Coleções Bibliográficas Históricas



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COLEÇÕES BIBLIOGRÁFICAS HISTÓRICAS DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÃNEA

Lauci dos Reis Bortoluci

Biblioteca Lourival Gomes Machado Museu de Arte Contemporânea MAC USP. São Paulo, SP



Resumo
Trata sobre as coleções bibliográficas históricas do MAC USP, e em especial da biblioteca do pintor Paulo Rossi Osir.
Palavras-Chave:
Bibliotecas; Pintores.
Abstract:

It treats about historical bibliographic collections from the MAC USP, with special attention to the library of the painter Paulo Rossi Osir.


Keywords:

Libraries; Painters.




1 Introdução

As bibliotecas desempenham diferentes papéis em cada sociedade na qual estão inseridas. Em razão do conteúdo informacional que preservam, as bibliotecas são consideradas grandes centros de memória.

Neste contexto de preservação da memória o foco desta comunicação é apresentar uma biblioteca que pertenceu a um pintor e o quanto essas publicações serviram de base para uma mudança mental em seu circulo de amigos, especialmente dos artistas que trabalharam no ateliê que era sua propriedade. A circulação dos livros e catálogos trazidos consigo da Italia e aumentada com a crescente aquisição não só embasou os trabalhos plásticos de outros artistas, como também a própria formação de bibliotecas.

Consideraremos as coleções de bibliotecas particulares de artistas que foram adquiridas e/ou doados ao Museu de Arte Contemporânea da USP e que passaram a compor o acervo histórico da atual biblioteca. Olharemos, portanto com especial atenção a uma coleção bibliográfica particular que foi incorporada a uma instituição publica e por isso mesmo merece um caráter histórico especial no espaço e tempo no qual está situada.

A coleção em questão a então chamada coleção Paulo Rossi Osir abrange uma bibliografia composta de livros, revistas, catálogos, e esse conteúdo vêm sendo estudado ora em assunto ligados ao mestrado acadêmico, ora em artigos de revistas, bem como.o artista que a compôs.

2 A Biblioteca de Paulo Rossi Osir e sua incorporação ao MAC USP
Este é o caso da coleção de livros e catálogos de Paulo Rossi Osir que foi adquirida pela USP em 1963 e doada ao MAC para inicio das atividades tanto do Museu como também de sua recém criada biblioteca.

O empenho do então diretor do Museu, o Prof. Dr. Walter Zanini1, em adquirir essa coleção das mãos de Alice Rossi2 foi o fato que proporcionou a entrada dessas obras no acervo da recém criada Biblioteca do MAC USP, sendo esse o conjunto inicial que concorria para a própria formação da Biblioteca. Segundo ofício do Diretor Zanini à Reitoria da USP,

São obras valiosas que muito enriqueceriam nossas reservas bibliográficas relativas à História da Arte, e que faço votos venham a pertencer à USP, evitando-se sua dispersão. No momento em que a arte começa a ganhar importância nos quadros da Universidade, é fundamental a formação de uma biblioteca especializada, motivo pela qual sou de parecer que a aquisição de um conjunto de livros não deve ser disperdiçada. Nosso parecer é pois pela aquisição da Coleção que seria o inicio da Biblioteca com o assunto História da Arte em nossa Universidade. No momento em que a arte começava a ganhar importância nos quadros da Universidade, seria fundamental a formação de uma biblioteca especializada em História da Arte na Universidade3 .

O estudo deste conteúdo foi apresentado ao Programa de pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte, analisando as relações sociais que circunscreveram a atuação do artista no circulo de amigos de São Paulo desde os anos 1920 até a década de 50, como também inventariando o conjunto de livros que o compunha.

A análise da coleção aponta as bases intelectuais e estéticas do artista, adquiridas em seus anos de estudo na Europa. Osir exerceu um papel de incentivador das artes plásticas, e seu desenvolvimento intelectual foi marcado notadamente nos anos de 1922-1927, por um permanecimento na Europa para um aprimoramento de sua educação. Será, portanto, nessa fase que encontraremos informações bibliográficas que nos guiarão na análise dessa coleção enquanto seara de conhecimento ao seu circulo de amigos.

A cultura estética de Osir despertou a consciência dos componentes da Família Artística Paulista, agremiação de artistas que atuou nas décadas de 30-40 em São Paulo, e que promoveu três exposições, para o mundo da cultura e do conhecimento da arte. Oservemos a importância de sua biblioteca para fundamentação da Família Artística Paulista, como transmissão do conhecimento do ofício, do metiê, como escreve Flávio L. Motta4:

Rossi era para aqueles artistas da Família uma figura da melhor herança, da melhor tradição, pelo conhecimento do ofício dentro dos moldes que restabeleciam as conquistas de “Botegas” e “loggias”(sic) da Renascença Italiana, especialmente florentina... Sendo Rossi uma figura mais ilustre, em torno do qual viviam calados e soturnos os demais, a Família Artística Paulista teve inclusive para alguns, um sentido pouco “Moderno”.

Vemos também a opinião de Walter Zanini (1998, p.118) :


Alguns deles (Bonadei, Graciano e Zanini) em seu esforço de ascensão, formaram pequenas bibliotecas. A de Graciano, hoje de posse de seu filho José Roberto, devia crescer desde aqueles anos. Quando se ligaram de perto a Paulo Rossi Osir é evidente que consultavam seus livros, catálogos e revistas.

Osir trabalhou como idealizador cultural em 1920, trazendo uma exposição da Itália para São Paulo para comercialização da arte italiana do séc. XIX. O catálogo original de 1920 possibilitou verificar quais artistas faziam parte desta exposição, totalmente pensada, realizada e executada por ele e, portanto quais artistas do séc.XIX teriam influências sobre seu pensamento.

Quais seriam as intenções que o motivaram a trazer consigo da Itália essa exposição e montá-la em São Paulo? As respostas dirigem-se a pólos opostos: tanto o artista percorreu um caminho que já havia sido talhado antes por outros expositores de obras italianas5 devido à aceptabilidade do público imigrante que compunha a sociedade paulistana, como também, o artista proporcionou uma exposição de obras modernas no sentido de uma produção atual italiana, ou seja: o que, após a Unificação da Itália em 1871 passava a ser a visão de mundo dos artistas das diversas escolas regionais.

Rossi Osir possuía cadernetas de anotações que demonstram que o conhecimento literário do artista não se esgota, definitivamente, nos livros da Biblioteca. A cultura humanística desenhada por todas essas leituras e anotações faz-nos perceber a sua personalidade, que não está menos presente em suas correspondências enviadas a Portinari.. Alguém com essa incessante busca de conhecimento, será capaz de retratar no processo de formação de sua biblioteca, a cultura humanística que o fará ter uma expoente atuação no meio artístico paulista.

Os livros da Biblioteca fazem com que a arte italiana seja a melhor representada, não só pelos novecentistas, mas também por títulos ligados a escolas regionais ou provinciais italianas. As obras sobre o Brasil são em pequeno número (6), se comparadas às obras sobre a Itália. Não obstante Paulo Rossi ter vivido muito tempo no Brasil, a arte italiana e européia constitui-se no maior acervo de sua Biblioteca. Sua coleção bibliográfica faz-nos perceber que a cultura adquirida na Europa deixa uma presença marcante em seu gosto e interesse pela história da arte.

O que se percebe é que os livros e catálogos trazem a nova arte italiana e a nova modernidade européia que agora se inicia com um novo século, nasce com um caráter de juventude revigorada, de imediateza. A esse século será dada uma arte de facilidade, de rapidez, de imaginação. Esse século nasce com uma característica inegável, o de ser anti burguês e ser popular. Não mais uma arte refinada, reservada à elite. Agora, verifica-se um retorno: retorno ao clássico, ao romântico. Mas qualquer volta sempre resulta em alguma outra coisa. Pensamos numa arte verdadeira, correspondente ao gosto e ao costume. O Novecento significa não estar concebendo o infinito na velha retórica de espaço e tempo. A arte será dita para exprimir e resolver seu próprio mistério; precisão realista do contorno, da matéria bem posta, o entorno como atmosfera de magia que se faça sentir, imerso numa inquietude intensa, quase uma outra dimensão na qual a vida se apóia.

Esse é o ponto da renovação da natureza. Entende-se que a natureza não é a natura, a natureza é um conceito social, e não é único: cada tempo tem a sua, cada autor tem a sua. Vivemos num tempo não chamado de Retorno à Ordem, como dizem aqui e acolá superficialmente, mas de retorno ao sendo do natural. A arte é dada ao Homem para se transpor, para fazer descobertas da realidade e para inventar novas fábulas.

A busca por essa nova mentalidade artística advinda com a Modernidade européia do séc. XIX pode ser observada pela presença do único volume editado do periódico Valori Primordiali, de 1938. Fato significativo nesta obra literária são todas as anotações que o leitor realizou no texto de Bontempelli e do editor, Franco Ciliberti, que se detiveram na tarefa de explicar a parte teórica a qual a revista se propunha, a saber: alcançar a uma visão da espiritualidade italiana no clima atual (1938). A idéia de uma arte primordial é levada ao centro da elaboração do pensamento, compreendendo-a numa dimensão mítica, que transcende os costumes de uma época. Essa idéia inicial de Ciliberti trouxe às reflexões o amigo Bontempelli e Corrado Cagli (autor de livro da Biblioteca de Osir ), que estava elaborando as mesmas inflexões na pintura. No centro de sua atividade estava a edição de Valori Primordiali, que conseguiu tangenciar um sinal factível no momento da desintegração do mundo cultural dos anos trinta. A idéia de primordialidade de Ciliberti, com referências à condição mítica e ao classicismo, foi associada às idéias racionalistas de arquitetos, dos pintores abstratos e também à pintura de De Chirico, bem como aos artistas protagonistas do "retorno à ordem". A aproximação de Ciliberti e Marinetti no ano posterior à publicação da revista também está vinculado a uma outra iniciativa importante, que foi, no panorama artístico milanês, a fundação do grupo Futurista.

Osir tem anotações características de entendimento da realidade, afirmando a necessidade de mudança do estado da arte do século para uma arte de rapidez e imaginação. Para os parágrafos de Bontempelli, responde “Bisogna cambiare”, fato que mostra sua concordância com o clima de mudança. Encontramos seu assentimento em alguns trechos, como o que diz que a imaginação não é o fortuito do abstrato, nem do impreciso. Há também passagens de ressentimento ou de dúvida (anotadas com pontos de interrogação), como aquelas em que o escritor afirma que a natureza é algo a ser obtido, conseguido, e ela não é uma só, pois cada artista e cada tempo têm a sua. Não vivemos um tempo de retorno à ordem, como se diz, mas um tempo de retorno à natureza, um retorno a um senso do natural. Para ele, essa é a dimensão mítica, trazida com o novo século (XX), aquela de se saber ser cândido, de se saber maravilhar, de se sentir o universo e toda a vida como um contínuo e inexaurível milagre.

Para os editores e colaboradores da Valori, o que o Novecento e o novo século trazem é a ratificação de que a arte não pode ser somente uma arte refinada, reservada a um eletivo, como a daquela vanguarda do anti-guerra, mas deve ser uma arte popular - e aqui se entende que deve ser uma arte popular em sentido amplo, popular para um público popular.

É essa carga de ensinamentos e nova mentalidade que Osir incutira nos membros de seu grupo tanto do ateliê Osirarte como nos participantes da Familia Artistica Paulista, o que nos traz de volta a Mario Zanini e sua biblioteca, como uma biblioteca formada com traços fundamentais que estão presentes nas anotações das cadernetas de Osir já citadas, como também nos livros.

Usaremos um exemplo com a seguinte obra:








VINCI, L. Traite du paisage. Paris, 1919.
Destinado ao estudo do assunto, visto como suscetível de poder mostrar a gradação de luz e sombra.

A percepção das cores e nuances é um trabalho analítico do homem, engajado com a sensibilidade. Diante de uma paisagem, coloque-se a imitar sumariamente a natureza, com uma naturalidade, tal e qual, o primeiro encontro, o autor encoraja.

É da paisagem que vem a poesia: esta não vem das sílabas e consoantes. As linhas são permanentes, as cores vivem em conseqüente mudança de cena. A paisagem, na forma dada pelo artista, é capaz de exprimir a sensibilidade por um processo determinado. A viva imaginação não dispensa o conhecimento da perspectiva, mas o melhor de todos aqueles que executam perspectiva não é um artista.


Esta obra de Da Vinci foi importante para Rossi Osir e para Zanini, alem de Volpi, pois carregam anotações em marginalia dos fundamentos das obras plásticas que executavam no período.



3 Bibliotecas particulares enquanto coleções especiais

Biblioteca Família Zanini:


Uma coleção especial pois a Família Zanini doou os livros, catálogos, periódicos do pintor Mario Zanini. O pintor Zanini foi contemporâneo de Paulo Rossi Osir e trabalhou por muitos anos no ateliê de cerâmica chamado Osirarte. A amizade entre os dois foi muito marcante, pois Zanini esteve o tempo todo de funcionamento de ateliê de 1940 a 1959 trabalhando junto do amigo. Paulo Rossi já era possuidor de uma vasta cultura adquirida na Europa, conforme demonstramos, e desta amizade fez-se nascer interesse de Zanini pela formação de sua própria biblioteca. Cito a Prof. Daisy Peccinini (2007):

Nesta busca de saberes, formou uma vasta bibliotecas sobre literatura, artes e musica. No tocante apenas à seção de artes, doada pela família ao MAC USP, é surpreendente sua abrangência. Há livros de filosofia da arte, , de Taine e Grosse, vários autores de historia da arte, Focillon, Cogniat, Colombier, obras enfocando a milenar historia da arte ocidental desde os egípcios, a arte grega, do renascimento á arte moderna , e, fora da tradição do Ocidente, o arte japonesa e da Oceania. . Integram este acervo inúmeros livros de pintura, escultura e gravura, e textos sobre artistas como Leonardo da Vinci, os impressionistas, Cézanne e Gauguin,, entre outros, artistas latino-americanos como os muralistas mexicano e o pintor uruguaio Rafael Barradas.

O pintor Mario Zanini além de ter trabalhado no ateliê Osirarte, também fez parte junto com Osir da então chamada Familia Artistica Paulista, È possível afirmar que a cultura estética de Osir despertou a consciência dos componentes da Família Artística Paulista, entre eles Mario Zanini, para o mundo da cultura e do conhecimento da arte. Reportemos-nos a Walter Zanini (2008, p.118):

Alguns deles (Bonadei, Graciano e Zanini) em seu esforço de ascensão, formaram pequenas bibliotecas. A de Graciano, hoje de posse de seu filho José Roberto, devia crescer desde aqueles anos. Quando se ligaram de perto a Paulo Rossi Osir é evidente que consultavam seus livros, catálogos e revistas.

O fato de que essa Coleção tenha sido utilizada pelo seu círculo de amigos é fundamental para a articulação do grupo, cujo foco era o metiê da pintura. Nesse caso especifico, Walter Zanini (diretor deste Museu de 1963-78 e sobrinho de Mario) vincula a formação de bibliotecas a um indicador social, legitimando a ascensão sócio-econômica e cultural dos artistas daquele Grupo. Em 1950 Mario Zanini, Osir e Volpi viajam juntos à Europa e Osir relata a admiração de Zanini pelos renascentistas:

Quantos ah! e oh! rever as telas de Tintoretto da Escola de San Rocco em tua companhia. Não é de acreditar? Quero ver a cara do Volpi e do Zanini na praça de San Marco . As recordações vão se apagando, a gente vai emburrecendo lentamente e, não retomando um banho de arte, um bonito dia se acorda bugre de uma vez.

A biblioteca de Zanini, hoje integrante da Biblioteca do MAC é palco de pensamentos sobre a influência da biblioteca antecessora de Osir em sua própria formação. Encontramos obras na biblioteca de Osir, que falaremos a seguir que tratam do tema da paisagem, dos clássicos italianos, elementos que perpassam a obra plástica de Zanini.

A moldura existencial de Zanini, segundo Peccinini, em um processo disciplinar e auto-didata, conseguiu edificar seu perfil intelectual e mesmo erudito, com seus conhecimentos de historia da arte. Seu conceito de arte ultrapassa a condição de oficio da pintura para atingir uma dimensão intelectual de ciência. Esse conceito humanista tem raízes nos pintores do Renascimento. Os florentinos do sec. XV consideravam o homem como interprete da natureza, o foco passa a ser a explicação cientifica da natureza. Durante o decorrer do Renascimento a ciência perpassa pelos procedimentos artísticos, pela capacidade maior do meio pictórico poder representar não só as coisas reais, mas também as imaginadas.



Vejamos uma obra da Biblioteca de Mario Zanini , mostrando os estudos pictóricos do renascimento, que também trata da arte enquanto contemplação da realidade.





Carra, C. Giotto. Roma: Valori Plastici, 1924.

O autor trata da vida de Giotto em Roma, Florença, Nápoles e Assis. O livro foi escrito na época em que o autor interessa-se por Giotto e pelo que ele considerava “primitivo italiano”, justamente quando sua obra abandona o furor futurista e passa a caminhar ao lado da pintura metafísica de De Chirico. Diversos são os pontos que lhe interessam em Giotto: o silêncio mágico da contemplação da obra; o êxtase; o murmúrio solene que passa pela periferia e caminha para o centro da obra. O intelectualismo do pintor volta agora, 600 anos depois, ao crédito. Esta obra perfaz o sentido de um artista vinculado ao futurismo, à pintura metafísica e ao movimento Novecento em voga nos anos 1910; volta-se aos estudos da técnica e do fazer de um pintor renascentista, elegendo elementos que, como ele escreve, são dignos de crédito.



Mario Zanini compôs em sua biblioteca vários volumes que também estão presentes na de Osir, especialmente os catálogos relacionados a arte de paisagem, assunto primordial para os componentes do ateliê como Volpi também.

Os passeios de domingo ao litoral ou ao campo com o grupo do ateliê para pintar o ambiente estão presentes em sua fundamentação teórica nesta biblioteca, que possui os principais paisagistas italianos. Os valores da cultura figurativa são os elementos preponderantes do Novecento. Através dos gêneros do retrato, da natureza morta e da paisagem, procuravam estabelecer os pesos, as massas e os volumes, numa valorização dos aspectos do metiê.

Os clássicos da arte italiana, as relações desta arte com o movimento Novecento, perpassam a obra destes paisagistas como também com Francisco Rebolo, alem de Zanini.



Mario Zanini absorve saber sobre a pintura e capacidade de revelar o conhecimento do mundo. Nessa relação com a grande arte da pintura, sua arte está imersa no clima de modernidade que se instaura na vida paulista do inicio do sec. XX, e a amplitude da base intelectual clássica passa a compor suas obras plásticas.
4 Conclusão
O que se pretendia mostrar era alguma influência da biblioteca de Rossi Osir na composição da biblioteca de Mario Zanini. Mais do que identificar obras que se repetem, é na obra plástica que estão retratados todos os conceitos que se originaram daquelas leituras iniciadas por Rossi e transmitida aos outros artistas por meio de sua atuação intelectual. Mesmo não sendo objetivo claro de Rossi esse fato, a obra transmitida e deixada por Zanini mostra as influências tanto intelectuais como artísticas advindas daquelas leituras. A biblioteca de Rossi Osir cumpriu então uma função social apresentando a teoria e a historia da arte que não faziam parte da vida desses artistas proletários (como dito por Mario de Andrade no celebre artigo Esta família Paulista) ao alcance deles para se manifestar na nova arte brasileira que emergia.


5 Referências
MOTTA, Flávio L. A Família Artística Paulista. Revista do IEB, São Paulo, n. 10, 1971.
PECCININI, Daisy. Mario Zanini: territórios do olhar: Centenário 1907-2007. São Paulo : FAAP, 2007
ZANINI, Walter. A Arte no Brasil nas décadas de 1930-40: o grupo Santa Helena. São Paulo: Nobel/Edusp, 1991.


1 Walter Zanini foi professor da ECA USP e Diretor do MAC USP de 1963 a 1978. Segundo Elza Ajzenberg “...ele elaborou uma estrutura funcional e administrativa que permitiu o desenvolvimento de projetos de incentivo aos novos artistas com as edições da Jovem Arte Contemporânea e o diálogo permanente com instituições e artistas internacionais.” In: Um passeio pela arte dos grandes mestres. Jornal da USP, 1 à 7 de setembro de 2003.

2 Alice Rossi foi a esposa de Paulo Rossi Osir.

3 Redação do ofício administrativo de processo MAC USP de 1963 solicitando recursos para aquisição da Biblioteca de Paulo Rossi.

4 Flavio L. Motta é professor da FAU USP. Foi desenhista e trabalhou no MASP a partir de 1947. Em 1952 produziu para a Rede Tupi o programa “Vídeo de Arte”. Possui livros e ensaios, tanto no país como no exterior.

5 Em 1919, Paulo Forza trouxe 325 obras em uma exposição na Casa Melillo, e em 1920 Cipriano Manucci expôs no salão Nobre do Clube Comercial 94 telas.





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