Dia da Comunidade Húngara



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PROJETO DE LEI Nº 219 , DE 2006

Institui o "Dia da Comunidade Húngara".




A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:


Artigo 1º - Fica instituído o “Dia da Comunidade Húngara”, a ser comemorado anualmente, no dia 23 de outubro.

Artigo 2º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICATIVA


O objetivo da presente propositura é o de homenagearmos a comunidade húngara no Estado de São Paulo e a escolha do dia 23 de outubro, reporta-se à data nacional da República da Hungria.

Estima-se que o número de húngaros e descendentes de húngaros no Brasil chega a um contingente de aproximadamente 100 mil pessoas. A comunidade húngara conta com mais de 10 mil pessoas na cidade de São Paulo e região. É significativo ainda o número de húngaros que vivem no Rio de Janeiro, Curitiba e em Porto Alegre.

Os primeiros emigrantes húngaros chegaram no Brasil na segunda metade do século XIX. Por volta de 1890, várias famílias deixaram a Hungria e se instalaram no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Essa primeira leva de imigrantes era formada principalmente por camponeses. Seus descendentes concentram-se em Jaraguá do Sul, Estado de Santa Catarina.

Após a derrota na Primeira Guerra Mundial e o desmantelamento do Império Austro-húngaro, a Hungria perdeu ainda 2/3 do seu território e 1/3 da sua população com a assinatura do Tratado de Trianon em 1920. Foi quando mais uma leva de imigrantes chegou em nosso país. Esse grupo, composto por pequenos proprietários rurais, portava passaporte dos países que anexaram pedaços da Hungria, assim como a Romênia, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia. Aqui conseguiram manter algumas tradições, criando escolas e associações. A partir do começo dos anos 30, com a crise econômica mundial também veio um número significativo de húngaros para o Brasil.

Com o fim da Segunda Guerra, grupos de húngaros migraram para o Brasil. Eram formados por profissionais liberais e técnicos especializados, vindos das principais cidades húngaras, que rapidamente conseguiram emprego em fábricas e no comércio, contribuindo para a elevação da qualidade e da produção das indústrias paulistas. Esse contingente deixou a Hungria por motivos políticos, muitos deles devido à estatização, pois pertenciam à camada mais abastada da sociedade.

Entre outubro e novembro de 1956, ocorreu na Hungria um levante popular, de cunho nacionalista, contra o regime stalinista, que depois de dez dias, foi sufocado pelo Exército Soviético. Em conseqüência, 3 a 4 mil húngaros fugiram para o Brasil, onde tinham parentes e conhecidos. Pensando no futuro de seus filhos, criaram escolas e incentivaram o escotismo e outras atividades abertas tanto para crianças da comunidade, como de fora dela.

Por todos esses fatores, a composição da colônia húngara de São Paulo é bastante variada, no que diz respeito à religião, convicção política, origem e situação econômica. Talvez deva-se também a tais fatores, o fato de que no decorrer do tempo agruparam-se em 42 associações diferentes, das quais ainda 26 estão ativas. Uma das associações mais antigas é a “Associação Beneficente 30 de Setembro”, fundada em 1926, e a Universidade Livre "Coloman o Douto" que tem por objetivo há mais de 50 anos, proporcionar instrução científica e cultural de alto nível para a colônia. Os três grupos de danças folclóricas húngaras, as associações que atuam em outros ramos da cultura (círculos literários, corais), assim como os grupos de escoteiros, ajudam também a divulgar a Hungria através de seu trabalho.

Em 1990 foi criada a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Hungria. A Casa Húngara de São Paulo, que abriga diversas associações e promove diversos eventos húngaros, foi adquirida por meio de donativos angariados pela colônia.

Também merece destaque especial, a atividade no Brasil dos padres húngaros da Ordem dos Beneditinos. Em meados dos anos 30, a Abadia de Pannonhalma, na Hungria, assumiu a assistência espiritual da colônia húngara no Brasil. Mais tarde, em conformidade com a missão da Ordem - e graças principalmente ao trabalho de Dom Emílio Jordán - foi criado em São Paulo o Mosteiro São Geraldo e o Colégio Santo Américo, que fazia parte deste, sendo considerado uma das instituições de ensino de nível mais elevado do país.

São húngaros ou descendentes de húngaros aproximadamente 50 professores universitários de São Paulo e Porto Alegre, com atuação destacada nas áreas de Física, Psicologia, Medicina, Engenharia, etc.

Também podemos citar Luiz Mateos Majlaszky (Visconde de Sapucahy); Emmerich Lévai (desembargador); Mário Kertész (ex-prefeito de Salvador); Ruben Berta (fundador da VARIG); Nelson Hungria (jurista); Alceu Wamosy (poeta); Paulo Rónai, Ildikó Sütő, Nelson Ascher, Paulo Schiller (tradutores); Yolanda Mohaly, Árpád Szenes, Ferenc Kiss, Ákos Hamza (pintores); Marika Gidáli (bailarina); Eva Todor, Cássia Kiss, Adriane Galisteu, Dalton Vigh (atores); João Bittencourt (escritor); José Hidassy (ornitólogo); György Kaszás (maestro).

  Foram fundadas por húngaros as seguintes empresas no Brasil: Probel, Sabó Indústria e Comércio Ltda., Freios Varga, Enco-Zolcsák, Rácz Construtora, Vila Romana, IKA, Carnes Wessel e Ferla, entre outras.

Por ser a comunidade húngara merecedora desta homenagem, é que conto com a aprovação de meus nobres pares nesta Casa de Leis da presente propositura.




Sala das Sessões, em 20-4-2006



a) Romeu Tuma - PMDB


SPL - Código de Originalidade: 646457 200406 1151





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