ColeçÕes entomológicas brasileiras – estado-da-arte e perpectivas para dez anos



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COLEÇÕES ENTOMOLÓGICAS BRASILEIRAS – ESTADO-DA-ARTE E PERPECTIVAS PARA DEZ ANOS


Luciane Marinoni 1, Márcia Souto Couri 2, Lúcia Massutti de Almeida 1, Jocélia Grazia 3, Gabriel Augusto Melo 1
1. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná,. CP. 19020, 81531-980, Curitiba, PR, Brasil. lmarinoni@ufpr.br; lalmeida@ufpr.br; garmelo@ufpr.br

2. Departamento de Entomologia, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940040, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. mcouri@attglobal.net

3. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalves 9.500, 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil. jocelia@ufrgs.br
Introdução

No Brasil, há alguns anos, tanto o desenvolvimento social quanto o econômico vêm causando danos ecológicos, sendo urgente e imprescindível a interrupção deste processo. O primeiro passo a ser tomado é a proteção de nossa Biodiversidade, fundamental para a estabilidade climática e ambiental, não devendo ser isto encarado somente como uma premissa ética, mas como uma necessidade essencial para o bem estar nacional.

À medida que habitats biologicamente ricos são destruídos sob pressões do crescimento populacional e das atividades econômicas, os índices de extinção de espécies de plantas e animais acentuam-se. Não se sabe a extensão deste fenômeno, porém, existem estimativas de que estão sendo perdidas milhares de espécies a cada ano e, na atual velocidade, um quinto de todas as espécies poderá desaparecer nos próximos vinte anos.

As informações geradas a partir de trabalhos de campo, em que são estudados diversos grupos biológicos, têm como ponto central o conhecimento das espécies e de suas relações, auxiliando na elucidação de processos naturais. É fundamental para a compreensão destes processos que as espécies sejam conhecidas tanto nos seus aspectos morfológicos quanto comportamentais e ecológicos. Para a ordenação destas relações e para que se produzam conhecimentos que levem à síntese de um fenômeno geral é que se reúnem as informações básicas em um banco de dados. A base para tal são as coleções biológicas, resultado de inventariamentos criteriosos e sistemáticos, estando entre estas as coleções de insetos, ou entomológicas.

Não há como falarmos de coleções entomológicas, mais especificamente brasileiras, sem antes fazermos menção à grande representatividade e diversidade dos insetos e à megadiversidade do Brasil.

Dentre todos os grupos animais os insetos são o com maior número de indivíduos e espécies. Do total de 1,5 milhão de espécies de animais descritas em todo o Mundo, 865 mil são insetos (Wilson 1999). Isso, sem considerarmos aquelas que já foram eliminadas da natureza antes mesmo de serem conhecidas, além das que ainda estão para ser descobertas. O número de espécies de insetos descritas num período de 18 anos (1980 a 1998) sofreu um acréscimo de 114 mil, em uma média de 7.700 espécies novas por ano (Wilson 1999). Uma estimativa do número real de espécies de insetos feito pelo Global Biodiversity Assessment em 1995, chega ao incrível número, mesmo que aproximado, de 10 milhões.

O Brasil destaca-se por ser um dos mais ricos países em termos de biodiversidade. Lewinsohn & Prado (2003) estimam que, para o Brasil, sejam conhecidas entre 91 a 126 mil espécies de insetos. Considerando-se que pelo menos 15% de toda a biodiversidade mundial esteja aqui alocada, nos remetemos à quantia de 1,5 milhões de espécies de insetos a serem ainda descobertas, valor que se aproxima da estimativa apresentada pelos mesmos autores.

Pelos fatores expostos podemos vislumbrar a importância das Coleções Entomológicas Brasileiras e o que as mesmas representam no contexto mundial para a conservação desse patrimônio.



Características de uma coleção entomológica

Por abrigarem em sua maioria, indivíduos de pequeno porte, as coleções entomológicas constituem-se em um conjunto que pode chegar a milhões de exemplares. Esses são acondicionados em armários com gavetas bem vedadas, do tipo “mostruário” com tampa de vidro. Cada gaveta abriga, exemplares secos, montados em alfinetes especiais preferencialmente de aço, pois não enferrujam, em caixas pequenas de plástico com fundo de polietileno. Para alguns grupos, o armazenamento é feito através de lâminas de montagem definitiva, que são acondicionadas em caixas apropriadas. Cada exemplar possui etiqueta contendo informações sobre a localidade geográfica de procedência, data de coleta, nome dos coletores e eventualmente dados complementares como a planta hospedeira ou outras informações ecológicas.

Coleções entomológicas em condições adequadas de armazenamento podem preservar os exemplares por um longo período de tempo. Para tanto, os cuidados necessários são inúmeros. Há de se tomar cuidado desde o manuseio dos exemplares já que estes são muito frágeis, principalmente depois de secos. Estas coleções estão também constantemente sujeitas ao ataque de fungos e outros insetos, que podem causar danos irreparáveis nos exemplares. A maneira correta de evitar estas infestações é a utilização de produtos repelentes como naftalina e creosoto de faia, e também a manutenção de baixa umidade que pode ser feita através da utilização de desumidificadores e condicionadores de ar.

Além dos cuidados acima, a coleção deve situar-se em local escuro ou protegido da luz direta para evitar a foto-decomposição da cor dos exemplares. Mais informações sobre conservação de insetos podem ser encontradas em Almeida et al. (1998).


Estado-da-arte

As Ordens Coleoptera, Diptera, Hymenoptera, Hemiptera e Lepidoptera são consideradas megadiversas sendo as mais bem estudadas e com número significativo de especialistas no Brasil. Outras possuem estudiosos no Brasil, mas em número inferior, como Isoptera, Trichoptera, Blattodea, Odonata, Orthoptera, Mantodea, entre outras.

A maior atenção dispensada a estas Ordens justifica-se principalmente por sua proximidade aos ambientes utilizados pelo Homem e sua interatividade.

As Coleções Entomológicas brasileiras estão entre as melhores da América do Sul e em muitos grupos são as melhores para a Região Neotropical. Estas coleções têm características próprias, como o enriquecimento de seu acervo pela realização de grandes projetos ou expedições, geralmente, com o objetivo de inventariar determinadas áreas do País.

A seguir será apresentado o estado-da-arte das maiores coleções entomológicas do País por Ordem de Insecta. Deve ficar claro, entretanto, que há uma quantidade grande de coleções por todo o Brasil, de menor porte e que são tão importantes quanto as maiores, necessitando da mesma atenção, senão maior. Aqui, porém, seria difícil tratar de todas de maneira satisfatória, sem inclusive correr o risco de esquecer alguma.



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