Cyanobacteria



Baixar 1,01 Mb.
Página8/8
Encontro25.12.2018
Tamanho1,01 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8

Cylindrospermopsis raciborskii com detalhe para o acineto




Anabaena e Microcystis – cianobactérias com vacúolos gasosos e mucilagem. Lâmina montada com tinta nanquim para evidenciar a bainha mucilaginosa (partes brancas).

As cianobactérias existem há 3 bilhões de anos na Terra. A evidência fóssil são os estromatólitos (Pré-Cambriano), que são formações calcáreas (CaCO3) dispostas em camadas, tendo como componente principal as cianobactérias. Possivelmente são responsáveis pelo acúmulo de O2 na atmosfera primitiva (ozônio - O3).

Os ambientes lacustres rasos são os habitats mais apropriados para o crescimento das cianobactérias, sendo que a maioria encontra-se em águas neutroalcalinas (pH de 6,0 a 9,0), em temperaturas entre 15 e 300C e com elevadas concentrações de nutrientes, particularmente, o nitrogênio e o fósforo. Em função das características fisiológicas, morfológicas e ecológicas, as cianobactérias apresentam grande capacidade adaptativa as condições luminosas, a turbulência e a quantidade de nutrientes (MISCHKE, 2003).
CIANOBACTÉRIAS X CIANOTOXINAS

Vários gêneros e espécies de cianobactérias que formam florações produzem toxinas (cianotoxinas). Ainda não se conhece exatamente as causas da produção das cianotoxinas, mas sugere-se que desempenhem funções protetoras contra herbivoria (CARMICHAEL, 1992).

A exposição humana a cianotoxinas pode ocorrer através de contato dermal, inalação, ingestão oral, intravenosa e bioacumulação na cadeia alimentar. As toxinas podem ser agrupadas segundo sua origem e forma de dispersão no ambiente em endotoxinas e exotoxinas. As endotoxinas são constituintes da parede celular de bactérias e cianobactérias e são liberadas para a água quando as células morrem e entram em senescência. Sua composição é de polissacarídeos e lipídeos e são consideradas toxinas fracas. As exotoxinas são proteínas (polipeptideos), específica e possui grande ação tóxica. As duas toxinas podem ser fatais em doses elevadas (CALIJURI & SANTOS, 1996).

Segundo a estrutura química as cianotoxinas podem ser reunidas em três classes: peptídeos cíclicos, alcalóides e lipopolisacarídeos (ANDERSON, 1997). Os principais grupos de cianotoxinas, em função da ação farmacológica são: neurotoxinas e hepatotoxinas e dermotoxinas. As neurotoxinas são produzidas por espécies e cepas dos gêneros: Anabaena, Aphanizomenon, Lyngbya, Oscillatoria, Trichodesmium e Cylindrospermopsis. Os tipos de neurotoxinas produzidas por esses gêneros são: anatoxina-a, anatoxina-a (s), saxitoxinas (SXT), neosaxitoxinas (Neo-STX) e homoanatoxina-a (AZEVEDO & VASCONCELOS, 2006). Os sinais de envenenamento são: desequilíbrio, fasciculação, respiração ofegante e convulsões. As hepatoxinas agem diretamente no fígado e constituem-se no tipo mais comum de intoxicação por cianobactérias. Apresenta ação relativamente lenta e a morte é causada através de hemorragia e choque hipovolêmico (aumento do fígado). Os sinais de ingestão são: prostração, anorexia, vômitos, dor abdominal e diarréia. Os gêneros produtores são: Microcystis, Anabaena, Nodularia, Oscillatoria, Nostoc e Cylindrospemopsis. As dermotoxinas são toxinas irritantes de contato, produzindo dermatites e são produzidas pelos gêneros: Lyngbya, Nodularia, Anabaena, Aphanizomenon, Oscillatoria, Gloetrichia e Shizothrix (AZEVEDO & VASCONCELOS, 2006).



As florações de algas em reservatórios com acelerado processo de eutrofização, produzem em suas águas aspecto desagradável, aumento da turbidez, sabor e odor da água alterado. Nesses casos, também há a possibilidade de produção de toxinas, devido à existência de linhagens de algumas espécies de cianobactérias, responsáveis pela sua produção. Além disso, a presença de florações pode causar a mortandade de peixes, tanto devido à deficiência de oxigênio que se instala após a floração como devido à presença de toxinas (BEYRUTH, 1996). A possibilidade de liberar toxinas na água, pode causar um sério risco aos sistemas de abastecimento de água se as ETAs não estiverem preparadas para inativá-las e removê-las (DI BERNARDO et al., 2002). Dessa forma, os reservatórios de água utilizados para abastecimento público, que estão sujeitos ao aparecimento de florações de cianobactérias, precisam ser cuidadosamente monitorados, a fim de evitar os riscos potenciais adversos à saúde humana. Várias toxinas de cianobactérias não podem ser retiradas através do processo de tratamento convencional realizado pelas empresas de saneamento (AZEVEDO & VASCONCELOS, 2006). Atualmente, a densidade do fitoplâncton particularmente de cianobactérias, constitui-se no principal problema em relação ao tratamento da água destinada ao abastecimento público e conseqüentemente a saúde pública.
Referências
AZEVEDO, S. M. F. O. & VASCONCELOS, V. Toxinas de cianobactérias: causas e conseqüências para a saúde pública. In: ZAGATTO, P. A. & BERTOLETTI, E. (Ed.). Ecotoxicologia aquática: Príncipios e Aplicações: Ed. Rima, 2006. p.433-452
BEYRUTH, Z. Comunidade fitoplanctônica da represa Guarapiranga: 1991-92 - Aspectos ecológicos, sanitários e subsídios para reabilitação da qualidade ambiental. (Tese de Doutorado). Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. 191 p.
CALIJURI, M. C. & SANTOS, A. C. A. D. Short-term changes in the Barra Bonita reservoir (Sao Paulo, Brazil): emphasis on the phytoplankton communities. Hydrobiologia, v. 330, p.163-175. 1996.
CARMICHAEL, W. W. Cyanobacteria secondary metabolites - The Cyanotoxins. Journal Applie of Bacteriology, v.72, p.445-459. 1992.
DI BERNARDO, L., DI BERNARDO, A. & CENTURIONE-FILHO, P. L. Ensaios de tratabilidade de água e dos resíduos gerados em estações de tratamento de água: Ed. Rima. 2002. 237 p.
MISCHKE, U. Cyanobacteria associations in shallow polytrophic lakes: influence of environmental factors. Acta Oecologica, v.24, p.511-523. 2003.
VAN DEN HOEK, C., MANN, D. G. & JAHNS, H. M. Algae - An introduction to phycology: Cambrigde University Press. 1997. 627 p.



1   2   3   4   5   6   7   8


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal