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Clipping Diário da CONTEC

14.01.09
Tarso concede asilo a italiano condenado por terrorismo

Ministro alega que caso é político e que Cesare Battisti não teve direito a ampla defesa.

Com a decisão, o processo de extradição de Battisti, que tramita no Supremo, ficará suspenso; italiano pode ser solto ainda hoje

O governo do Brasil concedeu ontem asilo político ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos entre 1978 e 1979. Ex-militante comunista do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), ele foi preso no Rio em março de 2007 e pode ser solto hoje.

A decisão, tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, reverteu entendimento do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) que, em novembro, negou o mesmo pedido. Para Tarso, as condenações de Battisti foram consequência de um processo político, como alega o próprio e diversas entidades esquerdistas.

Com a nova decisão, o processo de extradição de Battisti, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido da Itália, ficará suspenso e só será reaberto em caso de mudança na decisão do governo brasileiro. O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, já havia dado um parecer favorável à extradição.

Por determinação do Supremo, Battisti, que fugiu da França para o Brasil em 2004, foi preso há quase dois anos. Atualmente ele se encontra no presídio da Papuda, em Brasília. De acordo com o Ministério da Justiça, a concessão do refúgio seria publicada hoje no "Diário Oficial" da União. Assim que for notificado, o STF determinará a soltura.

O pedido de asilo foi negado pelo Conare por 3 votos a 2, sob o argumento de que não seria possível comprovar se o italiano sofreu perseguição política em seu país de origem. O ministro e sua equipe, porém, avaliaram que Cesare Battisti tem "fundado temor de perseguição por suas opiniões políticas".

Tal reconsideração é rara na história do Brasil: desde 1998, apenas 25 decisões do Conare -entre milhares- foram revistas pelos ministros da Justiça.

O caso é rumoroso. Nomes da esquerda brasileira e internacional, como o deputado federal Fernando Gabeira e o filósofo francês Bernard-Henry Lévy, pressionavam o governo pela permanência de Battisti no país, escolhido intencionalmente por ele em 2004 justamente por conta da legislação que proíbe a extradição de quem comete crime político.

Ao conceder o pedido, a equipe de Tarso usou dois argumentos. O primeiro é uma carta do senador italiano Francesco Cossiga que, nos anos 70 ajudou a elaborar as leis que levaram à condenação de Battisti, na qual afirma que os crimes cometidos pelos movimentos de esquerda italiana naquele período foram políticos.

O outro diz respeito ao fato de o italiano ter vivido por mais de uma década na França, abrigado inicialmente pelo governo de François Mitterrand, sob a condição de ter renunciado à luta armada. O italiano foi condenado à prisão perpétua à revelia, peculiaridade prevista na legislação italiana. As provas foram baseadas em depoimento de Pietro Mutti, fundador do Proletários Armados pelo Comunismo -grupo aparentado com as Brigadas Vermelhas-, do qual Battisti fez parte.

"A sua potencial impossibilidade de ampla defesa face à radicalização da situação política na Itália, no mínimo, geram uma profunda dúvida sobre se o recorrente teve direito ao devido processo legal", diz o texto assinado por Tarso ao justificar a concessão do refúgio.

Cesare Battisti sempre negou ser o autor dos homicídios. Em entrevista à Folha, em março passado, ele contou que foi condenado após delação de Mutti à Justiça: "Ele mudou várias vezes as versões em seus depoimentos à Justiça. Era cômodo colocar toda a culpa em cima de mim", disse na época.

"O problema é que eu nunca calei a boca", disse Battisti então, ao sustentar que foi um perseguido político em um país no qual "os fascistas nunca deixaram o poder".

A Folha procurou a Embaixada da Itália, em Brasília, que não se pronunciou até a conclusão desta edição.

O advogado Nabor Bulhões, contratado pelo governo italiano, assim como o advogado de Battisti, Luiz Eduardo Greenhalgh, não foram localizados pela reportagem.

*Folha de S.Paulo


Por Dilma-2010, Lula articula apoio a Sarney

Se José Sarney (PMDB-AP) declarar hoje que deseja ser candidato à presidência do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulará um acordo para que o PT apoie o peemedebista. Segundo a Folha apurou, em troca, Lula incluirá no acordo PT-PMDB o suporte peemedebista à eventual candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência, em 2010.

Lula estudará ainda eventual acomodação da ala petista do Senado no ministério.

Segundo a Folha apurou, Lula recebeu a informação de que Sarney quer ser candidato para fortalecer o seu clã político no Maranhão e o grupo peemedebista do Senado. A presidência da Casa também daria ao ex-presidente da República força para tentar frear eventual operação da Polícia Federal contra um filho dele. A PF investiga suposto caixa dois nas eleições de 2006 de empresa comandada por Fernando Sarney.

Lula deseja uma conversa definitiva com José Sarney. Se ele disser sim, Lula falará com o senador Tião Viana (AC), candidato do PT a presidente do Senado, para que ele desista da candidatura. Se Sarney disser não, Lula pedirá que o peemedebista convença o seu partido a apoiar Tião e a retirar a candidatura de Garibaldi Alves (RN), atual presidente da Casa.

A Folha apurou que Lula passou a ver as eleições para as presidências da Câmara e do Senado como uma oportunidade para reforçar a eventual candidatura de Dilma à sua sucessão. Para isso, Lula incluirá no acordo a confirmação do apoio do PT ao peemedebista.

Tião e Garibaldi se uniram ontem numa tentativa de constranger as articulações em torno de Sarney. Ambos tiveram um encontro reservado, no início da tarde. Ao fim do dia, numa entrevista lado a lado, os dois reafirmaram que são candidatos e vão permanecer na briga pelo comando da Casa.

"Não há recuo", disse Garibaldi. "Minha candidatura vai até 2 de fevereiro. Tenho compromisso com cinco partidos desta Casa, que me apoiam", prosseguiu Viana. Lula, segundo interlocutores no Planalto, voltou de férias disposto a interferir na escolha da presidência do Senado. "O presidente acha que é conveniente começar [as conversas] por Sarney", afirmou o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais).

*Folha de S.Paulo

Procon multa a TIM por cortar linha de Requião

O Procon do Paraná anunciou ontem que a TIM foi multada em R$ 1,7 milhão por ter cortado linhas telefônicas de servidores do governo estadual, entre elas a do governador Roberto Requião (PMDB).

Na semana passada, Requião disse que telefones do governo foram cortados porque a operadora não identificou a quitação de uma dívida de R$ 34 (de acordo com o governo) ou R$ 12 mil (diz a TIM).

O Procon diz que a empresa deveria ter esperado 15 dias após o vencimento das faturas antes de cortar as linhas. A empresa diz que "recebeu a notificação e está analisando seus termos". A TIM tem dez dias para confirmar se pagará a multa ou vai recorrer.

*Folha de S.Paulo

Crise reduz emprego e renda na indústria

Setor registrou em novembro a maior queda no nível de vagas desde 2003, aponta IBGE; ministro prevê dezembro pior. Para economista, indicador deu "sinais muito rápidos" de piora; setores que empregam mais e exportadores lideram corte de postos de trabalho

Afetado pela crise, o emprego na indústria não resistiu a dois meses consecutivos de queda na produção: cedeu 0,6% de outubro para novembro na série livre de influências sazonais, segundo o IBGE. Foi o pior desempenho desde outubro de 2003 (-0,7%), quando o país estava em recessão. Em outubro, o indicador havia recuado apenas 0,1%, variação tida como estável pelo IBGE.

Na comparação com novembro de 2007, o nível de ocupação da indústria ainda registrou expansão -de 0,4%-, mas já mostra sinais claros de desaceleração. Em outubro, a alta havia sido de 1,6%. Até setembro, oscilou na faixa de 2,2% a 3,5%. Para essa pesquisa, realizada diretamente com as empresas, o IBGE não divulga números absolutos de empregos.

"O efeito da crise financeira internacional já chegou às variáveis do mercado de trabalho, após dois meses seguidos de recuo da produção industrial", afirma Denise Cordovil, economista da Coordenação de Indústria do IBGE.

Além do emprego, a renda também sofreu os reflexos da crise. A folha de pagamento do setor caiu 2,7% em novembro na comparação com outubro.

No acumulado de janeiro a novembro, o emprego ainda registra expansão -de 2,4%. A folha de pagamento também se manteve em alta -6,3%. Ambos os indicadores mostraram, porém, uma tendência de arrefecimento no final do ano.

Segundo Cordovil, o mercado de trabalho na indústria sofre com os efeitos da secura do crédito, da retração das exportações e da freada no nível de confiança de empresários e consumidores. Tal cenário rebateu nas fábricas. Em apenas dois meses, a indústria viu seu nível de produção cair 7,8% -5,2% em novembro e 2,8% em outubro, na taxa livre de influências sazonais.

Para Rogério Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria), o emprego respondeu negativamente à retração da produção com uma defasagem temporal muito pequena, menor do que o habitual.

Bastou apenas um mês de aprofundamento da crise global, diz, para o mercado de trabalho se deteriorar. O economista prevê ainda novas quedas no nível de emprego tanto em dezembro quando no primeiro trimestre de 2009. "Há muito tempo a indústria não convivia com problema de emprego, como se configura agora por causa da crise", afirma Souza.

Para Fábio Romão, da LCA, o emprego na indústria deu "sinais muito rápidos" de piora, tendência que se manterá ao longo de todo o primeiro trimestre. Uma recuperação gradual, de acordo com ele, só terá início no segundo trimestre, mas com maior intensidade no segundo trimestre.

Romão avalia que a folha de pagamento sofrerá menos do que o emprego com a contração do mercado de trabalho neste ano. Segundo ele, haverá o impacto positivo do reajuste real do salário mínimo neste ano, indexador principalmente dos salários mais baixos e do mercado informal.

Pelos dados do IBGE, setores tipicamente exportadores, na maioria dos casos, e intensivos em mão-de-obra sentiram mais os efeitos do recuo do emprego. É o caso de vestuário (queda de 9,8% ante novembro de 2007), calçados (-8,2%) e madeira (-9,9%), que exerceram as maiores pressões.


Dezembro pior

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse que não se surpreendeu com a queda no emprego industrial. "Em dezembro, já tem uma queda grande, normal, por causa do final dos contratos temporários e prevíamos que ia aumentar. Deve ser um número bem maior do que habitualmente é", afirmou. "Já era previsível que essa crise começasse a afetar a área de empregabilidade de uma maneira mais forte em dezembro."

Para ele, janeiro e fevereiro normalmente não são meses de grande empregabilidade. "Teremos janeiro e fevereiro fracos e março voltando a ter crescimento da empregabilidade por causa do fortalecimento da economia brasileira", disse.

*Folha de S.Paulo



Dólar sobe para R$ 2,327 mesmo com atuação do BC

Bolsa de SP ganha 0,36% em pregão de queda dos bancos

As atuações do BC no câmbio não evitaram que o dólar subisse ontem a R$ 2,327, em alta de 1,35%. Com esse movimento, praticamente foram eliminados os ganhos do real no ano -o dólar registra agora apenas 0,3% de baixa em 2009.

Já a Bovespa escapou de mais um pregão de perdas, para terminar as operações com apreciação de 0,36%.

Com o mercado internacional ainda bastante negativo e grande parte das Bolsas de Valores com baixa acumulada em 2009, a Bovespa tem se destacado, mesmo com a perda de ritmo desta semana.

O retorno de capital externo para o mercado acionário doméstico, especialmente na primeira semana do ano, ajudou a Bolsa de Valores de São Paulo a sair na frente. No mês, computa valorização de 5,31%.

O índice Dow Jones, que reúne as ações americanas mais negociadas, tem baixa de 3,74% em janeiro -caiu 0,30% ontem. A Bolsa de Londres tem perdas de 0,79% no ano.

As ações da Petrobras e das siderúrgicas, que haviam derrubado a Bolsa na segunda, ajudaram a evitar uma nova queda do Ibovespa ontem. Com o petróleo em pequena alta (de 0,51%, para US$ 37,78) em Nova York, as ações preferenciais da Petrobras terminaram com ganhos de 0,84%.

Já o setor bancário sofreu perdas. O papel ON do Banco do Brasil recuou 3,93%, seguido de Bradesco PN, que caiu 3,86%, e Itaú PN (-3,65%).


Câmbio sob pressão

Após intervenção do BC, que vendeu ao mercado US$ 500 milhões para recompra futura, a moeda americana perdeu força, descendo a R$ 2,293 na mínima de ontem. Mas não se sustentou por muito tempo nesse patamar. Para hoje, a autoridade monetária informou que realizará leilão destinado ao setor exportador, que poderá movimentar até US$ 1,5 bilhão.

No mercado futuro, as posições compradas em dólar dos estrangeiros deixaram de encolher, o que mostra que as apostas na baixa da moeda dos EUA não estão aumentando. De US$ 13,17 bilhões no início do ano, as posições compradas líquidas dos estrangeiros estavam em US$ 11,98 bilhões na última segunda-feira. Se os investidores apostam no dólar forte, mantêm as posições compradas em níveis elevados.

*Folha de S.Paulo



Professor recebe indenização por xingamento

Uma estudante universitária de Brasília terá de pagar indenização a seu ex-professor por tê-lo xingado e ameaçado fisicamente após ter sido flagrada colando em uma prova.

A 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do DF condenou, por unanimidade, a aluna do curso de direito Sandra de Sousa a pagar R$ 5.000 por danos morais ao professor Alexssander de Oliveira, 25. A aluna não pode recorrer.

Na decisão de primeira instância, a universitária havia sido condenada a pagar R$ 3.000, mas tanto ela quanto o professor recorreram. A 1ª Turma Recursal do TJ-DF aumentou o valor da indenização.

O professor Alexssander de Oliveira disse que entrou com a ação, em 2007, por ter ficado "estarrecido" com a atitude da aluna.

A estudante não quis comentar o caso.

*Folha de S.Paulo
Governo estuda punição a empresa que demitir por causa da crise

O crescimento das demissões no setor privado tornou-se a maior preocupação do governo. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, criticou ontem as empresas que estão demitindo e defendeu contrapartidas sociais - como a preservação dos empregos - daquelas que forem beneficiadas com as ações do governo, como desoneração de impostos e liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). À noite, depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lupi disse que o governo pode aumentar em mais duas parcelas o seguro-desemprego para trabalhadores dos setores mais afetados pelas demissões.


O ministro foi convocado por Lula, que queria informações sobre os dados de dezembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que abrange o mercado formal de trabalho. "O presidente está muito preocupado com a questão do emprego, porque isso é o coração da economia", afirmou Lupi. A decisão de ampliar o seguro-desemprego, que hoje paga de três a cinco parcelas, dependerá da análise desses dados, que serão levados a Lula na próxima segunda-feira. Segundo Lupi, informações preliminares apontam para um crescimento expressivo das demissões. "Em cima dos dados de dezembro, teremos um radiografia por setores para que o presidente possa decidir que medidas a mais serão tomadas."
O ministro disse que não tratou com o presidente da exigência de contrapartidas das empresas. Mas reafirmou as declarações que havia feito à tarde, após receber dirigentes da central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT). "Não pode o governo brasileiro investir bilhões, colocar dinheiro público para ajudar as empresas a saírem das dificuldades, e elas continuarem demitindo."
Os sindicalistas procuraram o ministro para sugerir medidas contra as demissões e reclamar da decisão da GM de dispensar 744 temporários, mesmo após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis.
Lupi concordou com os sindicalistas e anunciou a criação de um comitê tripartite (governo, empresários e trabalhadores) para monitorar as liberações de recursos do FAT e do FGTS. "Ou essas empresas assumem o compromisso de não demitir ou o governo brasileiro terá de refazer essas linhas de financiamento", disse Lupi.
Ele não adiantou as medidas em estudo, mas entre as alternativas está a suspensão de crédito dos bancos oficiais para empresas que se beneficiam de ações do governo e demitem empregados. Na semana passada, Lupi também defendeu maior estabilidade para trabalhadores que tiverem os contratos de trabalho suspensos.
ILUSÃO
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse ontem que é ilusório achar que não haverá demissões na economia brasileira. Depois de participar da reunião de Lula com ministros da coordenação política, ele observou que o principal objetivo, neste momento, é evitar o desemprego e, por isso, o governo tem tomado medidas para estimular a produção e o consumo.

*O Estado de s.Paulo



Demissões aumentam pressão sobre Fazenda

Até dentro no governo cresce cobrança por um plano amplo de proteção
A onda de demissões que começou a se configurar na economia brasileira neste início de 2009 aumentou a pressão para que o Ministério da Fazenda adote um plano de ações emergenciais voltadas para atenuar os efeitos negativos do desemprego. Um plano que funcionaria como uma espécie de "ponte" para o trabalhador caminhar até uma situação de recuperação do emprego, como medidas de ampliação da rede de proteção social e dos mecanismos de seguro-desemprego.
Setores do governo avaliam que não basta a adoção de um pacote de medidas de estímulo à habitação e de desoneração tributária para estimular os investimentos e preservar os empregos, como o que está em estudo pela equipe econômica. Seria preciso um quadro mais amplo de medidas para combater os efeitos da crise financeira nessa fase mais crítica de desaceleração do ritmo de crescimento do País.
A possibilidade de escalada do número de desempregados no País está provocando insatisfação entre ministérios com ações voltadas às áreas do setor produtivo com a atitude do ministério da Fazenda e Banco Central (BC) na condução das discussões das medidas. Nos bastidores, setores dos Ministérios do Desenvolvimento, Cidades, Trabalho e Agricultura admitem que a área econômica está mais aberta às conversas com empresários do que às discussões com os colegas da Esplanada.
Uma coordenação maior entre os ministérios também está na pauta das discussões. Essa coordenação incluiria também o BC, que, na avaliação das mesmas fontes, precisa iniciar a redução da taxa básica de juros, a Selic, em dosagem maior. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana, será decisiva para definir os rumos da economia para 2010.
Não se trata de combater apenas as expectativas negativas, mas evitar que as demissões se generalizem para setores que ainda não foram afetados pela crise financeira e poderiam se antecipar a um cenário econômico pessimista que não está configurado. Ontem, o IBGE divulgou uma queda de 0,6% do emprego em novembro em relação a outubro de 2008, a maior retração desde outubro de 2003. Tradicionalmente, é um período de fechamento de postos, mas o que se observa é a tendência de aumento de casos de demissão.
Até mesmo o período de férias do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a viagem ao exterior do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesta semana, são criticados. Existe o temor de que as medidas para a preservação do emprego possam chegar "tarde demais" e além do prazo prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No fim do ano passado, durante o programa "Café com o Presidente", Lula garantiu à população que novas medidas anticrise sairiam até o dia 20. O retorno de Mantega das férias está previsto para o dia 19.

*O Estado de S.Paulo



Privilégio enterrado

Funcionários da Câmara perdem a bolsa-chefia depois da irritação dos integrantes da Mesa Diretora com a ameaça de servidores em reivindicar pagamento retroativo a 2007

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu recuar e anular o pagamento da gratificação extra de até R$ 1,8 mil mensais que seria repassada a servidores com pós-graduação — o privilégio era extensivo àqueles que ocupam cargo de chefe, independentemente do nível de escolaridade. O adeus à bolsa-chefia dos funcionários já era discutido nos bastidores pelos parlamentares, mas a gota d’água veio ontem com a irritação do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O parlamentar petista não gostou da disposição dos servidores efetivos de irem à Justiça pelo pagamento do adicional retroativo a 2007. Com o recuo, nem chefes nem funcionários que possuem alguma especialização acadêmica receberão o benefício. “A nossa decisão foi no sentido de zerar a negociação. Não vamos discutir mais esse assunto durante minha gestão. Agora, a regulamentação dessa lei ficará por conta da próxima administração”, disse Chinaglia.


Ontem o Correio mostrou que os funcionários já articulavam um processo judicial para garantir o recebimento dos benefícios com base na edição da lei, datada de 2006. A notícia desagradou ao presidente petista, que acreditava na validade do acordo fechado com o Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), no qual o presidente da entidade, Magno Mello, garantira que não haveria briga judicial porque a categoria estaria satisfeita com a simples regulamentação do adicional. “Não é possível que a Mesa, num gesto generoso para valorizar aqueles que viessem a se qualificar, de repente, saiba pela imprensa que os funcionários iam se socorrer do Poder Judiciário. Nós percebemos que era preciso colocar um limite. Nem bem houve uma negociação e já havia gente dizendo que iria entrar na Justiça. Então demos um basta”, anunciou o presidente ao justificar o recuo.
A decisão de Chinaglia foi discutida com os demais integrantes da Mesa logo na manhã de ontem. Por unanimidade, os parlamentares aceitaram a ideia de voltar à estaca zero nas negociações com os servidores e deixar os problemas relacionados ao adicional — e o desgaste pelo pagamento da bolsa-chefia — para ser resolvido pela Mesa que será eleita em fevereiro.
Insistência

A decisão não surpreendeu os servidores que se preparavam para brigar na Justiça pelo recebimento dos benefícios. Ontem, durante a assembleia do sindicato, a funcionária Juliana Vale defendeu ao microfone que todos entrem com uma ação contra a União para cobrar o pagamento da benesse. “Basta entrarmos na Justiça, nosso adicional está garantido por lei”, gritava ela enquanto era aplaudida pelos presentes.


O discurso da servidora foi seguido por outros funcionários da Câmara, que defendem a briga judicial como a melhor saída para o impasse em torno do pagamento do adicional. Chinaglia e os atuais secretários, cientes do destino que a briga tomará, resolveram lavar as mãos e deixar para seus sucessores o peso e a responsabilidade de encontrar uma saída para o impasse. “O problema que se percebe nesses debates é que querem empurrar para os cofres públicos todo e qualquer benefício”, disse Chinaglia, referindo-se ao rombo de R$ 96 milhões que o pagamento retroativo custaria.

*Correio Braziliense




Operação Avalanche

Valério vai ao Supremo

Preso pela Polícia Federal (PF) em 10 de outubro, durante a Operação Avalanche, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza sofreu mais uma derrota na Justiça e tenta agora conquistar a liberdade em novo recurso dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em julgamento realizado ontem, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), com sede em São Paulo, negaram habeas corpus ao empresário. Marcos Valério – acusado de ser um dos operadores do esquema do mensalão – é apontado, desta vez, como sendo integrante de um grupo de empresários e servidores públicos que praticaria extorsão, fraudes fiscais e corrupção.


A defesa já entrou com um recurso no STF. O advogado Marcelo Leonardo sustenta que a decisão do TRF foi “injusta e ilegal”. Ele afirma que a prisão de Marcos Valério foi decretada por um juiz que não deveria estar cuidando do caso e baseada em grampos ilegais, entre outros argumentos. E, por isso, pediu a extensão de um habeas corpus concedido a um dos investigados no caso. Esta semana, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, mandou soltar três presos durante a ação da PF – um advogado e dois policiais – por considerar que, soltos, eles não atrapalhariam o rumo das investigações. “A expectativa é que a gente consiga reverter essa decisão”, comentou Marcelo Leonardo.
Preso na mesma operação que levou Marcos Valério à cadeia, o advogado Rogério Lanza Tolentino entrou com recurso semelhante ontem. Em novembro, o STF já havia negado um pedido de liberdade ao empresário, que está preso em Tremembé, no interior de São Paulo. Ele é suspeito de ter intermediado uma negociação para corromper policiais federais e favorecer uma cervejaria. Preso na mesma operação, o policial federal aposentado Paulo Endo também pediu habeas corpus ao STF. Marcos Valério nega as acusações.

*Correio Braziliense



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