Definição



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Petróleo

Definição - Não é fácil dar ao petróleo uma definição precisa, porque se trata de uma mistura que pode variar até mesmo em poços muito próximos. O seu aspecto físico difere profundamente em função da composição, apresentando-se, ás vezes, avermelhado, castanho ou preto, com fluorescência verde ou azul e odor característico. Poucos são os petróleos que não contêm frações pesadas e podem ser utilizados sem qualquer refinação. Poucos também não possuem frações leves e são predominantemente asfálticos. Os petróleos realmente abundantes são os que encerram frações leves e pesadas, e que exigem, para o seu total aproveitamento, cuidadosa refinação por intermédio de destilação fracionada, e diversos tratamentos químicos apropriados.

O Institute of Petroleum da Inglaterra o define do seguinte modo: “Petróleo é um material que ocorre naturalmente na terra, e consiste essencialmente de hidrocarbonetos sólidos, líquidos e gasosos”.

A American Society for Testing Materials é mais prolixa, definindo-o como: “Uma mistura que ocorre na natureza, constituída predominantemente por hidrocarbonetos, enxofre, nitrogênio e derivados oxigenados de hidrocarbonetos, capaz de ser retirada da terra em estado líquido”.

O petróleo encerra sempre diversas impurezas tais como: sais inorgânicos, materiais terrosos e água. Esta última encontra-se emulsionada com o petróleo, em altas porcentagens. A separação da água e das impurezas grosseiras é feita no próprio campo, pois as especificações das tubulações condutoras requerem que o volume de água e de sedimentos não exceda a 2% do total. A quantidade de água dissolvida no petróleo é mínima, sendo da ordem de centésimos por cento. A presença de hidrocarbonetos aromáticos aumenta a sua solubilidade em água.


Ocorrência

Acredita-se que o petróleo se formou nos antigos depósitos de origem marinha e, e devido ao seu caráter fluídico, migrou até encontrar rochas impermeáveis, dispostas em anticlinais, que o retiveram, impregnando rochas sedimentares porosas, interpostas entre as primeiras. As chamadas massas asfálticas formam-se quando, devido as fendas existentes nas rochas, os produtos voláteis do petróleo se libertam. As rochas que se encontram impregnadas de petróleo são comumente arenitos e, em alguns casos, calcários.

As perfurações necessárias para atingir os depósitos de petróleo são de profundidade variável, havendo alguns poços ultrapassado 4 000 metros.

Dois terços do petróleo produzido no mundo são extraídos de formações geológicas terciárias que remontam a mais de 10 milhões de anos. Existem, entretanto, formações petrolíferas de quase todas as eras geológicas, correspondendo, a mais velha, a 300 milhões de anos.

Geograficamente, são as seguintes as partes do mundo pela maior produção de petróleo:


América do Norte

Estados Unidos, México e Canadá

América do Sul

Venezuela

Europa

Rússia

Oriente Próximo

Arábia Saudita, Kuwait, Irã, Iraque e Egito

Ásia

Indonésia

Os países que mais produzem petróleo são os Estados Unidos e a Venezuela. O primeiro com uma cifra superior a 7 milhões de barris por dia, e o segundo com mais de 2 milhões. Todos os outros países acima citados produzem mais de 100 mil barris por dia. Entre os países da América Latina são considerados auto-suficientes em produção de petróleo os seguintes: Venezuela, México, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia. Todos os demais importam o petróleo cru para as suas refinarias.


Origem

As teorias mais credenciadas sobre a origem do petróleo, tendo em vista a sua composição e o conhecimento moderno das propriedades físicas e químicas dos hidrocarbonetos, principalmente no que se refere ao “cracking” catalítico, são as seguintes:



1a - Ação catalítica de minerais sobre asfaltos ou betumes através da formação de carbono-íons

2a - Decomposição térmica de óleos animais e vegetais sob pressão

3a - Decomposição de detritos orgânicos e sedimentos marinhos por intermédio de fermentação anaeróbia

4a - Ação de radiações alfa, oriundas de minerais radioativos, sobre metano e outros compostos orgânicos


Ação catalítica de minerais - Os estudos de Gayer sobre a ação da “terra Fuller” e da sílica-alumina sobre o propeno a 350ºC, sobre os diversos alcenos formados nessa reação e também a observação das alcoilações obtidas, mostram que o mecanismo de tais reações deve ser o da formação intermediária de carbono-íons. Também Whitmore produziu polimerações de alcenos por intermédio de catalisadores ácidos e as interpretou pelo mecanismo da formação de carbono-íons.

A presença de hidrocarbonetos aromáticos, como o benzeno, nas gasolinas de destilação simples, não pode ser explicada em termos termodinâmicos, porque estes hidrocarbonetos não se podem formar pelo calor produzido na separação do hidrogênio das parafinas, abaixo de 500ºC. As porfirinas encontradas no petróleo demonstram que sua formação se verificou a menos de 500ºC, e assim o mecanismo dessa formação deve envolver reações entre carbono-íon em temperaturas pouco elevadas.

De acordo com Barton, os primeiros estágios de transição do petróleo foram o de betume ou de óleo pesado. As parafinas e os hidrocarbonetos aromáticos dos óleos leves, correspondentes à gasolina e ao querosene, são evidentemente resultados de reações de carbono-íons, ocorridas nas últimas fases de transformação do petróleo.

Decomposição térmica - A teoria da formação do petróleo pela decomposição térmica das gorduras animais e vegetais foi desenvolvida por Warren, Storer e Engler, de 1863 até 1912, e complementada por A. Silveira Ramos em 1946, em por outros autores em épocas mais recentes. De acordo com esses autores, as gorduras animais e vegetais decompostas termicamente, sob pressão, e também, á pressão normal, transformam-se numa mistura de hidrocarbonetos.

O uso de catalisadores, como a alumina, a sílica, o caulim e outros, facilita a decomposição dos ésteres da glicerina, determinando a descarboxilação dos ácidos correspondentes e libertando hidrocarbonetos saturados, não saturados, cíclicos e ciclo-aromáticos com baixos e elevados pesos moleculares.

O cloreto de sódio, que se encontra comumente presente na solução aquosa das jazidas de petróleo, foi usado como catalisador por A. Silveira Ramos, que obteve misturas de hidrocarbonetos com as seguintes características:


Hidrocarbonetos parafínicos

37,1%

Hidrocarbonetos não saturados

27,1%

Naftenos

9,9%

Hidrocarbonetos aromáticos

25,9%

São também significativas as investigações realizadas em 1941, por C. H. Chang, C. D. Shian e C. W. Chan, sobre a ação catalítica da cal na decomposição térmica dos ácidos gordurosos e dos seus ésteres com a glicerina.

Como objeção principal a presente teoria de formação do petróleo, cita-se a presença, nestes últimos, de certas porfirinas termolábeis que não suportariam as temperaturas da pirólise.

Ação das radiações alfa sobre o gás natural - Esta teoria não procura explicar a origem do metano, do etano e de outros hidrocarbonetos componentes do gás natural. Demonstra apenas que a ação das radiações alfa é capaz de transformar o metano e outros alcanos gasosos em hidrocarbonetos líquidos, de caráter fortemente não saturado.

Os trabalhos de Lind, demonstraram que, pela ação de materiais radioativos, o gás natural transforma-se numa mistura complexa de hidrocarbonetos, havendo simultaneamente desprendimento de hidrogênio. Sheppard e Whitehead concluíam, em 1914, que ainda não se pode seguramente afirmar qual tenha sido a influência radioatividade na gênese do petróleo. Como objeções a essa teoria salientam-se as seguintes:



1a - Não há relação entre a abundância do petróleo, do gás natural e dos materiais radioativos.

2a - A ausência de hidrogênio no gás natural.

3a - Sendo a ação das radiações alfa desidrogenante, o seu efeito através do tempo deveria promover a formação de uma mistura de hidrocarbonetos altamente insaturados. O que se observa, entretanto, é exatamente o contrário, pois os petróleos mais antigos são compostos de hidrocarbonetos saturados.


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