ComunicaçÃO, cultura e tecnologia



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COMUNICAÇÃO, CULTURA E TECNOLOGIA:

DO ANALÓGICO AO DIGITAL1

RESUMO


Este trabalho tem como objetivo a discussão das categorias basilares que construíram o lastro teórico fundamentador da minha pesquisa no Programa de Pós - Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia. Assim cultura, comunicação, tecnologia – foram discutidas de forma imbricada, por meio de macroconceitos, no intuito de perceber como se relacionavam e implicavam na dinâmica das interações sociais ao longo do processo histórico de constituição do homem enquanto sujeito sócio-histórico-cultural, sobretudo, face às transformações contemporâneas das mesmas categorias. A discussão gira em torno das mudanças que a tríade proposta neste artigo sofreu frente o advento da digitalização e da interação mediada por computador e a implicação deste movimento especialmente nas mídias digitais.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação. Cultura. Tecnologia. Mídias digitais.

ABSTRACT


This paper aims to discuss the basic categories that built the ballast theoretical foundations of my research at the Post - Graduate Education and Contemporary State University of Bahia. Thus culture, communication, technology - have been discussed in overlapping through macroconcepts in order to understand how they were related and involved in the dynamics of social interactions throughout the historical process of formation of man as subject to historical and socio-cultural, especially the face of contemporary changes in the same categories. The discussion revolves around the changes that the triad proposed in this article suffered against the advent of digitization and computer-mediated interaction and the implication of this movement especially in digital media.
KEYWORDS: Communication. Culture. Technology. Digital media.


INTRODUÇÃO
Este artigo é parte da minha dissertação de mestrado, resultado de pesquisa realizada entre 2007 e 2008 sobre a análise das possibilidades de construção de aprendizagem e comunicação em espaços de interação no Orkut. Assim, configurar as categorias teóricas que ajudam a compreender este fenômeno é de extrema importância para a compreensão do objeto.

A cultura, a comunicação e tecnologia foram aqui elencadas, considerando que não há como discutir os processos de construções sociais, em especial a aprendizagem, sem refletir em que tempo-espaço eles acontecem. A cultura, desta forma, é estrutura fundamental para esta análise. Aliada à cultura, a comunicação constitui fundamental parceria, visto que é através dela que o homem interage com o mundo, percebendo-o, lendo-o e relacionando com seus elementos. A tecnologia, por sua vez, completa a tríade proposta, haja vista que, na qualidade de produção criativa humana, é produzida a partir e para uma cultura, além de estar atrelada à comunicação do homem desde os primórdios da evolução humana.


1 COMUNICAÇÃO: MACROCONCEITO E RELAÇÕES
Ao pensar nas categorias supracitadas, emergem questionamentos naturais quanto ao seu entendimento e conceito. Estas questões, aqui representadas por argumentos, são derivadas das muitas perspectivas e teorias que norteiam os termos.

Em se tratando da comunicação, autores da área como Duarte, 2003; Martino, 2003; Ferrara, 2003, entre outros, traçam caminhos em busca de uma epistemologia da comunicação. Discutem epistemologicamente, sobretudo, por entenderem que esta consiste em uma investigação da realidade. Se esta categoria está relacionada à realidade social, não pode ser concebida de forma estanque ou isolada. Ao contrário, deve ser pensada atrelada a outros fenômenos sociais da realidade.

Assim sendo, para Duarte (2003) a melhor opção para entender o fenômeno conceitual da comunicação é utilizar-se de macroconceitos na perspectiva moriniana.

Um macroconceito surge da articulação recíproca de vários conceitos que se combinam fazendo emergir um conceito macro, que não pode ser dito de outra forma que não seja pela emergência da articulação dos conceitos associados. Um macroconceito é um plano que emerge do encontro de planos cognitivos (DUARTE, 2003, p. 43).


Morin (2003) aborda a noção de macroconceito ao discutir o sistema enquanto paradigma. Assim, um sistema é mais que uma unidade global, ou seja, ele não é totalitário nem hierárquico em relação ao todo. Um sistema, para o autor, deve estar aberto às politotalidades, ou seja, a diversos contextos. Em defesa da complexidade, Morin (2003) aborda a problemática do sistema, alertando que ela não pode ser resolvida apenas na percepção de um todo e suas partes. Para o autor, mesmo em um sistema (aliás, principalmente nele), as relações todo-partes fundamentalmente necessitam de mediação de interações.
Este termo é tão importante quanto a maioria dos sistemas é constituída não de “partes” ou “constituintes”, mas de ações entre unidades complexas constituídas, por sua vez, de interações (MORIN, 2003, p. 264).

Assim, de acordo com a tríade proposta por Morin (2003), arrisco dizer que as três categorias são indissociáveis, pois a ausência de uma implica seriamente o conceito da outra. Partindo desta premissa, os três termos estão relacionados de forma que cada um tem sua importância na hora de compor o todo. Neste caso, representado por uma figura geométrica. No entanto, a idéia de Morin (2003) está para além de palavras-chave isoladas, visto que cada termo não apresentaria um conceito solitário, mas macroconceitos “que se co-produzem na relação recorrente de sua interdependência” (MORIN, 2003, p. 265). O autor propõe a seguinte equação para ilustrar um macroconceito:




Figura 1 – Modelo do paradigma complexo

Fonte: MORIN, Edgar. Ciência com Consciência, p. 264.


Morin (2003) trata da relação sistema-organização-interação tanto para sistemas físicos naturais, quanto biológicos e sociais. Segundo ele, a organização é responsável pela sua própria deterioração e do sistema e, igualmente, pela própria regeneração, bem como do sistema. Esta não é uma relação simples, mas complexa, pois há inter-relação.

Nesta perspectiva, o conceito de organização, seja biológico ou sociológico, é um supermacroconceito que pertence ao macroconceito sistema-organização-interação, visto que é um princípio sistêmico-organizacional, onde a organização cria ordem, mas também desordem, sendo um modelo que suporta dúvidas, incertezas e incompatibilidades.

Desta forma, o que o autor busca é a reflexão de que uma nova percepção sobre a organização cria uma nova organização do conhecimento. O paradigma complexo que Morin (2003) propõe é constituído pelas inter-relações necessariamente associativas entre as noções dos termos presentes na Figura 3 deste trabalho.

Embora o autor discuta uma categoria, sistema, em busca de justificar os princípios do paradigma complexo que defende, os argumentos que utiliza podem servir de analogia em outras categorias, sobretudo, quando se almeja esmiuçar fenômenos complexos como a cultura, a comunicação e a tecnologia. Vale destacar a natureza comum das três categorias supracitadas, a de que aqui todas serão abordadas como produção cognitiva humana, bem como produto do tempo histórico e de situações que possibilitem questionamentos.


[...] não apenas o objeto de comunicação, mas qualquer conceito enquanto objeto de uma epistemologia, precisa ser apresentado, mesmo que haja consenso político contextual quanto à sua normatização, a fim de que a idéia seja sempre reexplorada e o conceito alimente-se de sua fluidez para poder expressar mais do que um contextual bom senso permite num hiato de tempo da humanidade (DUARTE, 2003, p. 45).
Dessa maneira, os conceitos de cultura, comunicação e tecnologia serão aqui tratados, não enquanto axiomas, mas a partir de suas especificidades rizomáticas, compreendendo-os, na qualidade de macroconceitos, que, estando relacionados, não podem ser ponderados isoladamente.

Duarte (2003) utiliza-se de uma definição de Merleau-Ponty para caracterizar a comunicação, o encontro de fronteiras perceptivas. Ou seja,


o homem como ser natural dá-se conta de sua própria consciência, mas não da existência de outra consciência. O outro ou outra consciência só lhe é possível acessar ou conceber por ser o homem também um ser cultural. É na cultura que uma consciência individual percebe que está inserida num mundo de objetos culturais que foram produzidos por outras consciências. Cada objeto do qual um ser consciente se serve, como uma faca, uma escada, uma cadeira, traz a marca de uma função, ou a marca de um motivo gerado por outra consciência talvez anterior, mas que se serve tanto quanto o ser consciente serve-se desse objeto (DUARTE, 2003, p.46).

Assim, a percepção do mundo direciona a consciência, surgindo uma zona de fronteira, de intercâmbio de experiências e conhecimentos, um processo de encontro de planos cognitivos. Segundo Merleau-Ponty (1974), o que define, de verdade, o ato comunicativo é o compartilhar, o estabelecer com o semelhante entendimento em comum sobre alguma coisa, embora este não necessite ser uma concordância total. Neste compartilhar, estão presentes objetos culturais, e a linguagem é o elemento principal de percepção do outro, ou seja, como componente cultural, a linguagem assume a função de forjar o espaço de encontro através do diálogo. Neste espaço, os sujeitos da comunicação trocam impressões, características, singularidades, consciências. É como se cada um emprestasse um pouco de si ao outro, ainda que as consciências continuassem individuais: os planos conscientes e cognitivos de A fazem-se presentes nos planos de B, formando uma 3ª arena cognitiva.

Esta terceira arena seria o que alguns autores (DUARTE, 2003; FILHO, 2002) chamam de ‘Razão durante’. O surgir desta ‘razão durante’ significa que o diálogo entre os sujeitos não pode ser laçado em seu todo, visto que o diálogo, a comunicação presente, não pode ser observada nem percebida enquanto momento presente, pois no momento em que é percebida ela o já deixou de ser, tornando-se passado.

O diálogo de planos cognitivos que fazem emergir um novo plano é uma forma de representar epistemologicamente um caminho para o tornar comum e o estar em relação da etimologia da palavra comunicação. Esse diálogo abre espaço para avançar um pouco mais a compreensão que estamos construindo se tomarmos as partes envolvidas no diálogo não apenas como seres conscientes que se comunicam. Essa idéia pode ser estendida também para outros tipos de planos cognitivos que se encontram, como as disciplinas do saber que aproximam suas fronteiras de pensamento e “promiscuamente” trocam referências teóricas e metodológicas sobre temas comuns. A aproximação de campos como a Antropologia, a Biologia, a Psicologia, a Lingüística, entre outros, que investigam fenômenos comunicativos, amplia não apenas os horizontes dessas disciplinas como permite o surgimento de novas disciplinas, cógitos emergentes de um encontro (DUARTE, 2003, p. 49).

Mais adiante, Duarte (2003) ressalta diversas áreas do saber que têm como objetivo entender como se forma o conhecimento, como ele é produzido. A Pedagogia é uma destas áreas. Diz ainda que campos específicos de áreas distintas fundem-se, criando as ciências cognitivas. Deste modo, o conhecer, o produzir conhecimento é pensado e discutido sob vertentes diversificadas. Segundo o autor, estas ciências cognitivas são constituídas por meio de simbiose de objetivos e técnicas diversificadas que originam outras. Para desenhar este modelo, Duarte (2003) vale-se do conceito de acoplamento estrutural de Maturana e Varela (2005)1, referindo-se à co-dependência simbiótica dos seres vivos em uma teia
biosustentável, originando novos seres no curso das modificações.

No entanto, é importante a ressalva de que Duarte (2003) busca o acoplamento estrutural nas teias de relações dos seres vivos para criar uma analogia com as teias estruturais do conhecimento nas ciências cognitivas. Desta forma, o autor destaca que todos estes fenômenos complexos sejam orgânicos ou inorgânicos, apresentem e delineiem processos comunicativos, ou seja, a comunicação torna-se o engenho do arranjo complexo dos sistemas cognitivos, entendendo complexo como a possibilidade de produzir, alinhavar coletivamente.

Portanto, para Duarte (2003), o objeto da comunicação é a reunião de planos cognitivos, os quais, através da percepção do outro, são levados para um espaço onde novos modelos cognitivos são criados. É nesta interface, em suas propriedades e no estabelecimento de conexões que permitem a criação de espaços produtivos de modelos cognitivos que se dará a importância do fenômeno comunicativo. Assim, o elemento fundamental da comunicação é a troca, o que surge é este terceiro elemento, o plano cognitivo que não existia antes do encontro dos membros do diálogo.

Assim, aqui a comunicação será tratada enquanto processo que se dá entre sujeitos dialogantes, ou seja, antes de tudo, um fenômeno social. Segundo Parthasarati et al (2005), a comunicação é um conjunto de práticas sociais variadas que compreende a produção de sentidos, a aplicação social de meios para esta produção e a afirmação de uma ordem social. Quando os autores tocam no ponto de aplicação social de meios para a produção de sentidos, relacionam a isto a dinâmica das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC.

Ora, deve ser ressaltado, no entanto, que, ao falar das TIC, refiro-me a artefatos humanos, frutos da criatividade e produção do homem, relacionados a processos comunicativos e de informação. Em outro ponto, a mídia e seus elementos devem ser compreendidos enquanto meios que suportam e transportam possibilidades comunicativas e informação. Esta explicação deve-se ao fato de que, muitas vezes, ao abordar o termo ‘comunicação’, imediatamente, faz-se relação com algum tipo de mídia, sobretudo a de massa. Por isso, cabe salientar a distinção entre objetos da mídia e da comunicação.
Os objetos da mídia como a televisão, o rádio, o jornal, a Internet, necessariamente não estabelecem um diálogo com seus públicos. Podem estar a serviço desse diálogo, mas em si mesmos não trazem interfaces explícitas e inerentes com os planos cognitivos a que se anunciam, conduzindo a uma troca que faça emergir um pensamento comum. A disponibilização de informações num site, ou a emissão no ar da freqüência de onda de uma rádio ou de uma emissora de TV não cria por si só um meio de comunicação. É explícito o vetor da transmissão da informação, mas são discutíveis as manifestações de um diálogo entre os planos cognitivos em ação. Se tomarmos a comunicação como um fenômeno de percepção e troca, não podemos reduzi-la à transmissão de informação, ou seja, os meios não são necessariamente de comunicação. Os meios podem veicular informação e a veiculação da informação é uma das etapas do estabelecimento da comunicação, mas a veiculação por si não indica um fenômeno comunicacional se temos por comunicação os encontros perceptivos entre agentes e os produtos cognitivos que emergem (DUARTE, 2003, p. 52).
Ou seja, para que haja comunicação através das mídias deve haver interlocução, troca. No entanto, havendo troca mesmo sem interferência ou aparato midiático, a comunicação existe. A comunicação, desta forma, está para além das mídias.

Martin-Barbero2 (2006, p. 260) propõe arrastar o foco de estudo, análise da comunicação dos meios para as mediações, ou seja, deslocar “para as articulações entre práticas de comunicação e de movimentos sociais, para as diferentes temporalidades e para a pluralidade de matrizes culturais”. O que o autor busca ressaltar é o fato de a comunicação sempre ser tratada através da percepção de seus meios – os meios de comunicação de massa – e, mais do que isso, sempre abordada em relação à composição econômica ou ao conteúdo ideológico dos meios. As mediações “através das quais os meios adquiriram materialidade institucional e densidade cultural” (supracitado) raramente são consideradas. A idéia de centralizar a comunicação nas mediações estabelece a cultura e a política enquanto mediações indispensáveis. A comunicação, assim, não se institui em um fim, mas em um meio de fluxo e assimilação de conhecimento. É sob esta perspectiva que a comunicação será aqui abordada, como promotora de conhecimento, troca e aprendizagem.

O entendimento de Martin-Barbero (2006) em relação à cultura casa com o modelo complexo de Morin (2003), abordado no início deste artigo. A idéia de Morin (2003) é propor um paradigma da complexidade. A complexidade, segundo ele, já havia sido considerada por Bachelard, no entanto, quem a esmiúça e torna-se seu maior expoente é o próprio autor. Assim, a epistemologia da complexidade é pensada não no sentido de ser completa ou de trazer respostas, mas sim como desafio e declaração da incompletude do conhecimento, sobretudo do fazer científico.
Por exemplo, se tentamos pensar no fato de que somos seres ao mesmo tempo físicos, biológicos, sociais, culturais, psíquicos e espirituais, é evidente que a complexidade é aquilo que tenta conceber a articulação, a identidade e a diferença de todos esses aspectos, enquanto o pensamento simplificante separa esses diferentes aspectos, ou unifica-os por uma redução multilante. Portanto, nesse sentido, é evidente que a ambição da complexidade é prestar contas das articulações despedaçadas pelos cortes entre disciplinas, entre categorias cognitivas e entre tipos de conhecimento. De fato, a aspiração à complexidade tende para o conhecimento multidimensional (MORIN, 2003, p. 176-177).
É saudando a complexidade que Morin (2003) subsidia a proposta de
Martin-Barbero (2006) em pensar a comunicação enquanto processo de mediações e, sendo mediação, considerar as relações com outros campos cognitivos. Deste modo, cabe destacar os princípios que regem o pensamento complexo. Morin (2003) estabelece treze, no entanto, aqui serão ressaltados os três que mais contribuem para a defesa da epistemologia complexa, para o entendimento da tríade comunicação, cultura e tecnologia.

O primeiro a ser destacado é o princípio dialógico, que permite conservar uma unidade a partir de uma dualidade, ou seja, associar duas áreas, dois termos, dois elementos complementares. No caso deste trabalho: a comunicação e a cultura, visto que se constituem elementos, que, embora possuam características específicas, são de natureza integrante, complementando-se.

O princípio que conecta a necessidade de unir o conhecimento dos elementos ou partes ao dos conjuntos ou sistemas que elas compõem também deve ser ressaltado. Os princípios citados a partir de Morin (2003, p. 181) representam muito a perspectiva complexa: “[...] não podemos mais considerar um sistema complexo segundo a alternativa do reducionismo ou do ‘holismo’, que não é menos simplificador e que negligencia as partes para compreender o todo”. Para o autor, este princípio denota a necessidade de uma percepção circular, em movimento, aonde se vai das partes para o todo, do todo para as partes, na compreensão de um fenômeno, no lugar de um entendimento ou explicação linear.

No caso das categorias contempladas aqui, significa dizer que cada elemento é importante na percepção do todo. A comunicação e a cultura, por exemplo, necessitam de ser compreendidas, como já afirmou Martin-Barbero (2006) para além dos seus meios de massa, ou seja, de uma de suas partes, mas devem ser consideradas enquanto processos mais amplos. Bem, como a tecnologia, elas não devem ser retratadas e discutidas de forma apenas específica, mas ponderando seus aspectos gerais de resultado da produção humana na qualidade de processo criativo do que apenas resultado maquínico.

Morin (2003) salienta ainda um outro princípio importante – o de se pensar de forma dialógica e por macroconceitos – corroborando a proposta inicial deste artigo, unindo de modo complementar elementos que possam ser considerados, inclusive, antagônicos. Sendo assim, a questão da complexidade está posta, de maneira a permitir que dela possam ser extraídos pontos a serem relacionados com o pensamento de Martin-Barbero (2006), o que torna possível, necessário e indispensável pensar a tríade cultura-comunicação-tecnologia como macroconceitos de forma dialógica.
2 COMUNICAÇÃO E CULTURA: MÚLTIPLOS OLHARES
Após passear por entre os discursos em torno da comunicação enquanto macroconceito e como fenômeno complexo, debruçar-me-ei no segundo termo da tríade proposta neste artigo: a cultura.

Existe uma dificuldade em definir cultura, justamente pela demasia de significados que o termo pode ter. Estudiosos e autores das mais diversas áreas – antropologia, sociologia, psicologia, lingüística, semiótica, dentre outras – conceituam, definem e concebem a cultura pela ótica de suas áreas e perspectivas. Ora relacionam-na ao costume, ora às linguagens, ora às tecnologias. É a partir da antropologia que se iniciará a discussão sobre cultura aqui.

A antropologia é a ciência que estuda o homem. Para esta ciência, existem características particulares que a constituem. A primeira é a idéia do estudo da humanidade como um todo, o que o aproxima da epistemologia da complexidade, e a segunda é o desenvolvimento do conceito de cultura e o valor deste no pensamento antropológico.

Para entender a premissa inicial é mister compreender o processo de desenvolvimento do ser humano, aqui descrito por Hoebel e Frost (2005, p. 4). Segundo os autores, este processo iniciou-se há uns cinco milhões de anos e, desde aquele tempo, o comportamento humano foi simultaneamente biológico e cultural. Assim, os autores enfatizam que, para a antropologia, “nenhuma parte pode ser entendida plenamente, ou mesmo com exatidão, se separada do todo. E, de modo invertido, o todo não pode ser percebido com exatidão sem um conhecimento profundo [...] das partes”. Deste modo, a antropologia busca abordar todos os aspectos do homem: físicos, genéticos, sexuais, culturais etc.

Para o entendimento da cultura e desenvolvimento humano como um todo, Hoebel e Frost (2005, p. 15) dizem que, antes de qualquer coisa, é preciso pensar como o homem animal tornou-se ser humano, o Homo sapiens. Ao explicar este processo, eles adiantam que esta foi uma resposta demorada e ininterrupta “às situações ambientais nas quais os processos biológicos da seleção natural, influenciando as variações nos organismos vivos, produziram a evolução biológica ou orgânica”. Um dos pontos principais que caracterizaram esta evolução foi a formação do sistema nervoso, a constituição do cérebro humano, visto que neste momento o homem passava a representar, simbolicamente, uma ampla escala de experiências, além do ver, agir, cheirar, comer.
Adquiriram a capacidade de pensar e falar. Podiam ter experiência das coisas e das situações de modo vicário, não no ato imediato, mas “dramatizado” dentro do sistema nervoso. Aprenderam a comunicar experiência a si mesmos e aos outros através dessas representações simbólicas que chamamos “conceitos” ou “pensamentos”, expressos por gestos, palavras, dança e arte. O “animal” tornou-se contemplativo. E, pensando, começou um processo de auto-organização (HOEBEL e FROST, 2005, p. 15).
Segundo os autores, o homem começa a perceber o mundo ao seu redor não apenas por meio dos hábitos condicionados, mas também através de recordações e do que era capaz de representar verbalmente, ou seja, o homem começa a simular o que não tinha acontecido, tornando-se imaginativo. Além disto, é capaz de criar comportamentos que não estão determinados em seu código genético, e os estende à esfera de seus processos fisiológicos. Tudo isto graças ao desenvolvimento do cérebro. Assim, o homem torna-se o único ser capaz de produzir cultura, além de ser também produto de suas culturas.

A segunda característica dos estudos antropológicos é o conceito de cultura e sua importância. Mas, afinal, o que é a cultura? Sabe-se inicialmente que existe, ao menos, uma certeza em relação ao termo: a cultura é uma produção humana. Foi o homem quem a inventou.

Laraia (2006) passeia pela história desta ciência trazendo as contribuições das diversas vertentes da antropologia, contrapondo-as. Em meio a este estudo, dialoga com Edward Tylor, segundo o autor, o primeiro a desenhar a concepção de cultura como compreendemos atualmente,
abrangendo em uma só palavra todas as possibilidades de realização humana, marcando fortemente o caráter de aprendizado da cultura em oposição à idéia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos (LARAIA, 2006, p. 25).
Assim, independentemente de transmissão genética, todo comportamento aprendido poderia ser entendido como cultura, sendo o homem, portanto, o seu único possuidor. A cultura, ao ser adquirida, faz com que o homem afaste-se de suas propriedades animais, originadas geneticamente, para ecoar ações de seus ancestrais, sem a obrigação de copiá-las ou de se submeter a um processo de aprendizagem. “O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado” (LARAIA, 2006, p. 45). O meio cultural, contudo, não é determinante no sentido de ser a única causa circunstancial da constituição do homem. As influências genéticas, por exemplo, não desaparecem, ou seja, também se constituem elementos estruturantes. Tomemos como exemplo o processo de amamentação. O homem, ao nascer, busca o seio materno no intuito de alimentar-se e realiza o movimento de sucção sem precisar que o ensinem a fazê-lo.

Hoebel e Frost (2005) esquematizam o conceito em uma perspectiva similar à Laraia (2006), visto que ambos estão imersos no campo da antropologia. Para os primeiros, “cultura é o sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, os quais são característicos dos membros de uma sociedade, e não o resultado de herança biológica” (HOEBEL E FROST, 2005, p.4). Assim, a cultura não é pré-produzida hereditariamente de acordo com a genética. Ela é a conseqüência do produto social e é transmitida e aprendida exclusivamente através da comunicação e da aprendizagem.

É neste momento que Laraia (2006), Hoebel e Frost (2005) e Vigotski (2002) convergem, corroboram. Os autores fazem comparação do ser humano com os macacos antropóides. Segundo Laraia (2006, p. 51), o desenvolvimento de uma criança humana e de um bebê chimpanzé nos primeiros meses de vida ocorre de maneira muito similar. “[...] ambos são capazes de aprender as mesmas coisas. Mas quando a criança começa a falar, coisa que o chimpanzé não consegue, a distância torna-se imensa”.

Destarte, o comportamento, ou melhor, a atividade prática dos animais (neste caso, a sucção do bebê humano) independe da utilização de signos. Para Vigotski, (2002) quando o uso dos signos (a fala é um deles) é agregado à ação, esta se transforma, recria-se. Inicia-se, assim, o uso de instrumentos particularmente humanos, indo além da utilização possível destes pelos animais. Deste modo, o que falta ao chimpanzé não é a habilidade de observação. Falta-lhe a capacidade de comunicar, de utilizar a linguagem. Falta, sobretudo, a cultura, já que esta “exclui os instintos, os reflexos inatos e quaisquer outras formas de comportamento adquirido” (HOEBEL E FROST, 2005, p.16).


Assim sendo, cada observação realizada por um indivíduo3 chimpanzé não beneficia a sua espécie, pois nasce e acaba com ele. No caso humano, ocorre exatamente o contrário: toda a experiência de um indivíduo é transmitida aos demais, criando assim um interminável processo de acumulação (LARAIA, 2006, p.52).
Ações de chimpanzés também são descritas e analisadas por Hoebel e Frost (2005). As considerações partem do entendimento de que os chimpanzés são aptos a aprender um com o outro pela imitação direta. Segundo os autores, quando um dos primatas descobre, por exemplo, que, espalhando pão do lado de fora de sua jaula, pode atrair frangos incautos, enquanto, de armadilha com um pau na mão, pode cutucá-los, os outros membros do grupo também realizarão a mesma ação. Quando esta ação espalha-se no grupo de tal forma que todos repetem, ela passa a ter características de um costume. No entanto, depois de alguns dias, o interesse acaba e todas as práticas são esquecidas. Ou seja, elas não duram tempo suficiente para tornarem-se costumes, embora pareçam. Assim, Hoebel e Frost (2005) afirmam que a criação da cultura, de forma rudimentar, começou na sociedade chimpanzé. No entanto, os primatas eram (e são) incapazes de simbolizar, o que significa que eles não possuem um dos atributos distintivos da humanidade, a linguagem. A linguagem é o “produto cultural sem o qual a cultura é limitada” (HOEBEL E FROST, 2005, p. 19) e o mecanismo fundamental para simbolizar.
Um som pode não passar de um ruído, uma alteração no ar que não provoca nenhuma resposta discernível no homem ou no animal. Um som pode também ser um sinal que evoca uma resposta, como o assobio que chama o cão para o lado do seu dono. Num nível mais alto, um som pode ser um símbolo, o qual é um sinal ou indício que significa alguma coisa. Ele tem significação. As línguas são sistemas arbitrários de simbolismo vocal, aos quais as culturas civilizadas acrescentaram também símbolos visuais: a escrita. Os símbolos podem também ser táteis, como um pedaço de lixa que é convencionalmente colocado no frasco que contém veneno para que possa ser sentido no escuro (HOEBEL E FROST, 2005, p.19).
Deste modo, as ações, atuações humanas são frutos das interações com seus semelhantes, resultado de suas aprendizagens, não derivando, pois, de determinações ocasionadas exteriormente à cultura. A aquisição da linguagem, nesta perspectiva, é a mola propulsora do desenvolvimento cultural e social humano, assim como todos os aspectos da cultura são transmitidos simbolicamente aos membros de uma sociedade, e a forma pela qual esses membros compreendem e entendem o mundo é constituída pelo sistema de símbolos que integram sua cultura.

A análise da percepção de cultura neste viés antropológico é de suma importância para este trabalho, visto que os autores acima citados relacionam comunicação, cultura e aprendizagem como elementos espirais, imbricados, do processo de desenvolvimento humano, como um macroconceito moriniano.

Castells (2003) percebe cultura como união de valores, crenças, hábitos, costumes que constituem o comportamento. Deste modo, modelos repetitivos de comportamento produzem costumes que são reproduzidos por instituições e organizações sociais. “Embora explícita, a cultura é uma construção coletiva que transcende preferências individuais, ao mesmo tempo em que influencia as práticas das pessoas no seu âmbito” (CASTELLS, 2003, p. 34).

Ainda que sob a ótica antropológica de Laraia (2006), ou sob a seara sociológica de Castells (2003), a cultura está relacionada a um processo acumulativo de aprendizagens e produções humanas. Portanto, a cultura, como produtora de signos e sentido, abarca as artes, atividades sociais, padrões de comportamento, procedimentos pelos quais as comunidades conservam sua memória e identidade.

Partindo das considerações tecidas em função da importância da linguagem para as análises conceituais de cultura e, conseqüentemente, do desenvolvimento do ser humano como sujeito sociocultural, considero, assim como Santaella (2003), os princípios da semiótica4, esta aliada ao pensamento antropológico complexo, como território importante para compreender o sentido da cultura, visto que, através desta, os processos sígnicos e comunicativos são um fim em si mesmos, e não um meio para atingir um fim, como em outras ciências.

Doravante, a apropriação do sistema semiótico para a compreensão da cultura está relacionada, neste trabalho, às estruturas simbólicas de um conjunto social, que envolve os atores dos processos culturais, mas para, além disso, as formas como estes sistemas são processados para produzir significado.

Também Geertz (1989), anteriormente à Lúcia Santaella, em seu livro “A interpretação das culturas”, concebe cultura como um sistema semiótico relacionado aos signos e linguagens: palavras, sons, imagens, cores, formas e gestos. Estes signos são compreendidos e propalados devido à memória, estruturada coletivamente, e não de modo individual. O autor compreende ainda o homem como um animal ligado a teias de significados tecidas por ele mesmo, assim, a cultura seria “essas teias e suas análises; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado” (GEERTZ, 1989, p.4).
Como sistemas entrelaçados de signos interpretáveis (o que eu chamaria símbolos, ignorando as utilizações provinciais), a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos: ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma inteligível – isto é, descritos com densidade. (GEERTZ, 1989, p.10)
São estes entrelaçados de signos interpretáveis que fazem a cultura encontrar na semiótica um espaço rico para análises. A semiótica pode ser compreendida sob a ótica de Santaella (2006) – que desenvolveu suas análises a partir dos estudos de Pierce – como a ciência que estuda toda e qualquer linguagem. Ao referir-se à linguagem, a autora enfatiza que o termo está ligado a um emaranhado de configurações sociais de comunicação e de significação: “Todos os sistemas de produção de sentido aos quais o desenvolvimento dos meios de reprodução de linguagem propicia hoje uma enorme difusão” (SANTAELLA, 2006, p.12).

Sendo assim, a abordagem semiótica da cultura traz uma ênfase significativa na relação entre cultura e comunicação. Esta relação não é hierárquica, ou seja, não há categoria mais importante do que a outra. Ambas complementam-se e estão de tal forma imbricadas que constituem um fenômeno complexo e produtor de significados.

[...] todo fenômeno de cultura só funciona culturalmente porque é também um fenômeno de comunicação, e considerando-se que esses fenômenos só comunicam porque se estruturam como linguagem, pode-se concluir que todo e qualquer fato cultural, toda e qualquer atividade ou prática social constituem-se como práticas significantes, isto é, práticas de produção de linguagens e de sentido (SANTAELLA, 2006, p. 12).
A partir destas análises é mister perceber que as concepções tradicionais que forjam a cultura exclusivamente como patrimônio, legado e acervo a ser conservado, não nos dão subsídios necessários para compreender seus fenômenos, sobretudo frente aos processos comunicativos. Desta forma, a semiótica, por não afastar cultura de comunicação, cumpre um papel basilar nos estudos dos meios de comunicação e informação, percebendo o aspecto semiótico da cultura como organismo para processar, produzir e comunicar informação.

A comunicação, assim, é entendida como um processo cultural, tendo a linguagem humana como produto deste processo. Contudo, não haveria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de produzir um sistema articulado de comunicação, fundamentalmente a oral. A cultura, no ponto de vista semiótico, é mediação e, para Martin-Barbero (2006, p. 28), é a comunicação também uma mediação: “A comunicação se tornou para nós questão de mediações mais que de meios, questão de cultura e, portanto, não só de conhecimentos, mas de reconhecimento.” Esta afirmação vem solidificar a idéia de cultura e comunicação como movimento espiral imbricado.

Martino (2005) nos alerta a pensar no matrimônio cultura-comunicação, levando em consideração o panorama da sociedade atual, haja vista que o cotidiano contemporâneo é caracterizado pela presença excessiva – mas nem por isso maligna – das tecnologias da informação e comunicação, especialmente as novas mídias. Estas tecnologias, por serem produções humanas relacionadas ao âmbito da linguagem, implicam transformações da lógica cultural e de comunicação em diversos aspectos. “A linguagem é o software que conduz a psicologia humana. Qualquer tecnologia que afecte significativamente a linguagem, afecta também o comportamento física, emocional e mentalmente” (KERCKHOVE, 1997, p. 61).

Partindo deste pressuposto, o fato de refletir e analisar os fenômenos culturais necessita ser um entendimento das mídias em uma via de mão dupla, pois, segundo o autor, estes têm uma forte influência na cultura, mas também são elementos do complexo cultural de uma sociedade.


3 COMUNICAÇÃO, CULTURA E TIC: O NASCIMENTO DA CULTURA DIGITAL

Os fenômenos culturais e comunicacionais não se sustentam como princípios fundamentais da produção cognitiva humana sem a tecnologia. A tecnologia, neste estudo, é entendida como a prática de conhecer e fazer, estando, portanto, ligada a toda produção técnica humana. A arte de produzir, saber, inventar, criar é de natureza tecnológica. Assim, o homem produz culturalmente tecnologias para o seu melhor bem-estar e convívio social. No que tange ao convívio social, a comunicação e a interação social, principalmente, se destacam. Nesta percepção, não apenas a informática e a eletrônica constituem-se elementos técnicos e/ou tecnológicos, como por vezes propaga o senso comum, mas a oralidade, a escrita, elementos do cotidiano (tais como lápis, quadro-negro, óculos, livros, vestes, sapatos etc.) são tecnologias.

Deste modo, entendo que as tecnologias primordialmente serviram como suporte para o avanço das possibilidades de encontro e interações entre os sujeitos. E desses encontros, interações, trocas de idéias e pensamentos é que surgem as invenções, os aparatos técnicos, as ciências, a religião. A oralidade, a escrita e a informática permitiram que o homem armazenasse, compartilhasse e produzisse conhecimento. Estas três invenções humanas (oralidade, escrita e informática) são definidas por Lèvy (1993) como Tecnologias Inteligentes5. Esta definição deve-se ao fato de o autor compreender que alguns processos têm possibilidade transformadora, além de ser extensão das funções cognitivas do homem, ampliando os regimes intelectuais.

A oralidade permitiu que os sujeitos expressassem verbalmente opiniões, saberes, desejos. As pinturas rupestres, que deixaram marcados em cavernas, rochas e pedras, práticas, costumes, hábitos de uma época, serviram como sinal gráfico de comunicação antes de a escrita ser concebida. A escrita, por sua vez, constituiu-se tecnologia fundamental para o aprimoramento da comunicação e troca de informações assíncronas, rompendo fronteiras. A informática digitalizou as informações, compactou, promoveu o surgimento de ambientes virtuais, processos de educação e relacionamento a distância.

Deste modo, ao refletir sobre a influência das tecnologias digitais na sociedade, é fundamental ressaltar que, a meu ver, estas têm como pressuposto basilar – independentemente de que suporte físico ou grupos de sujeito as utilizem – a intenção de o homem comunicar-se e/ou aperfeiçoar a forma como o fazem. Mesmo a roda ou o fogo, tecnologias não concebidas como inteligentes na definição de Lèvy (1993), permitiram que o homem pudesse ir além dos seus limites físicos: comunicar, dizer, falar, interagir, criações cognitivas que transformaram condições físicas, biológicas e sociais do homem nos mais variados períodos.
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada [...]. Emerge, neste final do século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventaram (LÉVY, 1993, p. 7)
É relevante ressaltar que, neste trabalho, as possibilidades de lidar e efetivar a comunicação e a informação serão tratadas como tecnologias da informação e comunicação, bem como os meios para a promoção destas comunicações, como mídias. Assim, aqui, todos os meios que possibilitam a comunicação, troca de informação – no caso deste artigo – digital, serão compreendidos como elementos pertencentes ao universo das TIC, portanto, mídias digitais. Manovich (2005) aborda-as enquanto novas mídias por entendê-las como objetos culturais que utilizam tecnologia computacional. Assim, o autor enumera características que as delineiam: a) os objetos das novas mídias são digitalizados; isto vale tanto para os criados em computador quanto para os convertidos do modo analógico; b) objetos das novas mídias apresentam uma mesma estrutura em diferentes escalas;
Assim como um fractal tem a mesma estrutura em diferentes escalas, o objeto das novas mídias tem a mesma estrutura modular. Os elementos das mídias podem ser imagens, sons, formas, ou comportamentos; são representados como uma coleção de discretas amostras (pixels, polígonos, objetos 3D, caracteres, scripts de programação). Esses elementos são unidos formando objetos em maior escala, porém, continuam a manter suas identidades isoladas. Esses mesmos objetos podem ser combinados para formar objetos ainda maiores, novamente, sem perder sua independência (MANOVICH, 2005, p. 62)6.
c) a codificação numérica e a estrutura modular permitem a automação de muitas operações na criação, manipulação e acesso; d) um objeto das novas mídias não é uma estrutura fixada no tempo, mas pode existir em diferentes e infinitas versões; e) todos os objetos das novas mídias podem ser traduzidos para outros formatos.

Um outro ponto que Manovich (2005) aborda é a característica de remix. Segundo ele, esse termo é a melhor metáfora para compreender as novas mídias. Este remix está relacionado à assimilação e concepção livre a partir de outros modelos e tecnologias potencializados pelas peculiaridades das ferramentas digitais e da sociedade contemporânea. Remix aproxima-se de hibridizar, misturar elementos a fim de criar outros.

Vale, neste sentido, observar que grande parte dos elementos tecnológicos e mídias digitais está intrinsecamente ligada à comunicação (sejam sons, imagens ou outras linguagens), uma das categorias de interação entre sujeitos mais antigas da humanidade. É ela que está presente no telefone fixo, celular e internet como finalidade primordial de suas concepções. A necessidade de o homem comunicar-se é pressuposto fundante da tecnologia humana. Foi esta exigência que fez surgirem a oralidade, a escrita, a internet, o telefone e todas as suas ramificações.

Este processo de troca de informações, desejo e conhecimento é, antes de tudo, cultural. Ao tratarmos dos aspectos culturais na sociedade atual, é necessário levar em consideração os códigos, signos, linguagens que permeiam estes (dentre outros) fenômenos sociais.

Pensando desta forma, podemos considerar que não há cultura dissociada da comunicação; o afastamento destas duas categorias é impraticável, visto que é possível perceber a conexão entre cultura e comunicação desde os primórdios da civilização humana – (MARTINO, 2005), seja através dos sinais, gestos, oralidade, escrita até a informática – a terceira grande tecnologia inteligente (LÉVY, 1999). Se o homem é um ser essencialmente cultural (LARAIA, 2006) e, como desde o início da humanidade, o homem tenta comunicar-se de diferentes formas, não há como estes elementos estarem apartados, eles caminham ‘de mãos dadas’.

Assim, é fundamental que, na contemporânea sociedade em rede (CASTELLS, 2002), reflita-se sobre a comunicação mediada pelas tecnologias digitais, visto que a cultura atual está intrinsecamente ligada às formas de comunicação entre sujeitos, sobretudo – com o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação Digital – às interações mediadas por computador, visto que esta tecnologia tem sido responsável por uma transformação nas formas como os sujeitos se divertem, se relacionam, se comunicam e aprendem. Assim, as novas mídias digitais configuram um espaço virtual dinâmico, mas, antes de tudo,


sociocultural.

A cultura, nesta perspectiva, é chamada de cultura digital (COSTA, 2003), cultura das mídias (SANTAELLA, 1996), cultura da interface (JOHNSON, 2001), cibercultura (LÉVY, 1999) e cultura da simulação (TURKLE, 1997).



3.1 O DESENROLAR DA CULTURA: A CULTURA DIGITAL

A cultura da atualidade está intimamente ligada à idéia de interatividade, de interconexão, de inter-relação entre homens, informações e imagens dos mais variados gêneros. Esta interconexão diversa e crescente é devida, sobretudo, à enorme expansão das tecnologias digitais na última década (COSTA, 2003, p. 8).


Canclini (2006) assegura que todas as culturas possuem configurações próprias de organização e características que lhes são inerentes. Ao fazer tal observação, o autor refere-se muito mais às culturas locais, distinguindo os elementos culturais conforme seu espaço físico e territorial, porém, mais do que isso, Canclini (2006), através de uma abordagem interdisciplinar, reflete a respeito da cultura através do fenômeno que ele denomina “hibridização cultural”. Embora o autor tome como locus de observação a América Latina7, acredito ser possível levar suas considerações para os ambientes virtuais, sem barreiras territoriais, que importam de suas vidas cotidianas as práticas, hábitos e as ressignificam.

Estes ambientes possuem, obviamente, suas peculiaridades, idiossincrasias e intrínsecas características. Mesmo sem as fronteiras territoriais e políticas determinadas, como nos países e continentes, o espaço virtual possui um arranjo social singular, normas, regras e, como todo ambiente social, confronto destas. Mesmo longe do ciberespaço, em ambientes presenciais e instituições sociais tradicionais, os elementos digitais fazem-se presentes. Estes elementos, muitas vezes, forjam e potencializam as possibilidades de interação social, conexão e permuta de informação, transformando assim a cultura tradicional em um fenômeno midiático e digital.

Segundo Johnson, “os mundos da tecnologia e da cultura estão colidindo” (2001, p. 8). No entanto, como afirma o autor posteriormente, apesar de algumas pessoas considerarem esta colisão recente, ela é uma das mais antigas relações sociais. Esta relação faz parte das práticas, descobertas, experimentos humanos desde os primeiros pintores de caverna, o inventor da roda, do fogo, da escrita.
Quando James Joyce publicou Ulisses em 1922 e revolucionou todas as nossas expectativas quanto ao que os livros devem ser, estava sendo assim tão diferente do próprio Gutenberg? Não se podia ver isso na época, mas Joyce era um técnico altamente qualificado que andou fazendo experiências com uma máquina-livro, levando-a a fazer coisas que nunca fizera. Seus contemporâneos o viram como um artista (ou, muitos, como um pornógrafo), mas do nosso ponto de observação ele poderia perfeitamente ser visto como um programador que escreveu códigos para a plataforma da máquina impressora. Joyce escreveu software para um hardware originalmente materializado por Gutenberg. Se invertermos o ângulo, a analogia se sustenta igualmente bem: a remodelação da tecnologia do manuscrito das penas e dos escribas operada por Gutenberg foi um ato criativo tão profundo quanto o monólogo final de Molly Bloom em Ulisses. Ambas as inovações resultaram de saltos criativos sensacionais e ambas mudaram nossa maneira de ver o mundo. Gutenberg construiu a máquina que Joyce “envenenou” com uma programação inovadora, e Joyce alardeou como sua uma variação de um tema que, originalmente, fora da autoria do próprio Gutenberg. Ambos foram artistas. Ambos foram engenheiros. Só os 400 anos que os separaram encobriram sua condição partilhada (JOHNSON, 2001, p.8).
Obviamente que, na relação de Johnson (2001, p.8), a questão da velocidade com que a tecnologia evolui é um ponto crucial. Antes do Computador Pessoal, as tecnologias de mídias e meios de comunicação avançavam lentamente, a se ver pelo livro e o jornal, que permaneceram durante séculos sem inovação, ou mesmo, como aborda o autor, o cinema que “deu as cartas durante 30 anos antes de ser rapidamente sucedido pelo rádio, depois pela televisão, depois pelo computador pessoal”.

Atualmente, a internet e os celulares podem ser considerados os aparatos tecnológicos que evoluem com maior rapidez e, junto com eles, as transformações econômicas e sociais, especialmente, diminuindo a lacuna entre tempo e espaço. Assim, segundo o autor, o século XX possibilitou, de forma inédita, compreender as relações entre forma e conteúdo, meio e mensagem, engenharia e arte. Se o século XX foi representado pela eletricidade enquanto elemento que estabeleceu a configuração do desenvolvimento, o século XXI pode ser estampado pela linguagem digital que vem sendo capaz de construir mundos e realidades para além do real ou do presencialmente físico.

Nesta perspectiva, Johnson (2001) aborda esta cultura como cultura da interface. Como interface, o autor apresenta o conceito rudimentar do termo: “Softwares que dão forma à interação entre usuário e computador [...] atuam como uma espécie de tradutor, mediando entre as duas partes, tornando uma sensível para a outra” (2001, p. 17). Esta relação administrada por esta interface é de natureza semântica, pois é composta por significado e expressão. Assim, segundo o autor, não é puramente o computador que constitui a mágica da revolução digital, já que a novidade que enfeitiça não é a capacidade de cálculo numérico, mas a idéia de que “um computador deve também representar-se a si mesmo ao usuário, numa linguagem que este compreenda (2001, p. 17)”. Assim, são justamente a natureza simbólica e a capacidade de auto-representação do computador que o tornam interessante.

Johnson (2001) considera relevante tal aspecto cultural na atualidade por ser esta interface o mecanismo que torna o universo caótico e complexo de ‘zeros e uns’ compreensível para os usuários, em uma sociedade que, segundo o autor, está cada vez mais engendrada por eventos que acontecem no ciberespaço; este nos torna visíveis e acessíveis através da interface do computador. Por conta disso, o autor acredita ser este um dos elementos fundamentais da cultura do século XXI: a interface, “a zona entre o meio e mensagem” (JOHNSON, 2001, p. 35).

Para Santaella, algumas teorias culturais são de natureza semiótica, como foi abordado anteriormente, sobretudo “quando explicam a dimensão cultural através dos sistemas simbólicos de uma dada formação social” (1996, p. 27); desta forma, a linguagem tem papel central nesta perspectiva.
Sob este enfoque, a mais importante questão, que se encerra na relação entre cultura e comunicação, está no fato de que, por considerar o funcionamento da cultura como inseparável da comunicação, a semiótica está apta a desempenhar um papel fundamental no estudo dos meios de comunicação ou aquilo que preferimos aqui chamar de mídias. Isto porque a semiótica percebe os processos comunicativos das mídias também como atividade e processos culturais que criam seus próprios sistemas modelares secundários, gerando códigos específicos e signos de estatutos semióticos peculiares, além de produzirem efeitos de percepção, processos de recepção e comportamentos sociais que também lhes são próprios (SANTAELLA, 1996, p. 29).
Entendendo o termo ‘cultura’ como abrangente e possível de ser relacionado a propriedades distintas, Santaella (1996) enumera diversas variantes do que seria a cultura, passando pela cultura universal, nacional, política e, atualmente, o que ela denomina cultura das mídias. No que tange a esta categoria, a autora ressalta a impossibilidade de separação do fenômeno da comunicação, haja vista que “mídias são, antes de tudo, veículos de comunicação, do que decorre essa cultura só pode ser estudada levando-se em conta as inextricáveis relações entre cultura e comunicação” (1996, p. 29). No caso específico deste trabalho, cultura e comunicação digital.

Martino (2005) reforça a tese da impossibilidade de pensar o mundo sem perceber o enorme impacto dos meios de comunicação sobre as formas de cultura. Nesta relação, as tecnologias – especialmente as da comunicação e informação – são elementos centrais, que se constituem aparatos tecnológicos, que nascem com o propósito de constituírem-se meios de comunicação e estão presentes como partes integrantes do cotidiano destes sujeitos de forma complementar, e não singular. As mídias digitais, como internet, celulares etc., que surgem a princípio com esta intenção, estendem suas funções para outras categorias sociais tais como a aprendizagem e a ludicidade.


Os modos de falar, as maneiras de agir, as preferências estéticas, os usos da linguagem e a mídia mostram-se como partes de um todo integrado – nem sempre visível, por conta de sua complexidade – que constitui uma sociedade em transformações dinâmicas, impossíveis de entender em uma perspectiva rígida de classificação cultural (MARTINO, 2005, p.18).
Os mecanismos de comunicação que abrangem oralidade, escrita e informática são compreendidos por Lèvy (1993) como Tecnologias Inteligentes. McLuhan (1996) as define como extensões físicas e cognitivas do ser humano. Desta forma, estas tecnologias instauram mudanças no pensar, nas relações humanas e produzem um novo estilo cognitivo (SILVA, 2006). Considerando assim o imbricamento homem - conhecimento - técnica - tecnologia, podemos inferir que esta relação desemboca, como dito anteriormente, em transformações culturais (haja vista que a cultura é uma produção social humana), estabelecendo novos modos, hábitos, formas e produções humanas. As relações estabelecidas ante este imbricamento incidem em novas práticas, instrumentos e maneiras de vir a ser. Esta tempestade de transformações impacta a vida cotidiana, os costumes, fazeres dos sujeitos agentes deste universo.

Costa (2003) pensa na relação da cultura, comunicação e tecnologia sob o fenômeno que ele denomina de cultura digital. Para o autor, uma das principais características da cultura digital é a relação dos sujeitos com os variados ambientes informacionais que os circundam. Costa (2003) trata estes ambientes como interfaces, com base nas definições de Johnson, “pois se colocam entre os usuários e tudo aquilo que eles desejam obter” (2001, p. 13).

Além do aspecto relacional, Costa (2003) aborda outras características. Uma delas é a capacidade que as interfaces possuem de prender a atenção daqueles que as utilizam, principalmente por meio das imagens, ícones que se movimentam, que têm cores e sons, muitas vezes, e/ou da necessidade de comunicar ou buscar informação. Neste ponto, Costa (2003) e Johnson (2001) corroboram mais uma vez. Segundo Johnson (2001), a memória visual humana é mais eficiente e duradoura do que a memória textual, escrita. Para ele, o homem tem mais facilidade de esquecer um nome que um rosto, e de lembrar onde uma citação aparece no texto, no canto inferior direito de uma página, por exemplo, mesmo que tenha esquecido o que tinha escrito na própria citação.

A convergência é um outro importante elemento da cultura digital. Convergência em relação tanto a aparelhos eletrônicos, quanto às linguagens nas mídias. Ou seja, computadores, telefones, televisão, impressora e até eletrodomésticos têm, e terão cada vez mais, algumas de suas funcionalidades conectadas através de internet, principalmente, mas já também com a tecnologia Bluetooth8. A comunicação, em todos os aspectos, ou seja, a que se dará entre indivíduos, bem como a que envolve estes e uma variedade de serviços disponíveis entre os dispositivos, para Costa (2003), continua sendo a principal razão de estímulo para essas interligações. “É exatamente essa possibilidade de interagirmos de um modo sempre denso, e durante um período de tempo cada vez maior, com todos os dispositivos a nossa volta o que impulsionará a interconexão generalizada” (COSTA, 2003, p. 17).

Contudo, o maior alarde quando se trata de cultura digital, ou das mídias ou mesmo da interface, é a promessa da interatividade. Segundo Costa (2003), a potencialidade interativa oferecida pelas interfaces digitais aguçou o envolvimento dos sujeitos com as tecnologias digitais da informação e comunicação. “Ser digital é interativo” (idem, p. 17). No entanto, é importante delinear o que se entende por interatividade e qual sua função na cultura digital.
Ocorre que essa passagem, de “digital” a “interativo”, acabou deixando de valer apenas para as fronteiras restritas dos aparelhos ou redes digitais e passou a ter significação dentro de um contexto mais amplo. Se “interativo” era, inicialmente, uma espécie de atributo de todo dispositivo ou rede digital, ou apenas uma propriedade das interfaces, como alguns defendem, hoje essa noção parece alcançar terrenos tão distintos quanto o das mídias tradicionais, o das máquinas inteligentes e os das comunidades virtuais. É certo que a construção de interfaces digitais ou ambientes de navegação, a manipulação de dados, a filtragem de informações, tudo isso alimentou e ainda alimenta a idéia de interatividade desde o surgimento da computação. No entanto, com a incessante inovação e disseminação vem exercendo sobre os meios tradicionais de comunicação, a função de interatividade passou a ser demandada por outras esferas (COSTA, 2003, p. 17-18).
Na tentativa de fazer predições, muito autores argumentam sobre o conceito do que seria esta interatividade tão alarmada na sociedade atual; alguns9, além disto, procuram diferenciar interação de interatividade. No entanto, Primo (2007) chama a atenção para estes posicionamentos, que, em sua percepção, são equivocados. Para o autor, tanto um clicar em ícone na interface, bem como comentários em blogs são interações. Estas interações, logo, devem ser distinguidas qualitativamente. “Interação não é o mesmo que interação social” (PRIMO, 2007, p. 13), por exemplo. Assim, quando no processo de informação e comunicação existe algum tipo de aparato técnico ou de intervenção que intermedeia os locutores, pode-se dizer que há uma comunicação mediada.

Ao longo da história, o ser humano utiliza ferramentas que colaboram e potencializam o processo de produção, envio, troca e recepção de informação. A tecnologia é parte da comunicação humana, assim como da maioria das atividades desenvolvidas e criadas pela humanidade ao longo do seu desenvolvimento. Portanto, o que interessa aqui é justamente a comunicação mediada pelo computador e as interações que acontecem por meio deste, sobretudo, em espaços da rede mundial de computadores.

Para dar conta do que seria tal interação, trago para esta explanação um estudo de Primo (2000) a respeito de interação, que, para o autor, seria “ação entre” e comunicação “ação compartilhada”. Neste trabalho, apropriar-me-ei desta perspectiva – de perceber o que acontece entre os interagentes – ou seja, entre os participantes da interação. Para tanto, o autor propõe dois tipos de interação: mútua e reativa. Segundo o autor supracitado, a interação reativa é uma condição de estímulo-resposta, não existindo lugar para a criação e a transformação dos submersos no processo. Na interação mútua há negociação, permuta e transformação dos atores envolvidos, haja vista que estes participam ativamente da construção das trocas comunicativas.

Desta forma, a última característica trazida por Costa (2003) para ilustrar a cultura digital pode ser pensada além do apertar botões ou realizar escolhas reativas. A interatividade seria, assim, a atividade da interação e esta deve ser pensada de forma qualitativa, ou seja, como e por que ela acontece.

A análise e a abordagem das ações dos interagentes em comunicação mediada por computador e as implicações destas na estrutura da cultura atual – a digital – serão discutidas no próximo capítulo. No entanto, é importante, neste momento, caracterizar qual concepção de sujeito utilizo no presente trabalho. Não ainda no intuito de apresentar os sujeitos da pesquisa, os interagentes do social networking, mas de refletir acerca da conceituação científica a despeito deste sujeito interator, visto que as interações que realiza estão intimamente relacionadas à natureza de suas características como sujeito.



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