Cunha, Mª Antonieta Antunes, 1968



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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ

Campus de Cornélio Procópio


CRELIT
SEMINÁRIO – 01/09 – THIAGO E IEDA

CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Como Ensinar Literatura Infantil. São Paulo: Editora Bernardo Álvares, 1968.



Proposta:
A obra está dividida em sete unidades. Cada uma delas apresenta:

1. Noções sobre o tópico a ser estudado.

2. Estudo do texto.

3. Sugestões do trabalho (com questionário sugerido para aplicação em sala).

O texto foi dedicado a professores que atuariam nos anos iniciais do Ensino Fundamental – antigo Curso Normal – com o intuito de contribuir para a capacitação de alunas-mestras do curso de Formação de Docentes, despertando nas futuras professoras o gosto pela literatura infantil.

Estrutura:

Unidade I: Literatura Infantil – situação e extensão
Há três usos indevidos encontrados neste tipo de literatura:


  1. Incorrer no uso de linguagem próxima às falas das crianças, utilizando-se dos erros infantis e sendo muito simplista até mesmo aos olhos do pequeno leitor.

  2. Uso de linguagem rebuscada, que não pode ser compreendida pela criança.

  3. Tom moralizador, de intuito educativo. O que cativa a criança na literatura não é a finalidade da escrita, mas o percurso de leitura. A moral é elemento constitutivo do texto infantil, porém, deve ser apenas sugerida, para que a criança assimile o conceito espontaneamente.

Textos apresentados na seção para estudo: “Plantero” der Juan Ramón Jiménez, “Patinho feio” de Andersen, “Inquietações de Robinson Crusoé” de Daniel Defoe. Cada texto é seguido de questionamento para reflexão.




Unidade II: Características da boa obra para crianças
Elementos que devem estar presentes nos textos para crianças:

1- Imaginação.

2- Dramatismo e movimentação.

3- Concisão (“boa técnica de desenvolvimento”).

4- Qualidade estética (“qualidade da forma”).

5- Rapidez da ação.


Textos apresentados na seção para estudo: “Pinocchio”- Carlo Collodi; “As fabulosas memórias da Emília”- Monteiro Lobato; “O país ideal” – Graciliano Ramos.

Na seção “Sugestões de trabalhos”. A autora finaliza os capítulos I e II sugerindo uma “ficha de livro” para trabalhar com o aluno. O segundo item da seção é “Estudos de textos, feito pelos alunos”, apresentando mais uma proposta de trabalho com o aluno.



Unidade III: Funções da Literatura Infantil
“Educar, instruir e distrair” são as finalidades mais abrangentes desta literatura. A distração é a mais importante das três, sendo o que a torna literatura. Deve-se estar atento às etapas de educação e instrução das crianças, a fim de que se proporcione o desenvolvimento da sensibilidade e da criticidade.

Textos apresentados na seção para estudo: “O magnífico caiador” – Mark Twain; “A menina do leite” – Monteiro Lobato; “O Brasil em 1889” – Graciliano Ramos.



Unidade IV: Adequação do livro à idade da criança
Evolução psicológica da criança:

1ª fase: 3/4 a 7/8 anos – fase do mito. Literatura indicada: contos de fadas, lendas, fábulas.

2ª fase: 7/8 a 11/12 anos – fase “ronbinsonismo”, caracterizada pelo conhecimento da realidade. Literatura indicada: romance de aventura, relatos históricos (textos em tom verídico).

3ª fase: 11/12 à adolescência – fase do pensamento racional. Literatura indicada: romântica, revistas.




Unidade V: O teatro para crianças
O teatro é um meio de acesso à cultura e educação.

1- Joy Arruda: expectativa do que está para acontecer encanta os pequenos leitores e justifica a predileção deles por filmes e histórias em série.

2- Bárbara Vasconcelos: o teatro contribui para o desenvolvimento da leitura, da pronúncia, memória e senso artístico e crítico, além de proporcionar a socialização. A dramatização permite a atividade coletiva, levando a criança a reconhecer seu próprio trabalho, o trabalho do outro e a emitir julgamento de ambos.

Características das peças infantis: a) exposição da peça: circunstâncias e antecedentes; b) caracterização das personagens: direta ou indireta; c) articulação dos atos, que deve apresentar eixo de interesse e ainda criar expectativa para o ato seguinte. Peças infantis de um único ato justificam-se pela intenção de não cansar a criança; d) cenas principais, indispensáveis à ação dramática, com supremacia da intriga.

3- Júlio Gouveia: elementos que se destacam no teatro são também o conflito bem traçado, a moralidade sugerida, os diálogos simples e curtos promovendo maior movimentação na peça; a comicidade, levando em consideração a identificação da criança com a personagem, evitando, porém, a ironia e o trocadilho, difíceis de serem notados pelo público infantil.

Sugestão de gênero teatral por faixa etária:

1ª fase: 3/4 a 7/8 anos – pantominas e folclore.

2ª fase: 7/8 a 11/12 anos – peças mais próximas do mundo real.

3ª fase: 11/12 à adolescência – adaptações de obras clássicas.
Textos apresentados na seção para estudo: “A bruxinha que era boa” – Maria Clara Machado; “Pluft, o fantasminha” - Maria Clara Machado; “O circo de bonecos” – Oscar Von Pfuhl.

Unidade VI – Poesia para crianças

A poesia envolve imagem, fantasia e sensibilidade como o mundo infantil. O ritmo e a rima facilitam a memorização e satisfazem o gosto infantil. Poemas conceituosos ou moralizantes não encantam o público infantil. A linguagem deve ser simples. Destaca-se como obra poética para crianças, o livro de Henriqueta Lisboa, Antologia poética para a infância e a juventude.


Poemas apresentados na seção para estudo: “bolhas” – Cecília Meireles; “Tempestade” – Henriqueta Lisboa; “As meninas” – Cecília Meireles.

Unidade VII – Folclore – sua utilização na escola

1- Édison Carneiro: o folclore encontra-se nas camadas populares da sociedade, no modo de pensar e agir.

2- Luis Câmara Cascudo: em um agrupamento humano haverá duas origens para o conhecimento. A oficial, sistematizada, dos colégios, e a não oficial, transmitida de geração para geração, que não obedece a um sistema, caracterizando o folclore.

Manifestações folclóricas:



  • Literatura oral: lendas, poemas, provérbios, entre outros.

  • Crendices e superstições.

  • Lúdica: danças, autos, jogos, cortejos, teatro de bonecos, festas tradicionais.

  • Artes e técnicas.

  • Música.

  • Usos e costumes: caça e pesca, medicina popular, casamento, entre outros.

  • Linguagem popular.

Proposta de Édison Carneiro para o estudo do folclore adaptada para o ensino primário: a) inserção no ensino de língua materna e estrangeira, na matemática, na geografia e na história; b) ensino de técnicas e artes populares da região; c) apresentação de folguedos; d) interpretação de personagens, danças folclóricas.
Textos apresentados na seção para estudo: “Blau Nunes” – Simões Lopes Neto; “Trezentas onças” - Simões Lopes Neto.

Apreciação crítica
1- A autora enfatiza a preponderância do estético sobre o pedagógico ou moralizante. “As Qualidades da forma são outra característica que não deve ser descurada. O valor estético não pode ser relegado, sob o pretexto de que se escreve para crianças” (p.22).

Porém, mostra-se reticente quanto a ausência deste nos textos para crianças, a valorização do estético, pois, não destitui o texto do objetivo de educar: “a questão toda se resume em como apresentar a ‘lição’. A moral que surge dos próprios acontecimentos da história e que a criança assimila espontaneamente”, e até imperceptivelmente”, pode ter maior efeito – “a moral apenas sugerida, tem muito mais utilidade, porque consegue penetrar a criança” (p.12).


2- Insiste-se na diversificação dos gêneros e na vivência de práticas culturais. Embora enfatize o caráter lúdico da literatura, frequentemente vê nela uma forma de enriquecimento cultural para os pequenos leitores, dado que “a criança percebe, ainda que confusamente, se a obra é boa ou bem escrita. É o mesmo que ocorre com o adulto, ao ler pela primeira vez um texto: fica-lhe uma impressão boa ou má, ratificada ou não pelo estudo crítico” (p.23). Como se nota, o conceito de “bom texto” baseia-se em critérios estéticos ou formais, cujos indícios remetem o leitor a determinados modelos de linguagem; fato corroborado pela insistência no respeito à faixa etária do leitor, bem como da adequação dos gêneros a ela.
3- A sugestão dos gêneros não escapa ao crivo da busca pela “boa formação”. A insistência no folclore, por exemplo, demonstra a preocupação da autora com a criação do sentimento nacionalistas na infância. “A professora primária, portanto, há por força de amar o folclore – se ela ama as crianças em suas atividades mais expressivas: seus primeiros poemas, suas cantigas de roda e de ninar, seus brinquedos e jogos à hora do recreio” (p. 85). O viés da família patriarcal se faz presente, enfim, ainda que de forma mais sutil: “A mulher, aliás, por seu espírito e por suas atividades, é reconhecida como grande portadora do folclore” (p. 85).

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