Chuvas e desastres naturais ocorridos no vale do itajaí em 2008 e 2011



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CHUVAS E DESASTRES NATURAIS OCORRIDOS NO VALE DO ITAJAÍ EM 2008 E 2011
Vanesca Sartorelli MEDEIROS1, Mario Thadeu Leme de BARROS2

1 Pesquisadora em Geociências, Engenheira da CPRM, e-mail: vanesca.medeiros@cprm.gov.br

2 Professor Titular da Escola Politécnica da USP, e-mail: mtbarros@usp.br
RESUMO – O estudo apresenta uma análise dos desastres naturais associados às chuvas extremas ocorridas no Vale do Itajaí em 23 e 24 de novembro de 2008 e 8 e 9 de setembro de 2011, causadoras de inundações e deslizamentos na região. Os dados coletados nos pluviômetros indicam que a catástrofe observada em 2008 foi desencadeada pela elevada chuva diária, registrada como a máxima histórica em três das seis estações analisadas. Na estação Blumenau, choveu 250,9 mm no dia 24 e 494,4 mm em apenas dois dias. No ano de 2011, apesar do volume diário elevado nos dias 8 e 9 de setembro, chegando a 132,3 mm em Rio dos Cedros, em algumas estações as chuvas diárias não foram tão elevadas. Nesse caso, acredita-se que os volumes acumulados elevadíssimos nos meses que antecedem os eventos tenham sido determinantes para a ocorrência dos desastres.
ABSTRACT – The study presents an analysis of natural disasters associated with extreme rainfall occurring in the Itajaí Valley in November, 2008 and September, 2011, causing floods and mudslides in the region. The data collected in gauges indicate that the catastrophe observed in 2008 was triggered by high daily rainfall, registered as the historic maximum in three of the six stations analysed. In Blumenau, it rained on the day 24 250.9 mm and 494.4 mm in just two days. In the year 2011, despite the high daily volume on 8 and 9 September, peaking at 132.3 mm in Rio dos Cedros, daily rains in some seasons were not so high. In this case, it is believed that the accumulated huge volumes in the months preceding the events have been determining factors for the occurrence of disasters.
Palavras-chave: eventos extremos, inundações, deslizamentos, desastres naturais.
1. INTRODUÇÂO

Em novembro de 2008, as chuvas elevadas que atingiram a Região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, causaram um dos maiores desastres naturais do Estado. Dentre as localidades atingidas, 14 cidades decretaram estado de calamidade pública e 63 decretaram situação de emergência. Houve inundações e deslizamentos de encostas que deixaram 158 vítimas e mais de 80.000 desabrigados ou desalojados. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram atingidas. As chuvas diárias elevadíssimas, os acumulados de vários dias de chuva desde o mês de setembro ou outubro de 2008 e as condições de relevo contribuíram para a catástrofe observada na região. Nos dias 8 e 9 de setembro de 2011, novamente a região sofre com os desastres naturais, deixando 6 vítimas e 1 milhão de pessoas afetadas. Os volumes de chuva diários não foram tão significativos quanto os de 2008, mas suficientes para desencadear as inundações e deslizamentos.

A região sofre constantemente com os desastres, como os ocorridos em julho de 1983 e agosto de 1984, onde se iniciaram as ações na bacia para gerenciamento dos desastres.

Como variáveis que interferem no desastre temos a combinação das causas naturais: as chuvas intensas, o relevo acidentado da região, e as sociais: comunidades e inúmeras habitações localizadas em áreas de risco, como margens de rios e encostas de morros. A chuva extrema tem o papel de agente desencadeador dos desastres (inundações, escorregamentos) em locais e comunidades vulneráveis.

Dentre os desastres observados na região, destacam-se os movimentos de massa, as inundações bruscas e as inundações graduais.

Como agravantes do desastre, podemos citar a ação (ou omissão) do homem. Segundo pesquisa da EPAGRI, no morro do Baú, grande parte dos escorregamentos foram agravados por atividades humanas inadequadas, como cortes de encostas e aterros, desmatamentos. As intervenções realizadas nos cursos d’água, podem também agravar as enchentes e situação de jusante.


1.1 Descrição da área de estudo e estações pluviométricas utilizadas

A bacia do Itajaí esta situada inteiramente no estado de Santa Catarina e é dividida em baixo, médio e alto Vale Itajaí. É cercada pelas serras de Moema e Jaraguá, ao Norte, a Oeste pelas Serras Geral e do Espigão e, ao Sul, as Serras da Boa Vista, dos Faxinais e Tijucas. As altitudes chegam a 1000 metros nas cabeceiras, caem bruscamente e chegam a 18,5 metros em Blumenau. (FRANK e SAVEGNANI, 2009). De Blumenau até a foz a declividade é muito baixa e o relevo é caracterizado por imensas planícies com elevado grau de sedimentação e alto risco de inundações, sem sazonalidade marcada, podendo ocorrer em qualquer época do ano.

As condições geológicas, geomorfológicas e climatológicas indicam que a região é suscetível à ocorrência de desastres, principalmente os hidrometeorológicos, como as inundações e deslizamentos, associados a eventos extremos de precipitação.

A vulnerabilidade da região é elevada, com alto risco de ocorrência de inundações nas áreas mais planas e várzeas dos rios e deslizamentos nas encostas e regiões mais íngremes. As moradias, quando não estão localizadas em áreas de vale, estão situadas em regiões mais elevadas, com maior risco de deslizamento.



Figura 1 – Localização dos seis postos utilizados na da bacia do rio Itajaí-Açu

As estações utilizadas nesse estudo são operadas pela EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural. Suas altitudes variam de 12 a 70 metros e estão localizadas no médio e baixo Itajaí, região que mais sofreu com as catástrofes de 2008 e as inundações e escorregamentos de 2011. As precipitações médias anuais ficam em torno de 1.625 mm nos postos utilizados, variando de 1.477 mm em Indaial e chegando a 1.678 mm em uma das estações localizadas em Blumenau. O mês mais chuvoso é janeiro, seguido de fevereiro e dezembro.

Tabela 1 – Relação das seis estações pluviométricas do Vale do Itajaí em SC




Código

Estação

Bacia

Latitude

Longitude

Alt. (m)

Município

Dados

2649004

Timbó Novo

83

- 26:49:47

- 49:16:19

70

Timbó

jan/29 a jan/11

2649005

Indaial

83

- 26:54:49

- 49:16:03

60

Indaial

jan/41 a jan/11

2649007

Blumenau

83

- 26:55:05

- 49:03:55

12

Blumenau

mar/44 a jan/11

2649008

Arrozeira

83

- 26:44:27

- 49:16:14

80

Rio dos Cedros

jan/41 a jan/11

2649010

Itoupava Central

83

- 26:47:35

- 49:05:00

65

Blumenau

jan/41 a set/09

2748000

Brusque

83

- 27:06:02

- 48:55:04

40

Brusque

jan/41 a jan/11
2. METODOLOGIA

Foram analisadas as chuvas dos meses que antecedem os eventos críticos de novembro de 2008 e setembro de 2011. Os totais mensais dos anos de 2008 e 2011 de cada uma das estações foram plotadas com a média de longo período nos gráficos da Figura 2, de onde os valores podem ser comparados entre si.

Para entender a magnitude dos eventos, foram calculadas algumas estatísticas básicas, como a precipitação máxima diária nos meses em que os eventos ocorreram, (Pmax nov/08 e Pmax set/11), o dia da máxima, a precipitação média das máximas diárias anuais (Pmed max), o total mensal nos meses em que os eventos foram observados (Pmensalnov/08 e Pmensalnov/08), as médias mensais de novembro e setembro (Pmed mensal) e a precipitação média anual (Pmed anual), que são mostradas na Tabela 2.

Em seguida foram analisados os eventos críticos diários de novembro de 2008 e setembro de 2011. A distribuição da chuva diária nos meses de todas as estações foram plotadas no gráfico da Figura 3.

Para analisar a magnitude das chuvas máximas observadas na região desde o início das leituras, foi feito um gráfico regional com as chuvas máximas de cada estação calculadas por ano hidrológico, como mostra a Figura 4. O resumo das cinco maiores chuvas diárias registradas em cada posto e o ano hidrológico em que ocorreram é encontrado na Tabela 3.

Por último foram calculados os períodos de retorno para as chuvas máximas diárias nos anos de 2008, 2011 e relativos também às chuvas diárias de 1983 e 1984, anos em que ocorreram desastres na região. Para o cálculo da posição de plotagem foi adorada a fórmula de Cunnane.


3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 Meses que antecedem os eventos, médias mensais e média de longo período

Figura 2 – Totais mensais dos anos 2008 e 2011 e média mensal histórica



Percebe-se que o mês de outubro de 2008, que antecede os eventos extremos de novembro desse ano, foi bastante chuvoso. Choveu mais que o dobro da média mensal em todas as estações analisadas. O mês de novembro foi extremamente chuvoso em todas as estações analisadas. Novamente em 2011, os meses que antecedem os eventos críticos de setembro foram extremamente chuvosos, com destaque para os totais precipitados no mês de agosto.

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