Conceitos de qualidade de vida



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CONCEITOS DE QUALIDADE DE VIDA
A Qualidade de Vida (QV) é um assunto relevante no mundo moderno por ser o produto da interação entre as expectativas e realizações de uma pessoa, podendo somente ser descrita e medida em termos individuais, portanto numa análise subjetiva.
Esse assunto está em evidência, utilizado como contexto de pesquisa, servindo como elo entre as áreas especializadas do conhecimento como sociologia, medicina, enfermagem, psicologia, economia, geografia, história social, filosofia dentre outras, sendo, portanto, um tema interdisciplinar.
Souza e Guimarães (1999) relatam que cientistas sociais, filósofos e políticos foram aqueles que primeiro partilharam e se interessaram por conceitos como “padrão de vida” e “qualidade de vida”.

Podemos observar que tratar sobre o tema qualidade de vida, vai além das ciências humanas e biológicas, ampliando medidas que não sejam apenas controle de sintomas e sim diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de vida.



Matos (1996) afirma que para falar de Qualidade de Vida, não se pode deixar de enfocar o campo da motivação humana, buscando com isso, identificar as necessidades para sua realização.


Os pesquisadores e estudiosos do assunto trabalham a QV englobando campos distintos como estado físico e habilidades funcionais, estado psicológico e bem-estar, interações sociais, fatores e estados econômicos e/ou vocacionais, estado espiritual e/ou religioso. Contudo, alguns autores, em seus estudos ou pesquisas, avaliam apenas determinados campos considerados pertinentes ao que se vai pesquisar; dessa forma, algumas investigações deveriam ser distinguidas entre si, já que poucas avaliam todos os campos que envolvem qualidade de vida (Spilker, 1996 citado por Souza & Guimarães, 1999:122).


Spilker refere ainda que o conceito apresenta três níveis: (1) avaliação total do bem-estar, (2) domínio global (físico, psicológico, econômico, espiritual e social) e (3) componentes de cada domínio.
Colocando este conceito em forma de pirâmide, "em sua base estariam os componentes de cada domínio" acima mencionados (3); "no meio da pirâmide" estariam os "domínios globais" (2) ; e, no seu "topo", estaria localizada a "avaliação geral de bem-estar do indivíduo" (1).
Este nível mais alto (1) pode ser descrito como a satisfação geral e o sentimento de bem-estar pessoal do indivíduo com sua vida. Para Spilker todos estes componentes podem ser avaliados por testes e escalas em conjunto ou isoladamente.
Ramos (1995), por seu lado, também define QV entendendo-a como um conjunto harmonioso e equilibrado de realização em todos os níveis, como: saúde, trabalho, lazer, sexo, família e desenvolvimento espiritual.
Bley e Nemazza-Licht (1997) afirmam que existem basicamente quatro campos que compõem a Qualidade de Vida, embora algumas vezes haja divergências quanto à terminologia: 1- Função física e profissional; 2- Função psicológica; 3- Interação social; 4- Sensação somática.

Wilheim e Deak (1970 citado em Cardoso, 1999:77), definiram qualidade de vida como "a sensação de bem-estar do indivíduo". Segundo esses autores, esta sensação é proporcionada pela satisfação de condições tanto objetivas (renda, emprego, objetos possuídos, qualidade de habitação) como também as condições subjetivas (segurança, privacidade, reconhecimento, afeto).

Podemos avaliar a Qualidade de Vida, então, sob dois aspectos: objetivo e subjetivo. O aspecto objetivo é possível de ser aferido, através das condições de saúde física, remuneração, habitação, e também, por meio daqueles indicadores observáveis e mensuráveis. Já a subjetividade da qualidade de vida busca os sentimentos humanos, as percepções qualitativas das experiências vividas.

Dalkey (1972 citado por Cardoso, 1999:76) menciona que quando se fala em Qualidade de Vida, deve-se refletir também sobre os fatores subjetivos (sentimentos), a esperança, a antecipação, a ambição, o nível de aspiração, a ansiedade e a idealizada "felicidade". Deve-se compreender que estas características são as que distinguem o ser humano dos demais animais, pois são estes diferenciais que levam o homem a buscar objetivos e ter perspectivas de futuro em decorrência desses fatores subjetivos. Dalkey destaca, ainda, a necessidade de um estudo sociológico e/ou psicológico.


Cardoso (1999) admite que é impossível separar o indivíduo de sua interação com o meio. Desta forma, para esta autora, qualidade de vida diz respeito, justamente, à maneira pela qual o indivíduo interage, levando-se em conta sua individualidade e subjetividade, sua interação com o mundo externo, portanto, a maneira como o sujeito é influenciado e como influencia. "Vida com qualidade" é determinada por uma relação de equilíbrio entre forças internas e externas.

Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)

Segundo Guimarães et al. (2004) a Qualidade de Vida no Trabalho já era discutida na Idade Média:

300 a.C. Ensinamentos de Euclides da Alexandria – Geometria – inspiração para melhoria do método de trabalho dos agricultores da margem do rio Nilo;
287 a.C. Arquimedes – Lei das Alavancas – diminui o esforço despendido por muitos trabalhadores;
Século XX Helton Mayofala do comportamento humano, motivação dos indivíduos para obtenção das metas organizacionais da Qualidade de Vida do Trabalhador; Maslow fala das necessidades fundamentais: fisiologia, segurança, amor, estima e realização.
Década de 90: Handing (1995) relata que o problema começou quando transformamos o tempo em mercadoria, comprando esse tempo e não a produção das pessoas. Quanto mais tempo de venda, mais dinheiro se fará, lembrando das condições acima. As empresas tornaram-se exigentes, querendo menos tempo das pessoas que pagam por hora e mais o seu tempo, que pagam por ano, porque no último caso, cada hora extra durante o ano acaba sendo gratuita (in Guimarães et al., 2004).

Os conceitos de Qualidade de Vida e Qualidade de Vida no Trabalho são diferenciados e exigem esforços no sentido de se aprofundar na literatura científica para compreendê-los, mas entrelaçam-se e revelam grande preocupação com relação ao equilíbrio, satisfação pessoal e profissional, além de bem-estar.

Evidenciam, ainda, como harmonizar as emoções e a afetividade, visando a melhoria de condutas pessoais objetivando maior produtividade e qualidade de resultados nas empresas.

Lacaz (2000:156) comenta que é


(...) inadmissível falar em qualidade do produto sem tocar na qualidade dos ambientes e condições de trabalho, o que seria sobremaneira auxiliado pela democratização das relações sociais nos locais de trabalho.

Rosa (1998 citado por Limongi-França, 2003:40) define QVT:

Qualidade de Vida é a busca contínua da melhoria dos processos de trabalho, os quais precisam ser construídos não só para incorporar as novas tecnologias como para aproveitar o potencial humano, individual e em equipe. No contexto empresarial ela se insere na qualidade organizacional, no repensar contínuo da Empresa.

De Marchi (1998 citado por Limongi-França, 2003:41), um dos fundadores e ex-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, também define QVT:

Nos anos 1998-1999, Qualidade de Vida é estar saudável, desde a saúde física, cultural, espiritual até a saúde profissional, intelectual e social. Cada vez mais as empresas que desejarem estar entre as melhores do mercado deverão investir nas pessoas. Portanto, Qualidade de Vida é um fator de excelência pessoal e organizacional.

Cardoso (1999), por seu lado, entende qualidade de vida como harmonia e equilíbrio em todos os níveis de realização de trabalho, saúde, lazer, família, sexo e desenvolvimento espiritual. Também menciona a década de 70 como sendo um marco no desenvolvimento da Qualidade de Vida no Trabalho. O trabalho passou a ser enobrecedor, significativo, um caminho para a auto-realização, crescimento profissional, possibilidade de se obter recompensas intrínsecas e extrínsecas, desenvolver habilidades até então desconhecidas, ter o potencial aumentado proporcionando segurança e satisfação com cada realização.


Segundo Dejours (1992:136), as pressões decorrentes das organizações de trabalho são potencialmente desestabilizadoras para a saúde mental do trabalhador. Ele explica a “organização de trabalho” através da divisão do trabalho ou o modo operário descrito como de fato ocorre e associa a idéia de repartição, de responsabilidades, hierarquia e controle.

Podemos destacar Tumer e Lawrence (1965 citado por Cardoso, 1999) que apresentaram um estudo do comportamento do trabalhador, cujas tarefas incluíam seis atributos: variedade, autonomia, interação exigida, interação operacional, conhecimento, habilidade e responsabilidade.

Finalmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define a Qualidade de Vida como



(...) a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. (citado por Fleck, 1996:64)

Será esta, portanto, a definição adotada por nós.


(Texto retirado de um artigo aceite para publicação na Revista Interacções - sociedade e as novas modernidades - a ser publicado em julho/2007 pela Quarteto e ISMT Instituto Superior Miguel Torga - Coimbra/Portugal.)



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