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CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO - UNIFRA

CURSO DE HISTÓRIA

HISTÓRIA DA AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA

AS CULTURAS ANDINAS PRÉ-INCAICAS


A região dos Andes Centrais ou Peru Antigo abrange o atual Peru, com exceção da selva amazônica, parte do Equador, o altiplano da Bolívia e o norte do Chile. Nessa região, lugar de grandes contrastes, viveu povos que forneceram aos Incas um enorme legado cultural.

Geograficamente é uma região de contrastes. A costa se estende por uma estreita faixa de terra no litoral do Oceano Pacífico, possuindo um clima desértico e semidesértico, devido à ausência de chuvas. Esta paisagem inóspita é quebrada pela existência de vales originados dos rios que descem da cordilheira e que desde épocas remotas favoreceram o desenvolvimento de povoações costeiras. Os rios exercem um papel importante, pois fertilizam a terra e possibilitam o desenvolvimento da agricultura, com o cultivo de batatas, feijões, cereais e nas áreas mais baixas, algodão, árvores frutíferas e coca. Estas populações consumiam principalmente o peixe, que também era comercializado com outras regiões.

A serra, na realidade corresponde à cordilheira dos Andes, e essas não podem ser comparadas às terras altas da Mesoamérica. Uma grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas nos leva a concluir que existem apenas duas estações: verão, durante o dia e inverno, durante a noite. Por suas condições climáticas estas terras não produzem milho e vegetais de zona temperada; em troca são cultivadas a batata e outros tubérculos.

Os planaltos surgem logo abaixo dos picos das montanhas e apresentam um solo seco com vegetação baixa, com pouca incidência de chuvas e onde se desenvolve a pecuária andina como lhamas, alpacas, vicunhas e veados. Os lagos e pântanos, típicos da região, fornecem os juncos para a construção de casas e barcos.

Na parte oriental da cordilheira dos Andes situa-se a planície amazônica, caracterizada por uma exuberante vegetação típica da selva tropical.

A Antigüidade exata das primeiras ocupações humanas da região, ainda é objeto de estudo. Alguns especialistas sustentam o povoamento ao redor de 22.000 anos, porém, só existem dados concretos a partir de 8.000 aC. Existem indícios do aparecimento de uma agricultura incipiente entre 7.000 e 5.000 aC. Por volta de 3 000 aC, as populações andinas passaram a se fixar em determinadas regiões, abandonando a vida nômade. Construíram suas casas e utilizou-se de trilhas tanto para o comércio como para as migrações sazonais Para o cultivo usavam um bastão com o qual revolviam a terra que iria receber sementes e água. A irrigação sempre foi uma preocupação das culturas dessa região, considerando o clima seco e desértico e a escassez de terras férteis. O desenvolvimento de uma tecnologia para construção de canais de irrigação permitiu um maior aproveitamento da água e o aumento da produção o que, por sua vez, possibilitou o crescimento demográfico e o surgimento de núcleos populacionais mais complexos.

Os conhecimentos arqueológicos atuais, afirmam que os setores norte e centro da costa foram o cenário do mais antigo desenvolvimento da vida sedentária. A utilização de recursos marinhos, coleta de vegetais e caça de animais, facilitaram também a formação de aldeias sedentárias não agrícolas. A diversidade geográfica e o relativo isolamento local contribuíram para acentuar o desenvolvimento local. Praticamente cada vale foi o cenário do nascimento de uma cultura. Por esse motivo pode-se afirmar que as culturas andinas se caracterizam mais pelas diferenças do que pelas semelhanças. As condições geográficas adversas, que exigiu desses povos uma constante luta pela sobrevivência, dificultou o contato entre os grupos que habitavam a região, fazendo com que alguns grupos permanecessem isolados. Os diversos níveis culturais existentes ajustavam-se a estrutura da organização estatal e social.

Temos poucas informações sobre as culturas andinas, pois eram ágrafas, isto é, destituídas de formas escritas, ideográficas ou iconográficas de linguagem, os testemunhos da sua existência – surgimento, desenvolvimento e extinção – se constituem apenas testemunhos etnográficos e arqueológicos obtidos em escavações desde o final do século XIX e através de crônicas colhidas junto à população local após o início da colonização européia, registradas principalmente por religiosos, militares e funcionários da Coroa Espanhola que acompanhavam as expedições de conquista.

As pesquisas arqueológicas indicam como culturas pré-incaicas, principalmente: a cultura Chavín que se desenvolveu no norte da Cordilheira e por toda a costa, apontada, a exemplo dos Olmecas na Mesoamérica, como a “cultura matriz” nos Andes; os Mochicas que habitavam o litoral norte do Peru, hoje com um significativo avanço nas pesquisas sobre sua cultura; os Paracas-Nazcas que ocuparam o litoral Sul do Peru; a cultura Chimu nas costa norte e a cultura Tiwanaku e Huari nos altos platôs andinos.


CULTURA CHAVÍN - 2000 aC a 200 dC


A cultura Chavin, descoberta e estudada a partir de 1919, localizava-se na região norte da Cordilheira dos Andes. Esta localização estratégica facilitou o desenvolvimento de relações comerciais com os povos da região e sua expansão nos Andes Centrais. Muito pouco ainda se sabe sobre esta cultura, o que demonstram as pesquisas é que a cultura Chavin, a exemplo dos Olmecas, teve grande influência na região, exercendo o papel de “cultura matriz”. Desta forma é possível falar de uma grande região marcada pelo chamado horizonte de Chavín. Seu principal centro urbano foi Chavin de Huántar, considerada como sua capital.

O espaço onde essa cultura mais se desenvolveu foi em um pequeno vale cuja terra não permitia plantações. Contudo, inúmeros caminhos vindos tanto do litoral como da selva ali desembocavam. As duas informações sugerem serem estas as trilhas que favoreciam o abastecimento, por esse motivo suspeita-se atualmente que os incas tenham aproveitado trilhas já utilizadas na região e não tenham sido os construtores de todos os caminhos existentes. Supõe-se que o sítio de Chavin de Huántar era um grande centro de peregrinação religiosa.

A cultura Chavin está ligada ao início da irrigação e ao uso de plantio em terraços na região dos Andes, dominando complicadas técnicas agrícolas. Suas construções em pedra e tijolos de barro resumem-se em um conjunto de belos templos datados do apogeu do seu domínio.

A principal característica da cultura Chavín foi à escultura marcada pelo relevo. As imagens esculpidas lembram guerreiros com suas vítimas decapitadas ou então cenas de sacrifícios. A analise dos desenhos demonstra o importante papel da guerra entre estas populações. Outro tema importante era a floresta com seus animais ferozes.

Os Chavins se destacaram pela fabricação têxtil e a produção de objetos de ouro, único metal que conheciam, fazendo com ele suas jóias de turquesas e conchas. A cerâmica possuía uma característica específica, apresentava cor negra com motivos geométricos, exercendo grande influência em outras culturas. Deformavam os crânios e pintavam os ossos dos mortos com uma tinta vermelha. Apresentavam semelhança com os Olmecas no culto ao jaguar. A cultura Chavin parece ter sido obra de missionários que conseguiram impor o culto do jaguar e o correspondente estilo artístico em outras aldeias. Os estudos demonstram que não existia unidade política, o domínio Chavin se deu através do intercâmbio de objetos de luxo para cerimônias ou oferendas funerárias.

Não existem evidências que possam apontar as causas do declínio da cultura Chavín, mas, de qualquer forma, deixaram muitas marcas nas civilizações andinas que se desenvolveram posteriormente. Por volta do ano 600 aC, diferentes povos da área andina possuíam um patrimônio cultural sólido que lhes permitiu um grande desenvolvimento. A arquitetura era monumental e a cerâmica, a metalurgia e a tecelagem evidenciavam um grande desenvolvimento.

Entre os séculos I e VIII da Era Cristã, vamos encontrar a cultura Mochica no litoral norte que pode ser caracterizada pela sua belíssima cerâmica, a cultura Chimu, também na costa norte e herdeiros da tradição Mochica, a cultura Paracas-Nazca da costa sul que produziu os mais belos tecidos bordados da América Indígena, a cultura Tiwanaku , no planalto meridional, construtora de estátuas monumentais e caracterizada por enigmas ainda não decifrados e a cultura Wari, com sua majestosa cidade do mesmo nome.
CULTURA MOCHE OU MOCHICA – 100 a 700 dC
A antiga cultura Moche estendeu-se pela costa norte do Peru, dominando os vales de Pacasmayo, Chicama, Moche e Virú. No seu período de maior desenvolvimento, viveram, na região, cultivando os vales férteis proporcionados por cheias periódicas, cerca de 50 mil habitantes que foram detentores do predomínio cultural na área durante 500 anos. Só recentemente a cultura mochica tem sido objeto de maiores estudos, em decorrência das descobertas de túmulos contendo objetos de cerâmica, tecidos e jóias, confeccionadas em ouro e prata, nas explorações em sítios arqueológicos no Peru.

Os mochicas eram agricultores de tradições pesqueiras. Suas cidades eram fortificações, fortalezas nas montanhas, centros administrativos e quartéis. A sociedade era patriarcal e as mulheres dedicavam-se às tarefas domésticas. Grande parte da população era constituída por camponeses, porém as descobertas apontam para uma sociedade dividida em várias classes, formada por militares, nobres e artesãos, como ourives e oleiros. No topo da hierarquia social encontrava-se o soberano e os sacerdotes.

Os mochicas destacaram-se especialmente na área de irrigação, realizaram grandes obras de engenharia construindo reservatórios, canais e aquedutos. No vale de Chicama, um dos canais de irrigação mede 120 km e, em Ascope, um dos aquedutos possui 2 km de comprimento com 15m de profundidade. O abastecimento de água proporcionou o desenvolvimento de safras agrícolas de frutas e legumes. A caça e a pesca também eram praticadas, proporcionando uma dieta alimentar rica. Extraiam o guano para o cultivo do milho, amendoim, pimenta, feijão e batata; utilizavam a coca para fins cerimoniais e medicinais. Domesticavam animais como o pato, coelho, lhamas e papagaio. Usavam armaduras feitas de algodão, escudos e lanças com ponta de bronze. A superação da necessidade de abastecimento de água gerou o crescimento da produção e da população, criando as condições necessárias para que os mochicas se expandissem por uma vasta região da costa norte do Peru até os Andes.

Na mitologia mochica o deus supremo era Ai-Apaec, deus da ordem, que enfrentava a figura mítica do puma, representante da desordem. Segundo suas crenças o deus, conhecido como degolador, necessitava dominar e vencer para que ocorressem boas chuvas e colheitas e invernos mais amenos. É a partir dessa mitologia que surge o sacrifício humano, para que o deus fosse alimentado com o sangue. Qualquer desequilíbrio climático ou até abundantes colheitas era motivo de rituais e mortes. Os sacerdotes também utilizavam os sacrifícios como forma de manter o poder e o controle da sociedade.

O maior centro cerimonial demonstra a habilidade na construção de templos e pirâmides construídos com o uso de adobe, uma delas, possuía 45 metros de altura. Os espanhóis denominaram essas construções de pirâmide do Sol e pirâmide da Lua. Achados arqueológicos recentes, com a descoberta de ossadas na Huaca de La Luna, principal templo mochica, apontam a realização de sacrifícios humanos com prisioneiros de guerra. Em 1987, arqueólogos encontraram a tumba do rei que ficou conhecido como Senhor de Sipán, por ter sido descoberta nessa cidade. A tumba continha os restos do Senhor de Sipán, ricamente adornado, tendo sido comparado a Tutankamon do Egito. No mesmo local, os arqueólogos encontraram ricos objetos que estimam proceder da Amazônia e de outras áreas como Chile e Equador. Os achados evidenciam a perícia dos artesãos mochicas no trabalho com metais nobres, revelando também a beleza e o acabamento na confecção da cerâmica.

Os mochicas eram hábeis na confecção de tecidos, cestaria e objetos de ouro, prata, cobre e pedras semipreciosas como a turquesa e lápiz-lasuli. Faziam máscaras de cobre e adornos de orelha, braços e cabeça e pequenas estátuas em ouro. Sua principal característica reside na produção de uma cerâmica perfeita que retrata todos os quadros da vida mochica (vasos retratos, jarros com asa e garrafas) com um grau de realismo que muitos consideram superior à dos maias. O estilo clássico da arte mochica é o chamado huaco-retrato que apresenta vasos que trazem no gargalo, esculturas mostrando personagens da política e cenas do cotidiano. A centralização e o poder do Estado mochica possibilitaram a existência de uma classe de artesãos que segundo os pesquisadores, foi a primeira a usar moldes. Nos túmulos foram encontrado mais de 100 mil vasos que permitiram um maior conhecimento da história dessas populações, os mesmos conjugando pintura e relevo, possuíam alças e bicos, imitando animais e figuras míticas. Eram decorados com desenhos, onde podem ser vistas cenas de caça, de guerra e de danças.

Pelo fato de não possuírem escrita hieroglífica, a transmissão de sua cultura estava baseada em relatos orais. Para os arqueólogos foi uma árdua tarefa a recuperação de informações que possibilitassem a construção da história dos mochicas. As informações existentes foram obtidas através da análise de objetos encontrados, o que nem sempre permite reconstituir de forma completa a vida desses povos.

Alguns pesquisadores afirmam que a cultura Moche foi o centro erótico mais importante da América, o que os leva a acreditar que tenha sido uma das causas do seu desaparecimento. Por outro lado, pesquisas recentes apontam os fatores climáticos, como secas duradouras e chuvas torrenciais, provocados pelo fenômeno do El Niño, como causa da sua decadência. No final do século VIII, os poucos sobreviventes abandonaram as cidades, pondo fim a um dos mais importantes impérios da América Andina.



CULTURA CHIMÚ – 1200 a 1460 dC
Os Chimús dominaram a costa setentrional do Peru, tendo sido herdeiros das tradições mochicas, sucedendo-os por volta do ano 1.200 da nossa era.

A cidade de Chan Chan (perto da atual cidade de Trujillo) era a sua capital. A cidade era caracterizada pela sua planificação (consistia em dez minicidades), com cerca de 200 mil pessoas e centralizava um verdadeiro império. Suas fortificações ocupavam de 6 a 18 km quadrados. No plano político e religioso os chimús reproduziram o despotismo militar hidráulico e o culto a Lua.

As construções eram feitas com adobe, material adequado para regiões onde as chuvas eram raras e os desenhos geométricos faziam parte da decoração desses edifícios. Os desenhos feitos em vasos representam, provavelmente, algumas cenas do cotidiano onde são vistos homens amarrados em árvores sendo comidos por aves de rapina ou mulheres jogadas em um precipício. A influência mochica encontra-se presente na cultura, na forma dos vasos, como também no uso da cerâmica preta feita com molde. Os chimús destacaram-se na metalurgia, utilizando o ouro, a prata, o cobre, uma liga de ouro e cobre e também o bronze.

Em seus mitos a presença das estrelas era grande, estando vinculadas à criação do homem. Crê-se que sacrificavam crianças de cinco anos nos ritos dedicados à Lua.

Provavelmente os chimús tenham influenciado os incas em suas formas de administração e cobrança de tributos. A sociedade era hierarquizada, demonstrando a presença de estruturas políticas bastante complexas. A cultura Chimú foi absorvida pelo Império Inca a partir do século XV.

CULTURA PARACAS - 1300 aC a 200 dC - CULTURA NAZCA - 100 a 1000 dC
Entre as populações que habitavam a costa Sul da região Andina, destacam-se os Paracas e os Nazcas.

A cultura Paracas sofreu a influência da cultura Chavin, influenciando, por sua vez, os Nazcas, especialmente no que diz respeito aos costumes fúnebres. As mortalhas que teciam demonstram muita habilidade na arte da tecelagem, suas roupas eram consideradas as mais belas e ricas da América Indígena. Os Paracas bordavam com lã ou algodão, utilizando-se de cores intensas onde reproduziam suas divindades. Adoravam o jaguar e alimentavam-se de peixes, mariscos e produtos agrícolas. De acordo com as pesquisas arqueológicas, afirma-se que realizavam complicadas operações no crânio. A figura feita de barro e cenas pintadas nas paredes se constitui no maior arquivo documental da cultura Paracas.

Os Nazcas ocuparam também o litoral sul do Peru, sendo os vales dos rios os lugares escolhidos para viverem. A cultura nazca parece ter tido uma grande importância na região, tendo sido contemporânea dos Mochicas.

Os cemitérios nazcas forneceram inúmeras informações para os arqueólogos. Os túmulos, devido a algumas características do terreno e do clima, permitiram a conservação dos objetos. Os mortos eram enterrados com os membros flexionados e embrulhados em vários panos cercados de objetos: vasos, comida, roupas, ornamentos, leques de plumas. Os tecidos que envolviam as múmias podiam medir até 30 metros caracterizando-se pelos admiráveis bordados.

Os túmulos indicam a habilidade construtiva desses povos e neles foram encontradas muitas múmias, cujos crânios haviam sido trepanados (o crânio aberto de uma pessoa com vida) Não se sabe bem o significado desta prática, talvez seja o resultado de alguma tentativa de recuperar uma cabeça que tivesse sofrido esmagamento parcial, pois fazia parte de suas técnicas de luta guerrear com cacetes.

A cerâmica nazca caracteriza-se pelo colorido e possui características diferentes das demais cerâmicas da região. Para sua confecção, utilizavam dez cores sendo, o mais empregado, o amarelo, vermelho, cinza, marrom, roxo, preto e branco e os motivos mais freqüentes eram de aves, peixes e figuras.

A arte plumária e a tecelagem também eram bastante desenvolvidas, bordavam e compunham desenhos em tecidos de algodão e de lã de lhama ou vicunha. Entre os metais conheciam o ouro e o cobre. Pela enorme quantidade de flautas, apitos e tambores que aparecem nas decorações foi deduzido que gostavam da música e da dança.

Acredita-se que seus governantes eram sacerdotes. O controle da água foi a sua maior preocupação, por isso realizaram grandes construções hidráulicas (aquedutos subterrâneos) com técnicas bastante desenvolvidas.

Os nazcas são conhecidos como os “artistas do deserto” pois faziam desenhos de proporções gigantescas no solo. Para desenhar retiravam o cascalho escuro e deixavam aparecer o solo mais claro. Os modelos dos desenhos, no início, referiam-se à natureza, tendendo posteriormente para formas geométricas como triângulos, trapézios etc. Para se ter uma idéia das dimensões, é necessário lembrar que esses artistas fizeram cerca de 300 figuras geométricas em uma extensão de 3,5 milhões de metros quadrados em área desértica. Ainda não se tem uma explicação convincente sobre o significado e objetivo desses desenhos que só podem ser vistos do alto. Entre as hipóteses levantadas, existe a de que tenha um possível significado astronômico ligado ao calendário, ou ainda, relacionado à natureza e aos períodos de plantio. Também já se pensou serem indicações de caminhos na busca de água.


CULTURA TIWANAKU – 600 aC A 1200 dC
Tiwanaku é um dos mais importantes sítios arqueológicos da região Andina, localizado a 3.900 m de altitude, a 20 km do Lago Titicaca, distando aproximadamente 80 quilômetros de onde hoje está La Paz, capital da Bolivia. De acordo com as crenças da região, a importância do lugar advém da lenda existente de que Con Tici Viracocha, criador do mundo, saiu de uma lagoa da província de Coolasuyu, no lago de Titicaca, e em Tiwanaku criou o Sol, a Lua, as estrelas, o céu e a Terra. Porém, na verdade, a origem dessa cultura é ainda um mistério.Tiwanaku pareceu ser, para muitos cronistas, a mais antiga ruína de toda região Andina. A seu respeito, Pedro Cieza de León assim se manifestou em La Cronica del Peru, de 1553 “tenho para mim esta antigüidade como a mais antiga de todo o Peru” acreditava também que Tiwanaku jamais fora construída inteiramente: “(...) e vê-se, pelo que se nota destes edifícios, que não foram concluídos”.

Tiwanaku representa o surgimento do "urbanismo andino" durante o período que vai de 200 aC até 1000 dC, tendo sua população atingido provavelmente a cifra de 90 000 habitantes distribuídos em 8 quilômetros quadrados. Durante esse período a cultura tiwanacota floresceu de tal forma que se transformou em rotas para caravanas, guarnições militares e centros mercantis e mineiros, atingindo um raio de 800 quilômetros.

As ruínas existentes apresentam seis conjuntos arquitetônicos com edifícios orientados segundo os pontos cardeais, os mais importantes são a pirâmide de 15m de altura e a Porta do Sol. Edifícios monumentais e praças formavam conjuntos complementados por subúrbios onde habitavam artífices e camponeses. Contudo, o seu solo era muito árido, não se encontrando indícios na região de uma agricultura capaz de abastecer toda a cidade. Os vestígios de milho, da batata e a presença de peixe no lago de Titicaca são alguns dos argumentos que podem explicar uma parte da história desta cidade. Ainda é desconhecida a função ou finalidade da cidade, as hipóteses apontam como sendo a capital de um extenso Império ou um centro de peregrinação. Os estudos levam a crer que Tiwanaku surge como centro religioso e se transforma em uma cidade artesanal, especializada em objetos de bronze, de turquesa e vasos de cerâmica de luxo. Os restos da cidade indicam a presença de quatro grupos de construção sendo que a famosa Porta do Sol faz parte de um deles. As construções guardam o caráter majestoso, sendo alguns monumentos talhados em apenas um só bloco de pedra. A arquitetura praticada distinguiu-se por uma técnica inovadora, que utilizava grampos de cobre para unir blocos de pedra maciça na construção de plataformas.

Tiwanaku exerceu grande influência sobre os territórios vizinhos devido talvez à necessidade de suprimentos de milho e algodão. As cidades dos tiwanakus se espalham pela bacia do lago e áreas urbanas são cercadas por centros cerimoniais que reúnem templos e pirâmides. Grande parte da riqueza provinha da agricultura, principalmente do plantio de batatas, feito em terraços recortados na montanha, sustentados por muros de pedra. Campos separados por canais que conservavam o calor do sol durante as noites geladas do altiplano protegiam as plantações. Como fertilizante extraiam o guano e utilizavam algas, produzindo boas colheitas, utilizando a coca para fins cerimoniais e medicinais. Domesticavam animais como o pato, coelho, lhamas e papagaio. Usavam armaduras feitas de algodão, escudos e lanças com ponta de bronze.

Como os demais povos andinos os tiwanakus não possuíam escrita, todos os dados sobre sua cultura forma levantados por meio de pistas encontradas por arqueólogos e historiadores. Os limites para o estudo de Tiwanaku crescem à medida que as escavações mostram a sobreposição de cidades. Inúmeras questões sobre a cidade permanecem ainda sem respostas. Um dos exemplos é quando procuramos compreender de que forma pedras enormes, com cerca de 131 toneladas, a 80 km de distância, foram levadas para essa localidade sem que se conhecesse a roda.

Inúmeras lendas confundiram por muito tempo os arqueólogos que se negavam a acreditar existirem palácios submersos no lago de Titicaca. Mas, apesar das desconfianças, em 1967 mergulhadores bem aparelhados descobriram ruínas no fundo do lago. Estas pesquisas, porém, são dificultadas pelas precárias condições do local e a temperatura do lago. Atualmente encontra-se em andamento um projeto de exploração do lago Titicaca, coordenado por uma organização não-governamental denominada Akakor Geographica Exploring. Dessa expedição fazem parte cientistas do Brasil, da Itália e da Bolívia que têm obtido bons resultados na exploração do lago, onde procuram provar que o seu nível era muito mais baixo no período que antecedeu os Incas, entre 5 mil a 10 mil anos atrás.

Hoje Tiwanaku é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. As ruínas do templo Kalasasaya, com a sua Porta do Sol, construída com base em cálculos astronômicos, que revelam de forma precisa os solstícios (dias mais longos e mais curtos) e equinócios (duração igual do dia e da noite) do ano, é visita obrigatória para quem vai à Bolívia.

A cultura tiwanacota parece ter influído a partir do século VIII, em toda a região do planalto boliviano e na parte meridional do Peru. Com a decadência de Tiwanaku inicia-se a expansão Wari. O seu desaparecimento ainda é um mistério para os pesquisadores. Especialistas acreditam que uma das causas tenha sido as alterações climáticas que afetaram a produção de alimentos, tornando inviável a sobrevivência na região.

Embora a cultura de Tiwanaco tenha influído em uma determinada área, esta dominação não correspondeu a um domínio político, porém durante dois ou três séculos ela foi uma importante capital antecipando o império Inca.

A ausência da escrita tem sido, como em todas as culturas andinas, o maior problema para recompor a história de Tiwanaku. O sitio, com suas construções e monumentos misteriosos apenas suscitam novas questões: Por que a cidade foi destruída? Por que a população abandonou o lugar? Uma epidemia? Lutas internas? Falta de alimentos? Talvez um dia consigamos descobrir os mistérios que envolvem o povo de Tiwanaku.


CULTURA WARI (HUARI) – 600 a 1200 dC
O Império Wari, localizado na região central dos Andes, foi o primeiro povo de mentalidade imperial em todo o continente americano. O Império Wari surgiu a partir de pequenas comunidades agrícolas no vale de Ayacucho, no Peru, nas encostas ocidentais dos Andes. Hoje, Ayacucho é uma cidade de tamanho médio, seus sítios arqueológicos são riquíssimos, basta escavar alguns centímetros, ou apenas caminhar por uma plantação e encontra-se algum caco de cerâmica wari. A maioria dos sítios waris não recebeu atenção dos arqueólogos no início do século XX, que ficaram mais impressionados com os monumentos de pedra deixados pelos tiwanakus.

Em seu auge, o império wari abrangia as partes mais elevadas dos Andes, estendendo-se para o norte por cerca de 1,5 mil quilômetros a partir da fronteira sul do país onde hoje é o Peru. Os waris controlavam colônias distantes, inclusive algumas ao longo do litoral sul do Peru. Wari, cidade vizinha e contemporânea de Tiwanaku, expandiu-se para o norte mais tarde, ou seja, no século XI. Ambas realizaram a difícil tarefa de aproximar as populações andinas.

Situada em local sem recursos hídricos, região árida dos Andes, os waris empregam seus esforços na construção de obras hidráulicas (construção de canais).A cultura Wari foi a grande difusora da cultura de Tiwanaku com quem estabeleceu um intenso intercâmbio. Suspeitava-se, por algum tempo, que Wari teria sido um núcleo de Tiwanaku, hoje, porém, sabe-se que foram culturas distintas. A cultura Wari caracteriza-se pela construção de palácios e templos, tendo formado um vasto império, sustentado por um exército bem equipado.

A principal cidade era Wari que possuía em torno de 40 mil habitantes. Era uma cidade majestosa com templos, pátios, palácios, túmulos reais, e moradias com vários pavimentos. A maioria das paredes e construções era recoberta com gesso branco. A partir de sua capital branca e luminosa, os waris dirigiam os negócios do império, administrando tudo, desde a fabricação de cerâmica na vizinha Conchopata até a produção de milho em colônias distantes. E faziam tudo sem o auxílio da escrita. Para exercer seu domínio construíram inúmeras cidades fortificadas nas zonas conquistadas (Cajamarca, Pachacamac). Sua economia estava baseada na agricultura e criação de gado (lhamas e alpacas), destacando-se também na fabricação de cerâmica. Os waris necessitavam enormes quantidades de milho para suas cerimônias oficiais, que conservavam o império unido. As pesquisas mostram que os waris chegavam a relocar aldeias inteiras, transferindo a população das regiões mais altas, onde cultivavam a batata, para áreas mais baixas, onde eram forçados a plantar milho – prática que os incas adotaram séculos depois. Os incas assimilaram dos waris os métodos práticos de administração do império, mas, quanto a assuntos espirituais, basearam-se nos tiwanakus.

As últimas descobertas sobre os Wari, revelam um povo que praticava sacrifícios – de seres humanos e de animais – em rituais religiosos e talvez também ordenados pelo Estado. Os motivos usados nas cerâmicas demonstram que os waris era um povo agressivo, que provavelmente sacrificava os prisioneiros capturados em batalhas. Os jarros waris eram objetos de propaganda oficial, transmitindo mensagens relativas às crenças religiosas, ao terror e ao poder.

Existe a hipótese que grande parte dos caminhos Incas tenham sido construídos pelos waris. O que sabemos é que uma rede de estradas foi construída muito antes dos espanhóis chegarem à América, sendo algumas delas utilizadas até hoje. A ausência da escrita tem sido, como em todas as culturas andinas, o maior problema para recompor a história desses povos.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CIEZA de LEÓN, / Pedro. Grandeza de los Incas. México: Ed. Fondo de Cultura Económica, 1997.

DIEZ CANSECO, Maria Rostworowski. Historia del Tahuantinsuyo. Lima: IEP/Promperú, 1999.

MURRA, John Victor. El mundo andino: poblacion, médio ambiente y economia. Lima: IEP, 2002.

FAVRE, Henri. A Civilização Inca. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

FREITAS, Luis Carlos Teixeira. História do Tahuantinsuyo. Disponível em http://www.luzcom.com.br. Acesso em: 12/07/04.

THEODORO, Janice. Texto disponível em www.fflch.usp.br/dh/ceveh. Acesso em: 23/04/2005.

CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO

CURSO DE HISTÓRIA

HISTÓRIA DA AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA


INCAS – 1300 - 1572


Os povos da região andina que se desenvolveram no período pré-incaico forneceram uma grande herança cultural para as culturas posteriores. A história da América Indígena, tão desconhecida por nós, não pode ser reduzida a Incas, Astecas e Maias apenas porque eles foram contemporâneos dos espanhóis na época da conquista. A inúmeras culturas aqui existentes durante milênios, deixaram um legado cultural que os Incas, como outros povos da América, foram herdeiros.
A origem e formação

A história inca nos conta que o Inca, 250 anos antes da conquista, era apenas um chefe de clã que controlava uma tribo. Através de políticas de casamento, tenderam a aumentar o território sobre o qual tinham domínio.

Existem diversas lendas que narram a origem dos incas. A mais conhecida delas conta que Manco Capac que era chefe de um grupo índio, sentiu-se ameaçado pelos seus três irmãos. Então enviou Ayar Cachi buscar uma lhama sagrada em uma caverna. Chegando lá, foi atacado por um outro homem lá permanecendo até hoje. Os outros dois irmãos, lutando entre si, acabaram por se transformarem em duas pedras sagradas. Assim, Manco Capac tornou-se o primeiro governante inca. Na busca de terras férteis, dirigiu-se para o vale de Cuzco onde encontrou três tribos de etnias diferentes com as quais disputou a terra vencendo os antigos ocupantes.

Durante 200 anos as lutas se sucederam. Mas a expansão dos Incas só teria se tornado mais agressiva, no início em 1438, quando Pachacutec, chefe militar muito hábil, conseguiu vencer os chancas, seus inimigos poderosos.

A partir desse momento, Pachacutec obtendo hegemonia militar, inicia uma série de campanhas na região de Cuzco. Depois caminha em direção ao vale de Urubamba e, em seguida, ao longo dos Andes dominando muitas tribos. Tantas vitórias o levaram para o Sul, onde atacará os aymaras estabelecidos em torno do lago Titicaca.

Pachacutec foi sucedido pelo seu filho que procurou reconstruir Cuzco e, especialmente organizar a agricultura para obter bons excedentes agrícolas. Conquistou o Reino de Quito e o Império Chimu, em 1463, de quem sabiamente herdou as formas de administração e tributação. Atravessando a Bolívia, chegam ao Chile entrando em combate com os índios araucanos que viviam a 2700 km de Cuzco!

Tupac Yupanqui assume em 1470 e a sua administração representa um momento importante em que se organiza uma complexa estrutura administrativa. Assim, foi possível para ele controlar as regiões distantes do império. As estradas foram de muita importância para o funcionamento adminstrativo.

Em 1493 morre assassinado Tupac Yupanqui deixando o poder para Huayna Capac que era ainda uma criança. Ele assumirá o governo mais tarde dedicando-se a combater tribos rebeladas em Quito. Em 1528 morre em meio a uma epidemia de varíola que causou a morte de mais de 200 mil pessoas. A luta pela sua sucessão entre seus filhos Huáscar e Atahualpa e a chegada dos espanhóis anunciam a desestruturação de um grande império com aproximadamente 8 milhões de habitantes. A marca principal dos incas foi seu poderio militar a partir da dominação de Tiahuanaco na região do lago de Titicaca em 1445 e, especialmente, depois de 1470. Portanto, o império inca era muito recente quando os conquistadores espanhóis aqui chegaram.


A expansão do Império
Além de conhecer o fortalecimento e expansão do império Inca, é importante saber que, para os Incas a paz e não a guerra era valorizada cotidianamente. Contudo, foram as vitórias obtidas frente à invasão Chanca que permitiria um novo equilíbrio político nos Andes. E, para manter sob controle diferentes populações índias, eram necessárias constantes campanhas militares.

Pela grande extensão do Império, as diversidades étnicas dificultavam o controle político tornando a integração entre comunidades índias motivo das maiores e mais constantes preocupações.

A guerra será incorporada ao cotidiano dos incas e dos povos que eles irão dominar como um importante elemento de mobilidade social. Ela permitirá a um guerreiro obter prestígio através de seus feitos, colocando-o em um novo patamar social.

Neste sentido, os grupos étnicos dominados, à medida em que participavam do império passavam a incentivar guerras que lhes proporcionassem melhorias nas condições de vida. Os pequenos grupos étnicos, entretanto, ao compreenderem as vantagens de integrarem o império, abriam mão do seu isolamento aceitando a tutela do inca. Apesar das vantagens obtidas, nem sempre todas as comunidades estavam dispostas a aceitar a dominação. No extremo norte, por exemplo, diversos grupos índios optaram pelo enfrentamento constante dificultando a manutenção do império.

Como os Incas se expandiram por uma área extremamente vasta em um curto espaço de tempo, tornou-se difícil organizá-los e mantê-los ligados a um projeto federativo. As diferenças entre os grupos submetidos eram muito grandes. O império abrangia uma área compreendida desde o sul da atual Colômbia até o Chile, ou seja, sua extensão que correspondia a cerca de 3.000 km de comprimento por 500 de largura. O Império Inca era considerado os Império dos Quatro Cantos ou quatro províncias: Chinchasuyu, ao norte, Kollasuyu, ao sul, Antisuyu, a leste e Kuntisuyu, a oeste.

Cuzco, principal cidade e centro do império, também era sub-dividido em quatro regiões. Quatro estradas partindo de Cuzco cortavam todo o império tendo uma importância fundamental na manutenção da unidade.





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