Cnbb/ regional nordeste II



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CNBB/ REGIONAL NORDESTE II


PASTORAL DA COMUNICAÇÃO

FÓRUM REGIONAL DE RÁDIOS COMUNITÁRIAS




A FUNÇÃO SOCIAL DA RÁDIO COMUNITÁRIA



Francisco Morais
Atualmente, qualquer debate sobre legalização chama a atenção de quem trabalha nas rádios comunitárias. Há uma gigantesca demanda e, até, obsessão pelo tema. Todos correm, ansiosamente, em busca da legalização de suas rádios. Isso tem gerado um novo problema: a pouca reflexão sobre a função social destas rádios e a desqualificação profissional de quem nelas trabalha. E sabe por que isto é um problema? Porque o rádio tem uma linguagem própria, específica. Sem usar essa linguagem, a rádio vira um meio de comunicação morno, repetindo o que outros já fazem, um clone sem criatividade. O combustível que faz uma rádio ganhar vida é a criatividade e a boa produção. Não basta ter uma voz bonita para fazer rádio!
1. Uma história em meio a interesses em jogo

Todos os meios de comunicação deveriam estar a serviço da coletividade, dado o seu caráter eminentemente público e a sua função social. O avanço das tecnologias permitiram a invenção de sofisticados meios de comunicação que, a cada dia, ganham mais requinte e precisão, na produção e veiculação de mensagens. As descobertas tecnológicas potencializaram tanto os meios de comunicação, que eles passaram a ser vistos como instrumentos de dominação, de lucro e de manipulação das consciências. Assim, tornaram-se, em sua maioria, propriedades privadas e poderosas empresas de produção e venda de informação. Distanciaram-se do seu verdadeiro papel de facilitar a comunicação, como processo interativo, relacional e dialógico, entre as pessoas e grupos onde penetram suas mensagens. Poucos sabem operá-los. Menos ainda são os que passaram a ter o direito de veicular seus comunicados através dos imprensa, do rádio, da televisão ou da informática.

Os meios de comunicação tornaram-se empresas, a informação virou produto de compra e venda, os comunicadores ganharam status de estrelas, os ouvintes, telespectadores e leitores diluíram-se numa massa anônima de consumidores de informações variadas. O mundo se encheu de sofisticadas empresas de informação e a maioria das pessoas ficou de fora do direito à comunicação. Só quem possui muito dinheiro e poder tem chance de comunicar o que pensa, o que sente, nos meios de comunicação de massa. Quem não tem, apenas recebe as mensagens sem direito à palavra. O monopólio dos meios de comunicação, a forte influência que estes exercem sobre as consciências individuais e coletivas, a manipulação da massa excluída são, atualmente, grandes problemas que afetam a sociedade. A chamada comunicação de massa, mais propensa a informar do que a promover comunicação, constitui-se como um forte aliado da chamada globalização. O teórico McLuhan já dizia que o mundo havia se convertido em uma “aldeia global”. Mas, tudo isto foi gerando uma melancolia na alma humana, uma carência coletiva de comunicação, semelhante à fome: fome de livre expressão, do direito a também se pronunciar. As pessoas começavam a querer afirmar as suas subjetividades, no seio das comunidades excluídas. As grandes massas anônimas já não agüentavam ser tratadas como massa. Os pequenos grupos comunitários locais, regionais, as pessoas queriam ser reconhecidas pelo nome, pelos seus valores culturais, pelo seu saber, pela sua música, pela suas crenças.

Neste contexto, surgem as rádios comunitárias, consideradas pelos donos das grandes empresas radiofônicas como “piratas”, “clandestinas” ou “ilegais”. Na verdade, as rádios comunitárias nasceram com o objetivo de democratizar a comunicação, de tornar o rádio um meio sob o controle das pessoas e comunidades excluídas do direito de dizer a sua palavra. Estas rádios empolgaram as comunidades, pois as pessoas se reconheciam nelas. Agora era possível interagir, tanto pela proximidade geográfica como pela abertura às vozes de todas as pessoas e grupos da comunidade. As rádios comunitárias se proliferaram, ganharam audiência e apoio das pessoas mais simples que se identificaram com ela. Surgiram as repressões e a perseguição dos órgãos estatais. Esbarraram na impossibilidade de controlar as milhares emissoras que funcionam no Brasil. Preferiram legalizá-las e, através da lei, coibir a proliferação crescente. Mas a lei também tem a sua face positiva: quando cumprida, evita que as rádios comunitárias estejam a serviço de interesses particulares de pessoas e grupos de aproveitadores. No entanto, para que isso seja cumprido a nossa sociedade ainda precisa se organizar melhor. A organização comunitária é o caminho para termos rádios realmente livres, participativas, sob a direção da própria comunidade. Elas são chamadas livres porque não estão comprometidas com nenhum poder econômico ou político. Tocam as músicas que querem, noticiam os fatos sem medo de dizer a verdade, deixam que as vozes das comunidades apareçam.


2. Os modelos adotados nas rádios ditas “comunitárias”

Abrir rádios comunitárias virou moda. Por ser um meio sedutor e atraente, pois “falar no rádio” dá status e prestígio, muitas pessoas e grupos passam por uma espécie de hipnose, um certo estado de transe, quando se vêem diante da possibilidade de abrir uma rádio. Obcecados, esquecem de pensar o que vão fazer com estas emissoras, depois de colocá-la no ar. Isso só vão pensar depois, quando percebem o tamanho do abacaxi que têm para descascar. Outros, por desconhecerem a linguagem radiofônica, acham que basta colocar qualquer pessoa, falando qualquer coisa, e isso já justifica a existência da rádio. Muitas vezes, copiam o modelo das grandes rádios que ali chegam, sobretudo FMs. Tocam as músicas que o mercado massifica para vender, imitam os locutores de consumo, que nada falam a não ser repetir as fórmulas “olá, gatinhos e gatinhas”, “é isso aí brother”, ‘e vamos a mais um sucesso, na rádio que toca o que toca você”. O dia todo é sempre a mesma coisa.

As nossas rádios ditas comunitárias estão cheias de jovens. O rádio comunitário é um espaço da juventude. Isso é positivo, quando bem administrado. Mas,ainda sem trabalho, eles também se encantam com a magia do rádio e com a possibilidade de ser estrelas, a modo dos apresentadores de FM e televisão que conhecem. É comum ouvi-los reproduzindo o sotaque do sudeste, ignorando e quase negando (talvez inconscientemente), o jeito de falar de sua própria comunidade, nestes interiores do nosso Nordeste. A fantasia também os leva, muitas vezes, a não falar no nome “rádio comunitária.” Tenho me deparado, em todas as rádios comunitárias com as quais tenho tido contado no Rio Grande do Norte, com jovens que se apresentam como locutores da “FM X”. Esses comportamentos revelam o desconhecimento da função social da rádio e a falta de um projeto comunitário no qual a dita rádio pudesse estar inserida. Sem saber para que quer a rádio e sem clareza do papel que ela deveria assumir na comunidade, os seus dirigentes conduzem-na cada vez mais para longe da sua função social. O que veio para ser diferente acaba reproduzindo os velhos modelos de comunicação excludente e massificante.

A rádio que nasce da decisão da comunidade, dentro do seu próprio processo de organização, tem uma filosofia diferente. Ela nasce da decisão coletiva, de jeito participativo e dialógico de trabalhar. Quando isso não acontece, a rádio fica manobrada por uma pessoa ou por um pequeno grupo. Dessa forma, ao invés de comunitária torna-se autoritária e excludente. Temos, neste caso, uma rádio pequena dirigida por pessoas que pensam como os grandes: lucrar, massificar, ganhar status, produzir comunicadores estrelas e assim por diante. Esses paradigmas não nos servem. Esse é o modelo de comunicação aristotélico e, para nós, cristãos da Pastoral da Comunicação, pecaminoso.


3. As rádios comunitárias nasceram para um novo modelo

A própria palavra COMUNITÁRIA revela para quê essas rádios nasceram. Não estamos refletindo sobre qualquer tipo de rádio, mas, rádio que tem uma marca comunitária no seu jeito de agir: um jeito de ser afinado com a comunidade. A rádio só é verdadeiramente comunitária, quando, é claro, está em função da comunidade. Quando ela vira projeto pessoal de um político, de um comerciante e até de um padre, perde as suas características e as razões pelas quais existe. Como seria bom que todas as pessoas que estão nas rádios comunitárias, principalmente os jovens, soubessem como foi difícil este parto, para que ela chegassem onde chegou.

As rádios comunitárias – nos moldes que as conhecemos hoje - vieram junto com o desejo de democracia, num momento em que o Brasil estava saindo de uma ditadura de mais de 20 anos. O povo carecia de voz, queria dizer sua fala, expressar seus pensamentos, resgatar o direito de se comunicar livremente. Criaram, então, às rádios livres nas favelas, nas periferias, no meio estudantil e sindical, pois não tinham acesso a dizer sua palavra nas grandes rádios deste país. Há, portanto, uma razão de ser das rádios comunitárias, uma história que explica a razão de seu surgimento.

Toda a história das rádios comunitárias, no Brasil, tem sua raiz na ação social da Igreja Católica. No final dos anos 40 e início dos anos 50, tem início, no Rio Grande do Norte, o chamado Movimento de Natal. Diante da situação de completa desorganização social provocada pela Segunda Guerra Mundial, alguns padres de Natal resolveram iniciar um movimento da Igreja, com vistas a recuperar a cidade daquela situação caótica de prostituição, crescimento desordenado, entrada de drogas e outros. Criam-se várias ações: Escola de Serviço Social, Patronatos e outros. Como 70% das população do estado residiam na zona rural, em situação de completo abandono (sem escolas, sem postos de saúde, sem informações, explorados pelos coronéis) a Igreja criou o Serviço de Assistência Rural – SAR, em 1949.

Com o SAR, foram criadas maternidades, apoio ao pequeno produtor rural e, sobretudo, programa de incentivos à organização comunitária com a participação dos leigos. Em 1958, a Arquidiocese foi conhecer uma experiência de rádio voltada para o serviço às comunidades, Rádio Sutatenza, do Padre Salcedo, na Colômbia. Em 1958, no dia 10 de agosto, entrava no ar a Emissora de Educação Rural de Natal. Foram criadas as Escolas Radiofônicas, com o objetivo de formar grupos de pessoas analfabetas, nas comunidades rurais (jovens e adultos) e iniciar um processo de alfabetização, não apenas para ensinar a ler e escrever, mas para desenvolver ações que levassem à própria organização da comunicação, valorizando o trabalho do (a) leigo (a). Os monitores era preparados através de treinamentos. Cada um recebia um rádio no final do curso e voltava para dar aulas nas comunidades. Meia hora de aula era dada através do rádio e o restante pelo monitor, presencialmente. Este processo deu origem ao Movimento de Educação de Base – MEB, espalhando-se, no início dos anos 60, para todo o Brasil. O rádio era chamado “rádio cativo” e só pegava a Emissora Rural. Como vemos, o rádio com uma função social e comunitária começa dentro da Igreja.

Mas, não pára por aí. A jornalista e professora Denise Cogo, no seu livro No ar...uma rádio comunitária, estudando resultados de uma pesquisa feita por ela, afirma:


É no interior das Comunidades Eclesiais de Base que se gestam no Brasil as primeiras experiências de uso dos auto-falantes ou cornetas como emissora comunitária.
E acrescenta:
Em 1983, na região de São Miguel Paulista, a população enfrenta momentos difíceis com problemas de transporte, saúde, educação. Na favela Nossa Senhora Aparecida, pertencente à Paróquia de São Francisco de Assis, no setor de Ermelino Matarazzo, os moradores buscar superar as dificuldades, se reúnem e criam um grupo de alfabetização de adultos com base no método Paulo Freire. A favela possui, nessa época, aproximadamente 13 mil habitantes ou cerca de 1200 famílias.

Com o tempo, a comunidade da favela sente a necessidade de criar também um meio de comunicação oral que contribuísse na convocação dos moradores para as reuniões e atividades. O alto índice de analfabetismo entre os moradores da comunidade limitava o uso de panfletos para essas convocações. Assim, o próprio grupo de alfabetização se amplia e é criada, então, uma equipe de comunicação que passa a percorrer a vila com um megafone a pilha convidando os moradores para reuniões, mutirões e demais atividades realizadas na favela.

O sucesso da experiência leva o grupo a fixar as cornetas na sede do centro comunitários e, em seguida, transferi-las para o alto da Igreja. Estimulada pelo padre peruano Bernardo Paquette, que realizava estágio na favela. Nessa época, a equipe resolve criar uma programação mais sistemática, passando a usar os alto-falantes como rádio popular...
Esta experiência, contada por Denise, cresce e é o início de um processo que dá origem às rádios comunitárias, por iniciativa e como alternativa de comunicação das próprias comunidades, com vistas à melhoria da qualidade de vida. Essa necessidade de comunicação das comunidades leva a um questionamento das função do rádio na sociedade, ou seja, as pessoas começam a perceber a importância dos meios de comunicação, quando estes estão a serviço da comunidade, facilitando a comunicação entre as pessoas, gerando comunhão, promovendo o bem-comum.
Em 1985, acontece o 1º Encontro de Rádio Popular da Região de São Miguel Paulista. Cerca de 30 representantes de comunidades reúnem-se para discutir as diferenças entre a rádio popular e a rádio comercial. Nessa primeira reunião, integrantes da equipe de rádio popular Nossa Senhora Aparecida relatam a experiência de trabalho com os alto-falantes na favela.

Desses encontros, são tiradas as seguintes conclusões: a rádio comunitária ou popular fala dos interesses do povo; deve comunicar a vida do povo; mobilizar a comunidade para as ações comunitárias; entreter o povo e promover valores artísticos e culturais do povo.

Além de São Paulo, outras experiências semelhantes também se desenvolviam no Ceará e em Recife. As comunidades foram tomando gosto por esta comunicação livre e democrática, voltada para a própria vida local. Das bocas-de-ferro, as rádios passaram às rádios comunitárias em Freqüência Modulada (FM). É aí onde começam as acusações de que são “piratas” e “ilegais”. Elas se proliferaram tanto que, ao invés tentar reprimir o seu crescimento, o Ministério das Comunicações resolveu legalizá-las, através de mecanismo que mais dificultam a legalização.

Poderíamos até dizer que o útero que gerou o modelo comunitário de rádio foi a Igreja. No entanto, o papel da Igreja não é criar e controlar rádios, mas ajudá-las a cumprir o seu papel comunitário, interativo, solidário, promovendo a saúde, a educação, a paz social e melhores condições de vida junto às pessoas que moram na comunidade. O modelo de comunicação de Jesus Cristo é profundamente comunitário e dialógico. Poderíamos dizer que, pelo fato de as rádios comunitárias terem nascido dentro do trabalho da Igreja, nas comunidades organizadas no seu trabalho de evangelização, elas têm uma vocação cristã no jeito de trabalhar, no seu jeito comunitário e dialógico de ser.

A rádio comunitária, mais que um simples equipamento que tem o poder de veicular mensagens e informações, é um canal que deve servir para que os laços entre as pessoas da comunidade se fortaleçam, gerando comunhão, organização e, conseqüentemente, animando a comunidade a buscar melhores condições de vida. Promover a vida na comunidade é o principal papel de uma rádio comunitária. E como é que se promove a vida, numa comunidade? Mobilizando vontades. A rádio comunitária tem a função social de despertar, nas pessoas, a vontade de ter uma vida mais feliz, cheia de paz, sossego de espírito, escola para todas as famílias, alimentação digna para todos, bom atendimento de saúde na comunidade, casa para morar dignamente, e tantas outras coisas. Quando as pessoas mais empobrecidas descobrem que são gente, que têm valor e trazem dentro de si o potencial humano, mudam as suas vidas e a vida da comunidade, de forma organizada. Quando uma pessoa se escuta, fala no rádio, descobre que sua voz tem poder, que agora pode dizer-se e que sua palavra pode ter conseqüência, junto com outras vozes locais, ela constrói sua auto-estima, se afirma e se reconhece sujeito. Nunca mais essa pessoa aceita ser mero objeto. Valorizar a pessoa, chamá-la pelo nome, ouvi-la e convocá-la faz parte do modelo de comunicação de Jesus Cristo. Este também é o modelo de uma verdadeira rádio comunitária.
4. A programação comunitária de uma rádio

Quem pensa que rádio comunitária é apenas aquela que tem baixa potência está enganado. O que faz uma rádio ser comunitária não é o seu alcance, mas o seu jeito de trabalhar junto ao povo: é a sua filosofia de trabalho. Por isso, quando escutamos a programação de uma rádio, logo identificamos se ela é comunitária ou não. Se os seus programas são participativos, voltados para a realidade das famílias que moram na comunidade, divulgando os artistas locais, mobilizando para transformar, dizemos que ela é uma emissora comunitária. Mas, se ela tem como objetivo, apenas, ganhar dinheiro, favorecer um político, um grupo restrito de pessoas, um comerciante, só toca músicas de outras culturas, então, logo se percebe que esta rádio não pode ser chamada de comunitária.

Quando o projeto da rádio nasce da decisão da própria comunidade, da discussão com todos os setores, em mutirão, fica fácil definir a sua programação, por que todos já sabem para que quer a rádio, antes dela entrar no ar. A programação responde a um objetivo: para que queremos uma rádio? Ao responder estas perguntas, já podemos responder a pergunta seguinte com mais facilidade: o que pretendemos com a sua programação? Por conseqüência, fica ainda mais fácil definir o objetivo de cada programa, pois cada um deles deve ter a sua própria cara, mas sempre de acordo com o objetivo da rádio e as características da programação. Portanto, a programação é uma harmonia de programas diversificados que se complementam e respondem ao objetivo maior da rádio, ou seja, à sua função social ou comunitária.

Não há receita para a montagem de uma programação de rádio comunitária. Cada rádio responde às demandas e exigências da própria realidade local. Limitá-la a receitas seria tolher a criatividade das pessoas, ignorar a pluralidade cultural e regional, condenando-a a ser “clone” de outras. Não precisamos de clones, de cópias; nossas rádios precisam ser criativas, cada uma com a sua identidade própria, com o seu jeito criativo de trabalhar. O que as rádios precisam ter em comum são a identidade comunitária e a função social respeitadas. Cada comunidade vai encontrar o jeito de pensar e fazer isso, de acordo com a sua própria realidade.



E como montar uma grade programação? Como organizar um roteiro? Isto é simples e sem burocracia. Primeiro, o conselho de programação deve se reunir e definir, junto com os demais dirigentes, quantas horas quer ficar no ar. Depois, identificar qual é o público a ser atingido em cada horário, já que a rádio é dirigida a toda a comunidade. Para começar interativa, a rádio deve fazer uma pesquisa junto à população local. A pesquisa deve ser simples, envolvendo jovens, estudantes e outras pessoas que quiserem passar de porta em porta escutando jovens, crianças, idosos, mulheres, agricultores, comerciantes, desempregados, professores, enfim, ouvindo a opinião de todos sobre o que gostariam de ouvir na rádio, quais os horários de mais audiência, e assim por diante. O passo seguinte é a montagem da grade:
RÁDIO COMUNITÁRIA MAÇARANDUBA – FM 97.9

GRADE DE PROGRAMAÇÃO: SEGUNDA-FEIRA AO SÁBADO.

DIREÇÃO: TONICO SILVA


HORÁRIO

PROGRAMA

RESPONSÁVEL/LOCUTOR


05h00

ABERTURA (gravação)

João Souza

05h05

ACORDA, SERTÃO!

Tetê Silva

06h00

FÉ NA VIDA

Igreja Católica

06h30

NOTÍCIAS

Gervásio Pereira/ Mª José

07h00

CONFIA NO SENHOR

Igreja Batista

07h30

SINDICATO EM DIA

Antônio Lopes/ Margarida

08h00

REVISTA PRA VOCÊ

Léu Neto, Lali e equipe

Obs.: Pode-se acrescentar mais uma coluna com OPERADOR para cada programa.
A tabela com a grade de programação deve ficar em local visível, sobretudo, no estúdio da rádio, para que as pessoas visualizem e respeitem os horários uns dos outros. Quando surgem casos de apresentadores que invadem o espaço do outro ou que começam a faltar, deixando o programa fora do ar, a direção ou conselho de programação deverá chamar os responsáveis pelo programa e avaliar o problema, procurando solucioná-lo de maneira responsável e tranqüila. Caso persista, o programa poderá até sair do ar, caso o conselho ou diretoria eleita pela comunidade assim decida, respaldada pelo estatuto que deve dizer que procedimento adotar em todos os casos deste tipo.

Com programas de informática, como o DIGIRÁDIO, é possível manter uma emissora 24 horas no ar, com computadores pré-programados., dispensando locutores e operadores. No caso das rádios comunitárias, isto seria solução ou problema? Há de se considerar dois lados de uma mesma moeda:



  1. A rádio comunitária precisa ser interativa, com a participação permanente das pessoas da comunidade;

  2. Por contar com mão-de-obra voluntária, a rádio sofre dificuldades de ter apresentadores e operadores em determinados horários.

Cremos que, para resolver este problema, o melhor remédio é a organização comunitária, ou seja, a própria comunidade descobre alternativas financeiras (clube dos amigos da rádio, promoções, apoios culturais do pequeno comércio) para manter pessoal fixo na rádio. Isto contribui para melhorar a qualidade da programação e a organização da rádio, gerando audiência.

Outro aspecto importante da programação é o tempo. Tempo é vida. Essa é uma lógica diferente para a rádio que não tem o ouro como o seu principal objetivo. Uma rádio comunitária deve ganhar pela sua qualidade e organização. A grade de programação facilita a organização dos horários, definindo os espaços de todos os programas. Cada programa deve respeitar o tempo do outro. Entre um programa e outro, a rádio insere suas produções sonoplásticas que harmonizam o todo da programação, tendo como resultado a beleza do som: uma gostosa estética auditiva. Rádio é a arte de pintar imagens através da utilização de todas as potencialidades dos mais diversos sons.

Uma programação bem feita é aquela que usa o máximo de criatividade: recursos e efeitos sonoros, gêneros e formatos diversificados, interatividade com os ouvintes, ludicidade e humor, surpresas, novidades e muita utilidade pública. Quando falo em utilidade pública não estou me referindo, apenas, a avisos de perdidos e achados ou coisa semelhante. Falo de informações úteis na vida das pessoas e da comunidade.

5. Direção de uma rádio comunitária

Se a rádio é comunitária, deve ser gerenciada de forma participativa. Não há um dono. Quem dirige a rádio realmente comunitária é um conselho, um organismo coletivo, formado por representações de vários segmentos da comunidade. Isto não quer dizer que ela é “casa de mãe Joana” . Ao contrário, por ser comunitária e pública, a rádio tem uma direção devidamente legitimada e reconhecida pelos segmentos sociais locais, com poder para tomar decisão, mas sempre em sintonia com a população. Se uma direção começa a dirigir a rádio em função de seus próprios interesses, esquecendo a comunidade, deve ser mudada pelo mesmo povo que a elegeu. A comunidade tem poder sobre a rádio e deve exercê-lo através de reuniões, assembléias e do voto. Por isso, antes de existir uma rádio, deve existir a organização comunitária. Nada de inventar associações fictícias, só para justificar a existência da rádio, como vem acontecendo por aí a fora: pensa-se na rádio para depois se pensar na criação de uma associação. Manipulada, a rádio segue o modelo de qualquer outra emissora privada e merece ser fechada.

Um dos desafios no que concerne à direção de uma rádio livre é a rotatividade de pessoas dirigentes. De período em período, de acordo com os estatutos, é preciso mudar a diretoria ou conselho da rádio. Muitas vezes, cada uma diretoria eleita muda os rumos editoriais e administrativos da emissora, quebrando a continuidade das ações. É claro que as coisas devem sempre mudar para melhor, mas sem essa de querer sempre começar do zero, como se nada tivesse acontecendo anteriormente. Por isso, é muito importante a comunidade ter um projeto anterior. É o projeto comunitário de rádio que vai definir os rumos que a diretoria deve tomar, sem fugir do que a comunidade quer. Caso proponha mudar alguma coisa, é necessário consultar e pedir autorização à comunidade, através da assembléia da associação.

A diretoria de uma rádio comunitária pode ser formada por uma direção geral, direção de programação, direção administrativa (patrimônio, tesouraria, contabilidade), direção de marketing (publicidade, eventos), direção de relações públicas (conquistar parecerias, conseguir apoios culturais) e outros setores que a própria comunidade é quem vai definir. É ela quem define o perfil da rádio que tem nas mãos. A tônica de uma direção de rádio comunitária não é o poder, mas o serviço à comunidade que lhe confiou esta missão. Rádio se faz em EQUIPE.


6. Planejar: o segredo de uma rádio organizada

Tudo o que vamos fazer exige um pensar antes. Este é um exercício de racionalidade, associado à nossa intuição e aos nossos sentimentos. Pensar é acionar todas as vozes que falam dentro de nós, como herança de muitos conhecimentos que as pessoas foram nos repassando e que fomos guardando na memória, ao longo da vida. Esse patrimônio de conhecimentos que compõe a visão de mundo de cada um, chama-se repertório. Quando vamos planejar, acionamos todos esses conhecimentos, num processo tão naturalizado que, muitas vezes, nem nos damos conta. Se uma pessoa guarda, na sua consciência individual, a riqueza dessas muitas vozes, desses múltiplos conhecimentos, imagine quando um grupo de pessoas se reúne para planejar coletivamente. O planejamento se torna um espaço de troca de saberes, aprendizados diversos e de surgimento de novas idéias, na eterna busca de transformar e renovar o mundo. Os repertórios individuais voltam a circular no social, produzindo saberes.

O planejamento evita que façamos as coisas aleatoriamente. Fazer por fazer, sem saber porque se está fazendo, é irracional e provoca desperdício de tempo, de recursos e, o pior, provoca o desânimo. Você já ouviu contar a história de um homem que comprou um ônibus e resolveu sair pelo mundo sem destino? Preste atenção:
Zé vivia juntando dinheiro, não sabia para quê. Mas gostava de fazer isso, talvez por esporte. Quando já tinha bastante dinheiro guardado, pensou em gastá-lo em qualquer coisa. Um ônibus. Isto mesmo: um ônibus. Desde criança, sempre achara o ônibus uma coisa encantadora. Agora que já estava crescido, que tal brincar com um ônibus de verdade? Comprou o gigantesco veículo e já chegou em sua rua buzinando, orgulhoso, espalhafatoso, chamando a atenção de toda a vizinhança. Um prazer de criança tomava conta de seu sorriso de adulto, coisa que Zé não conseguia conter. O que vai fazer com esse ônibus, Zé, perguntava um; Pensa em abrir alguma linha?, indaga outro. Que nada, rapaz! Comprei por esporte, argumentava o sorridente Zé. No fim, acabou anunciando àquela roda de curiosos que no dia seguinte sairia em viagem. Para onde, Zé? O rapaz desdenhava da pergunta e respondia: Não sei. Isso pouco me importa. Vou para qualquer lugar e já é muita coisa. E tem mais: quem quiser embarcar comigo, arrume as malas. Não faltou gente. No outro dia, bem cedo, a casa de José estava repleta de gente disposta a ir para lugar nenhum. Na saída foi aquela algazarra, aquela euforia. Uma aventura, diziam. E partiram. Outros ficaram. Admiravam-se com aquele burburinho. E o ônibus sumiu por trás da última ladeira, no rumo de lugar nenhum, levando uma lotação de passageiros sem destino. Andaram muitos dias. Para onde vai este ônibus? Em cada cidade que passavam, sempre a mesma pergunta e a mesma resposta: para algum lugar. Riam. Espantava a convicção e a firmeza com que respondiam. Com mais de um mês de viagem, faltou dinheiro para o combustível. Todos estavam lisos. Todos os recursos já haviam sido gastos naquela viagem sem fim. O combustível daria para chegar? Mas, chegar aonde? Indagou o Joca. Uns, desanimaram e, cansados, resolveram pegar carona de volta para casa. Outros, entraram em pânico, sem saber o que fizessem. Os mais apavorados começaram a acusar o Zé, que logo acusava a cada um: veio porque quis. E tudo terminou numa grande confusão. No final, o Zé foi obrigado a vender o ônibus para pagar as passagens de volta. Decepcionados, jamais souberam se haviam chegado. Hoje, antes de embarcar em qualquer linha, perguntam sempre aonde aquele ônibus pretende chegar.

Com um plano em mãos, sabemos onde queremos chegar, que resultados pretendemos obter com o trabalho. Planejar é calcular a qualidade e a quantidade do que se pretende alcançar com o esforço empreendido pelo grupo. Muitas rádios passam a vida inteira funcionando, sem saber para que está no ar. Tudo termina num grande desânimo. Outras, crescem, prosperam e sabem que estão obtendo resultados, porque já os previam. Planejar é antever. Somente o ser humano tem essa capacidade de criar imagem ou fazer idéia daquilo que ainda vai se concretizar. Quando isso é fixado no papel, visualizado, transformado em plano, as chances de acerto aumentam.

O planejamento é o processo de trabalho, o esforço coletivo e participativo de um grupo, para montar um plano. O plano é o resultado do planejamento, um instrumento de trabalho: é o mapa que traça os caminhos que devemos percorrer, em cada etapa das nossas ações, para concretizarmos aquilo que temos como imagem, como idéia. Por isso, planejar é trabalhar com a imaginação, com as idéias. Assim, devemos sempre partir de uma tempestade de idéias, num jeito de trabalhar participativo onde todos possam falar, sugerir, mesmo que algumas idéias pareçam absurdas. Muitas vezes, o que parece absurdo é o novo que está surgindo. É preciso estar atentos e abertos às coisas novas. Quando nos fechamos, corremos o risco de ficar apegados à velhas idéias, já superadas, achando que elas são verdades eternas. Dessa forma, tudo que aparece de novo é taxado logo de estranho e absurdo. Enganam-se os que pensam assim. A criatividade é o segredo de um bom planejamento. Só se planeja bem quando há um bom exercício de criatividade. Criar é inventar coisas novas e surpreendentes; é tentar superar o que já estamos habituados a fazer. O hábito de fazer sempre as mesmas coisas pode nos tornar mecânicos, repetitivos, caducos. Isso não combina com rádio, este meio dinâmico que sempre exige exercícios diários de criatividade.

O planejamento exige alguns passos. Há determinadas perguntas que, quando respondidas, são o caminho para a montagem do plano. Planejamento é o processo no qual respondemos criativamente a estas perguntas. O conjunto das respostas que damos às perguntas a seguir é o plano. Eis as perguntas básicas:




O que fazer?

Para quê?

Como fazer?

Quando

Onde?

Quem?

Que fontes?
Nome/ ação

Objetivo

- Geral


- Específico

Metodologia

- Interna


- Externa

Tempo

- Duração


- Datas

Espaço

- Local


- Abrang.

Pessoal:

Recursos

. Locais


. Extras

Obs.: Acrescente-se mais uma coluna para PÚBLICO ALVO, ou pessoas a quem queremos chegar.


    1. O que vamos fazer?

Nesta fase, os participantes do planejamento vão sugerir e definir o que se vai fazer, dando nome às atividades, uma por uma. Pode-se fazer isso através da divisão de pequenos grupos. Cada grupo levanta o máximo de idéias, de sugestões de atividades. Em seguida, cada grupo apresenta suas idéias numa folha de papel madeira ou no quando-negro. Todas as idéias são válidas e merecem ser discutidas. Este é o momento da chuva de idéias, do debate.

Depois de discutidas, o grupo vai selecionando aquelas que realmente tem a ver. Algumas vezes, uma idéia se junta a outra (s), gerando uma terceira idéia, complementando-se, enriquecendo-se. Neste fase é preciso muita abertura e entrosamento do grupo. Querer impor e não abrir mão da sua idéia, em função do grupo, só faz dificultar o planejamento. É claro que cada um vai expor o seu ponto de vista, em relação à sua idéia e explicar porque colocou-a ali. Depende da sua capacidade de argumentar, de convencer. Rádio comunitária não combina com ditadura e nem com autoritarismo. Ela é democrática por natureza. Rádio Comunitária é caminho para uma nova sociedade.



    1. Para quê?

Dado o primeiro passo, é preciso voltar a cada uma das idéias eleitas, ou seja, a cada uma das atividades, para saber o que se quer com ela. No momento em que cada um explicou o sentido da sua idéia, argumentando a partir do seu ponto de vista, já se começa a entrar nesta parte. Mas, é preciso definir melhor. Este é o momento de elaborar objetivos claros, de explicitar os resultados que o grupo quer alcançar com cada a atividade a ser realizada. Às vezes, para uma atividade surge mais de um objetivo. O importante é definir, com clareza, onde se quer chegar. Os objetivos devem ser curtos, simples e claros. O objetivo pode ser geral (a longo prazo) ou específicos (a médio e curto prazos).


    1. Como vamos fazer?

Não basta saber o que se quer fazer e os resultados que se pretendem obter. Agora, o grupo vai definir como é que o trabalho vai ser feito:

  • jeito como o próprio grupo vai se organizar e trabalhar, internamente;

  • jeito de trabalhar junto ao público: como motivar a participação de todos? Como motivar a comunidade?

  • Junto a quem e como o grupo vai conseguir apoios e parcerias, somando forças.

Nesta fase do planejamento, os participantes pensam a sua metodologia de trabalho. Tudo deve ficar suficientemente explicado e claro, até como o trabalho vai ser avaliado durante e depois da realização das atividades.


    1. Quando vamos fazer?

Este é o momento de prever a duração de cada atividade; de prever o tempo que cada atividade vais gastar: uma hora? Um dia? Duas semanas? Três meses? Dois anos? Depende do que for ser feito e da realidade do grupo. Esta também é a ocasião de marcar as datas, nas quais as atividades vão acontecer. Isto se chama cronograma.
6.5. Onde vamos fazer?

O grupo define o espaço geográfico de seu trabalho. No plano, é importante que o local da ação seja identificado. Os participantes do planejamento identificam o raio de alcance geográfico do trabalho: quantas comunidades queremos abranger? Isso se chama delimitação da área de abrangência do plano. Neste ponto, é importante definir os locais de realização dos eventos: escolas, ruas, rádio, centro comunitários, igrejas, sindicatos e outros.


6.6. Quem vai fazer?

Não basta ter tudo definido e arrumado no papel. O plano, por si só, não teria vida, sem as pessoas que vão colocá-lo em prática. Cada pessoa do grupo de planejamento vai assumir responsabilidades, de acordo com suas habilidades, seus dons. Assim, quem tem jeito para falar no rádio vai assumir a função de locutor. Quem leva jeito para trabalhar com pessoas e já se destaca como liderança, entra no quadro dirigente da rádio. Outros gostam mais de criar, de escrever textos para serem falados: estes entram na produção. Alguns gostam de trabalhar com efeitos sonoros, de criar obras de arte com o som, e assim por diante.

O plano deve conter os nomes das pessoas responsáveis por cada coisa. Mas só faz sentido se cada um assumir livremente as atividades. Impor tarefas aos outros não gera compromisso, mas resistência. Quando as pessoas decidem vestir a camisa, sentem-se responsáveis e zelam pelo compromisso que assumiram. Nunca se deve assumir a responsabilidade que é de outro. Se ele falha, isso deve ser conversado em reunião de avaliação que, aliás, sempre deve acontecer.
6.7. Que fontes vamos buscar?

Uma rádio comunitária precisa de recursos para sobreviver. No entanto, a lei diz que ela não pode veicular comerciais. Diante dessa situação, não podemos esperar que a lei seja um motivo para fechar as portas da rádio. Se a lei dificulta, mais uma vez a comunidade deve usar de muita criatividade, para manter a sua rádio funcionando com qualidade e muita audiência. Além dos apoios culturais, que deve ser buscado junto aos pequenos comerciantes que nunca tiveram condições de veicular comerciais nos grandes meios de comunicação, a comunidade deve buscar muitas outras fontes, aproveitando as oportunidades de parcerias com escolas, sindicatos, igrejas, associações comunitárias e outras.

As promoções de eventos em épocas festivas também é uma boa fonte de renda: quermesses na festa do padroeiro, festas juninas. Que tal um sorteio? Se a rádio for, realmente, da comunidade, não vai faltar gente. Há muitas fontes. É preciso identificá-las e tomar iniciativas.
7. Capacitação continuada: a rádio é uma escola

Só se faz rádio bem feito com pessoas qualificadas. Com isso, não queremos dizer que é preciso de gente formada na universidade para fazer rádio comunitária. Nem também queremos afirmar que uma pessoas de muitos anos de rádio seja qualificada. A capacitação é o fruto da experiência e de participação em cursos, oficinas e outras atividades de capacitação. Nem só a prática e nem só a teoria. O ideal é que as duas coisas caminhem juntas.

Para fazer rádio é preciso, entre outras coisas:


  • Ser apaixonado pelo que faz;

  • Estar aberto ao trabalho em equipe: escutar e compreender a opinião dos outros

  • Reconhecer que não sabe tudo e que pode falhar. Sempre há algo mais a saber;

  • Suar para fazer sempre o melhor e mais surpreendente, a cada dia;

  • Estudar e se capacitar constantemente, numa atitude de eterno aprendiz.

  • Ser amigo das pessoas que escutam e participam do programa;

Para trabalhar com uma metodologia comunitária o comunicador de rádio vai além do meramente técnico. Ele une o saber técnico a um novo jeito de fazer rádio, com o objetivo de promover cidadania, solidariedade e muita participação das pessoas excluídas da sociedade. O comunicador comunitário faz com que as pessoas se sintam gente, reconhecidas, com direito a dizer a sua palavra. Ele anima a comunidade a buscar soluções para os problemas locais, toca na vida, traz a cultura dali para dentro da rádio. Disso as pessoas sabem falar. Por esses assuntos elas se interessam. Mas não basta apenas querer fazer isso. É preciso saber trabalhar esses conteúdos numa linguagem adequada ao rádio.

A linguagem do rádio exige tanta simplicidade, espontaneidade, alegria, que, muitas vezes, é preciso que a gente se reeduque para recuperar a capacidade de ser um bons comunicadores, como no tempo de criança. As crianças são alegres, espontâneas, descontraídas, extrovertidas e, sobretudo, simples. Para fazer rádio é preciso voltar a ser crianças. Mas, quais as caraterísticas da linguagem do rádio? Quais os gêneros, formatos e recursos que podemos utilizar para termos uma rádio comunitária bem ouvida, de qualidade e dinâmica? A gente responde amanhã.


Maceió (AL), 25 de maio de 2002.



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