Como ser mulher



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Encontro11.09.2017
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Como ser mulher” no alvorecer do século XX em Pelotas: a veiculação de representações de gênero na mídia impressa
SANTOS, Rita de Cássia Grecco dos* - ritagrecco@furg.br, FERRARI, Letícia S., TAMBARA, Elomar
Palavras-chave: Representações Sociais, Gênero
Introdução

O texto apresenta as principais representações sociais veiculadas na imprensa pelotense sobre “como ser mulher” nas primeiras décadas do século XX. Atribuímos a articulação e assunção dessas representações à conformação de alguns elementos-chave – contexto sócio-econômico-político, educacional e religioso de Pelotas – no alvorecer do século passado, numa sociedade que ansiava por uma formação feminina nos moldes do recato, da fé e da subserviência, uma vez que, a relevância de sua educação era: “[...] formar em círculos especiais a mocidade feminina, dando-lhe a inteligência da sua missão educadora na sociedade, e orientando-lhe a vida para as virtudes tradicionais da família brasileira [...]” (MELLO, 1935, p.205).


Metodologia

Assumimos a Historiografia (CERTEAU, 2007) como perspectiva teórico-metodológica, posto que, buscamos com o cruzamento das informações e significações apreendidas pela triangulação de fontes plurais, realizar um verdadeiro trabalho de construção do passado (BENJAMIN apud PESAVENTO, 2005). Assim, além da revisão bibliográfica, recorremos à coleta, análise e interpretação dos dados obtidos no acervo da Bibliotheca Pública Pelotense, no periódico local “Diario Popular”.


Resultados e Discussão

O “Diario Popular” veiculava uma representação de “mulher ideal” que costumava ser identificada como “dócil, culta e cristã”, em consonância com o modelo familiar, católico e higienista acalentado no período. Sendo, via de regra, categorizada de duas formas: - as filhas de pais abastados: preparadas para a ocupação ou cumprimento da missão de esposa e mãe e, - as meninas órfãs ou muito pobres: preparadas de forma adequada para o mundo do trabalho. Ou seja: “[...] Preparação para gozar a vida em sociedade, para aquelas bem nascidas; preparação para o trabalho para as órfãs e abandonadas. [...]” (LOPES; GALVÃO, 2005, p.72).

Às mulheres cabia a responsabilidade e o papel de instruir os jovens da nascente nação brasileira, formando seus futuros cidadãos, uma vez que, “[...] Elas deveriam ser diligentes, honestas, ordeiras, asseadas; a elas caberia controlar seus homens e formar os novos trabalhadores e trabalhadoras do país; [...]” (LOURO, 2007, p.447).

Assim, sua educação não poderia subverter a posição de subalternidade, como sinaliza Gonçalves: “[...] o mínimo que se esperava do comportamento das mulheres era que elas se constituíssem em verdadeiros ‘dragões da virtude’” (2006, p.40-41).


Conclusão

Os jornais sulistas na transição do século XIX para o XX não criaram o modelo ideal de mulher, pois esse já fazia parte do imaginário ocidental, podia ser encontrado na literatura, no sermão das missas, nos textos escolares, nas tradições locais. Daí, é difícil saber como eram lidos os textos, como eram vividas, experimentadas no cotidiano, essas representações de mulheres que os jornais reproduziam.

Porém, é inegável que este meio de comunicação social contribuiu e, muito, na veiculação das seguintes representações: “formação das jovens na prática das virtudes que convêm a uma boa moça de família” e “necessidade de inculcação de hábitos de disciplina, modéstia e respeito à religião, como um imperativo de prepará-las adequadamente para as futuras obrigações”.
Referências Bibliográficas

CERTEAU, M. A escrita da história. 2 ed. RJ: Forense Universitária, 2007.

GONÇALVES, A. História & Gênero. BH: Autêntica, 2006.

LOPES, E.; GALVÃO, A.M. História da Educação. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

LOURO, G. Mulheres na sala de aula. In: PRIORE, M.D. (org.). História das Mulheres no Brasil. 9 ed. SP: Contexto, 2007. p.443-481

MELLO, J.F. Primeiro Congresso Católico Diocesano de Pelotas. POA: Tipografia Pão dos Pobres, 1935.



PESAVENTO, S. História & História Cultural. 2 ed. BH: Autêntica, 2005.



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