Curso de letras jane cleide alves da silva



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FACULDADE ARNALDO HORÁCIO FERREIRA

CURSO DE LETRAS

JANE CLEIDE ALVES DA SILVA

ANÁLISE DE OBRAS LITERÁRIAS

Luis Eduardo Magalhães

2009

JANE CLEIDE ALVES DA SILVA



ANÁLISE DE OBRAS LITERÁRIAS

Análise entregue ao quarto semestre do curso de Letras da FAAHF (Faculdade Arnaldo Horácio Ferreira) como avaliação parcial para o segundo semestre de 2009.

.

Orientador (a): Prof. Esp. Denise Zimmer



Luis Eduardo Magalhães

2009


SUMÁRIO
Introdução......................................................................................................................2

2. Contexto histórico Romantismo...............................................................................3

3. Prosa romântica.........................................................................................................4

4. Lucíola........................................................................................................................5

4.1 Enredo......................................................................................................................5

4.2 Clímax......................................................................................................................7

4.3 Desfecho...................................................................................................................7

4.4 Personagens.............................................................................................................8

4.5 Tempo.....................................................................................................................10

4.6 Espaço.....................................................................................................................10

4.7 Narrador.................................................................................................................10

4.8 Características do período na obra......................................................................11

5. Sobre o autor: José de Alencar...............................................................................11

6. Dama das Camélias..................................................................................................15

6.1 Enredo.....................................................................................................................15

6.2 Clímax......................................................................................................................16

6.3 Desfecho...................................................................................................................17

6.4 Tempo.......................................................................................................................17

6.5 Espaço.......................................................................................................................17

6.6 Personagens..............................................................................................................17

6.7 Narrador...................................................................................................................18

6.8 Características do período na obra........................................................................18

7. Sobre o autor: Alexandre Dumas Filho...................................................................19

8. As asas de um anjo.................................................................................................... 20

8.1 Enredo.......................................................................................................................20

8.2 Clímax.......................................................................................................................22

8.3 Desfecho....................................................................................................................22

8.4 Tempo.......................................................................................................................22

8.5 Espaço.......................................................................................................................22

8.6 Narrador...................................................................................................................23

8.7 Personagens..............................................................................................................23

8.8 Características do período na obra........................................................................24

9. Análise comparativa entre as três obras e considerações finais............................25



  1. INTRODUÇÃO

A seguinte análise é baseada nas obras literárias românticas, Lucíola, A dama das camélias e As asas de um anjo. Obras que relatam histórias de cortesãs e seus grandes amores, embora tenham muitas características em comum, também são dotadas de pontos incomuns entre elas.


Pode-se perceber que os três enredos aqui relatados sucintamente têm enredos diferentes e desfechos também diferentes, embora características bem marcantes em cada uma delas que as une, uma obra poderá sempre lembrar a outra.

A seguir pode-se observar o contexto histórico do Romantismo e as características deste em cada obra analisada. E também o enredo e todos os elementos das narrativas apresentadas.


É importante ressaltar que, por haver uma grande ligação entre essas obras, será apresentada ao final do trabalho uma análise comparativa entre as três obras.


  1. CONTEXTO HISTÓRICO ROMANTISMO

A partir da Revolução Industrial do século XVIII, a burguesia, na Europa, vai ocupando e ideológico maior. . As idéias do Liberalismo incentivam a busca da realização individual. Nas últimas décadas do século, esse processo levou ao surgimento, na Inglaterra e na Alemanha, de autores que caminhavam num sentido contrário ao da racionalidade clássica e da valorização do campo , conforme normas da arte vigente até então . Esses autores tendiam a enfatizar o nacionalismo e identificavam-se com a sentimentalidade popular. Essas idéias foram o germe do que se denominou ROMANTISMO.

Tais atitudes e outras conseqüentes delas foram se consolidando e, ao chegarem à França, receberam um vigoroso impulso graças à Revolução Francesa de 1789. Afinal, essas tendências literárias individualistas identificavam-se amplamente com os princípios revolucionários franceses de derrubada do Absolutismo e ascensão da burguesia ao poder , através de uma aliança com camadas populares . A partir daí, o ideário romântico espalhou-se por todo o mundo ocidental, levando consigo o caráter de agitação e transgressão que acompanhava os ideais revolucionários franceses que atemorizavam as aristocracias européias. A desilusão com esses ideais lançaria muitos românticos em uma situação de marginalidade em relação à própria burguesia. Mesmo assim, devemos associar a ascensão burguesa à ascensão do Romantismo na Europa.

Em Portugal, os ideais desse novo estilo encontram, a exemplo do que ocorrera na França, um ambiente adequado ao seu teor revolucionário. Opunham-se naquele país duas forças políticas: os monarquistas, que pretendiam a manutenção do regime vigente, depois da expulsão das tropas napoleônicas que tinham invadido o país em 1806, e os liberais, que pretendiam sepultar de vez a Monarquia. A Revolução Constitucionalista do Porto (1820) representou um marco na luta liberal, mas os monarquistas conseguiram manter o poder durante todo o período, marcando com perseguições as biografias de muitos escritores daquele país, quase sempre adeptos do Liberalismo.

O Brasil, no início do século XIX, foi palco de várias transformações que contribuíram de forma decisiva para a formação de uma verdadeira identidade nacional e, conseqüentemente, características de uma literatura mais brasileira.
Contexto sócio-político da época (início do Romantismo no Brasil):


  • 1808 - chegada ao Brasil de D. João VI e da família Real.

  • 1808/1821 - abertura dos portos às nações amigas; instalações de bibliotecas e escolas de nível superior; início da atividade editorial.

  • 1822 - Proclamação da Independência. A partir daí nasce o desejo de uma literatura autenticamente brasileira.

  • 1831 - abdicação de D. Pedro I e início do Período de Regência, que vai até 1840 (maioridade de D. Pedro II); fundação da Companhia Dramática Nacional; início da Guerra do Paraguai até 1840).

3- A PROSA ROMÂNTICA

O primeiro romance brasileiro em folhetim foi "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844. O romance brasileiro caracteriza-se por ser uma "adaptação" do romance europeu, conservando a estrutura folhetinesca européia, com início, meio e fim seguindo a ordem cronológica dos fatos.

O Romance brasileiro poderia ser dividido em duas fases: Antes de José de Alencar e Pós-José de Alencar, pois antes desse importante autor as narrativas eram basicamente urbanas, ambientadas no Rio de Janeiro, e apresentavam uma visão muito superficial dos hábitos e comportamentos da sociedade burguesa.

E com José de Alencar surgiram novos estilos de prosa romântica como os romances regionalistas, históricos e indianistas e o romance passou a ser mais crítico e realista. Os romances brasileiros fizeram muito sucesso em sua época já que uniam o útil ao agradável: A estrutura típica do romance europeu, ambientada nos cenários facilmente identificáveis pelo leitor brasileiro(cafés, teatros, ruas de cidades como o Rio de Janeiro).

O sucesso também se deve ao fato de que os romances eram feitos para a classe burguesa, ressaltando o luxo e a pompa da vida social burguesa e ocultando a hipocrisia dos costumes burgueses. Por isso pode-se dizer que, no geral, o romance brasileiro era urbano, superficial, folhetinesco e burguês. Dentre os vários romancistas românticos brasileiros, merecem destaque:

4- LUCÍOLA


    1. ENREDO

Paulo Silva, conta a história de seu relacionamento com uma cortesã, através de cartas destinadas a Sra. G.M, que posteriormente organizaria em livro e faria publicar sob o título de Lucíola.

Em 1855, recém-chegado no Rio de Janeiro, com cerca de 25 anos, Paulo foi junto com um amigo, o Sr. Sá, à Festa da Glória. Quando foi atraído por uma bela e jovem mulher.

Lúcia era essa mulher, que para Paulo, parecia uma jovem dotada de pureza e inocência, mas por ela se apaixonou. Mesmo sabendo ser ela uma cortesã, ele continuou a idealizá-la, até nas visitas que lhe fez a seguir, francamente inocentes e cordiais. Só algum tempo depois é que se tornaram amantes.

Cada vez mais prendia-se a ela por um amor apaixonado que ultrapassava a simples satisfação do sexo. Não a queria como uma molher famosa e sensual pelos requintes do amor, mas quanto mais o tempo passava, mais ele sentia o quanto a amava de todo os coração, e que ela o amava também.

Ao se envolver nesse amor, Lucia afasta-se de tudo, de toda a sua vida de prostituição por amor a ele e busca por purificação de sua alma. Mas, nem logo brigaram, e ela voltou à vida antiga. Nessas alternativas de brigas e reconciliações, de ciúmes e de arrependimento, chegaram à confissão de suas vidas e à aceitação do amor com que se queriam.

E Lúcia contou-lhe a sua história, declarando para sempre morta a mulher que fora até então; sua família viera morar na Corte e viviam dignamente, até que a epidemia de febre amarela de 1850 atacou todos de sua casa.

Somente ela foi poupada, vendo-se obrigada a cuidar dos familiares. Assim foi que, por necessidade, entregou o seu corpo a um ricaço de nome Couto, em troca de ajuda e apoio. Morreram-lhe a mãe, a tia e dois irmãos; o pai, ao descobrir que ela recebera dinheiro de um homem em paga de sua honra, expulsou-a de casa. Depois disso, o que lhe restava era a prostituição. Na sua nova vida, então , mudou de nome, pois se chamava realmente Maria da Glória, em devoção a sua madrinha Nossa Senhora da Glória. E explicou que o nome “Lúcia”, que ele conhecia, era o nome de uma amiga sua que também havia morrido.

Depois de uma longa viagem que fizera à Europa em companhia de um amante, de volta ao Rio só encontrou de sua família uma irmãzinha chamada Ana, a quem tomou sob sua proteção e a pôs num colégio.

Após tal confissão, de que resultou um perfeito entendimento entre os dois, Lúcia vendeu seus bens luxuosos e foi morar num casa bem simples e num local bem mais tranquio, com sua irmãzinha. Afastou-se da vida mundana para receber apenas a visita de Paulo. No ambiente bucólico daquele bairro viveram mais felizes, saudáveis e tranquilos. E nessa busca da inocência perdida, ela até se recusava, periodicamente a ser de novo sua amante.

Só que neste período já estava grávida de Paulo e parece que já sofria de algum tipo de enfermidade. A alegria que eles viviam durou pouco. Lúcia sofreu um aborto e, ante a recusa de tomar remédio para expelir o feto sem vida, faleceu de infecção, confessando a Paulo que o amava perdidamente desde o primeiro encontro. Pediu-lhe que se casasse com sua irmãnzinha e a fizesse feliz e a amasse, como se fosse a prórpia Lúcia. Mas com a negação de Paulo suplicou que cuidasse dela e a protegesse até que se casasse. Então morreu dizendo-se sua noiva eterna.

Lucíola é um romance urbano, em que Alencar transforma a cortesã em heroína, esta purifica sua alma com o amor de Paulo. Ela não se permite amar, por seu corpo ser sujo e vergonhoso, e ao fim da vida, quando admite seu amor, declara-se pertencente a Paulo. É a submissão do amor romântico, onde a castidade valorizada. Percebe-se também uma crítica social e moral ao preconceito. O romance causou comentários na sociedade. Paulo se viu dividido entre o amor e o preconceito. A atração física superou essa barreira, mas até o final ela se sentia indigna do amor de Paulo e do sentimento de igualdade que deveria existir entre os amantes.


    1. CLÍMAX

O clímax da história acontece quando Lúcia descobre que está grávida e logo depois que seu filho morreu dentro dela. Aí ela diz que morrerá com seu filho e lhe servirá de túmulo. Fala que sempre o amou, desde o primeiro momento e que será sua eterna noiva.

4.3- DESFECHO

O desfecho da história acontece quando Lúcia morre, fazendo um pedido a Paulo: que ele cuide de Ana, como se fosse sua filha.

A partir desse momento, Lúcia falece, e Paulo começa a cuidar de Ana, irmã de Lúcia. Seis anos depois ela se casa e ele continua recordando-se com melancolia daquele amor que transformou Lúcia e que marcou a vida dele.

Em Lucíola, o triunfo do amor não foi na linha do final feliz. Lúcia passou por um processo de transformação, ou renascimento, que fez desabrochar a adolescente pura e ingênua que fora um dia, ao mesmo tempo que foi eliminando a cortesã impura. E a protagonista alcança, portanto, a purificação através do amor espiritual, que não pode ser contaminado e profanado pela mais leve sombra de desejo físico. É a vitória do amor, numa outra perspectiva. É a temática central do romance: o amor como força regeneradora.



4.4- PERSONAGENS

Paulo Silva: Jovem e igênuo. Tem comportamente socialmente não aprovado. Não suficientemente rico para bancar os requintes luxuosos de Lúcia, a mais bela e requisitada cortesã do Rio de Janeiro. Vive uma história de amor com Lúcia, que retrata um amor idealizado, típico do romantismo.

É o narrador da história e como tal faz desviar a atenção do leitor para Lúcia e outros aspectos, não revelando certas informações suas. Os detalhes físicos, por exemplo. Apesar de se declarar pobre e até se vexar por isso, vive byronicamente, de sonhos, de amor.



Ao traçar o perfil de Lúcia, ele acaba por traçar também o seu: espírito observador e sensível, sendo o único, de tantos homens, a compreender o estranho temperamento de Lúcia.

Lúcia (Maria da Glória): cortesã mais bela e depravada do Rio de Janeiro. Mas, a prostituição era-lhe um tormento constante, já que não se entregava totalmente a ela. Coexistem nela duas pessoas: Maria da Glória, a menina inocente e simples, e Lúcia, a cortesã sedutora e caprichosa.

Lúcia, mulher, depravação, luxúria, sentimento de culpa, prostituição, caprichosa, excêntrica, rejeita o amor, demônio. 

Maria da Glória, menina, pureza, ingenuidade, dignidade, inocência, simples,  meiga, tende para o amor, anjo, fazendo alusão a Maria mãe de Jesus.

Dr. Sá e Cunha: Amigos de Paulo, sendo aquele desde a infância. Encarnam a moral burguesa e suas máscaras: austera com os outros, benigna consigo. Não possuem personalidade bem delineada no livro. Ambos vêem em Lúcia apenas a prostituta mais bela e depravada do Rio de Janeiro.

Couto e Rochinha - O primeiro é um velho dado a jovem galante. Encarna a obsessão sexual e a velhice. Representa a sociedade que explora e corrompe. Foi quem aproveitou a necessidade e inocência de Lúcia, quando tinha 14 anos. O segundo é um jovem de 17 anos, tez amarrotada, profundas olheiras, velho prematuro. Libertino precoce. Eles são apresentados no romance desta forma: "O contraste do vício que apresentavam aqueles dois indivíduos: o velho galanteador, fazendo-se criança com receio de que o supusessem caduco; e o moço devasso, esforçando-se por parecer decrépito, para que não o tratassem de menino; essa antítese vivia devia oferece ao espectador cenas grotescas."


Ana: É a irmã de Lúcia, que a fez educar num colégio até os doze anos como se fosse sua filha. "Era o retrato de Lúcia, com a única diferença de ter uns longos e de louro cinzento nos cabelos anelados. Ana já conhecia a irmã e a amava ignorando os laços de sangue que existiam entre ambas. Ana passou a morar com a irmã, logo após esta ter comprado uma simples casinha, num ambiente bucólico e calmo. Desejando assim que vivessem como uma família feliz.

    1. TEMPO

Como tempo narrativo, ele é eminentemente "cronológico". Ou seja, em Lucíola os acontecimentos se sucedem numa ordem quase normal, com  uma seqüência natural de horas, dias, meses, anos. Mas existe um momento em que a narrativa volta ao passado: quando Lúcia conta sua história a Paulo. E em dois momentos ele avança: o capítulo I e o finalzinho do último revelam o estado de alma de Paulo seis anos após a morte de sua querida Lúcia: "Terminei ontem este manuscrito, que lhe envio ainda úmido de minhas lágrimas. (...) Há seis anos que ela me deixou; mas eu recebi a sua alma, que me acompanhará eternamente."

1855- Foi a primeira vez que Paulo veio ao Rio de Janeiro, e começa a narrar sua história com todos os acontecimentos da época de D. Pedro II.



4.6- ESPAÇO

Como fica bem claro, o enredo acontece no Rio de Janeiro. Há também referências de seus bairros (Santa Teresa), ruas (das Mangueiras), população, festas (a da Glória), teatros, etc.



    1. NARRADOR

O narrador do romance é narrador-personagem. Trata-se de um romance de "primeira pessoa", ou seja, o narrador da história é um personagem importante da mesma, Paulo Silva. Sendo também o protagonista da história, que trabalha o gosto pelas descrições, o individualismo, a idealização do amor, e mais algumas características românticas citadas posteriormente.

4.8- CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO NA OBRA

Em Lucíola, são perceptíveis várias características do período literário vigente: O Romantismo. Algumas delas serão aqui citadas.



  • Subjetivismo, em que tudo gira em torno do “eu”, do sentimentalismo;

  • Exaltação do amor. Em Lucíola, a temática central está exatamente na exaltação do amor como força purificadora, capaz de transformar uma prostituta numa amante sincera e fiel;

  • Amor e morte, pois Lúcia está continuamente se queixando de uma doença que pode levá-la a morte e no desfecho acaba levando mesmo. "Ainda quando soubesse que morreria nos seus braços... Que morte mais doce podia eu desejar!"  "... desejava que fosse possível morrermos assim um no outro... uma só vida extinguindo-se num só corpo!".

    Entre outras que permeiam esse romance Urbano.



5- SOBRE O AUTOR- JOSÉ DE ALENCAR

José Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana, estado do Ceará em 1º de maio de 1829. Seu pai era um senador empolgado pela causa pública. Sua mãe era conhecida pela alta dose de tolerância, persistência, abnegação. José de Alencar atribuía a ela o haver desenvolvido imaginação e capacidade para o sonho.

Estudante sério, dedicado, ausente das aventuras e noitadas, José de Alencar era um leitor de largo fôlego e assídua freqüência aos livros.

Aos 17 anos, matriculou-se no curso de Direito na Faculdade Paulistana onde passou quatro anos. Regressando ao norte, ingressou na Faculdade de Olinda, Pernambuco. Nesta ocasião, visitou sua terra natal passando onde ficou por dois meses. O contato com aquela realidade, o ar do sertão, as histórias e a gente do lugar são determinantes para que surja aquele que nascera para ser escritor.

Por motivo de uma enfermidade, teve de retornar à São Paulo onde concluiu seus estudos e tornou-se advogado. O trato das leis era sua profissão, o cultivo das letras a sua obsessão e vereda para a glória.

Aproximou-se dos jornais e logo se tornou um destacado jornalista abrindo as comportas de tudo quanto armazenara de capacidade e de criação em vários anos. Conquistou prestígio chegando a ser diretor do jornal onde teve a oportunidade de revelar-se romancista publicando em folhetins os romances “Cinco Minutos”, parte de “Viuvinha” e “O Guarani”.

Em diferentes etapas, fez-se professor de direito mercantil, diretor de seção da Secretaria da Justiça e consultor do mesmo Ministério.

Foi um homem que prezava a vida familiar estável. Era tímido e avesso ao mundanismo da corte. Em nenhuma fase da sua carreira foi um homem comunicativo, sociável. Soube lutar quando necessário sem que jamais alguém o conseguisse calar. Romântico sem sociabilidade, nunca quis figurar nas festas e reuniões literárias bem como se negou a colaborar com revistas e anuários.

Ingressou na política onde experimentou as amarguras da perda da simpatia popular.

De súbito, uma palidez no rosto é diagnosticada como Tuberculose pulmonar e o remédio indicado é uma viagem à sua terra natal.

Entrega-se por inteiro à literatura. Nela, é considerado o precursor do romantismo no Brasil dentro de quatro características: indianista, psicológico, regional e histórico. José de Alencar utilizou como tema o índio e o sertão do Brasil. Em suas obras, valorizou a língua falada no Brasil, a despeito de escritores da época que usavam a língua de Portugal. Escreveu obras de estilos variados e criou romances que abordam o cotidiano. Algumas de suas obras destacadas são:

Indianistas: Ubirajara, Iracema, O Guarani.
Psicológicos: Diva, Lucíola, Senhora, A Viuvinha.
Regionalistas: O Sertanejo, O Tronco do Ipê, O Gaúcho, Til.
Históricos: As Minas de Prata, A guerra dos Mascates.

Fez algumas viagens pela Europa. De volta ao Brasil, falece ao lado da esposa e filhos em 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos.

Suas obras são clássicos muito lidos atualmente. Tamanho valor da literatura Alencariana pode ser comprovado pelo sucesso de telenovelas baseadas em suas obras. Mais recentemente, em 2005, a Rede Record de Televisão exibiu a novela “Essas Mulheres,” baseada nos romances ‘Lucíola’, ‘Diva’ e ‘Senhora’, de José de Alencar.

José de Alencar ocupa a posição de patrono da cadeira 23 na Academia Brasileira de Letras.

José de Alencar foi o maior autor da prosa romântica no Brasil, principalmente dos romances indianistas e urbanos. Tentando estabelecer uma linguagem do Brasil, Alencar consolidou a modalidade no país e lançou clássicos como “O Guarani” e “Senhora.

em seus romances urbanos, José de Alencar faz críticas à sociedade carioca (em especial) onde cresceu, levantando os aspectos negativos e os costumes burgueses. Nestas obras, há a predominância dos personagens da alta sociedade, com a presença marcante da figura feminina. Os pobres ou escravos são reduzidos ou quase não têm papel relevante nos enredos.

Assim é a premissa básica de histórias de Alencar como “Lucíola”, “Diva” e, claro, “Senhora”. As intrigas de amor, desigualdades econômicas e o final feliz com a vitória do amor (que tudo apaga), marcam essas obras, que se tornaram clássicos da literatura brasileira e colocaram José de Alencar no hall dos maiores romancistas da história do Brasil.
José de Alencar, o Patriarca do Romantismo brasileiro

José de Alencar é considerado o patriarca da literatura brasileira. Inaugurou novos estilos românticos e consolidou o romantismo no Brasil desenhando o retrato cultural brasileiro de forma completa e abrangente. E devido a essa visão ampla do cenário brasileiro, sua obra iniciaria um período de transição entre Romantismo e Realismo. Suas narrativas apresentam um desenvolvimento dos conflitos femininos da mulher burguesa do século XIX, já que seus romances a tinha como público alvo.



A Importância da Obra de José de Alencar

Considerado o mais importante escritor do Romantismo brasileiro, é ele quem consegue expressar o perfeito retrato da cultura brasileira, explorando novas vertentes da produção literária, criando e abrindo caminhos para a criação de uma literatura brasileira original, ampla e de boa qualidade. E por isso foi o autor que mais se aproximou do objetivo da escola romântica, mesclando a idealização e o sonho com um realismo sutil, valorizando os elementos naturais da cultura brasileira e o índio como figura-mãe da original cultura brasileira. Suas obras foram capazes de inspirar nos burgueses o gosto pela leitura nacional e também, de inspirar diversos autores a seguir caminhos por ele traçados, concretizando assim seu projeto nacionalista de revelar o Brasil num geral.



6- DAMA DAS CAMÉLIAS

6.1- ENREDO

Esta narrativa retrata a vida de uma refinada prostituta de luxo, sustentada por membros da burguesia ascendente, que orgulhosamente ostentavam suas amantes, como objetos que complementavam suas propriedades.

Marguerite Gautier é essa cortesã de gênio forte e decidida que acaba se apaixonando por Armand. Antes disso eles havia se conhecido numa situação não muito agradável.

Mas num certo dia em que Armand e seu amigo Gastón vão a casa de Prudence, vizinha e amiga de Marguerite para saber informações sobre ela. Ela os recebe e os leva a casa de Marguerite. Lá os quatro se divertem bebendo e conversando. Quando a graça é interrompida por uma crise de tosse seguida de cuspes de sangue em Marguerite.

Ela sai correndo para o quarto e Armand a segue. Nesse momento ela descobre que outra vez quando estava de cama, ele, mesmo sem conhecê-la direito, a visitava todos os dias. Coisa que nenhum de seus amantes fazia.

Depois de estarem apaixonados e viverem em verdadeiros momentos de amor. Ela decide-se ir morar no campo, mas ainda não consegue deixar seu antigo amante, o duque, este é o que ainda paga suas dívidas e a sustenta.

Passado algum tempo ela renuncia até o conde, e a todos, arriscando perder tudo que tem só para viver com seu grande amor. Ela resolve de uma vez por todas ser só de Armand e amar somente a ele.

Mas a alegria dos dois dura pouco. O pai de Armand chega em Paris e pede, súplica ao filho que se separe de Marguerite. Dá conselhos e diz que não é bom para ele, que não é aquele futuro que ele quer pro filho dele e que isso faz com que a honra da família seja manchada. Armand não concorda em separar-se de Marguerite, afinal é o seu grande amor.

Mas o pai de Armand não desiste e vai falar com Marguerite. Ele implora que ela se separe de seu filho. Seu argumento é de que sua filha mais nova está prestes a se casar e a família do noivo sabe do relacionamento de Armand com Marguerite e ameaça acabar com tudo. Em nome da honra da família, da felicidade da irmã de Armand ela aceita.

A partir desse momento, Marguerite volta a sua vida de antes e termina tudo com Armand. Este passa a odiá-la sem entender o porque de tudo aquilo estar acontecendo.

Os dois passam a viver muitos tristes. Armand provoca a ainda amada, com outras amantes. Marguerite cada vez mais doente, perdendo seu dinheiro. Já nem tem mais Prudence, que só é amiga enquanto pode lucrar algo com isso.

Ao fim ela só tem uma jovem que cuida dela, Julie. Esta é quem escreve as últimas cartas a respeito de Marguerite, quando já não mais consegue nem escrever.

Marguerite morre sozinha amando e sofrendo por Armand. Este estava longe de Paris durante o sofrimento de Marguerite e quanto leu as cartas que esta lhe mandara já era tarde demais. O desfecho termina com os lamentos de Armand pelo sofrimento que causara a seu grande amor e amando-a mais que nunca.



    1. CLÍMAX

O ponto alto da narrativa é quando o Pai de Armand, o Mr. Durval, consegue conversar com Marguerite e convencê-la de separar-se de seu filho. A partir daí, se desenrola um enredo de tristezas, lamentos, incertezas etc. o casal deixa de ser feliz para viver uma verdadeira tortura amorosa.

    1. DESFECHO

A história finaliza depois do clímax. Quando os dois se separam e já não há mais sonhos para o amor. A única solução encontrada é a morte, para Marguerite

Armand sem entender o motivo da separação, tenta odiar a amada. Mas o que consegue é aumentar o sofrimento dos dois. A rápida morte de Marguerite é dolorosa, principalmente por estar longe do amado e por não conseguir contar-lhe a verdade a tempo.



    1. TEMPO

Século XIX. Todo o enredo não se desenrola em tempo cronológico progressivo. Na verdade, o inicio da obra é como um tempo literal e a drama em si, é contada como uma lembrança do que acontece.

Percebe-se uma volta ao passado, e uma descrição de lembranças dos acontecimentos, principalmente por parte de Armand.



    1. ESPAÇO

O desenrolar do enredo ocorre na França, em Paris. A Rua d’Antin, aparece sempre, pois é casa da heroína Marguerite.Alguns lugares também são citados como: o Opéra Cômica, Champs-Èlysées, Vaudeville etc.

    1. PERSONAGENS

Marguerite- cortesã também conhecida como Dama das Camélias, por gostar muito de camélias. Muito magra, de andar firme, porte esbelto, grandes olhos. Tinha um gênio forte, a mais bela entre as cortesãs. Orgulhosa e independente. Tem dupla personalidade, mas é muito decidida.

Armand- jovem estudante de advocacia. Aparentemente de classe média. Acreditava que em Marguerite poderia realmente haver uma transformação. Calmo e quase tímido. Um tanto abnegado, cuidadoso. Inseguro, ciumento etc.

Gastón- amigo de Armand, de Marguerite e de Prudence. Gostava de tocar piano. Exemplo da vida boemia que os homens daquela época levavam.

Prudence- senhora, antiga cortesã. Amiga confidente e interesseira de Marguerite. Também é conselheira de Marguerite.

Pai de Armand (M. Durval)- homem honesto. Que ama o filho e teme que a honra de sua família se corrompa por causa de uma cortesã.

Nanine: funcionária de Marguerite, mulher de confiança da casa.

    1. NARRADOR

No início do livro o narrador é personagem, é também muito observador. Mas ele conhece Armand e este passa a ser o narrador do enredo, sendo também narrador personagem. Contando ao amigo (primeiro narrador), toda a história central do romance, em que ele também é protagonista. O romance gira em torno dele. A idealização do amor, a figura da morte, os detalhes e outras características românticas, que serão mencionadas logo mais.

    1. CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO NA OBRA

Esse romance possui variadas características do Romantismo. Algumas delas serão enfatizadas:

  • Idealização do amor: na mulher, nos detalhes, no exagero da beleza, busca por um amor puro e intenso, “Até sua magreza era graciosa”;

  • Amor x Morte, a saída para os problemas era a morte. Ansiavam pela morte como a concretização e imortalidade do amor puro e sublime;

  • Mal do século, doença que atingiam muitas pessoas na época (tuberculose), principalmente os jovens boêmios, que bebiam, fumavam, viviam uma vida de prostituições etc;

Evasão do espaço, do tempo. Os protagonistas, principalmente Marguerite, buscavam sair daquele ambiente que não lhes traziam boas lembranças. Preferiam um lugar mais bucólico e calmo. Marguerite na busca pela pureza da alma, buscava as lembranças de sua infância para fugir da sujeira em que se encontrava.

Entre outras características, pode-se observar que a sociedade viva um pessimismo pela vida, e buscava escape na bebida, cigarros, bailes, prostituição, etc.



7- SOBRE O AUTOR- ALEXANDRE DUMAS FILHO

Alexandre Dumas Filho, nasceu em paris no dia 27 de julho de 1824. Filho ilegítimo do escritor Alexandre Dumas, escritor de grandes obras entre elas; Os três mosqueteiros, e de uma negra Haitiana, se tornou um grande escritor que tinha como gênero literário o romance


Quando Alexandre havia 7 anos de idade seu pai o legitimou e retirou das mãos de sua mãe, este caso marcou a vida de Alexandre e ofereceu inspirações para suas obras,onde ele defendia a idéia de que os pais deveriam reconhecer seus filhos e casar com a mãe deles.
No ano de 1844, Alexandre viajou para Saint Germain en Laye para morar com seu pai, nesta cidade conheceu uma cortesa chamada Marie Duplessi, que serviu de espiraçao para a criaçao da obra A Dama das Camelias.
Em 1864, se casa e tem uma filha deste casamento, porem sua esposa morre e ele entao se casa comHeriette Régnier. .
Entre as obras do autor estao; A dama das camelias, O Filho Natural e Atala, ambas peças teatrais.alem de que ao todo sao doze romaces e o restante sao peças.

Admirado por muitos, Em 1874, ele foi admitido na Académie française e em 1894 ele ganhou a Légion d'Honneur.

Já no ano de 1894 recebe de Napoleão Bonaparte uma condecoração honorifica e um ano após, no dia 27 de novembro morre.


  1. AS ASAS DE UM ANJO

È um teatro cômico composto por quatro atos e neles várias cenas. Após algumas apresentações esta peça foi proibida pela polícia.

    1. ENREDO

Essa peça teatral começa em casa de Carolina, e na desconfiança dos pais se esta estaria apaixonada por Luis, e este por ela. Luís deu a Carolina uma fita azul e disse-lhe que lembrava as asas de um anjo.

Helena trama um encontro de Carolina com Ribeiro. Este a ilude e promete-lhe muito amor, riquezas, prazer, luxo e glória. A menina é convencida e foge de casa sonhando com tudo isso.

O tempo passa e ela percebe que tudo era mentira e sente-se infeliz. Depois de dois anos morando com Ribeiro, aceita uma proposta melhor: a de Pinheiro, que tem dinheiro e também está super apaixonado por ela.

Carolina deixa Ribeiro para ficar com Pinheiro. Mas já tem uma filha com Ribeiro.

Passado mais algum tempo, Pinheiro chega à falência por causa de Carolina, e esta enriquece às suas custas e o humilha quando este lhe pede uma quantia pequena, que era de uma parenta sua.

Carolina passa por várias humilhações, com seu pai na frente da sociedade. Também Luís expõe sua vida e vergonha na frente dos homens que a idealizam. E esta mulher sofre, mas não quer voltar atrás. Prefere ser odiada pela sociedade sabendo que nunca será mais aceita por ela.

Depois de estar já novamente sozinha, ela fica doente. Helena cuida dela. Vieirinha, amante de Helena que se vende a quem pagar melhor, rouba de Carolina suas jóias e a leva a falência.

Na mesma caixinha que ela guardava suas jóias, guardava também sua alma. E sonhava um dia deixá-la livre sem precisar viver mais a vida que vive. Sonha em soltar sua alma que é pura.

Em muitas cenas, Luís conversa com ela e busca reabilitá-la e convencê-la a voltar à sua casa, à sua família. Mas ela se julga desprezível e diz que não merece o perdão da família e que nunca será vista com os mesmos olhos.

Mesmo com a visita implorante de sua mãe doente para que ela volta, ela recusa. Vendo seu pai bêbado como se esquecesse de sua filha. Vê-se já sem família, sem ninguém no mundo capaz de amá-la.

Chega um momento em que Carolina vai ficar com sua mãe. E depois de algum tempo Luís consegue algo que para ela parecia algo impossível: a volta e o perdão de seu pai.

A família novamente reunida. Luís também consegue que Ribeiro deixe sua filha com a mãe, Carolina. E a família está completa.

Só falta uma coisa: a restituição daquela bela moça na vida sociável. Com isso, Luís propõe o casamento com Carolina, para que esta tenha um nome de respeito e seja vista com bons olhos.

Depois de uma hesitação de Carolina e insistência de Luís ela aceita. E casam ali mesmo, já estando o altar preparado. Eles recebem a benção de Antonio. Afinal os dois sempre se amaram. Sendo Luís o grande herói que reúne novamente a família, e nunca desiste da amada. Um lindo exemplo de amor abnegado e de conversão de Carolina.



    1. CLÍMAX

O ponto alto dessa peça é quando a família se restabelece. Voltando o pai de Carolina para casa. E esta consegue o perdão e aconchego da família. E definitivamente o de Luís.

    1. DESFECHO

O desfecho da trama é quando acontece a volta da filhinha de Carolina e esta se casa com Luís. Certa de que o sacrifico que ele faz e fez por ela vale apena.

Luís devolve-lhe as fitas azuis dizendo: “são o emblema de tua vida, história da minha. São as asas de um anjo que as perdeu outrora, e a quem Deus as restituiu neste momento”.



Mostrando então que o amor venceu. O puro amor venceu os obstáculos da descriminação, da corrupção, da impureza etc.

    1. TEMPO

O tempo é cronológico e a trama é levada em cena no ano de 1858.

    1. ESPAÇO

A cena é no Rio de Janeiro.

    1. NARRADOR

O gênero a obra é em teatro por isso não tem narrador.

    1. PERSONAGENS

Carolina: linda jovem. De menina costureira passa a ser negociante do amor e do prazer. Que perdeu sua inocência pela avareza, por riquezas, busca de luxo e de amores depravados. Pessimista.

Luís: primo de Carolina. Jovem honesto, homem de bem. Sempre amou Carolina e tinha esperanças que esta se reabilitasse. Aquele que nunca agiu por interesse e que sempre buscava mostrar a ela o caminho correto e que ainda existe esperança para o seu caso.

Margarida: mãe de Carolina, costureira.

Antonio: pai de Carolina, que depois de sua fuga torna-se alcoólatra.

Ribeiro: Homem que antes era negociante de mulheres. Seduziu Carolina e fugiu com ela de casa. Depois de tirar-lhe sua inocência, o que era para ser uma sedução se transformou em amor por parte dele. Pai de uma filha que Carolina teve. Primeiro homem de Carolina.

Pinheiro: Homem rico que acabou com sua fortuna por causa de Carolina. Também se apaixonou por ela e por ela foi humilhado. Este tirou-a dos braços de Ribeiro prometendo-lhe também riquezas e honra. Mas acabou na miséria por causa dela.

Araújo: Amigo de Luís. O ajudou sempre que queria falar com Carolina. Sempre o aconselhava.

Helena: Amiga de Carolina. Esta foi quem levou Carolina a estes vícios e ganâncias por riqueza e prazer. Também é cortesã e até pagava o Vieirinha para ser seu amante. Topava tudo que envolvia dinheiro.

Vieirinha: homem desonesto. Que vendia seu corpo seduzindo as mulheres e ganhando dinheiro com isso. Era amante de Helena. Foi este que levou Carolina à falência, roubando-lhe todas as suas jóias.

Meneses: Filósofo, amigo de Luís e Araújo. Homem justo e íntegro. Ele sempre está do lado certo e defende sempre a lei. Escritor de artigos e folhetins. È aquele que sempre tem uma visão mais ampla das coisas, e da sociedade.

    1. CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO NA OBRA

Em As asas de um anjo, percebe-se com clareza figuras típicas da sociedade da época, uma sociedade corrupta e crítica. Que descrimina a tudo e a todos que tropeçam, mas que ela é o próprio tropeço. Segue-se algumas características românticas embutidas nesse teatro.

  • Pessimismo, essa característica é bem marcante, principalmente na vida de Carolina e como ela via a vida. Também Luís, mesmo esperando a transformação de Carolina, deixava transparecer seu pessimismo pela vida. “Tenho morto o coração”.

  • Morte: novamente a figura da morte aparece como a única saída para os problemas. A doença de Carolina a leva a pensar na morte como solução e destino próximo.

  • Idealização do amor: é constante a busca e a ansiedade por um amor intenso, talvez impossível, imerecido, puro e inalcançável. Era o que Carolina sentia ao amar Luís. Sentia-se incapaz de ser amada e de amar assim.

  • Idealização da mulher: era Carolina idealizada por Ribeiro, Pinheiro e Luís. Mas só o último era portador de um amor sincero e abnegado. Pinheiro até faliu por causa dessa poderosa mulher.

  • Vida boêmia, característica bem visível. Os homens, geralmente de classe média e alta, gastando seus bens com bebidas, cigarros e mulheres.

  1. ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS TRÊS OBRAS: LUCÍOLA, DAMA DAS CAMÉLIAS E A ASAS DE UM ANJO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos três romances analisados podemos destacar alguns pontos em comum como:

  • O fato de que os casais que se ama sempre estão em conflitos;

  • As heroínas das três histórias são cortesãs que se restabelecem. Que há uma transformação de caráter no fim. Mostrando que apesar de tudo, conseguiram retomar sua alma, que era pura;

  • Mostram a vida boemia que as pessoas viviam;

  • Mostram a idealização do amor, e este quase impossível de concretizar devido às imposições da sociedade;

  • Todas as heroínas são orgulhosas, poderosas e as mais belas cortesãs daquele tempo e espaço;

  • As três cortesãs ficam pobres e doentes no final, apesar de uma delas não morrer (Carolina).

  • Em todas as histórias permeiam o medo da morte e o pessimismo em relação à vida e à sociedade.

Existe outros pontos em comum, que é possível perceber através das características próprias do período romântico em que essas obras foram escritas.

Um item importante a se notar é que a semelhança entre A Dama das Camélias de Alexandre Dumas; e as obras Lucíola e As Asas de um Anjo, de José de Alencar se assemelham. Mas A primeira citada é uma obra francesa. Isso mostra que Os escritos de José de Alencar, como de outros autores do período, herdam características do romantismo francês, sofrem essa influencia.

Em Lucíola vemos a história de uma adolescente, que por necessidade, vendeu o seu corpo, foi expulsa e a única saída que encontrou foi o mundo que se afundou na prostituição. Uma jovem de gênio forte, orgulhosa, depravada que se desdobra em face de um amor diferente de tudo o que ela tinha visto. Em face de um amor que aos olhos do mundinho em que ela vive, é impossível de existir e de ser aceito na sociedade.

Esse amor supera tudo. Todos os preconceitos e problemas. Mas a história é permeada por pessimismo, exaltação da mulher, evasão do espaço, do tempo e até da realidade.

O desfecho acontece com o perdão e purificação da alma. Sendo Paulo também um herói com um amor abnegado e desinteressado. Morrendo Lúcia na pobreza , que revela seu verdadeiro nome Maria da Glória, como símbolo de pureza da Maria mãe de Jesus e jurando ao amado ser sua eterna noiva. Acontece aí o ponto alto do amor.

O amor na história de Marguerite e Armand é vista de forma semelhante ao de Lucíola. O livro começa com a heroína já morta, e Armand começa a contar a história a um amigo.

No livro ao descreve com clareza como ela tornou-se cortesão. Mas mostra também o despreza da família e da sociedade por ela. Sociedade esta que de dia crítica e enoja as cortesãs mas na madrugadas as sustenta, sustentado também seus vícios e prazeres.

O desfecho da narrativa é um pouco mais melodramático do que o de Lucíola e de As asas de um anjo. Pois é agonizante o sofrimento de Marguerite longe de todos, e principalmente de seu amado. Onde ela morre na miséria e na solidão. Apesar da conversão da alma que se purifica com a morte.

As asas de um anjo tem cenas bem humilhantes em relação à cortesã,e toda uma história familiar, uma influencia forte da família e do amado em resgate da bela moça que saiu de casa.

As três histórias revelam a purificação da alma pela essência do verdadeiro e puro amor. Um amor abnegado, capaz de sacrifícios, do perdão e até da conversão.

Aparece a figura de Deus, perdoando as cortesãs, pois elas conseguiram a pureza de sua alma. E a prova do perdão é a permissão de viver e ter aquele amor que antes era impossível e somente idealizado.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Obs: fora da norma



  • ALENCAR, José de, Lucíola.

  • ALENCAR, José de, As asas de um anjo.

  • DUMAS FILHO, Alexandre, A dama das camélias.

  • http//www.wikipedia.com.br

  • acervo pessoal


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