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A CRÍTICA LITERÁRIA E CAMPOS DE CARVALHO: REFLEXOS DA INTELECTUALIDADE
Caroline Rafaela Heck

Doutoranda em História – UFRGS

carolinerheck@gmail.com
Palavras- chave: Literatura, História, Crítica

Resumo - Há, em determinada época, muitas vozes portadoras de diversas falas e que podem passar desapercebidas. Parto do pressuposto de que essas falas dissonantes são também matéria para construção do trabalho do historiador. Neste trabalho quero voltar os olhos para um autor pouco, porém intensamente comentado, há tempos esquecido, mas de relevância peculiar para os olhos da história. Nascido em 1916 em Uberaba, Minas Gerais, Walter Campos de Carvalho escreveu pouco, mas teve seus momentos dentro da imprensa e da crítica. Meu trabalho o aborda através de críticas publicadas na imprensa no momento da publicação de suas obras e críticas posteriores, nas quais é abordado sob a perspectiva de um novo contexto, que seja, o Brasil depois da ascensão e recrudescimento do regime militar.
A atenção da maioria dos historiadores que se propõem a trabalhar com autores de ficção como fonte de conhecimento tende a voltar-se aos mais consagrados e mais comentados escritores da época que pretendem abordar. Esta tendência explica-se pela busca da representatividade que esses autores mostram enquanto signatários de características comuns a um determinado grupo, com características semelhantes. Ou seja, um movimento ou uma corrente literária que se aproxima estilística ou tematicamente. São considerados representativos porque seriam a “encarnação do espírito de uma época”. Entretanto, há, em determinada época, muitas vozes portadoras de diversas falas e que podem passar desapercebidas. Parto do pressuposto de que essas falas dissonantes são também matéria para construção do trabalho do historiador.

Analisar autores que tiveram suas obras “desconsideradas” em um certo momento também aponta um caminho para estabelecer as formas de pensamento que são ou não dominantes nesse momento. Por dominante deve-se entender: aquele que representa a visão de mundo da parcela dos indivíduos que controlam os meios culturais e econômicos. Autores que não são alinhados a esse pensamento dominante também são fonte para entender a época em que escreviam.

Neste trabalho quero voltar os olhos para um autor pouco, porém intensamente comentado, há tempos esquecido, mas de relevância peculiar para os olhos da história. Nascido em 1916 em Uberaba, Minas Gerais, Walter Campos de Carvalho escreveu pouco, mas teve seus momentos dentro da imprensa e da crítica. Formou-se em Direito em São Paulo no ano de 1938. Trabalhou como procurador do estado de São Paulo e via na literatura uma grande paixão.

Em 1941 pagou pela publicação de seu primeiro livro, Banda Forra, que, juntamente com o seu segundo publicado, Tribo, de 1954, seria suprimido da re-edição de sua Obra Reunida (CARVALHO, 1995) publicada em 1995 pela Editora José Olympio, suprimidos por sua própria vontade, pois atribuía-lhes características que dizia não fazerem mais parte de suas opiniões. A essa ausência de re-edições pode-se atribuir a extrema dificuldade de acesso a essas obras.

As suas principais obras são os quatro romances escritos entre 1956 e 1964: A lua vem da Ásia (1956), Vaca de nariz sutil (1961), A chuva Imóvel (1963) e O púcaro búlgaro (1964). Há uma continuidade temática e estilística nos quatro romances, narrados em primeira pessoa, abordam questões como loucura, morte, guerra, bomba atômica, a sociedade de massa, o consumismo, o questionamento da autoridade, etc.

Era visível sua vinculação ao contexto da Guerra Fria, onde a possibilidade de o mundo ser destruído em uma catástrofe nuclear parecia uma certeza. Seus livros mostram essa preocupação, bem como a proximidade com o absurdo desse mundo que estava à mercê da morte, ao mesmo tempo em que encher a casa dos mais modernos eletrodomésticos parecia ser a ordem do dia.

Os livros são carregados de um pessimismo agressivo, que encarna uma reação à própria sociedade brasileira, que via na modernização do país a alavanca para um desenvolvimento rápido.1 E, apesar dessa visão extremamente amargurada da realidade, Campos de Carvalho aborda-lhe regido por um olhar que destaca o risível desse mundo absurdo. O riso mostra-se sua ferramenta mais eficaz em sua empreitada de evidenciar o que estava fora de lugar.

O trabalho que desenvolvo no doutorado aborda a questão da inserção do autor na imprensa da época do lançamento de seus livros e no período posterior a 1964, onde foi “revisitado”. A questão principal é a de perceber a diferença nas leituras de dois períodos distintos da cultura brasileira.

Houve um determinado momento em que se modificou o tratamento e a interpretação acerca de sua obra. Notei isto a partir de leitura de críticas e comentários feitos na imprensa realizados ao longo dos 31 anos que separam o lançamento de seu último livro, de 1964, e a edição das obras reunidas, em 1995. Chamou-me a atenção o fato de não sublinharem suas posições contestadoras, logo, políticas. A partir desse contato com as fontes surgiu a ideia de abordar a obra dentro de seu período histórico e a mudança de perspectivas sobre ela ocorridas em um dado momento.

Surge aqui um interessante recorte no qual ressalto as diferenças da imprensa em dois momentos distintos: o que vai da publicação das principais obras de Campos de Carvalho até 1964; e o período que sucede a ascensão do governo militar. Nesses dois momentos, Campos de Carvalho aparece de forma distinta: antes de 64 sua presença na imprensa era limitada às referências literárias e em jornais de circulação reduzida; depois de 64 é re-editado e passa a ser comentado e analisado em críticas literárias e entrevistas em jornais e revistas de grande circulação, além de colaborar como colunista em publicações como Pasquim e O Estado de São Paulo.

Assim, afigura-se a principal questão de minha pesquisa: apontar a relação que se estabeleceu entre Campos de Carvalho e a imprensa/ crítica literária entre o ano de 1956, ano da publicação de seu livro A lua vem da Ásia, e o ano de 1978. A escolha do recorte temporal deve-se ao período em que se pode perceber sua presença na imprensa, quando da publicação de seus quatro principais romances (A lua vem da Ásia[1956], Vaca de nariz sutil[1961], A chuva imóvel[1963] e O púcaro búlgaro[1964]) e o período em que será re-editado depois de 1964 e no qual participará como colaborador em publicações como o tabloide Pasquim e no jornal O Estado de São Paulo. Também data desse período a maior parte das re-edições de seus livros em editoras como a Codecri, do Pasquim, e a Civilização Brasileira. Este corte é acima de tudo um ponto de partida para análise dessas relações, já que as referências ao autor são esparsas e não muito frequentes. Certamente Campos de Carvalho não foi o autor mais comentado de sua época, mas sua obra causou algum impacto entre os críticos, já que foi comentado em mais de uma publicação.

Esse grande eixo faz surgir diversas pequenas questões que pretendem explicar o porquê dessa relação que se estabeleceu entre os meios de divulgação de autores, como imprensa, crítica, edições e re-edições de suas obras no período que pretendo abranger.

Esse grupo de leitores especializados está representando o conjunto de valores que está contido no meio no qual ele se insere, e, portanto, assume o ponto de vista do jornal, revista ou qualquer outro meio ao qual representa. “(...) assim também um crítico apenas pode ter ‘influência’ sobre seus leitores na medida em que eles lhe concedem esse poder porque estão estruturalmente de acordo com ele em sua visão do mundo social, em seus gostos e em todo o seu habitus” (BOURDIEU, 1996, p.191). 2

Essa relação que se estabelece entre a crítica especializada e seu público provável é detalhada por Bourdieu em As regras da arte, onde ele trata de questionar a suposta autonomia da literatura, campo literário, frente ao seu contexto. Não há, em sua opinião, a arte pela arte, o gênio criativo que faz com que alguns escritores se destaquem em detrimento de outros: o aparecimento ou o esquecimento dos escritores é historicamente determinado pelas condições específicas de seu meio.

Bourdieu destaca o fato de que o estabelecimento de um escritor e a legitimidade atribuída a ele pela crítica e por seus pares representa, em uma escala reduzida ao seu próprio campo, as lutas no campo do poder3, que são externas ao campo literário: “(...)as lutas internas dependem sempre, em seu desfecho, da correspondência que podem manter com as lutas externas – trata-se das lutas no seio do campo do poder ou no seio do campo social em seu conjunto.” (1996, p. 148)

As classes sociais dominantes e que, por conseguinte, detiverem os meios de produção de bens simbólicos tenderão a reproduzir sua visão de mundo através desses bens: é na luta pela imposição de sua própria visão de mundo que se estabelece esse campo simbólico.

Dentro dessa constante luta por afirmação, haverá uma batalha pelo “monopólio da legitimidade literária”, que seja, a autoridade de poder afirmar quem pode autoproclamar-se escritor ou não. Ao travar a disputa, diferentes grupos dominantes travam uma luta simbólica pela afirmação e consagração de seu poder.

A enunciação dos discursos que vão celebrar e apreciar determinada obra não será apenas uma forma de divulgação e destaque: será um elemento importante na produção de sentido da própria obra: constitui também o significado daquela obra dentro daquele contexto. Pode-se aferir, assim, que não há uma definição universalmente aceita do que é um escritor ou um bom escritor, já que qualquer definição apontará apenas para o estado das disputas travadas naquele momento histórico. (BOURDIEU, 1996, p. 254)

Em que momento vai haver uma mudança na forma como foi abordado por esses meios de divulgação? Em uma visão preliminar relaciono o momento de ascensão do regime militar instaurado no Brasil em 1964 com a mudança de perspectiva desses meios ditos “intelectuais” sobre o que é lido e por quê. De 1964 é o último livro publicado por Campos de Carvalho. A partir daqui não haverá trabalhos inéditos do autor. Mas é evidente que sua obra continua sendo procurada, comentada e re-editada. O contexto vai se modificar radicalmente e isso vai implicar uma mudança de perspectiva ou visão de mundo desses intelectuais que ditam o que editado e comentado. Como a obra de Campos de Carvalho vai se inserir dentro dessa nova perspectiva de realidade?

O autor não escreve mais depois de 64, mas será “ressuscitado” nesse novo momento da história. Essa data é o marco para uma nova perspectiva da literatura e outros setores da arte no Brasil. Contudo, será a partir de 1968 que essas modificações se cristalizarão em manifestações artísticas e na própria imprensa. Com o controle do Estado, todas essas manifestações serão cerceadas de modo que serão obrigadas a estabelecer mecanismos para se manifestar sem serem incomodadas pelos censores. Será um período difícil em que, apesar das dificuldades, florescerão manifestações artísticas de grande criatividade.

Modifica-se a forma de fazer literatura. Modifica-se a forma de pensar os textos. Quais eram as preocupações políticas desses autores nesse momento da história? Que tipo de literatura passam a fazer? Pretendo aqui estabelecer as relações entre esse novo contexto com a produção literária que se passa a fazer então. E, partindo dessa nova perspectiva vincular a literatura de Campos de Carvalho a esse contexto tão diferente daquele em que confeccionou suas obras.

Então, quando há uma mudança significativa dentro do campo literário, ou seja, a busca por outros tipos de autores, com outras perspectivas ou outras formas de escrever, o que motiva essa mudança? Será que o estabelecimento de novos conceitos significa o rompimento total com os que os que o precederam? A resposta nos parece evidente quando colocamos a questão sob a perspectiva da comparação: novas características sempre surgirão por contraste com as características antigas; o estabelecimento de um rompimento só será possível se o sistema anterior assim o permitir.

Uma obra literária será sempre uma obra aberta, ou seja, seu sentido será estabelecido também, e principalmente, pelos seus leitores. Num momento em que questionar o autoritarismo, o individualismo e a força de um Estado opressor parece ser a única alternativa de um grupo que não pode se manifestar, Campos de Carvalho aparece remoçado e carregado de novos significados, determinados pelo novo contexto. Não se trata aqui de arrancá-lo de seu próprio contexto histórico, o qual via com extremo pessimismo, trata-se, contudo, de inseri-lo em um novo contexto no qual vai adquirir novos significados.

Esses novos leitores inseridos nesse novo contexto trarão também outras visões sobre os livros de um autor. A leitura de um texto literário é também a atribuição de sentidos determinados pelos leitores, apensos ao seu contexto e determinados por ele.


De fato, a história da literatura pode ser descrita como uma interconexão processual de eventos quando se concebe como um diálogo ininterrupto, e voltando sempre sobre si mesmo entre autores e público. É com muita justiça que nessa conexão se acentua, também precisamente, a função produtiva do leitor como interlocutor quase com igualdade de direitos. Pois o leitor não é apenas receptor, não só recipiente. Dando respostas e questionando, ele é ao mesmo tempo um doador, tornando o autor recebedor. (HESSE, 1981, p. 28)
Campos de Carvalho escreveu no contexto de pós-guerra, mostrando uma grande descrença em relação ao papel do homem no mundo e sua capacidade de destruir aquilo que toca. Encara a realidade como absurda e a loucura é uma das tônicas de sua literatura. Com a ascensão dos militares e com a demonstração da brutalidade do novo regime, as obras de Campos de Carvalho oferecem respostas pertinentes para esse novo mundo que surge, ou melhor, que emerge, pois suas raízes já estavam ali quando escreveu.

Uma possível hipótese de trabalho que parece apontar é a questão do posicionamento de sua obra frente ao papel que o Estado desempenha frente ao indivíduo. Seus livros são carregados de críticas frente ao controle dos indivíduos pelo Estado. A guerra, a bomba, o homem submetido a vontades de outros homens, etc. Até 1964, a sociedade brasileira está passando por grandes transformações estruturais proporcionadas pelo Estado que pretende a modernidade e o progresso. Dentro dessa perspectiva, a intelectualidade brasileira estava, em sua parcela mais expressiva, engajada nesse ideal de modernização da sociedade. Nesse momento, o questionamento desses intelectuais limitava-se à busca de como essa modernização deveria ser efetuada, já que concordavam que o progresso era necessário. Os questionamentos de Campos de Carvalho soavam fora de foco nesse momento.


A obra de Campos de Carvalho pode ser vista como uma literatura do contra. Contra a ordem social e o aniquilamento dos espaços que acabam impossibilitando a constituição da individualidade. Contra uma lógica narrativa realista, de concatenação dos elementos e de obediência à hierarquia, que resulta, no trabalho do ficcionista mineiro, em ausência de razão e de recusa de uma expressão de sentido. Nesta tentativa de superação do pacto realista, imprime a introjeção do insólito no texto literário, reconhecendo, assim, a inviabilidade da representação. (SPAREMBERGER, 1989, p. 4)
Além disso, Sparemberger também faz uma associação do tipo de narrativa de Campos de Carvalho com a ficção brasileira da década de 80, onde o que chama de discurso direto descovencionalizado faz essa aproximação. A narrativa em primeira pessoa aproxima, sem intermediação, o narrador e a matéria que se propõe a narrar.

Pode-se mencionar a questão do chamado “horizonte de expectativas”, conceito utilizado dentro da disciplina da História da Literatura, mas que nos serve adequadamente para pensarmos na mudança que vai acontecer na visão sobre Campos de Carvalho. Esses representantes da intelectualidade dos recortes abordados nesse trabalho também existem em suas temporalidades, logo, com seu próprio horizonte de expectativas. Esse horizonte nada mais é do que o limite das possibilidades de interpretação da realidade que a sua historicidade vai determinar. Assim, analisar o que diziam sobre algum tema é também analisar as perspectivas possíveis daquele contexto sobre esse tema.


O horizonte de expectativas de uma obra (...) permite determinar seu caráter artístico pela maneira e pelo grau de seu efeito sobre um público pressuposto. Caso se designe distância estética a que separa o horizonte de expectativas previamente dado e o aparecimento de uma obra nova, cuja recepção, por negação de experiências familiares ou por conscientização de experiências relatadas pela primeira vez, pode ter como conseqüência uma mudança de horizonte; então essa distância pode ser historicamente objetivada no espectro das relações do público e juízo da crítica (sucesso espontâneo, recusa ou choque, aprovação isolada, compreensão lenta ou tardia). (HESSE, 1981, p. 22)
As determinações dessa nova postura decorrente da modificação radical do contexto cultural ocorrida com o golpe militar de 1964 serão também ilustrativas quanto às mudanças num campo mais amplo da intelectualidade, conceito escorregadio, porém de grande utilidade para a compreensão desse recorte social. Luiz Renato Vieira, em sua tese de doutorado intitulada Consagrados e Malditos: os intelectuais e a Editora Civilização Brasileira, entende por “intelectual” como o “(...) integrante de uma categoria portadora de um arcabouço de conhecimentos que a torna capaz de elaborar e difundir visões de mundo e interpretações sobre a vida social capazes de orientar a ação coletiva” (VIEIRA, 1996, p. 15). Atribui ao intelectual certa autonomia frente aos princípios éticos vigentes, sem, contudo, descolá-lo de seu contexto.

A intelectualidade de esquerda4 toma um rumo diferente do daquele tomado até então: passa a pensar mais em sua aproximação com as mazelas da população. Redefinir o papel do intelectual foi nesse momento crucial, pois a busca da modernização, agora ancorada em uma ditadura não podia mais ser a tônica de suas ideias. E será em torno da ideia de democracia que intelectuais de diversas correntes unir-se-ão. Pois com os militares surge um Estado que limita as noções de democracia e cidadania, através da diminuição ou eliminação de instituições que representam estes conceitos, como sindicatos, partidos e organizações estudantis.

É claro que apreender os mecanismos de percepção dos novos leitores, profissionais ou não, não parece ser possível, pois escapa aos limites metodológicos de um trabalho de história. Contudo, na busca por uma compreensão mais restrita do contexto, são apreensíveis as modificações nas manifestações culturais ocorridas no período, partido da análise das estruturas do campo literário, como críticas em jornais. revistas e publicações especializadas.
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_____________ “Há uma impiedosa desmistificação em Campos de Carvalho”. In: Ibidem.

1 A intelectualidade estava voltada para um grande projeto de modernização e desenvolvimento do país. Vinculados ao ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), instituição criada no governo de Café Filho em 1955, tinha o intuito de validar as ações do Estado através do fortalecimento da discussão em torno do desenvolvimentismo. Apontavam a necessidade de desenvolver a indústria na sociedade brasileira numa tentativa de diminuir as contradições sociais existentes.

2 O conceito de habitus pode ser visto em O poder simbólico : “(...) espécie de sentido do jogo que não tem necessidade de raciocinar para se orientar e se situar de maneira racional num espaço.” (BOURDIEU, 2007, p. 62)

3 “O campo de poder é o espaço das relações de força entre agentes ou instituições que têm em comum possuir o capital necessário para ocupar posições dominantes nos diferentes campos (econômico ou cultural, especialmente). Ele é o lugar de lutas entre detentores de poderes (ou de espécies de capital) diferentes que, como as lutas simbólicas entre os artistas e os “burgueses” do século XIX, têm por aposta a transformação ou a conservação do valor relativo das diferentes espécies de capital que determina, ele próprio, a cada momento, as forças suscetíveis de ser lançadas nessas lutas.”( BOURDIEU, 1996. P. 244 )

4 A intelectualidade de esquerda estava vinculada a setores políticos relacionados a partidos que propunham o desenvolvimento da economia brasileira para que as reformas sociais pudessem se efetivar.

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