Curso de arquitetura e urbanismo no brasil II



Baixar 1,3 Mb.
Página2/2
Encontro09.09.2017
Tamanho1,3 Mb.
1   2

Arquitetura na segunda metade do século XIX

Este período é marcado pelo fim do trabalho escravo, pelo inicio da imigração, instalação de ferrovias e de indústrias. Surge um padrão construtivo mais elaborado tecnicamente e sem auxilio da mão-de-obra escrava.



Na segunda metade do século XIX, a arquitetura brasileira passou por transformações que eram partes das modificações sócio-econômicas e tecnológicas ocorridas então na vida do País. [...] a instalação de um grande sistema ferroviário, que passa a manter os territórios do interior em contato mais estreito com o mundo europeu. Novos tipos de mercadorias, como máquinas e materiais de construção mais pesados, cuja condução seria impossível com o transporte em lombo de burro, passariam a chegar, com toda facilidade. [...] a sociedade industrial européia, que passava a lhes fornecer novas técnicas e recursos construtivos, como materiais de todos os tipos, desde vigas e colunas de metal, até elementos de acabamento, mobiliário e decoração. [...] As transformações na paisagem urbana e nas formas de construir e habitar seria influenciadas ainda pela corrente de imigração européia, iniciada após a supressão do tráfico de escravos. Contribuindo para a criação de quadros numerosos de oficiais mecânicos e para o surgimento da indústria nacional, os imigrantes marcavam, como construtores e habitantes, a arquitetura das cidades, de cuja população vinham participar. [...] A arquitetura da segunda metade do século XIX correspondeu, em geral, a um aperfeiçoamento técnico dos edifícios e a um esforço para a incorporação dos benefícios mais recentes da sociedade industrial. No plano formal o Ecletismo foi a solução utilizada para o atendimento desses objetivos arquitetônicos.



NEOCLASSICISMO

(1750-1840)



  • O período do neoclassicismo começou a ter grande importância dentro das Belas Artes na metade do séc. XVII.



  • Assim como o período do Renascimento veio em contradição à Idade Média o Neoclassicismo surge em oposição ao período Maneirista.

RENASCIMENTO X IDADE MÉDIA - O período do renascimento busca a aproximação com a realidade pela observação da natureza buscando nela a beleza, mas era contra o realismo. Como em Alberti, que era a favor da retificação e restrição da exigência da verdade, mas contra o realismo puramente imitativo.



NEOCLASSICISMO X MANEIRISMO – O neoclassicismo, com a morte dos mestres do período maneirista e sua decadência, veio em contradição ao modo amaneirado e ao naturalismo de Caravagio.

  • Caravagio – Adotava a prática da maneira, em reproduzir bem as coisas da natureza. Colocava a beleza acima da verdade e era contra qualquer rigidez por regras.



  • Maneira – Para a época do maneirismo é a expressão que define o caráter dos mestres, onde cada um tinha a sua maneira de fazer arte. Ou pintar de memória, de pulso.

Maneira – No círculo de Bellori, a expressão é depreciada, ganha sentido de fraqueza da mão, da inteligência. Não alcança um ideal ou concreto e sim subjetivo, da imaginação.

  • O neoclassicismo vem defendendo a idéia de que o maneirismo mostra-se pobre de imaginação e privado de espírito. É submisso à natureza e se contenta em reproduzir um grande tema, mas não um Ideal.



  • Assim, o renascimento veio combater a desafeição à natureza e o neoclassicismo em combater os maneiristas e naturalistas. E trazer também um equilíbrio entre estas tendências, achando com isso salvação das artes.



  • Neste período também acontece um retorno à história, e buscam nas obras antigas a verdadeira arte natural, mais do que naturalista.



  • Em 1664, o arqueólogo e crítico das artes, Giovanni Bellori, busca para seus fundamentos a noção da idéia neoplatônica, mas tomando esta visão para o próprio artista ou criador, sem nenhuma explicação metafísica de idéia. Assim coloca o criador como o artista supremo, que tem em si a representação da beleza e pode corrigir a natureza pelo modelo. Os modelos e as formas estariam então nas idéias do artista, que surgem por uma intuição sensível dele mesmo.



  • Este pensamento vai influenciar todo período do neoclassicismo. A idéia provém da intuição, que confere ainda à obra forma mais pura e sublime. Pois o artista fica superior à natureza e tem o poder de escolha do belo. A idéia já é a realidade e, portanto, não precisa de nenhuma explicação metafísica.



  • NEOCLASSICISMO NO BRASIL




  • PERIODO: séculos XVIII e XIX




  • No Brasil, segundo REIS FILHO (1983) o Neoclássico era fruto da cópia, com materiais na sua maioria importados e extremamente raros;




  • Mas se espalhou de forma pontual por todo país até o século 19: com uma arquitetura que estava na dependência de importação de materiais e mão-de-obra especializada ou apenas disfarçava com aplicações superficiais a precariedade da mão-de-obra escrava, o neoclássico não chegou a corresponder a aperfeiçoamento maios da construção no Brasil, ainda que tenha provocado transformações de importância, no plano formal. As inovações técnicas seriam introduzidas com o Ecletismo, durante a Segunda metade do século XIX. (pg. 144)




  • No Brasil o Neoclássico era a linguagem da República.




  • Em Florianópolis temos como exemplo de arquitetura Neoclássica o prédio da Alfândega, no Centro da cidade.



BIBLIOGRAFIA :
PANOFSKY, Erwin. Idéia: A Evolução do Conceito de Belo. Contribuição à história do conceito da antiga teoria da arte. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
REIS FILHO, Nestor G. Quadro da Arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1983.

NEOCLÁSSICO

Movimento cultural do fim do século XVIII, o Neoclassicismo está identificado com a retomada da cultura clássica por parte da Europa Ocidental em reação ao estilo barroco. No entanto, o Neoclassicismo propõe a discussão dos valores clássicos, em contraposição ao Classicismo renacentista, que apenas replicava os princípios antigos sem críticas aprofundadas. A concepção de um ideal de beleza eterno e imutável não se sustenta mais. Para os neoclassicistas, os princípios da era clássica deveriam ser adaptados à realidade moderna.


Arquitetura neoclássica


A Arquitetura neoclássica foi produto da reação anti-barroco e anti-rococo, levada a cabo pelos novos artistas-intelectuaisdo século XVIII. Os Arquitetos formados no clima cultural do racionalismo iluminista e educados no entusiasmo crescente pela Civilização Clássica, cada vez mais conhecida e estudada devido aos progressos da arqueologia e da historia.

Algumas características deste movimento artístico na arquitetura são:



  • Materiais nobres (pedra, mármore,granito, madeira)

  • Processos técnicos avançados

  • Sistemas construtivos simples

  • Esquemas mais complexos, a par das linhas ortogonais

  • Formas regulares, geométricas e simétricas

  • Volumes corpóreos, maciços, bem definidos por planos murais lisos

  • Uso de abóbodas de berço ou de aresta

  • Uso de cúpulas, com freqüência marcadas pela monumentalidade

  • Espaços interiores organizados segundo critérios geométricos e formais de grande racionalidade

  • Pórticos colunas



  • Frontões triangulares

  • A decoração recorreu a elementos estruturais com formas clássicas, à pintura rural e ao relevo em estuque

  • Valorizou a intimidade e o conforto nas mansões familiares

  • Decoração de caráter estrutural

Características Gerais da Escultura Neoclássica

  • Temas: históricos, literários, alegóricos e mitológicos. Serviram de base para a representação de figuras humanas com poses sememlhantes às dos Deuses gregos e romanos.

  • Estatuária: representou figuras de corpo inteiro ou busto e relevos pouco pessoais glorificando e fazendo publicidade a políticos ou figuras importantes das cidades (praças, casas de nobres e burgueses ou cemitérios).

  • Relevos: têm o mesmo sentido honorífico e alegórico da estatuária e revestem as frontarias de edifícios públicos ou de palácios.

  • Formas de Representação: de inspiração clássica foram representados com toda a minúcia, os corpos eram nus ou semi-nus, formas reais, serenas e de composição simples. Rostos individualizados (da pessoas que queriam representar), mas com pouca expressividade.

  • Técnica: são obras perfeitamente conseguidas, onde a sua concepção se baseia em maquetas de barro ou gesso para um primeiro estudo. Acabamentos rigorosos e relevos de pouca profundidade.

NEOCLASSICISMO

Neoclassicismo é um movimento artístico que se desenvolveu especialmente na arquitetura e nas artes decorativas. Floresceu na França e na Inglaterra, por volta de 1750, sob a influência do arquiteto Palladio (palladianismo), e estendeu-se para o resto dos países europeus, chegando ao apogeu em 1830.  Inspirado nas formas greco-romanas, renunciou às formas do barroco (que não tinha tido grande repercussão na França e na Inglaterra)  revivendo os princípios estéticos da antiguidade clássica.

EXEMPLO DE EDIFÍCIO NEOCLÁSSICO


Palácio de Exposições de Munique

Entre as mudanças filosóficas, ocorridas com o iluminismo, e as sociais, com a revolução francesa, a arte deveria tornar-se eco dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo, ateísmo e democracia. No entanto, eram tantas as mudanças que elas ainda não haviam sido suficientemente assimiladas pelos homens da época a ponto de gerar um novo estilo artístico que representasse esses valores. O melhor seria recorrer ao que estivesse mais à mão: a equilibrada e democrática antiguidade clássica. E foi assim que, com a ajuda da arqueologia (Pompéia tinha sido descoberta em 1748), arquitetos, pintores e escultores logo encontraram um modelo a seguir.

Mais do que um ressurgimento de estética antiga, o Neoclassicismo relaciona fatos do passado aos acontecimentos da época. Os artistas neoclássicos tentaram substituir a sensualidade e trivialidade do Rococó por um estilo lógico, de tom solene e austero. Quando os movimentos revolucionários estabeleceram repúblicas na França e América do Norte, os novos governos adotaram o neoclassicismo como estilo oficial por relacionarem a democracia com a antiga Grécia e República Romana.

Surgiram os primeiros edifícios em forma de templos gregos, as estátuas alegóricas e as pinturas de temas históricos. As encomendas já não vinham do clero e da nobreza, mas da alta burguesia, mecenas incondicionais da nova estética. A imagem das cidades mudou completamente. Derrubaram-se edifícios e largas avenidas foram traçadas de acordo com as formas monumentais da arquitetura renovada, ainda existentes nas mais importantes capitais da Europa.


Igreja de Madeleine - Paris

A Igreja de Madeleine, de Vignon, é uma amostra inconstestável do retorno da arquitetura clássica que se verificou durante a época napoleônica. São edifícios grandiosos de estética totalmente racionalista: pórticos de colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros.


National Gallery, Londres

Surgido para dar sustentação à revolução francesa e depois ao império, o neoclassicismo, no entanto, se apóia principalmente nos países da aliança contra Napoleão, como a Alemanha e a Inglaterra. Durante este período, as cidades foram invadidas por edificações colossais, como o célebre Arco do Triunfo, em Paris, construído em homenagem às vitórias de Napoleão. Nele evitaram-se ao máximo recorrer aos ornamentos romanos, como as colunas clássicas.


Arco do Triunfo, Paris

Trata-se de um movimento artístico internacional que surge na segunda metade do séc. XVIII e culmina no período Napoleônico (estilo Império), exercendo posteriormente uma influência decrescente, embora marcando, ao longo do séc. XIX, o estilo oficial de vários países, particularmente a América do Norte (Greek revival).

O neoclassicismo surgiu como reação à artificialidade do rococó e impôs como prática a simplicidade, nas linhas, formas, cores e temas, bem como o aprofundamento de idéias e sentimentos. Inspirou-se nas formas primitivas da arte clássica: o puro contorno linear, a abolição do claro-escuro. Para os escultores neoclássicos, a essência da pureza residia no mármore branco da estatuária grega. No neoclassicismo, o espírito científico, racional e didático dos enciclopedistas do Século das Luzes associou-se ao mítico retorno à Natureza propagado por Rousseau. Para os artistas neoclássicos os conceitos de racionalismo e sensibilidade não eram opostos. A compaixão é própria das pessoas virtuosas e a temática neoclássica pretendia exaltar a virtude. Mas tal como a teoria mítica do bom selvagem provou ser utópica, também o foi um estilo que viu na Arte Clássica e nos heróis de Plutarco os modelos de perfeição a reinstalar no mundo.

ECLETISMO

O ecletismo deu nome a um movimento filosófico francês, influenciado por Royer-Collard e fundado por Victor Cousin que foi a filosofia oficial das universidades francesas nas décadas de trinta e quarenta do século XIX. Tentando combinar Descartes e Kant, procurou reunir o que considerava as quatro grandes correntes fiosóficas: idealismo, sensualismo, cepticismo e misticismo.



ARQUITETURA ECLÉTICA








ECLETISMO = Uso ou mistura de estilos do passado ocorrido na 2ª metade do séc. XIX








                        Em fins do século XVIII é que parece termos atingido realmente a chamada era moderna, que os historiadores afirmam ter começado desde o séc. XV durante o período da Renascença e após a descoberta da América por Colombo em 1492. A tão discutida era moderna realmente deflagrou quando a Revolução Francesa de 1789 pôs fim a tantos pressupostos que haviam sido tomados por verdadeiros até então. A queda da monarquia na França e a instalação do Império, a influência de Napoleão se estendeu até as Américas vindo interferir com o processo de lutas que geraram a independência de algumas colônias aqui. A Revolução industrial  foi outra das revoluções que criou e reforçou as rupturas desse mundo moderno com o passado.
                       Dentre as inúmeras mudanças ocorridas, estão as que se referem às idéias do homem sobre a arte e à atitude do artista em relação ao que se chama estilo. Há um personagem numa das comédias de Molière que fica atônito quando lhe dizem que falou em prosa durante toda sua vida sem o saber. Em épocas passadas os artistas faziam suas obras de acordo com o que achavam certo ou porque tinham que ser assim, não questionavam se seguiam alguma tendência, acreditavam que suas obras eram praticadas ao seu gosto pessoal, sem influências externas ou algum compromisso estético pré-estabelecido. Mas, já no séc.XIX a questão estilo tomou novo rumo. Procurava-se ora seguir o ideal de regras da arquitetura clássica estabelecido nos livros de  Palladio, ora questionar o uso desse ideal e empenhar uma volta romântica ao passado através de construções neo-góticas ou de inspiração oriental. Alguns arquitetos procuravam seguir influências de diversos estilos em uma única construção, utilizando influências do barroco, arte oriental, clássico e também dos recém-surgidos art decor e art nouveau. O mundo ocidental caminhava para um futuro diferente a passos rápidos, mas algumas pessoas acreditavam não ser preciso pensar nisso seriamente e olhar a arquitetura como resultado das necessidades e do modo de vida do homem daquele momento. Construíam prédios com tecnologia sofisticada da época, atendendo por vezes a necessidades funcionais que já se impunham, mas traziam um passado estranho aquela realidade para revestir suas fachadas. A arquitetura Eclética tem para a história grande valor porque relata esses momentos de profundos paradoxos na vida do homem moderno.
 





A casa urbana brasileira, uma tipologia de construção nova para a época. Acontecia um crescimento rápido de muitas cidades brasileiras, de maneira que no início do séc. XX, a casa passa a ter sua fachada principal alinhada à testada do lote, ganha um acesso e varanda laterais e comumente é geminada com sua vizinha. Os portões e gradis são de ferro e essa casa pode receber ainda uma profusão de influências de períodos distintos do passado.

ESQUERDA: A presença do porão é comum na época. Balaustrada na platibanda e cornija logo abaixo, clássicas. Padieira em forma de cornija acima das janelas também é clássica, mas o elemento ornamental rebuscado quebra a formalidade comum ao clássico. Os caixilhos das janelas e a cor da casa denotam a presença do art décor. Esse ecletismo, mesmo que discreto, acompanha a arquitetura brasileira até a década de trinta do séc. XX.




O uso de cores fortes é uma influência da proposta contemporânea do art decor, que por usa vez ganhava inspiração no uso de cores mais agressivas do movimento fovista da pintura moderna. Os gradis de ferro são presença quase obrigatória nos prédios da época.

DIREITA: Presença de platibanda em concreto com desenhos geométricos imitando os que eram produzidos nos gradis de ferro tão em moda, traços do art decor. Acima das janelas surge uma surpreendente padieira ornamentada com a famosa concha do Barroco e Rococó. Estilos, histórias, memórias e épocas que se misturam e incrivelmente se fundem, aqui, no ecletismo.









Notas de Aula ..................................................................................................Professora Fátima Andrade Pelaes

Página




1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal