CompartimentaçÃo tectônica da província estrutural amazônia



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COMPARTIMENTAÇÃO TECTÔNICA DA PROVÍNCIA ESTRUTURAL AMAZÔNIA

Mário Ivan Cardoso de Lima*

*IBGE/Gerência de Recursos Naturais /UE/PA

mario.lima@ibge.gov.br

RESUMO

A Província Estrutural Amazônia (PEA), Lima (1994), dispõe-se na região norte brasileira com cerca de 1.700.000 km2, envolvendo essencialmente terrenos proterozoicos e arqueanos. Representa uma entidade geotectônica não afetada pelo Ciclo Brasiliano (0,54 – 1,0 Ga). Limita-se a leste com o Cinturão Móvel Araguaia-Tocantins e a sul com o Cinturão Móvel Alto Paraguai. Mostra sua porção central encoberta pelos sedimentos fanerozoicos da Província Estrutural Amazonas-Solimões (Lima, op. cit.). Subdivide-se em nove subprovíncias estruturais, com base em (CPRM 2003) e IBGE (2003): Amazônia Norte-Oriental (SANOR), Amazônia Sul-Oriental (SASOR), Amazônia Centro-Oriental (SACOR), Amazônia Central (SAC), Amazônia Centro-Ocidental (SACOC), Amazônia Norte-Ocidental (SANOC), Amazônia Sul-Ocidental (SASOC), Guiana Central (SGC) e Guiana Oriental (SGO). Vide Figura 1.

A SACOR constitui um típico terreno granite-greenstone , TTG e greenstone belts (Núcleo Pau D’Arco), de idade mesoarqueana com adição de crosta juvenil, sob a forma de arcos de ilhas, com lavas ultramáficas komatiíticas e toleíticas. Na verdade, representa um cráton neoarqueano (Cráton Sul do Pará).

A SASOR, região da serra dos Carajás, reflete uma derivação de protólitos mesoarqueanos a neoarqueanos, contudo retrabalhados no neoarqueano sendo tipificado por orto e paragnaisses em fácies anfibolito e granulito, granitóides, seqüências metavulcanossedimentares e metamáficas, em fácies anfibolito e xisto-verde, e coberturas sedimentares neoarqueanas. Granitoides, vulcano-plutonismo félsico a máfico e coberturas sedimentares do paleoproterozoico completam o quadro geológico. Mostra um trend estrutural segundo E-O a ONO-ESE com vergência direcionada para o Cráton Sul do Pará. Constitui um cráton do paleoproterozoico, denominado de Cráton Pará Central...

A SANOR reflete a continuidade para norte de tais terrenos, contudo com forte ação geodinâmica do paleoproterozoico (2,25 Ga). Destaques para a presença de granulitos, granitóides e seqüências metavulcanossedimentares compondo o Cinturão Móvel Bacajá-Tumucumaque. A SANOR apresenta-se com estruturação ONO-ESSE a NO-SE, marcando uma discordância estrutural com a SASOR, embora de baixo rake . Por sua vez, dominam os ortognaisses, granitóides sin a tarditectônicos, anfibolitos e granulitos, seqüências metavulcanossedimentares e granitoides tardi a pós-tectônicos. Os seus protólitos devem ser neoarqueanos, porém intensamente retrabalhados no Paleoproterozoico (~2,25 Ga). Em razão da presença de núcleos arqueanos admite-se para esta subprovíncia uma idade Neoarqueana a Paleoproterozoica. A mesma está bem exemplificada na região do Médio rio Xingu (PA), porém com prolongamento para a zona lindeira Pará/Amapá, norte do rio Amazonas, com maior expressão espacial, onde mostra-se deslocada devido a uma transcorrência dextral e rotacional horária, responsável pela formação do rifte que deu origem a Bacia do Amazonas . A zona limítrofe entre as províncias SASOR e SANOR pode tratar-se de uma zona de convergência de crostas oceânicas, seguida de colisão continental com pouco desenvolvimento de material juvenil. Constitui, em verdade, uma zona de transição, uma vez que os terrenos neoarqueanos estendiam-se até ao norte da zona lindeira Pará/Amapá, contudo com retrabalhamento paleoproterozoico, atestado por seqüências metavulcanossedimentares em fácies xisto-verde a anfibolito, serras do Ipitinga (PA) e do Navio (AP), e região de Altamira (PA), como também rochas de fácies granulito, tanto ao norte como a sul do rio Amazonas no âmbito dessa subprovíncia. A propósito, o referido cinturão granulítico deve ser um dos mais extensos do globo, embora de forma descontínua. Por sua vez, dados litoquímicos de vários autores atestam a geração de crosta juvenil tipo arco de ilha nas seqüências máficas e ultramáficas supracrustais..

Ao norte da SANOR expõe-se a SGO, principalmente centro–norte do Amapá, com dominância de protólitos do Paleoproterozoico, cujo embasamento é dominado por arco magmático, granitoides sin a tarditectônicos, alguns gnaissificados, ausência de rochas da fácies granulito e continuidade para norte das sequências metavulcanossedimentares paleoproterozoicas da SANOR. Parece representar uma zona de arco magmático continental relativo a subducção de crosta oceânica em crosta continental, com bacias tipo forearc ou back arc.

A SAC tem sua principal área de exposição na região do Tapajós (PA) e Estado de Roraima, com direção estrutural segundo NNO-SSE a NO-SE com vergência para NE e SE . Esta subprovíncia apresenta seqüências metavulcanossedimentares e granitóides sin , tarditectônicos e pós-tectônicos , constituindo arcos magmáticos de grande expressão.

De outro modo, a subprovíncia SGC mostra marcante orientação estrutural segundo NE-SO, a qual trunca a SAC e é delimitada por cinturão de rochas granulíticas extremamente cisalhadas com centenas de quilômetros de extensão e dezenas de largura em regime transpressional sinistral, com marcante ressalto estrutural. Representa uma descontinuidade com extensão de centenas de km (ca 1.500 km) desde o Atlântico até o Médio rio Negro (AM), envolvendo terrenos granulíticos, bem expostos nas montanhas Bakhuis no Suriname e Kanuku na República das Guianas e representação em território brasileiro, constituindo importante acidente tectônico do Proterozoico, com reativações em diferentes épocas, tanto que a bacia mesozóica do Takutu encontra-se embutida neste lineamento.

As SAC, SGO e SGC representam de forma inconteste a ação do paleoproterozoico (1,90 – 2,5 Ga) na formação de rochas e tipificam-se por um embasamento rico em granitóides e seqüências metavulcanossedimentares, e como coberturas de plataforma intenso e extenso vulcano-plutonismo (ca 2,0 Ga) . Embora coevos às direções estruturais são distintas. Essas subprovíncias atestam à atuação do paleoproterozoico no âmbito do PEA.

O Mesoproterozoico (1,6 – 1,0 Ga) é composto pelas subprovíncias SACO, SANOC e SASOC. O limite entre a SACO e a SANOC na porção sul da PEA é alcandorado por marcante discordância estrutural (Cunha de Ariquemes), tipificado pela presença de terrenos granulíticos extremamente cisalhados. Por outro lado, a SASOC mostra orientação meridiana em franca discordância estrutural com a SANOC. Esta é exemplificada por granulitos e seqüência metavulcanossedimentares de orientação cerca de E-O e vergência para sul.

Como reflexo da atuação desses cinturões móveis assomam três importantes arcos magmáticos relacionados à ação de modelos de placas tipo acrecionário. O vulcanismo félsico-intermediário e secundariamente máfico, de idade proterozoica, apresenta vasta extensão espacial na PEA distribuindo-se de leste para oeste, em que determinadas associações mostram consangüineidade litoquímica e sincronismo em determinados períodos, em consonância com dados geocronológicos U-Pb, Pb-Pb e Sm-Nd, recentemente obtidos . Deste modo, pode-se associá-las a três ciclos magmáticos já definidos: Akawaian (1,78- 2,0 Ma), Parguazan (1,6 – 1,4 Ma ) e Costa Marques (1,3 –0,9 Ma). Tal vulcano-plutonismo faria parte de três importantes arcos magmáticos muito bem delineados no âmbito da PEA de disposição aproximadamente NO-SE, em sua porção centro-oriental (AMCOR), centro- ocidental (AMCOC) e ocidental (AMO). São produtos de movimentação de placas litosféricas de oeste para leste , devido a eventos geodinâmicos com modelos de placas tectônicas tipo arco acrecionário e colisão continental. Tais arcos são caracterizados por amplo vulcano-plutonismo de caráter sin, tardi e pós-tectônico , bem como anorogênico. O Arco Magmático Centro-Oriental (AMCOR) envolve as bacias dos rios Juruena, Tapajós, Xingu, Trombetas e Branco com uma extensão de centenas de quilômetros com dominância de vulcanismo félsico e ,secundariamente, intermediário e máfico, com piroclásticas associadas.. O Arco Magmático Centro-Ocidental (AMCOC) estende-se desde as bacias dos rios Aripuanã e Roosevelt , margem direita do Amazonas- Solimões, até a região noroeste dos estados de Roraima e Amazonas. O principal representante vulcânico deste arco é a Formação Roosevelt, com idades que variam de 1 500 a 1600 Ma, de caráter vulcanossedimentar e com deformação dúctil-rúptil. Relaciona-se a modelos de arco acrecionário e colisão continental e liga-se ao Ciclo Orogênico Rio Negro–Juruena.. Formações Nova Floresta e Arinos retratam vulcanismo máfico em zonas de riftes , com idades de 1 100 a 1200 Ma. O Arco Magmático Ocidental (AMO), por sua vez, relacionam-se aos Ciclos Orogênicos Rondoniano-San Ignácio (1.500 a 1.300 Ma) e Sunsás (1.290 a 900 Ma), resultado de subducção em ambiente de arco acrecionário e colisão continental .

Referências Bibliográficas

CPRM -. Geotectônica dos Escudos das Guianas e Brasil-Central. In: BIZZI, L. A. et al. (Coord.). Geologia, tectônica e recursos minerais do Brasil – Sistema de Informações Geográficas - SIG e mapas na escala:2.500.000. Brasília, DF: Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, 2003. 4 CD-ROM



IBGE – Banco de Dados de Informações Ambientais . 2003. Rio de Janeiro – RJ.

LIMA, M. I. C.- Província Estrutural Amazônia. IN: XXXVIII Congresso Brasileiro de Geologia. Boletim de Resumos Expandidos.Vol.2. p.410-411. 1994. Camboriú-SC.





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