Crescimento de mudas de acacia negra sob omissão de micronutrientes



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XI CONGRESSO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE DE POÇOS DE CALDAS


20 A 22 DE MAIO DE 2015 – POÇOS DE CALDAS – MINAS GERAIS





CRESCIMENTO DE MUDAS DE ACACIA NEGRA SOB OMISSÃO DE MICRONUTRIENTES
Elias de Sá Farias(1); Nelson Venturin(2); Diana Suzete Nunes da Silva(3); Cleber Lázaro Rodas(4); Camila Silva Bibiano(5); Katya Kavuya Jeannot(6); Jéssica Putini Luizi Campos(7)
(1) Doutorando em Engenharia Florestal; Departamento de Ciências Florestais (DCF), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil. elias_ef_ufla@yahoo.com.br. (35) 9116-7255. Rua Vicente Canestri, 39, Vila Vilela, Lavas, MG, CEP 37200-000. (2) Doutor, Professor pesquisador; Departamento de Ciências Florestais; Universidade Federal de Lavras; Lavras, Minas Gerais, Brasil; venturin@dcf.ufla.br. (35) 3829-1010. Câmpus Universitário, Caixa Postal 3037, Lavras, Minas Gerais, CEP 37200-000. (3) Doutoranda em Engenharia Florestal; DCF/UFLA; Lavras, Minas Gerais, Brasil; disuzete@hotmail.com. (35) 9907-1234. Rua Saturnino de Pádua, 302, apto 102, centro, Lavras, Minas Gerais, CEP 37200-000. (4) Doutor em Ciência do Solo; Departamento de Ciência do Solo (DCS); UFLA; Lavras, Minas Gerais, Brasil; cleberrodas@yahoo.com.br. (35) 9172-6802. (5) Mestre em Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares. UFLA; Lavras, Minas Gerais, Brasil; camila.bibiano@yahoo.com.br. (35) 9228-5972. (6) Doutorando em Engenharia Florestal; DCF/UFLA; Lavras, Minas Gerais, Brasil; jeannotkavuya@yahoo.fr. (35) 9140-0724. (7) Mestranda em Engenharia Florestal; DCF/UFLA; Lavras, Minas Gerais, Brasil; jessybiology@gmail.com. (35) 8844-2620.
RESUMO – O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da omissão de micronutrientes no crescimento inicial de mudas de Acacia negra (Acacia mearnsii). Foram utilizados 7 tratamentos: T1= Solução Completa (Testemunha); T2= Completa – B; T3= Completa - Cu; T4= Completa - Fe; T5= Completa - Mn; T6= Completa – Mo e T7= Completa - Zn. O experimento foi montado esquematicamente com um DIC de 7x4 totalizando um número de 28 mudas. As mudas foram produzidas em sistema de solução nutritiva, e as soluções foram trocadas quinzenalmente durante o período experimental. Não houve diferença estatística entre os tratamentos para o índice de qualidade de mudas de Dickson - IQD. A omissão de ferro foi a condição que mais prejudicou o crescimento inicial das mudas. A ausência de manganês não afetou significativamente o desenvolvimento das mudas, revelando baixa exigência deste nutriente para Acacia mearnsii durante o período estudado.
Palavras-chave: Silvicultura. Acacia mearnsii. Nutrição. Reflorestamento.
Introdução

A acácia negra (Acacia mearnsii De Wild.) é uma espécie australiana introduzida no Brasil em 1918, pertencente à família Fabaceae, subfamília Mimosaceae (ex. leguminosa Mimosaideae). É uma espécie que cresce de 6 a 35 metros de altura, sendo que seu maior desenvolvimento é atingido em ambientes temperados e em solos profundos (COSTERMANS, 1981).

No Brasil, a espécie é intensamente cultivada no Estado do Rio Grande do Sul. Produz madeira de qualidade para energia, papel e celulose, para a fabricação de aglomerados (MAESTRI, 1992); e é muito procurada pelas indústrias de fabricação de móveis e artesanato (BRITTON, 1996). Entretanto, sua principal aplicação é a produção de tanino, extraído de sua casca, com aplicação no curtimento de couro. O tanino é também utilizado no tratamento de efluentes, na fabricação de colas fenólicas e na clarificação de cervejas e vinhos.

A demanda por mudas desta espécie para a implantação de áreas de exploração comercial vem aumentando, devido ao alto valor comercial da madeira, crescimento rápido, capacidade de fixação de nitrogênio e de recuperação de solo em áreas degradadas, qualidades estas compatíveis ou superiores em relação a outras espécies florestais de grande potencial no mercado (TONIETTO; STEIN, 1997; TONINI; HALFELD-VIEIRA, 2006).

Yap e Wong (1983) ressaltaram que um dos fatores que dificultam a propagação da acácia negra é o alto grau de dormência das sementes, impedindo a sua germinação. Popinigis (1985) justificou que esta dormência pode ocorrer devido à impermeabilidade do tegumento à água, fenômeno considerado como uma das causas mais comuns da dormência nas leguminosas. Assim, de acordo com Martins-Corder et al. (1999), antes da semeadura, as sementes de Acacia mearnsii devem ser imersas em água quente a 80ºC por 5 minutos.

Outro fator limitante para a maior difusão da espécie em reflorestamentos é a carência de informações sobre a nutrição da espécie. As espécies florestais apresentam exigências nutricionais e respostas ao estresse nutricional diferenciadas e a complementação nutricional é um dos principais fatores determinantes do sucesso dos plantios florestais e dos projetos de recuperação florestal. Considerando isso, infere-se que a carência ou o suprimento inadequado de nutrientes para espécies florestais pode comprometer o sucesso de um sistema de produção florestal bem como de projetos de recuperação de áreas degradadas por meio do plantio de espécies nativas ou exóticas (SORREANO, 2006).

Para produção de mudas de qualidade de qualquer espécie florestal, uma das premissas consiste no conhecimento de seus requerimentos nutricionais e comportamento em condições de restrição nutricional. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da omissão de micronutrientes em mudas de Acacia negra.
Material e Métodos

O experimento foi executado na Universidade Federal de Lavras, em duas partes, a primeira que se tratou do preparo e germinação das sementes foi realizada na casa de vegetação localizada no viveiro florestal do Departamento de Ciências Florestais (DCF) e a segunda parte, referente à implantação das mudas em solução nutritiva com elemento faltante, em casa de vegetação do Departamento de Ciência do Solo (DCS).

As sementes para a produção das mudas de Acácia-negra (Acacia mearnsii) foram fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Florestas – IBFLORESTAS, o lote de sementes foi oriundo de cerca de 50 matrizes e foram coletadas na safra de agosto de 2013 na cidade de Encruzilhada do Sul - RS. Antes da semeadura, as sementes foram imersas em água quente a 80ºC por 5 minutos de acordo com Martins-Corder et al. (1999).

Posteriormente as sementes foram colocadas para germinar em bandejas de isopor com substrato vermiculita e irrigadas diariamente no turno da manhã.



Após atingirem cerca de sete centímetros de altura as mudas foram colocadas em solução de adaptação. A adaptação consiste na submissão das mudas a diferentes concentrações da Solução Padrão estabelecida por Hoagland & Arnon (1950), em valores crescentes (Tabela 1). A primeira etapa da adaptação consiste na utilização de 25% da concentração, onde para o preparo da solução apenas um quarto dos volumes dos sais da solução completa foram aplicados para cada litro da solução de adaptação. As mudas permaneceram por sete dias em cada solução de adaptação até alcançarem a concentração 100%.
Tabela 1. Concentração da Solução Padrão e as diferentes concentrações utilizadas nas soluções de adaptação (Hoagland e Arnon, 1950).

Solução estoque

Completa

25%

50%

75%

100%

Vol. (ml)

Vol. (ml)

Vol. (ml)

Vol. (ml)

NH4H2PO4 M (115,03g L-1)

1

10

20

30

40

KNO3 M (101,11g L-1)

6

60

120

180

240

Ca(NO3)2.4H2O M (236,16g L-1)

4

40

80

120

160

MgSO4.7H2O M (246,9g L-1)

2

20

40

60

80

K2SO4 0,5M (87,13g L-1)

0

0

0

0

0

Ca(H2PO4)2.H2O 0,5M (12,6g L-1)

0

0

0

0

0

CaSO4.2H2O 0,01M (1,72g L-1)

0

0

0

0

0

Mg(NO3)2.6H2O M (256g L-1)

0

0

0

0

0

NH4NO3 M (80,04g L-1)

0

0

0

0

0

Solução ‘a’

1

10

20

30

40

Solução Fe-EDTA

1

10

20

30

40

Após a adaptação das mudas à solução de cultivo (21 dias após a implantação na solução de adaptação e 73 dias após a semeadura das sementes) foram montados os tratamentos com elemento faltante. O método consiste da retirada de um elemento micronutriente em cada tratamento por vez. O delineamento utilizado foi um DIC com 4 repetições e 1 planta por repetição, em que os tratamentos (T) consistiram de T1= Solução Completa (Testemunha); T2= Completa – B; T3= Completa - Cu; T4= Completa - Fe; T5= Completa - Mn; T6= Completa – Mo e T7= Completa – Zn, totalizando 7 tratamentos. O experimento foi montado esquematicamente com um DIC de 7x4 totalizando um número de 28 mudas. As soluções foram trocadas a cada quinze dias durante o período experimental.

As características biométricas, consideradas para avaliação das mudas foram: altura da parte aérea (H) - medida do colo até a inserção do último par de folhas - e diâmetro do colo (D). Ao final do experimento, 150 dias após a semeadura das sementes, as plantas foram colhidas, separadas as partes aérea e radicular, lavadas em água corrente e em água deionizada. Posteriormente foram colocadas em estufa de circulação forçada de ar, à temperatura de 65-70ºC, até o material atingir peso constante.

O material vegetal seco foi pesado em uma balança de precisão (0,01g), para obtenção da massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca da raiz (MSR) e massa seca total (MST). Foi calculado o índice de qualidade de Dickson (IQD) (DICKSON et al., 1960), obtido pela seguinte fórmula:



Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, e as médias avaliadas pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade. Foram geradas planilhas eletrônicas no Microsoft EXCEL® e as análises foram realizadas com o auxílio do software R© versão 2.11.1 (R DEVELOPMENT CORE TEAM, 2010).
Resultados e Discussão

A emergência das plântulas ocorreu aos 15 dias após o plantio, a taxa de germinação foi de 99%. Caldeira et al. (2000) relataram a obtenção de mudas de Acacia negra aos 14 dias após as sementes serem colocadas para germinar.



As mudas de Acacia negra apresentaram diferenças significativas (Pe ≥ 0,05), nas variáveis biométricas devido à omissão de micronutrientes (Tabela 02), sendo que, Fe, Mo, B, Zn e Cu foram os que mais influenciaram negativamente o desenvolvimento da espécie.
Tabela 2. Altura, diâmetro do colo e índice de qualidade de mudas de Dickson (IQD) nos tratamentos como omissão de micronutrientes em Acacia mearnsii (Acacia negra).

Tratamentos

Diâmetro do colo - D (mm)

Altura -H (cm)

IQD

Completo

3,69

a*

47,50

a

0,43

a

Completo - Mn

3,30

a

35,24

b

0,39

a

Completo - Cu

2,86

b

28,76

c

0,32

a

Completo - ZN

2,62

b

27,81

c

0,17

a

Completo - B

2,50

b

27,50

c

0,24

a

Completo - Mo

2,30

b

27,51

c

0,14

a

Completo - Fe

1,91

b

15,50

d

0,10

a

*Médias seguidas pela mesma letra pertencem a um mesmo grupo pelo teste Scott-Knott a 5% de significância.
Para o diâmetro do colo (D) foi observado um desempenho superior nos tratamentos completos e com omissão de Mn, evidenciando a baixa influência da ausência deste micronutriente no desenvolvimento inicial das mudas.

Para a altura das mudas (H) o tratamento com omissão de Mn apresentou diferença significativa para os demais em que houve omissão de micronutrientes. As mudas de Acacia mearnsii apresentaram maior desenvolvimento em altura no tratamento completo.

Tanto para D e H o tratamento com omissão de ferro apresentou o menor desempenho, o que revela uma redução drástica no crescimento das mudas da espécie em condição de baixa disponibilidade deste micronutriente.

Não houve diferença estatística entre os tratamentos para o Índice de qualidade de mudas de Dickson - IQD. Esse fato se deve à grande variabilidade observada na massa seca obtida das mudas, pois tanto para a parte aérea quanto para o sistema radicular observou-se coeficientes de variação acima de 60%. Sorreano et al. (2008) ao analisarem a omissão de micronutrientes em sangra d’água observaram comportamento semelhante e concluíram que a produção de biomassa das mudas mostrou-se pouco influenciada pelos tratamentos, não apresentando diferença significativa na produção de matéria seca. O pequeno número de repetições, o alto coeficiente de variação e o tempo de duração do experimento (150 dias) podem ter contribuído para esse resultado. Comportamento semelhante foi observado por Duboc (1994) e Sorreano (2006), em mudas de jatobá (Hymenaea courbaril L. var.), onde a produção de matéria seca também não apresentou diferença significativa.


Conclusões

A omissão de ferro foi a condição que mais prejudicou o crescimento inicial das mudas de Acacia mearnsii.

A ausência de manganês não afetou significativamente o desenvolvimento das mudas, revelando baixa exigência deste nutriente para Acacia mearnsii durante o período estudado.
Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES pela concessão de bolsas de estudos. Ao CNPq pelo apoio financeiro.


Referências Bibliográficas

BRITTON, G. (1996) Untitled. In: Growing Australian Blackwood for Timber: A Strategic Workshop, Lorne, Victoria. Unpublished proceedings. RIRDC/LWRRDC/FWPRDC Joint Venture Agroforestry Program.

CALDEIRA, M.V.W.; SCHUMACHER, M.V.; TEDESCOET, N. Seedlings growth of Acacia mearnsii according to the vermicompost doses. SCIENTIA FORESTALIS, 2000.

COSTERMANS, L.F. (1981) Native Trees and Shrubs of South-eastern Australia. Rigby, Adelaide, 422 pp.

DICKSON, A.; LEAF, A.; HOSNER, J.F. Quality appraisal of white spruce and white pine seedling stock in nurseries. Forestry Chronicle, v.36, p.10-13, 1960.

DUBOC, E. Enriquecimento nutricional de espécies florestais nativas: Hymenaea courbaril, Copaifera langsdorffii e Peltophorum dubium.1994.68f. Dissertação (Mestrado) Escola Superior de Agricultura de Lavras, Lavras, 1994.

HOAGLAND, D.R. & ARNON, D.I. (1950). The water-culture methodf or growing plants without soil. California Agriculture Experiment Station Circular 347, revised.

MAESTRI, R. Estimativa de produção presente e futura de volume de madeira e peso de casca para povoamentos de acácia-negra (Acacia mearnsii De Wild). Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 1992. 102p. Tese Mestrado.

MARTINS-CORDER, M.P.; BORGES, R.Z.; JUNIOR, N.B. Fotoperiodismo e quebra de dormência em sementes de acácia negra (Acacia mearnsii DE WILD.). Ciência Florestal, Santa Maria, v.9, n.1, p. 71-77, 1999.

POPINIGIS, F. Fisiologia da semente. 2. ed. Brasília: ABRATES, 298 p., 4. 1985.

R Development Core Team (2010). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. ISBN 3-900051-07-0, URL http://www.R-project.org.

SORREANO, M.C.M. Avaliação da exigência nutricional na fase inicial de crescimento de espécies florestais nativas. 2006. 296 f. Tese (Doutorado em Ecologia Aplicada) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2006.

SORREANO, M.C.M.; MALAVOLTA, E.; SILVA, D.H.; CABRAL, C.P.; RODRIGUES, R.R. Deficiência de micronutrientes em mudas de sangra d’água (Croton urucurana, Baill.). Cerne, Lavras, v. 14, n. 2, p. 126-132, abr./jun. 2008.

TONIETTO, L.; STEIN, P.P. Silvicultura da acácia negra (Acacia mearnsii De Wild) no Brasil. Florestar Estatístico, v.4, n.12, p. 11-16. Nov.1996/ Out.1997.



TONINI, H.; HALFELD-VIEIRA, B.A. Desrama, crescimento e predisposição à podridão-do-lenho em Acacia mangium. Pesq. agropec. bras., Brasília, v. 41, n. 7, p. 1077-1082, 2006.

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