Carta de abertura



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Carta de abertura



Reavivar a chama!



Ano vocacional marista

Irmão Seán Sammon, FMS


6 de junho de 2004

Filhos de uma nova estação
Tira o calçado,
despe estas grossas roupas
que escondem o jogo de teus gestos,
os reflexos aveludados de tua pele,

o que é realmente belo em ti.

Pressionado, convocado pelo amor,
tu luzirás em chamas,
para tornar-te uma sarça ardente
da qual, sob os traços de um anjo,
uma realidade nova emergirá.

Nós chegamos de longe,


Uma vaga de movimentos,
de preces e pensamentos,
um longo rio de dores.
Não veremos nós
Com uma alegria fremente
A espada de fogo,
O braço de luz estendido para nós,
Cortar as águas,
Tocar nossa nudez ?

Catherine de Vinck (1967)


A vitalidade do Instituto nasce desta experiência e se manifesta por nossa fidelidade pessoal, pela fecundidade apostólica, pelo despertar das vocações.

Constituições e Estatutos, 163.


Estimados Irmãos e todos que estimais o carisma de Marcelino Champagnat,


Em Roma é o amanhecer. Ontem celebramos a vigília da festa do Fundador. Os convidados partiram e a casa reencontrou a tranqüilidade das primeiras horas de um novo dia. Que melhor momento que a aurora do dia de são Marcelino para iniciar uma carta sobre o despertar das vocações de seus Pequenos Irmãos de Maria !

No dia 8 de setembro de 2004, iniciaremos, no Instituto, um ano de intensiva promoção das vocações. Juntai-vos a mim, por favor, para viver este tempo de graça. Como muitos entre vós, eu creio que Deus continua a tocar os corações dos jovens e os chamar para as várias vocações na Igreja. Comprometamonos, pois, a fazer tudo o que pudermos para suscitar uma resposta generosa, quando concentramos nossos esforços sobre estes apelos para nosso tipo de vida e nossa missão de Pequenos Irmãos de Maria. Nossas Constituições e Estatutos nos recordam que agir assim é um sinal de nossa vitalidade enquanto Instituto. (C 163).



DESPERTAR DE VOCAÇÕES
Revistas bem elaboradas, anúncios sedutores, apresentações vivas e sérias que revelam nossa vida e nosso apostolado, são meios aprovados e úteis para cultivar as vocações. Cada um à sua maneira ajuda os jovens, seus pais e nossa Igreja em geral a melhor compreender quem somos, o que pretendemos fazer e o que estimamos e julgamos mais precioso.

Dito isto, não será talvez a vida de milhares de irmãos, considerada individualmente, depois de quase duzentos anos de história do Instituto, que constitui o meio mais poderoso e mais eficaz, posto à nossa disposição, para despertar as vocações ?

Assim, a história de nossa vocação é uma excelente introdução para quem deseja melhor compreender a finalidade do ano que inauguramos. Por vezes, é muito bom nos questionarmos sobre o que nos determinou a sermos um Pequeno Irmão de Maria e a perseverar nesta vida.

Minha própria história começou com o encontro de alguns irmãos que lecionavam e dirigiam a escola secundária que freqüentei no centro de Nova Iorque. Apesar dos anos, posso recordar o que havia nestes homens que seduziam minha imaginação e meu coração. Eram claramente religiosos que se sentiam felizes de trabalhar juntos com a maior dedicação. Havia também o espírito de sacrifício tão evidente entre eles, e que, de uma certa maneira, atraía minha alma de adolescente.

Sobressaía também a paixão. Não podemos negligenciar este aspecto importante porque ele está no coração de toda vocação digna deste nome. Ainda que não o tivesse reconhecido naquele momento, percebo agora que este pequeno grupo de irmãos contava com homens de uma grande paixão. Retrospectivamente, posso ver que no seu amor por Jesus Cristo, sua Boa Nova e nós, seus alunos, estes irmãos partilhavam conosco algumas das qualidades que o Fundador tinha cultivado neste grupo de jovens que nós conhecemos hoje sob os nomes de Francisco, Lourenço, João Batista, Dominique, Luis Maria.

Mesmo hoje, surpreendo-me da subtileza com a qual Deus operou em minha vida, apesar de que nunca teria pensado em utilizar esta linguagem na idade de 14 anos.

Devo pois reconhecer que, cedo em minha vida, fui privilegiado de encontrar homens que sentiam-se felizes em ajudar um grupo de jovens, talvez meio rudes, a crescer e a se aconchegar a Deus. E eram também tão simples. Estes homens, dos quais alguns ainda eram jovens, estavam prontos a perder seu tempo por nós. Seu tempo era sua única riqueza, e eles o partilhavam livremente e generosamente conosco.

Pode ser por imitação ou pelo mistério da graça, que nos anos subseqüentes, alguns de meus momentos mais felizes os tenha vivido entre os jovens, partilhando seu mundo, suas esperanças e seus sonhos, seus temores e suas inquietudes, suas dúvidas de fé.

Antes, pois, de ir mais longe, permitam-me que vos convide a refletir a história de vossa própria vocação. E depois de o ter feito, porque não partilhar vossos sentimentos com alguém? Não concebo maneira mais propícia para dar início a este ano das vocações.

VOCAÇÕES PARA A MISSÃO E NÃO PARA SOBREVIVER
A promoção das vocações nunca deveria ser empreendida com o único objetivo de sobrevivência. Não pode ser reduzida a uma questão aritmética. O número de membros não é necessariamente um sinal de viabilidade, como a idade não será sempre garantia de vitalidade.

Nosso zelo pela missão, mais que nosso desejo de sobreviver «a qualquer preço,» deve ser a razão de despertar as vocações. Esta tradição vem do tempo do Padre Champagnat. A história viva de nosso Instituto nos diz que foi a visita de Marcelino à cabeceira de Jean-Baptiste Montagne que o convenceu da necessidade de fundar uma comunidade de irmãos com a finalidade de proclamar a Boa Nova de Deus às crianças pobres e aos jovens.

A história nos é familiar. Chamado à cabeceira de um adolescente moribundo que se chamava Jean-Baptiste, o Fundador deu-se conta que o jovem não sabia nada das verdades da fé. Marcelino o instruiu e lhe administrou o que se chamava então, os «últimos sacramentos». Pouco depois, repassando pela residência do jovem, o padre inteirou-se que ele havia tinha morrido.

Muitas vezes me interroguei sobre os pensamentos e os sentimentos do Fundador quando retornou à paróquia de Lavalla naquela tarde. Podemos imaginar seu passo acelerado nesta caminhada de mais de três horas.

Contudo, sabemos que na sua volta, ele encontrou quase imediatamente Jean-Marie Granjon, que tinha sido soldado no exército de Napoleão. Imaginem a conversa que se seguiu sobre a ponte perto do que hoje é l’Hermitage

Para Marcelino, a missão estava clara, as razões para fundar uma comunidade de irmãos eram evidentes. Tão claras e tão evidentes que durante sua conversa sobre a ponte, sua paixão conquistou o coração do antigo soldado e o persuadiu a juntar-se a Marcelino para viver a aventura dos Pequenos Irmãos de Maria.

O Fundador amava as crianças e os jovens de seu tempo. Mais de uma vez ele disse : « Não posso ver uma criança sem lhe querer dizer quanto Jesus a ama, e quanto eu a amo.» No mundo em que vivemos, tantas crianças e jovens são explorados :vítimas das guerras, do tráfico humano, crianças de rua. Privadas da instrução e de outros direitos humanos fundamentais, elas têm desesperada necessidade de ouvir a Boa Nova de Deus.

Pergunto-vos, pois, se credes como eu que a missão de nosso Instituto é tão importante e urgente hoje como o foi no tempo de Marcelino, e que o será no futuro. Sendo sim a resposta, reconheçamos que o despertar de novas vocações não será para nós um mero passa-tempo. Bem pelo contrário, devemos desenvolver um plano de ação para promover as vocações e encontrar meios de o concretizar.



Uma primeirasérie de desafios
Consideremos inicialmente alguns desafios.

Começo por um desafio para meus irmãos do Instituto. Querendo fazer da promoção de vocações nossa prioridade no próximo ano, para a maioria de nós, para não dizer todos, teremos de reorganizar nossos compromissos de maneira a liberar 20 por cento de nosso tempo para realizar esta tarefa. Por que 20 por cento ? Porque temos muito a aprender e muito a fazer.

Todos podemos invocar excelentes motivos para não nos implicar : falta de tempo, exigências de nosso apostolado, nossa idade, etc. Quem de nós já não ouviu esta ladainha?

No entanto, se desejamos assegurar o futuro da missão e da vida de nosso Instituto, ao invés de procurar desculpas, devemos nos envolver com grande entusiasmo no trabalho deste ano consagrado à promoção das vocações.


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Questões para refletir
Buscai um momento para recolher vossos pensamentos. E então, interessai-vos pelas seguintes questões. Pode ser que desejeis fazer algumas anotações que poderão ser úteis para partilhar vossas reflexões com outros.


  1. O que é que vos atraiu na vida e na missão maristas e vos determinou a nelas perseverar ? Explicai vossa resposta.




  1. Credes que nossa missão marista é tão necessária hoje como o foi no tempo de Marcelino ? Caso positivo, por que ? Caso negativo, por que não ?




  1. Qual é vossa opinião à idéia de destinar 20 por cento de vosso tempo durante o próximo ano para trabalhar no despertar de vocações maristas ?

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Uma palavra aos nossos auxiliares leigos. Convido-vos a juntar-vos a nós nestes próximos doze meses para orientar os pais, os jovens confiados aos nossos cuidados e à Igreja em geral, sobre o que constitui a natureza de nossa vida e de nosso apostolado de irmãos na aurora do XXI século.

Vós nos conheceis e conheceis o que valorizamos e consideramos como precioso. Aju-dem-nos a encontrar o meio de tornar-nos conhecidos pelos outros como vós nos conheceis. Ajudem-nos convidando jovens que têm as qualidades requeridas a descobrir que nosso tipo de vida poderá ser possível para eles.

É sem hesitação que considero a função de convidar novos membros a se unirem a nós como nossa prioridade. Todos quantos partilham o carisma do Fundador deveriam ser entusiastas da idéia de promover o tipo de vocação que ele sonhou. Há ainda tantas crianças e jovens que esperam a proclamação da Boa Nova que nem podemos imaginar.

Que acontecerá se nós — irmãos e colaboradores leigos — decidirmos a não nos interes-sar decididamente à promoção das vocações ou a não nos darmos tempo suficiente para trabalhar neste importante apostolado ? Quais serão as conseqüências ? O menos que alguns poderão dizer é que se não agirmos de uma forma decidida, comprometemos o futuro do nosso tipo de vida e nosso apostolado.

Outros, mais severos em seu julgamento, dirão que, se não agirmos, não merecemos sobreviver.
O MUNDO DOS JOVENS
Num Instituto da envergadura do nosso, pode-se dizer algo de útil sobre o « mundo dos jovens ? » De fato estamos presentes em 77 países. Alguns destes são ricos, outros, pobres ; vários são cristãos, outros apresentam grande diversidade religiosa. Múltiplos sistemas políticos estão presentes. É por isso que o « mundo dos jovens » oferece visões bem diferentes para nós.

Além disso, em determinadas regiões do mundo, os jovens conhecem muito bem nosso tipo de vida em função de prolongados contatos com os irmãos, mas em outras regiões, os jovens iniciam nossos programas de formação sem conhecer nem Fundador nem nossa vida de irmão. Em certos lugares, eles provêm de culturas não cristãs cujas tradições e costumes locais questionam práticas seculares da vida religiosa.

À luz destas diferenças, devemos ter atitudes de prudência quando falamos da geração futura. Antes que tentar criar uma imagem diversificada, eu referirei alguns fatos a respeito dos jovens nas diversas partes do mundo.

Lendo as páginas seguintes, fazei como se estivésseis folheando um álbum, descobrindo fotos que revelam algumas das numerosas imagens que nosso Instituto oferece ao mundo.


a. Falai-nos de sacrifício
Há alguns anos, visitei uma de nossas escolas no sul da Austrália. Pedi ao diretor se poderia ter um encontro com os alunos do liceu. Encontrei-me com uns trinta jovens, rapazes e moças da última turma.

Em nossa conversa, fiz um comentário acompanhado de um questionamento: « Não há muitos jovens que se comprometem na vida religiosa no meu país e o mesmo ocorre aqui na Austrália. Podeis me ajudar a compreender o porquê ?»

Um jovem, chamado George, me respondeu: « Seán, uma parte do problema vem do fato que tua geração já não fala de sacrifício à nossa geração. » Sua resposta me espantou.

George continuou: « Vossa vida é de sacrifício, todos podem se dar conta. Mas os irmãos continuam a me dizer que se trata de uma vida como as outras. Mas sendo uma vida como as outras, porque deverei lhe consagrar minha vida ? »

Onde quero chegar? Não procuramos saber o que os jovens pensam, sobretudo no que concerne à vida religiosa. É triste dizer, mas muitas vezes assim procedemos. Ou, pior ainda, aceitamos facilmente o que a mídia nos diz de suas atitudes, de seus pontos de vista. Tentai falar com os jovens diretamente. Muitas vezes, então, tereis uma imagem diferente.
b. Comunidade e oração,espinha dorsal da missão
Falai com os jovens e descobrireis rapidamente as diferenças entre gerações que existem hoje na Igreja e na vida religiosa. A missão, a comunidade e a oração, por exemplo, são mencionadas como constituindo a espinha dorsal da vida religiosa. Ainda que uma geração de irmãos de mais idade não tenha esquecido as duas últimas, ela muitas vezes privilegiou a primeira.

Conseqüentemente, as questões que muitos jovens se põem em determinadas regiões do mundo a respeito da espiritualidade, de Jesus, da oração e da fé, muitas vezes, inquietaram irmãos de idade madura. Sua inquietação vem do que eles temem, que os jovens se afastem da missão para interessar-se por uma espiritualidade que se poderia resumir pela expressão : « Só Deus e eu. »

Estes questionamentos dos jovens sobre a oração e a fé podem ter conseqüências muito diferentes e indicar uma espiritualidade que fala mais aos espíritos e aos corações das pessoas hoje. Sim, pode ser que suas inquietações face ao statu quo, os levem a descobrir novas maneiras de louvar Deus.
c. Alguns mais «ortodoxos »
Em numerosos países do mundo dito « desenvolvido », as irmãs, os padres e os irmãos vos dirão que alguns jovens que pedem para entrar na vida religiosa hoje, parecem mais ortodoxos que muitos membros de congregações nas quais pedem para serem admitidos. Efetivamente, irmãos mencionaram este fenômeno, por vezes.

Levantaram-se diversas opiniões para explicar. Uma delas, que me parece muito bem fundamentada, é que, em numerosos países, os jovens católicos foram pouco formados na fé porque a instrução religiosa recebida na escola negligenciava nossas sólidas tradições. Esta ignorância dos assuntos da fé despertou uma fome por respostas mais claras e mais consistentes.

Em alguns países, a geração atual foi testemunha de mudanças assombrosas. Seus membros aspiram agora a uma maior estabilidade.
d. Quem somos nós? Que consideramos precioso ?
Quando convidamos um jovem a abraçar nosso tipo de vida, deveríamos ser capazes de lhe dizer o que consideramos precioso para nós e o que nos distingue dos outros grupos na Igreja. Mais simplesmente, nossa identidade deve ser clara e nossa missão bem definida. Mas para isto, devemos fazer escolhas quanto ao nosso tipo de vida e nossa missão enquanto Instituto.

Hoje, muitos jovens querem ardentemente doar-se a uma causa que exija paixão e compromisso. Aqueles que se interessam pela vida religiosa não pensam de outra forma. Eles querem participar de algo de grande e viver sua vida de uma maneira que fará toda a diferença. Isto significa servir Deus de uma forma radical, o que só é possível em comunhão com outros.

Eles compreendem, por exemplo, que a comunidade pode ser vivida de diferentes formas. Ao mesmo tempo, eles querem viver juntos, não de uma maneira banal, mas com pessoas que partilham sua visão e seus valores. Desejam participar numa comunidade que fundamente sua ação sobre a atenção e o apoio recíprocos e sobre uma vida de oração.

Ainda mais, estes jovens querem falar de Jesus, de oração, de fé e do sentido de uma relação com Deus que exige sacrifício. Ficam desconcertados quando descobrem que alguns entre nós ficam estranhamente silenciosos sobre estes aspetos. Sobretudo, querem uma vida religiosa que seja exigente para eles.


e. Felicidade
Isto diz, que muitos jovens estão convencidos que Deus quer que eles vivam uma vida autêntica e que eles sejam felizes. Não nos apressemos em julgar sua busca de felicidade como uma maneira de ser egocêntrico. Além disso, o contrário de felicidade não é tristeza, mas, antes, letargia.

A vida dos santos não nos ensina que o sofrimento torna feliz. Bem pelo contrário, ela nos ajuda a compreender que tomando o caminho da santidade, nós fazemos nossa própria experiência de felicidade, para a qual o sofrimento não é necessariamente um obstáculo.

Vendo que os jovens de nosso ambiente, ainda que animados por estes ideais, não se interessam pela vida religiosa, devemos nos perguntar porque. A vida religiosa convém àqueles que buscam um desafio, uma vida de sacrifício e de serviço. Seria preferível aconselhar a um jovem que se interessa pouco por estes aspetos, da escolher um outro tipo de vida. A vida religiosa contemporânea nunca deveria ser o refúgio daqueles que buscam o conforto.

Enfim, há dois outros aspectos que merecem ser mencionados por causa da confusão que eles podem trazer aos jovens que se interessam pelo nosso tipo de vida. O primeiro é o tema do compromisso permanente e o segundo é a castidade celibatária e a sexualidade. Os abordaremos a seguir.


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Questões para refletir
Reserva algum tempo para pensar em jovens que conheces. Podem eles ser membros de tua família, filhos de amigos, alunos, os que encontras em teu apostolado, jovens de tua paróquia, etc. Depois de refletir sobre eles, passa para as seguintes questões.


  1. Que mais admiras na geração atual ? Reserva-te um instante para explicar tua resposta em detalhes.




  1. O que mais te desconcerta entre os jovens que conheces ? Aqui também reserva instantes para explicar tua resposta.




  1. Hoje, que qualidades buscas num jovem candidato à vida marista ?

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f. Compromissos permanentes
Em certas culturas, onde nosso Instituto está presente, nos é necessário contestar as idéias recebidas sobre os compromissos permanentes. Em alguns lugares da Europa, da América do Norte e do Pacífico, por exemplo, nos dizem que numerosos jovens hesitam em tomar decisões definitivas. Sua hesitação vem em parte daquilo que eles observaram durante seus anos de crescimento: a desintegração da família e o soçobro de numerosas instituições veneradas. Muitos jovens crêem também serem mais livres se eles « mantêm suas opções abertas. » Esta noção é errada.

Devemos dizer a estes jovens que os compromissos permanentes são conciliáveis com a liberdade. Ser realmente livre significa ser autônomo. E qual a melhor maneira de realizar a autonomia do que se dar estabilidade ?


g. Falar abertamente da castidade celibatária
A castidade celibatária é uma outra área para a qual é preciso educar. No passado, aquele que perguntava a um irmão por que ele tinha escolhido a vida de castidade celibatária, poderia ter a resposta : « Pelo Reino, para amar todo mundo e não apenas uma pessoa, para estar disponível. » E então a discussão ficava encerrada.

Mas, os tempos evoluiram! Se ninguém ía mais longe no passado, já não é mais o caso, hoje. E ainda, as respostas clássicas, por mais válidas que sejam, satisfariam poucos jovens hoje.

Em acréscimo a estas dificuldades, poder-se-iam citar os casos recentes de agressão às crianças e de escândalos sexuais que envolveram padres e irmãos. Eles levaram várias pessoas a se perguntar se a castidade celibatária era um meio sadio de viver sua sexualidade.

Duas observações. Primeiramente, a maioria das pessoas que se questionam a respeito da castidade celibatária o fazem por curiosidade. Afinal de conta, só uma pequena porcentagem da população escolhe esta maneira de viver sua sexualidade.

Em seguida, respondendo às questões sobre este aspecto de nossa vida, recordai-vos que não somos assexuados. A castidade celibatária é uma maneira de ser uma pessoa sexuada. A vida espiritual deve também estar no coração de nossa vida de castidade celibatária. Enfim, disciplina, ascetismo, solidão e o senso de humor são necessários para viver uma vida de castidade celibatária em plenitude. Mas não se trata de qualidades exigidas para toda forma de vida ?

Entretanto, quando as pessoas manifestam sua curiosidade sobre nossa vida de castidade celibatária, o que a interessa realmente é saber o lugar que a intimidade ocupa na nossa vida. Elas querem saber antes de tudo se uma intimidade verdadeira é possível na vida religiosa. A melhor maneira de responder a esta pergunta é de lhes fazer observar a presença de pessoas bem equilibradas que, em nosso Instituto, têm verdadeiros amigos e que podem facilmente se relacionar com os outros.



UM PLANO PASTORAL PARA DESPERTAR VOCAÇÕES
Em 1822, Marcelino Champagnat enfrentou uma crise de vocações, a primeira na história do nosso Instituto. Como respondeu ele ? Passando à ação, a começar por uma peregrinação à capela de Nossa Senhora da Piedade. Eis um exemplo a seguir.

CULTURA DAS VOCAÇÕES
Hoje, muitas pessoas utilizam a expressão cultura das vocações para descrever o ambiente favorável ao desabrochar e consolidar de uma vocação. Tal cultura pode se desenvolver no Instituto no decorrer do próximo ano, se acreditamos que existem vocações para os Pequenos Irmãos de Maria, e que com a graça de Deus e nossos esforços humanos, nós as podemos descobrir e cultivar.

Um outro instrumento importante para despertar as vocações é um plano de pastoral para nos ajudar a organizar nosso trabalho a fim de tornar conhecido nosso tipo de vida e nosso trabalho apostólico. Algumas Províncias e Distritos já puseram em execução um plano bem elaborado. Nesse caso, o ano que vem lhes oferecerá a oportunidade de revisar e avaliar sua eficácia.

As Províncias e Distritos sem um plano terão tempo suficiente para criá-lo no decurso dos próximos doze meses.

Algumas observações. Antes de tudo, todo plano deve ser detalhado e inclusivo : a Província ou o Distrito, todos seus membros, toda comunidade e toda obra. Cuidem para incluir neste plano todos aqueles que partilham o carisma de Marcelino e que desejam inserir-se neste trabalho de promoção das vocações no próximo ano.

Depois, elaborando este plano, seria bom nos concentrar sobre o que pode ser feito antes que nos lamentar sobre coisas que não podem ser mudadas. Por exemplo, em algumas regiões do mundo, as famílias são menos numerosas do que no passado, os jovens enfrentam um maior leque de opções de vida e eles se comprometem mais tarde com a vida. Ninguém, nem vocês e nem eu podemos mudar estas realidades.

Contudo, podemos sempre convidar jovens a abraçar nosso tipo de vida e nosso apostolado, abrindo-lhes nossas residências e nossos corações. Podemos também auxiliar estes jovens, seus pais e a Igreja em geral, a compreender tudo o que se passou na vida religiosa e no nosso Instituto durante os 40 anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II. Sim, muito podemos fazer pela promoção das vocações ! Lancemo-nos nisto com audácia e deixemos de deplorar o que não podemos mudar.

Redigindo este plano, asseguremo-nos de que ele está adaptado à cultura em que vivemos. A idéia de ter um plano pastoral universal para a promoção das vocações no Instituto todo seria utópico. Existem diferenças entre as regiões e os costumes variam; o que é apropriado numa região do mundo pode ser estranho em outras.

Conseqüentemente, o que encontrareis nas páginas seguintes não são senão idéias para estimular a reflexão. Planejando este ano, sede também criativos. Cuidai para planejar em nível da Província ou do Distrito, da comunidade e da vossa obra. Não deixeis de incluir neste planejamento o que preveis fazer pessoalmente durante estes doze meses para promover as vocações de irmão marista.


a. Província ou Distrito
Para que nosso ano de promoção das vocações atinja seu objetivo, toda Província e Distrito deverá dispor de um plano de ação detalhado e de um instrumento para avaliar sua eficácia e apreciar a participação de todos quantos nele forem envolvidos.

Algumas sugestões. Primeiramente, toda Unidade administrativa deveria ter ao menos um promotor vocacional com tempo integral, cujo único trabalho seria a promoção das vocações.

Em segundo lugar, cada um deveria compreender que a promoção das vocações não é função apenas do promotor designado. A sua função consiste sobretudo em ajudar os outros a realizar tudo quanto devem fazer para que este ano assegure os frutos que se esperam.

Em terceiro lugar, dever-se-ia pensar em elaborar um programa educativo sobre a vida religiosa contemporânea dirigida aos leigos, homens e mulheres. Porque, se alguns coirmãos dizem sentir-se perturbados pelas mudanças extraordinárias surgidas no nosso tipo de vida depois de quase quarenta anos, imaginem, então, o que se passa com um católico comum.

Durante os últimos anos, em alguns países, muitos se sentiram abandonados ou não puderam compreender por que, por exemplo, já não oferecemos pessoal para a escola local ou por que já não vivemos na residência dos irmãos perto da igreja. Desenvolver um programa de educação como este que sugiro, fará compreender melhor as mudanças sobrevindas no nosso tipo de vida, no nosso Instituto em particular, nas quatro últimas décadas.

Porém, em tal programa, é urgente pôr um outro motivo : todos na comunidade eclesial partilham a responsabilidade de recrutar novos membros para as congregações religiosas, sejam eles bispos, padres, leigos ou, naturalmente, religiosos e religiosas. Nos últimos anos, alguns destes grupos foram reticentes em fazê-lo. Penso que uma parte desta reticência vem de que, hoje, se ignora nossa vida e o caminho que empreendemos depois do Concílio Vaticano II.

Os pais católicos merecem uma atenção especial. Houve um tempo em que eles eram nossos mais seguros aliados neste trabalho do despertar das vocações. Em contra partida, muitos pais estão confusos quanto à vida religiosa, sua natureza, sua finalidade e a maneira como é vivida. Ali onde sua confiança foi minada, devemos realizar um esforço para restaurá-la e para renovar o apelo à sua ajuda.

Como utilizar este programa de educação que elaboraremos ? A administração provincial pode encorajar os irmãos a oferecer um curso de educação para adultos nas suas paró


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Questões para refletir
Destine algum tempo para refletir sobre o que podes fazer pessoalmente para despertar as vocações no próximo ano. De que talento dispões para contribuir nesta tarefa para o bem dos jovens, sobretudo aqueles que se interessam pelo nosso Instituto ? Identifique as numerosas facetas de nossa vida que tu podes melhor apresentar ? Sim, destine tempo para rezar, para procurar, para compreender o que Deus te pede no decorrer deste ano para despertar as vocações. Em seguida, reflita nas seguintes perguntas.


  1. Enquanto refletes neste ano de promoção das vocações maristas, que iniciativas podes assumir pessoalmente para despertar vocações?




  1. Que farás a partir do primeiro mês ? Durante os três primeiros meses ? Durante a primeira metade do ano?




  1. Como podes somar teus esforços aos dos outros a fim de exercer uma maior influência no despertar das vocações durante este tempo de graça ? Explique um pouco.

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Como utilizar este programa de educação que elaboraremos ? A administração provincial pode encorajar os irmãos a oferecer um curso de educação para adultos nas suas paróquias ou a utilizar sessões para apresentações feitas ao pessoal das escolas, aos grupos de trabalho, às associações de pais e educadores. Ele pode servir aos grupos paroquiais quando realizam sessões preparatórias ao Advento ou à Quaresma.

Há muitos outros meios de educar. Qualquer um, com veia de escritor, pode redigir um artigo sobre nosso tipo de vida para o boletim paroquial ou o jornal diocesano. Outros podem dizer algumas palavras no final da missa dominical. Os meios são menos importantes que a mensagem : nossa vida e nossa missão de irmãos são bem atuais e estão prontas para acolher novos membros.

Os leigos, compreendendo melhor nossa vida e nossa missão, poderão apoiar nossos esforços para convidar novos membros a partilhar nossa vida.

O trabalho acima detalhado poderia ser coordenado por um promotor de vocações em tempo integral na Província, sem que o mesmo tenha que executar estas tarefas no lugar da comunidade local porque seus membros não querem se envolver. Seu tempo será mais bem utilizado se ele trabalhar para os convencer que as tarefas mencionadas lhe vêm de direito e que eles dispõem de todos os recursos para as cumprir.

Enfim, os meios de comunicação e a Internet, ali onde estão disponíveis, são poderosos instrumentos para despertar vocações. Lá onde existe, o promotor das vocações deveria se certificar que o assunto das vocações aparece na página web da Província e que esta página está sendo muito bem aproveitada neste sentido.
b. Comunidades locais
As comunidades locais têm muitas ocasiões para promover as vocações. Terão necessidade de se reunir no início deste ano das vocações e de chegarem a elaboração de um plano comum para coordenar seu trabalho e assegurar sua eficiência. Este plano geral deve oferece tempos para a oração e para uma ação concreta do grupo.

Por exemplo, três ou quatro vezes ao ano, a comunidade pode convidar diferentes grupos de jovens que se interessam pela vida religiosa. Eles podem vir das escolas, de nossas outras obras ou da paróquia. Uma visita a uma de nossas comunidades, sobretudo se ela está preparada para tanto, pode muitas vezes ajudar uma pessoa a melhor compreender nosso tipo de vida e nossa missão do que através de uma série de conferências sobre o tema.

Uma outra comunidade pode convidar um grupo de paroquianos de qualquer idade para um tempo de oração, seguido de descanso e de momentos de partilha. Durante a conversa, podemos abordar o tema da promoção das vocações. Numerosas pessoas estarão prontas a nos ajudar, mas só o farão se os convidarmos para isso.

A paróquia local é um outro lugar onde podemos nos envolver, especialmente se existem atividades para os jovens. Muitos jovens aproveitarão para um melhor conhecimento de nossa vida e de nossa missão. O contacto direto com um irmão, um outro religioso ou um leigo que nos conhece bem, torna-se uma das melhores maneiras de nos conhecer.

Outra comunidade poderia mandar imprimir prospectos descrevendo nossa vida e nossa missão, e os deixar na entrada da igreja paroquial ou outros lugares apropriados. Nos países onde existem jornais locais que apresentam assuntos de interesse social, um ou dois membros da comunidade poderiam se comprometer para escrever um artigo ou para participar de uma entrevista sobre nossa vida e trabalho apostólico.
c. As obras
Visibilidade ! Eis o que deveria ser o meio de avaliar os esforços que nós fazemos para promover as vocações nas instituições onde somos numerosos. Cartazes, prospectos, dias destinados para apresentar a história, a vida e a missão dos Pequenos Irmãos de Maria – tudo isso deveria figurar normalmente em toda escola que dirigimos, em cada projeto social em que nos envolvemos ou que nós apadrinhamos. No final deste ano, nossos colaboradores e todos aqueles que nós servimos deve­riam ter uma noção clara do que significa ser irmão segundo Marcelino.

Para além da escola, da paróquia e de outras instituições onde reunimos as pessoas, devemos também nos assegurar que não negligenciamos aqueles que partilham nosso apostolado. Por exemplo, há vários membros de nosso corpo docente que já pensaram na vida religiosa e no nosso tipo de vida em particular, mas que não sabem como abordar este tema. Durante o próximo ano criemos oportunidades para discutir sobre este assunto com eles, e de o fazer freqüentemente.


d. Todo irmão e todo colaborador leigo
Em me pedindo para vos sugerir alguma coisa que podereis fazer a título individual durante este ano, eu vos responderia imediatamente para convidar jovens que conheceis a fim de refletir na possibilidade de fazer uma opção pela nossa vida. Nada como um convite pessoal por parte de um irmão para levar um jovem, e mesmo um homem menos jovem, a refletir seriamente na possibilidade de seguir nossa vida e nossa missão. É a causa mais mencionada para o questiona-mento vocacional.

Meus irmãos, eu vos convido a despertar vocações neste ano, para encontrar alguém que vos possa substituir. E vós, colaboradores leigos, eu vos convido a fazê-lo para assegurar uma sólida colaboração entre os irmãos e vós mesmos. Sem um número suficiente de irmãos, a parceria com os leigos é impossível.

A todos vós eu dirijo este apelo: a oração pessoal é o mais importante. Rezai, pois, para aqueles que pensam na vida religiosa. Rezai por eles todo dia. Rezai por eles, nominalmente.

Tendo facilidade para redigir, ponde este dom em prática neste ano para escrever sobre nossa vida e nossa missão. Sendo apaixonados pela música, pela arte ou pela mídia, ponde esta paixão ao serviço do despertar vocações durante os próximos meses. Tendo o talento de ensinar, ensinai a respeito de nossa vida. Tendo o dom de animador, encorajai as vocações.

Em tudo sede criativos para planejar este ano. Questionaivos constantemente: como poderei utilizar os dons que Deus me deu para promover as vocações ? Consagrai 20 por cento de vosso tempo neste esforço, sem esquecer o convite direto.

CONCLUSÃO
Termino esta carta com uma palavra de agradecimento aos Irmãos Théoneste Kalisa e Ernesto Sánchez. Trabalharam vários meses para planejar os numerosos acontecimentos que marcarão este ano das vocações. Seu entusiasmo por este projeto e seu ardor no trabalho são manifestos. Assim como eu, eles são reconhecidos a todos aqueles que contribuíram com idéias e sugestões, e que, por sua colaboração, manifestaram uma evidente boa vontade.

Durante sua vida, Marcelino Champagnat tinha pouquíssimos bens materiais. No momento de fundar os Pequenos Irmãos de Maria, sua única riqueza compreendia dois recrutas sem experiência e uma residência « com necessidade de reparações », adquirida com dinheiro emprestado.

Entretanto, Marcelino Champagnat tinha um sonho. E ele estava de tal maneira obcecado que não podia deixar de dizer àqueles que encontrava quanto Jesus Cristo os amava.

Hoje, a chama deste sonho deve arder com igual brilho em vós e em mim como ardia nele. Foi também a mesma chama que abrasou o coração dos dois discípulos no caminho de Emaús, e que, num instante, transformou os pescadores assustados de Israel, a que Jesus chamava seus amigos e discípulos.

Esta chama sempre atraiu os jovens para a vida religiosa. Agora que nós empreendemos este ano consagrado ao despertar das vocações, não olvidemos que se esta chama brilha ainda com evidência no coração de nossa vida e de nosso apostolado, ela atrairá sempre jovens que são generosos. Jovens que se tornarão os Franciscos, os Lourenços e os João Baptistas deste novo século. Nisto eu creio.

Queira Deus continuar a vos abençoar, vos guardar e vos tornar seus ! Possam, Maria e Marcelino, ser vossos constantes companheiros nos meses que virão!


Com toda afeição e a certeza de minhas preces.
Irmão Seán Sammon, FMS

Superior geral








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