Critérios de raridade



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CRITÉRIOS DE RARIDADE

EMPREGADOS PARA A QUALIFICAÇÃO DE OBRAS RARAS


  1. PRIMEIRAS IMPRESSÕES (SÉC. XV – XVI)

  2. IMPRESSÕES DOS SÉCULOS XVII E XVIII

  3. BRASIL – SÉC. XIX

  4. EDIÇÕES CLANDESTINAS

  5. EDIÇÕES DE TIRAGENS REDUZIDAS

  6. EDIÇÕES ESPECIAIS (DE LUXO PARA BIBLIÓFILOS)

  7. EXEMPLARES DE COLEÇÕES ESPECIAIS (REGRA GERAL COM BELAS ENCADERNAÇÕES E EX-LIBRIS)

  8. EXEMPLARES COM ANOTAÇÕES MANUSCRITAS DE IMPORTÂNCIA (INCLUINDO DEDICATÓRIAS)

  9. OBRAS ESGOTADAS

1- PRIMEIRAS IMPRESSÕES - (SÉC. XV – XVI)


O critério cronológico já determina a raridade da obra. Em meados do século XV, na cidade de Mogúncia, Gutenberg introduz os tipos móveis fabricados em metal. O início da tipografia está ligado à descoberta deste processo. O primeiro livro impresso no mundo data de 1455? – Bíblia de Gutemberg, conhecida como a Bíblia de 42 linhas. Os que se seguiram até 1500 são denominados Incunábulos. É interessante conhecermos algumas particularidades dos primeiros livros impressos.

Nos incunábulos, os impressores deram continuidade aos costumes dos escribas que iniciavam as suas obras com o Incipit, que significa “aqui começa”, contendo muitas vezes o nome do autor e o título da obra.

Outra característica herdada do livro manuscrito é o Explicit, informação que aparece no final dos primeiros livros, fornecendo, algumas vezes, o nome do autor e o título da obra. Significa “aqui termina”.

Como podemos observar, as informações sobre o ligar de impressão, nome do impressor e a data de publicação não eram fornecidos. Este fato só ocorreu com aparição do Colofão, palavra grega que significa “traço final”, que além das informações sobre o autor e o título da obra, informava o local, o impressor e a data de publicação.

A Divisão de Obras raras da Fundação Biblioteca Nacional possui em seu acervo 216 incunábulos, sendo o mais antigo a Bíblia de Mogúncia impressa por Fust e Schoeffer em 1462.

CARACTERÍSTICAS DOS INCUNÁBULOS
☞ Ausência de página de rosto.

☞ Incipit

☞ Explicit

☞ Colofão

☞ Caracteres góticos

Textos compactos

☞ Largo uso de abreviaturas

☞ Iluminuras

☞ Xilogravuras

☞ Texto em duas colunas

☞ Não paginados, às vezes folheados

☞ Emprego de glosas

☞ Registros

☞ Assinaturas

☞ Reclamos

☞ Grandes formatos (in-folio)

☞ Texto em latim (3/4 das obras)

☞ Livros litúrgicos (a maioria), literatura antiga e obras jurídicas (1/10 da produção)

☞ Papel de trapo, grosso, desigual e de cor amarelada.
Produção do século XV: aproximadamente 30.000 ou 35.000 edições em cerca de 20 milhões de exemplares.

Como já vimos, os antigos impressores seguiram o costume dos escribas e por esse motivo verificamos a falta de uma página de rosto com as informações sobre autor, título e imprenta.

A página de rosto foi se desenvolvendo devagar, com a evolução do colofão. O traço final foi separado d texto e colocado no início do livro numa página independente.

Em meados de 1476 ou 1478, os títulos dos livros começam a ser imprimidos numa página separada. Esse novo hábito se consolidou entre os últimos trinta anos do século XV e o início do século XVI.

A partir do século XVI, a imprensa se propaga com grande rapidez e substitui o manuscrito no que se refere aos livros comuns.

No final do séc. XV e início do século XVI, a tipografia marcou definitivamente, aumenta o número de adeptos ao livro impresso, e verifica-se o declínio na arte do copista. Muitos dos antigos calígrafos se transformam em impressores.

A arte brilhante e alegre da Renascença vai influenciar a apresentação gráfica do livro e da encadernação. A tipografia passa a ser uma arte. Os grandes tipógrafos pertencem aos séculos XV e XVI. Destacamos Aldo Manucio (Veneza), Henri Estienne (França), Christoph Plantin (Antuérpia) entre outros.

Os grandes impressores sempre tiveram suas marcas que são como que a assinatura identificadora e autentificadora que acrescentavam aos seus trabalhos tipográficos. Tinham o costume de registrar no colofão ou na página de rosto de suas obras, suas insígnias com florão ou objetos simbólicos.

Usavam iniciais justapostas ou entrelaçadas, formando monogramas; criavam emblemas, ornamentos e uma variedade de composições artísticas. Existiam grandes variedades de marcas, representando alegorias, animais reais ou fantásticos, plantas, flores, ordens religiosas, ordens filosóficas, etc.

As marcas tipográficas eram geralmente compostas de: Insígnia, Divisa, Monograma.

Os ornamentos e marcas de impressores aparecem nas páginas de rosto no século XVI. Também neste século foi instituído o privilégio, concessão outorgada pelo soberano, e a censura, concessão dada pelas autoridades eclesiásticas e governamentais que concediam ao impressor o direito de imprimir uma determinada obra.

TIPOS DE CENSURA

Privilégio

Imprimatur

Nihil Obstat

☞ Licença do Santo Ofício

☞ Licença do Ordinário

☞ Licença Tríplice

O século XVI marcará a passagem na ilustração da xilogravura para a gravura em metal.



2 - IMPRESSÕES DOS SÉCULOS XVII E XVIII
No século XVII, a edição de uma obra se transforma em indústria e o livro em objeto de comércio.

Neste século aparecem os grandes nomes da literatura: Cervantes, Shakespeare, Molière, entre outros.

A instalação do estabelecimento oficial para tipógrafos, gravadores, impressores acontece e podemos citar como exemplo: Typographie Royale (França), Oficina da Universidade de Oxford (Inglaterra); Oficina dos Plantin (Antuérpia) e dos Elzevieres (Holanda).

Os primeiros periódicos surgem com o “Mercure de France” em 1605, e em 1609 o “Avisa relation oder zeitung” (Estrasburgo).

No século XVIII, os livros impressos se destacaram mais pelas ilustrações do que pelo texto em si.

Os gravadores franceses do século XVIII, além das ilustrações que faziam, contribuíram para a decoração dos livros nas páginas de rosto gravadas, nas cercaduras e letras iniciais, etc. O mentor dessa escola de decoração foi Pierre Choffard, como podemos observar na edição dos “Contes de la Fontainne”, 1762, e na “Metamorphoses de Ovídio” impressa entre 1767 e 1771. Com a Revolução Francesa esta escola sumiu quase que totalmente.

Na Inglaterra, Jonh Baskerville se sobressai como tipógrafo fabricando seus tipos, como também, o primeiro papel velino. O processo de impressão de Baskerville era original em muitos aspectos e tudo era feito com muito cuidado e dedicação.

Baskerville influenciou o desenvolvimento da tipografia na Europa, principalmente na obra dos Didot, a famosa família francesa de impressores. Giambattista Bodoni, impressor italiano que muito contribuiu para o progresso da tipografia, no século XVIII, diretamente e por intermédio dos Didot, foi influenciado também com o estilo tipográfico de Baskerville.

Não podemos esquecer de citar, neste século, o grande tipógrafo espanhol, Joaquim Ibarra, que sendo tipógrafo do rei de Espanha descobre a maneira de alisar o papel impresso para fazer-lhe desaparecer as pregas e dar-lhe um aspecto mais agradável.


3 - PRIMEIRAS IMPRESSÕES – BRASIL - SÉC. XIX
Em relação ao Brasil, sobretudo nos estados, a produção gráfica se desenvolve a partir do Segundo Reinado; por esta razão estende-se o conceito de obra rara até 1841.

A topografia oficial no Brasil data de 13 de maio de 1808 com a criação da Impressão Régia, por D. João VI. O primeiro folheto impresso foi “Relação dos despachos publicados na corte pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros.... Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1808 na Impressão Régia”.

Até a Independência do Brasil em 1822 a Impressão Régia mantinha o monopólio da imprensa no Rio e Janeiro.

A primeira tipografia particular foi estabelecida na Bahia por Silva Serva em 1811.

Em Pernambuco, em 1815, Ricardo Fernando Castanho importou o primeiro prelo que só funcionou em 1817 durante a revolução, retornando depois de 1821.

A próxima província a adquirir uma tipografia foi o Pará, seguido das seguintes províncias: Ceará; São Paulo; Reio Grande do Sul; Goiás; Santa Catarina; Alagoas; rio Grande do Norte; Sergipe; Espírito Santo; Paraná, etc. 1815.




4 - EDIÇÕES CLANDESTINAS
As Edições Clandestinas ocorrem por motivos morais, religiosos, políticos ou por pirataria editorial.

Através de estudos, constatamos a existência de tentativas de tipografia no Brasil, com os holandeses, Jesuítas, mas certeza temos no Rio de Janeiro em 1747 com Antônio Isidoro da Fonseca, tipógrafo de Lisboa, que realizou seu trabalho imprimindo “Relação da entrada que fez... D. F. Antonio do Desterro Malheyro bispo do Rio de Janeiro... Rio de Janeiro, Na segunda Officina de Antonio Isidoro da Fonseca, anno de M.CDD.XLVII”.

Em 6 de julho de 1747, pela ordem Régia – “todas as letras de imprensa, que fossem encontradas no estado do Brasil, e intimava a seus donos e aos oficiais impressores a proibição de imprimirem qualquer livro ou papel avulso, sob pena de serem presos e remetidos para o reino.” Com isso a tipografia de Antônio Isidoro da Fonseca foi seqüestrada e os prelos enviados de volta a Portugal.

Qualquer obra que fosse composta no Brasil naquela época teria que ser publicada na Europa ou permaneceria em forma de manuscrito. Como podemos observar, oficialmente, até 1808 todo livro publicado seria considerado edição clandestina.

Na Europa, várias obras foram publicadas clandestinamente por motivos políticos e principalmente religiosos.
5 – EDIÇÕES DE TIRAGENS REDUZIDAS
Edições em papel especial, numerados e geralmente assinados. Podem incluir a indicação do proprietário para o exemplar numerado.

Muitas vezes numa mesma edição são usados diferentes tipos de papel, e para cada tipo uma nova numeração.

São edições limitadas com um número específico de exemplares, geralmente reduzidos.

6 – EDIÇÕES ESPECIAIS DE LUXO PARA BIBLIÓFILOS
Edição feita nos moldes dos livros antigos.

Papel de boa qualidade, folhas soltas ou em cadernos, ilustradas ou alguma artista de renome, geralmente in folio e colocadas em caixas, com tiragem limitada e podem ter a assinatura do autor.

São obras do século XX com as riquezas tipográficas dos grandes impressores dos séculos XV e XVI.
7 - EXEMPLARES DE COLEÇÕES ESPECIAIS EM REGRA GERAL COM BELAS ENCADERNAÇÕES E EX-LIBRIS.
A Biblioteca Nacional possui em seu acervo diversas Coleções doadas ou compradas. Esses fundos são importantes não só pelo valor literário da obra em si, como também, por fazerem parte de uma Coleção. Diversos são os exemplos que podemos citar: A Real Bibliotheca trazida com D. João Vi para o Brasil, foi a Coleção que iniciou o acervo da Biblioteca Nacional; Coleção Thereza Christina Maria, doada por D. Pedro II, foi a maior doação recebida; Coleção J. A. Marques entre outras.

Muitas vezes uma obra não é considerada rara isoladamente, mas o fato de pertencer a um fundo faz com que se torne rara, pelo seu conjunto e pela sua história.

As Coleções possuem Ex-Libris, ou Carimbos, que geralmente são muito bonitos e colados no verso da capa ou da página de rosto.

Os Ex-Libris e Carimbos são marcas de propriedades que irão identificar uma personalidade ou coleção documentando e comprovando sua origem.

Podemos avaliar uma obra rara pelo seu valor extrínseco, como as belíssimas encadernações em couro, pergaminho, veludos, gravadas a ouro,com filetes e seixas douradas,etc.

As encadernações possuem seus estilos e grandes encadernadores foram e são reconhecidos através dos séculos.

Com a descoberta da tipografia a encadernação torna-se mais numerosa, surgindo novas técnicas e materiais.
SÉCULO XV
Couro estampado, com guarnições de ferro, ou em placas de madeira recobertas de tecidos valiosos.

SÉCULO XVI
Diminui o uso do tecido e surgem as encadernações em marroquim ou pele similar decorada com ouro. As mais simples são feitas em pergaminho. Um grande encadernador dessa época é Jean Grolier.

SÉCULO XVII
Predomina o couro decorado com desenhos geométricos. Destacam-se as encadernações em marroquim mate e as com iniciais e pequenos emblemas.
SÉULO XVIII
Os mosaicos nas encadernações voltam e surge a decoração com estampas.

SÉCULO XIX
Substituição do couro legítimo por imitações ou tecidos de cor apresentando belo aspecto decorativo.


  1. - EXEMPLARES COM ANOTAÇÕES MANUSCRITAS DE IMPORTÂNCIA - INCLUINDO DEDICATÓRIAS

Dedicatórias dos autores das obras, de reis, governantes ou autógrafos de celebridades.

Informações relevantes que esclareçam ou comentem a obra.

9 - OBRAS ESGOTADAS
Edições consagradas esgotadas e não reeditadas, razão para se considerar rara.

Como já colocamos deve-se ponderar, que conforme interesses específicos de bibliotecas e/ou colecionadores, outros critérios podem e devem ser acrescidos. Entretanto a classificação de qualquer obra dentro destes padrões, exige um apoio bibliográfico, i.e., consultas a bibliografias, catálogos especiais com descrição de exemplares, conhecimento de história do livro e outras fontes de informação e referência.



Fonte: BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Divisão de Obras Raras. Planor. Critérios de raridade [e] Catálogo Coletivo do Patrimônio Bibliográfico Nacional - CPBN: séculos XV e XVI. Rio de Janeiro: FBN, [2000]. 1 CD-ROM : il. son., color. Sistema requerido: Windows 95. Compact Disc. Sonopress: 17595/00.



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