Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip) (Câmara Brasileira do Livro, sp, Brasil) Carlos Bernardo Loureiro Perispírito: natureza, funções e propriedades / Carlos Bernardo Loureiro



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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Carlos Bernardo Loureiro Perispírito: natureza, funções e propriedades / Carlos Bernardo Loureiro. — São Paulo: Editora Mnêmio Túlio, 1998. 1. Espiritismo - Filosofia 2. Espírito e corpo I. Título índices para catálogo sistemático: 1. Perispírito: Doutrina espírita 133.901 índice Introdução 11 Natureza e Propriedades do Perispírito 13 O Perispírito e a Força Plástica Diretora 18 O Perispírito e a Crise da Morte 23 O Perispírito e os Mecanismos da Fecundação 28 O Extraordinário Vidente Andrew Jackson Davis .... 31 A Alma Sai do Corpo pelo Crânio 35 O Campo Perispiritual e o Processo Preventivo das Doenças .....38 O Antimundo .....41 Perispírito, Reencarnação e o Processo Obsessivo .............44 Fotografias Científicas do Perispírito....................................49 O Perispírito e a Transcomunicação .....58 O Vidicom .....59 O Espírito projeta sua imagem, via TV, durante o sepultamento do seu corpo ...60 As considerações do Dr. George W. Meek sobre a comunicação instrumental com os mortos ....62 A Teoria Anímica e o Perispírito ...64 As experiências de William Thomas Stead ....67 A.opinião.de.Léon.Denis.....................................................69 A Pesquisa Kardequiana......................................................71 A Ação da Alma à Distância .....74 As Evocações de Florence Marryat .....77 Emma Harding Britten ....79 Evocação de Um Surdo-Mudo Encarnado ....79 A Nossa Experiência .... 81 O Extraordinário Caso de Émile Sagée .....84 O Perispírito e a Mediunidade ....92 Transe................................................................................ 94 A Génese do Transe Segundo a Psicologia Clássica............ 97 Perispírito, Sonambulismo Natural e Magnético ..... 98 A Exteriorização da Sensibilidade.......................................105 As Experiências de H. Durville ....106 Perispírito, Pensamento e Vontade......................................111 Vista Espiritual ou Psíquica e Dupla Vista .... 115 A Luz Espiritual ... 117 Transfiguração - Aparição Perispiritual sobre o Corpo Físico ...119 Transfiguração Mediúnica ...121 O Perispírito e os Membros Fantasmas..............................124 A Existência do Duplo em Tudo que Vive . 129 O Testemunho de André Luiz 132 Citações 134 Sugestão para Leitura 141 Obras do Autor 144 Graças à sua complexidade (o perispírito), conserva-se intacto a individualidade, através da esteira das reencarnações, e se faz responsável pela transmissão ao Espírito das sensações que o corpo experimenta, como ao corpo informa as emoções procedentes das sedes do Espírito, em perfeito entrosamento de energias entre os centros vitais ou de força, que trocam as aparelhagens fisiológicas e psicológicas e as reações somática que mais exteriorizam os efeitos do intercâmbio. Joanna de Angeles(in: Estudos 'Espíritas, psicografado por Divaldo Franco ) 9 Introdução A ideia da existência do perispírito remonta à Antiguidade. Os sacerdotes egípcios chamavam Ka a esse envoltório fluídico da alma. Figura, também, na Bíblia com a denominação de nephesh. Lê-se, no Génesis (Cap. II, versículo 7), na tradução dos hebreus: O Senhor Deus uniu a seus órgãos materiais (do homem) a alma inteligente (ou eu) "nichema", inspirando o sopro da vida, "ruach" (que a segue em todas as vidas) e o traço da união da alma e do corpo grosseiro foi um sopro vital: "nephesh". A distinção dos três elementos constitutivos do corpo é também encontrada no livro de Job (Cap. XXVTI, versículos 2 e 3) da Bíblia hebraica: "E Deus proferiu o julgamento do culpado, afligindo-o no seu Espírito terrestre (nephesh), porque a alma (nichema) está eternamente unida ao Espírito divino (ruach)". No livro de Isaías (Cap. LVTI, versículo 16), onde se encontra o emprego simultâneo das mesmas expressões: " A alma sairá de minhas mãos e eu lhe darei um "nephesh" que a unirá ao corpo na sua encarnação". Na Grécia, Hesíodo fala no corpo fluídico, quando descreve a vida futura das almas. E os hinos órficos II Carlos Bernardo Loureiro aludem às almas envoltas num corpo etéreo impregnado das manchas horrendas de todas as faltas cometidas, sendo necessário, para apagá-las, que elas retornem à Terra. O perispírito é o "linga-sharira" dos hindus, o Kaleb dos persas, o "akasha" dos brâmanes, o "ochema" dos gregos, o "enormon" (Hipócrates), o "carro sutil da alma"(Pitágoras), o "mediador plástico" (no sistema de Cudworth), o "organismo sutil"(Leibnitz), o "influxo físico"(Euler), "o corpo aromai" (Fourrier), a "ideia diretriz" (Claude Bernard), "o corpo sidério" (Paracelso), o "somod" (nas investigações de H. Baraduc), o "somatoid" (de Platão, no Fédon), o "metaorganismo"(Heillenbach), o "fluido nervoso"(da vidente de Precost), o "fluido magnético"(Mesmer), o "azoth"(dos alquimistas), o "corpo psíquico"(de Depuy), o "corpo metafísico" (Cari du Prel), o "duplo etéreo" (dos Teósofos e de Fichte), o "corpo glorioso", conhecido dos Cristãos primitivos. Há outros sinónimos - veículo etéreo, invólucro fluídico, corpo magnético, corpo mágico, fantasma sideral, dupla personalidade, corpo transcendental, corpo radiante, corpo da ressurreição, corpo luminoso, corpo sutil, corpo brilhante, corpo fantástico, psicossoma, corpo vital, corpo astral. Nas páginas deste livro você, leitor, encontrará vasto material sobre o que é o perispírito, suas funções, propriedades e importância fundamental para o Processo da Vida, em suas específicas dimensões... 12 Natureza e propriedades do perispírito O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo; é tirado do meio ambiente, do fluido universal; tem, simultaneamente, segundo Kardec, algo de eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria; é o princípio da vida orgânica, mas não o é da vida intelectual. A vida intelectual está no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo essas sensações estão localizadas em órgãos que lhe servem de canal. Destruído o corpo, as sensações tornam-se gerais. Além disso, é necessário não confundir as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo: não podemos tomar estas últimas senão como termo de comparação e não como analogia. Um excesso de calor ou de frio pode desorganizar os tecidos do corpo; entretanto, não atinge o perispírito. Desprendido do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é como o do corpo. Contudo, não é um sofrimento exclusivamente moral, como o remorso, de vez que se queixa de frio ou de calor; não sofre mais no inverno do que no verão: vimo-lo passar - elucida Kardec 13 Carlos Bernardo Loureiro - através das chamas sem experimentar nenhum sofrimento. Assim, nenhuma impressão sobre ele pode exercer a temperatura. A dor que os Espíritos sentem não é, destarte, uma dor física, propriamente dita: é um vago sentimento íntimo, de que o próprio Espírito nem sempre se dá perfeita conta, precisamente porque a dor não é localizada e não é produzida por agentes externos - é mais uma lembrança do que uma realidade, posto seja uma lembrança realmente penosa. Há, todavia, algo mais que uma lembrança, como passaremos a analisar. Ensina a experiência que, no momento da morte, o perispírito se desprende, mais ou menos lentamente do corpo; durante os primeiros instantes o Espírito não se dá conta da situação; não se julga morto; sente-se vivo; vê o corpo ao lado, sabe que é seu, mas não compreende que do mesmo esteja separado. Recordemos a evocação do suicida da casa de banhos da Samaritana (descrita da Revista Espírita do mês de junho de 1858): Como todos os outros ,ele dizia: 'X.. entretanto, sinto que os vermes me roem". Ora, seguramente os vermes não roem o perispírito e, ainda menos, o Espírito; apenas roem o corpo. Mas, como a separação entre corpo e perispírito não estava completa, o resultado era uma espécie de repercussão moral que lhe transmitia a sensação do que passara no corpo. Repercussão talvez não seja o vocábulo certo, o qual poderia fazer supor um efeito muito material: era, antes, a visão daquilo que se passava em seu corpo, ao qual estava ligado o seu 14 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades perispírito, que lhe produzia uma ilusão, que tomava como realidade. Assim, não é uma lembrança, pois que em vida não tinha sido roído pelos vermes: era um sentimento atual. Vemos por aí as deduções que podem ser tiradas dos fatos, quando observados com a devida atenção. Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espírito, por intermédio do perispírito, que constitui, provavelmente, aquilo que é chamado "fluido nervoso". Morto, o corpo não sente mais nada, porque nele já não há Espírito nem perispírito. Desprendido do corpo, o perispírito experimenta singular sensação; entretanto, como essa não lhe chega através de um canal limitado é geral. Ora, como na realidade existe apenas um agente transmissor, desde que é o Espírito quem tem a consciência, disto resulta que se pudesse existir um perispírito sem Espírito, este não sentiria mais do que o corpo quando morto. Do mesmo modo, se o Espírito não tivesse perispírito, seria inacessível a qualquer sensação dolorosa; é o que acontece com os Espíritos completamente depurados. Sabemos que quanto mais estes se depuram, tanto mais sutil se torna a essência do perispírito; de onde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é, à medida que o perispírito se torna menos grosseiro. Dir-se-á, então, que as sensações agradáveis são transmitidas ao Espírito pelo perispírito, assim como as desagradáveis. Ora, se o Espírito puro é inacessível a umas, deve sê-lo igualmente a outras. Sim, sem dúvida, 15 Carlos Bernardo Loureiro para as que provêm unicamente da influência da matéria que conhecemos. O som de nossos instrumentos, o perfume de nossas flores nenhuma impressão lhe causa; contudo, há neles sensações íntimas, de um encanto indefinível, do qual nenhuma ideia podemos fazer, porque a tal respeito somos como cegos de nascença em relação à luz. Sabemos que isso existe. Mas por que meio? Nossa ciência aqui faz alto. Sabemos que há percepção, sensação, audição, visão; que essas faculdades são atributos de todo o ser e não, como no homem, de uma parte do ser. Mas, ainda uma vez, por que meio? Eis o que ignoramos. Os próprios Espíritos não nos podem dar conta porque nossa linguagem não é apta a exprimir ideias que não possuímos, do mesmo modo que um povo cego não teria expressões para exprimir os efeitos da luz, ou a linguagem dos selvagens, meios para descrever as nossas artes, as nossas ciências e as nossas doutrinas filosóficas. Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões de nossa matéria, queremos falar dos Espíritos muito elevados cujo envoltório etéreo não tem analogia aqui na Terra. Já o mesmo não se dá com aqueles cujo perispírito é mais denso. Estes percebem os nossos sons, os nossos odores, mas não por uma parte limitada do seu ser, como quando encarnados. Poder-se-ia dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o seu ser e, assim, chegam ao sensoriun commune, que é o próprio Espírito, posto que de maneira diferente e talvez mesmo com uma impressão diferente, 16 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades o que produz uma modificação na percepção. Eles ouvem o som de nossa voz; entretanto, nos entendem sem o recurso da palavra, pela simples transmissão do pensamento, o que vem em apoio àquilo que dizíamos, isto é, que tal penetração é tanto mais fácil quanto mais desmaterializado é o Espírito. Quanto à visão, ela independe de nossa luz. A faculdade de ver é um atributo essencial da alma; para esta não existe obscuridade. No entanto, ela é mais extensa e penetrante, mas mais depurada. A alma, ou Espírito, tem, pois, em si mesma a faculdade de todas as percepções. Na vida corpórea essas são obliteradas pela grosseria de nossos órgãos; na vida extra corpórea o são cada vez menos, à medida em que se depura o envoltório semi material - o perispírito! A concepção kardequiana sobre a natureza e propriedades do perispírito, resulta da consulta a milhares de Espíritos que pertenciam a todas as camadas sociais e todas as posições; estudou-os em todos os períodos de sua vida espiritual, desde o momento em que deixaram o corpo; seguiu-os, passo a passo, nessa vida de além-túmulo, a fim de observar as mudanças neles operadas, nas ideias e nas sensações. E, a tal respeito, não foram as criaturas mais vulgares as que ofereceram subsídios menos interessantes para estudo... 17 O Perispírito e a força Plástica Diretora A revelação espírita do perispírito causou uma verdadeira revolução entre os espiritualistas que acreditavam ser a alma integralmente imaterial, bem como entre os fisiologistas que não contavam com sua existência. E preciso admitir - acrescenta Gabriel Delanne - que, persistindo o perispírito depois da morte, se torna demonstrável que preexista ao nascimento. Essa interpretação dos fatos explica, logicamente, como a ordem e a harmonia se mantêm na formidável confusão de fenomenos que constitui um ser vivo. Diria, ainda, Delanne: - Se realmente existe no homem um segundo corpo, que é o modelo indefectível pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que, apesar do turbilhão de matéria que passa em nós, se mantenha o tipo individual, em meio às incessantes mutações, resultante da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo. De fato. O perispírito é o regulador das funções, o artífice que vela pela manutenção do edifício biológico, porque essa tarefa não pode, absolutamente, depender 18 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades das atividades cegas da matéria. E acrescenta Delanne: Existe, evidentemente, um plano que se conserva, e exige uma força plástica diretora, a qual não pode ter por causa acidentes fortuitos. Como supor uma continuidade de esforços, seguindo a mesma direção, num conjunto cujas partes mudam perfeitamente? Se nesse turbilhão, algo resta estável, esse algo é o Perispírito. Quando melhor o conhecermos, noções novas, preciosíssimas, resultarão para a Fisiologia e para a Medicina. Claude Bernard, na Introdução ao Estudo da Medicina Experimental, afirma: Se fosse preciso definir a vida, eu diria: a vida é criação!... O que caracteriza a máquina viva não é a natureza de suas propriedades físico-químicas, é a criação dessa máquina junto de uma ideia definida... Esse agrupamento se faz em virtude de leis que regem as propriedades físico-químicas da matéria; mas o que é essencialmente do domínio da vida, o que não pertence nem à Física, nem à Química, é a ideia geratriz dessa evolução vital. Há como um desenho vital que traça o plano de cada ser, de cada órgão, de sorte que, considerado isoladamente, cada fenómeno do organismo é tributário das forças gerais da Natureza; tomadas em sua sucessão e em seu conjunto, parecem revelar um liame especial; dir-se-iam dirigidos por alguma condição invisível , na rota que seguem , na ordem que os encadeia. 19 Carlos Bernardo Loureiro Afirma, a propósito, Léon Denis em No Invisível: Tudo na Natureza é alternativa e ritmo. Do mesmo modo que o dia sucede a noite e o verão ao inverno, a vida livre da alma sucede à estância na posição corpórea. Mas a alma se desprende também durante o sono; reintegra-se em sua consciência amplificada, nessa consciência por ela edificada lentamente através da sucessão dos tempos; entra na posse de si mesma, examina-a, torna-se objeto de admiração para ela própria. Seu olhar mergulha nos recessos obscuros de seu passado, e aí vai surpreender todas as aquisições mentais, todas as riquezas acumuladas no curso de sua evolução, e que a reencarnação havia amortalhado. E que o cérebro concreto era onipotente para exprimir, seu cérebro fluídico o patenteia, o irradia com tanto mais intensidade quão mais completo é o desprendimento. Em seguida, o filósofo de Tours oferece à reflexão uma série de casos que provam a evasão da alma da prisão carnal, da qual se liberta, definitivamente, pela morte... Alfred Erny, contemporâneo e companheiro de pesquisas de Eugênio Nus, William Crookes e Alfred Russel Wallace, em seu livro O Psiquismo Experimental, dedica o Capítulo I, da Segunda Parte, ao estudo do Corpo Psíquico, que é indispensável para que se compreendam os fenómenos psíquicos de caráter mais elevado e mais raro. Os espíritas - acrescenta Alfred Erny - chamam a 2 0 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades esse corpo, Perispírito. O ilustre pesquisador, embora não refute o vocábulo kardequiano, considera a expressão corpo psíquico mais apropriada. Afirma, ainda, linhas a seguir, que os sábios e os céticos duvidam da existência desse corpo, porque não o vêem. Por sua vez, J. Herculano Pires, em Curso Dinâmico de Espiritismo, elucida: O Perispírito, corpo espiritual ou corpo bioplasmático possui, em sua estrutura extremamente dinâmica, os centros da força que organizam o corpo material. É o modelo energético previsto com grande antecedência por Claude Bernard. Os pesquisadores russos compararam esse corpo, visto através das Câmaras Kirlian de fotografia paranormal em conjugação com telescópio eletrônico de alta potência, a um pedaço do céu intensamente estrelado. Esse é o corpo da ressurreição espiritual do homem, dotado de todos os recursos necessários para a vida após a morte. Esse corpo de plasma físico e plasma espiritual vai perdendo seus elementos materiais na vida espiritual, na proporção exata da evolução do Espírito. O Prof. Henrique Rodrigues, em A Ciência do Espírito, cita o livro de Sheyla Ostande e Lyn Schroeder - Psychic Discoveries in the Iron Curtain, sobre o qual se escreveu interessante artigo estampado na revista Reformador (FEB). Eis um dos seus trechos: As pesquisas começaram num grupo de cientistas localizados perto do centro espacial soviético no 21 Carlos Bernardo Loureiro Kasaquistão, em Almanta. Reuniram-se alguns biologistas, bioquímicos e biofísicos para estudar a espetacular descoberta do casal Kirlian: uma câmara de alta frequência que, ultrapassando a barreira da matéria densa, vai mostrar a contraparte imaterial dos seres. Com equipamentos óticos conjugados à câmara Kirlian, os cientistas soviéticos tiveram, um dia, uma visão maravilhosa que até então era reservada aos videntes - O CORPO ESPIRITUAL DE UM SER VIVO! Uma comissão de alto nível foi designada em 1968 para estudar o fenómeno e emitir parecer conclusivo. Compunha-se o grupo dos doutores Inyushin, Grischichenko, Vorohev, Shouiski e Gilbalduin. A conclusão que apresentaram não poderia ser mais objetiva e corajosa: A descoberta de um corpo energético pelos biofísicos russos proporcionara uma confirmação independente da extensa pesquisa sobre a existência de um corpo equivalente, feita nos laboratórios Delawarr, em Oxford, Inglaterra. A pesquisa pioneira do professor George de la Warr no campo do biomagnetismo tem sido ignorada no Ocidente, mas os russos demonstraram considerável interesse por ela e até mandaram um cientista visitar o Laboratório Delawarr há vários anos. A obra de George e Marjorie de la Warr tem vastas implicações para a compreensão da força misteriosa que permite a percepção à distância por qualquer célula viva. (vide: "Using Sound Waves to Probe Matter" de George de la Warr, e "Biomagnetism " de G. de la Warr e Douglas Zaher, 1967). 22 O perispírito e a crise da Morte O Juiz Edmonds, no primeiro volume de sua obra Spiritualism, narra o que viu durante a desencarnação de um parente: O moribundo, escreve ele, havia já exalado o último suspiro, quando vi emergir do seu cadáver aquilo que eu julguei dever ser o seu Corpo Espiritual sob a forma de uma nuvem densa que se elevou acima do corpo, tomando rapidamente um aspecto humano embora me parecesse desprovido de inteligência e vida. Subitamente, porém, pareceu iluminar-se e animar-se, tornando-se viva e inteligente. Compreendi que tal se havia dado por ter o Espírito abandonado o corpo somático. Desde que isso se deu, o Espírito lançou um olhar surpreso, como que procurando compreender o que lhe havia acontecido; não tardou muito, porém, a se orientar e a expressão que então iluminou a sua fisionomia demonstrava que a situação já não lhe era estranha. Para tão rápida compreensão, de não pouco lhe deve ter valido o que relativamente à vida futura havia estudado quando aqui na terra. Deixou parar por um instante um olhar de 23 Carlos Bernardo Loureiro despedida, cheio de afeto, sobre os seus parentes e amigos reunidos junto ao leito mortuário e elevou-se, em seguida, como que arrebatado em nuvem luminosa. O vi desaparecer ao longe, acompanhado de três Espíritos que o haviam assistido enquanto se formava o seu corpo espiritual. Um era o Espírito do filho que havia morrido 24 anos antes; outro o de um dos seus sobrinhos; e o terceiro o de um desconhecido com aparência de pessoa de certa idade. William Stainton Moses observou fenómeno idêntico quando da desencarnação do pai, do que publicou uma resenha na revista Light, de 09 de julho de 1887: Ultimamente, pela terceira vez em minha vida, tive ensejo de estudar o processo de transição do Espírito e tanta coisa consegui observar, que me sinto feliz de poder ser útil narrando o que vi... Tratava-se de um parente próximo com cerca de 80 anos de idade, que se encaminhava para o túmulo, sem ser arrastado por qualquer enfermidade especial... Por alguns sintomas de aparência insignificante, notei que o seu fim se aproximava e não me descuidei de cumprir o triste dever que me competia... Auxiliado pelos meus sentidos espirituais, não me foi difícil perceber que, em seu torno e sobre si, se reunia a aura luminosa com a qual o Espírito deveria constituir o seu corpo espiritual; ia notando que essa aura aumentava rapidamente de volume e densidade 24 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades apresentando contínuas variações para mais ou menos, de acordo com as oscilações que experimentava a vitalidade do moribundo. Dado que me foi ainda possível verificar que, um simples alimento ingerido ou mesmo o influxo magnético desprendido de alguém que se aproximava era o bastante para animar momentaneamente o corpo, parecendo determinar um revigoramento dos laços que prendiam o Espírito a este, o que se via ia refletir na aura, imprimindo-lhe movimento semelhante ao defluxo e refluxo. O fenómeno foi observado por doze dias e doze noites, destacando-se a cor da aura, que ia tomando forma mais ou menos definida. Prossegue o Reverendo William Stainton Moses: (...) 24 horas antes do falecimento, quando já o corpo jazia inerte, com as mãos cruzadas sobre o peito, foi que vi aparecer os Espíritos Guias, que se aproximaram do moribundo e sem qualquer esforço ajudaram o Espírito a se desprender do corpo esgotado Os cordões afinal se romperam e os traços fisionómicos do defunto, nos quais até então se liam os sofrimentos curtidos, serenaram completamente, tomando uma expressão de inefável paz e descanso. Ernesto Bozzano, em seu livro Metapsíquica Humana, (1928-Feb), destaca a importância e o valor especial desses fatos, e transcreve a opinião que o Espírito George Pelham deu ao Prof. Richard Hodgson, da S.P.R., por intermédio do médium Eleanor Piper: Não acreditava, diz ele, na sobrevivência da alma. Carlos Bernardo Loureiro Essa crença estava fora daquilo que a minha inteligência podia conceber. Hoje pergunto a mim mesmo como me foi possível dela duvidar. Temos um duplo corpo físico, que persiste, sem qualquer alteração, depois da dissolução do corpo. Caso extraordinário é contado pelo Dr. Hipólito Baraduc: Ele se colocou em estado de auto-hipnose, aguçando sua percepção visual, afim de observar, nos mínimos detalhes, a desencarnação de sua esposa: Assim devidamente preparado, viu elevar-se, do esquerdo da moribunda, uma leve névoa luminosa. A mesma coisa aconteceu no plexo solar da cabeça. Na nuvem que se erguia lentamente, podia ver a formação de pontos de condensação brilhantes. Aos poucos, essas manchas vaporosas não muito distintas condensaram-se e salientaram-se, e por fim se reuniram. Viu como se desenhava a cabeça, o perfil do corpo, dos braços e dos membros inferiores. Depois se formou um cordão que foi se tornando cada vez mais brilhante. Esse cordão reunia o corpo nebuloso e flutuante ao corpo inerte sobre a cama. Somente as mãos pareciam ainda vivas e procuravam roçar de leve o lençol na altura do plexo, como que tentando afastar o cordão (fio de prata) e que, em caso de desdobramento liga o Perispírito ao corpo físico, sem romper-se, a não ser no momento da desencarnação. Àquela altura, o Dr. Hipólito Baraduc mandou aquecer um tubo cilíndrico de ferro e, quando estava 2 6 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades vermelho, depositou-o no fio de prata, causando uma espécie de curto-circuito. O longo fio agitou-se e desfez-se na nuvem que se tornara mais condensada e luminosa. O perispírito ficou pairando, por algum tempo no ar, elevou-se e atravessou lentamente a parede. Dr. Baraduc testemunhara um fato que parece surpreendente, mas que acontece com a maior naturalidade, de modo contínuo, indiferente a crenças e descrenças... 27 O perispírito e os Mecanismos da fecundação O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, edição de 2 de abril de 1991, estampou a seguinte manchete: Óvulos falam com espermatozóides. A matéria versa sobre o trabalho realizado por cientistas dos EUA e de Israel, descobrindo que óvulos maduros se comunicam com espermatozóides, enviando-lhes sinais para guiá-los até as trompas de Falópio, tornando possível a fecundação. As pesquisas foram realizadas na Universidade do Texas e no Instituto Weizmann, de Israel, recebendo divulgação na publicação científica Proceedings of the National Academy of Science, dos Estados Unidos da América. Acreditam os pesquisadores que o sinal emitido pelo óvulo é um componente do líquido que circunda. Essa "descoberta" dos cientistas americanos e israelitas (que certamente não acreditam na criação bíblica) sempre foi um fato naturalmente aceito no seio da comunidade científica espírita. Como todo efeito inteligente tem, obviamente, uma causa inteligente, pode-se deduzir a presença, durante a fecundação, do Espírito reencarnante, ligado, por vibrações sutis, à sua futura mãe. 28 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades É ele, o Espírito, que exerce poderosa ação sobre o óvulo, atraindo, então, o espermatozóide que lhe é afim, isto é, aquele que está sintonizado com suas expressões energéticas, dentro da faixa evolutiva em que se encontra. A partir dessa realidade, passa a ter sentido a ocorrência de malformações embrionárias e de afecções congénitas complexas, como decorrência da presença do Espírito, com seu perispírito (envoltório sutil da alma) lesado, vibrando numa faixa destoante, exercendo atração sobre um espermatozóide contendo um gene patogênico ou portador de alterações cromossômicas. A entidade, em vias de reencarnar, trazendo seu perispírito com irradiações vibratórias desequilibradas, solicita para si um gameta masculino albergando fatores patológicos. A consequência é a formação de um corpo somático doente. O certo é que o corpo humano, que levou milhões de anos para atingir o estádio atual, o que denuncia um planejamento além da compreensão da própria ciência, é formado, nas maravilhosas fases da Embriologia, seguindo as determinações do Espírito executadas através do perispírito, que ao contrário do que se imagina não é, em absoluto, "o modelo organizador biológico", pois ele não possui autodeterminação, e como afirmou, Allan Kardec, na Revue Spirite (1866), "não pensa", e, se não pensa... Assim, um corpo se forma no interior de outra organização física sem que a mãe, sob vários aspectos, participe, ostensivamente, do processo. Parece que os cientistas estão tentando penetrar a essência das coisas. 29 Carlos Bernardo Loureiro Estão cansados de lidar apenas com os efeitos de causas estranhas, desconhecidas, enigmáticas. O laboratório, o seu natural habitat, assume, destarte, o significado exato de sua etimologia: labor e oração. De lá sairá o Espírito vitorioso, como saiu dos recessos dos gabinetes mediúnicos, quando foi examinado, à exaustão, pelos sábios pesquisadores dos séculos XIX e XX. Prepara-se, desde já, a Era do Espírito, oportunidade em que a Vida, em suas dimensões ética e espiritual, atinge o estádio de dignidade e de valorização jamais cogitado por qualquer das ideologias concebidas pelo próprio homem, ao longo de sua trajetória palingenésica... 30 O Extraordinário vidente Andrew Jackson Davis Andrew Jackson Davis é considerado o "Pai do Espiritualismo Moderno". Nasceu em 1826, num distrito rural de Nova Iorque (EUA), às margens do rio Hudson. É autor da obra, raríssima, The Present Age and Inner Life. Começou, desde cedo, a ouvir vozes, nele se desenvolvendo (como em seu compatriota Edgar Caycel dons mediúnicos com aplicação de diagnósticos médicos. Em 06 de março de 1844, foi transportado espiritualmente, da cidadezinha onde morava, às montanhas de Catskill, onde entrou em contato com seus mentores, posteriormente identificados como os Espíritos Galeno e Swedenborg. Quando em transe, falava várias línguas, inclusive o hebraico, todas dele desconhecidas, expondo admiráveis conhecimentos de Geologia, Arqueologia histórica e bíblica e de Mitologia. Tudo isso despertou a atenção de homens sérios e cultos (entre os quais Edgar Alan Poe), que não conseguiam decifrar a origem daquela demonstração de profundos conhecimentos em um jovem matuto sem instrução. Durante dois anos ditou, em transe inconsciente, 31 Carlos Bernardo Loureiro um livro sobre os segredos da Natureza, publicado em 1847, sob o título - Os Princípios da Natureza, considerado por Arthur Conan Doyle como um dos livros mais profundos e originais de Filosofia. O potencial de suas faculdades mediúnicas atingiu maior expressividade após os 21 anos de idade, e ele pôde, então, observar mais nitidamente o processo desencarnatório de várias pessoas, narrando-o em todas as suas minúcias. Suas descrições estão de acordo com inúmeras outras feitas por médiuns de diferentes países. Eis um de seus principais relatos, sobre o desprendimento da alma no momento da morte: Era uma senhora de cerca de sessenta anos, a quem frequentemente eu prestava cuidados espirituais. Quando soou a hora da morte, achava-me eu, felizmente, em perfeito estado de saúde, o que permitia o pleno exercício das minhas faculdades de vidência. Coloquei-me de modo a não ser visto ou interrompido nas minhas observações psíquicas, pus-me a estudar os misteriosos processos da morte. Vi que a organização física não podia mais bastar às necessidades do princípio intelectual; diversos órgãos internos pareciam, porém, resistir à partida da alma. O sistema muscular procurava reter as forças matrizes. O sistema vascular debatia-se para reter o princípio vital; o sistema nervoso lutava quanto podia para impedir o aniquilamento dos sentidos físicos, e o sistema cerebral procurava reter o princípio intelectual. O corpo e a alma, como dois esposos, resistiam à separação 32 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades absoluta. Esses conflitos internos pareciam, a princípio, produzir sensações penosas e perturbadoras. Foi com satisfação que percebi que tais manifestações físicas indicavam - não a dor ou o sofrimento, porém apenas a separação da alma do organismo. Pouco depois a cabeça ficou cercada duma atmosfera brilhante; de repente, vi o cérebro e o cerebelo estenderem suas partes interiores e suspenderem o exercício de suas funções galvânicas, tornando-se saturados de princípios vitais de eletricidade e magnetismo, que penetravam nas partes secundárias do corpo. Por outras palavras, o cérebro tornou-se dez vezes mais preponderante do que era no estado normal. Esse fenómeno precede, invariavelmente, a dissolução física. Constatei depois o processo por meio do qual a alma se destaca do corpo. O cérebro atraiu os elementos de eletricidade, magnetismo, movimento, vida e sensibilidade espalhados em todo o organismo. A cabeça como que se iluminou, e observei que, ao mesmo tempo que as extremidades do corpo se tornaram frias e obscuras, o cérebro tomava um brilho particular. Em torno dessa atmosfera fluídica que cercava a cabeça vi formar-se outra cabeça, que se desenhou cada vez mais nitidamente. Tão brilhante era que eu mal podia fitá-la; à medida, porém, que ela se condensava, desaparecia a atmosfera brilhante. Deduzi daí que esses princípios fluídicos, que tinham sido atraídos pelo 33 Carlos Bernardo Loureiro cérebro, de todas as partes do corpo, e então eram eliminados sob a forma de atmosfera particular, antes se achavam solidamente unidos, segundo o princípio superior de afinidade do Universo, que se faz sempre sentir em cada parcela de matéria. Do mesmo modo por que a cabeça fluídica se desprendera do cérebro, vi formarem-se sucessivamente o pescoço, os ombros, o tronco, e enfim o conjunto do corpo fluídico. O espírito elevou-se verticalmente acima da cabeça do corpo abandonado... Descobri, então, que pequena parte do fluido vital voltava ao corpo material, logo que o cordão ou liame elétrico se quebrava. Esse elemento fluídico, espalhando-se por todo o organismo, impedia a imediata dissolução do corpo. Não é prudente enterrar o corpo antes de começar a decomposição. Muitas vezes, antes da inumação, o cordão fluídico ainda não está quebrado. É por isso que pessoas que parecem mortas voltam à vida no fim de um ou dois dias, narrando as sensações que experimentaram (fenómeno de "quase-morte " que iria, mais tarde, ser investigado por psicólogos e psiquiatras em várias partes do mundo Ocidental). Não pude saber o que se passava nessa inteligência que revivia; observei, porém, a sua calma e aprofunda admiração que lhe causava a dor daqueles que choravam em volta do corpo. Pareceu-me que ela compreendeu, por fim, que 34 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades essas pessoas ignoravam o que realmente se passara. Nas "viagens" que, desprendido do corpo, fez ao Mundo dos Espíritos, Andrew Jackson Davis presenciou, num lugar a que chamou "Sumerland", a educação harmoniosa das crianças desencarnadas, reunidas, por grupos, em grandes e belos edifícios, nos quais se lhes administravam instrução e cuidados especiais, tudo de acordo com a idade e os conhecimentos delas. Davis ficou tão maravilhado com o sistema ali adotado e sua engenhosa organização, que buscou concretizá-lo no plano terrestre. Fundou, então, o primeiro Liceu Espírita, em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, Nova Iorque. Como sempre, os indefectíveis a invejosos e despeitados procederam a infamantes campanhas contra Andrew Jackson Davis, que, com superioridade, a tudo se sobrepunha com tolerância evangélica e admirável compreensão. Desencarnou no dia 13 de janeiro de 1910, aos 84 anos de idade, na sua residência de Watertown; no estado de Massachusetts, cônscio de sua posição pioneira no contexto do movimento espírita neste orbe de provas e expiações. Alma Sai do Corpo pelo Crânio O Dr. Ciriax, citado por Alfred Erny, em o Psiquismo Experimental, afirma que: 35 Carlos Bernardo Loureiro (...) o modo por que a morte é descrita por centenas de videntes prova que a alma sai do corpo pelo crânio. Notaram esses videntes que, logo após a saída, uma nuvem vaporosa se eleva acima da cabeça e, tomando a forma humana, se condensa pouco a pouco, assemelhando-se cada vez mais à pessoa morta, mesmo depois deformado, esse corpo se condensa ligado por algum tempo ao despojo carnal, por um laço fluídico, que parte da região intermediária entre o coração e o cérebro. A morte por si mesma nada é; mas, há dificuldade a vencer para se morrer, como as há igualmente para se nascer. Algumas pessoas têm a sensação da sua morte, outras não as têm ou muito pouco a experimentam. Para o maior número dos homens, a morte é como um sonho produzido por narcóticos. Eis porque, desde que despertam em outro mundo, não sabem mais onde se acham. Morrendo, o ser humano não se torna melhor nem pior. Eis o que afirma o Dr. Cari du Prel, de Munique (Alemanha), um dos mais notáveis estudiosos no campo do magnetismo e contemporâneo de Allan Kardec: A morte extingue o corpo material e desperta o Corpo Astral (Perispírito). Entre os gauleses, os druidas afirmavam que a alma se revestia de um corpo novo. A afirmação do Barão Cari du Prel sobre o corpo espiritual, já conhecido dos druidas, seria aprofundada a partir de pesquisas que realizou em torno de fenómenos espíritas, participando, inclusive, de memoráveis sessões de efeitos físicos e de materialização com a médium Eusápia Paladino, em Milão, Itália, no ano de 1892, ao 36 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades lado de Charles Richet, Alexandre Aksakof, Giovani Schiaparelli, Encore Chiaia, Cesare Lombroso e C. B. Ermacora. Já o Professor Frederic Myers, um dos fundadores da "Sociedade para Pesquisas Psíquicas" de Londres (1882), dizia a respeito da sobrevivência da alma, após a desencarnação: Não se pode mais permitir que a Ciência ignore o problema da segunda vida, e que a Filosofia pretenda resolvê-lo. O que se deve procurar hoje são provas, imparcialmente colhidas, da sobrevivência do homem após a morte, do mesmo modo que se estudaram as opiniões segundo as quais o homem podia até certo ponto descender de outro animal. O trecho acima transcrito é parte do trabalho lido pelo Prof. Frederic Myers no Congresso Psíquico de Chicago (U.S.A.), onde se reuniram, nos finais do século XIX, as mais expressivas autoridades na área das pesquisas paranormais. Diria, então, Alfred Erny: Os mais felizes são os que têm tido essas provas, mas nem a todos é dado obtê-las, ao menos por ora. Mais tarde, à medida que a ciência progredir, essas provas se tornarão cada vez mais evidentes e não poderão ser discutidas. A morte não mais será, então, um espantalho: e, quem sabe, em vez de se lamentar, não se festejará a libertação do Espírito Encarnado? A morte, então, segundo notável pesquisador, SERÁ UMA FESTA!.... 37 O Campo Perispiritual e o Processo preventivo das Doenças O ilustre psiquiatra baiano Jorge Andréa dos Santos é autor de um interessante trabalho de pesquisa sobre o perispírito, inserido na Revista Internacional de Espiritismo, ano LIX, ns 2. Após tecer breves, porém, substanciosas, considerações sobre a máquina Kirlian, revela que o físico Nizar Mullani, em Houston, EUA, vem desenvolvendo interessante técnica a fim de detectar doenças antes de sua instalação na organização física. Assim comenta o Dr. Jorge Andréa: Com certa aparelhagem, os distúrbios seriam revelados antes de se instalarem nas células, não só os de origem metabólica, mas, também, os de características degenerativas, como o caso do câncer. As coisas se tornam mais importantes diante da formalidade de serem conhecidas, em tempo, certos distúrbios nas células nervosas responsáveis por futuros componentes das doenças mentais. A máquina para tal fim é o Tomógrafo de Emissões de Positrons, diferente do Tomógrafo Axial Computadorizado. Enquanto este detecta as doenças já 38 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades instaladas no organização física, o TEP recebe aviso das desordens no campo energético, isto é, percebe no campo organizador (campo perispiritual) o metabolismo em sua real atividade. O autor de Nos Alicerces do Inconsciente esclarece que os positrons ou elétrons positivos são partículas dos campos de antimatéria, representando os elementos utilizados pela máquina TER Os positrons, emitidos pela maquinaria, teriam quase que com certeza, respaldo no campo de antimatéria de nossa organização (zona perispiritual), donde os dados seriam colhidos. O TEP estaria capacitado a captar distúrbios 5 a 10 anos antes de se instalarem na organização física. Esses distúrbios incluiriam doenças mentais, cardíacas, degenerativas e tantas outras. O TEP ainda está em fase de desenvolvimento e muito caro para uso comum, representando uma ampliação do já conhecido ultra-som, bastante utilizado no campo da Medicina com as suas reconhecidas limitações. Acrescenta o Dr. Jorge Andréa: Acreditamos que o TEP atuaria no campo energético de antimatéria com bastante possibilidade de alcançar a estruturação perispiritual, região donde partem todas as orientações para o campo material. Nas reações materiais que os seres apresentam como resultado de ações pretéritas e que, por isso, foram denominadas de reações cármicas, afim de possibilitar equilíbrio dos campos energéticos, o perispírito seria a região por onde essas reações realmente se dariam. De 39 Carlos Bernardo Loureiro modo que a desarmonia e o desequilíbrio estariam, muito antes de revelarem-se nas células materiais, nos campos perispirituais, onde a antimatéria seria a razão de sua própria estrutura. Ao carregar-se, na zona perispiritual, desequilíbrios ligados à atual reencarnação ou a outros tantos do passado, ter-se-ia necessidade dessa drenagem, somente possível nas telas físicas por onde o perispírito se perde e ecoa. O tempo e a época estariam relacionados a reações específicas que nos escapam inteiramente. Mas, se com as novas oportunidades técnicas pudermos perceber as distonias antes de sua instalação no campo material, teremos que saber fazer a respectiva drenagem dos vórtices doentios e, o que é mais importante, substituir a zona drenada com energias vitalizantes e harmonizadas, baseadas em vivência eticamente sadia. Se as energias de uma determinada fonte do perispírito se escoam para a zona física, é claro que essas energias, em processo de esvaziamento, necessitam de reposição. Os tipos de nossas vivências e respectivas atitudes é que irão fornecer o material de reposição sob forma de aptidões. Se as nossas tarefas são harmónicas é claro que o lastro positivo impulsiona o processo evolutivo; caso contrário, haverá atrasos e retardamentos de nossa caminhada pelo Infinito. Assim, a Evolução vai respondendo com os fatores, negativos ou positivos, que cada ser desenvolve em face ao grau de livre-arbítrio que possui. E finaliza o Dr. Jorge Andréa: 40 Perispírito – Natureza, Funções e Propriedades O conhecimento da Doutrina Espírita pode muito bem facilitar todo esse entendimento e as suas respectivas razões, em que a tónica maior será qualquer ausência de privilégios dentro do conceito universal Nossas boas ações refletem-se em harmonias para o perispírito; nas ações deletérias estariam a constante nutrição do desajuste e desequilíbrio. A ciência, chamada oficial, de um modo ou de outro, pelo seu natural avanço e constante busca, esbarrará nas equações do perispírito, compreendendo, desse modo, os mecanismos da Imortalidade e do processo reencarnatório como os grandes pilares onde a Evolução se alicerça. O antimundo Hipótese que guarda estreita analogia com aquela defendida pelo físico Nizar Mullani, fora, nos idos de 1966, levantada pelo Dr. Leon M. Lederman, professor de Física na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos da América. Este eminente cientista, à frente de uma equipe de jovens colegas, descobriu o chamado anti-nêutrons, que descreve como a maior partícula conhecida de antimatéria. Fazendo a ligação daquela com as demais partículas que, até então, só eram conhecidas individualmente, o professor Lederman vislumbra o primeiro anti-núcleo do átomo de hidrogénio lesado. 41 Carlos Bernardo Loureiro Dos seus estados, tira, o professor Lederman, algumas especiais conclusões. Uma delas é extremamente fascinante: a de que existe alhures, no Universo, um "antimundo", formado de planetas e estrelas constituídos de antimatéria. Ele ainda vai mais adiante - admite a possibilidade de ser esse antimundo "povoado por criaturas pensantes." Acham os cientistas que há profunda simetria entre o mundo e o antimundo. São idênticos, embora o fluxo de tempo seria lá o reverso do nosso. Descobrem, os pesquisadores, um Universo Invisível, onde se encontra como que o molde de tudo quanto existe neste. A ser isso verdadeiro, confirmando aquele multimilenar conceito da filosofia hindu, que assegura que tudo quanto existe no mundo material existiu antes no mundo imaterial. Para nós espíritas ainda há mais que especular. Será a antimatéria a substância do mundo espiritual? Será a própria substância do perispírito? Nós espíritas estamos invariavelmente dispostos a examinar novos conceitos científicos, novas descobertas, novas teorias, novas hipóteses. E verificamos, com frequência, que as hipóteses que se enquadram dentro dos postulados da nossa doutrina acabam por confirmar-se ao correr do tempo. Era ridículo falar-se, na Europa, em pluralidade dos mundos habitados ao tempo em que Allan Kardec escreveu os livros básicos do Espiritismo, isso há mais de um século. Ao falar-se na existência de um antimundo 42 Perispírito - Natureza, Funções e propriedades composto de antimatéria, habitado por seres inteligentes, sabemos que há, realmente, um mundo invisível aos nossos olhos corpóreos, habitado por seres como nós, que aqui viveram antes e voltarão a viver. Nós mesmos lá vivemos entre uma existência terrena e outra e para lá vamos, em rápidas incursões, durante o sono fisiológico, enquanto repousa o corpo físico. Se o que entendemos por mundo espiritual coincide com o antimundo do Dr. Lederman, tanto melhor, pois já era tempo de os cientistas o entenderem. Se não é a mesma coisa, então que mal há nisso? Vamos apenas descobrir mais uma faceta da Inteligência que criou todos esses mundos materiais e anti-materiais, cuja constituição, aquilo que Aristóteles chamou de Antelóquio, ainda é um monumental enigma! Perispírito, Reencarnação e o Processo obsessivo No volume IV das Anais do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, registra-se interessante artigo do Dr. Newton de Souza Matos, pertinente à influência do processo obsessivo no organismo, em que o perispírito assume fundamental importância. Com base nas concepções espíritas, afirma o articulista que o Espírito retira da atmosfera fluídica do planeta onde vai habitar os elementos necessários à formação do seu perispírito. A elaboração do seu corpo fluídico, ou seja, seu perispírito obedece ao mecanismo de atração dos elementos componentes dessa atmosfera fluídica, sendo mais ou menos denso conforme o grau evolutivo que o Espírito já atingiu. Portanto, o perispírito guarda relação estreita com a evolução moral atingida pelo Espírito. É importante fixar que as moléculas do perispírito adquirem propriedades específicas, segundo o estado psicológico e emocional do Espírito. Ora, a Doutrina Espírita também ensina que no processo de reencarnação as moléculas do perispírito se ligam às do embrião que está se formando, a partir do momento da concepção. 44 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades A proporção que o processo de multiplicação celular se opera, com a formação dos diferentes órgãos, aparelhos e sistemas, as moléculas perispirituais, no dinamismo impresso pelo Espírito, são capazes de alterar as propriedades específicas das moléculas da matéria, transmitidas pelo código genético, moldando-a às necessidades de que o Espírito precisa a fim de cumprir as experiências que veio passar naquela existência. Esse fato vem explicar porque nem sempre as leis da Genética são obedecidas e verdadeiras aberrações, nesse campo, têm sido demonstradas na área da Ciência Médica. Também explica os órgãos de choque que todos nós possuímos, ou seja, a fragilidade que determinados órgãos apresentam às agressões que o organismo sofre adoecendo. Atente-se para o fato de que o Espírito, sendo uma força atuante, de acordo com seu pensamento e vontade, estará permanentemente modificando a estrutura celular perispiritual, visto que, vivendo mergulhado no fluído cósmico, estará observando os elementos desse fluído consoante seu estado moral, bem como expulsando desse corpo perispiritual aquilo que não mais se afina com ele mesmo. Segundo Dr. Newton de Souza Matos, haveria, assim um metabolismo no corpo perispiritual. Esse fato esclarece, então, a chamada doença psicossomática, que advém por mecanismo puramente psicológico e emocional. Deve-se acentuar que o organismo, também, está regido por leis e que a sobrevivência e funcionalidade Carlos Bernardo Loureiro das células materiais dependem da observância dessas leis. Portanto, o metabolismo celular tem de ser atendido no seu processo de absorção de elementos energéticos capazes de manter o seu ciclo vital, bem como, de eliminação dos produtos tóxicos capazes de destruí-los. Outro ponto importante a assinalar é que a morte celular e desorganização da matriz do órgão desorganizam, também, as células perispirituais que lhes são justapostas e se torna impossível mesmo a reestruturação dessa área orgânica. Essa situação coloca uma barreira ao Espírito na execução de seus propósitos porque o perispírito não é capaz de transmitir àquele órgão a vontade do Espírito visto , que, na destruição da célula orgânica, a célula perispiritual não encontra a sua homóloga e se desorganiza. O Dr. Newton cita, à guisa de exemplo, um quadro de hemorragia cerebral onde as células da área motora tenham sido atingidas e destruídas, advindo, daí, uma paralisia de um ou mais membros. Embora o Espírito procure discriminar a ordem para movimentar esse membro, a resposta será nula, visto que o elemento intermediário, o perispírito, não tem onde atuar. Pelo exposto, percebe-se, claramente, que há um intercâmbio entre as células perispirituais e células materiais, uma atuando sobre a outra, alterando a fisiologia do órgão consoante os elementos de que estão constituídas. Então, quando há um sofrimento celular orgânico, modificando a fisiologia do órgão de que faz parte, o 46 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Espírito tem notícia através das célula perispirituais a que lhe levam a informação e pode, até certo ponto, provocar sofrimento ao Espírito. O inverso também é verdadeiro, isto é, quando o Espírito se desequilibra psicológica ou emocionalmente, absorve fluidos tóxicos que existem em nossa atmosfera, que por sua vez modifica as células perispirituais, e estas transferem para as células orgânicas esses elementos tóxicos, levando-os ao sofrimento e quiçá à destruição, e dessa forma perturba a harmonia do conjunto. Torna-se mais compreensível o problema das alterações orgânicas decorrentes do processo obsessivo. Quando alguém sofre uma obsessão, obviamente é porque há afinidades espirituais entre o obsessor e o obsediado. O obsessor, pelo fato de estar exercendo uma vingança ou perpetrando qualquer ato nocivo, traz o perispírito saturado de elementos deletérios, de alto poder destrutivo. Como guarda identidade muito grande com o obsediado é capaz de saturar o perispírito deste, de tais elementos tóxicos. Os órgãos de choque ou de maior vulnerabilidade do obsediado são saturados por essa carga energética do obsessor, porque as células perispirituais do obsediado captam e incorporam para si esses elementos tóxicos, e assim conseguem transmiti-los às células orgânicas. Por outro lado, dada a debilidade do obsediado, o obsessor atua sobre o seu campo psicológico e 47 Carlos Bernardo Loureiro emocional, favorecendo que o processo se entretenha e dessa forma o próprio obsediado passa a ser o agente do seu desequilíbrio e, consequentemente, da absorção desses elementos tóxicos referidos. Sugere-se, destarte, que a terapêutica do processo obsessivo deve atender a quatro eminentes requisitos: primeiro Doutrinação do obsessor tentando demovê-lo de seus intentos. 2o. Tratamento psicológico, emocional e espiritual do obsediado, visando reforçar suas estruturas positivas para que não persista como foco de atração às entidades de baixo padrão vibratório. 3o. Remoção das áreas de consideração fluídica, de baixo padrão vibratório, que tenham intoxicado o perispírito do obsediado, através de vibrações magnéticas transmitidas pelo passe ou outros mecanismos. 4o. Terapêutica medicamentosa capaz de recompor as células do órgão atingido. 48 Fotografias científicas do perispírito No fascículo de março de 1937, da revista inglesa The Two Words, H.P. von Watt trata, em longo artigo, do importante problema da fotografia científica do perispírito no momento da morte. Como já vimos, Andrew Jackson Davis foi o primeiro vidente que, em seu livro A Morte e o Além, nos disse que o corpo perispiritual abandona a matéria no momento da morte. O Dr. Hippolyte Braduc, ilustre pesquisador francês, chegou a fotografar sua mulher e seu filho no momento em que, respectivamente, desencarnavam, e verificou, na chapa, uma nuvem luminosa pairando por cima dos corpos inanimados. Os pesquisadores holandeses Duncan Mc Dougall, de Harvershill, confirmaram esse resultado, fazendo colocar animais moribundos numa balança no momento da morte verificaram-se diferenças, a menos, de 60 a 70 gramas. Nesses últimos tempos, notáveis físicos se têm interessado pelo problema. Segundo o Dr. R. A. Watters, conseguiu-se obter a fotografia, no instante da morte, do corpo perispiritual de gafanhotos, rãs e ratos. Essas 49 Carlos Bernardo Loureiro revolucionárias experiências com câmaras de expansão de Wilson permitem observar as ações atómicas por meio de radiações de rádio. Esses cientistas tentaram investigar quanto perde o átomo vivente no momento da morte. Para resolver esse problema socorreram-se da teoria de Gaskell, exposta na sua obra O Que é a Vida. Gaskell estabelece diferença entre Vida e Alma. Ela considera a alma de natureza intra-atômica, imaterial, mas que sustém a matéria e dela se desprende no momento crucial da morte. Foi Gaskell quem teve a ideia de examinar e de pesar esse elemento intra-atômico, provocando a morte de pequenas cobaias, tirando fotografias no momento exato do trespasse. Isso foi obtido mediante a câmara de expansão de Wilson, construída originalmente para permitir o exame de ionização de gás por meio de raios X e de minerais radioativos. A hipótese de Gaskell abrange o conceito de que todas as formas de vida (incluindo, naturalmente, as plantas), todos os corpos compostos viventes contêm um elemento intra-atômico. Esses cientistas afirmam que, se a alma existe, deve ser procurada nesses espaços intra-atômicos, quer dizer, no espaço existente entre átomos de que é composto o sistema celular. Eddington, por sinal, escreveu: Se todos os átomos de que é constituído o corpo humano pudessem ser amassados e o acervo resultante tivesse um lugar no espaço, o homem inteiro não seria maior que um ponto feito no papel por um lápis finamente aparado. 50 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Se essa concepção é exata, a parte material de um corpo consiste, na maior parte, em espaço: "espaço inter" e "espaço intra-atômico" e, se existe alma (como indiscutivelmente existe), ela deve encontrar-se, segundo, então, Eddington, nesse espaço inter e intra-atômico. O Dr. Watters teve a seguinte ideia engenhosa. Aquela nuvem luminosa, de que fala o Dr. Baraduc, adere, segundo observou, a íons infinitamente pequenos, provocando um rastro luminoso bem visível, a ponto de poder-se fotografar (como fez o Dr. Baraduc) aquela coisa ignota que se desprende do corpo no momento da morte. Por outras palavras: a mesma nuvem ou névoa deve fixar-se a esse elemento invisível (perispírito) que determina a diferença de peso. Os cientistas, então, fizeram experiências com diversos animais: um gafanhoto, uma borboleta e um rato. Um gafanhoto previamente anestesiado era metido numa câmara de expansão e, em seguida, morto por meio de éter. Um aparelho fotográfico estava disposto de modo que se pudesse tirar uma fotografia no momento da morte. Realizaram-se numerosas experiências. Particularmente, no que se refere ao gafanhoto, 14 sobre 50 provas mostraram por cima do animal morto uma sombra de iguais contornos. É evidente que a dificuldade consiste em fotografar o animal no instante preciso do desprendimento do, diríamos, princípio espiritual. Em muitos casos, as sombras eram de uma nitidez 51 Carlos Bernardo Loureiro impressionante: junto do cadáver de uma rã, por exemplo, encontra-se sempre a forma astral de uma rã; junto de um rato, a forma de um rato etc. Não se pode objetar que tais formas sejam produtos da ilusão ou de qualquer outro incidente não identificado. As formas eram sempre similares aos animais em experiência e apresentavam, de resto, as mesmas particularidades. A névoa provocada na câmara de expansão era atraída para aquilo que se desprendia do corpo do animal moribundo e fixava-se-lhe por modo análogo ao que acontecia aos raios alfa. Depois de tirada a fotografia, algumas vezes se conseguia fazer volver à vida o animal e, o que nestes casos é muito importante, na chapa só havia indícios do animal. Inversamente, quando sobre a chapa se tinha além do corpo animal, uma sombra, jamais foi possível restituir a vida ao animal, nem mesmo com uma poderosa injeção de adrenalina com observação constante de 8 a 14 horas. Deve-se destacar, a propósito (guardadas as necessárias proporções), o que aconteceu com Lázaro, segundo relatos evangélicos. Não foi sem razão que Jesus afirmou, aos que o implantaram para socorrer Lázaro, que se pensava morto: Tranquilizem-se, porque Lázaro apenas dorme. Efetivamente; se Lázaro estivesse realmente morto seria impossível, ao próprio Jesus, fazê-lo retornar à vida corpórea, uma vez que o Mestre não veio revogar as leis, como ele próprio proclamou, leis divinas, cujos superiores desígnios nós desconhecemos, mas que eram do pleno conhecimento do Raponi de 52 Nazaré. As experiências apontadas por H. P.van Watt, feitas sob critérios rigidamente científicos, demonstraram, no parecer dos experimentadores, que no momento da morte se desprende do corpo físico um elemento imaterial - a alma! Outras provas materiais da existência do períspírito, através da fotografia, destacam-se, contribuindo para a consolidação de sua credibilidade. Escreve o professor Cesare Lombroso na obra Ricerche sui Fenomini e Spiritici: Em março de 1861, Number, gravador da casa Bigelon Bros & Kermand, que dedicava suas horas de folga à fotografia, viu certa vez oferecer em uma das suas provas uma figura estranha ao grupo que fotografara. Estranhou o fato. Mas, uma segunda prova não mudou o resultado. Essa seria, conforme Cesare Lombroso, a primeira fotografia espiritista ou transcendental. O acontecimento causou grande sensação. Number foi assediado por pessoas que vinham de todas as partes, levando-o a abandonar a profissão de gravador e abrir um estúdio em Nova Iorque. Mais tarde, o fotógrafo seria julgado sob acusação de bruxaria e fraude, sendo absolvido por falta de provas. O editor Dow, de Boston (USA), tinha entre os empregados uma jovem a quem se afeiçoara e que morreu aos 27 anos de idade. Sete dias depois de sua morte, um médium lhe disse que uma bela jovem queria 53 Carlos Bernardo Loureiro vê-lo e oferecer-lhe rosas que tinha nas mãos. Quando Dow esteve com Henry Slade, este escreveu automaticamente - Estou sempre convosco. E a assinatura da morta. De volta à cidade de Boston, Dow visitou o médium Hardy, quando recebeu mensagem da amiga sugerindo que ele procurasse o fotógrafo Number. Através da Sra. Number, em transe, a jovem desencarnada avisou: Hoje, terá você meu retrato. Estarei perto de você, apoiando a mão em seu ombro e com uma coroa de flores na cabeça. E assim aconteceu. Ao revelar a chapa fotográfica, lá estava, nitidamente, a jovem na pose anunciada. Admite Gabriel Delanne (vide A Alma é Imortal) que a prova fotográfica tem um valor documental de extrema importância, porque mostra que a famosa teoria da alucinação é notoriamente inaplicável a tais fatos. A chapa sensível constitui um testemunho científico que certifica a sobrevivência da alma à desagregação do corpo, que atesta conservar ela uma forma física no espaço e que a morte não lhe pode acarretar destruição. Entre vários casos referidos por Delanne, cumpre destacar o seguinte, que corrobora o valor da fotografia espírita na (re)afirmação da sobrevivência da alma: Durante a pose, disse um dos médiuns estar vendo, no plano posterior, uma figura negra, enquanto que o outro médium dizia perceber uma figura brilhante ao lado daquela. Na fotografia (revelada imediatamente após a sessão), aparecem as duas figuras, muito fraca 54 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades e brilhante, muito mais nítida a escura, que é de gigantesca dimensão, de talhe maciço, traços grosseiros e longa cabeleira. Nos Annales des Sciences Psychiques, formidável acervo da história das pesquisas psíquicas, registram-se as experiências realizadas por J. Ochorowicz, no campo da fotografia transcendental. Eis um dos relatos. A médium Tomczylc, a certa altura da sessão, informou a Ochorowicz que o Espírito controle Stasía desejava-lhe falar. Em seguida, o experimentador recebeu o aviso tipológico do Espírito: Quero fotografar-me; prepare o aparelho, instale-o no centro do recinto, enfocando-o a dois metros; não necessito de magnésio; nem de médium. Ponha o aparelho sobre a mesa, perto da janela, regulando-o a meio metro; coloque uma cadeira diante da mesa e, depois, dêem-me algo, para cobrir-me. Contentou-se com uma toalha que o pesquisador estendeu no encosto da cadeira onde o Espírito devia postar-se. Abriu o obturador e se reuniu à médium, fechando a porta da cabine. Em pouco tempo, era visto um clarão, e, em seguida, a voz da entidade: Está feita, revele a chapa. O pesquisador entrou na câmara escura para fechar a objetiva, acendeu a luz e viu que a toalha, antes posta no dorso da cadeira, estava sobre a mesa, amarfanhada; uma grande toalha de papel secante (mata-borrão), rasgada em parte, e úmida, estava na mesa de cabeceira. Aos três quartos de hora, se revelava na chapa a imagem 55 Carlos Bernardo Loureiro do Espírito Stasia, que parecia não ter peito, nem ventre, nem pernas, e não podia, pois, ter sido substituída por uma pessoa viva e muito menos por um quadro recortado, porque em toda a periferia da cabeça eram vistos, com a lente, pequenos globos luminosos que provinham de vapores luminosos fluídicos, com os quais, conforme explicou a entidade espiritual, se havia constituído. Pergunta, então, o Dr. Ochorowicz: (...) não havendo ninguém entrado na cabine, quem havia mudado aposição da toalha? Quem trasladou e usou o papel secante que se encontrou molhado, para entrar em contato com os vapores fluídicos? O Coronel Alberto de Rochas publicou, na revista Luce e Ombra, as seguintes classificações de fotografias transcendentais primeiro: Retratos de entidades espiríticas, invisíveis em condições normais. 2o. Flores, escritos, coroas, luzes, imagens estranhas ao pensamento do médium e ao operador no momento da impressão da chapa. 3o. Tipos que parecem a reprodução de estátuas, pinturas ou desenhos. Essas imagens se podem atribuir, injustamente, à fraude ou truques grosseiros, quando são a reprodução de imagens mentais, mais ou menos conscientes, do médium, ou signos voluntários dados por inteligências estranhas do Espaço. 4o. Imagens de formas materializadas, visíveis por todos os assistentes. 5o. Reprodução do perispírito de pessoas viventes. 56 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades 6o. Provas nas quais parece que a revelação nada tenha feito aparecer, porém nas quais os médiuns e os clarividentes distinguem uma imagem que ali consta, absolutamente autónoma da personalidade do observador. 57 O Perispírito e a Transcomunicação O registro fotográfico de Espíritos é, sem dúvida, uma das mais objetivas provas da sobrevivência da alma. No capítulo anterior, tratamos do assunto, analisando-o sob vários ângulos, à luz de criteriosa e inquestionável pesquisa. Na modernidade, porém, surge um outro e importante processo que se consubstancia no contato instrumental com os mortos. A utilização de aparelhos (rádio, TV, computadores e secretária eletrônica) para contactar com os seres do além, assumiu, nestes finais de século e de milénio, papel preponderante na vida de investigadores de variadas tendências: médicos, psicólogos, hipnoterapeutas, psiquiatras, ministros e padres, todos desejando desvendar, através da tecnologia moderna, os mistérios que encobrem, desde eras perdidas, a sobrevivência da alma. Os projetos então postos em prática, especialmente a partir de 1970, objetivam, primordialmente: - Uma abordagem interdisciplinar livre de algemas e do conhecimento limitado de todas e quaisquer ciências, dando-lhe liberdade para seguir além das 58 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades limitações da presente visão do mundo. - Ela permite explorar as dimensões não-físicas do homem: o duplo (perispírito) e os complexos campos de energia que formam, interpenetram e controlam a função de cada órgão componente do corpo físico. O Vidente Em Luxemburgo (grão-ducado), pequeno país da Europa Ocidental, há um casal que se denomina "Mr. e Mrs. H. F." (Harsch - Fischbash), e que há algum tempo se dedica ao Sistema EVP(captação de vozes dos desencarnados, por meio de gravadores eletrônicos, em fita magnética), foi capturado por um Espírito que se denomina "Technician", a conseguir imagens projetadas do mundo espiritual. O método prescrito é o seguinte: Usa-se um aparelho de TV, branco e preto, sintonizado em um canal livre. Desse modo, no vídeo só aparece o clarão branco do fósforo ativado, da parte interna do tubo. Com uma câmara videocassete, filma-se, durante algum tempo, o vídeo assim luminoso. Posteriormente, passa-se lentamente a fita do videocassete. As imagens surgem rapidamente, como um instantâneo em certos trechos da fita. Quando aparecem durante a revelação, são fotografadas com uma câmara comum. Foi recomendado o uso de um sistema para contagem do tempo e que se intercala entre o vídeo e a lente da câmara de vídeo-cassete. Desse modo, ficam marcadas com os 59 Carlos Bernardo Loureiro números da cronometragem, em minutos, segundos e centésimos de segundo. A entidade espiritual Technician tece as seguintes considerações sobre o processo de produção dessas fotos; Elas (as fotos) são o que denominamos test shorts (instantâneos de prova) -fotografias montadas em um laboratório situado onde deveria chamar-se de Plano Astral Superior ... Mas todas essas fotos são de certa maneira feitas aparecer no fósforo ativado da superfície interna do tubo de imagens da TV - e aparentemente sem a imagem estar sendo projetada pelo canhão de elétrons da parte traseira do tubo (vide Unlimited Horizons, Summer, 1987, obra citada pelo engenheiro Hernâni G. Andrade, em uma série de artigos, sobre a transcomunicação, publicados pela Revista Internacional de Espiritismo - RIE). O espírito projeta sua imagem, via TV, durante o sepultamento do seu corpo. Claude Thorlin e sua esposa Ellen, relata o Dr. H. G. Andrade, viviam em uma cidade na Suécia, distante 420 milhas da pequena cidade de Hoor, onde Friedrich Juergenson, autor do clássico Sprechfunk Mit Verstohenen (Telefone para o Além) tinha a sua casa. Dia 21 de outubro de 1987, pela manhã, quando Claude 60 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades e Ellen tomavam o café, esta última ouviu uma voz dizendo-lhe para usar o canal 4 da TV. Ellen é clarividente e clariaudiante desde a infância, mas ela e Claude ficaram meio na dúvida porque a estação local só tinha dois canais: Canal 1 e Canal 2. Embora Ellen não tivesse identificado corretamente a voz, ele teve a intuição de que o aviso teria implicações com a cerimónia fúnebre de um amigo recém-falecido Friedrich Juergenson, que ocorreria naquele mesmo dia. Claude Thorlin devia estar informado das experiências do casal Harsch - Fischbbach e de Klaus Schreiber, a respeito das fotografias em TV obtidas por eles. Por isso ele se muniu de uma câmara Polaroid e, às 13 horas, ele e sua esposa passaram a observar a tela de sua TV ligada no Canal 4 e, portanto, sem imagens. A propósito dessa experiência, Claude enviou uma carta ao Dr. George W. Meek (fundador da Metascience Foundation e construtor do SPIRICON), relatando o que aconteceu naquela oportunidade: Eu ajustei o aparelho de TV no canal 4, muito embora eu soubesse que não haveria programa para nós assistirmos naquele canal. Ficar sentado ali, diante da TV, começou a se tornar aborrecido. Começamos a indagar se a clarividência de Ellen não havia nos enganado. Estávamos a ponto de ir embora e prontos para desligar a TV, quando o aspecto da tela mudou. Eu pensei que talvez o tubo de imagem tivesse estragado, porque tudo se tornou preto. Todavia, algo inesperado 61 Carlos Bernardo Loureiro aconteceu na tela. A parte inferior esquerda se tornou luminosa. Naquele momento eu ergui a câmara, focalizei e bati a primeira foto. Em cerca de 6 ou 7 segundos, a luz se expandiu sobre a tela e então lentamente mudou. Exatamente naquele momento eu tirei a segunda foto. Olhei para meu relógio era exatamente 1 hora e 22 minutos da tarde. Depois, confirmei que a cerimónia fúnebre de Juergenson havia começado à 1 hora da tarde. Conseguia-se, assim, captar a imagem do grande pesquisador desse maravilhoso processo. Concluiu o Dr. Hernâni Guimarães Andrade que, pela carta, vê-se que Juergensen se manifestou visivelmente pela TV ao casal Claude e Ellen Thorlin, no exato momento de seus funerais. Essa foto do duplo de Juergenson ilustra o trabalho do Dr. Hernâni Guimarães Andrade na RIE. As considerações do Dr. George W. Meek sobre a comunicação instrumental com os mortos "Os mortos estão vivos! - exclamou o Dr. George Meek, diante a realidade da comunicação, em dois sentidos, através do rádio, televisão, secretária eletrônica e computador. Entretanto, esse processo de comunicação, como afirmou, representa somente um 62 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades incipiente começo. E as rápidas imagens sombreadas dos mortos na tela do vídeo podem parecer amadorísticas. E completa: Vários anos de desenvolvimento serão necessários antes que se tenha aprendido o suficiente acerca das leis fundamentais da Natureza para trazer o equipamento a um nível de utilidade e confiabilidade. Concluindo, vale transcrever estas prudentes observações: Para que o aparelho funcione, temos que usar a energia psíquica de uma pessoa com esse dom material. Willian 0'Neil, engenheiro do grupo pesquisador do Dr. George Meek (que já desencarnou), possuía essa energia (ectoplasma gasoso) que foi largamente usada para a obtenção das comunicações nos primeiros aparelhos SPIRICOM, realizadas pela Metascience Foundation, organização científica fundada em 1970, nos Estados Unidos, destinada à pesquisa no campo da comunicação instrumental com os mortos. 63 A teoria anímica e o perispírito Gustave Geley, analisando a momentosa questão do animismo afirma que, entre os sábios que estudaram a fundo os fatos e afirmam, sem restrição, a sua autenticidade, muitos há que não consideram a hipótese espírita suficientemente demonstrada e julgam poder atribuir todos os fenómenos à ação exclusiva do médium. De acordo com suas observações espíritas, os fenómenos espíritas, aparentemente inegáveis (os que verificam fora do médium e sem contato com qualquer pessoa), resultam do desdobramento da personalidade do médium e da exteriorização de suas faculdades sensoriais, motrizes e intelectuais. Os pretensos Espíritos - continua a dizer a teoria anímica - são apenas personalidades fictícias, criadas pelo automatismo ou pelo desdobramento do médium. Os seus elementos psíquicos são extraídos da consciência normal ou da subconsciência. A teoria anímica é realmente verdadeira no tocante à interpretação possível de muitos fenómenos. Mas a conclusão exclusiva que se quer tirar dela é ilógica e desprovida de senso. A teoria anímica está toda 64 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades compreendida na Doutrina Espírita e não poderia separar-se dela. O chamado animismo - esclarece Geley - admite o perispírito e a sua ação à distância; exteriorização da sensibilidade, da faculdade motriz e da inteligência; a subconsciência; a leitura do pensamento; as sugestões mentais e a clarividência. Ora bem; a simples verificação de tais faculdades do nosso eu pensante implica a superioridade evidente do princípio psíquico sobre o princípio material; a independência da alma fora do corpo e a probabilidade da sobrevivência. Donde se deduz - conclui o autor de O Ser Subconsciente - que, em nome do animismo, é absurdo negar a possibilidade do Espiritismo. A conclusão lógica do animismo não é, pois, a negação do Espiritismo, mas, sim, o reconhecimento das enormes dificuldades que se apresentam para distinguir um fenómeno de origem anímica de outro de origem espírita. O Prof. Ernesto Bozzano, de Turim (Itália), manifestou, pela primeira vez, a sua opinião sobre o animismo, em artigo publicado na revista Estudos Psíquicos, dirigida por César de Vesmer, sob o título O Animismo prova o Espiritismo. Daí em diante, não mais pode eviscerar, sob todos os aspectos, essa questão que era fundamental, à época, para a correra, interpretação da fenomenologia metapsíquica e cuja solução, em sentido espiritico, se apresenta como única apta a 65 Carlos Bernardo Loureiro explicar o conjunto inteiro dos fenómenos supranormais. Nesse artigo, o Prof. Ernesto Bozzano refuta, apoiando-se em fatos, a hipótese formulada pelos opositores à interpretação espíritica dos defuntos. Em seguida, reforça a refutação e invade o campo adversário, demonstrando que, mesmo quando se excluem os casos de identificação espiritica, bastaria sempre o fato da existência de faculdades supranormais subconscientes para fornecer prova incontestável da sobrevivência humana. O artigo do Prof. Bozzano termina com uma espécie de desafio concebido nestes termos: Poderá alguém mostrar-se duvidoso ou cético com relação aos fenómenos sobre que se fundam as minhas conclusões; desses, porém, desembaraçar-me-ei com uma pergunta: "estariam dispostos a reconhecer por incontestáveis os meus argumentos desde que os fatos se revelassem conformes em tudo à verdade?". Se sim (e não pode ser diversamente, nada mais peço, nem de outra coisa pretendo cuidar). Os fatos são fatos e saberão impor-se pela sua própria força, pouco apouco, malgrado a tudo e a todos. A mim me basta que se reconheça verdadeira a observação seguinte: "As conclusões podem ter-se por incontestáveis, sob a condição de que os fatos sejam verdadeiros. Quanto aos fatos, repito, abrirão caminho por si mesmos e os espiritistas se sentem plenamente seguros e tranquilos com respeito a esse ponto. Os casos a que o Prof. Bozzano se refere não eram fatos de identificação espiritica (mediúnica), mas 66 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades episódios escolhidos de fenómenos anímicos, quais sejam: a leitura do pensamento (telepatia), a visão através de corpos opacos, a psicopatia, a clarividência (do passado, do presente, e do futuro), fenomenologia que lhe bastava para chegar às conclusões a que se propunha, ou seja, à demonstração que o ANIMISMO prova o ESPIRITISMO As experiências de William Thomas Stead Em 1823, o célebre publicista inglês William Thomas Stead(l) realizou notável conferência em The London Spiritualist Alliance, quando revelou os resultados da conversação que manteve com o Espírito Júlia, daí resultando a edição do livro Letters from Júlia. Eis alguns trechos da referida conferência: Certo dia Júlia escreveu: 'Por que te surpreendes que eu possa servir-me da tua mão para escrever (escrita automática)? Qualquer um pode fazê-lo'. E eu lhe perguntei: 'Que queres dizer com este qualquer um?'. Ao que ela respondeu: 'Qualquer um, isto é, qualquer pessoa pode escrever com a tua mão'. Perguntei ainda: 'Queres dizer pessoa viva?' E ela replicou: 'Qualquer amigo teu pode escrever com a tua mão ao que observa: 'Queres dizer que se eu puser a minha mão à disposição de qualquer amigo distante poderá ele servir-se dela do mesmo modo que tu o fazes? 'E ela respondeu: 'Sim, experimenta e verás. 67 Carlos Bernardo Loureiro Embora julgasse a tarefa difícil, William Stead resolveu experimentar, colhendo resultados "imediatos e assombrosos". Pus minha mão ao dispor de amigos que residiam a diversas distâncias e notei que quase todos eles se achavam em condições de se comunicar, embora variasse muito a capacidade de manifestação. Alguns escreviam logo corretamente, com as suas próprias características de estilo, deforma, de grafia, desde as primeiras palavras e prosseguiam desembaraçadamente como se estivessem escrevendo uma carta normal. Ao correr das experimentações, William Stead manifestou estranheza sobre alguns pontos de comunicação entre "vivos", indagando Júlia: Se a nossa personalidade espiritual não transmitisse nunca informação em plena consciência de o fazer, como se explica que os amigos que me fornecem informações ignorem tê-las fornecido? Respondeu-lhe o Espírito: Quando você se dirige mediunicamente a um seu amigo, a sua personalidade espiritual responde, empregando as faculdades mentais subconscientes e não as faculdades conscientes, e naturalmente, não toma o cuidado de comunicar à mente consciente que leu esta ou aquela informação. 68 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Opinião de Léon Denis e de outros pesquisadores sobre a importância das manifestações anímicas Léon Denis trata do assunto na segunda parte de sua extraordinária obra No Invisível, edição FEB, tradução de Leopoldo Cirne. Esclarece, inicialmente, o Apóstolo de Tours: Durante o sono normal, inicialmente, o Apóstolo de Tours - "quando o corpo descansa e os sentidos estão inativos, podemos verificar que um ser vela e age sobre nós, vê e ouve através dos obstáculos materiais, paredes ou portas, e a quaisquer distâncias. No sonho, sucedem-se imagens, desenrolam-se quadros, ouvem-se conversações com diversas pessoas. O ser fluídico se desloca, viaja, paira sobre a Natureza, assiste à uma multidão de cenas, ora inconscientes, ora definidas e claras, e tudo isso, e realiza a intervenção dos sentidos materiais, estando fechados os olhos, e os ouvidos nada percebendo. Deve-se observar que a visão psíquica durante o sono caracteriza-se por uma nitidez e exatidão idênticas às da percepção física no estado de vigília. Dos Proceedings (relatórios) da Sociedade Dialética de Londres (Inglaterra), Léon Denis pinçou o seguinte caso, acontecido com o Sr. Valey, engenheiro dos Telégrafos da Grã-Bretanha: Achando-se em viagem, apeou-se, noite alta, em 69 Carlos Bernardo Loureiro um hotel, recolheu-se ao aposento e adormeceu. Durante o sono viu, em sonho, o pátio desse hotel e notou que nele trabalhavam uns operários. Tendo-se a si mesmo sugerido a ideia de despertar, logo que se levantou pôde verificar a realidade do sonho. A disposição do pátio e o lugar ocupado pelos operários eram exatamente como o tinha visto em Espírito. Ora, era a primeira vez que se achava em tal lugar. A propósito, Camille Flammarion, em seu livro O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, refere-se a um sem número de casos de visão à distância durante o sono: o Sr. G. Parente, prefeito de Wiege (Aisne, França), assistem, em sonho, a um incêndio que destrói a herdade de um dos seus amigos em Chevannes. O Sr. Palmero, engenheiro de pontes e calçadas, em Toulon, é informado por um sonho de sua mulher, da chegada inesperada de seu pai e da sua mãe, que ela vê, no mar, em um paquete. O Sr. Lee, filho do bispo protestante da cidade de lowa (USA), viu, em sonho, à distância de cinco quilómetros, seu pai rolar de uma escada. O fato é atestado por várias testemunhas e, entre outras, pelo Sr. Sulivan, bispo de Algowa. Fenómenos da mesma ordem se produzem no sono magnético. Camille Flammarion cita vários exemplos, entre outros, o da esposa de um coronel da Cavalaria que, em estado magnético, presencia o suicídio de um oficial, a quatro quilómetros de distância. É certo que o Espírito trabalha durante o sono, e, 70 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades com a ajuda de conhecimentos adquiridos no passado, chega a realizar obras consideráveis. Há exemplos notáveis a respeito. Voltaire declara ter, uma noite, concebido, em sonho, um canto completo da Henriade, longo poema épico de rara beleza. Por essa época, por sinal, adotou o pseudónimo de Voltaire, cuja origem jamais explicou. Pesquisa Cardequiana No capítulo XDC de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec pergunta aos Espíritos reveladores: As comunicações escritas ou verbais podem ser, também, do próprio Espírito do médium? Eles respondem: A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra, então, as suas qualidades de Espírito. Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem evocadas. PORQUE É BOM SABERES QUE ENTRE OS ESPÍRITOS QUE EVOCAS HÁ OS QUE ESTÃO ENCARNADOS NA TERRA. NESTE CASO, ELES TE FALAM COMO ESPÍRITOS E NÃO COMO HOMENS. Por que o médium não poderia fazer o mesmo? Allan Kardec prossegue: Esta explicação não parece confirmar a opinião dos que acreditam que todas as comunicações são do 71 Carlos Bernardo Loureiro Espírito do médium e não de outro Espírito? E os Espíritos esclarecem: Eles só estão errados por entenderem que tudo é assim. Porque é certo que o Espírito do médium pode agir por si, mas isso não é razão para que os outros Espíritos não pudessem agir também por seu intermédio. A propósito, afirma o Prof. Ernesto Bozzano que as duas classes de manifestações são idênticas por natureza, com a distinção puramente formal de que, quando verificam por obra de um Espírito encarnado (vivo) tomam o nome de FENÓMENOS ANÍMICOS e, que, quando por obra de um Espírito desencarnado (morto), denominam-se FENÓMENOS ESPÍRITAS. É claro, pois, que as duas classes de manifestações são uma o complemento necessário da outra, e isto de tal sorte que o ESPIRITISMO ficaria sem base se não existisse o ANIMISMO. Em seguida, o Prof. Ernesto Bozzano estabelece as várias categorias de manifestações que se diferenciam entre si, dividindo-se em subgrupos: SUBGRUPO A - mensagens inconscientemente transmitidas ao médium por pessoas imersas no sono. SUBGRUPO B - mensagens inconscientemente transmitidas ao médium por pessoa em estado de vigília. SUBGRUPO C - mensagens obtidas por expressa vontade do médium, às quais são aplicáveis as hipóteses: clarividência, telepatia e de telemnésia. SUBGRUPO D -Caso de transição em que o vivo que se comunica é um morimbundo SUBGRUPO E- Mensagem entre vivos transmitida com o auxílio de uma entidade espiritual . Sugerimos que sejam consultadas as obras ao final enumerada que servirão de subsídios precioso a uma análise aprofundada do fenômeno A Ação da Alma a distância . JÍ ação da alma à distância, sem o concurso dos sentidos, revela-se no estado de vigília. As vibrações do nosso pensamento, projetadas com intensidade volitiva, propagam-se ao longe e podem influenciar organismos em afinidade, e, depois, suscitando uma espécie de ricochete, voltam ao ponto de emissão. Assim, duas almas vinculadas pelas ondulações de um mesmo ritmo psíquico, podem sentir e vibrar em uníssono. Às vezes, um diálogo misterioso se trava, de perto ou de longe; permutam-se pensamentos, demasiados sutis para que possam ser expressos por palavras; imagens, temas de conversação, flutuam na atmosfera fluídica dessas almas, que, apesar da distância, se sentem unidas, penetradas de um mesmo sentimento, e fazem irradiar de uma a outra os efetivos de sua personalidade psíquica. A teoria supracitada apóia-se em provas indiscutíveis, encontradas, por exemplo, nos Proceedings da Society for Psychical Research, de Londres. O operador e o sensitivo, colocados na mesma sala, mas separados por uma cortina, sem fazer um gesto, sem proferir uma palavra, transmitem, um ao outro, silenciosamente, pensamentos. A mesma experiência foi, em seguida, realizada com êxito, colocando-se o 74 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades operador e o sensitivo, a princípio, em duas salas, depois em duas casas diferentes. A fim de evitar qualquer combinação fraudulenta, os pensamentos a transmitir eram, previamente, escritos e tirados à sorte. Experiências idênticas foram realizadas pelo Barão du Potet, constantes em sua obra Traité de Magnetisme; pelo Dr. Julien Ochorowicz, no seu magnífico trabalho La Sugestion Mentalle; pelo Dr. Emile Boirac, inseridas na excelente monografia Annales des Sciences Psychiques. Por seu turno, Gabriel Delanne, em memorável artigo publicado na Revue Scientifíque et Morale du Spiritism, declara que os estados vibratórios individuais devem ser classificados em três tipos: auditivos, visuais e motores, pelos quais se explicaria a variedade das percepções nos sensitivos. A ação psíquica de um vivo, à distância, ou a de um morto, provocará em uns a percepção visual de uma figura de fantasma; em outros, a audição de sons, de ruídos, de palavras; em um terceiro suscitará movimentos. Casos dessa natureza são registrados na obra Phantasms of the Living, de autoria dos pesquisadores ingleses Edmund Gurney (1847-1888), Frederick W. H. Myres (1843-1901) e Frank Odmore (1856-1910). Elucida Léon Denis, entretanto, que as impressões Odemore, igualmente, variar nos sensitivos pertencentes o mesmo tipo sensorial. O pensamento inicial será por eles percebido sob formas distintas, posto que o sentido a manifestação seja idêntico no fundo . É o que o autor do Problema do ser ,do destino e da dor verificou no curso de suas pesquisa. Diversos médiuns auditivos percebiam o pensamento do espírito e o traduziam em termos diferentes. A onda vibratória de um pensamento estranho produz no sensitivo a percepção de um fato exterior que, segundo seu estado dinâmico parecerá visual. Eis um caso típico em que a ação telepática se manifesta por meio de ruídos e visão. A senhora Troussel, cujo sobrenome de solteira era Daudet parenta do ilustre escritor e residente em Auger na rua Daguerre , comunica-se telepaticamente a horas convencionadas com algumas de suas amigas; as quais serve o seu turno de transmissor e receptor. Elas estabelecem reciprocamente o processo verbal dos pensamentos emitidos e das impressões recebidas e os compara em seguida . As vezes o pensamento projetado com intensidade produz uma ação física sobre os móveis fazendo-os vibrar fortemente A senhora Troussel pôs em prática a mesma experiência com uma amiga residente na cidade de Marcélia . Dever-se-iam por uma comunicação na quinta-feira as 20 horas e 30 minutos. Não sendo porém idêntico o meridiano, e sendo a hora de Marcélia adiantada em relação a de auger, ao subir a senhora troussel para o seu quarto, em busca de isolamento, sentiu-se invadida por um sentimento de tristesa. Um instante depois, tendo se recolhido, viu aparecer a sua amiga Marcelesa Junto a ela estava uma criança que lhe estendeu os braços .. Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Era o filho da amiga de Marselha já desencarnado. O episódio é notável: registra a visão simultânea de um Espírito encarnado (a mãe) e de um Espírito desencarnado (o filho). A existência da alma se revela, conseguintemente, por fatos. Sua ação se pode exercer fora dos limites do corpo; a alma pode transmitir a outros seres seus pensamentos, suas sensações, desdobrar-se e aparecer em sua forma fluídica. Acima das leis do tempo e do espaço, a alma vê à distância e se transporta ao longe; lê no passado e pode penetrar no futuro. O corpo é uma condição dispensável de sua existência, e se a ele acha-se ligada durante a passagem terrestre, esse laço é, apenas, temporário. O estudo da alma exteriorizada durante a vida nos conduz, assim, ao estudo de suas manifestações depois da morte. As leis que regem esses fenómenos são idênticas, a exteriorização não é mais do que uma preparação do Espírito para o estado de liberdade, para essa outra forma de existência em que ele se encontra desembaraçado dos liames da matéria. As evocações de Florence Marryat A escritora inglesa Florence Marryat, que possuía expressiva faculdade mediúnica, notadamente de psicografia e tipologia, realizou numerosas pesquisas 77 Carlos Bernardo Loureiro em torno da comunicabilidade entre espíritos encarnados. Em seu livro There is no Death, há relatos de notável importância para o limitado acervo desse especial intercâmbio. Eis, para conhecimento dos prezados leitores, alguns trechos de uma de suas narrativas a respeito: Tais comunicações com Espírito de vivos são, indubitavelmente, das mais curiosas que já obtive. Em várias circunstâncias quando, sobre um dado acontecimento, eu não chegava a conhecer a verdade diretamente das pessoas interessadas em ocultá-las, eu me sentava diante da mesinha mediúnica, em hora que sabia acharem-se adormecidas as pessoas, e concentrava o pensamento sobre elas, convidando-as a me virem revelar, sinceramente, a verdade, pela tipologia, o que quase nunca deixava de se realizar. O expediente posto em prática por Florence Marryat é, parece-nos, um tanto quanto perigoso, prestando-se à interferência de Espíritos desencarnados dados à fraude, à mistificação, desvirtuando, assim, a finalidade de evocação. Ademais, eis o que a referida médium afirmou, categoricamente, no já citado livro: Devo declarar que não tenho o costume de proceder assim com os vivos, mas sou uma pessoa terrível, quando me desafiam afazer alguma coisa. Ela emitiu esse parecer diante de um desafio que alguém lhe fizera, afirmando que a médium fracassaria caso tentasse comunicar-se com ele, compulsoriamente, em estado de vigília. 78 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Florence Marryat conseguiu realizar, plenamente, o seu intento, quando o desafiante participava de um requintado banquete. Atendendo ao poderoso chamamento da médium, ele entrou em profundo sono sobre a mesa, e o Espírito que animava aquele corpo foi irresistivelmente atraído à presença da evocadora. Emma Harding Britten A médium inglesa Emma Harding Britten(5), em artigos publicados na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, refere-se a um caso acontecido em casa do Sr. Cuttler, no ano de 1853. Um médium se pôs a falar alemão, embora desconhecesse completamente esse idioma. O Espírito que por ela se comunicara dava-se como mãe de uma jovem alemã que se achava presente. Passado algum tempo, um amigo da família, vindo da Alemanha, trouxe a notícia que a mãe da referida jovem, após séria enfermidade, em virtude da qual caíra em profundo sono letárgico, declarara, ao despertar, ter visto a filha que se encontrava na América. E descreveu, com detalhes, o ambiente e as pessoas que faziam parte da reunião. Evocação de um Surdo-Mudo Encarnado Na Revue Spirit de janeiro de 1865, Allan Kardec 79 Carlos Bernardo Loureiro inseriu um caso, realmente insólito, de manifestações do Espírito encarnado de um surdo-mudo, relatado pelo Sr. Rui, membro da Sociedade Espírita de Paris. Eis o caso: Em 1862, diz ele, conheci um rapaz surdo-mudo de doze a treze anos. Desejoso de fazer uma observação, perguntei dos guias protetores se me seria possível evocá-lo. Tendo tido resposta afirmativa, fiz o rapaz vir ao meu quarto e o instalei numa poltrona com um prato de uvas que ele se pôs a devorar. Por meu lado, sentei-me a uma mesa. Orei e fiz a evocação. Ao cabo de alguns instantes minha mão tremeu e escrevi: "Eis-me aqui. Olhei o menino. Estava imóvel, os olhos fechados, calmo, adormecido, com o prato sobre os joelhos. Tinha cessado de comer. Dirigi-lhe as seguintes perguntas: P. Onde estás agora? R. Em seu quarto, em sua poltrona. P. Quer dizer por que é surdo-mudo de nascença? R. É uma expiação de meus crimes passados. P. Que crimes você cometeu? R. Fui parricida. P. Pode dizer se sua mãe, a quem ama tão ternamente, não teria sido, como seu pai ou sua mãe, na existência de que fala, o objeto do crime que cometeu? " Em vão esperei a resposta: a mão ficou imóvel. Levantei de novo os olhos para o menino - acabava de 80 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades despertar e comia as uvas com apetite. Tendo pedido aos guias que me explicassem o que acabava de passar, foi-me respondido: "Ele deu os ensinamentos que desejava e Deus não permitiu que lhe desse outros ". Vejamos em síntese, as elucidações de Allan Kardec sobre o caso em questão. Após tratar, rapidamente, da identidade do Espírito, o Mestre Lionês observa que o silêncio guardado sobre a última pergunta prova a utilidade do véu lançado sobre o passado. Foi permitido ao jovem revelar a causa da sua enfermidade, a fim de dar uma prova a mais que as aflições terrenas têm uma causa anterior, quando não esteja na vida presente, e que assim tudo é segundo a Justiça. Por isso os Espíritos o despertaram, talvez no momento em que ia responder. Deve-se concluir que todos os surdos-mudos tenham sido parricidas? Seria uma consequência absurda, pois a justiça de Deus não está circunscrita em limites absolutos, como a justiça humana. A Nossa Experiência Há mais de vinte anos, solicitamos aos dirigentes de uma instituição espírita da cidade do Salvador um espaço para que realizássemos, nos sábados à noite, uma sessão experimental. Atenderam, fraternalmente, à solicitação. Todos os 81 Carlos Bernardo Loureiro sábados, pois às 12 horas, reuníamo-nos, com mais de dez companheiros, todos espíritas estudiosos, e, após leitura e análise de textos selecionados, iniciávamos a sessão. Dedicávamo-nos, especificamente, à evocação de Espíritos encarnados que estivessem passando por vários tipos de problemas. Durante três anos aproximadamente, a sessão se realizou com perfeita regularidade e com surpreendentes resultados. É um tipo de trabalho que exige percuciente observação, prudência e, sobretudo, confiança nos médiuns e nos Espíritos orientadores. Vez por outra, entidades desencarnadas se manifestavam, tentando convencer o grupo de que se tratava de Espíritos encarnados. Entretanto, os mentores espirituais alertavam-nos da mistificação, sugerindo o "orai e vigiai", em benefício da integridade da sessão. Entre os vários casos verídicos registrados ao longo dessas sessões experimentais, cumpre-nos destacar o que aconteceu com o jovem C, filho de nossa amiga S., já desencarnada, que, por sinal, fazia parte do grupo de experimentadores. Às 21 horas, reunimo-nos na ampla sala cedida pelos diretores da instituição. Após a leitura do Evangelho, passamos aos comentários. As 22 horas (essas sessões devem ser realizadas às horas mortas), iniciaram-se os trabalhos, isto é, procedeu-se à evocação do Espírito do jovem. Sentíamos a vibração; era algo indefinível, já experimentado, porém, em oportunidades semelhantes. Alguns minutos depois, um dos médiuns apresenta 82 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades os indícios característicos de manifestações daquela ordem, e começa a falar. A voz é quase inaudível, mas todos, em silêncio absoluto, puderam ouvir o comunicante anunciar o seu nome, apenas conhecido por nós e sua genitora. A seguir, ele pediu que o ajudassem, porque presa infeliz de drogas pesadas era, outro fato desconhecido dos demais companheiros. Mantivemos, então, ligeiro diálogo com o Espírito, sobre o drama que ele estava vivendo nesta (re)encarnação. Ele se foi um tanto bruscamente, deixando o médium com náuseas e fortes dores pelo corpo. No dia seguinte, pela manhã, a mãe do rapaz telefonou para nossa casa, informando que C. dissera que, à hora da evocação, ele se encontrava conversando com a namorada, como de hábito, dentro de seu automóvel estacionado defronte do edifício onde morava. De repente, disse ele, sentiu um leve torpor, que foi aumentando, gradualmente, caindo em profundo sono (transe) sobre o ombro esquerdo da jovem a seu lado, que nada pôde fazer, julgando tratar-se de um estado natural de cansaço. Naquele exato momento, C. estava se comunicando conosco na sessão experimental... Decorreram mais de vinte anos para que essa pequena história viesse a lume, integrando-se, no rol das vivenciadas por eminentes pesquisadores. Afinal de contas, o Espírito sofre no primeiro, da mesma forma como no terceiro mundo! ... 83 O extraordinário Caso de Émille Sagée Alexandre Aksakof trata do especioso assunto em sua obra Animismo e Espiritismo (Animismus and Spiritismus). A Ciência tem considerado o fato como produto de "alucinação permanente subjetiva". Mas, como destaca Aksakof, graças aos trabalhos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, que erigiu para si um monumento eterno com a publicação da obra The Phantasms of the Living, essa concepção superficial não se justifica. Inúmeros fatos foram registrados, ao longo do tempo, pela SPR, e analisados, meticulosamente, pelos seus pesquisadores, quando se provou, de maneira incontestável que existe uma relação íntima entre a aparição do perispírito (duplo) e a pessoa viva que ele representa. Desde então, se é uma alucinação, é, segundo a expressão do autor da alma, Edmund Gurney (1847-1888), uma alucinação verídica, isto é, o efeito de uma ação psíquica, emanante de uma pessoa que se encontra longe da que vê a aparição. 84 Admite Aksakof que a aparição do duplo pode não ser um fenómeno puramente subjetivo, mas que pode Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades apresentar certa objetividade, possui certo grau de materialidade, o que faria dele um género especial de duplas. O fato mais notável (e ainda indecifrado) desse género de desdobramento perispiritual é, sem dúvida, o caso de Émille Sagée, relatado pela Baronesa Júlia de Guldenstubbe a Robert Dale Owen, que o incluiu em sua obra Footfalls on the Boundary of Another Life. Mais tarde, informações mais detalhadas, fornecidas pela própria Baronesa Guldenstubbe, foram publicadas em Light, de 1883. Eis os trâmites do inusitado fenómeno: Em 1845, existia, na Livônia, perto da cidade de Volmar, uma instituição para moças nobres, designada sob o nome de Colégio de Neuwelcke. O número das colegiais, a maioria de famílias nobres livonesas, eleva-se a quarenta e duas. Entre elas se acha a segunda filha do Barão de Guldenstubbe. Entre as professoras, havia uma francesa, a jovem Émille Sagée, nascida em Dijon, na Borganha. Era inteligente e de esmerada educação, e os diretores da instituição mostravam-se satisfeitos com o seu ensino e com as suas aptidões. Ela estava com a idade de trinta e dois anos. Poucas semanas depois de sua admissão ao corpo docente do Colégio, singulares boatos começaram a correr a seu respeito entre as alunas. Quando uma dizia tê-la visto em tal parte do estabelecimento, frequentemente outra assegurava que a encontrara, em outra parte, em outra ocasião. 85 Carlos Bernardo Loureiro As coisas não tardaram a se complicar e a tomarem um caráter que excluía toda a possibilidade de fantasia ou de erro. Certo dia em que Émille Sagée dava uma lição a treze alunas, entre as quais a menina Guldenstubbe, as jovens viram, de repente, com grande terror, duas Sagée, uma ao lado da outra! Ela se assemelhavam exatamente e faziam os mesmos gestos. Somente a pessoa verdadeira tinha um pedaço de giz na mão e escrevia efetivamente ao passo que seu duplo não o tinha e contentava-se em imitar os movimentos que ela fazia para escrever. Daí, grande sensação no estabelecimento, tanto mais porque as meninas, sem exceção, tinham visto a segunda forma e estavam de perfeito acordo na descrição que faziam do fenómeno. Passaram-se os meses e fenómenos semelhantes continuaram a produzir-se. Via-se de tempos em tempos, ao jantar, o duplo da professora Sagée de pé, por trás da cadeira onde estava sentada, imitando seus movimentos, enquanto ela jantava, porém sem faca, nem garfo, nem comida nas mãos. Alunas e criadas de servir à mesa testemunharam o fato da mesma maneira. Entretanto, nem sempre sucedia que o duplo imitasse os movimentos da pessoa verdadeira. Às vezes, quando esta se levantava da cadeira, via-se seu duplo ficar sentado ali. Em certa ocasião, estando de cama por causa de uma gripe, a menina Antoniela de Wrangel, que lhe fazia uma leitura para distraí-la, viu-a empalidecer de repente e contorcer-se como se fosse 86 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades perder os sentidos; em seguida, a menina, atemorizada, perguntou-lhe se sentia-se pior. Ela respondeu que não, mas com voz muito fraca e desfalecida. A menina de Wrangel, voltando-se casualmente alguns instantes depois, divisou, muito distintamente, o duplo de Émille Sagée, passeando, a passos largos, no aposento. O caso mais notável, porém, desse enigmático fenómeno é certamente o seguinte: Certo dia todas as alunas, em número de quarenta e duas, estavam reunidas em um mesmo aposento e ocupadas em trabalhos de bordado. No centro da sala, havia uma grande mesa diante da qual se reuniam habitualmente as diversas classes para se entregarem a trabalhos de agulha ou outros análogos. Naquele dia, as jovens colegiais estavam todas sentadas diante da mesa, e podiam ver perfeitamente o que se passava no jardim; ao mesmo tempo que trabalhavam, viam a jovem Sagée, ocupada em colher flores, nas proximidades do prédio. Era uma de suas distrações prediletas. No extremo da mesa, em posição elevada, conservava-se uma outra Émille Sagée. Em dado momento, ela desapareceu e a poltrona ficou desocupada. Mas foi apenas por pouco tempo, pois que as meninas viram ali, de repente, a forma da jovem Sagée. Convictas de que não se tratava de uma pessoa real, e pouco habituadas com essas manifestações extraordinárias, duas das mais ousadas alunas se aproximaram da poltrona, e, tocando na aparição, 87 Carlos Bernardo Loureiro acreditaram sentir uma certa resistência, comparável à que teria oferecido um leve tecido de musselina ou de crepe. Uma delas chegou mesmo a passar defronte da poltrona e a atravessar. Apesar disso, a réplica de Sagée durou ainda por certo tempo; depois, desfez-se gradualmente. Observou-se, em seguida, que a jovem e estranha professora recomeçara a colheita de flores com a vivacidade habitual. Algumas, entre as quarenta e duas colegiais, perguntaram, depois, à professora, se, durante o fenómeno de que foram testemunhas, ela experimentara alguma coisa particular. Ela respondeu que apenas se recorda de ter mentalizado, fortemente, durante a colheita das flores, a sala onde as alunas estavam, com receio que cometessem alguma travessura ... Esses estranhos fenómenos duraram, com diversas variantes, cerca de dezoito meses, isto é, por todo o tempo em que a jovem Sagée conservou o seu emprego em Neuwelcke durante uma parte dos anos 1845-1846. Essas manifestações ubíquas se davam, especialmente, em ocasiões em que ela estava muito preocupada ou muito concentrada em seus afazeres pedagógicos. Notou-se que, à medida que o duplo se tornava mais nítido, e adquiria maior consistência, Émille Sagée ficava mais rígida e enfraquecida, e, reciprocamente, que, à medida que o duplo se desfazia, o seu corpóreo adquiria suas forças. Ela própria era inconsciente do que se passava e só ficava sabendo do ocorrido quando lhe diziam. 88 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Ordinariamente os olhares das pessoas presentes avisavam-na. Nunca teve ocasião de ver a aparição do seu duplo, do mesmo modo parecia aperceber-se da rigidez e inércia que se apoderavam dela, quando seu duplo era visto por outras pessoas. Durante dezoito meses em que a Baronesa Júlia de Guldesntubbe teve a oportunidade de ser testemunha desses fenómenos e de ouvir falar a respeito, jamais se apresentou o caso de aparição do duplo à grande distância do ser corpóreo; algumas vezes, entretanto, o duplo aparecia durante seus passeios na vizinhança. As mais das vezes, era no interior do educandário. Todo o pessoal da casa o tinha visto. O duplo parecia ser visível para todas as pessoas, sem distinção de idade nem de sexo. Naturalmente os pais começaram a experimentar escrúpulos em deixar suas filhas por mais tempo sob semelhante influência, e muitas alunas, que tinham saído em férias, não mais voltaram. No fim de dezoito meses, havia apenas doze alunas das quarenta e duas que eram. Por maior que fosse a repugnância que tivessem com isso, foi preciso que os diretores da instituição a sacrificassem. Ao ser despedida, a jovem, desesperada, exclamou, em presença de Júlia Gúldenstubbe: Oh! já pela décima nona vez; é duro, muito duro de suportar! Quando lhe perguntaram o que queria dizer com isso, ela respondeu que por toda a parte por onde tinha passado, os mesmos fenómenos se tinham produzido, 89 Carlos Bernardo Loureiro motivando a sua despedida. Depois de ter deixado Neuwelcke, retirou-se durante algum tempo para a companhia de uma cunhada que tinha muitos filhos ainda pequenos. A jovem de Guldenstubbe foi visitá-la ali e soube que esses meninos, de idade de três a quatro anos, conheceram as particularidades de seu desdobramento. Eles tinham o hábito de dizer que viam duas tias Émille. Mais tarde ela se dirigiu ao interior da Rússia, e a jovem Gúldenstubbe não mais ouviu falar a seu respeito. Alexandre Aksakof admite que, diante de tantas evidências, deve-se excluir a possibilidade de ilusão ou de alucinação. Afirma, então, ipsis literis: Parece-nos difícil imaginar que as numerosas alunas, professores e funcionários de dezenove estabelecimentos de ensino tenham experimentado qualquer influência alucinatória. Por conseguinte, não há dúvida de que se trata, neste caso, de uma aparição, no rigoroso sentido da palavra, de um desdobramento real do ser corpóreo, tanto mais o duplo se entregava, em muitos casos, a uma ocupação diversa que executava a própria pessoa. E finaliza Aksakof: Notemos que no dizer das alunas que tiveram a ousada iniciativa de tocar no duplo de Émille Sagée, esse apresentava certa consistência. Há todo o fundamento para supor-se que a fotografia teria demonstrado a realidade objetiva desse estranho fenómeno. 90 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Allan Kardec, analisando o caso Émille Sagée em Obras Póstumas, e outros análogos relatados no livro Os Fenómenos Místicos da Vida Humana, de autoria do professor suíço Maximiliano Perty, dado a lume em 1861, manifesta-se, a respeito, sempre criterioso: O Espiritismo, longe de fazer-nos aceitar os fatos cegamente, nos ajuda a separar o verdadeiro do falso, o possível do impossível, com o auxílio das leis que nos revela, referentes à constituição e ao papel do elemento espiritual. Não nos apressemos, no entanto, a respeitar a priori tudo aquilo que não compreendemos, porque muito nos falta para conhecer todas essas leis, e porque a natureza ainda não nos revelou todos os seus segredos. O mundo invisível é um campo de observações ainda novo para nós, e seria presunção de nossa parte pretender haver sondado todas as suas profundezas, quando novas maravilhas se revelam, sem cessar, a nossos olhos... 91 O Perispírito e a Mediunidade Afirma Allan Kardec que o fluido perispiritual é o agente de todos os fenómenos espíritas. Esses fenómenos só se podem realizar graças à ação recíproca dos fluidos emitidos pelo médium e pelo Espírito. O desenvolvimento da faculdade mediúnica prende-se à natureza mais ou menos expansível do perispírito do médium e a sua maior ou menor facilidade de assimilação com os fluidos dos Espíritos. Depende, portanto, de sua organização e pode desenvolver-se quando o princípio existe, mas não será adquirida se o princípio não existir. A predisposição para a mediunidade independe do sexo, idade ou temperamento da pessoa. Encontram-se médiuns em todas as classes de indivíduos, desde a mais tenra idade até à mais avançada. As relações entre os Espíritos e os médiuns estabelecem-se por meio de seu perispírito. Sua facilidade depende do grau de afinidade existente entre dois fluidos. Há alguns que assimilam facilmente e outros que se repelem, do que se conclui que não basta ser médium para se comunicar indistintamente com qualquer Espírito. Há médiuns que só podem comunicar-se com certos Espíritos ou com certas categorias de 92 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Espíritos, e há outros que só podem fazê-lo por transmissão de pensamento, sem qualquer manifestação exterior. Pela assimilação dos fluidos perispirituais, o Espírito se identifica, por assim dizer, com a pessoa que ele quer influenciar. Não apenas a ela transmite seu pensamento, mas, também, pode exercer uma ação física; fazê-la agir ou falar, segundo sua vontade; fazê-la dizer o que quiser. Numa palavra: pode servir-se de seus órgãos, como se fossem dele e, finalmente, neutralizar a atuaçâo do próprio Espírito encarnado e paralizar-lhe seu livre-arbítrio. Os bons Espíritos utilizam-se dessa influência para o bem e os maus Espíritos, para o mal. (Vide, a propósito, as considerações de Allan Kardec insertas no Capítulo XIV, de A Génese, livro quinto da Codificação do Espiritismo, edição LAKE). O processo de que fala Allan Kardec, quanto à ação recíproca dos fluidos emitidos pelo médium e pelo Espírito, é chamado pelo prof. J. Herculano Pires, de ATO MEDIÚNICO, que ele interpreta da seguinte forma: O ato mediúnico é o momento em que o Espírito comunicante e o médium se fundem na unidade psico-afetiva da comunicação. O Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual (perispírito) atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório, semelhante ao de um levar um choque elétrico, reage o perispírito do médium. Realiza-se a fusão fluídica. Há uma simultânea alteração no 93 Carlos Bernardo Loureiro psiquismo de ambos. Cada um assimila um pouco o outro... O que se dá não é uma incorporação, mas uma interpenetração psíquica, como a luz atravessando a vidraça. Ligados os centros vitais de ambos, o Espírito se manifesta emocionado, reintegrando-se nas sensações da vida terrena, sem sentir o peso da carne. Quando o ato mediúnico é perfeito e claro, iluminado por uma mediunidade esclarecida e devotada ao bem, não há gigante - como no caso de Lombroso - que não se curve reverente ante o mistério da vida imortal. Quando o ato mediúnico não tem a pureza e a beleza de uma comunicação amorosa, não tem o calor da solidariedade humana e é iluminado pela caridade cristã ... Não há beleza nem serenidade nos Espíritos comunicantes, há desespero, dor, expressões de rebeldia ou ímpetos de vingança. Os médiuns sentem-se irrequietos, não raro temerosos. As vibrações perispirituais são ásperas e sombrias ...O trabalho é penoso... Mas a palavra fraterna carregada de bondade e amor vai dos poucos amortecendo as explosões de ódio..." Transe O Transe na visão de Léon Denis (No Invisível): Durante o transe, se o Espírito do médium pouco se afasta, permanece quase sempre confundido no grupo 94 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades espiritual que cerca o seu invólucro terreno. Sua influência às vezes se faz sentir sobre o seu corpo, a que seus próprios hábitos o atraem. Sua ação se torna em tal caso um incómodo, um estorvo para os Espíritos que se comunicam. Quando o transe, pois, é pouco profundo, o desprendimento perispiritual é incompleto. Estabelece-se, frequentemente, uma resistência, de parte do médium, à atuação do Espírito. Far-se-ia necessário, destarte, identificar, respectivamente, a participação de um ou outro no ato mediúnico, o que é dificílimo. Esclarece, ainda, Léon Denis que, nos fenómenos de escrita e da mesa, o médium se conserva na plena posse de sua vontade, e poderia repelir as inspirações que recebe. Cita, por exemplo, a advertência do médium norte-americano Hudson Tuttle (1836-1910), inserida na obra psicografada, Arcana of Spiritualism. Os grupos espíritas são, às luzes, joguetes de uma ilusão, enganados por suas próprias forças. Afastam os ditados espíritas sérios, substituindo-os pelo reflexo de seus pensamentos; e, então, observam-se contradições e confusões que ingenuamente atribuem à intervenção de Espíritos Malévolos. Em seguida, o autor de No invisível recomenda deixar que os Espíritos atuem sozinhos sobre o médium, abstendo-se da intervenção magnética humana. Essa era a atitude que norteava o Apóstolo de Tours em seus estudos experimentais. Raramente os Espíritos pediam-lhe que atuasse sobre o médium por meio de passes, 95 Carlos Bernardo Loureiro quando a esse faltava a força psíquica (fluidos). Passamos-lhe a palavra: Na maioria das vezes os fluidos de um magnetizador, por seu estado vibratório particular, contrariam os dois Espíritos, em lugar de auxiliá-los... Um magnetizador (passista) cujos fluidos não sejam puros, que não possua um caráter reto, nem irrepreensível moralidade, pode, mesmo sem querer, influenciar o sensitivo num sentido muito desfavorável. Longe de nós, aprendizes do Espiritismo, contestar o mestre; entretanto, convenhamos: onde encontrar uma pessoa, neste nosso mundo, com tais atributos, que seja espírita.... e passista? Outro ponto importante que Léon Denis destaca é a defasagem entre as faculdades do Espírito e as do médium: O desenvolvimento do cérebro não é idêntico, e as manifestações são por isso contrariadas. É o que diziam certos Espíritos, no curso de nossas experiências de incorporação. Estamos acanhadamente encerrados; falta-nos meios suficientes para exprimir os nossos pensamentos. As partículas físicas deste cérebro são muito grosseiras para poderem vibrar sob nossa ação, e as nossas comunicações se tornam por isso consideravelmente enfraquecidas. Por sua vez, J. Arthur Findley, em No Limiar do Etéreo, afirma que o transe é um estado de insconsciência, em que caem certas pessoas anormais. Pode comparar-se à imersão num sono profundo, com 96 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades breves intervalos de vigília consciente. É, todavia, mais do que o sono, porque é um estado muito mais profundo de inconsciência; o perispírito se retira para mais longe do que no sono e o corpo fica mais insensível. Uma pessoa em transe melhor se pode comparar a alguém que esteja sob a ação de um anestésico, do que a uma que se ache a dormir, com a diferença de que o estado de transe pode durar duas a três horas e repetir-se por várias vezes, numa semana, sem qualquer efeito nocivo. A génese do transe segundo a psicologia clássica Pierre Janet (L' Automatisme Psychologyque), A. Binet (Les Altérations de la Personalité), Theodore Flournay (Des Indes à la Planete Mars), Hippolyte Taine (De' Inteligence) e Ribot (Les Maladies de Ia Personalité), negando a assimilação perispiritual indispensável ao transe, crêem que uma cisão se produz na consciência dos sensitivos em transe e que daí resulta uma segunda personalidade, desconhecida da pessoa normal, e com a qual se relacionam todos os fenómenos. Atribuíram a essa segunda personalidade vários nomes: inconsciente, subconsciência, consciência sublinhai etc. Os médiuns seriam histéricos, particularmente predispostos, por seu estado fisiológico, a tais cisões da personalidade. 97 Carlos Bernardo Loureiro A esse respeito, manifestaram-se dois gigantes das pesquisas anímicas e espíritas: Alexandre Aksakof (Animismo e Espiritismo) e Gabriel Delanne (Recherches sur la Mediunnité) considerando as concepções supracitadas verdadeiro sobrenaturalismo, o que estaria mais próximo do milagre e não exatamente de uma justificativa científica! Deixemos que Léon Denis, em seu estilo fluente, conclua o assunto, ao afirmar: Há em nós profundezas cheias de mistério que ,às vezes entreabrem e cuja visão nos perturba. Um mundo inteiro aí reside, mundo de intuições , de aspirações, de sensações, cuja origem é desconhecida, e que parece provirem de um passado distante; mescla de aquisições pessoais, vestígios das existências percorridas na sucessão do tempo, tudo isso está gravado nos refolhos obscônditos do Eu. 98 Perispírito , Sonambulismo Natural e Magnético Um dos efeitos do sonambulismo, que é um estado de emancipação da alma mais completo do que o sono, consiste no fato que as suas faculdades adquirem maior amplitude. E, precisamente porque os sonâmbulos não dormem na acepção vulgar do vocábulo, entendem alguns magnetizadores que a denominação é imprópria. É curioso assinalar que participam dessa opinião os próprios sonâmbulos, que protestam contra a alegação de sono quando eles estão vendo, ouvindo e sentindo ... Os magnetizadores espíritas, entretanto, de acordo com a doutrina, sabem, igualmente, que, no sono comum, a alma jamais está inativa, e que o repouso do corpo se verifica em virtude da liberdade ou ausência parcial daquela. Deve-se, então, manter-se aquela denominação, porque as expressões SONO E SONAMBULISMO indicam, inequivocamente, um estado de emancipação perispiritual e, consequentemente, de repouso do corpo. Dentro dessa concepção nada há a inovar no resumo teórico do sonambulismo apresentado por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. Os fenómenos do sonambulismo natural se 99 Carlos Bernardo Loureiro produzem espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida. Mas, em certas pessoas dotadas de especial organização, podem ser provocados artificialmente, por ação do agente magnético. Segundo Allan Kardec: Para o Espiritismo o sonambulismo é mais do que um fenómeno psicológico, é uma luz projetada na psicologia. É aí que se pode estudar a alma, porque é onde esta se mostra a descoberto. Ora, muitos dos fenómenos que a caracterizam é o da clarividência independente dos órgãos ordinários da visão. De uma causa única se origina a clarividência do sonâmbulo magnético e a do sonâmbulo natural. É um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorpóreo. O sonâmbulo vê em todos os lugares aonde seu duplo passa a se transportar, qualquer que seja a distância. Nesse caso, o sonâmbulo não vê as coisas de onde está seu corpo. Vê-as presentes, porque o seu perispírito se encontra no local em que os fatos acontecem. Por isso que o seu corpo fica como que privado de sensação, até que o duplo volte a habitá-lo novamente. Essa emancipação parcial da alma do seu corpo constitui um estado anormal, suscetível de duração mais ou menos longa, porém não indefinida. Daí a fadiga que o corpo experimenta após certo tempo, novamente quando a alma se entrega a um trabalho ativo. A vista da alma não é circunscrita e não tem sede determinada. Eis por que os sonâmbulos não lhe podem marcar órgão especial. Vêem porque vêem, sem saberem 100 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades o motivo nem o modo, uma vez que, para eles, na condição de Espíritos, a vista carece de foco próprio. Se reportam ao corpo, esse foco lhes parece estar nos centros onde maior é a atividade vital, principalmente no cérebro. O poder da lucidez sonambúlica não é ilimitado. O Espírito, mesmo completamente livre, tem restringidos seus conhecimentos e faculdades, conforme ao grau de perfeição que haja alcançado. Ainda mais restringidos os tem quando ligado à matéria, a cuja influência está sujeito. É o que motiva não ser universal, nem infalível a clarividência sonambúlica. E tanto menos se pode contar com a sua infalibilidade, quanto mais desviada seja do fim visado pela natureza e transformada em objeto de curiosidade. No estado de desprendimento, o Espírito do sonâmbulo entra em comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados e desencarnados, comunicação que se estabelece pelo contato dos fluidos que compõem os perispíritos e servem de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico. O sonâmbulo não precisa, pois, que se lhe exprimam os pensamentos por meio da palavra articulada. Ele os sentem e os interpretam. É o que o torna eminentemente impressionável e sujeito às influências da atmosfera moral que o envolva. O sonâmbulo vê ao mesmo tempo o seu corpo perispiritual e o corpóreo, os quais constituem, por assim dizer, dois seres que lhe representam a dupla existência 101 Carlos Bernardo Loureiro Corpória e espiritual, existências que, entretanto, se confundem, mediante os laços que as unem. Em cada uma de suas existências corporais, o Espírito adquire um acréscimo de conhecimentos e de experiência. Esquece-os parcialmente, quando encarnados em matéria por demais grosseira, porém deles se recorda como Espíritos. Assim é que certos sonâmbulos revelam conhecimentos acima do grau de instrução que possuem e mesmo superiores às suas aparentes capacidades intelectuais. Portanto, da inferioridade intelectual e científica do sonâmbulo quando desperto, nada se pode inferir com relação aos conhecimentos que porventura revele no estado de lucidez. Conforme as circunstâncias e o fim que se tenha em vista, ele os pode haurir de sua própria experiência, da sua clarividência relativa às coisas presentes, ou dos conselhos que receba de outros Espíritos, mas, podendo o seu próprio Espírito ser mais ou menos adiantado, possível lhe é expressar ideias e valores elevados. Pelos fenómenos do sonambulismo, quer natural, quer magnético, a providência oferece a prova irrefutável da existência e da independência da alma e faz assistir ao sublime espetáculo de sua emancipação. Afere-nos, destarte, o livro do nosso destino. Enquanto o homem se perde nas sutilezas de uma metafísica abstrata e ininteligível, em busca das causas da nossa existência moral, Deus, cotidianamente, põe, sob os nossos olhos e ao alcance da razão os mais simples e patentes meios de estudarmos a psicologia experimental Como vimos, para o espiritismo, o sonambulismo é mais que um fenómeno é uma luz projetada na psicologia para estudo da alma, em que essa surge em estado não de absoluta, porém de mais completa emancipação. . Os adversários do Espiritismo, criticando a reencarnação, estranham que, na sua nova vida corporal, o Espírito esqueça todo o seu passado. O sonambulismo vem lhes demonstrar a improcedência desse reparo, eis que no relativo estado de emancipação em que se encontra a alma do sonâmbulo, este, ao despertar, isto é, ao contato com a matéria grosseira, esquece todas as ocorrências. Ora, se assim acontece em um certo estado momentâneo, e de relativa emancipação, sem o definitivo abandono do corpo, que se dizer após um estado absoluto de separação do Espírito? Jean Philippe Français Deleuze (1753-1835), um dos expoentes da pesquisa sobre o magnetismo, na sua obra, raríssima, Histoire Critique du Magnetisme Animal, 1813, adverte: O primeiro conselho que posso dar é o de nunca se provocar o sonambulismo, mas deixá-lo emergir naturalmente. Já àquela época, antes do trabalho magnífico de Allan Kardec, Deleuze apontava, em resumo, as principais faculdades sonambúlicas: - Ver através de corpos opacos e a distâncias mais ou menos consideráveis. - Ver o próprio mal, prever as próprias crises e as dos outros, e anunciar a maneira e a época do termo final 103 - Ver a origem das moléstias e poder indicar os meios mais acertados para curá-las. - Experimentar momentaneamente a moléstia das pessoas com as quais se entra em relação. - Ver as radiações magnéticas e os fluidos escaparem-se das extremidades dos dedos do magnetizador e apontar a este a sua qualidade e força. - Executar, em si mesmo e nos outros, operações cirúrgicas e perceber quando os instrumentos e as mãos do operador se introduzem e agem no interior do corpo humano. Sobre a faculdade extraordinária de realizar intervenções cirúrgicas, Aubin Gauthier, em Historie du Sonambulisme, relata o caso da menina Madalena Dumond, que, afetada aos 7 anos, de um tumor maligno na boca, foi abandonada pela medicina, que julgou inexequível a cirurgia. Essa criança, em estado sonambúlico, no dia previamente por ela indicado, fez a incisão e cortou com o bisturi o tumor, cujas partes lhe saíram pela boca; depois dessa primeira operação, realizou outras até que a cura se verificou, sem que houvesse metástase. O sonambulismo produzido pelos processos magnéticos consegue apurar e regular essas preciosas faculdades, ao passo que o sonambulismo provocado pelos hipnotizadores não conseguiu alcançar esses efeitos, segundo a opinião insuspeita do Dr. James Braid (1795-1860), o fundador do hipnotismo citado por 104 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Alfred Bué, em: Le Magnetisme Curatif, que afirma: Os magnetizadores asseguram positivamente poder realizar certos efeitos que eu nunca pude provocar com o meu método, se bem que eu tenha tentado. Os efeitos a que aludo são, por exemplo, ler a hora num relógio colocado por detrás da cabeça ou cavidade epigástrica, ler cartas lacradas ou um livro fechado, reconhecer o que se passa a distância de alguns quilómetros, diagnosticar, com absoluta segurança, a natureza das enfermidades e indicar-lhes o tratamento (conforme acontecia com o sonâmbulo norte-americano Edgar Cayce). Devo dizer, a este respeito, que não julgo razoável, nem mesmo conveniente, pôr em dúvida as afirmações de experimentadores, homens de talento e de observação, cuja palavra constitui autoridade em outras matérias, sob pretexto de que não fui pessoalmente testemunha dos fenómenos, ou que não pude reproduzi-los, quer pelo meu método, quer pelo deles. O fenómeno sonambúlico permanece desafiando os pesquisadores, raros pesquisadores, que ainda teimam, alimentados pelo ideal, em fazer imorredoura a chama da pesquisa espiritista... Exteriorização da sensibilidade A sensibilidade se exterioriza, conforme resulta das notáveis experiências do Coronel Eugéne Auguste Albert CarCos (Bernardo Loureiro D'Aiglun de Rochas (1837-1914), verificadas pelo Dr. Paul Joire, professor do Instituto de França, autor do livro Psychical and Supernormal Phenomena (1916), e prolongadas por Hector Durville até à emancipação completa do perispírito. De Rochas pôs várias pessoas em estado sonambúlico e verificou que a ausência da sensibilidade cutânea não implica perda de sensibilidade, mas simplesmente exteriorização. Forma-se em torno do corpo uma série de camadas concêntricas, sensíveis, fluí dicas. Se o magnetizador agir sobre essa camada, de qualquer maneira, o sonâmbulo experimenta a mesma sensação que teria se a ação fosse exercida sobre a pele, mas nada sente ou quase nada, se a ação for exercida em outra parte; nada sente a ação emanar de uma pessoa que não esteja em relação com o magnetizador. Se a magnetização for profunda, forma-se em torno do sonâmbulo uma série de camadas equidistantes, separadas por um intervalo de 6 a 7 centímetros, que representam o duplo da distância da primeira camada à pele, e a paciente não sente os contatos, as picadas, as queimaduras senão nessas camadas que se sucedem, algumas vezes, até 2 ou 3 metros, que se penetram e se entrecruzam sem se modificarem, ao menos de maneira apreciável, diminuindo a sensibilidade delas pessoalmente ao afastamento do corpo físico. No fim de um tempo variável, geralmente depois da terceira ou quarta fase de letargia, as camadas 106 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades concêntricas apresentam dois máximos de intensidade, um do lado direito e outro do lado esquerdo da paciente e aí formam como que dois pólos de sensibilidade. As Experiências de T. Durville Nove foram os pacientes que se prestaram aos seus experimentos. São mulheres de sensibilidade muito notável e que foram progressivamente submetidas à ação magnética. Já vimos que, pela influência magnética, a sensibilidade se exterioriza sob a forma de camadas fluídicas. Insistindo e prolongando os passes, o professor Durville conseguiu cada vez mais a força psíquica, seguindo a denominação do Dr. William Crookes. A princípio mais ou menos difusa e informe, ela vai, pouco a pouco, diminuindo de volume e se tornando mais luminosa e, ao mesmo tempo, a forma humana vai se esboçando. Com o progredir da condensação, o duplo (perispírito) se forma. É a reprodução exata da pessoa física, e cujos traços mais nítidos e exatos se apresentam na parte superior, principalmente da cabeça, que fica mais luminosa. Nesse estado, o duplo se comporta como duplicata do corpo físico, reproduzindo todas as suas atitudes e gestos. Será um fenômeno objetivo este que acabamos de mostrar? Sim, e a prova é que o duplo é refletido no 107 Carlos Bernardo Loureiro espelho, se refrata passando de um meio a outro e pode ser, algumas vezes, fotografado. Levanta o experimentador o braço da paciente: o duplo faz a mesma coisa com o braço correspondente; abaixa um braço e levanta o outro: iguais movimentos são feitos pelo duplo. E assim se dá com todos os movimentos das pernas, da cabeça, do tronco. Serão reais e objetivos tais movimentos? Sim, porque na obscuridade, onde as testemunhas não vêem os movimentos do operador nem da paciente, descrevem, contudo, os menores gestos do duplo, sem que o operador tenha dito uma única palavra. Elucida H. Durville que magnetizando a paciente, este se condensa e pode se afastar; sua fisionomia toma, algumas vezes, uma expressão que difere sensivelmente da paciente, cessa de imitar-lhe os movimentos e se torna mais apto a produzir fenómenos. Mas essa aptidão é sempre subordinada a várias condições essenciais. É preciso que ele adquira força necessária para isso, e expressando o pensamento e a vontade do Espírito, que ele reveste. Descrevem os sensitivos a existência de um cordão fluídico que liga a paciente ao duplo. Nesse cordão observam duas correntes em sentido contrário: uma que vai do corpo físico ao duplo e que leva a energia necessária ao exercício de sua atividade; outra, mais sutil, luminosa, que parte do duplo para o corpo físico, que serve de veículo às sensações experimentadas, que vão ser traduzidas pelos órgãos corporais. Esta última circula 108 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades na parte superior do cordão e a primeira na porção inferior. Há, então, uma perfeita reciprocidade - o corpo físico alimenta energeticamente o perispírito, e este possibilita, sob o comando do Espírito, o exercício da atividade sensorial. Daí a declaração de Hector Durville, de que toda ação exercida sobre o duplo repercute no corpo físico e, se o primeiro receber um choque (como, por exemplo, as experiências pioneiras de Albert De Rochas), o segundo se queixa de dores fortes e equimoses se lhe manifestarão pelo corpo. Observou ele que a sensibilidade do duplo, como a do cordão, extremamente viva quando principia o desdobramento, diminui pouco a pouco; mas, nunca chega a desaparecer completamente, servindo, para que os experimentadores que não vêem o duplo, de meio para descobrirem a direção em que está, se deixou seu lugar habitual. Interrogada a respeito, uma das sonâmbulas confirmou que todas as impressões lhe são transmitidas pelo duplo, que por intermédio do cordão fluídico, atingem seu corpo físico. Toca-se no duplo, diz ela, e a impressão de contato vem como um choque ao cérebro físico e a sensação referente nele. Conversa-se; crêem que o meu físico ouve, porque ele responde; mas não é verdade! Ele nada ouve! O duplo é que ouve. A pergunta e a resposta são transmitidas pelo cordão fluídico ao cérebro físico como que por um movimento, por alguma coisa que vibra. É também o duplo que vê, e a visão vem ao físico por um 109 Carlos Bernardo Loureiro movimento, é como a eletricidade que faz vibrar o cérebro físico que então vê o que o duplo viu. Todas as impressões recebidas pelo duplo se transmitem ao centro do cérebro, mas esses centros nada percebem por si mesmos. Com efeito, a conclusão a tirar dessas experiências é que o Espírito, através do duplo, leva consigo os sentidos e a inteligência, o que prova que o corpo físico não lhes é a sede; que os sentidos e a inteligência não são produtos da matéria orgânica. As experiências de Albert de Rochas e de Hector Durville põem por terra as concepções niilistas que imaginam, como Karl Vogt imaginou, ingénua e friamente, que... as propriedades designadas pelo nome de "atividades da alma" não são mais do que funções da substância cerebral, e, para nos exprimirmos de um modo mais grosseiro, que o pensamento é, pouco mais ou menos, para o cérebro o que a bílis é para o fígado e a urina para os rins. Apesar do longo tempo decorrido da concepção vegetativa, há quem afirme , do alto da torre de marfim da ciência ortodoxa, que tudo se elabora e se expressa nos refolhos do cérebro, embora nenhuma pesquisa tenha demonstrado, verdadeiramente, que a massa encefálica possua, em essência, as propriedades do pensamento, da razão, dos sentidos ... 110 Perispírito , Pensamento e Vontade Na vida espiritual, a rigor, não há sentidos especiais. O Espírito, livre das amarras materiais, possui, então, em maior grau todas as faculdades sensoriais, além das que lhe são inerentes, em relação ao meio fluídico em que vive. Encontrando-se o Espírito envolvido pelo perispírito e achando-se num plano em que todas as coisas que o cercam são tão fluídicas como o seu próprio corpo, é natural que, devido à relatividade do meio, o seu corpo pareça tão material aos Espíritos perturbados ou inferiores que nele habitam. Até mesmo aos Espíritos mais ou menos lúcidos essa ilusão ainda é por muito tempo bastante real, aponto de julgarem ver pelos olhos, ouvir pelos ouvidos, tatear pelos dedos, falar pela boca e cheirar pelo nariz, quando, afinal, todas essas sensações se manifestam, generalizadas, através de toda a estrutura perispiritual. É na situação de Espírito livre que o sentido que nos falta, quando (re)encarnados, se manifesta em toda a sua plenitude. Eleja não é, em verdade, um sentido, mas uma faculdade espiritual que permite ao ser 111 Carlos Bernardo Loureiro desencarnado comunicar-se pelo pensamento, atravessar corpos opacos, ver através da matéria, transportar-se com a rapidez do pensamento, perder a noção do tempo e espaço. Sendo superior, o Espírito vivência um eterno presente, com o desaparecimento do passado e do futuro, numa manifestação maravilhosa do poder onipotente de Deus. Esses Espíritos souberam vencer provas rudes, pondo acima de todos os interesses vis, o respeito aos ordenamentos justos e sábios das leis divinas. Esta última faculdade é a resultante de um trabalho árduo e laborioso que possibilitou ao Espírito compreender os altos desígnios do evolver moral, alargando os seus horizontes espirituais, assim como a um viajante terreno que, depois de vencer todos os obstáculos que encontra na ascensão de uma montanha, vê alargar o seu horizonte visual ao achar-se na máxima altitude. Na vida espiritual, produz-se também um fenómeno peculiar: o poder que a vontade possui de plasmar imagens formadas pelo pensamento consciente ou inconsciente, do que resulta tornar-se mais forte a ilusão dos Espíritos inferiores, ao irradiar o seu pensamento. Essas imagens têm vida mais ou menos prolongada, segundo a intensidade do pensamento que lhes deu origem. Entretanto, quando elas são produto de pensamento de uma entidade superior existirão enquanto forem aos propósitos assistenciais a que essas criaturas do bem se acham empenhadas. Segundo Allan Kardec, os Espíritos atuam efetivamente sobre os fluidos espirituais, não 112 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades manifestando-os como os homens manipulam os gases, mas por meio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são, para os Espíritos, o que a mão é para o homem. Através do pensamento, imprimem a esses fluidos esta ou aquela direção; aglomeram-nos, combinam-nos ou dispersam-nos; com eles formam conjuntos de aparência, forma ou cor determinadas; modificam-lhe as propriedades como o químico modifica a dos gases e de outros corpos, combinando-os de acordo com certas leis. É a grande oficina, ou laboratório da vida espiritual. Por vezes, essas transformações são resultado de alguma intenção; frequentemente são produto de um pensamento inconsciente. Basta o Espírito pensar em alguma coisa, para que essa se produza, assim como basta modular uma ária, para que essa repercuta na atmosfera. É assim, por exemplo que um Espírito se apresenta diante de um encarnado dotado de vista psíquica, com a aparência que tinha quando vivo, na época em que o conheceram, mesmo que tenha tido várias outras encarnações, desde então. Apresenta-se com a roupa, os sinais exteriores - enfermidades, cicatrizes, membros amputados etc - que tinha então; um decapitado apresentará o perispírito sem cabeça. Isso não quer dizer que ele tenha conservado tais aparências. Certamente que não, pois, como Espírito, não é nem coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado. Mas, como o seu pensamento se transporta à época em que ele era assim, 113 Carlos Bernardo Loureiro seu perispírito toma instantaneamente a aparência que ele, também instantaneamente deixa de ter assim que o pensamento cessa de agir. Se, portanto, ele alguma vez foi negro e de outra vez foi branco, apresentar-se-á como negro ou como branco, conforme a encarnação em que foi evocado e à qual se transportar pelo pensamento. Por efeito análogo, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tinha o hábito de se servir. Assim, elucida Allan Kardec, uma avarento virá mexendo em ouro, um militar aparecerá com suas armas e seu uniforme etc. Esses objetos fluídicos são tão reais para o Espírito, como o eram no estado material para o homem vivo. Porém, pela mesma razão que são criados pelo pensamento, sua existência é também fugidia como o próprio pensamento. Criando o pensamento, imagens fluídicas, ele se reflete no invólucro perispiritual como num espelho; aí toma e é, de certo modo, fotografado. Se um homem, por exemplo, tem ideia de matar um outro, mesmo que o seu corpo material permaneça impassível, o perispírito é posto em ação pelo pensamento do qual reproduz todas as nuanças. Executa, fluidicamente, o gesto, o ato que deseja realizar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira se desenha, como num quadro, tal como está em seu Espírito. É desse modo, esclarece o Codificador, que os mais secretos movimentos da alma repercutem no perispírito; que uma alma pode ler em outra alma como num livro, e enxergar o que não é perceptível aos olhos do corpo. 114 Vista Espiritual Psíquica e Dupla Vista Como já vimos, o perispírito é o traço de união entre a vida corporal e a vida espiritual. É através dele que o Espírito encarnado está em contínua relação com os Espíritos. É através dele, que se produzem, no homem, fenómenos especiais, cuja causa primária não está absolutamente na matéria tangível e que, por essa razão, têm a aparência de sobrenaturais. Portanto nas propriedades e na irradiação do fluído perispiritual é que se deve procurar a causa da dupla vista espiritual, que podemos chamar de vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, muitas vezes sem o saberem, assim como de vista sonambúlica. O perispírito, como já vimos, é o órgão sensitivo do Espírito. É por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Através dos órgãos do corpo, a vista, a audição, as diversas sensações são localizadas e restringidas à percepção das coisas materiais. Através dos sentidos espirituais ou psíquicos , elas se generalizam. O Espírito vê, ouve e sente, através de todas as partes do seu ser, tudo o que estiver na esfera Carlos Bernardo Loureiro de irradiação de seu fluido perispiritual. Esses fenómenos, conforme esclarece Allan Kardec, são, no homem, a manifestação da vida espiritual. É a alma que está agindo fora do organismo. Na dupla vista, ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê com os olhos do corpo, embora muitas vezes, por hábito, os dirija para o ponto no qual fixa a atenção. Vê com os olhos da alma, e a prova é que vê mesmo com os olhos fechados e além do alcance de seu raio visual. Entretanto, embora, durante a vida, fique "preso" no corpo pelo perispírito, o Espírito, acrescenta o Codificador do Espiritismo, não é escravo a tal ponto que não possa alongar seus grilhões e transportar-se para longe, tanto sobre a terra como para qualquer ponto do espaço. Custa-lhe muito ficar preso ao corpo, pois sua vida normal é em Uberdade, ao passo que ávida corpórea é como a do servo preso à gleba. Tais informações são encontradas na obra A Génese de Allan Kardec. Esse assunto é aprofundado pelos Espíritos Codificadores em O Livro dos Espíritos. O Espírito sente-se, pois, feliz, quando deixa o corpo, como um pássaro que se livra da gaiola. É o fenómeno designado pelo nome de emancipação da alma. Ocorre sempre durante o sono. Todas as vezes em que o corpo repousa e os sentidos acham-se em inatividade, o Espírito se desprende. Nesses momentos, o Espírito vive a vida espiritual, enquanto o corpo vive a vida vegetativa. Fica, em parte, no estado que ficará depois da morte. Percorre o espaço, 116 Perispírito - Natureza, 'Funções e Propriedades conversa com os amigos e com outros Espíritos livres ou encarnados como ele. O elo fluídico que o prende ao corpo não é rompido definitivamente senão com a morte. A separação completa só ocorre com a extinção absoluta da atividade do princípio vital. Enquanto o corpo vive, o Espírito, esteja em que distância estiver, é instantaneamente chamado a ele logo que sua presença se torna necessária. luz Espiritual Já que a vista espiritual não se efetua por meio dos olhos do corpo - elucida Kardec - a percepção das coisas não ocorre por meio da luz ordinária. Efetivamente, a luz material é feita para o mundo material. Para o mundo espiritual existe uma luz especial, cuja natureza desconhecemos, mas que é, sem dúvida, uma das propriedades do fluido etéreo destinada às percepções visuais da alma. Há, portanto, a luz material e a luz espiritual. A primeira tem focos circunscritos nos corpos luminosos; a segunda tem seu foco em toda a parte. E a razão por que não existe obstáculo para a vista espiritual. Ela não é sustada nem pela distância nem pela opacidade da matéria. Para ela não existe escuridão. O mundo espiritual é, pois, iluminado pela luz espiritual, que possui seus efeitos próprios, assim como o mundo material é iluminado pela luz solar. A alma, envolvida por seu perispírito, carrega 117 Carlos Bernardo Loureiro consigo o seu princípio luminoso. Penetrando a matéria em virtude de sua essência etérea, para a sua vista não há corpos opacos. No entanto - adverte o Codificador -, a vista espiritual não tem em todos os Espíritos nem o mesmo alcance nem a mesma penetração. Somente os Espíritos puros a possuem. Nos Espíritos inferiores ela é enfraquecida pela relativa grosseria do perispírito, que se interpõe como uma espécie de bruma. Manifesta-se em diferentes graus nos Espíritos encarnados, mediante o fenómeno da segunda vista, quer no sonambulismo natural ou magnético, quer no estado de vigília. É com o auxílio dessa faculdade que certas pessoas vêem o interior do organismo (psicoscopia) e descrevem a causa das moléstias. Destaca-se, neste particular, a portentosa faculdade psicográfica do sensitivo norte-americano Edgar Coyce, que realizou inúmeros e admiráveis diagnósticos de doenças cuja etiologia a ciência médica não conseguia estabelecer. 118 Transfiguração aparição perispiritual sobre o Corpo Físico A transfiguração é tratada por Allan Kardec, de modo especial, em A Génese, livro quinto da Codificação do Espiritismo. Como o Espírito pode operar transformações na contextura de seu invólucro perispiritual e como esse invólucro se irradia em torno do corpo como uma atmosfera fluídica, pode produzir-se, na própria superfície do corpo, um fenómeno análogo ao das aparições. Sob a camada fluídica, a forma real do corpo pode desaparecer mais ou menos completamente, e tomar outros traços; ou então, os traços primitivos, vistos através da camada íluídica modificada como através de um prisma, podem tomar uma outra expressão. Se o Espírito encarnado, saindo do terra-a-terra, identifica-se com as coisas do mundo espiritual, a expressão de um rosto feio pode tornar-se bela, radiosa, por vezes até luminosa. Se, ao contrário, o Espírito é excitado por paixões baixas, um rosto belo pode tomar um aspecto hediondo. É desse modo que se operam as transfigurações, que são sempre um reflexo das qualidades e sentimentos 119 Carlos Bernardo Loureiro predominantes do Espírito. Tal fenómeno é, pois, resultado de uma transformação fluídica. É uma espécie de aparição perispiritual que se produz sobre o próprio corpo vivo e, às vezes, no momento da morte, em vez de produzir-se à distância, como as aparições propriamente ditas. O que distingue as aparições desse tipo mudar de aspecto, ficar brilhante, de acordo com a vontade ou o poder do Espírito. Exemplo maior e perfeito dessa assertiva kardequiana, foi o que aconteceu a Jesus. Eis o que o evangelista relata a respeito: Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João e os levou sós a um alto monte (o monte Tabor) em lugar afastado e transfigurou-se diante deles. E, enquanto orava, seu rosto parecia outro; suas vestes tornaram-se resplendentes de luz, alvas como neve, tão alvas como nenhum lavadeiro na Terra seria capaz de branqueá-las.. Sobre o assunto, elucida Allan Kardec em A Génese que é também nas propriedades do fluido espiritual que se encontra a razão desse fenómeno. Acrescentando, ainda, que de todas as faculdades reveladas em Jesus, não há nenhuma que esteja fora das condições da humanidade e que não seja encontrada no comum dos homens, uma vez que são da Lei Natural. Porém, pela superioridade de sua essência moral e de suas qualidades fluídicas, tais faculdades atingiam nele proporções acima das do vulgo. Ele nos apresentava, à parte seu envoltório carnal, o estado dos Espíritos puros. 120 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades Transfiguração Mediúnica Tratamos, até então, do processo anímico ou psíquico da transfiguração. Vejamo-la à luz do processo mediúnico. Tomemos, a princípio, à guisa de exemplo, um dos casos relatados pelo Professor Ernesto Bozzano em uma de suas notáveis monografias: O reverendo Walter Wynn, na obra intitulada Rupert Lives, em que narra as manifestações de seu falecido filho, por meio de diversos médiuns, assim se refere a uma sessão com uma médium irlandesa Mac Creadie: Há outros Espíritos em torno de vós que desejam falar conosco, continuou a jovem Mac Creadie. De repente, a médium mudou-se em outra pessoa e comecei a experimentar uma sensação que até esse momento jamais conhecera, e que não desejo sentir de novo. Digo com toda a sinceridade, digo mesmo com certa convicção, era como se a srta. Mac Creadie tivesse tomado a aparência de minha mãe. A cabeça inclinada, a tosse, a mão estendida para mim, tudo isto representava minha genitora com perfeição; e ela me disse: "Meu filho! Meu filho! Quero sempre ser sua mãe!" Isso foi tão inesperado que não experimentei nenhuma emoção: Eu estava inteiramente calmo. A visão durou muito pouco tempo, depois desapareceu. Acrescenta Ernesto Bozzano que, do ponto de vista do 121 Carlos Bernardo Loureiro Espiritismo poder-se-ia dizer que o fato relatado se trata de um fenómeno de "possessão mediúnica", a tal ponto produzido, que determina a transfiguração do rosto do médium, combinada com as atitudes mímicas habituais da defunta, quando viva. Caso ainda mais eloquente e comprobatório, relata-nos o próprio Allan Kardec, ocorrido nas cercanias de Saint-Étienne, sobre uma jovem de uns quinze anos que gozava da estranha faculdade de se transfigurar, ou seja, de tomar, em certas ocasiões, todas as aparências de algumas pessoas mortas. A transfiguração era tão completa que se julgava estar na presença da pessoa, tamanha a semelhança dos traços do rosto, do olhar, da tonalidade da voz e até mesmo das expressões usuais na linguagem. Esse fenómeno repetiu-se centenas de vezes; algumas sem qualquer interferência da vontade da jovem. Muitas vezes tomou a aparência de seu irmão, falecido havia alguns anos antes, reproduzindo-lhe não somente o semblante, mas também o porte e a corpulência. Um médico local, que frequentemente presenciara esses estranhos fenómenos, querendo assegurar-se de que não era vítima de ilusão, procedeu a uma interessante experiência. Colheu as informações dele mesmo, do pai da médium e de muitas outras testemunhas oculares, bastante honradas e dignas de fé. Teve o pesquisador a ideia de pesar a jovem no seu estado normal e durante a transformação, quando ela tomava a aparência do irmão que falecera aos vinte anos e era muito maior e mais forte do que ela. Pois bem: verificou que na 122 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades transfiguração o peso da médium era quase o dobro. Concluiu-se, portanto, que seria impossível atribuir a aparência a uma simples ilusão de ótica. Observa o professor J. Herculano Pires que, experiências ulteriores às pesquisas de Allan Kardec revelaram outras e singulares facetas da transfiguração. Caso há em que o Espírito plasma uma máscara sobre o rosto do médium, reproduzindo sua aparência. Em tais casos, a máscara se forma pela combinação fluídica do perispírito do médium com o do Espírito comunicante. É fenómeno - explica o autor de O Ser e a Serenidade - de sintonia e não de penetração do espírito no corpo do médium. 123 O Perispírito e os membros Fantasmas O professor Ernesto Bozzano, no seu livro, Desdobramento - Fenómenos de Bilocação, refere-se à ideia de integridade nos amputados que experimentam a sensação perfeita da existência da parte do corpo que lhes foi retirada. Em sua obra, Bozzano invoca o testemunho de notáveis fisiologistas entre os quais figuram Weir Mitchell, Bernstein e Pitres, que assim se manifestaram sobre o instigante assunto: As ilusões dos amputados são um fato normal. Realmente, para Piset, que fez suas investigações entre soldados do Primeiro Império, de quatrocentos e cinquenta amputados somente quatorze não apresentaram o fenómeno do membro fantasma. A ilusão somente faltava uma vez em trinta casos. Quase sempre a ilusão sobrevinha logo após a cirurgia. Todavia, algumas vezes ocorria mais tarde, mas sempre em tempo bastante próximo. O professor William James, um dos pais da Psicologia, investiu, seriamente, nesse campo de pesquisa, chegando a notáveis e lúcidas conclusões, que 124 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades corroboram aquelas outras até então firmadas. O professor James, nos seus trabalhos, reporta-se a um trecho de uma obra do fisiologista A. Valentim, segundo o qual se pode admitir casos de deformações congénitas de membros. Certa jovem de 15 anos e um homem de 40, os quais só possuíam uma mão normal, sendo que a outra apresentava, um lugar dos dedos, ligeiras proeminências carnudas, sem ossos, tinham a sensação precisa de dobrar os dedos inexistentes todas as vezes que dobravam o coto informe. O professor Bozzano vai ainda mais adiante em suas pesquisas sobre os membros fantasmas ao demonstrar que se chega, também, a obter fotografia do braço fluídico de um amputado. No Journal du Magnetisme, de julho de 1917, o magnetizador Alphonse. Bouvier publicou longa matéria sobre o modo pelo qual chegou a fotografar um membro amputado, ilustrada com um bom cliché: Onde aparece a sombra fluídica de um braço ausente. É diríamos - a presença da ausência... Nos livros - Gestalt Psychology (N. Y., 1950 de F. Katz, e Phantoms ín Patiens with Leprosy and Elderly Digital Amputers (N.Y., 1956), de P. Simmel, são relatadas as amputações normais e as de membros nos leprosos. De acordo com as observações dos pesquisadores, os pacientes, após a amputação de braços e de pernas, continuaram a constatar a presença de parte amputada, chegando a movê-la e a sentir cócegas naquele Carlos Bernardo Loureiro local. E ainda mais: a percepção pode durar, não só longo tempo, mas toda a vida. F. Katz, por sua vez, afirma: Se uma pessoa, com uma perna amputada, chega a uma parede, ela parece atravessá-la ... a lei da impenetrabilidade da matéria julgo que não se aplica a esse caso. Por outro lado, a declaração de P. Simmel não é menos valiosa, quanto à comprovação da existência do perispírito. Após suas experiências com leprosos, verificou que a perda gradual das partes do corpo por absorção, por ser lenta e demorada, não produz fantasmas e o mais notável é que, na amputação de restos de dedos e artelhos, esses efeitos se reproduzem não como as partes que havia, mas, sim, perfeitos, isto é, como antes da absorção. Conta ele fato interessante a respeito de um amputado: (...) quando acordou da anestesia, procurou pegar o pé. A sensação da existência do membro amputado persiste, e a paciente esquece, tenta pisar e cai. Dizia, mais tarde, que podia movimentar os dedos fantasmas... Entretanto Mitchell, Berstein e Pitres pararam nesse ponto, sem mais nada a acrescentar. Apesar de serem autoridades em sua especialidade, certos fenómenos escapam do domínio de seu raciocínio, uma vez que se põem, apenas, ao nível da matéria tangível, sensorial... Além das experiências supracitadas, surgem outras mais surpreendentes e que vêm ratificar a tese espírita 126 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades de que as sensações, emoções e impulsos não se localizam no cérebro, como o querem os fisiologistas e psicólogos, e, sim, no Espírito. Na obra Espiritismo Dialético (1960), do pensador espírita argentino Manuel S. Porteiro, encontramos fatos assombrosos para os psicólogos, mostrando, claramente, que os indivíduos com lesões graves, mesmo em centros nervosos, continuam a se comportar naturalmente. Um dos seus relatos apresentado à Academia de Ciências de Paris pelo Dr. Aguepin, em 24 de março de 1945, refere-se a uma cirurgia realizada em um soldado. Após a operação nesse indivíduo que havia perdido enorme parte do hemisfério cerebral esquerdo (substância cortical e branca, núcleos centrais etc), comprovou-se que o mesmo continuava a se comportar normalmente, a despeito das lesões e perdas de circunvoluções básicas às funções essenciais. O outro fato é referido por Protero e o que Tanto Lisboa, chamado o Lusitano, publicou, em seu livro Prática Médica, no final do seu século XVI. Um menino de 10 anos recebeu uma pancada tão forte no crânio, que cortou o osso e a membrana cervical, perdendo parte da massa encefálica. Ao contrário do esperado, a ferida cicatrizou. Três anos depois, morria hidrocéfalo. Para espanto dos médicos, o crânio foi aberto e não se encontrou o cérebro. Em seu lugar havia um líquido. Esse fato foi considerado extraordinário, pois o menino viveu durante três anos nessa situação e na plenitude de suas faculdades psíquicas. 127 Carlos Bernardo Loureiro Para explicar esses e outros fatos análogos, os materialistas recorreram à hipótese do fisiologista Pierre Flomens, segundo a qual um hemisfério cerebral pode suprir a falta do outro. E que dirão quanto à ausência total de massa encefálica? Aí é que o materialismo se vê obrigado a ceder terreno à Ciência Espírita e, não só nesses fenómenos, mas em outros, estudados pela Psicologia de maneira carente ou insatisfatória, como, por exemplo, a dupla personalidade. Com o Espiritismo, poder-se-á chegar a uma conclusão, ir mais além e interpretar o inexorável, isso porque a resposta está em nós mesmos, no conhecimento da essência do ser humano e das partes de que é composto! 128 A Existência do Duplo em Tudo que Vive Dia-a-dia, mais se consolida a concepção da existência do duplo em tudo que vive. Todos aceitamos a duplicidade dos corpos, nos humanos - pelo menos nos meios espiritistas - tendo a acrescentar a essa dupla parte essencial o Espírito. A fotografia e a vidência nos afirmam que os animais têm o seu duplo. Os próprios Espíritos confirmam essa assertiva. Raymond, desencarnado na guerra de 1914-1918, filho de Olivier Lodge, o notável pesquisador inglês, deu ao genitor várias comunicações a respeito, notificando-o de que um cão pertencente à família, morto antes, achava-se em sua companhia. Na Encyclopeadia of Psichic Science, de autoria do pesquisador Nando Fodor, vêm citados os nomes dos mais importantes médiuns, cujas faculdades, especialíssimas, possibilitam materializações de diversos representantes do reino animal. Entre esses sensitivos, destacam-se Franeke Kluski, notável poeta, e Jan Guzik, homem simples e de cultura limitada, ambos nascidos na Polónia, país da Europa Central. Jan Guzik oferecia-se, perfeitamente, à 129 Carlos Bernardo Loureiro materialização do duplo de cães e de alguns animais de aparência estranha que os pesquisadores, entre os quais o Dr. Gustave Geley, não conseguiam classificar. Franeke Kluski, por sua vez, possibilitava a materialização do duplo de aves de rapina, e de pequenos animais selvagens e até os de grande porte. Vários desses animais materializados foram fotografados durante as sessões realizadas nas décadas de 1920 e 1930. Os resultados das pesquisas com Franeke Kluski vêm relatados na Revue Métapsychique, no fascículo de julho/agosto de 1921. O Dr. Gustave Geley, que assistiu às sessões, anunciou a publicação dos atos a respeito do extraordinário fenómeno das materializações, nos termos que seguem: As materializações deformas animais não são raras com Kluski. Nos atos das sessões realizadas na sociedade de Estudos Psíquicos de Varsóvia, há registros de materializações de duplo de uma grande ave de rapina, aparecida em várias sessões e fotografada; e depois o duplo de um ser bizarro, uma espécie de intermediário entre o símio e o homem (pitecantropo). Ele é descrito como tendo a altura de um homem e uma face simiesca, mas com uma fronte desenvolvida e rela, cara e corpo cobertos de pelos, braços compridos, mãos grossas e compridas. Mostra-se sempre mudo, pega nas mãos de assistentes e as lambe como o faria um cachorro... esse ser, que fora chamado de o pitecantropo, 130 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades manifestou-se várias vezes. Essa entidade, sempre dócil, só mostrava certa animosidade contra a gatinha da Sra. Kluski, de nome Frusia, que costumava se deitar sobre o joelho da esposa do médium. No tocante à materialização da grande ave de rapina (um Condor), a ata da sessão realizada no dia 7 de setembro de 1920, informa, sob a chancela de Gustave Geley: Às 11 horas e 20 minutos, viu-se um grande pássaro, bem materializado e bem iluminado. A Revue Spirite (janeiro/fevereiro de 1920) divulgou a fotografia do duplo da ave de que trata a ata supracitada, e que fora vista sobre o ombro esquerdo do médium, com suas grandes asas abertas e o olhar penetrante dirigido para os experimentadores, que sentiram naquele momento mágico, o quanto é enigmático o processo existencial, de que faz parte todos os seres vivos. O professor Ernesto Bozzano, pesquisador notável, assim como Gustave Geley, que devotou sua vida à investigação da imortalidade, jamais alimentaram a esperança de que as pesquisas que desenvolveram, com idealismo e amor à verdade, em torno da materialização do duplo da alma animal encontrassem a aceitação plena da comunidade científica europeia e de além-mar. Ambos sofreram, como o inesquecível William Crookes, os ataques, impostos, dos seus contemporâneos, muitos experts em coisa nenhuma ... 131 Carlos Bernardo Loureiro O testemunho de André Luiz Entre nós, despontam as anotações psicografadas de André Luiz, o grande pesquisador do Além. Informa ele que as plantas também têm o seu DUPLO! Vejamos o caso em apreço, ao nos relatar a passagem em que, uma menina - Espírito, residente na esfera Nosso Lar, vem à crosta da Terra, em companhia de sua mãe, em visita ao que na Terra fora pai e esposo, aproveitando a liberação provisória do duplo deste, através do fenómeno do sono. Lê-se, então, em Os Mensageiros, o seguinte, relatado pelo autor de Mecanismos da Mediunidade: Aniceto (mentor espiritual), Vicente e eu, em companhia de outros amigos, fomos ao pequeno jardinzinho, que rodeava a habitação. As flores veludosas recendiam. A claridade espiritual ambiente, como que espancava as trevas da noite. Respirando as brisas caridosas, que sopravam da Guanabara(Rio de Janeiro), notei, pela primeira vez delicado fenómeno que não havia observado até então. Uma pequena carinhosa, enquanto a mãezinha palestrava com um amigo, colheu um cravo perfumoso, num grito de alegria. Vi a menina talar a flor, retirá-la da haste, ao mesmo tempo que a parte material do cravo emurchecia, quase de súbito"(grifos nossos). A Sra. a repreendeu com calor: - Que é isso, Regina? Não temos direito de 132 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades perturbar a ordem das coisas. Não esqueçamos de que se tratam de Espíritos desencarnados. Só se pode admitir, pois, que a menina-espírito cortou a parte fluídica, o duplo, do cravo, tanto que a parte material da flor e murchou ! Se a parte material do cravo ficou de pé, emurchecida, e a menina-espírito levou o cravo consigo, depois de talá-lo à sua mãe, é fora de dúvida que se tratava do duplo fluídico do cravo. Se os outros seres viventes têm o seu duplo, sobrevivendo à morte, por que as plantas, que também possuem vida, não deviam ter o seu duplo? ... 133 Citações 1 É o mesmo que "Akasa", atmosfera humana, eletricidade vital, emanação magnética, fluido elementar, fluido elétrico animalizado, fluido psíquico, força actênica, força nêurica, luz astral, ode, onda nervosa, onda psíquica, fluido ectoplasmático, raios mitogênicos, raios Y, substância primordial, teleplasma, Zoéter, fogo- gerador, flux, força cerebral irradiante etc. 2 Ensina-nos Dr. Alberto de Souza Rocha que existem na estrutura do perispírito, no tocante à faixa mais intimamente ligada ao corpo físico, fulcros energéticos e linhas de força potencializadoras e irradiadoras do comando da alma, sendo nesse caso o cérebro físico o gabinete desse comando central das energias espirituais. Em Evolução em Dois Mundos, o Espírito André Luiz descreve esses centros vitais, embora não encontremos referências a respeito no contexto da Codificação do Espiritismo, salvo tenuíssima referência no item 146, de O Livro dos Espíritos. Temos, então, os seguintes centros: o centro coronário e o cerebral, bem vizinhos, situam-se no perispírito, em área correspondente ao cérebro; o laríngeo, controlando a respiração e a fonação; o cardíaco, a circulação e a emotividade; o esplênico, o 134 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades sistema hemático, interligando o baço com outras fontes de formação sanguínea; o gástrico, controlando os fenómenos da digestão e o genésico, modelando novas formas e gerando estímulos criadores. 3Permitimo-nos observar que, na década de 1980, o Espírito Ambroise Pare, que se comunicava através da mediunidade de José Medrado, realizava, em certos pacientes, especiais drenagens no seus campos perispirituais, resolvendo muitos problemas de ordem psíquica e biológica. Tivemos a oportunidade de acompanhar, de perto, o trabalho do Dr. Ambroise, constatando a veracidade das curas que se alcançavam, através desse método que parece ter sido único em nosso País. 4 Ensina o Dr. Jorge Andréa que: o momento da reencarnação desencadeia para o Espírito uma série de reações a repercutirem em sua organização. De modo geral, o Espírito Candidato à reencarnação se mostra com o aspecto da última etapa terrena, às expressas de suas energias perispíritas. Essas modelam o seu aspecto e forma. O mergulho na carne, para nova etapa, permite que os campos perispirituais sofram um processo específico de redução de concentração, um verdadeiro encolhimento. Nessas condições, parte das energias perispirituais são cedidas à natureza, como o corpo físico o foi no processo de cadaverização da forma 135 Carlos Bernardo Loureiro anterior. Fica, assim, uma pequena camada envolvendo as zonas nobres do Espírito, de forma mais ou menos ovóide, tanto mais reduzida quanto menos evoluída for o seu. O Espírito André Luiz trata do processo de "redução perispiritual" na obra Missionários da Luz, ed. FEB. 5 Esclarece o pesquisador Espírita Vitor Ronaldo Costa (vide Revista Internacional de Espiritismo, fevereiro de 1996) que - O estado de auto-intoxicação fluídica decorre, em grande número de casos, de uma viciação mental, alimentada por um período de tempo mais prolongado. A curtição de um ressentimento duradouro gera verdadeira corrente mental desgastante e enfermiça, a circular em torno do fulcro consciencial, achando por fixar-se nas entranhas do perispírito, constituindo-se na matriz energética de múltiplos desarmonias psico-físicas. A mágoa persistente alimentada mantém uma estreita e perigosa relação com as neoplasias malignas (o câncer, por exemplo), porquanto as vibrações geradas e corrigidas em regime de circuito fechado suprimem os fatores imunológicos anti-tumorais. 5 Mês e Maggy Harsch - Fischbach, identificados com Mr. e Mrs. H-F, de Hesperange, Luxemburgo, são reconhecidas autoridades no campo a Transcomunicação Instrumental e que têm posto em incidência a existência de estações transmissoras que trabalham em outra 136 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades dimensão, a dimensão espiritual. 7 Friedrich Juergenson (1903-1987) é um dos mais importantes investigadores no campo da gravação de vozes do Além. Ao todo, Juergenson gravou, no decorrer de suas experiências, setenta mil fitas. Juergenson era amigo e companheiro de trabalho do Dr. Konstantin Roudive, autor da obra famosa Break Throgh, publicada na Inglaterra em 1971. 8 Em nota de rodapé, na edição de Obras Póstumas, da Edicel, lê-se: Muitas pessoas põem em dúvida as manifestações mediúnicas que não modificam a expressão e a voz do médium. Não obstante, as manifestações puramente subjetivas ou mentais são às vezes mais válidas e mais exatas que as outras. A mediunidade mais refinada, mais pura, é a intuitiva, na qual a relação Espírito com o médium é inteiramente oculta, passsando-se apenas no plano espiritual do médium. A veracidade das comunicações não se afere por sinais exteriores mas pelas ideias, pelo conteúdo das mensagens. 9 Em O Que é o Espiritismo, Allan Kardec elucida: A alma não está, como geralmente se pensa localizada em uma parte determinada do corpo; forma com o perispírito um todo fluídico, penetrável, interligando- se ao corpo inteiro, com o qual constitui um ser complexo, do qual a morte não é, de certa forma, senão 137 Carlos Bernardo Loureiro um desdobramento. 10 Lucidez diz-se mais particularmente da clarividência sonambúlica. Um sonâmbulo é mais ou menos lúcido conforme a emancipação do duplo é mais ou menos completa. 11 Guardadas as devidas proporções, realizaram-se na Rússia, há poucos anos, notáveis pesquisas de Cam pos de Força, sob a responsabilidade do laboratório de Cibernética Biológica do Departamento de Fisiologia da Universidade de Leningrado. O grupo de pesquisa, chefiado pelo sucessor do Dr. Leonid L. Vasilie, Dr. Paue; Gulvaiev usa eletrodos de detecção de alta resistência extremamente sensíveis para delinear o campo de força humano ou "aura elétrica", como é chamada. Na Universidade de Saskatchewan, no Canadá, fizeram pesquisas sobre a mensuração dos campos de força humanos. O grupo canadense, chefiado pelo Dr. Abram Hoffer e pelo Dr. Harold Kelm, vem trabalhando com um detector que consiste em duas placas de condensador, um pré-amplificador e um registro de linha como o de um eletrocardiógrafo. Esse detector delineia à distância a aura elétrica invisível do corpo. No terreno da ciência espírita esses detectores de campos de força (que seriam um estádio mais avançado da kirliangrafía) poderiam ser importantíssimos para a pesquisa psíquica e medicina. 138 Perispírito - Natureza, Funções e Propriedades 12 A força psíquica, de William Crookes seria o mesmo que o "od", de Reichembeach, o talismã de Hermes, o Enormon ou Ignis subtilissimus, de Hipócrates, o Akasa, dos Hindus, a Luz-Astral, dos cabalistas, o Pneuma de Galeno, o Blas humanum, de Von Helmont, o Alkahest, de Paracelso, a Cópula, de Boerhave, a Quinta-essência, dos alquimistas, a matéria sutil, de Descartes, o Spiritus subtilissimus de Newton. 13 Nos EUA, Lloyd F. Hopkins vem desenvolvendo, na atualidade, uma série de pesquisas, em torno do que ele denomina de mind sight (visão mental), registradas nas obras Training Manual for Sight without and Eyes Though Mind Sight and Perception (1988). Lloyd criou o Mind Sight and Perception Research Center, Inc que acolhe aprendizes da visão sem olhos. 14 Nas modernas fotos de Kirlian, o contorno luminoso de um braço ou de uma perna amputados aparece como se o membro estivesse ali presente; e realmente está, em sua forma fluídica. 15 J. G. Thoemson conseguiu fotografar, numa sessão experimental, em Londres, uma cadelinha materializada junto a um fantasma em manifestação estereológica. Posteriormente, o animal foi reconhecido por uma senhora que viu a foto, numa moldura, na sala de estar do pesquisador: pertencera a um tio seu já desencarnado, justamente o fantasma registrado na 139 Carlos Bernardo Loureiro fotografia. 16 Além de possuírem um duplo, as plantas, conforme pesquisas pioneiras do norte-americano Cleve Backster com o polígrafo, são dotadas de percepção, que será, grosso modo, um sistema sensorial cujo mecanismo, acreditamos, se encontra, enigmaticamente, nas funções de seu duplo, princípio revelado por André Luiz. Mais esclarecimentos sobre o assunto podem ser encontrados na nossa obra O Túnel e a Luz. 140 Sugestões para Leitura 1. Ação à Distância dos Moribundos, 1872; Maximiliano Perty; Edição do próprio pesquisador 2. Animismo ou Espiritismo?; Ernesto Bozzano; 1-edição; Editora FEB. 3. Animismo e Espiritismo; Alexandre Aksakof; 2-edição; Editora FEB. 4. Bases Científicas do Espiritismo; Epes Sargent; 3a edição, Editora FEB. 5. A Ciência do Espírito; Henrique Rodrigues; l-edição; Casa Editora "O Clarim". 5. a) A Crise da Morte; Ernesto Bozzano; Editora FEB. 6. O Dinamismo Ascencional; Gustave Mercier; Paris, 1960. 7. Dos Raps à Comunicação Instrumental; Carlos Bernardo Loureiro; l- Edição; Editora Eldona Sovieto. 8. Encontro com a Cultura Espírita; "Biologia e Espiritismo" (Forças Espirituais); Jorge Andréa; Editora "O Clarim". 9. O Espiritismo à Luz da Crítica; Deolindo Amorim; \- edição; Edição da Federação Espírita do Paraná. 10. Espiritismo Dialético; Manuel Porteiro S.; Ia edição; Editora Victor Hugo; Buenos Aires - Argentina. 11. Espiritismo e Psiquismo; Alberto de Souza Rocha; 141 Carlos Bernardo Loureiro \- edição; Edições Correio Fraterno do ABC. 12. O Espiritismo Perante a Ciência; Gabriel Delanne; 2- edição; Editora FEB. 13. Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro; Sheila Ostrande; Lynn Schroeder; Cultrix - Pensamento 14. Hipnotismo e Mediunidade; Cézar Lombroso; 3â edição; Editora FEB. 15. O Homem e a Evolução; Albert Vendei; Toulouse -França, 1959. 15. a) O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Céu e o Inferno; Allan Kardec; Editora FEB - Rio de Janeiro - RJ. 16. No Invisível; Léon Denis; 5â edição; Editora FEB. 17. Pensamento e Vontade; Ernesto Bozzano; 4- edição; Editora FEB. 18. O Problema do Além e do Destino; Alberto Seabra; 3â edição; Editora Pensamento. 19. Provas Científicas da Sobrevivência; J. K. Friedrich Zõllner; 1- edição; Edicel - SR 20. O Ser Subconsciente; Gustave Geley; l- edição; Editora FEB. 21. O Túnel e a Luz; Carlos Bernardo Loureiro; lâ edição; Editora Mnêmio Túlio; São Paulo - SP. 22. L'Ocultisme Experimental; Charles Lancelin; Paris-França. 23. Relationship of a Geo-Magnetic Environment to Herman Biology; Robert Becker; New York State Journal of Medicine, 1963. 24The Reach of the Mind, 1947; J. B. Rhine. 142 funções e «Propriedades tppontions, 1982; Andrew i piõpiio autor. I ? d í I ora Dervy - Livres - Paris, ... Lewis Spence; Editora (In I i I... N Y., 1960. I i l «ulge; Edição: Sociedade de Mu, IÍ . i. h der Toten (Imagem do Reino Dou (M.MIMM i Molhe; Knan - Munique, 1987. IC lllitl •. H. i. IH L.Mmiiiikation (Transcomu- iii. ii^iu IIIIMIIIM Mini) i mesl Senkoshi; R. G. Ficher, ll.lllll.Mi l'»M" í I Novflilmtl l "«i« lopédla Delta Larousse; Editora Delta S \ !2 História «li l*in a psicologia; JonAzpúrua; Ediciones IMA Carni ns Venezuela / Carlos Bernardo Loureiro fotografia. 16 Além de possuírem um duplo, as plantas, conforme pesquisas pioneiras do norte-americano Cleve Backster com o polígrafo, são dotadas de percepção, que será, grosso modo, um sistema sensorial cujo mecanismo, acreditamos, se encontra, enigmaticamente, nas funções de seu duplo, princípio revelado por André Luiz. Mais esclarecimentos sobre o assunto podem ser encontrados na nossa obra O Túnel e a Luz. 140 Sugestões para Leitura 1. Ação à Distância dos Moribundos, 1872; Maximiliano Perty; Edição do próprio pesquisador 2. Animismo ou Espiritismo?; Ernesto Bozzano; 1-edição; Editora FEB. 3. Animismo e Espiritismo; Alexandre Aksakof; 2-edição; Editora FEB. 4. Bases Científicas do Espiritismo; Epes Sargent; 3â edição, Editora FEB. 5. A Ciência do Espírito; Henrique Rodrigues; lã edição; Casa Editora "O Clarim". 5. a) A Crise da Morte; Ernesto Bozzano; Editora FEB. 6. O Dinamismo Ascencional; Gustave Mercier; Paris, 1960. 7. Dos Raps à Comunicação Instrumental; Carlos Bernardo Loureiro; Ia Edição; Editora Eldona Sovieto. 8. Encontro com a Cultura Espírita; "Biologia e Espiritismo" (Forças Espirituais); Jorge Andréa; Editora "O Clarim". 9. O Espiritismo à Luz da Crítica; Deolindo Amorim; \- edição; Edição da Federação Espírita do Paraná. 10. Espiritismo Dialético; Manuel Porteiro S.; I- edição; Editora Victor Hugo; Buenos Aires - Argentina. 11. Espiritismo e Psiquismo; Alberto de Souza Rocha; 141 Carlos Bernardo Loureiro 1- edição; Edições Correio Fraterno do ABC. 12. O Espiritismo Perante a Ciência; Gabriel Delanne; 2- edição; Editora FEB. 13. Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro; Sheila Ostrande; Lynn Schroeder; Cultrix - Pensamento 14. Hipnotismo e Mediunidade; Cézar Lombroso; 3- edição; Editora FEB. 15. O Homem e a Evolução; Albert Vendei; Toulouse - França, 1959. 15. a) O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Céu e o Inferno; Allan Kardec; Editora FEB - Rio de Janeiro - RJ. 16. No Invisível; Léon Denis; 5â edição; Editora FEB. 17. Pensamento e Vontade; Ernesto Bozzano; 4â edição; Editora FEB. 18. O Problema do Além e do Destino; Alberto Seabra; 3â edição; Editora Pensamento. 19. Provas Científicas da Sobrevivência; J. K. Friedrich Zõllner; ls edição; Edicel - SP. 20. O Ser Subconsciente; Gustave Geley; lâ edição; Editora FEB. 21. O Túnel e a Luz; Carlos Bernardo Loureiro; lâ edição; Editora Mnêmio Túlio; São Paulo - SP. 22. L'Ocultisme Experimental; Charles Lancelin; Paris-França. 23.Relationship of a Geo-Magnetic Environment to Herman Biology; Robert Becker; New York State Jour nal of Medicine, 1963. 142 24.The Reach of the Mind, 1947; J. B. Rhine. Perispírito –Natureza , Funções e Propriedades 25. Haustings and Appantions, 1982; AIKIHW Mackenzie; Edição do próprio autor. 26. La Science de 1'âme; Editora Dervy - Livres - Paris, 1973. 27. Encyclopedia of ocultism; Lewis Spence; Editora da University Books; Inc. N. Y, 1960. 28. Raymond; Sir Oliver Lodge; Edição: Sociedade de Metapsíquica, 1939. 29. Bilder aus Dom Reich der Toten (Imagem do Reino dos Mortos); Rainer Holbe; Knan - Munique, 1987. 30. Instrumentelle Transkomunikation (Transcomunicação Intrumental); Ernest Senkoshi; R. G. Ficher, Frankfurt, 1989. 31. Novíssima Enciclopédia Delta Larousse; Editora Delta S. A. 32. História da Parapsicologia; Jon Azpúrua; Ediciones CIMA - Caracas - Venezuela 143 /.




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