam. De qualquer forma, os Quaranta sei giorni di macchina e vapore constituíam uma angústia e um medo só.
No Brasil, os emigrantes se dirigiram para os Estados do Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E os Estados do Sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Aqui fundaram pedaços da Itália: Nova Roma, Nova Vicenza, Nova Veneza, Nova Trento, Novo Treviso, Nova Pádua, Nova Údine, Vale Vêneto, etc.
Graças à vontade férrea, a maioria venceu na vida e se tornou proprietário, alguns bem abastados.

"Dove lo Stato era fallito, gli straccioni erano riusciti" (Manzotti).

"Onde o Estado faliu, os maltrapilhos tiveram sucesso."
Os emigrantes italianos, com sua saída, permitiram o progresso da Itália, diminuindo a população e fazendo sobrar alimento para os que ficaram. Recomeçando sua vida no meio do mato e entre animais ferozes, e com falta de tudo, ainda enviavam tanto dinheiro aos parentes no "Paese" de origem, que o Ministro das Finanças da Itália considerou essas remessas um "ruscello d`oro", um filete de ouro.
Emigração italiana para o Brasil, segundo as regiões de

procedência no período 1876/1920
Vêneto 365.710

Campânia 166.080

Calábria 113.155

Lombardia 105.973

Abruzzi/Molizi 93.020

Toscana 81.056

Emília Romana 59.877

Brasilicata 52.888

Sicília 44.390

Piemonte 40.336

Puglia 34.833

Marche 25.074

Lázio 15.982

Úmbria 11.818

Ligúria 9.328

Sardenha 6.113


Total 1.243.633

Por tudo isso, a criação de um dia específico para homenagear os imigrantes italianos confirma a importância da contribuição do país europeu para o progresso brasileiro e de nossa região, além de consolidar os laços de amizade entre as duas nações.

Plenário “Ver. Laurindo Ezidoro Jaqueta”, 27 de maio de 2010.

Vereador Autor LELO PAGANI



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