Como piensan los animales



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TEMOS QUE PENSAR COMO OS ANIMAIS.

Temple Grandin, Departamento de Ciencia Animal, Colorado State Umiversite, Fort Collins, Colorado. Traduzido por: Dr. Orlando Rus Barbosa

Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Zootecnia, Paraná – Brasil

Temple Grandin é professora assistente de Ciência Animal na Universidade do Estado do Colorado. É autora do livro “ Thinking in Pictures” . Suas apresentações televisivas incluem os programas 20/20, CBS This Morning e 48 Hours. A Dra. Grandin possui autismo, e sua própria experiência têm servido para compreender o comportamento dos animais. Ministra um curso sobre manejo de animais na Universidade e é consultora sobre projetos de instalações para o trabalho com bovinos. Este artigo apresenta uma visão única, própria de uma pessoa dotada de uma compreensão singular.

Sendo uma pessoa que sofre de autismo, torna-se fácil entender como pensam os animais, pois meus processos de pensamento são similares aos deles. O autismo é um transtorno neurológico que nasce em algumas pessoas. Os investigadores científicos do autismo crêem que seja causado pelo desenvolvimento imaturo de alguns circuitos cerebrais, junto com o desenvolvimento excessivo de outros circuitos. É um transtorno complexo, cuja gravidade varia entre as versões leves (como a minha) e as graves, onde a criança está incapacitada em aprender a falar. O filme Rain Man descreve um homem que sofre de uma versão bastante grave da enfermidade.

Eu careço de todo tipo de pensamento baseado na linguagem. Meus pensamentos são em imagens, como se existisse uma fita de vídeo na mente. Quando recupero algo de minha memória, apenas vejo imagens. Durante muito tempo, pensei que todo o mundo pensava assim, até que comecei a falar com outras pessoas sobre a forma em que pensavam. Compreendi que existe uma escala muito ampla nos estilos de pensamento, desde o pensamento totalmente visual, como o meio, até o pensamento totalmente verbal. Os artistas, os engenheiros e os bons treinadores de animais tendem a ter um pensamento muito visual, os contadores, os banqueiros e as pessoas que operam o mercado de futuro tendem a desenvolver um pensamento muito verbal, e seus processos mentais contem poucas imagens.

A maioria das pessoas usa uma combinação de ambas as ferramentas, as visuais e as verbais. Vários anos atrás idealizei um pequeno teste para descobrir que estilo de pensamento tem uma pessoa. O objetivo era pensar em um sino de igreja. A maioria das pessoas tinha em mente a imagem de um sino genérico. As imagens de sinos que minha memória guarda começa a fluir pela minha mente como se fossem diapositivos que passavam muito rápido, ou como imagens na tela de um computador. No outro extremo, os pensadores altamente verbais chegam a "ver" a palavra "sino", ou vêem uma imagem simplificada com forma de sino.

Uma vez, em uma estação de rádio, falei com uma pessoa que me disse que jamais havia tido uma imagem em sua mente. Ela pensava em termos de emoções e de palavras. Tem-se comprovado que as pessoas cujo pensamento é muito verbal e que trabalham em profissões abstratas, como as pessoas de bolsas de valores, possuem dificuldade para entender os animais. Devido estar pensando somente em palavras, torna-se difícil imaginar que um animal possa pensar. Tem-se descoberto que os treinadores de animais que são realmente bons tendem a imaginar sinos mais detalhados. Torna-me claro que as atitudes para o pensamento visual são indispensáveis para o treinamento de cavalos, porém ocorre que os pensadores visuais não têm a capacidade para verbalizar e explicar a outros que é o que os olhos "vêem".
O PENSAMENTO ASSOCIATIVO.

Uma vez, um treinador de cavalos me disse: "Os animais não pensam, somente fazem associações". E então respondi a ele dizendo "Se fazer associações não é pensar, então deveria chegar à conclusão de que eu não penso". Tanto as pessoas que padecem de autismo como os animais pensam mediante associações visuais. Estas associações se assemelham a fotografias de sucessos, e tendem a ser muito específica. Por exemplo, um cavalo pode ter medo dos homens com barba quando os vêem dentro do estábulo, porém tolera na pista de equitação. O animal teme os barbudos no estábulo porque no passado teve uma péssima experiência com um barbudo num estábulo. Os animais também tendem a fazer associações que são específicas para um lugar determinado. Isto significa que se um cavalo teve anteriormente péssimas experiências em um estábulo com clarabóias, terá medo de todos os estábulos com clarabóias, porém não terão problemas em um estábulo de teto fechado. Por esta razão é muito importante que a primeira associação de um animal com algo novo seja uma boa experiência.

Já alguns anos, um cientista chamado N. Miller descobriu que se uma rata recebia um choque elétrico a primeira vez que entrava em um espaço de um labirinto, jamais voltaria a entrar neste espaço. O mesmo pode suceder com os cavalos. Por exemplo, se um cavalo cai a primeira vez que sobe em um reboque de transporte, possivelmente fique com medo de todos os reboques em que tenha que subir. Por sua vez, se cai em um reboque onde viajam dois cavalos lado a lado, a vigésima quinta vez que é embarcado em um deles, é provável que haja uma associação mais específica. Em vez de associar a todos os reboques com uma experiência dolorosa ou aterrorizante, poderá ter medo dos reboques duplos, ou a uma pessoa associada com o "reboque dói". Já se sabe, por experiências prévias, que os reboques são seguros, de modo que é difícil que desenvolva um medo genérico por eles.
O MEDO É A PRINCIPAL EMOÇÃO.

Nos autistas, o medo é a emoção mais importante, e também é nos animais de presa, como os cavalos e as vacas. As coisas que assustam os eqüinos e bovinos também assustam as crianças autistas. Qualquer coisa que pareça fora de lugar, como um pedaço de papel levado pelo vento, pode causar temor. Os objetos que se movem bruscamente são os que mais provocam medo. Na vida selvagem, os movimentos bruscos são terríveis porque os predadores fazem movimentos bruscos.

Tanto os animais como as pessoas que padecem de autismo também tem medo dos ruídos agudos. Eu mesma, todavia tenho problemas com estes ruídos. O alarme que tem os caminhões coletores de lixo quando se movem para trás ainda hoje me acelera o pulso e me faz despertar o medo de noite. O estrondo dos trovões, por sua vez, não me afeta. As espécies de presa, como os bovinos e os equinos, têm ouvidos muito sensíveis, e um ruído forte pode fazê-los doer. Quando era menina, o som do sinal na escola era como um motor de dentista em meu ouvido. É possível que o sistema de altas vozes em uma exposição eqüina tenha um efeito similar nos ouvidos dos cavalos.

As pessoas que tem autismo possuem emoções, porém são mais simples e mais parecidas às emoções do membro de uma espécie animal de presa no estado de vigilância. Os investigadores em neurología têm localizado os circuitos do medo no cérebro dos animais. Quando um animal fixa um registro do medo, ele é armazenado na amígdala, que está localizada na parte inferior, mais primitiva, do cérebro. J.E. LeDoux e M. Davis tem descoberto que as lembranças do medo não podem ser apagadas do cérebro. Por isso é tão importante impedir a formação de lembranças do medo associados a ser montados por um cavaleiro ou subir em um reboque, etc.

Para que um cavalo que tenha sofrido medo dos reboques possa superá-lo, é preciso que os centros superiores do córtex cerebral enviem à amígdala um sinal supressor do medo. Isto se denomina sobre - imposição cortical, e é um sinal que bloqueará a lembrança do medo, porém não o apagará. Se o animal se torna ansioso, a velha lembrança do medo pode aflorar novamente, pois o córtex cerebral deixa de enviar o sinal supressor do medo.

Os comportamentos baseados no medo são complexos. O medo pode fazer que um cavalo lute ou fuja. Por exemplo, muitas vezes quando um cavalo da patada ou morde, se deve ao medo e não à agressão. Em uma situação atemorizante em que o cavalo não tem possibilidades de fugir, aprende a lutar. Os treinadores de cães têm descoberto que quando castigam uma conduta baseada no medo, a reação pode ser pior. Quando um cavalo retrocede, das patadas ou se porta mal durante o treinamento, pode fazer com que o treinador se canse, e pense, equivocadamente, que o cavalo também está cansado. Porém é muito mais provável que o cavalo está assustado. Por isso é importante que os treinadores de equinos sejam pessoas tranquilas. Um treinador cansado pode criar medo no cavalo. Existem muitas situações onde um cavalo pode ser realmente agressivo contra as pessoas, porém quando retrocede, da patada ou corre sendo ao ser treinado ou montado, é muito mais provável que tenha medo.
O EFEITO DA GENÉTICA.

Em todos os animais, tanto os fatores genéticos como a experiência determina como se comportarão ante uma situação que lhes provoque medo. A temerosidade é um comportamento estável da personalidade e o temperamento dos animais. Os animais de temperamento inquieto, nervoso, são geralmente mais temerosos, e formam lembranças do medo mais fortes que os animais de temperamento calmo e plácido. As investigações sobre suínos realizadas por Ted Strong e seus estudantes no Texas A&M University tem demonstrado que alguns suínos se habituam a um procedimento forçado, porém não doloroso, sendo que outros se tornam cada vez mais medrosos ante o mesmo. Por exemplo, se colocamos os suínos em um tanque onde tenham que nadar por um breve tempo. No principio, esta tarefa era atemorizante para todos os suínos, e fazia com que subisse o nível de adrenalina, que é uma substancia que liberam tanto animais como humanos quando tem medo. Após varias provas de natação, alguns suínos se habituavam e já não sentiam medo, sendo que outros continuavam tendo medo nas provas sucessivas. Nos suínos que não se acostumavam, o nível de adrenalina seguia sendo alto, o que demonstra que continuavam tendo medo.

É possível que os cavalos pudessem responder de forma similar a distintos métodos de treinamento. Os cavalos de caráter plácido e sereno terão mais probabilidades de se adaptar a métodos rudes de manejo e de treinamento que aqueles que tenham um caráter tenso e fogoso. Isto, em troca, pode ser arruinado pelos métodos de manejo rudes, pois adquirem tanto medo que não logram aprender ou se habituar.

Em igual sentido, um animal dotado de um sistema nervoso calmo e pouco reativo se habituará mais facilmente a uma série de práticas de treinamento forçosas, porem, indolores, a dos animais barulhentos, tensos e nervosos talvez não logre se adaptar nunca. Os cavalos que estão constantemente sacudindo suas caudas mesmo não existindo moscas, ou que mantém levantado sua cabeça, são animais temerosos. Na vida selvagem, os equinos alçam suas cabeças para detectar o perigo.
OS EFEITOS DA NOVIDADE.

Como criatura de fuga que é o cavalo, suas reações ante as novas situações ou não comuns, ou quando se encontram em lugares que não conhece, podem servir para captar seu verdadeiro temperamento. O cientista francês Robert Dantzer descobriu que uma novidade súbita, arrojada sem preâmbulo na cara do animal, pode ser muito estressante. Um cavalo de natureza tensa e temerosa pode ser tranquilo e bem educado quando se monta em sua garupa. No entanto, seu verdadeiro temperamento está oculto, pois se sente relaxado e seguro em seu entorno familiar. Quando se defronta bruscamente com as imagens e os sons desconhecidos de uma exposição equina, pode disparar sem aviso prévio. Os cavalos que tem mais dificuldades em situações novas são os mais tensos e temerosos. Na exposição, haverá muitas imagens e sons que não são habituais, como os globos e os alto-falantes, que jamais tem sido visto ou ouvido em seu estábulo. Um animal nervoso está calmo quando permanece em um entorno familiar, que tem aprendido a reconhecer como seguro, porém provavelmente entre em pânico quando se defronta subitamente com coisas novas.

O paradoxo da novidade é que pode ser extremadamente atrativa a um animal quando este pode se acercar voluntariamente dela. Um pedaço de papel em uma pastagem pode fazer com que um cavalo curioso se aproxime para vê-lo, porém o mesmo papel, atirado na pista de equitação, pode inibi-lo. As pessoas que trabalham com cavalos e outros animais necessitam pensar mais sobre a forma como eles percebem situações em que os colocamos.



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