Debate sobre o diabinho azul jocaxiano



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DEBATE SOBRE O DIABINHO AZUL JOCAXIANO

http://www.respostasaoateismo.com/2014/03/o-argumento-do-diabinho-azul-jocaxiano.html

http://www.respostasaoateismo.com/2014/04/o-argumento-do-diabinho-azul-jocaxiano.html

O Argumento do Diabinho Azul Jocaxiano


Olá, leitores. 

Aqui está mais uma resposta a leitor, que veio direto da seção de comentários. Aproveitei uma breve que fiz nos meus estudos aqui para publicá-la. 

Abraços, Paz de Cristo.

Rubens Leite

12 de março de 2014 18:46

1) Argumento: “O Diabinho Azul Jocaxiano”

Fala-se que Deus é uma entidade necessária para responder a questão:

“Como surgiu o Universo?”

Se respondermos com a mesma questão “Como surgiu Deus” o teísta diz que Deus não precisa de criador, pois é a causa dele mesmo ou então que sempre existiu ou que está além de nossa compreensão. E não adianta contra argumentar que podemos utilizar os mesmos argumentos trocando a palavra “Deus” por “Universo”. Ou seja, a mente teísta exige um criador para o universo quer se queira quer não se queira. Entretanto, atrelado a este deus-criador, embute-se todas as outras qualificações que normalmente atribui-se a Deus como forma de satisfazer nossas necessidades psicológicas como bondade e/ou onisciência e/ou onipotência e/ou perfeição entre outros. Mas da constatação que isso não é absolutamente necessário para se criar o universo surge o argumento do “Diabinho Azul Jocaxiano”:

Se você diz que Deus criou o Universo eu posso IGUALMENTE SUPOR que não foi Deus quem o criou, mas sim o "Diabinho Azul" quem o criou. Só que este diabinho não é todo poderoso como Deus, não tem a onisciência de Deus, não é bom como Deus, não é perfeito como Deus e, para criar o universo, ele acabou morrendo de tanto esforço que fez.

Sendo meu diabinho muito mais simples e menos complexo que seu Deus ele deve ser PREFERÍVEL em termos da “navalha de ocam” a Deus! Portanto, ANTES de invocar Deus como criador do universo você deveria invocar o "Diabinho Azul Jocaxiano". Caso contrário você estaria sendo ilógico adicionando hipóteses desnecessarias ao 'criador do Universo'.

Comentário: Não é necessário um criador com todas as propriedades de um “Deus” para se criar o universo basta ter o poder suficiente para criá-lo. Assim a alegação de que é necessário um “Deus” para o universo existir carece de fundamento lógico.

Jocax

Respostas ao Ateísmo:

Olá Rubens!

Obrigado pela sua contribuição, é um prazer comentar a sua resposta.

"Se respondermos com a mesma questão 'Como surgiu Deus' o teísta diz que Deus não precisa de criador, pois é a causa dele mesmo ou então que sempre existiu ou que está além de nossa compreensão."

A resposta mais coerente filosoficamente é que a própria pergunta não faz sentido. Perguntar "como surgiu Deus?" é a mesma coisa que perguntar "quem comeu o futuro?", por exemplo. O verbo comer não se aplica à palavra 'futuro', assim como o verbo surgir não se aplica a Deus, por definição. Note que isso não é fugir do problema. Nós estamos falando de um Ser que criou o tempo e o espaço, que é a essência do nosso Universo. Se Ele criou o tempo e o espaço, ele não está sujeito a nenhum dos dois. Ele existe fora do tempo e do espaço (esse é o significado da palavra "transcendente", que é um dos atributos básicos e necessários de Deus). Se Ele existe fora do tempo, palavras como "fim", "começo" ou "duração" simplesmente não fazem sentido aplicadas a Ele. É como querer dividir por zero. A divisão por zero não é definida na matemática. Até mesmo dizer que "ele sempre existiu" está incorreto, sob uma análise mais rigorosa (mas é aceitável que se diga, numa conversa informal). A existência de Deus não pode ser limitada por palavras que expressam tempo, nem mesmo o "sempre". Deus simplesmente "é" e pronto. Não há melhor definição de Deus do que o seu nome original no hebraico, que diz "EU SOU". 



"E não adianta contra argumentar que podemos utilizar os mesmos argumentos trocando a palavra 'Deus' por 'Universo'."

Não adianta porque pela ciência atual sabemos que o Universo não existiu sempre, ele teve um começo no tempo. Entre as evidências disto estão a radiação cósmica de fundo, que aponta para o Big Bang, o teorema de Borde-Guth-Vilenkin e os paradoxos filosóficos que surgem se considerarmos que o passado é infinito. O Universo teve um começo. E se ele teve um começo, é razoável pensar que ele teve uma causa, que obviamente está "fora" do Universo.



"Entretanto, atrelado a este deus-criador, embute-se todas as outras qualificações que normalmente atribui-se a Deus como forma de satisfazer nossas necessidades psicológicas como bondade e/ou onisciência e/ou onipotência e/ou perfeição entre outros."

Na descrição do argumento cosmológico Kalam eu dou razões para que Deus seja atemporal, extremamente poderoso e um Ser pessoal. No argumento moral, concebemos Deus como a origem de nossos deveres, obrigações e valores morais. No argumento ontológico, a principio difícil de entender, mas interessantíssimo, Deus se define como o maior Ser que pode ser concebido pela nossa mente, em questão de grandeza e virtudes. Isso não se trata de características introduzidas arbitrariamente segundo os nossos desejos, mas sim decorrem diretamente dos argumentos.

Além do mais, você comete uma falácia genética ao afirmar que essas características de Deus são inventadas por nós porque satisfazem nossas necessidades piscológicas. O fato de a ideia de Deus trazer conforto psicológico a alguém não implica logicamente que essa ideia é falsa. Se fosse o caso, eu poderia afirmar da mesma forma que o ateísmo é falso só porque os ateus têm, na verdade, medo de Deus (o que seria igualmente uma falácia). Se a ideia de Deus traz conforto psicológico, isso é coerente tanto com a existência quanto com a não-existência de Deus (por exemplo, se Deus existe ele poderia nos ter criado para se sentir confortados pensando nEle), portanto não pode ser usada como argumento para nenhum dos lados.

"Se você diz que Deus criou o Universo eu posso IGUALMENTE SUPOR que não foi Deus quem o criou, mas sim o 'Diabinho Azul' quem o criou. Só que este diabinho não é todo poderoso como Deus, não tem a onisciência de Deus, não é bom como Deus, não é perfeito como Deus e, para criar o universo, ele acabou morrendo de tanto esforço que fez."

Essa parte é a mais divertida.

Primeiro, vamos admitir que o Diabinho Azul tenha criado o Universo. Perceba primeiro que o próprio nome dele é uma contradição: se o Universo não existe, também não existe a cor azul. Então não tem como o diabinho ser azul. Eu poderia parar por aí, mas vamos continuar.

Segundo, note que como eu disse antes, o Criador do Universo precisa ser atemporal. Ausência de tempo implica em ausência de mudança. Assim, torna-se impossível, POR DEFINIÇÃO, que o Diabinho Azul tenha morrido no ato da criação do Universo. Pois um ser atemporal é um ser por definição IMUTÁVEL. Esse é o segundo problema com a sua tese, e é mais grave que o primeiro.

Vamos supor que então que você desista da sua tese inicial e volte atrás dizendo: "ah, ok, então o Diabinho Azul é atemporal e continuou existindo depois de criar o Universo". Pois bem, então eu digo que "Diabinho Azul" é só um outro nome para um Ser que eu estou chamando de "Deus". É a mesma coisa.

Mas ainda há um agravante: não é exatamente a mesma coisa porque você definiu o Diabinho Azul como sendo não-onipotente, não-onisciente e imperfeito. Eu pergunto: imperfeito em relação A QUÊ? Toda vez que falamos de perfeição, temos em mente um referencial que é o perfeito, e as coisas são comparadas com esse referencial. Se você definiu o Diabinho Azul como imperfeito, quer dizer que existe algo ou alguém que é o referencial de perfeição para ele. Isso deixa o seu conceito com uma pendência, de esclarecer quem ou o que seria esse referencial. O conceito de Deus é mais completo porque Ele é o próprio referencial, visto que Ele é perfeito. Ele não precisa de algo superior a Ele para ser explicado ou referenciado. Ele é um ser NECESSÁRIO e não CONTINGENTE (caso tenha dúvidas a respeito desses termos procure num dicionário de filosofia).

E por último, como eu já mostrei antes, a existência de Deus é defendida aqui através de uma sucessão de argumentos que acrescentam estes atributos de forma natural. Portanto eu forneci aqui um amplo arsenal de argumentos, que para serem refutados, têm de ser um a um. Você apenas apresentou uma caricatura de argumento, com uma caricatura de personagem e que levanta mais questões do que explicações. Preciso continuar? É melhor eu nem comentar sobre a menção à navalha de Occam...

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Postado por Respostas ao Ateísmo (David Sousa) às 21:10 

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