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Assessoria de Comunicação


ALEXANDER KLUGE: O QUINTO ATO
Centro Cultural Banco do Brasil apresenta mostra que repassa a produção para cinema e vídeo do grande diretor e pensador alemão
Cinema e filosofia. Através destas duas trilhas caminha Alexander Kluge, cineasta, escritor, pensador, um dos grandes nomes da cultura européia contemporânea. Kluge é referência quando se fala no Novo Cinema Alemão (ele foi um dos que assinaram o manifesto de Oberhausen, que criou o movimento, ainda na década de 60), embora tenha encontrado o cinema bem antes disso. Por incrível que pareça, este criador que é o mais premiado da história do Festival de Veneza é praticamente desconhecido do público brasileiro. Ou melhor, era. O Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília realiza, de 25 de março a 13 de abril, uma retrospectiva completa da obra do cineasta, exibindo todos seus longas e curtas-metragens realizados para o cinema e para a televisão. A programação inclui diversos títulos inéditos, como Amor cego - conversa com Jean-Luc Godard feito originalmente para a TV. ALEXANDER KLUGE: O QUINTO ATO será aberta com a exibição de um programa inédito que reúne cinco curtas do cineasta – Brutalidade em pedra, Professor em transformação, Retrato de quem deu certo, Sra. Blackburn e O bombeiro. Até o dia 13 de março serão 21 filmes, em três sessões diárias, às 15h30, 18h e 20h30. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00. No dia 11 de abril, às 20h30, o crítico José Carlos Avellar faz palestra, com entrada franca, sobre o trabalho do realizador.
Em ALEXANDER KLUGE: O QUINTO ATO o espectador poderá ter uma idéia geral da personalidade e do pensamento deste criador inquieto, indomável, brilhante, que, do alto de seus 75 anos de idade, mantém as antenas sintonizadas no futuro. “Um jovem que hoje quer fazer cinema deve pensar na Internet. Na rede qualquer um pode enviar os próprios filmes e ser espectador. Mas necessita ser rápido: filmes de um minuto, no máximo cinco, síntese e qualidade são o futuro. Os filmes devem ser breves como uma citação de Tácito”, costuma dizer Kluge.
Realizada com curadoria da professora e pesquisadora Jane de Almeida, esta é a primeira retrospectiva da obra de Kluge no Brasil. Um dos principais responsáveis pela renovação da cinematografia alemã, já no início dos anos 60, Alexander Kluge debruçou-se sem temores sobre temas como o nacional-socialismo e a Guerra, misturando elementos aparentemente heterogêneos, como ficção, documentário, política, filosofia, surrealismo. Praticamente todos os seus filmes de longas-metragens receberam prêmios prestigiosos – Artistas na cúpula do circo: perplexos (1967), por exemplo, ganhou o Leão de Ouro em Veneza e inclui uma cena que se tornou antológica, quando um elefante profere citações de Hegel.
Intelectual múltiplo, que ao longo de mais de quatro décadas, produziu uma obra crítica e intrigante, tanto no cinema quando na literatura e até na televisão, Kluge tem se mostrado fundamental para o entendimento do mundo contemporâneo, como afirmou a grande escritora Susan Sontag: “Kluge é uma figura gigantesca no cenário cultural alemão. Ele é um exemplo - assim como Pasolini - do que há de mais vigoroso e original no conceito europeu do artista como intelectual, e do intelectual como artista”. 

A MOSTRA



Despedida de ontem, Prêmio Especial do Júri (Leão de Prata) no Festival de Veneza. Ferdinand, o forte, Prêmio da crítica internacional em Cannes, em 1976. O poder dos sentimentos, Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1983. ALEXANDER KLUGE: O QUINTO ATO vai exibir toda a premiada filmografia do diretor, incluindo sua produção em curta-metragem.
A mostra será inaugurada com o primeiro filme que Kluge dirigiu, em 1960, o curta Brutalidade em pedra, rodado em preto e branco e com 12 minutos de duração. Com uma montagem lírica, o filme se colocou contra a amnésia do cinema alemão de então, tocando no assunto do passado nazista, ao estabelecer paralelos entre a arquitetura alemã e a visão de mundo do Terceiro Reich. Exibido pela primeira vez em 1961, no Festival de Oberhausen, o filme acabou se tornando um marco e inspirando o que viria a ser o Novo Cinema Alemão.
Através de seus 21 filmes, será possível acompanhar a proposta cinematográfica de Kluge: ele quer evitar a repetição de imagens já cristalizadas na mente do espectador. Assim, muitas vezes, em seus trabalhos para a TV, o realizador parte de um trecho de um filme que ele já lançou. Ele acha fascinante retirar a seqüência de seu contexto original e concentrar-se nela, descobrindo novos significados. “Eu não acredito no conjunto da obra e sim na utilização prática da obra”, diz. Ferrenho defensor do cinema, Kluge afirma que “o não-filmado critica o filmado” e brinca: “Na minha opinião, o cinema é algo que o homem carrega na cabeça desde a Idade da Pedra. Quando sua arte foi descoberta, no final do século 19, este foi apenas um reencontro. O cinema é anterior à arte do cinema”. Mas, assim como seu amigo Jean-Luc Godard, Kluge conclui que o cinema está relacionado com imagens invisíveis ou com imagens subentendidas. “Precisamos também destruir as imagens. Mas isto só é feito com muitos espectadores.”
No dia 5 de abril, a partir das 20h30, o crítico José Carlos Avellar discorre sobre o cinema de Alexander Kluge, que ele conhece muito bem. Integrante do conselho editorial da revista Cinemais, ex-diretor da Cinemateca do MAM-RJ, da Embrafilme e da RioFilme, Avellar tem participado de júris da crítica em vários festivais internacionais. E desde 1980, atua como consultor do festival internacional de Cinema de Berlim, mantendo uma relação muito próxima com o cinema alemão. Entusiasta da obra de Alexander Kluge, Avellar cita o cineasta como exemplo de um cinema de invenção, ao mesmo tempo intelectual e político.

ALEXANDER KLUGE

Nascido em 14 de fevereiro de 1932, em Halberstadt, Alemanha, Kluge estudou direito (tornou-se doutor), história e música sacra e foi aluno do filósofo Theodor Adorno, com quem manteve forte vínculo intelectual. Chegou a trabalhar como advogado e como autor de ficção e escritor político. Começou no cinema em 1958, como assistente de Fritz Lang no filme O Tigre de Bengala. Dois anos depois, assumiu a direção de curtas-metragens. A partir de 1962, se tornou uma espécie de líder do grupo de jovens cineastas alemães, sendo um dos primeiros signatários do manifesto de Oberhausen, onde se propunha uma nova estética cinematográfica na Alemanha. Um cinema livre em suas idéias e linguagens.


No final dos anos 1970, Kluge coordenou a aventura política coletiva em Alemanha no outono (1978), filme co-dirigido por Alf Brustellin, Hans Peter Cloos, Rainer Werner Fassbinder, Beate Mainka-Jellinghaus, Maximiliane Mainka, Edgar Reitz, Katja Rupé, Volker Schlöndorff, Peter Schubert and Bernhard Sinkel. Nos anos 80, dirigiu os filmes O ataque do presente contra o resto do tempo, com o qual confirma o seu estilo direto e agressivo e Fatos diversos (1986). Em 1985, junto com Edgar Reitz, assinou uma série para a televisão dividida em quatro episódios dedicada à história do cinema. Desde 1988 Kluge produz inúmeros programas culturais de televisão para os canais RTL e SAT 1.
Paralelamente à atividade cinematográfica, Alexander Kluge tem se dedicado à carreira de escritor, tendo recebido, em 2003, o Georg-Büchner-Preis, o mais renomado prêmio literário alemão, concedido a poetas, romancistas e dramaturgos da estirpe de Friedrich Dürrenmatt. Kluge já lançou romances e ensaios políticos e filosóficos. Em co-autoria com o sociólogo Oscar Negt, escreveu livros como Opinião Pública e Experiência, História e Obstinação e O que há de político na política. No ano 2000, a editora Suhrkamp lançou sua obra narrativa completa sob o título Chronik der Gefühle (Crônica de Sentimentos). Seu último livro, Histórias do Cinema (Geschichten vom Kino), é divido em pequenos ensaios com suas impressões sobre o cinema e foi lançado em 2007.
O realizador tem desenvolvido uma larga carreira na televisão. Suas contribuições neste campo vão desde o esforço em buscar modificações para o acordo interestadual de transmissão (propondo que estações comerciais permitam a exibição de programas de interesses especiais produzidos por uma terceira parte) até a exibição de produções próprias feitas especialmente para a televisão. Como diretor da produtora DCTP (Development Company for Television Programs), tem produzido programas com assuntos pouco convencionais.
PROGRAMAÇÃO
25/03, terça

18h - Curtas (61 min): Brutalidade em Pedra, Professor em transformação, Retrato de quem deu certo, Sra. Blackburn e O bombeiro

20h30 – O ataque do presente sobre o restante do tempo (106 min)
26/03, quarta

18h – O Candidato (124 min)

20h30 O grande caos (90 min)
27/03, quinta

15h30 Alemanha no outono (119 min)

18h Trabalho ocasional de uma escrava (87 min)

20h30Willi Tobler e a queda da 6a Frota (78 min)
28/03, sexta

15h30 O poder dos sentimentos (112 min)

18hNo perigo e na penúria,o meio-termo leva à morte (86 min)

20h30 Despedida de ontem (84 min)
29/03, sábado

15h30 A patriota (118 min)

18h A indomável Leni Peickert (33 min) e Amor cego – conversa com Jean-Luc Godard (24min)

20h30Artistas na cúpula do circo: perplexos (100 min)
30/03, domingo

15h30 Guerra e paz (118 min)

18hNotícias variadas (103 min)

19h30Trabalho ocasional de uma escrava (87 min)
1o/04, terça

18h Despedida de ontem (84 min)

20h30 No perigo e na penúria, o meio-termo leva à morte (86 min)
02/04, quarta

18h Artistas na cúpula do circo: perplexos (100 min)

20h30 Willi Tobler e a queda da 6a Frota (78 min)
03/04 , quinta

15h30 – O ataque do presente sobre o restante do tempo (106 min)

18h O grande caos (90 min)

20h30 – O candidato (124 min)
04/04, sexta

15h30 – Curtas (61 min): Brutalidade em Pedra, Professor em transformação, Retrato de quem deu certo, Sra. Blackburn e O bombeiro

18h O poder dos sentimentos (112 min)

20h30 A patriota (118 min)
05/04, sábado

15h30 Ferdinand, o forte (79 min)

18h Trabalho ocasional de uma escrava (87 min)

20h30 Alexander Kluge: O quinto ato – Palestra de José Carlos Avellar
06/04, domingo

15h30 Notícias variadas (103 min)

18h - Guerra e paz (118 min)

20h30 A Indomável Leni Peickert (33 min) e Amor cego – conversa com Jean-Luc Godard (24min)
08/04, terça

18h Ferdinand, o forte (79 min)

20h30 Notícias variadas (103 min)
09/04, quarta

18h Willi Tobler e a queda da 6a Frota (78 min)

20h30 O poder dos sentimentos (112 min)
10/04 , quinta

15h30 – O candidato (124 min)

18h Alemanha no outono (119 min)

20h30 Despedida de ontem (84 min)
11/04, sexta

15h30 A Indomável Leni Peickert (33 min) e Amor cego – conversa com Jean-Luc Godard (24min)

18h No perigo e na penúria,o meio-termo leva à morte (86 min)

20h30 – Ferdinand, o forte (79 min)
12/04, sábado

15h30 Artistas na cúpula do circo: perplexos (100 min)

18h A patriota (118 min)

20h30 Guerra e paz (118 min)
13/04, domingo

15h30 O grande caos (90 min)

18h – O ataque do presente sobre o restante do tempo (106 min)

20h30 – Curtas (61 min): Brutalidade em Pedra, Professor em transformação, Retrato de quem deu certo, Sra. Blackburn e O bombeiro
SINOPSES

(escritas por Alexander Kluge)


LONGAS-METRAGENS
A indomável Leni Peickert (Die unbezähmbare Leni Peickert, 1967/69, DVD, 33 min, 16 anos)

Direção e roteiro: Alexander Kluge
Elenco: Hannelore Hoger e outros

Outros empreendimentos da dona de circo Leni Peickert. Não há como domá-la. Circo no inverno. Encontro com colegas russos. Os adágios e os poemas de Leni Peickert. A artista em fúria. Luta por espaço na programação da TV.


A patriota (Die Patriotin, 1979, 16mm, 118 min, 16 anos).

Direção e roteiro: Alexander Kluge
Elenco: Hannelore Hoger, Alfred Edel, Dieter Mainka, Kurt Jürgens, Alexander von Eschwege, Beate Holle, Willi Münch e outros
Prêmios: German Film Awards de 1979 – Film Awards in Silver

A professora de história Gabi Teichert (Hannelore Hoger) busca as raízes da História alemã. É preciso descobri-la, se não quisermos ser mortos por ela. De modo condizente com sua profissão, Gabi Teichert é uma combatente coerente em favor da formação e do esclarecimento. No congresso do Partido Social-Democrata (SPD), no Dia da Penitência na Alemanha e no feriado do Advento, envolvida com o cotidiano do magistério e ávida por mudanças em sua vida pessoal: em busca de uma República pela qual valha a pena se engajar.


Alemanha no outono (Deutschland im Herbst, 1978, DVD, 119 min, 16 anos)

Direção: Alexander Kluge, Volker Schlöndorff, Rainer Werner Fassbinder, Alf Brustellin, Bernhard Sinkel, Katja Rupe, Hans Peter Cloos, Edgar Reitz, Maximiliane Mainka, Peter Schubert
Elenco: Rainer Werner Fassbinder, Armin Meier, Liselotte Eder, Hannelore Hoger, Helmut Griem, Wolf Biermann, Horst Mahler, Vadim Glowna, Angelika Winkler, Franziska Walser e outros
Prêmios: German Film Awards de 1978 – Film Awards in Gold

Outono de 1977. Quase ao mesmo tempo: o seqüestro do avião da Lufthansa em Mogadíscio, a catástrofe [com os dirigentes da Facção do Exército Vermelho presos] em Stammheim e o assassinato [do líder empresarial] Hanns Martin Schleyer. No fim de semana posterior a esses acontecimentos, encontram-se, na casa do editor Theo Hinz Rainer, Werner Fassbinder, Volker Schlöndorff, alguns outros diretores de cinema e eu [Kluge]. Combinamos de fazer um filme em conjunto. Há comoção no ar. Três dias depois, Fassbinder já tinha rodado sua parte. Nós, os outros cineastas, fomos a Stuttgart, para os funerais de Schleyer e seu enterro no cemitério Dornhalden. Beate Mainka-Jellinghaus e eu ficamos encarregados de fazer a montagem de todo o filme. Esse tipo de filme coletivo é uma continuação coerente do filme de autor. Ele permite a mistura de temperamentos, aglutina forças e põe em marcha vários outros filmes (na seqüência, Fassbinder filmou A terceira geração, e eu, A patriota).


Artistas na cúpula do circo: perplexos (Die Artisten in der Zirkuskuppel: ratlos, 1967, 16mm, 100 min, 16 anos).

Direção e Roteiro: Alexander Kluge
Elenco: Hannelore Hoger, Alfred Edel, Siegfried Gaue, Bernd Hoeltz, Kurt Jürgens e outros

Prêmio: Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Como seu pai antes dela, a dona de circo Leni Peickert (Hannelore Hoger) também quer levar o desempenho artístico a seu ponto máximo. Ao mesmo tempo, seu ideal é a naturalidade. Ela quer mudar o circo, mas suas inovações levam a empresa à bancarrota. “Se o capitalista faz aquilo de que gosta,/ e não aquilo que lhe traz vantagem,/ Não recebe apoio de ninguém”. Revigorada, Leni Peickert busca uma segunda chance, agora na televisão comercial.


Despedida de ontem (Abschied von gestern, 1965/66, 16 mm, 84 min, 16 anos).

Direção e roteiro: Alexander Kluge baseado na história de Anita G.
Elenco: Alexandra Kluge, Günter Mack, Eva Maria Meineke, Hans Korte, Ursula Dirichs, Alfred Edel

Prêmio: Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza.
Uma jovem, Anita G., rouba um pulôver para se aquecer. Cumprida a pena, ela faz várias tentativas de começar vida nova. Depois de uma fuga em ziguezague, vai parar de novo na cadeia. Os nazistas tinham levado seus pais. Ela vem do Leste. E agora passa frio no Oeste. Três Alemanhas.
Ferdinand, o Forte (Der starke Ferdinand, 1975/1976, 16mm, 79 min, 16 anos)

Direção: Alexander Kluge


Elenco: Heinz Schubert, Verena Rudolph, Gert Günther Hoffmann, Heinz Schimmelpfennig e outros
Prêmios: FIPRESCI do Festival de Cannes de 1976

O chefe de segurança de um estaleiro, Ferdinand Rieche (Heinz Schubert), possui uma extraordinária capacidade de defesa perante inimigos externos e internos da empresa. Porém, por determinação superior, encontra-se impedido de exercer sua capacidade em sua plenitude. Diversas frustrações o induzem a um atentado. De algum modo, Rieche precisa demonstrar que seu trabalho tem valor. Um fundamentalista do sistema de segurança.


Guerra e paz (Krieg und Frieden, 1982/83, DVD, 118 min, 16 anos)

Direção: Alexander Kluge, Stefan Aust, Axel Engstfeld, Volker Schlöndorff

Em 1945, se a guerra na Europa não tivesse acabado em maio, mas só em agosto, a bomba atômica poderia ter sido lançada não sobre Hiroshima, mas sobre Berlim (Valentin Falin). Do mesmo modo, no ápice da Guerra Fria (durante a chamada crise dos mísseis), teria sido possível que o centro da Alemanha tivesse sido destruído por bombas de nêutrons. É uma ilusão acreditar que a ameaça de guerra esteja hoje afastada de nosso país de forma duradoura. Além disso, atrocidades que acontecem em outros locais do planeta não podem nos deixar indiferentes. Um filme com contribuições de Volker Schlöndorff, Heinrich Böll, Stefan Aust, Axel Engstfeld e Alexander Kluge. O tema é a marcha dos 300 mil manifestantes que foram a Bonn protestar. Ao final do processo, caiu o primeiro-ministro Helmut Schmidt, em razão da crise na esfera pública que abalava o país. A intenção era produzir filmes de autor reunindo vários cineastas, como esse, em escala européia.
No perigo e na penúria, o meio-termo leva à morte (In Gefahr und grösster Not bringt der Mittelweg den Tod, 1974, 16mm, 86 min, 16 anos)

Direção e Roteiro: Alexander Kluge, Edgar Reitz
Elenco: Dagmar Bödderich, Jutta Winkelmann, Norbert Kentrup, Alfred Edel, Kurt Jürgens e outros
Prêmios: German Film Awards de 1975 – Film Awards in Gold

Catorze dias em fevereiro de 1973 na cidade de Frankfurt/Main. É dia de Carnaval, e ao mesmo tempo a polícia realiza uma violenta desocupação de casas localizadas na rua Schumann, esquina com a Bokkenheimer Landstrasse. Duas mulheres perambulam pela cidade. Uma delas é garota de programa e ladra (“Como os homens sempre me deixam um vazio, eu levo a carteira deles comigo”). A outra, Rita Müller-Eisert, é espiã da Alemanha Oriental (“Não me interesso apenas por segredos de Estado, mas também pela realidade social”). O título do filme foi retirado de um grafite encontrado no porão de uma das casas ocupadas e corresponde às convicções políticas de Kluge. O tango que acompanha a fuga da garota de programa ladra, no final, é de uma banda espanhola que fugiu para a França depois da Guerra Civil. A música é formada pelas primeiras doze notas da Internacional.


Notícias variadas (Vermischte Nachrichten, 1986, DVD, 103 min, 16 anos)

Direção e roteiro: Alexander Kluge
Elenco: Jutta Hoffmann, Armin Mueller-Stahl, Michael Rehberg, Rosel Zech
Prêmio: German Film Awards de 1986 – Film Award in Silver

Nos jornais de antigamente, as notícias variadas (faits divers) podiam ser encontradas na última página. A vigilância redacional era menor ali. De forma que as notícias variadas dão liberdade ao olhar sobre a matéria-prima dos acontecimentos no mundo. Como um espelho deformador.


Trata-se da morte ocorrida na UTI às 5 da manhã, de um funeral (“Feliz daquele que se esquece daquilo que não pode ser mudado”). Um filho protege a mãe com uma arma. Um caso de canibalismo em Stalingrado. Recepção oferecida por Honnecker no dia em que lei marcial foi imposta na Polônia. O dia em que uma senhora caiu e quase morreu, mas que se ergue mais uma vez e comemora o Ano-Novo. Porém, trata-se aqui sobretudo da história do garçom Max, que ama uma prostituta africana e morre por causa desse amor. Por vinte anos, os filmes de autor povoaram o cinema. Agora, alguns desses realizadores se dedicam à “televisão de autores” (Reitz, com Heimat [Pátria]; Kluge com as revistas culturais dos produtores independentes – DCTP).  No ponto de interseção se lê: Notícias variadas.
O ataque do presente contra o resto do tempo (Der Angriff der Gegenwart auf die übrige Zeit, 1985, 16mm, 106 min, 16 anos).

Direção e roteiro: Alexander Kluge
Elenco: Jutta Hoffmann, Armin Mueller-Stahl, Michael Rehberg, Rosel Zech
Prêmio: German Film Awards de 1986 – Film Award in Silver

É possível dividir o século XX em planos quadrienais? Que relação existe entre a cultura e o comércio de sucata? Qual é o poder dos meios de comunicação de massa? Uma jovem médica se sente desnecessária. Uma família se senta diante de seu computador como se estivesse defronte de uma lareira. Um apressado. Pessoas se separam. Uma educadora (Jutta Hoffmann) precisa entregar a parentes uma criança que perdeu os pais e de quem ela cuidou durante um ano. Ao ver a forma como a criança é recebida, resolve mantê-la consigo. Por fim, a história do diretor de cinema cego. Ele perdeu a visão durante os trabalhos de filmagem e roda seu mais belo filme. O presente se enfatua. Mas sem a história pregressa e o futuro, sobretudo na forma de possibilidade, não existe realidade: o ataque do presente contra o resto do tempo.


O candidato (Der Kandidat, 1980, DVD, 124 min, 16 anos)

Direção: Stefan Aust, Alexander Kluge
Elenco: Wolf Biermann, Karl Carstens, Edmund Stoiber, Franz Joseph Strauss, Marianne Strauss

Por ocasião da candidatura de Franz Josef Strauss ao posto de primeiro-ministro, Volker Schlöndorff, Stefan Aust e Alexander Kluge se reúnem para realizar mais um filme conjuntamente. A película comenta a campanha eleitoral e questões da esfera política.


O grande caos (Der Grosse Verhau, 1969/70, DVD, 90 min, 16 anos).

Direção e Roteiro: Alexander Kluge


Elenco: Vinzenz e Maria Sterr, Hannelore Hoger, Hark Bohm e outros
Prêmios: Berlim, Internationales Forum des Jungen Films, Interfilm Award, do Festival de Berlim de 1971

No filme de ficção científica O grande caos, a galáxia está tomada pela guerra civil. Quem demonstra maior capacidade de sobrevivência é a Sociedade do Canal de Suez, que tendo perdido, em 1956, seu bem original, o Canal, agora, livre e destituída de bens, pode cuidar de sua expansão. O cosmonauta Douglas (Sigi Graue), o casal Sterr, um almirante cósmico Bohm (Hark Bohm), o engenheiro Bodenham (Ian Bodenham, hoje dirigente de um dos principais segmentos da televisão pública nos Estados Unidos) e várias outras personagens habitam o cosmo. As histórias relatadas em “Processos de aprendizagem com morte no final”, originalmente publicadas no livro de Kluge Unheimlichkeit der Zeit [O caráter inquietante do tempo] (editora Suhrkamp, 1979), dão continuidade ao filme.


O poder dos sentimentos (Die Macht der Gefühle, 1983, 16mm, 112 min, 16 anos).

Direção: Alexander Kluge


Elenco: Hannelore Hoger, Alexandra Kluge, Edgar Boehlke, Suzanne von Borsody, Barbara Auer e outros
Prêmios: FIPRESCI do Festival de Veneza de 1983

Sentimentos não devem ser confundidos com sentimentalismo. Eles são muito antigos e mais poderosos do que imaginamos. Mais antigos do que qualquer arte, mas certamente são o subtexto dela. Trata-se aqui de uma mulher (Hannelore Hoger) que matou o marido a tiros e formula enigmas para o juiz; e de jovens casais que querem transformar suas experiências amorosas em decisões claras, o que se revela difícil. No mundo do crime, duas pessoas que se amam se vêem envolvidas por outro casal (sedento por diamantes) num assassinato. Quando encontram a vítima no apartamento deles, não acreditam em momento algum serem realmente capazes de se defender na justiça. Mas já que gostam de ficar juntos, não desistem. Examinam de perto a vítima e percebem que ainda lhe resta um sopro de vida e conseguem fazê-la recuperar-se após seis meses de cuidados intensivos: a desmontagem de um crime por meio da cooperação. Histórias como essa formam o conteúdo de óperas. A ópera é uma “usina de sentimentos”. O cabeamento se tornou confuso. Quanto mais intensas as emoções, menores as chances de um final feliz.


Trabalho ocasional de uma escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin, 1973, 87 min, 16 mm, 16 anos).

Direção e roteiro: Alexander Kluge

Elenco: Alexandra Kluge, Bion Steinborn, Sylvia Gartmann, Traugott Buhre, Ursula Dirichs, Alfred Edel

Alguns meses na vida de um casal com filhos em meio a um movimento de protesto. Roswitha Bronski (Alexandra Kluge) é tocada pelo entusiasmo revolucionário. Primeiro, ela planeja mudanças no seio da família (“a mudança de casa é a menor forma de transformação social”). Depois, altera seu foco para ações fora do âmbito familiar, para ela mais fáceis.


Willi Tobler e a queda da 6ª frota (Willi Tobler und der Untergang der 6. Flotte, 1971, DVD, 78 min)

Direção: Alexander Kluge
Elenco: Alfred Edel, Helga Skalla, Hark Bohm, Kurt Jürgens, Hannelore Hoger u.a.

Guerra civil galáctica no final de 2040. Willi Tobler (Alfred Edel) tem mulher e dois filhos. Depois de um bombardeio cósmico, ele resolve se desvencilhar de todos os seus bens, da mulher e dos filhos, e também de quaisquer propósitos e virtudes. Livre de toda responsabilidade, ele quer agora cuidar da própria segurança e oferece seus serviços ao almirante sideral Bohm, num estranho setor do cosmo. Ganha de imediato o posto de porta-voz de imprensa da 6ª frota. Mas seu engajamento torna-se uma armadilha. As relações de poder mudam. Na guerra civil, Willi Tobler coloca suas fichas do lado errado. A juíza marcial (Hannelore Hoger) o condena à morte. Não há segurança em parte alguma.


CURTAS-METRAGENS
Amor cego – Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe- Gespräch mit Jean-Luc Godard, 2001, DVD, 24 min, 16 anos).

Roteiro e Direção: Alexander Kluge

Alexander Kluge entrevista Godard para seu programa de televisão Zehn vor elf [10 para as 11], fazendo perguntas inusitadas e provocando um diálogo intenso sobre cinema, sua história e materialidade. “O amor é cego?”, “Os ouvidos são mais velhos que os olhos?”, “Como explicaria a um habitante de Sirius o que é o cinema?”, são perguntas feitas a Godard que fala de suas influências românticas alemãs, da televisão que não quer ver o cinema crescer e lembra que sua mãe só viu filmes mudos antes de ele nascer. Dois gigantes em uma batalha de cordialidades.
Bombeiro (Feuerlöscher E. A. Winterstein, 1968, 35 mm, p&b, 11 min, 16 anos)

Roteiro e direção: Alexander Kluge

Um filme aparentemente confuso, composto de material oriundo de documentários e sobras de filmes de ação (Despedida de ontem). Fogos de artifício da arte da associação e da montagem. É importante por ser o primeiro filme de Kluge em que aparece a figura do bombeiro, o tipo ideal de Kluge, que deve apagar o fogo da política e da História.
Brutalidade em pedra (Brutalität in Stein, 1960, 35 mm, p&b, 12 min, 16 anos)

Produção, roteiro, direção: Alexander Kluge, Peter Schamoni

Primeiro filme de Kluge, realizado em colaboração com Peter Schamoni, procura estabelecer paralelos entre a arquitetura e a visão de mundo nazista. Com recursos limitados, porém expressivos, mostra como as construções se tornam aos poucos monumentais.
”A película traz não só informações de interesse e esclarecimentos sobre a história da cultura alemã, mas é também um documento das primeiras tendências de renovação do cinema do pós-guerra da Alemanha Ocidental.” (Ulrich Gregor)
Professor em transformação (Lehrer im Wandel, 1962/63, 35 mm, p&b, 11 min, 16 anos)

Produção, roteiro, edição, direção: Alexander Kluge

A partir de três exemplos concretos, Kluge ilustra uma “Educação sem perspectivas” (intertítulo). Inicialmente, aborda a vida de Adolf Reichwein, que havia sido professor e funcionário do ministério prussiano. Sob o regime nazista, ele se retira para uma escola de aldeia, onde existe uma única classe, e lá desenvolve um modelo pedagógico. Em 1944 é enforcado. Friedrich Rühl, outro pedagogo apaixonado, acreditava no poder da educação. Em 1944 é obrigado a liderar um grupo de alunos na frente de batalha, na qual apenas quatro sobrevivem. Margit M. era adepta da chamada reforma escolar geral. Ela não acreditava ser capaz de dar aulas “sob o domínio do partido”. Depois, mesmo assim, assume um cargo pedagógico na Alemanha Oriental e é despedida por “teimosia pedagógica”. 
Retrato de quem deu certo (Porträt einer Bewährung, 1964, 35 mm, p&b, 10 min, 16 anos)

Roteiro e direção: Alexander Kluge

Relata a história do ex-guarda policial Karl Müller-Seegeberg, um oportunista que serviu a seis governos e “sempre se deu bem”. Uma construção típica de Kluge, que pretende mostrar como uma virtude levada às últimas conseqüências paralisa todas as outras qualidades.
Sra. Blackburn (Frau Blackburn, geb. 5. Jan. 1872, wird gefilmt, 1967, 35 mm, p&b, 14 min, 16 anos)

Roteiro e direção: Alexander Kluge 

O primeiro filme de Kluge sobre um membro de sua própria família. A Sra. Blackburn, de 95 anos de idade, é sua avó. Kluge a leva a fazer relatos e a improvisar e também introduz uma pequena ação narrativa (sobre a venda de brincos).

ALEXANDER KLUGE: O QUINTO ATO


Local: Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília

Data: de 25 de março a 13 de abril de 2008

Horários: 15h30, 18h e 20h30

Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00

Informações: (61) 3310. 7081

Assessoria de imprensa: Objeto Sim Projetos Culturais – 3443. 8891 e 3242. 9805

Carmem Moretzsohn: (61) 8142. 0111 Gioconda Caputo: (61) 8142. 0112



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Mais informações sobre a mostra: www.witz.com.br/alexanderkluge/brasilia





Assessoria de Comunicação:

Objeto Sim Projetos Culturais

Tel/fax: 61 3443-8891 – Cel.: 61 8142.0111 e 8142. 0112

Centro Cultural Banco do Brasil:

Luzineide Soares – Gerente Geral

Luiz Rossato – Gerente de Programação

Marco Marra – Gerente de Comunicação

Luanda Príscila – Assessor de Imprensa

Tel.: 61 3310-7081 – Fax: 61 3310-7227 – e-mail: ccbbdf@bb.com.br



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