Com quantos ressentimentos se faz o passar do tempo



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Com quantos ressentimentos se faz o passar do tempo?

Afonsina Maria Augusto Moreira *


... Já não somos os mesmos que antes tínhamos sido...

(NERUDA, 1980: 67)


RESUMO: A composição de memórias é um mote primordial na atividade escrita do cearense Gustavo Barroso (1888-1959). Isso significa que há, na sua prática, uma preocupação constante em defender uma postura diante do tempo. A intenção com o artigo é analisar os sentidos impressos pelo autor para a passagem do tempo, do tempo passado frente ao presente e às expectativas.

PALAVRAS-CHAVE: Gustavo Barroso, tempo, saudade


ABSTRACT: The composition of memories is one mote primordial in the written activity of the person from the state of Ceará Gustavo Barroso (1888-1959). This means that it has, in practical its, a constant concern in ahead defending a position of the time. The intention with the article is to analyze the directions printed matters for the author for the passage of time, of the last time front to the present and the expectations.

KEYWORDS: Gustavo Barroso, time, saudade


Passados 29 anos da sua triste partida do Ceará rumo ao Rio de Janeiro, Gustavo Barroso iniciou a publicação de sua trilogia memorialística, portanto, aos 51 anos de idade: Coração de Menino (1939), Liceu do Ceará (1940) e O Consulado da China (1941). No decurso de sua obra remete o leitor a motivações afetivas, tidas como significativas para sua trajetória intelectual. No que diz respeito à sua saudade e à sua primeira viagem pelo sertão cearense em 1907, quando tinha 18 anos, comentou no livro O Consulado da China sobre o trajeto de chegada à fazenda de seu padrinho localizada em Quixeramobim no Sertão Central:

A casa do Taboleiro Grande bem à beira da estrada era caiada de branco. Apeamo-nos no seu terreiro já com o escuro da noite. Antes de dormir, sentei-me num banco ao ar livre e acendi o cachimbo. As estrelas pestanejavam no negrume do céu. Cães uivavam às sombras das árvores agitadas pelo vento. Miríades de insetos zumbiam na treva densa. De quando a quando, a risadinha irônica duma coruja à cata de alimento cortava a noite. Quantas noites iguais àquela de então por diante eu iria passar a cavalo, sozinho, varando as caatingas do sertão de minha terra! Quantas! Pensando nessa noite em que me ia ser revelada uma nova face da vida, meus olhos enchem-se ainda de água que lentamente escorre pelo rosto e chega aos lábios com um gosto amargo. Saudade duma época de aventuras despreocupadas e cheia de ilusões! (BARROSO, 2000: 19)

A latência dessa saudade foi inscrita freqüentemente sob forma de lamento. Esse passado foi explicitado como melhor que o presente, mesmo quando a lembrança tinha um tom de mágoa e desabafo, argumentando seu valor como lição. A escrita da saudade veio com um ressentido sabor, quem sabe, com pausas entre as letras borradas. O silêncio noturno foi compassado por clarões e zumbidos no seu rememorar. Em face dessa saudade amargurada, qual o sentido que o intelectual cearense Gustavo Barroso deu ao tempo? Ao fazer um retrospecto de sua vida o autor não esqueceu de lembrar daquele presente de conquistas e “glórias”. No final da década de 1930, período de publicação de sua trilogia de memórias, Barroso estava a frente do Museu Histórico Nacional, isso desde 1922 e contava com mais de vinte livros publicados, sendo que a obra de estréia Terra de Sol: natureza e costumes do norte (1912) foi consagrada entre autores como João Ribeiro e Sílvio Romero. Mesmo assim, houve insatisfação ao se referir a esse tempo, grifado por preocupações, disputas, crises e ausências. A saudade vem com a sensação da ausência, da falta. Mediante essa saudade ressentida como Gustavo Barroso deu sentido ao passar do tempo?

Em 1932 foi publicado no Rio de Janeiro o seu livro Luz e Pó. Essa obra foi produzida sob forma de aforismos, desse modo, por meio de pensamentos e reflexões sintéticos Barroso passou por vários temas. Dentre os aforismos acerca do tema “A História” assim resumiu:

Tudo para nós é passado. Sobre êle arquitetamos as aspirações e saudades de que vivemos. E quando os sábios examinam as palafitas, arrancam dos entullhos milenares as Troias carbonizadas ou colecionam as reliquias dos trogloditas, agem impelidos pelo seu sub-conciente, ávidos de saber o misterio das origens para explicar as incertezas do presente e melhorar a sorte do futuro (...) (BARROSO, 1932: 202).

Na relação entre passado, presente e futuro, incorporou uma linha de pensamento que definiu o pretérito como fonte de explicação do presente e construtor do porvir. A partir da análise de seus escritos, observou-se que o passado adquiriu o sentido de fonte, origem para outras épocas e, à História foi incorporado o valor pedagógico. O recurso a uma escrita memorialista, dentre tantos motivos, foi uma tentativa de dirimir a distância decorrente da aceleração da passagem do tempo e suas implicações. Houve o desejo de amenizar as angústias e o mal estar diante das transformações, incertezas, insatisfações. A escrita foi uma tentativa de reatualizar o passado no devir, com forte teor nostálgico.

No texto de abertura do livro Luz e Pó lê-se:

Ha gente que vive no presente e gente que vive no passado. Para uns, somente vale o tempo que se foi, em que a distancia esfuma as chatices e o esmorecimento das paixões dá um tom delicioso a todas as cousas. Então, tudo era belo e bom, gentil e puro, nobre e desinteressado. O que lhe sucedeu nada vale e nem merece as honras da comparação senão para que ressalte sua inferioridade. Para outros, o presente é tudo e tudo mais é nada. Os séculos de outrora são escuros e frios. Os povos, bárbaros. As usanças, detestáveis. A falta de conforto, horripilante. O presente trouxe todos os gósos e todas as vantagens, todas as bondades, todas as belezas e todos os progressos.

Entretanto, não vive quem vive do passado e não vive quem vive só no presente. A vida verdadeira, completa, integral dum individuo é como uma arvore. Tem raizes e tem folhas. Mergulha aquelas no que foi. Agita estas no que é. E procura crescer para atingir ainda o que será (BARROSO, 1932: 7-9).

O caráter de um livro de aforismo é pautado por máximas, axiomas, ditados, enfim, sentenças morais. Assim sendo, por meio de lições o autor transcorreu sobre temas vários. O destaque aqui foi para aqueles que possibilitaram mais diretamente uma reflexão sobre o tempo. A metáfora da árvore para pensar no sentido dado ao curso do tempo remete a uma perspectiva em que o passado é o alicerce para a edificação do vir-a-ser. A demarcação desse processo foi constituída a partir de um princípio, um meio e um fim. O passado foi delimitado pelo que foi, o que existiu, o que passou, o que já aconteceu. O presente por aquilo que rodeia, o caminho entre o passado e o futuro. Entre o que ocorreu, as atribulações e o incerto, Gustavo Barroso traçou uma linha temporal. Uma vez que ao passado foi vinculado o atributo de raiz, este foi constituído como a base ou mesmo o lugar da tradição, assim, o pensamento do autor acerca desse transcurso adquiriu um sentido tradicionalista. Mediante esse olhar tradicionalista, como ele teceu o fio condutor desse decurso? Essa delimitação significou o reconhecimento de um processo de rupturas ou de continuidades com o passado? É possível argumentar que Barroso lançou mão de uma perspectiva teleológica para justificar e apaziguar receios e anseios, mediante a insegurança do devir e os descontentamentos do presente?

Pergunta-se se estaria o autor na defesa de uma perspectiva metafísica ao sublinhar: “Porque Aquêle que, no misterio insondavel das essencias e energias, organizou tudo o que vemos, tudo o que sentimos e tudo o que não vemos nem sentimos assim o ordena (...)”. Ora, diante do esforço de compreensão da vida, das alegrias e tristezas..., diante de questionamentos essenciais, do “misterio insondavel”, Gustavo Barroso concluiu que é tudo obra do “Eterno Absoluto”. Mas logo em seguida argumentou “E tudo nada mais é do que a instavel, impermanente manifestação do Eterno Absoluto na Eterna Relatividade.” (BARROSO, 1932: 7-9). Sendo assim, a leitura do transcurso do tempo foi inspirada num olhar metafísico e/ou numa postura cientificista? Parece haver aqui uma ambigüidade, algo característico no século XIX. Ou seja, a recorrência tanto a elementos da Filosofia da História quanto da História científica, orientada por preceitos das ciências naturais. Essa ambivalência também foi perceptível nas reapropriações dessas teorias na explicitação de uma realidade e história brasileiras.1 Vale lembrar que o clima intelectual da mocidade de Gustavo Barroso em Fortaleza já era misturado no tenso equilíbrio entre cientificismo e catolicismo. Essas duas vertentes marcaram o debate acerca da delimitação de elementos identitários do cearense, compondo o debate maior a respeito da identidade nacional. O circuito intelectual da Cidade foi formado, em boa parte, por professores de Barroso tanto do Liceu quanto da Faculdade de Direito do Ceará. 2

Nos seus dizeres, a importância da descoberta do sertão lembrado foi associada ao seu processo de reconhecimento. Foi um momento sugerido como espaço de criação e compreensão de suas emoções, produtor de identificação. Mas esse processo de autoconhecimento diz respeito também ao período de elaboração da narrativa memorial, pois foi o olhar do adulto Gustavo Barroso que desenhou essa imagem do garoto. E escreveu: “Não sonho mais: olho para trás. A mocidade vive no futuro, a maturidade no presente, a velhice no passado” (BARROSO, 2000: 47).

A reflexão despontada nos escritos teve forte conotação de sofrimento. Não é que as lembranças tenham sido de um passado descontente. Pelo contrário, as suas lembranças remeteram a um tempo e a um lugar de sonhos e descobertas fantásticas, um tempo recordado nos escritos de memória. Assim, o passado foi incansavelmente defendido como melhor que o presente.

Nas suas lembranças foram recriados sons e cores: o sonoro canto da graúna veio para abstrair o burburinho ardente da cidade grande. O som do vento nas árvores do sertão chegou quase como sussurro aos seus ouvidos aliviando os ruídos das ruas agitadas. A sua alma e seu corpo febris pareceram sossegar diante da memória dos aromas e das cores daquela sua época de florescimento. Assim, diante da insatisfação daquele seu presente de rumor urbano no Rio de Janeiro, a recordação lhe trouxe bem-estar.

O pesar de Gustavo Barroso teve vínculo com sua compreensão acerca da passagem do tempo, dos limites entre o passado, o presente e o futuro. O seu descontentamento foi pautado pela aceleração da vida presente e das incertezas do futuro. O tempo descrito por ele é um tempo da linearidade, um tempo de determinantes cronológicos. A compreensão da mudança e do fim das coisas, lugares e pessoas levou Barroso a criar lugares de memórias. Argumentando que “o passado não morre”, a ele foi atribuído o lugar daquilo que houve, assim fez a defesa de criação de lugares de memória. Desse modo, o passado foi delimitado como o “imutável alicerce” (BARROSO, 1932: 134). Esses lugares tanto estiveram relacionados à escrita, quanto às suas atividades de preservação de objetos demarcadores de um passado nacional no Museu Histórico Nacional.

Quando sistematizou a ação, a direção e a relação com o tempo a partir de pressupostos lineares, afirmando que a “mocidade vive do futuro, a maturidade no presente, a velhice no passado” impôs limites à relação entre um antes e o depois (BARROSO, 1932: 134). Essa compreensão ocidentalizada da passagem do tempo gerou ressentimentos no autor ao ponto de sublinhar que não mais se permitia projetar desejos.3

Contudo a recordação de seus 18 anos de idade como um bom tempo para sonhar com o futuro foi impressa quando contava com 53 anos. Ora, foi na escrita de memórias que o autor compôs o passado. Dentre tantos motivos dessa composição é flagrante o sonho de projeção e a defesa do respeito ao passado no presente. A memória identifica esquecimentos e ausências para serem referências no presente e no futuro. Aos 53 anos ele sonhava com a longevidade de sua memória.

Em 1933, portanto, 23 anos após sua partida de Fortaleza, num encontro de amigos, Gustavo Barroso fez comentários que foram registrados por vários escritores em textos póstumos. Em tom de homenagem, muitos desses textos foram publicados em revistas da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará. Nesses artigos laudatórios a memória mais corriqueiramente construída a seu respeito foi a de um escritor polígrafo e saudoso de sua terra natal. Esse discurso, registrado pelo conterrâneo Herman Lima, foi um indício dos vários lugares onde suas memórias foram registradas. Assim falou Barroso:



Meus olhos voltam-se para dentro, para o meu microcosmo, a perscrutar minha própria alma... E como uma quaresmeira se cobre de flores violetas, eu floresço em saudades da minha infância e da minha adolescência na terra nordestina, mãe de prodígios. No meio dos ruídos e pressas da vida urbana, que o dinamismo dos corpos e das almas agita, penso no meu sertão. Vêm-me lampejos do sol que arde nas várzeas escaldantes e entra-me pelos ouvidos, dominando o rumor febril das ruas, o alto canto das graúnas pela extensão sussurrante dos carnaubais... Invoco a brancura das estradas sinuosas sob o luar melancólico, no perfume das noites de maio. (...) Mas o meu sertão está longe e o meu cavalo de campo morreu... (LIMA, 1967: 27-28).

A partir das centelhas manifestadas em seu corpo Gustavo Barroso constatou, ressentido, a lonjura daquele sertão memorável. A sua saudade foi triste não pelas lembranças, mas por estar longe delas. Com desgosto admitiu a morte de seu cavalo, a inevitabilidade da mudança, da passagem dos dias, dos anos... Mesmo um retorno de Gustavo Barroso ao Ceará não seria suficiente para revivê-lo, pois, nem ele nem o Ceará já não eram os mesmos daquela infância e adolescência, e nem mesmo aquele seu cavalo lá estaria.

A ausência de um mundo desejado levou Barroso a recontar esse mundo através das memórias. Nesse sentido, a memória carrega um sofrimento sem fim, um problema sem solução: nunca será possível retornar ao passado lembrado. O tempo torna-se uma fonte de ausências, o presente transforma-se em um inventário de perdas.

Na epígrafe do Coração de Menino (1939) ele registrou: “Mas a saudade é a maior testemunha da verdade” (BARROSO, 2000: 9). Então, para o autor, esse passado era verossímil por ter permanecido no horizonte sentimental. Mas a saudade, além de ter sido percebida como testemunho da veracidade dos relatos, como prova da sobrevivência de um passado da recordação, também testemunharia o esquecimento, com a distância e a ausência de tempos e lugares, azulando paisagens e suavizando diferenças. Cultivar a memória é, também, uma maneira de denunciar os esquecimentos, identificar acontecimentos e valores esquecidos (ou pouco lembrados) para serem uma referência para o presente e o futuro. Para a delimitação do passado, eram indispensáveis os relatos inspirados na saudade, que, mais do que indícios, vestígios eram tidos como a própria verdade testemunhada. Desse modo, ao passado foi indicado um sentido de continuidade em relação ao presente e ao futuro, dele Barroso traçou lições, ensinamentos e base para sua “vocação” intelectual.

Essa louvação ao passado por intermédio do sentimento de saudade é um princípio básico do ser romântico. Foi mesmo um aspecto caro à expectativa do autor, de ser conhecido, lembrado como um cultor do pretérito e da vida popular. No pensamento romântico do século XIX percebe-se, de modo geral, uma idealização quanto ao ausente, ao passado e uma ênfase às emoções. Gustavo Barroso incorporou traços românticos ao expressar o passado como o lugar ideal, o lugar dos sonhos e desejos, ao definir a saudade como o maior “testemunho da verdade”, por ter dado destaque aos sentimentos para a legitimação do seu saber. Assim, sendo um lugar desejado, o passado foi manifestado a partir de sentimentos saudosistas e nostálgicos. No que diz respeito a relação entre culto ao passado e gosto pela cultura popular na Europa do século XIX escreveu o historiador Jacques Le Goff: “O gosto romântico pelo passado, que alimenta os movimentos nacionalistas europeus do século XIX e foi incrementado pelos nacionalismos, incidiu também sobre a antiguidade jurídica e filosófica e a cultura popular”(...) (LE GOFF, 1996: 219). Foi recorrente em Barroso a inspiração nessas experiências européias no estudo do popular-nacional.

Referindo-se à atividade de memorar, comentou Barroso:



Eu não a tinha toda na lembrança, porém conservava nitidamente quadros, cenas, episódios isolados. Aliás, é toda assim fragmentária a nossa memória da vida. Ninguém é capaz de desenrolar de ponta a ponta o filme de sua existência. Rememora trechos com maior ou menor intensidade (BARROSO, 2000: 52).

O entendimento do autor quanto ao pretérito expresso na memória era de um passado constituído de partes, com variações no exercício de lembrar. Portanto, haveria diferenciação de ênfase entre os temas recordados. Esses temas recortados para a escrita de suas memórias tinham relação com sua saudade, mas também com seus interesses no momento de publicação: de ser reconhecido como um intelectual da saudade, da memória, do “folclore”, do Museu e da nação.

Essas variações de intensidade decorrem do próprio caráter seletivo da memória, propiciando uma ordenação do caótico cenário das diversas imagens da vida. Assim, o esquecimento é uma condição para a lembrança. Nessa perspectiva, a sensação e a percepção dessa ausência e a distância de pessoas, lugares, tempos, coisas e acontecimentos compõem a escrita da memória. A memória identifica ausências e sua ambição é transformar ausências em presenças. Essa era a ambição de Gustavo Barroso: identificar a falta de passado no presente e, com isso, fazer do presente um lugar de respeito diante dos mortos, das transformações.4

Além de um lenitivo, essa escrita foi um recurso para a afirmação da sua marca textual e da produção de sua história. Esse sentimento saudoso foi entrelaçado à vontade de construir, propagar e difundir visões do passado e consolidar uma identidade pessoal e intelectual. Desejo de deixar para o devir a imagem de escritor telúrico. Escritor inspirado no norte da saudade. A escrita de suas memórias, além de lenitivo, foi um meio para contar sua própria história, para legitimar sua carreira de intelectual atuante na preservação de um passado nacional, popular e pessoal. Barroso teve a expectativa de construir um Gustavo Barroso da saudade, de uma saudade imaginada, uma terra natal dos sonhos, num intuito de deixar suas experiências na memória e na imaginação da posteridade. Frente ao passar do tempo e à mudança das coisas e pessoas ele ressignificou seus ressentimentos, alegando e defendendo seus feitos no presente, ansioso pelo devir. Diante do temor da irremediável morte, do imprescindível esquecimento, ele urdiu suas memórias como se fossem epitáfios.


Bibliografia selecionada de Gustavo Barroso

BARROSO, Gustavo. (João do Norte). Terra de Sol (Natureza e costumes do Norte). Rio de Janeiro: Benjamin de Aguila Editor, 1912

__________. Luz e Pó. Rio de Janeiro: Renascença Editora, 1932

__________. Coração de Menino. 3ª. ed. Fortaleza: UFC e Casa de José de Alencar/Programa Editorial, (Coleção Alagadiço Novo), 2000

__________. Liceu do Ceará. 3ª. ed. Fortaleza: UFC e Casa de José de Alencar/Programa Editorial, (Coleção Alagadiço Novo), 2000

__________. O Consulado da China. 3ª. ed. Fortaleza: UFC e Casa de José de Alencar/Programa Editorial, (Coleção Alagadiço Novo), 2000.


Bibliografia

AMARAL, Eduardo Lúcio Guilherme. Intelectuais e política no Instituto do Ceará (1887-1920). São Paulo: PUC, Dissertação de Mestrado em História, 2002

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 4ª ed. São Paulo: UNICAMP, 1996

LIMA, Herman. Poeira do Tempo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967

LOWENTHAL, David. Como conhecemos o passado. In: Projeto História. São Paulo: EDUC, Nº 17, 1998

MOREIRA, Afonsina Maria Augusto. No norte da saudade: esquecimento e memória em Gustavo Barroso. São Paulo: PUC, Tese de Doutorado em História, 2006

NERUDA, Pablo. 20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada. 7ª ed. Rio de Janeiro: José Olimpio, 1980

REIS, José Carlos. História e Teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2003.




* Desenvolve atividades de ensino e pesquisa no Departamento de História - UFC (bolsa DCR - FUNCAP/CNPQ). Doutora em História pela PUC/SP, com a tese No norte da saudade: esquecimento e memória em Gustavo Barroso.


1 Acerca da discussão teórica entre metafísica e cientificismo no ambiente europeu conferir o artigo de José Reis História e teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade (REIS, 2003).

2 Quando a essas vertentes conferir o trabalho de Eduardo Lúcio Amaral Intelectuais e Política no Instituto do Ceará (1887-1920) (AMARAL, 2002).

3 O sentido dado ao passado adquiriu feição diferenciada em épocas, sociedades e ramos do saber. Quando a esses sentidos entre sociedades quentes e frias, entre antigos e modernos conferir, em especial, os capítulos Antigo/Moderno e Passado/Presente do livro História e Memória (LE GOFF, 1996: 167- 231).

4 Acerca do aspecto fragmentário da memória escreveu David Lowenthal: “De fato, lembrar mais do que uma pequena fração do nosso passado consumiria um tempo absurdamente enorme. (...) ‘levaríamos uma vida inteira para registrar uma vida inteira’, observa Charles Rycroft, ‘e qualquer um que tentasse escrever um relato detalhado de sua vida seria apanhado num retrocesso infinito, sendo obrigado a despender tempo e palavras na descrição da elaboração de sua autobiografia” (LOWENTHAL, 1998: p. 95).




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