Definições



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Centro Espírita João Batista

Grupo de Estudos Doutrinários

Terças-feiras – 18:00 h


Obsessão


por Elaine Ferreira das Neves
e colaboradores do GED

2006

Vai, e não peques mais.”



Jesus

(João, 8:11)

Sumário
– Agradecimentos

– Introdução

– Definições

– A Obsessão através da História

– Obsessão nos Evangelhos

– Loucura e Obsessão

– Obsessão – Conceito

– Obsessão – Classificação

– Obsessão e Vampirismo

– Ovóides

– A criança obsidiada

– Obsessão – Causas

– Obsessão – Sintomas

– Obsessão – Terapêutica

– Obsessão – Prognóstico

– Obsessão – Profilaxia

– Obsessão e Jesus

– Conclusão

– Estudo de Caso

– Bibliografia



Agradecimentos
– À Deus, pela vida;
– À Jesus, pelo amor e pelo exemplo;
– Ao meu Anjo Guardião e aos meus Espíritos Guias, pelo apoio nas minhas lutas diárias;

– Aos Benfeitores Espirituais, pela paciência com as minhas limitações;


– Aos irmãos desencarnados trazidos para esclarecimento, pelas profundas lições que tenho recebido;
– Aos irmãos do Grupo de Estudos Doutrinários, pela companhia amiga de todas as terças-feiras;
– Ao irmão e amigo Adauto, pelo cuidado e por não economizar quando se trata de nos informar e orientar;
– À Casa de João Batista, onde encontrei o que buscava.


Introdução
Obsessão, o grande flagelo da Humanidade

O problema da obsessão é cada vez mais grave, generalizando-se numa verdadeira epidemia que assola as multidões engalfinhadas em lutas tiranizantes.

Um breve momento de reflexão pode nos mostrar o triste quadro da atual condição humana.

No Oriente Médio, uma guerra de proporções imprevisíveis torna-se cada vez mais próxima. Que sentimentos movem os litigantes?

Mais próximo de nós, no hemisfério norte, um Chefe de Estado com influência bastante para evitar essa guerra, apóia um dos lados e suas iniciativas beligerantes. Que sentimentos o levam a apoiar a morte indiscriminada de seres humanos?

Religiosos de todo matiz querem provar a todo custo que só eles conhecem o caminho da salvação. Que sentimentos os levam a acreditar que são os donos da verdade?

Políticos eleitos para trabalhar pelo seu povo trabalham para si mesmos, não importando os meios utilizados para atingir seus fins. Que sentimentos os levam a ignorar a decência, a ética, a moral?

Pais e mães negligenciam suas famílias por mais e mais ganhos. Que sentimentos os levam a abrir mão do convívio amoroso com os seus para ter, ter mais e mais ainda?

Pais sufocam seus filhos com toda sorte de atividades extra-classe, querendo fazer deles os “melhores”. Que sentimentos os levam a imaginar que seus pequenos precisam de algo mais do que serem crianças e educadas para, acima de tudo, tornarem-se pessoas de bem?

Crianças e jovens que deveriam estar preparando-se para o futuro, envolvem-se em todo tipo de violação da lei. Que sentimentos os levam a ingressar em um caminho muitas vezes sem volta?

Homens e mulheres em uma busca insana pelo corpo perfeito e pela eterna juventude. Que sentimentos os levam a acreditar que a vida humana se resume apenas na aparência?

A mídia, aproveitando-se da ignorância e dos vícios de todo tipo, vende lixo disfarçado de arte pelos meios de comunicação. Que sentimentos os levam a sacrificar o respeito à pessoa e a qualidade pelos ganhos trazidos pelos altos índices de audiência?

Envolta em tais cometimentos infelizes, a humanidade segue abrindo brechas para os mecanismos obsessivos. Em vista disso, as atrações espirituais por simpatia ou animosidade vinculam os afetos e adversários no processo do continuum da vida.
A incidência é cada vez maior. A obsessão se alastra por nos encontrarmos ainda nas sombras, trazendo os germens da inferioridade que facultam a presença dos que se erigem cobradores.

Por ser um problema de urgência, necessário se faz o empenho de todos para minimizar os efeitos danosos dessa tão grave enfermidade da alma, em especial os que se filiam às hostes do Espiritismo com Jesus, uma vez que já iluminaram suas consciências com as diretrizes superiores da Doutrina Espírita.

O Espiritismo veio conclamar-nos ao amor, relembrar o real significado desse sentimento sublimado que o Evangelho exprime.

Jesus é o caminho. Cumpre manter acesa a chama da fé e a luz da esperança.




Definições

Para o Dicionário On Line da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda:



Obsessão – do latim obsessione. 1. Impertinência, perseguição, vexação. 2. Psiq. Pensamento, ou impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, e que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo; idéia fixa, mania.

Obsedar – do francês obséder. 1. Tornar-se assíduo junto de (alguém), para lhe obter as graças; importunar com assiduidade; molestar. 2. Apoderar-se (uma idéia) do espírito de (alguém), não lhe dando descanso; produzir obsessão em; obsediar, obsidiar, obcecar.

Obsessivo. 1. Que causa, ou em que há obsessão; obsedante, obsediante, obsidiante, obsessor, obsidente.

Obsessor. 1. Que causa obsessão; que importuna. 2. Obsessivo. 3. Aquele que causa obsessão; importuno.

Obsesso. 1. Importunado, atormentado, perseguido. 2. Indivíduo que se crê atormentado, perseguido pelo demônio.

Para o Dicionário de Filosofia Espírita, de L. Palhano Jr:



Obsessão. Impertinência; perseguição; vexação. Preocupação exagerada com determinada idéia, que domina de modo doentio o espírito, sendo resultante ou não de sentimentos recalcados. Idéia fixa. Mania.

Obsedar. Importunar com tenacidade, molestar, obsidiar.

Obsessivo. Que causa ou em que há obsessão. Obsedante. Obsidiante. Obsessor. Obsidente.

Obsessor. Que causa obsessão ; que importuna.

Obsesso. Importunado, perseguido, atormentado por espíritos obsessores.
Para a Ciência Médica, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo é um transtorno mental incluído entre os chamados transtornos de ansiedade. Manifesta-se sob a forma de alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (obsessões como dúvidas, preocupações excessivas) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal é a presença de obsessões: pensamentos, imagens ou impulsos que invadem a mente e que são acompanhados de ansiedade ou desconforto, e das compulsões ou rituais: comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, realizados para reduzir a aflição que acompanha as obsessões. Dentre as obsessões mais comuns estão a preocupação excessiva com limpeza (obsessão) que é seguida de lavagens repetidas (compulsão). Um outro exemplo são as dúvidas (obsessão) que são seguidas de verificações (compulsão).

A obsessão através da História
A História é testemunha de obsessões cruéis. Atormentados de todo porte desfilaram através dos tempos, vestindo indumentárias masculinas e femininas, em macabros festivais, desde as guerras sangrentas a que se entregavam às dominações mefíticas, cuja evocação produz assombro nas mentes desacostumadas à barbárie.

Mas não só no passado remoto encontramos tais quadros. Não há muito, a Humanidade foi testemunha da fúria obsessiva dos partidários do racismo hediondo, que nos campos de concentração de diversas nações modernas praticaram os mais selvagens e frios crimes contra o homem e a sociedade, consequentemente contra Deus.

Isto porque a obsessão não se desenvolve apenas nos chamados meios vis, onde imperam a ignorância, o primitivismo, o analfabetismo, os sofrimentos pungentes. Desenvolve-se também, muito facilmente, entre os vaidosos, os calculistas e imediatistas, neles desdobrando, em virtude das condições favoráveis da própria constituição espiritual, as sementes da perturbação que já conduzem interiormente.

Estigma a pesar sobre cabeças coroadas, a progredir em berços de ouro e nácar, a fustigar conquistadores, a conduzir perversos, esteve nos registros históricos aureolada de poder e ovacionada pela febre da loucura, condecorando homicidas e destruindo-os depois, homenageando bárbaros e destroçando-os, em voragens nas quais se consumiam, em espetáculos inesquecíveis pela aberração.

Sinal infamante cravado em todos aqueles que um dia se mancomunaram com o crime, aparece nas mentes e corpos debilitados, apresentando-se em expressões teratológicas dolorosas, mostrando as feridas da incúria e da alucinação.

Não apenas no campo psíquico a obsessão desarticulou, no passado, heróis e príncipes, dominadores e dominados, mas, também, nas execrações físicas das quais não podiam fugir os criminosos, jugulando-os às prisões em que se fazia necessário padecerem para resgatar.

Hoje, em pleno século XXI, em que os valores éticos sofrem desprestígio, a benefício dos valores sem valor, irrompe a obsessão caudalosa, arrastadora, arrancando o homem das estrelas para onde busca fugir, a fim de fixá-lo ao solo que tenta deixar e que se encontra cheio de cadáveres, manchado de sangue, decorrente de suas múltiplas e incessantes desídias.

Obsessão nos Evangelhos
As páginas dos Evangelhos estão repletas de passagens sobre obsessões espirituais.

Em Lucas, 8:2, observamos “algumas mulheres foram curadas de Espíritos malignos e enfermidades, dentre elas Maria Madalena, de quem o Mestre expeliu sete Espíritos imundos.”

Marcos, 5:7-9, relata que um homem gadareno vivia assediado por Espíritos obsessores. Quando Jesus se aproximou dele, passou a chamar com grande voz: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes.” O Mestre, após ordenar que o Espírito imundo saísse do homem, perguntou-lhe: “Qual é o teu nome? E ele respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos.”

Segundo a descrição de Lucas, 9:38-42, um homem que tinha um filho atormentado por Espírito maligno, dirigindo-se ao Messias, pediu: “Mestre, peço-te que olhes para o meu filho, porque é o único que tenho. Eis que um Espírito o toma, e de repente clama, e o despedaça até espumar, e só o larga depois de o ter quebrantado. E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não o puderam.” E Jesus, respondendo, disse: “Geração incrédula e perversa! Até quando estarei aí convosco e vos sofrerei? Traze-me cá o teu filho. E quando vinha chegando, o Espírito o derribou e convulsionou, porém Jesus repreendeu o Espírito imundo, e curou o menino.”

Existem muitos outros casos nos Evangelhos, tais como o do servo do centurião, da filha da mulher cananéia, da mulher paralítica, descrita em Lucas 13:10-17, sem falar no assédio dos Espíritos inferiores no sentido que os apóstolos Pedro e Paulo fossem frustrados em suas missões, conforme narrações contidas em Lucas 22:31-34.

O homem, assoberbado por cogitações de ordem puramente material, esquece-se dos seus deveres mais fundamentais no campo da espiritualização, enveredando por caminhos que o levam ao descalabro moral e fazem com que se torne dócil instrumento de Espíritos que brilham pela falta de escrúpulo e folgam em contribuir decididamente para que seu perseguido se chafurde no lamaçal do erro e dos vícios.

É óbvio que Maria Madalena, para ter chegado ao ponto de ter sete Espíritos obsessores atormentando-a como autêntica legião, deve ter passado pelas fases mais brandas da obsessão, quando o obsidiado recebe todo tipo de advertências e amparo espirituais. Não prestando a atenção devida aos avisos salutares, entra na fase mais aguda, quando o Espírito, achando a “casa varrida e adornada” , vai e leva consigo outros Espíritos piores do que ele.

Loucura e Obsessão
É muito tênue a linha divisória entre a sanidade e o desequilíbrio mental. Pode-se atravessar essa linha com relativa facilidade, sem que se perceba uma mudança expressiva no comportamento da criatura.

A loucura sempre foi um dos temas mais fascinantes. Não obstante a evolução da Psiquiatria, ainda permanece desafiando a ciência moderna.

Ao longo da história a loucura ora despertou curiosidade, ora provocou medo e preocupação. No passado, foi interpretada pelo médico grego Galeno de acordo com a sua Doutrina dos Humores, cuja base fundamental era a presença de quatro substâncias indispensáveis ao equilíbrio mental: a fleuma, o sangue, a bílis negra e a bílis amarela. Durante a Idade Média, a intolerância religiosa e o fanatismo dogmático viam a loucura como pecado, preguiça ou interferências de entidades demoníacas.

Felipe Pinel, um dos pais da moderna Psiquiatria, no final do século XIX, começou a encarar a loucura com um sentimento mais humanitário. Emil Kraeplin, um dos mais brilhantes psiquiatras de todos os tempos, procurou sistematizar e classificar por ordem os diversos tipos de doença mental, examinando as ocorrências fisiológicas com conseqüências psico-comportamentais. O médico francês Charcot usou a hipnose, para tentar libertar suas pacientes da histeria e das somatizações de fundo emocional.

Freud dedicou longos anos de sua vida a estudar o psiquismo humano e concluiu que as paixões sexuais, os vícios, as fantasias, as mentes indisciplinadas e angustiadas em torno do sexo, os ciúmes, as frustrações e agressividade levam o paciente a adoecer gravemente. Percebeu que o ser humano é dominado pelo mundo do inconsciente, um depósito de memórias, que guarda as impressões do passado, em especial as traumáticas, e que leva o indivíduo a neurotizar-se. Alfred Adler, discípulo de Freud, concluiu que, ao lado do sexo, há também o instinto do poder, a tendência da criatura querer dominar as pessoas e as situações.

Jung trouxe o evolucionismo Darwiniano para a Psicologia. Descobriu, ao lado do inconsciente individual de Freud, um inconsciente de natureza coletiva, onde estão arquivados elementos universais de todas as culturas da Terra, transmitidos de geração a geração: os arquétipos.

Outros estudiosos trouxeram novas contribuições, mas a loucura até hoje permanece como grande incógnita. Hoje, a Psicologia e a Psiquiatria, avançando com a Física, constatam que o ser humano é um feixe de energias. Einstein dizia que o homem “é um conjunto eletrônico comandado pela consciência.” Esta consciência é imortal.

Allan Kardec foi o grande psicólogo que encarou a loucura de maneira integral, contribuindo com a ciência materialista naquilo que a ciência ignorava. A loucura é uma enfermidade do Espírito, que se manifesta através do corpo, mas a causa de qualquer transtorno psicótico está no indivíduo, no ser imortal que ele é. O psicótico é um Espírito endividado, em expiação, alguém que cometeu sérios crimes contra a sociedade, contra si mesmo, ou contra o próximo, desencadeando uma consciência de culpa no seu mundo íntimo, que fez com que reencarnasse fora da realidade, em transtorno profundo.

Mesmo quando a loucura tem fatores genéticos, glandulares ou cerebrais, é o Espírito que antes de reencarnar plasma um corpo com determinada deficiência. No entanto, há um fator predisponente para a loucura que a ciência espírita descobriu: as obsessões.

A Doutrina Espírita nos esclarece que o pensamento é função do Espírito e, portanto, suas perturbações, em tese, não dependem de lesão do cérebro, embora possam elas concorrer para o caso, pela razão de ser o cérebro instrumento das manifestações da faculdade pensante.

Dessa forma, fica claro que a loucura não é um caso patológico invariável em sua natureza, mas um fenômeno mórbido de duplo caráter: material e imaterial.

Material, quando é conseqüência de uma afecção do cérebro, que lhe perturba a transmissão, fazendo-a desordenadamente. Imaterial, quando é resultante de alguma coisa que afeta a faculdade pensante, origem natural do pensamento, que, por isso, emana viciado da fonte.

É necessário, pois, que se faça um diagnóstico preciso, para que não se confunda a loucura propriamente dita com os casos de obsessão espiritual. Além disso, é preciso que se detecte o grau de obsessão que há em cada caso de loucura, separadamente, havendo diagnóstico médico e espírita.

Obsessão - Conceito
É um distúrbio espiritual de longo curso, que procede dos painéis íntimos do homem, apresentando-se de várias maneiras, com graves conseqüências, em forma de distonias mentais, emocionais e desequilíbrios fisiológicos.

Inerentes à individualidade que sofre o constrangimento, suas causas estão no passado culposo do homem que se permitiu todo tipo de abuso e desvarios.

Amores violentos, ódios irreprimíveis, dominação absolutista, fanatismo, avareza incontrolável, ciúme doentio, abusos do direito como da força, má distribuição de recursos financeiros, apropriação indébita, paixões políticas e guerreiras, ganância, orgulho, presunção e egoísmo são as fontes geratrizes da obsessão, que não cessa de atirar os homens nos resvaladouros da loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e ao suicídio direto ou indireto, aos que se deixam submeter à sua ação destrutiva.

Parasita tenaz, a obsessão se constitui de toda idéia fixa de fora para dentro, como na hipnose (consciente ou não), persuasão de qualquer natureza a que o indivíduo se deixa arrastar. Ou de dentro para fora, pela dominadora força psíquica, que penetra e se espalha, vencendo as débeis resistências daquele que a sustenta.

Originária, às vezes, da consciência perturbada resultante de faltas cometidas em existências passadas e ainda não ressarcidas, renascendo sob a forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações, ansiedades, impõe o auto-flagelo, capaz, de certo modo, de dificultar novos deslizes, mas quase sempre trazendo desequilíbrios mais sérios.

O homem, possuindo os fatores predisponentes para o surgimento e fixação da obsessão (os débitos registrados na mente espiritual culpada), faculta uma simbiose entre as mentes encarnadas ou desencarnadas, mas de maior incidência entre o Espírito desencarnado e o encarnado, constituindo tormento que, não atendido adequadamente, pode atingir estados desesperadores e fatais.

A morte, e a conseqüente ausência do corpo físico, não interrompe o intercâmbio. O perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direção do Espírito e vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste, corpo semi-material depositário das forças impregnantes das células, é excelente campo plástico de que se utiliza a Lei Divina para os reajustes daqueles que, por distração ou falta de juízo, desrespeito ou abuso, ambição ou impiedade, se embrenharam no erro.

O comércio mental funciona amplamente, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais, ou reciprocamente.

Não sendo necessário o cérebro para que a mente continue o seu ministério intelectual, sendo o encéfalo tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e se desligam em uniões contínuas, incessantes, muito mais do que seria de supor-se.

O que é normal entre os homens não muda após o decesso corporal.

Há sempre alguém pensando em alguém. O estabelecimento dos contatos, como a continuidade deles, é que podem dar curso aos processos obsessivos ou lenificadores, conforme seja a fonte emissora.

A obsessão, enfim, é o domínio que alguns Espíritos conseguem adquirir sobre certas pessoas. Somente é praticada por Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos não causam nenhum constrangimento, aconselham, combatem a influência dos maus, e retiram-se quando não são ouvidos.

É a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre uma pessoa. Apresenta caracteres diversos, que vão da simples influência moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

Obsessão – Classificação
Como dissemos, a obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que resultam do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa está espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
Chama-se obsessão simples a influência de um Espírito malfazejo que se imiscui no campo mental de uma pessoa e o importuna de várias maneiras, psicológica, física e moralmente. No caso de um médium, o Espírito se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados.

Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária. Pode-se, pois, ser enganado, sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua.

Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça, de nenhuma forma dissimula suas más intenções e o seu propósito de contrariar. O médium reconhece sem dificuldade a felonia e, quando se mantém em guarda, raramente é enganado. Este gênero de obsessão é, portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor obstáculos às comunicações que se deseja receber de Espíritos sérios ou afeiçoados.

Podem incluir-se nesta categoria os casos de obsessão física, isto é, a que consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de alguns Espíritos, que fazem se ouçam, espontaneamente, pancadas ou outros ruídos.


A fascinação é mais grave. É uma ilusão produzida pela ação direta de um Espírito sobre o pensamento da pessoa e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio. O fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega (hipnótica), que o impede de ver o embuste e de compreender os seus atos, por mais que o absurdo deles salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de fazer o médium achar sublime a linguagem mais ridícula.

Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.

Na fascinação, o Espírito conduz o indivíduo de quem se apoderou como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.
A diferença entre obsessão simples e fascinação é facilmente compreendida. Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquela se impacienta por desembaraçar-se. Na segunda, para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber. Por isso mesmo, o que o fascinador mais teme são as pessoas que vêem claro. Daí consistir a sua tática, quase sempre, em inspirar ao seu intérprete o afastamento de quem quer que lhe possa abrir os olhos. Por esse meio, evitando toda contradição, fica certo de ter razão sempre.
A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o indivíduo fica sob um verdadeiro jugo. Pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, julga sensatas. É uma como fascinação, só que compulsiva. No segundo caso, o Espírito atua sobre as regiões motoras do cérebro em transe e provoca movimentos involuntários. Pode levar aos mais ridículos atos.
Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima.

A princípio, o Espiritismo entendia a possessão como sinônimo de subjugação, mas o próprio Kardec revisou esse conceito, publicando na Revista Espírita, em 1863, o novo entendimento sobre o caso. O Codificador expressou-se da seguinte maneira:

Temos dito que não havia possessos (ver LE-473, por exemplo) no sentido vulgar do vocábulo mas somente subjugados. Voltamos a esta asserção absoluta porque agora nos é demonstrado que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, posto que parcial, de um Espírito errante a um encarnado.”

Vemos aqui um exemplo do dinamismo da Doutrina Espírita, que só pode ocorrer quando validado pela razão e demonstrado irrefutavelmente.



Possessão, então é a ação que um Espírito exerce sobre um indivíduo encarnado, substituindo-o temporariamente em seu próprio corpo material. Não é uma ação permanente, considerando que a união molecular do perispírito ao corpo opera-se somente no momento da concepção.

Os processos de comunicação da psicofonia e da possessão são diferentes. No primeiro, o Espírito comunicante transmite seus pensamentos ao médium e este encarrega-se de retransmitir conforme seus próprios recursos; no segundo, é o próprio desencarnado que serve-se (apossa-se) diretamente do corpo material e transmite a sua mensagem (o Espírito encarnado afasta-se mas ainda permanece ligado ao seu envoltório físico).

A possessão pode ser promovida por um Espírito bom, que quer falar e, para fazer mais impressão sobre os ouvintes, toma emprestado o corpo de um encarnado, que este lhe cede voluntariamente. Isto se faz sem nenhuma perturbação ou incômodo, e, durante este tempo, o Espírito se encontra em liberdade como num estado de emancipação e frequentemente se conserva ao lado de seu substituto para o ouvir.

Obviamente, a possessão também pode ocorrer através de um Espírito malfeitor e neste caso caracteriza-se um processo obsessivo, quando a vítima não possui força moral para resistir à agressão e é obrigada a afastar-se temporariamente de seu corpo (a vítima permanece ligada ao corpo mas sem seu domínio).


A obsessão pode expressar-se de várias maneiras. A saber:

Encarnado para encarnado: caracteriza-se pela capacidade que uma pessoa tem de dominar mentalmente aquele que elege como vítima. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúmes, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido tão sutilmente que o dominado é capaz de se sentir a pessoa mais amada do mundo e até mesmo extremamente protegido.
Desencarnado para desencarnado: são aqueles Espíritos que obsidiam outros Espíritos. Os homens são os mesmos, carregam os seus vícios e paixões, por isso no além-túmulo ocorrem obsessões entre os Espíritos.
Encarnado para desencarnado: a princípio pode parecer difícil de entender que isso possa acontecer, mas está diretamente ligado ao amor egoísta e possessivo e à inconformação e o desespero da perda de um ente querido; idêntico será o sentimento que domina o encarnado com ódio ou revolta.
Desencarnado para encarnado: trata-se da atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado; é mais fácil ao desencarnado influenciar e dominar a mente daquele que está limitado pelo veículo somático, pois tem a seu favor o fato de não ser visível e nem sempre percebido pela sua vítima.
Auto-obsessão: segundo Kardec, alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo (“O homem não raramente é obsessor de si mesmo”); esse estado mental abre campo para os desencarnados menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se aí, sim, o desequilíbrio por obsessão.
Obsessão recíproca: essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamento e vibrações; isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado.

Obsessão e Vampirismo
Desde eras remotas encontramos os circuitos de obsessão e de vampirismo entre encarnados e desencarnados.

A parasitose espiritual ou vampirismo existe em longa escala e em várias gradações. Pode ser consciente ou inconsciente. Sempre existiram criaturas que vivem às expensas de outras, sugando-lhes as energias de diversas maneiras, tanto no plano físico como no espiritual.

As pessoas que são ligadas às sensações materiais prosseguem além-túmulo, buscando sofregamente os gozos em que se compraziam, e para consegui-lo vinculam-se aos encarnados que vibram em idêntica faixa, instalando-se então a troca de vibrações doentias.

André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, fala em ectoparasitas, que limitam a própria ação às zonas de superfície, absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizam aqui e ali; e endoparasitas, conscientes, que após conhecerem os pontos vulneráveis de suas vítimas, dominam o seu corpo mental, incutindo-lhe os seus pensamentos, que a vítima acolhe como se fossem seus, dominando assim a vítima em processo lento, contínuo e progressivo.

O parasitismo espiritual (ou vampirismo) pode causar sérios danos ao hospedeiro, levando-o à loucura ou até mesmo à morte.

Em Missionários da Luz, o Benfeitor Alexandre esclarece André Luiz quanto ao termo vampiro, que, “entre os homens, é o fantasma dos mortos, que se retira do sepulcro, alta noite, para alimentar-se do sangue dos vivos.” Alexandre diz que, no fundo, a definição não está errada, “apenas cumpre considerar que, entre nós, vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens.”



Ovóides
Ovóide quer dizer semelhante ao ovo, forma de ovo. De acordo com o Dicionário de Filosofia Espírita, de L. Palhano Jr, é uma formação atípica do perispírito causada por um forte monoideísmo de Espíritos que se mantêm em idéias fixas, alienando-se dos mais simples cuidados de integridade pessoal. Há um definhamento do corpo espiritual, com miniaturização. Esse fenômeno pode ocorrer também sob o domínio hipnótico de entidades experientes, não só por questões de ordem inferior, mas também para determinadas operações, como nos preparativos reencarnatórios.

A transubstanciação do corpo espiritual num corpo ovóide pode ocorrer nos seguintes casos:

1. O homem selvagem que retorna ao plano espiritual e se atemoriza diante do desconhecido. Não dispondo de conhecimentos espirituais, mesmo a visão de Espíritos bons e sábios lhe causam grande temor. Anseia por retornar ao convívio dos seus, ao seu habitat, alimentando-se das vibrações que lhe são afins. Nestas condições estabelece-se nele o monoideísmo (idéia fixa), abstraindo-se de tudo o mais. O pensamento permanece em circuito viciado, continuamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Não havendo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, da mesma forma que órgãos do corpo físico atrofiam quando paralisados.

2. Desencarnados em profundo desequilíbrio, buscando vingança ou portadores de excessivo apego, envolvem e influenciam aqueles que são objeto de sua perseguição ou atenção e auto-hipnotizam-se com as próprias idéias, que se repetem indefinidamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Em conseqüência, por falta de função, os órgãos perispiríticos se retraem, ovoidizando-se. Vinculam-se às vítimas que lhes aceitam mecanicamente a influência, configurando-se a parasitose espiritual. O hóspede (obsessor) passa a viver no clima pessoal do hospedeiro (obsidiado), situação que pode prolongar-se mesmo após a morte física da vítima, dependendo da gravidade das dívidas e natureza dos compromissos entre ambos.

3. Os grandes criminosos, os pervertidos, os trânsfugas do dever, desencarnados, atormentados diante da visão repetida e constante dos próprios crimes, vícios e delitos, tornam-se dementados. Os clichês mentais que exteriorizam vezes sem conta torna-lhes o fluxo do pensamento vicioso, resultando no monoideísmo auto-hipnotizante. E, como nos outros casos citados, perdem os órgãos do corpo espiritual, transubstanciando-se em ovóides.

Os obsessores utilizam-se desses ovóides para intensificar o cerco sobre suas vítimas, imantando-os a estas. Instala-se daí em diante o parasitismo espiritual. O obsidiado passa a viver no clima criado pelos obsessores, com o pensamento controlado e cerceado e o cérebro em desequilíbrio, em virtude da interferência hipnótica dos algozes, tudo isso mais agravado pelas ondas mentais altamente perturbadoras dos ovóides, vendo inclusive os clichês mentais que projetam em fenômenos alucinatórios ou ouvindo-lhes as acusações na acústica da mente.

Tal subjugação acarreta conseqüências gravíssimas, lesando o cérebro ou outros órgãos que estejam sendo visados, produzindo um desequilíbrio total, que pode levar a vítima ao suicídio, à loucura irreversível ou ocasionar a morte por deperecimento ou distúrbio orgânico.

A criança obsidiada
Causa-nos profundo pesar tomar conhecimento de casos de crianças obsidiadas.

Esses pequenos seres cujo choro aflito ou nervoso nos confrange o coração, torturados inquietos, padecendo de enfermidades de difícil diagnóstico, são, muita vez, obsidiados de berço, futuras crianças-problema, que a Psicologia tradicional ainda não consegue explicar.

São crianças que já nascem aprisionadas, trazendo nos olhos as visões dos panoramas apavorantes que tanto as inquietam, reminiscências de vidas anteriores ou recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no plano espiritual antes de serem encaminhadas para a reencarnação.

O novo corpo, com a dádiva divina do esquecimento do passado, atenua as torturas que sofriam, originárias de sua própria consciência fustigada pelo remorso ou no ódio e revolta em que se consumiam. A almejada redenção encontra-se na benção da nova oportunidade.

A Misericórdia Divina lhes oferece momentos de refazimento e reiterados chamamentos para que se redimam do passado, através da resignação, da paciência e da humildade.

Crianças obsidiadas devem ser tratadas na instituição espírita através do passe e da água fluidificada. Necessitam de muita atenção e amor, para que se sintam seguras e confiantes. Somente o amor trará algum refrigério para essas almas cansadas de sofrimento.

A orientação espírita aos pais é fundamental, para que compreendam a dificuldade que experimentam e tenham mais condições de ajudar o filho e a si próprios, uma vez que, provavelmente, são cúmplices ou desafetos do passado, agora reunidos em provações redentoras. Devem ser aconselhados a fazerem o Culto do Evangelho no Lar, favorecendo o ambiente em que vivem com os eflúvios do Alto, que nunca falta aos que recorrem à Misericórdia do Pai.

A criança deve ser levada às aulas de Evangelização Infantil, onde encontrará os esclarecimentos e o conforto que carece.

A terapêutica espírita e médica, juntas, aliviarão essas crianças, que, se bem orientadas e cuidadas, poderão levar suas vidas naturalmente.

Obsessão – Causas
O que predispõe um Espírito (encarnado ou desencarnado) à obsessão são as imperfeições morais.

O que rege o processo obsessivo é o atendimento à “lei de sintonia”, que é a predisposição de atração recíproca, através da emissão e recepção de onda mentais.

A obsessão prolongada pode causar desordens patológicas (doenças), loucura e morte física.

As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito. É, às vezes, uma vingança contra um indivíduo de quem guarda queixas da vida presente ou de existências anteriores. Muitas vezes, também, não há mais do que o desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, quer que os outros sofram; encontra uma espécie de gozo em atormetar, vexar, e a impaciência que a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que tem em vista, ao passo que a paciência o leva a cansar-se. Irritando-se e mostrando-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que quer o seu perseguidor. Esses Espíritos agem, não raro, por ódio e inveja do bem, daí escolherem suas vítimas entre as pessoas mais honestas. Outros são guiados por um sentimento de covardia, que os leva a se aproveitarem da fraqueza moral de certos indivíduos, que sabem incapazes de lhes resistirem.

Há também Espíritos obsessores sem maldade, que alguma coisa mesmo denotam de bom, mas dominados pelo orgulho do falso saber. Têm suas idéias, seus sistemas sobre as ciências, a economia social, a moral, a religião, a filosofia, e querem que suas opiniões prevaleçam. Para tanto, procuram médiuns bastante crédulos para os aceitar de olhos fechados, que eles fascinam com o intuito de os impedir o discernimento entre o verdadeiro e o falso. São os mais perigosos, porque os sofismas nada lhes custam e podem fazer crer nas mais ridículas utopias, até mesmo usando o prestígio de grandes nomes como Jesus, a Virgem Maria ou um santo venerado.

Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, quase sempre verbosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade, com volumosos escritos indigestos e pouco inteligíveis.

Os Espíritos Superiores são sóbrios de palavras, dizem muita coisa em poucas frases. Dessa forma, deve-se sempre suspeitar da fecundidade prodigiosa.

O estudo da obsessão tem levado à compreensão de que as criaturas encontram-se, em sua grande maioria, envolvidas por conflitos do passado. São enfermos que reclamam tratamento à luz do esclarecimento, pois apenas o perdão mútuo poderá desmanchar os liames doentios que os prendem. Os laços nunca são rompidos, mas modificados. No lugar do ódio, passará a haver compreensão, entendimento, paciência. Em benefício desse objetivo deixarão de prejudicar um ao outro, ganhando equilíbrio, que os conduzirá ao respeito e futuramente ao perdão total dos compromissos. Continuarão ligados, mas agora unidos pelos ideais de amor e quites com a Justiça Divina.



Obsessão – Sintomas
Sempre que se experimentar um estado de espírito tendendo ao derrotismo, perdurando por muito tempo, sem causa orgânica ou moral relevante, pensemos na hipótese de uma influenciação espiritual sutil – obsessão.

Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma incluem-se:

- dificuldade de concentrar idéias em motivos otimistas;

- ausência de ambiente íntimo para elevar os sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;

- indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimento de desastre imediato;

- aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;

- pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;

- interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que sabe não corresponder à realidade;

- hiperemotividade ou depressão raiando na iminência do pranto;

- ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de auto-martírio;

- teimosia em não aceitar, para si mesmo, que haja influenciação espiritual, mas, passados minutos ou horas do acontecimento, vem a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo.

O Espírito responsável pode estar tão insconsciente de seus atos que os efeitos negativos se fazem sentir como se fossem desenvolvidos pela própria pessoa.

Quando o influenciador é consciente, a ocorrência é preparada com antecedência e meticulosidade, às vezes, dias e semanas antes do sorrateiro assalto, marcado para a oportunidade de encontro em perspectiva.

Não se sabe o que tem causado maior dano à Humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase-obsidiados, despercebidas, contudo bem mais freqüentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciando o roteiro de legiões de outras.

Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim?

Estudemos nossa existência e verifiquemos se nessa última quinzena não estivemos em alguma circunstância com características de influenciação espiritual sutil.

Em se tratando de médiuns atuantes, reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:

- persistência de um Espírito em se comunicar, bom ou mau grado, pela escrita, pela audição, pela tiptologia etc, opondo-se a que outros Espíritos o façam;

- ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;

- crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas ou absurdas;

- confiança do médium nos elogios que lhe dispensam os Espíritos que por ele se comunicam;

- disposição para se afastar das pessoas que podem emitir opiniões aproveitáveis;

- tomar a mal a crítica das comunicações que recebe;

- necessidade incessante e inoportuna de escrever;

- constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar a seu mau grado;

- rumores e desordens persistentes ao redor do médium, sendo ele de tudo a causa, ou o objeto.

Sendo os Espíritos as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica é um meio de se manifestarem. Em falta dessa, fazem-no por outras maneiras, mais ou menos ocultas. Seria, pois, erro crer-se que só por meio de comunicações escritas ou verbais exercem os Espíritos sua influência. Esta influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou até não crêem neles, estão expostos a sofrê-la, como os outros e mesmo mais do que os outros, porque não têm com que a contrabalancem. A mediunidade é, para o Espírito, um meio de se fazer conhecido. Se ele é mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja. Pode, pois, dizer-se que a mediunidade permite se veja o inimigo “face a face” e combatê-lo com suas próprias armas. Sem essa faculdade, ele age na sombra e, tendo a seu favor a invisibilidade, pode fazer e faz realmente muito mal. O conhecimento do Espiritismo, quando se achar propagado, destruirá esse predomínio, dando a cada um os meios de se pôr em guarda contra as sugestões dos maus espíritos. Aquele então que sucumbir só de si terá que se queixar.



Obsessão – Terapêutica
Antes de Jesus, os obsidiados eram marginalizados, objetos da curiosidade e de terror. Isolados pelos próprios familiares, padeciam sob a ação ainda maior dos “inimigos” espirituais. Com a vinda do Mestre, chegou a lição do amor. Como remédio e como alimento para ambos os doentes: obsessor e obsidiado. O verdadeiro trabalho de desobsessão se iniciou com Jesus ensinando aos homens que o amor deve ser o alicerce de toda terapêutica.

Com o passar do tempo, os homens esqueceram, deturparam também estes ensinamentos e foi necessário a vinda da Terceira Revelação, o Consolador Prometido, para que a luz novamente se fizesse. Foi a Doutrina Espírita que realmente traçou diretrizes lógicas, seguras e eficazes para o tratamento da obsessão.

O processo obsessivo, para realmente ser resolvido, necessita a atuação terapêutica no obsessor e no obsidiado.

A terapêutica desobsessiva deve ser sempre orientada tendo como base dois aspectos: a terapêutica espiritual e a terapêutica médica, pois a não utilização de uma delas pode levar a um tratamento ineficiente e incompleto. Como Espírito encarnado, possuindo Espírito, perispírito e corpo físico, o obsidiado terá alterações psíquicas e orgânicas variadas e importantes, desde o início do quadro e no decorrer do mesmo. Portanto, para o equilíbrio e o êxito, a terapêutica desobsessiva deve seguir tal orientação.


Vejamos alguns pontos importantes da Terapêutica Espiritual:
A Prece:

O obsidiado deve ser conscientizado da importância da prece no seu tratamento.

É comum que os interessados (paciente, familiares, amigos) acreditem que as preces devem ser feitas no Centro Espírita e não por eles próprios. Alguns pensam ser incapazes de orar ou que suas preces não são eficazes, deixando a responsabilidade aos que consideram mais qualificados, ou seja, o presidente do Centro, médiuns e integrantes dos trabalhos.

São pessoas que não têm o hábito da oração ou que aprenderam a rezar maquinalmente, preces decoradas que não brotam do coração. Ou ainda que se acostumaram a encomendar orações a terceiros.

Devemos oferecer a esses irmãos noções de como conversar com Deus, com Jesus, como se entregar através da prece nascida do sentimento mais puro. Falar do valor da oração, fazê-las acreditar que os recursos estão dentro delas, e que, se acionados, possibilitarão a sintonia com o Alto. Tais são explicações que devem ser dadas àqueles que estiverem em condições de compreender, para que desenvolvam suas potencialidades pelo próprio esforço.

Não negaremos a nossa cooperação, certamente, pois é um dever de solidariedade e amor orar em benefício dos nossos irmãos, mas devemos orientar as pessoas que no dia e horário da reunião de desobsessão façam uma leitura de trecho do Evangelho segundo o Espiritismo e orem, esclarecendo que agindo dessa forma propiciarão a sintonização com os Benfeitores Espirituais. Esse é um modo de incentivá-los a orarem regularmente e assumirem a parte que lhes compete no tratamento.


Reforma moral (auto-desobsessão):

É o ato de promover a própria desobsessão através da auto-evangelização. O Centro Espírita não resolve todos os problemas como por encanto, livrando a pessoa de todos os males. É fundamental esclarecer o paciente e a família da importância da participação destes para o êxito do tratamento, pois a falta de participação do enfermo é, muitas vezes, a causa de quadros obsessivos de difícil resolução, podendo vir a atravessar uma ou mais encarnações.

A reforma moral do obsidiado é um trabalho consciente e necessário de mudança de hábitos e pensamentos, que, como sabemos, atuam como causa secundária, facilitando a instalação do processo obsessivo, em conjunto com a causa primária, ou seja, débitos do passado. É uma auto-educação de valores e sentimentos e o meio mais prático de atingir este objetivo é pela prática da caridade com Jesus. A caridade é terapia. O obsidiado aos poucos convencerá o obsessor de sua renovação moral e poderá também desfrutar de elevadas companhias espirituais.
Fluidoterapia:

O obsessor envolve fluidicamente o obsidiado, absorvendo-lhe os fluidos benéficos e substituindo-os por fluidos deletérios.

Para a retirada destes maus fluidos, como afirmava Kardec, é fundamental a fluidoterapia, feita pelo passe e pela água fluidificada.
Freqüência ao Centro Espírita:

É importante a freqüência ao Centro Espírita, que deverá ser cobrada ao obsidiado e à sua família, pois permite o conhecimento da Doutrina através do estudo, favorece o hábito de bons pensamentos e a prática da caridade com Jesus, bem como o acesso mais fácil à fluidoterapia. Outro fato importante é que ao penetrar no Centro, o obsidiado usualmente leva consigo o seu obsessor, o que propicia o auxílio renovador também para este.




Evangelho no Lar:

O culto do Evangelho no lar facilita a freqüência dos bons Espíritos no lar do obsidiado e faculta a penetração do Evangelho de Jesus na vida de toda a família. O equilíbrio no lar tem papel importante no equilíbrio de todos. Joanna de Ângelis afirma que o lar é como o porto para o navio, local de reparos, repouso e preparação para enfrentar o oceano bravio. O obsidiado, mais do que ninguém, precisa de um porto seguro. Como sabemos, é comum o envolvimento dos familiares do obsidiado no quadro obsessivo, pois muitas vezes são grupos de Espíritos devedores que se reúnem para enfrentarem o mesmo problema expiatório. Um clima de amor envolvendo obsidiado e obsessor é fundamental para a recuperação de ambos.


Laborterapia:

“Mente vazia, oficina do diabo”, já diziam nossos avós com propriedade. Quando nos envolvemos com o trabalho, qualquer que seja, ocupamos nossa mente e nossas mãos, repelindo dessa forma os maus pensamentos e a influência dos Espíritos menos felizes. Eis um bom antídoto contra a obsessão.




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