Culto de Louvor a Deus



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Celebração da Festa do Amor



Uma palavra sobre a Festa do Amor ou Ágape


A celebração da Festa do Amor ou Ágape pertence à mais autêntica tradição cristã e metodista. São reuniões de testemunhos nas quais os membros da igreja têm a oportunidade de orar, cantar e narrar as suas experiências na caminhada cristã, partilhando, ao mesmo tempo, no espírito de fraternidade, um alimento comum (pão e água). No Journal, encontramos, desde 1739, muitas referências à realização da Festa do Amor nas sociedades fundadas por Wesley. Na primeira vez em que esta foi celebrada em Birstal, Wesley expôs o seu significado: “O verdadeiro desígnio de uma Festa do Amor é uma conversação familiar, na qual cada homem, sim, e mulher, têm liberdade para falar tudo quanto possa ser para a glória de Deus” (Journal, em 19/07/1761).

No Novo Testamento, encontramos clara alusão ao Ágape na epístola de Judas, a qual reflete dificuldades semelhantes às enfrentadas pelo apóstolo Paulo na igreja de Corinto, com relação à Ceia: “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade (do grego, ), banqueteando-se juntos sem qualquer recato...” (Jd 1.12; cf. 1Co 11.17-22). A refeição comunitária, no princípio realizada em conjunto com a Ceia do Senhor, aos poucos, constituiu-se numa cerimônia separada, na qual a comunidade cristã reafirmava o seu amor mútuo, o apoio fraternal e a consolação em tempos de dificuldades. Durante as perseguições, desenvolveu-se a prática de celebrar o Ágape na prisão, junto com as testemunhas cristãs condenadas à morte.

Infelizmente, esse costume caiu em desuso no século IV, em parte devido a irregularidades em sua prática, em parte por causa da crescente valorização da Ceia do Senhor. Apesar disso, alguns elementos dessa celebração, como a distribuição de pão após a liturgia, persistiram nas Igrejas Orientais até os dias de hoje. Foi, provavelmente, a partir dessas comunidades que a Festa do Amor chegou à Europa e continuou com os seguidores de John Huss (c. 1373-1415) na Morávia. Ao imigrarem para a Alemanha, os morávios mantiveram essa prática, reintroduzida formalmente pelo Conde Zinzendorf, em 1727. Wesley tomou conhecimento e participou, pela primeira vez, da celebração da Festa do Amor, exatamente junto dos colonos alemães que se estabeleceram nas colônias inglesas da América do Norte, durante a sua atividade missionária na Geórgia. Mais tarde, após a experiência de Aldersgate, ele visitou a comunidade dos morávios, na Alemanha, onde partilhou, mais de uma vez, da comunhão revivida no Ágape. Desde então, João Wesley revestiu a Festa do Amor de singular importância a ponto de essa festa se tornar prática corrente entre o povo chamado metodista até, pelo menos, os primeiros decênios do século XIX. Por certo tempo esquecida, ela tem sido, novamente, valorizada em nossos dias.

No Brasil, a sua prática era incentivada nos Cânones da Igreja Metodista de 1971, que propunha, ademais, uma ordem litúrgica para a sua celebração. As sucessivas revisões do nosso Ritual, contudo, omitiram a Festa do Amor. Ao retomá-la, agora, esperamos reviver um elo importante de nossa herança metodista e, contribuir para a expressão, na liturgia da vida e na vida da liturgia, daquela comunhão fraternal à qual o amor de Cristo nos constrange. Mais do que um determinado ritual, é esse espírito que deve ser preservado. A ordem que segue pretende apenas servir de auxílio nessa tarefa.


Abertura


  • Acolhida

[espontânea ou a que segue abaixo]

Venham, vamos nos unir docemente a Cristo


Para louvá-lo com cânticos espirituais.
Vamos dar glória, num só acorde,
Ao nosso único Senhor:
Mãos e corações e vozes se levantem;
Cantem como nos tempos antigos;
Antecipem as alegrias dos céus,
Celebrem a Festa do Amor.

(Carlos Wesley, Hino para a Festa do Amor: tradução livre)



  • Cântico de Louvor

  • Oração

[espontânea e/ou uma das que seguem abaixo:]

Deus de amor, Criador e Sustentador da Vida,


envia teu Espírito Santo para renovar em nós
a comunhão contigo, entre nós
e com toda a tua criação.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Amém.

Que Deus esteja em minha mente e em meu pensar,


Que Deus esteja em meus olhos e em meu olhar,
Que Deus esteja no meu coração e no meu sentir,
Que Deus esteja em nossa união e em nosso compartilhar,
Que Deus esteja em meu fim e no meu partir. Amém.

(Da Liturgia de São Patrício)


Palavra


  • Leituras Bíblicas

[Selecionar uma ou mais passagens: Sugestões:

Êxodo 16.11-18, 31-32: Deus alimenta o seu povo com o maná

Êxodo 17.1-7: Deus sacia a sede do povo no deserto

Números 20.2-13: As águas de Meribá

Deuteronômio 8.1-20: Ninguém vive só de pão

1 Reis 19.1-8: Deus sustenta Elias no caminho do monte Horebe

Salmo 63.1-8: “A minha alma tem sede de ti...”

Salmo 104.1-24: Louvor ao Deus providente

Isaías 12.1-6: “Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação”

Isaías 44.1-8: “Derramarei água sobre o sedento...”

Isaías 55.1-13: “Ouvi-me ... comei o que é bom!”

Mateus 14.13-21: A multiplicação de pães e peixes



Lucas 7.31-35, 15.1-2: “Este recebe pecadores e come com eles”

João 4.1-14: “Quem beber da água que eu lhe der jamais terá sede”

João 6.30-35: “O pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo”

2 Coríntios 9.6-15: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça...”

1 João 4.7-21: “Aquele que não ama não conhece a Deus...”

Apocalipse 22.1-5: “Então me mostrou o rio da água da vida...”]


  • Breve reflexão sobre o significado da celebração

  • Cântico

[sobre o Amor de Deus e/ou a Vida em Comunhão]

  • Ofertório

[Os elementos da celebração – pão e água – são introduzidos. Nesse momento, os participantes, num gesto de solidariedade, também podem contribuir com gêneros alimentícios e/ou ofertas voluntárias para o atendimento a pessoas necessitadas]

  • Oração Comunitária

[espontânea ou a que segue]

Ó Deus de Amor, assim como tu és Um com o Filho e o Espírito Santo, concede-nos que também o sejamos em ti. Em tua palavra, temos aprendido que, quando acolhemos nossos irmãos e irmãs, é a ti mesmo que acolhemos. Por isso, ajuda-nos, Senhor, a compreender que não há comunhão verdadeira, quando existe mútua rejeição. Ó Deus, aceitando-nos uns aos outros, de todo o coração, nós reconhecemos que habitas em nós e manifestamos o nosso amor para contigo. Derrama, pois, pelo teu Espírito, a chama viva do amor entre nós. Que sejamos sinais da tua Graça redentora e testemunhas da fraternidade que vence o ódio e o preconceito. O amor venceu, o amor é sempre vitorioso! Bendito sejas, ó Deus Eterno, Senhor nosso. Amém.


Ágape


  • Partilha do pão

[O pão é distribuído entre todas as pessoas que desejam dele participar. Então, é comido ao mesmo tempo, após o dirigente pronunciar a seguinte bênção:]

Bendito és tu, Senhor, Deus do Universo, que da terra fizeste brotar o trigo e, dele, o pão, para saciar, em todos os tempos e lugares, a fome do povo. Dá-nos fome e sede de justiça e ardente desejo de repartir o pão e que possamos caminhar com Jesus, o Pão da Vida.



  • Partilha da água

[A água é distribuída em cálice comum ou em cálices individuais, dos quais todos bebem ao mesmo tempo, após o dirigente pronunciar a seguinte bênção:]

Bendito és tu, Senhor da criação, pelas águas que regam a terra e asseguram a sua fertilidade. Para sempre sejas louvado, ó Deus da nossa salvação, pois, em Cristo, nos deste a água que jorra para a vida eterna!



  • Partilha da Vida: Testemunhos

[Mais do que descrever as bênçãos recebidas, o testemunho deve estar orientado para a ação de Deus, agindo em nossas vidas, transformando-nos em novas criaturas e concedendo-nos a santidade]

Compromisso


  • Cântico de Ação de Graças

  • Oração Comunitária de Despedida

Nós te agradecemos, ó Deus Eterno, porque tu tens nos sustentado desde o princípio de nossa vida. As tuas bênçãos jamais cessam de vir, com abundância, sobre o teu povo. Especialmente te damos graças pelo dom de Cristo, teu Filho e nosso Salvador. Dá-nos corações de carne, e não de pedra, sensíveis à dor das pessoas que sofrem, inconformados diante da falta de pão e amor. Concede-nos, também, força e determinação para colaborarmos contigo na preservação da pureza das águas e de toda a tua criação. Enfim, permita que vivamos em alegria e fraternidade a fim de que sirvamos verdadeiramente ao teu Reino, em que há paz e vida abundante para todas as pessoas e nações. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem, contigo e o Espírito Santo, seja toda a glória e poder, toda honra e adoração, agora e para sempre. Amém.

  • Bênção





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