Comportamentos de risco e estilo de vida entre universitários da Universidade Estadual do Norte do Paraná – uenp



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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

DOUTORADO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO

COMPORTAMENTOS DE RISCO PARA A SAÚDE DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ, BRASIL
Rinaldo Bernardelli Junior


UTAD
Vila Real - 2010

RINALDO BERNARDELLI JUNIOR

COMPORTAMENTOS DE RISCO PARA A SAÚDE DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ, BRASIL

Este trabalho foi expressamente elaborado com vistas à obtenção do grau de Doutor em Ciências do Desporto na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, de acordo com a legislação vigente.



Orientador: Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes

Co-orientador: Prof. Dr. António José Silva


UTAD
Vila Real - 2010

Este exemplar corresponde à redação final de tese original de conclusão de curso no Programa de Doutoramento em Ciências do Desporto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD, Portugal, com o título “COMPORTAMENTOS DE RISCO PARA A SAÚDE DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ, BRASILpara obtenção do grau de Doutor em Ciências do Desporto e aprovada em ___/___/___ pela banca composta pelos professores:


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Professor Doutor

Universidade


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Professor Doutor

Universidade


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Professor Doutor

Universidade


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Professor Doutor

Universidade


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Professor Doutor

Universidade



Dedicatória
A obtenção do grau de Doutor, sem dúvida, é um triunfo que não se alcança sozinho. Dedico este trabalho a meus pais Rinaldo e Odette a quem devo o que sou e à minha esposa Suzana pela ajuda, compreensão e incentivo durante esta caminhada.

AGRADECIMENTOS
Dou graças a DEUS pela vida, saúde e força que tive para concluir esta etapa.
Professor Dr. Dartagnan Pinto Guedes, conhecê-lo há anos foi um prazer, contar com sua amizade pessoal é algo que muito me orgulha, tê-lo como orientador foi uma lição de vida inesquecível. A você amigo, minha eterna gratidão.
Ao Professor Dr. António José Silva, meu co-orientador, agradeço pela atenção e disponibilidade.
À Rinaldo e Odette meus pais e meus exemplos, Suzana minha adorada esposa, incansável companheira e incentivadora, Rafaella minha amada filha, Caio e João meus queridos enteados; agradeço-lhes por existirem em minha vida.
Ao Magnífico Reitor da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP, Dom Fernando José Penteado, por ter autorizado a realização desta pesquisa na Universidade.

Aos Diretores das unidades da UENP, pela colaboração na coleta de dados deste trabalho.


Agradeço o auxílio do amigo Antonio Stabeline Neto, professor do Centro de Ciências da Saúde - CCS da UENP, líder do Grupo de Pesquisa em Estilo de Vida, Exercício e Saúde – GPEVES, do qual faço parte.
Aos professores e funcionários do CCS - UENP, que colaboraram comigo nesta jornada.
Aos amigos Fabio e Marcelo, colegas de trabalho e de doutorado que juntos percorremos este caminho.

A teoria só vale, por ser teoria de uma determinada prática”.


Manuel Sérgio
RESUMO
COMPORTAMENTOS DE RISCO PARA A SAÚDE DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ, BRASIL
Os jovens estão vulneráveis e expostos a fatores ambientais que podem influenciar positiva ou negativamente a opção por assumir comportamentos relacionados à saúde. Neste sentido, conhecer o estilo de vida de estudantes universitários, especialmente os comportamentos de risco relacionados à saúde, torna-se relevante para subsidiar eventuais tomadas de decisões na implantação de programas intervencionistas no espaço da universidade. O objetivo do estudo foi descrever as prevalências de comportamentos de risco para a saúde em amostra representativa de estudantes universitários da Universidade Estadual do Norte do Paraná, Brasil, e dimensionar a extensão com que selecionados indicadores sócio-demográficos possam estar associados a sua ocorrência. A amostra foi constituída por 3304 universitários [1959 moças e 1345 rapazes], que responderam ao instrumento Youth Risk Behavior Survey – College, traduzido e adaptado para o idioma português. As taxas de prevalências foram estimadas a partir de alternativas de respostas de cada item do instrumento. Eventuais diferenças significativas entre ambos os gêneros foram analisadas mediante aplicação do teste de qui-quadrado. Para estabelecer a extensão com que os indicadores sóciodemográficos se associaram aos comportamentos de risco para a saúde recorreu-se aos cálculos dos valores de odds ratio, estabelecidos por intermédio da utilização da análise de regressão logística binária, assumindo intervalos de confiança de 95. Dos estudantes universitários que participaram do estudo, 59,3% eram moças, 44,6% deles apresentavam entre 20 e 24 anos e 83,3% pertenciam a classe econômica familiar intermediária. Analisando os comportamentos de risco para a saúde, 2% dos estudantes universitários já haviam tentado efetivamente o suicídio pelo menos uma vez; 13,7% eram fumantes; 13,2% relataram consumo excessivo de bebida alcoólica; 17,9% e 5,8% já haviam experimentado maconha e cocaína, respectivamente, pelo menos uma vez na vida. Ainda, a maioria dos estudantes universitários não referiu hábitos dietéticos saudáveis e de prática regular de exercício física de acordo com recomendações internacionais. Com relação à associação entre fatores sócio-demográficos e comportamentos de risco para a saúde, foi observar que, universitários homens, com idades entre 20 e 24 anos, solteiros, que residem sozinhos ou em repúblicas estudantis, pertencentes à classe econômica mais favorecida estão mais suscetíveis a comportamentos de risco para saúde. Aqueles universitários casados/separados e que, além do estudo, desempenham algum tipo de trabalho remunerado apresentaram menor chance de praticar atividade física. Concluindo, diante das informações levantadas, indicam-se ações específicas no contexto da UENP como: implantação de programa institucional de conscientização e orientação ligada ao consumo de drogas lícitas e ilícitas e atividade sexual segura; implantação de serviço de assistência psicológica de amparo aos estudantes; implantação de programas permanentes que estimulem, orientem e oportunizem hábitos alimentares saudáveis e de prática de atividade física, os quais podem auxiliar na redução dos comportamentos de risco e adoção de um estilo de vida saudável.
Palavras Chave: Estilo de Vida, Universitários, Educação para a Saúde, YRBS-C.

ABSTRACT
Health-Risk Behaviors in Students from State University of North Parana, Brazil

Introduction: College-aged students are exposed to environmental factors that may negatively or positively influence their decision to adopt health-risk behaviors. Thus, it is important to increase our knowledge of the lifestyle adoped by this age group to properly implement intervention programs. Purpose: The objective of this study is to describe the socio-demographic variables that affect the prevalence of health risk behaviors in students attending the State University of North Parana (UENP), Brazil. Methods: The participants (3304 college-aged students, 1959 females and 1345 males) answered an adapted version of the Youth Risk Behavior Survey – College translated to portuguese. From the completed questionnaire, the prevalence of specific health-risk behaviors were calculated. Chi-square tests were used to assess differences in health-risk behaviors between genders. Odds ratio were calculated using binary logistic regression analyses to determine the influence of socio-demographic variables on health-risk behaviors. A 95% confidence interval and a level of significance of p<0.05 were adopted for the analyses. Results and Discussion: Of the total number of participants, 59.3% were females, 44.6% were between 20 to 24 yrs and 83.3% were from middle class family. The results obtained from the Youth Risk Behavior Survey – College revealed that 2% of the students had attempted suicide in one point of their lives; 13.7% were active smokers; 13.2% reported excessive alcohol consumption; 17.9% and 5.8% had already tried marijuana and cocaine, respectively, at least once in their lives. Moreover, the majority of the students did not report healthy diet habits and regular physical activity practice, according to international recommendations. The association between socio-demographics variables and health-risk behaviors revealed that male students between 20-24yrs from upper middle class, who lived alone or shared a house with other students, were the most susceptible to adopt health-risk behaviors. The college-aged students who were married or divorced and had a salary job were the least likely to engage in regular physical activity. Conclusion: Based on our results, health risk awareness programs at the UENP should be put in place. Several steps can be taken to accomplish this, such as: 1) Implementation of an orientation program to provide students with awareness on licit and illicit drugs use as well as safe sexual activity, 2) Implementation of mental health service, and 3) Implementation of permanent instructional programs to promote healthy eating and physical activity.
Keywords: Life Style, College Students, Health for Education, Youth Risk Behavior Survey - College (YRBS-C).

ÍNDICE


1. INTRODUÇÃO .....................................................................................

2. OBJETIVOS .........................................................................................

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1. Youth Risk Behavior Surveillance System (YRBSS) ………...

3.2. Principais características demográficas da população

jovem no Brasil ..........................................................................

3.3. Caracterização e identificação relativa aos dados pessoais

do YRBS-C ..................................................................................

3.4. Nível sócio-econômico brasileiro ............................................

3.5. Comportamentos que contribuem para lesões não

intencionais e violência ............................................................

3.6. Comportamentos relacionados à segurança pessoal ...........

3.7. Comportamentos relacionados à violência ............................

3.8. Comportamentos relacionados à intenção de suicídio .........

3.9. Comportamentos relacionados ao uso de tabaco .................

3.10. Comportamentos relacionados ao consumo de bebidas

Alcoólicas .................................................................................

3.11. Comportamentos relacionados ao uso de maconha ...........

3.12. Comportamentos relacionados ao uso de outras drogas ..

3.13. Comportamentos relacionados à atividade sexual ..............

3.14. Comportamentos relacionados ao peso corporal ................

3.15. Comportamentos relacionados à alimentação .....................

3.16. Comportamentos relacionados à atividade física ................

4. METODOLOGIA

4.1. Caracterização da população ...................................................

4.2. Seleção da amostra ...................................................................

4.3. Coleta dos dados .......................................................................

4.4. Tratamento estatístico ..............................................................

5. RESULTADOS .....................................................................................

6. DISCUSSÃO ........................................................................................

6.1. Comportamentos de risco que contribuem para lesões não-

Intencionais ...............................................................................

6.2. Comportamentos que contribuem para ocorrência de

lesões intencionais ....................................................................

6.3. Comportamentos relacionados ao uso de tabaco .................

6.4. Comportamentos relacionados ao consumo de bebida

Alcoólica .....................................................................................

6.5. Comportamentos relacionados ao uso de drogas

psicotrópicas ilícitas .................................................................

6.6. Comportamentos relacionados à atividade sexual ................

6.7. Comportamentos relatados quanto ao peso corporal ...........

6.8. Comportamentos relacionados aos hábitos alimentares ......

6.9. Comportamentos relacionados à prática de atividade

Física .........................................................................................

6.10. Comportamentos de risco correlacionados aos fatores

sócio-demográficos .................................................................

7. CONCLUSÃO .......................................................................................

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................

ANEXOS .......................................................................................................







LISTA DE FIGURA

Figura 1. Pirâmide Alimentar.


LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1. Comparação do uso na vida de tabaco no Brasil com outros países.
Gráfico 2. Comparação do uso na vida de álcool no Brasil com outros países.
Gráfico 3. Comparação do uso na vida de solventes no Brasil com outros países.

Gráfico 4. Proporção relativa do uso de substâncias, em relação às demais classes farmacológicas, de uso proibido para atletas.

Gráfico 5. Estatística de positivos identificados no controle de dopagem das substâncias anabolizantes esteroidais detectadas nos laboratórios olímpicos no ano de 1993.


LISTA DE QUADROS
Quadro 1. População de 15 a 24 anos de idade, segundo os Censos Demográficos - Brasil - 1940/1996.
Quadro 2. Indicadores demográficos entre 1990 e 2007.
Quadro 3. Percentual de escolaridade da população acima de 15 anos - 2001.
Quadro 4. Estágios de intoxicação de álcool.
Quadro 5. Sinais e sintomas relacionados ao uso da maconha.
Quadro 6. Comprometimentos motores relacionados ao uso da maconha.
Quadro 7. Modificações temporais nas recomendações oficiais para promover aptidão física e prática habitual da atividade física.
Quadro 8. Recomendações de atividades físicas para adultos saudáveis, 18-65 anos.

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Indicadores sócio-demográficos da amostra de universitários analisada no estudo.
Tabela 2. Prevalências de comportamentos que contribuem para a ocorrência de lesões não-intencionais.
Tabela 3. Prevalências de comportamentos que contribuem para a ocorrência de lesões intencionais.
Tabela 4. Prevalências de comportamentos relacionados ao uso de tabaco.
Tabela 5. Prevalências de comportamentos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.
Tabela 6. Prevalências de comportamentos relacionados ao uso de drogas psicotrópicas.
Tabela 7. Prevalências de comportamentos relacionados à atividade sexual.
Tabela 8. Prevalências de comportamentos relacionados ao controle de peso corporal.
Tabela 9. Prevalências de comportamentos relacionados aos hábitos alimentares.
Tabela 10. Prevalências de comportamentos relacionados à prática de atividade física.
Tabela 11. Prevalências (%) de acordo com selecionados fatores sócio-demográficos de comportamentos de risco que contribuem para a ocorrência de lesões intencionais e não-intencionais.
Tabela 12. Prevalências (%) de acordo com selecionados fatores sócio-demográficos de comportamentos de risco relacionados ao consumo de substâncias agressivas ao organismo.
Tabela 13. Prevalências (%) de acordo com selecionados fatores sócio-demográficos de comportamentos de risco relacionados à atividade sexual, aos hábitos alimentares e de prática de atividade física.
Tabela 14. Valores de odds ratio entre indicadores de comportamentos de risco que contribuem para a ocorrência de lesões intencionais e não-intencionais e selecionados fatores sócio-demográficos.
Tabela 15. Valores de odds ratio entre indicadores de comportamentos de risco relacionados ao consumo de substâncias agressivas ao organismo e selecionados valores sócio-demográficos.
Tabela 16. Valores de odds ratio entre indicadores de comportamentos de risco relacionados à atividade sexual, aos hábitos alimentares e de prática de atividade física e selecionados fatores sócio-demográficos.

LISTA DE ABREVIATURAS
AIDS Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

ACSM American College of Sports Medicine

CDC Center for Disease Control and Prevention

CEBRID Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas

CENPRE Centro Regional de Estudos, Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos

CISA Centro de Informação sobre Saúde e Álcool

CTB Código de Trânsito Brasileiro

COI Comitê Olímpico Internacional

DCNTs Disfunções Crônicas Não-Transmissíveis

DENATRAN Departamento Nacional de Trânsito

GHS General Health Survey

HBSC Health Behavior in School-age Children

HDL Lipoproteinas de Alta Densidade

HIV Human Imunnedeficiency Virus

HSE Health Survey for England

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IDH Índice de Desenvolvimento Humano

IES Instituições de Ensino Superior

IMC Índice de Massa Corporal

INAN Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição

INCA Instituto Nacional do Câncer

LDL Lipoproteína de Baixa Densidade

MCWA Malaria Control in War Areas

NCHS National Center for Health Statistic

NHANES National Health and Nutrition Examination Survey

NHIS National Health Interview Survey

NHTSA National Highway Traffic Safety Administration

NIAAA National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism

NPHS National Population Health Survey

OMS Organização Mundial da Saúde

OPAS Organização Panamericana da Saúde

PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios

PIB Produto Interno Bruto

RENAEST Registro Nacional de Acidentes e Estatística de Trânsito

SUS Sistema Único de Saúde

UEL Universidade Estadual de Londrina

UENP Universidade Estadual do Norte do Paraná

UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

UNODC Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime

USDHHS U.S. Department of Health and Human Services

WHO World Health Organization

WHS World Health Survey

YRBS Youth Risk Behavior Survey

YRBS-C Youth Risk Behavior Surveillance College

YRBSS Youth Risk Behavior Surveillance System

1. INTRODUÇÃO
O processo de urbanização, industrialização e desenvolvimento tecnológico ocorrido nas últimas décadas alterou profundamente a estrutura social das populações, principalmente daquelas residentes nos grandes centros urbanos. Isto influenciou decisivamente para que indivíduos de todas as idades passassem a adotar um estilo de vida cada vez menos saudável.

A falta de atividade física associada a dietas inadequadas, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e uso de outras drogas são determinantes na ocorrência e progressão das doenças crônicas não-transmissíveis. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC, 2000), a cada ano, mais de dois milhões de pessoas morrem em todo mundo devido a problemas de saúde atribuídos ao sedentarismo.

No Brasil, as doenças crônico-degenerativas têm se apresentado como a primeira causa de morbimortalidade inclusive na população jovem. No entanto, outro dado que chama atenção é a quantidade crescente de óbitos em virtude de mortes violentas que vem sendo observado na população jovem brasileira (CARLINI-COTRIN, GAZAL-CARVALHO & GOUVEIA, 2000).

Em relação aos aspectos metabólicos ligados ao desenvolvimento de doenças, alguns fatores de risco são receptivos a alterações, ao contrário de determinadas condições metabólicas (doenças congênitas) que são praticamente inalteráveis (MALINA & BOUCHARD, 1991). Desta forma, mudanças de comportamento antecipadas devem ser adotadas como medida preventiva.

Além do aspecto físico e biológico, existe também a necessidade de considerar as mudanças sociais que ocorrem neste período da vida, quando o jovem começa adquirir independência e responsabilidade. Os jovens passam, gradativamente, maior tempo fora de casa, na universidade e com os amigos, que também influenciam nas escolhas e estabelecem o que é socialmente aceito (GAMBARDELLA et al, 1999).

A aquisição de conhecimentos e a tomada de ações positivas – alimentação equilibrada, prática de atividade física adequada e comportamentos preventivos – são consolidadas durante a juventude. Estudo do U.S. Department of Health and Human Services, USDHHS (2000) demonstrou alta prevalência de várias situações de risco nos hábitos de jovens universitários norte-americanos, como é o caso do tabagismo, do consumo de bebidas alcoólicas e de outras drogas, comportamentos sexuais indevidos, alimentação inadequada e sedentarismo.

Muitas vezes, o jovem, por razões associadas à segurança e pelas alterações registradas na estrutura social e familiar, deixou de ter a liberdade de poder, por sua própria iniciativa, gerir o tempo livre e praticar atividade física. Em face destas modificações, o tempo livre do jovem, ou é cada vez mais condicionado pelas rotinas dos adultos e pela oferta de programas de instituições, ou se limita a atividades passivas em casa.

Nesta perspectiva, os jovens estão vulneráveis e expostos a fatores ambientais que podem influenciar positiva ou negativamente na opção por comportamentos relacionados à saúde. Algumas morbidades e problemas sociais podem resultar de comportamentos sexuais indevidos que ocasionam gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis (CAMARANO, 1998; CDC, 1991).

Diante desse quadro de saúde pública e da necessidade de promover um estilo de vida saudável, torna-se imperiosa a realização de estudos na tentativa de conduzir e identificar a prevalência e a incidência de comportamentos de risco para a saúde entre os jovens e estabelecer os fatores associados à adoção do comportamento indesejado.

No Brasil, para o nosso conhecimento, até o momento, existem poucos estudos que procuraram investigar os comportamentos de risco relacionados à saúde em amostras representativas de universitários (MARINHO, 2002; NAHAS et al, 2005). A maioria dos estudos desenvolvidos entre jovens se concentra em questões isoladas, como consumo de bebidas alcoólicas e uso de tabaco (MOREIRA et al, 1995); hábitos alimentares e prevalência de sobrepeso e obesidade (BRASIL - INAN, 1992) e prática habitual de atividade física (MATSUDO et al, 2002).

Conhecer o estilo de vida de estudantes universitários, especialmente os comportamentos relacionados à saúde, torna-se relevante para a tomada de ações na implantação de programas no espaço da universidade, bem como pode servir de subsídios para a modificação de comportamentos que coloquem os jovens em risco.

Assim, o levantamento de informações, a respeito desses comportamentos relacionados aos universitários, se caracteriza como de fundamental importância. Primeiro, para o levantamento de dados que possa disponibilizar informações acerca dos hábitos referentes ao estilo de vida e dos comportamentos que colocam em risco a saúde dos alunos da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP e; segundo, por intermédio destas informações poderem planejar estratégias de intervenções mais efetivas especificamente para esse grupo populacional, o estudante universitário, que é, na sua maioria, jovem.



2. OBJETIVOS
Diante do exposto, o presente estudo deverá analisar os comportamentos de risco para a saúde em amostra representativa de jovens estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná, Brasil. A fim de que as metas estabelecidas para o estudo possam ser alcançadas em toda a sua plenitude, deverão ser estabelecidos os seguintes objetivos específicos:


  • Descrever as prevalências de comportamentos de risco para a saúde na população universitária analisada;




  • Estabelecer comparações entre as prevalências de comportamentos de risco para a saúde encontradas na população universitária analisada e informações disponibilizadas na literatura envolvendo estudos de outras regiões do Brasil e de outros países;




  • Dimensionar a extensão com que selecionados indicadores sócio-demográficos possam estar associados às prevalências de comportamentos de risco para saúde na população universitária analisada.


3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1. Youth Risk Behavior Surveillance System (YRBSS)
Nos países desenvolvidos desde os anos 1960 são utilizados inquéritos populacionais como meio para a elaboração e a avaliação de políticas públicas em diversos setores da sociedade como escolar, de trabalho, saúde, entre outras. Muitos são os exemplos destas iniciativas internacionais na área da saúde, que coletam dados sobre fatores que possam expor a população a riscos. Na Inglaterra, além de levantamentos decenais que incluem informações sobre saúde, existem inquéritos contínuos como, por exemplo, o General Health Survey (GHS) existente desde 1971 ou o Health Survey for England (HSE), implantado em 1993 (WHO, 2004). No Canadá, o National Population Health Survey (NPHS), coleta dados sobre a saúde, os serviços de saúde, o trabalho e os hábitos de vida. O Health Beahaviour in School-aged Children Study (HBSC) é um sistema de monitoramento iniciado em 1982 na Finlândia, Noruega e Inglaterra e atualmente é aplicado em outros países da Europa em cooperação com a Organização Mundial da Saúde (HBSC, 2008). Nos Estados Unidos, o National Health Interview Survey (NHIS) levanta informações anuais sobre doenças agudas, crônicas, acidentes e incapacidades. O National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) coleta dados como exame físico, medidas bioquímicas e fisiológicas. Segundo Viacava (2002) mesmo que existam inúmeras iniciativas relativas a inquéritos em países desenvolvidos, ainda há falta de articulação entre eles, o que compromete a comparação de dados.

Em países em desenvolvimento a aplicação de inquéritos é rara e episódica; porém, organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) demonstram interesse em reverter esta realidade quanto à falta de dados confiáveis que subsidiem políticas públicas, sobretudo na área da saúde, e com base em experiências dos países desenvolvidos vem formulando e aplicando instrumentos como, por exemplo, o World Health Survey (WHS), que tem sido foco da atenção a grupos especiais, jovens, universitários, idosos, entre outros, com o objetivo maior de prevenção e detecção precoce de possíveis problemas, o que os torna invariavelmente mais fáceis de resolver.

Os comportamentos apresentados atualmente pela população jovem, por estarem mais expostos ao consumo de drogas lícitas e ilícitas, entre outros hábitos que podem concorrer para o desenvolvimento de comprometimentos futuros, tem levado diversos países e órgãos a formular instrumentos de verificação. Um exemplo é o trabalho realizado pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), que se encontra no Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Este centro teve sua origem na agência Malaria Control in War Areas (MCWA), criada para combater o mosquito transmissor do paludismo, também conhecida como malária. Hoje em dia é o principal órgão de promoção da saúde, prevenção e preparação do país, e tem como missão monitorar e elaborar ações de modo a promover a saúde da população norte-americana, sendo reconhecida como a agência líder mundial na área da saúde pública, seja pela relevância de seus estudos e investigações científicas, seja pelo compromisso internacional, uma vez que está presente em mais de 25 países.

A atenção do CDC se encontra atualmente voltada para algumas metas fundamentais que visam proteção da saúde, com a finalidade de consolidar suas ações, com ênfase especial em: uma população saudável; os lugares se tornem saudáveis; a saúde global. Foi este organismo que no final da década de 1980 idealizou o Youth Risk Behavior Surveillance System (YRBSS). Para atingir seus objetivos o CDC passou desde 1992, além de controlar as doenças, também a realizar o trabalho de prevenção (CDC, 1992), uma vez que ausência de doenças não significa necessariamente vida saudável. Partindo desta premissa passou a introduzir em seus programas de saúde pública o conceito não de ausência de doença, mas de bem-estar (STEINBERG, 2007). O CDC vem buscando incessantemente intervenções para alcançar seus objetivos; porém, no que diz respeito à população jovem-adulta, ou seja, em idade universitária, houve a necessidade de reestruturação dos planejamentos, pois os comportamentos de risco para a saúde deste grupo impunham tais mudanças. Com o intuito de se adequar à realidade e estabelecer novos planos criou-se o YRBSS para que servisse de base para posteriores ações que pudessem minimizar o surgimento e o desenvolvimento de doenças e o agravamento dos problemas sociais entre esta população. Em 1991 o YRBSS foi implementado e, desde então, vem sendo aplicado a cada biênio em representativas amostragens de jovens-adultos nos Estados Unidos. (BRENNER et al, 2004).

O Youth Risk Behavior Surveillance College (YRBS-C) é um instrumento criado para ser aplicado em populações universitárias, e oferece uma variada gama de informações importantes, permitindo levantar dados sobre comportamentos de risco para a saúde prevalente entre universitários; estabelecer correlações entre as variáveis levantadas; oportuniza uma reflexão sobre as possíveis ações que possam ser implementadas tanto no que diz respeito ao currículo das Instituições quanto à mobilização da sociedade e das autoridades governamentais para que tomem conhecimento da realidade; se apresenta como uma ferramenta importante para que a comunidade acadêmica, ao tomar contato com os resultados, se mobilize em busca de aprimoramento visando a solução dos problemas; influenciar no planejamento estratégico das ações voltadas para as políticas públicas de saúde bem como para avaliar a eficiência e eficácia dos projetos em andamento (EVERETT, KANN & McREYNOLDS, 1997).

Todas as informações são obtidas por meio de respostas do questionário que é não-identificado e auto-administrado, elaborado com o devido rigor metodológico e científico sob responsabilidade do CDC bem como a seleção das amostras, a aplicação, o tratamento estatístico dos dados e a divulgação dos resultados. O levantamento das principais causas de morbidades e mortalidades entre jovens e adultos norte-americanos foi o que motivou a proposição do questionário YRBS-C em 1986.

O Brasil por estar entre os países em desenvolvimento e devido ao seu contexto sócio-econômico e cultural acaba por sofrer da falta de informações precisas sobre sua população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) órgão governamental criado em 1936 é o responsável pela realização do censo decenal, que produz dados sobre diversos temas como sócio-demográficos, econômicos, ambientais, o levantamento da rede de assistência à saúde, orçamento familiar, saúde e nutrição, saúde reprodutiva, práticas de contracepção, migração, trabalho, educação, trabalho infantil, dentre outros, e no período entre os censos são realizadas diferentes coletas. Todavia, existe uma carência de informações relevantes sobre determinados segmentos da sociedade.

O YRBS-C tem servido de base para elaboração de alguns questionários aplicados no Brasil, muitas pesquisas são encaminhadas entre jovens universitários. Contudo, o que se percebe é que grande parte dos estudos desenvolvidos se concentra em questões isoladas ou temas específicos correlacionados, como consumo de bebidas alcoólicas e uso de tabaco, comportamento sexual e prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, controle de peso corporal, alimentação e atividade física, entre outros. Têm-se exemplos em Rueda Silva et al (2006), que buscaram verificar o grau de associação entre o estilo de vida e situação socioeconômica e o uso de bebida alcoólica, tabaco, medicamentos e drogas ilícitas em universitários; Alves e Lopes (2008) que avaliaram o conhecimento, atitude e prática em relação à pílula anticoncepcional e ao preservativo entre adolescentes, ingressantes de uma universidade pública; consumo de bebidas alcoólicas e uso de tabaco (ANDRADE et al, 2006); consumo de drogas ilícitas (GALDURÓZ et al, 2004); hábitos alimentares e prevalência de sobrepeso e obesidade (GUEDES & GUEDES, 1997) e prática habitual de atividade física (MATSUDO, 1998).

Como pode-se notar importantes pesquisadores brasileiros têm se dedicado a investigar os comportamentos de risco para a saúde entre jovens; entretanto, poucos o tem feito levando em conta as mais diferentes variáveis que possam colocar em risco a saúde destas populações. Certamente haverá um detalhamento quando as questões pontuadas em cada categoria existentes no YRBS-C forem tratadas ao longo desta revisão, o que demonstrará a existência de levantamento de dados; porém, não de forma abrangente. Não obstante tais estudos sejam relevantes e encaminhados dentro do rigor científico, o país carece de instrumentos padronizados que oportunizem comparações municipais, estaduais, nacionais e internacionais, com o intuito de oferecer dados para uma ampla reflexão sobre as condições de vida da população.

O YRBS-C foi elaborado para verificar principalmente os comportamentos de risco para a saúde. Com este intuito o CDC realizou em 1988 uma revisão da literatura buscando identificar as mais importantes causas de morbidade e mortalidade entre jovens e adultos e concluiu que, entre pessoas de 1 a 24 anos, 31% das mortes aconteceram por acidentes de veículos, 14% por lesões não-intencionais, 13% por homicídio e 10% por suicídio (NCHS, 1992). Em comparações com informações atualizadas em 2004 demonstram que essas proporções são basicamente as mesmas (ARIAS et al, 2003). Certamente morbidades, mortalidade e problemas sociais também derivam do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e do uso de drogas. Quanto aos adultos (> 25 anos), prevalecem as mortes ocasionadas por doenças crônico-degenerativas, sendo cerca de 41% por doenças cardiovasculares e 23% por câncer (ARIAS et al, 2003). Desta forma, o CDC decidiu que poderia atingir seus objetivos elaborando questões focadas em seis distintas categorias de comportamento de risco: a) comportamentos que contribuem para lesões não-intencionais e violência; b) uso de tabaco; c) consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas; d) comportamentos sexuais que contribuem para gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis; e) hábitos alimentares; f) prática de atividade física (LOPES, 2008).

O YRBS-C elaborado com a finalidade de coletar informações junto à população universitária teve sua tradução para o idioma português e adaptação transcultural elaborada pelo grupo de pesquisa coordenado pelo Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O instrumento contém 90 questões de auto-resposta, não identificado, respondido exclusivamente por voluntários após os devidos esclarecimentos e o livre consentimento, contempla também em sua estrutura outros dados muito embora não estejam associados diretamente aos comportamentos de risco para saúde dos universitários.

O questionário é dividido em blocos de questões e para ilustrar será demonstrado esquematicamente:


Center for Disease Control and Prevention (CDC)

Centro de Controle e Prevenção de Doenças



Youth Risk Behavior Surveillance System (YRBSS)

Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco em Jovens



Youth Risk Behavior Survey (YRBS-C)

Questionário de Comportamentos de Risco em Universitários



Bloco de questões:



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