Carnaval de rua de porto alegre cinara Ferreira – 0550/95-4



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO

CARNAVAL DE RUA DE PORTO ALEGRE



Cinara Ferreira – 0550/95-4



Porto Alegre, dezembro de 1999


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO

CARNAVAL DE RUA DE PORTO ALEGRE



Trabalho elaborado como reauisito para a conclusão do semestre da disciplina HUM 03301 – Introdução aos Estudos Históricos, ministrada pelo Professor Rivair.

“Entã, chega o Carnaval, chega essa época, a gente esquece da casa, a gente esquece do serviço, a gente quer, assim, a gente chora, a gente se mata pela escola.”



VERA LÚCIA ANANIAS



SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO..................................................................................p.1


2 ORIGENS .........................................................................................p.3
3 CARNAVAL NO BRASIL .................................................................p.4
4 HISTÓRICO DO CARNAVAL EM PORTO ALEGRE ......................p.6
5 CONCLUSÃO ...................................................................................p.17
BIBLIOGRAFIA ...................................................................................p.25

1 INTRODUÇÃO
Pouco se fala e se publica sobre o Carnaval de Rua de Porto Alegre, e a explicação certamente está na forte herança da colonização européia do Rio Grande do Sul somada ao silêncio do grupo étnico-social que, majoritariamente, o compõe: os negros e os marginalizados pela elite da cidade. Omitir e esquecer de revelar esse moviemento artístico-cultural da cidade é, portanto, negar a existência de uma forte herança cultural negra em Porto Alegre. Este silêncio relega à alienação da cultura popular, negando a própria ascendência européia do Carnaval e à colonização do Rio Grande do Sul.

Baseando-se nestes fatos é que foi elaborado este trabalho, que realça a beleza e a realidade do Carnaval de Porto Alegre, principalmente o Carnaval de Rua, para que se possa aprender que a grandiosidade do Carnaval está no amor à que ele dedicam várias pessoas durante o ano inteiro e que ele é altamente profissional, como o do Rio de Janeiro, mas

que ainda necessita de um espaço maior na mídia, sem que seja necessário vender a imagem das escolas como entidades com fins meramente lucrativos, mas que elas existem para divertir e alegrar à todas as comunidades de Porto Alegre.

2 ORIGENS DO CARNAVAL
A palavra Carnaval é de origem incerta perante os estudiosos sobre o assunto. Provavelmente ela deriva do latim, Carmem Levare (carne e por de lado e/ou abstinência, respectivamente). Alguns deles afirmam que a festividade Carnaval originou-se nos bacanais greco-romanos no culto ao deus Baco. Na Roma Antiga, outros deuses cultuados, além de Baco, eram Saturno e Pã, com festividades cíclicas (anuais), ofertando fartura de comidas, bebidas, danças, música e liberação sexual.

“As festas antigas marcam a transformação da vida cotidiana em momento de delícia e prazer, quando ocorre uma inversão de valores, com forte culto ao corpo e exaltação sensual”, segundo afirma KRAWCZYK (1992, p.9). Mas a origem do Carnaval ainda é desconhecida. Alguns estudiosos afirmam que os bailes de máscaras originaram-se na Idade Média, juntamente com o Entrudo, e popularizaram o Carnaval na Europa, nos séculos XV e XVI.


Há, também, os estudiosos que dizem que o Carnaval era um culto agrário à Isis, deusa da fertilidade e/ou um culto às divindades hebraicas. Esses cultos eram realizados em época de plantio ou colheita e eram relacionados ao ciclos da natureza. Esta festividade primitiva tinha o caráter religioso, em honra ao ressurgimento da natureza e a volta da primavera.




3 CARNAVAL NO BRASIL
A Quarta-feira de Cinzas é o início da época de abstinência da carne, desde a época cristã, entre os séculos XI e XII. Seu período é longo, e vai do Natal até a Quaresma, iniciando com as festividades do Ano Novo, intensificado-se nos três ultimos dias que a antecedem, época em que ocorrem desfiles, com caráter de concursos, em todo o Brasil, inclusive aqui em Porto Alegre.

Há indícios de que foi a igreja que determinou o calendário festivo do Carnaval, como este que foi publicado no jornal Zero Hora de fevereiro de 1985:


“A própria fixação cronológica dos períodos do Carnaval gira em torno das datas determinadas pela igreja, antecedendo a Quaresma, o que reforça substancialmente a tese de que a origem das festas carnavalescas situa-se na Idade Média, quando a religião cristã torna-se dominante na Europa.”

As comemorações carnavalescas iniciam-se no sábado precedente ao domingo da quinquagésima e termina na terça-feira gorda, para ressurgir na Aleluia, quando acontecem danças e bailes idênticos aos que se realizam no chamado tríduo momesco. O Carnaval é “uma festa popular, cujas origens ainda não estão bem definidas. “O Carnaval tem no Brasil a sua Pátria de adoção. Aqui ele se consagrou e até provoca admiração de europeus e norte-americanos.”, Zero Hora (fevereiro de 1985).


As enciclopédias quase sempre restringem o Carnaval à uma definição européia, de tradição latina e cristã, omitindo sua face brasileira, justamente onde ele mais se realiza.

4 HISTÓRICO DO CARNAVAL EM PORTO ALEGRE
Nos primórdios do século XVIII, o Carnaval foi trazido à Porto Alegre pelos açorianos, que, na metade do século, derrubaram restrições. O Entrudo1, que eles trouxeram consigo na bagagem, permaneceu até princípio do século XIX e foi proibido devido à sua forma primitiva de comemorar o Carnaval, sendo substituído pelo Carnaval do Zé Pereira2, que teve seu primeiro “desfile” em 1846 no Rio de janeiro, e cuja marchinha era:

“E viva o Zé Pereira

Pois que a ninguém faz mal.

Viva a bebedeira,

Nos dias de carnaval.”

Mesmo sendo o Carnaval do Zé Pereira uma boa comemoração do Carnaval de Rua em Porto Alegre, ele permaneceu no carnaval da cidade

por pouco tempo, pois logo foi substituído pelo Corso3 em meados do século XX. Este tipo de comemoração carnavalesca originou as comemorações de rua que atualmente ocorrem na Avenida Augusto de Carvalho, no centro de Porto Alegre, que durante o ano é uma via de acesso ao centro da cidade e que durante a época do Carnaval, transforma-se na Avenida Carlos Alberto, o Roxo, assim denominada em alusão ao maior incentivador do Carnaval de rua da cidade, que sempre defendeu a idéia de que o Carnaval é uma festividade para que toda a população, sem exceções, pudesse pular e brincar o Carnaval nas ruas da cidade sem os luxuosos bailes de Carnaval realizados pela elite portoalegrense.

O Corso foi parcialmente substituído pelas festividades realizadas nos salões de baile em sociedades recreativas criadas para a elite de Porto

Alegre, porque a mesma não aprovara as manifestações realizadas popularmente nos bairros de origem e predominância negra da cidade, exigindo, assim, um espaço exclusivo para suas comemorações. O que, infelizmente, perdura até os dias atuais. Conforme relata a ZERO HORA (mar. 1976, p.29):

“A folia nos salões que promovem bailes populares se mescla com as dificuldades e dramas de cada uma dessa gente que passa o reinado de Momo com um dinheiro contado e magro dentro do bolso. Mesmo assim, sempre há um auge, com a tristeza e a preocupação ficando de lado. E neste

momento, todos pulam, cantam, até chegar a quarta-feira de cinzas.”

DAMASCENO (1970, p.124-125) retrata bem essa época do Carnaval de Porto Alegre:

“Os Pedinchões – incrível ! – reorganizando-se no arrebalde do Menino Deus, dali emergem inesperadamente. E, precedidos de um ensurrecedor Zé Pereira, fazem um giro pela Rua

da Praia, com um Corso composto de uma dezena de montagens alegóricas e críticas, visitando a redação dos jornais e cumprimentando a cidade. O povo,porém, torce-lhes as ventas, com a mais desapontadora diferença. Nada de carros alegóricos! Nada de desfiles triunfais! A estucha tem mais gosto e o canecão transbordante, mais caráter. As ruas da capital estão movimentadas, os restaurantes repletos, os cafés borborinham. Viva o Entrudo! O Carnaval ... Bem, o outro Carnaval chega ao último ano da centúria reduzido a um tal grau de decadência que se o próprio Deus da Folia aparecesse no meio da multidão alçada e desatenta e, exibindo a famosa máscara,

outrora nédia e venturosa, perguntasse – Vocês me conhecem? – ninguém o reconheceria.”

Nesta mesma época, havia uma intérprete que se destacava entre os Zés Pereiras existentes em Porto Alegre. Seu nome é Horacina Corrêa. Foi uma grande intérprete de Lupicínio Rodrigues, cujos sambas popularizou numa época em que o rádio imperava no Rio Grande do Sul, através da Rádio Gaúcha (PRC-2) e da Rádio Farroupilha (PRH-2). Era solista do lendário bloco burlesco “Divertidos e Atravessados” que reunia de 300 à 500 pessoas num grande espetáculo coreográfico que era apresentado ao longo da Rua da Praia. “Não haviao recurso do microfone, nem da amplificação do som, por isto, a voz poderosa de Horacina Corrêa era ouvida a grande distância, entoando canções carnavalescas. Segundo

relatos da época, a voz de Horacina Corrêa era clara, empolgante e ela interpretava com tal categoria que nunca mais a cidade teve outra solista igual. Por ser notável, Horacina Corrêa foi levada ao Rio de Janeiro por empresários onde também se destacou, e com seu reconhecimente, foi para na Itália,onde casou-se com um conde romano.

Mas existem algumas escolas de samba que privilegiam temas africanos que se relacionam com a trajetória do negro trazido como escarvo para o Brasil até a sua proletarizazção e que defendem a popularização do Carnaval de rua até hoje em Porto Alegre, possivelmente até como forma de protesto contra às exigências da elite social da cidade. Este fato talvez indique a necessidade de contar a história das pessoas que fazem o Carnaval. Pois o desfile carnavalesco é palco daqueles trabalhadores que tornam-se atores principais, encenando a ilusão de igualdade social. Não muito longe do espaço do Carnaval, nas próprias arquibancadas, as diferenças vêm à tona: os melhores lugares são para os abonados, enquanto os co-autores da festividade ficam de fora do espetáculo porque não podem desfrutar da festa que ajudaram a montar, marginalizados pela própria sociedade que compõe.

Mas o Corso fez escola. Deixou como herança aos amantes do Carnaval de Porto Alegre as Muambas4, que reuniam em torno de si inúmeros foliões e tiveram incentivo do poder público a partir de 1970. Mas

elas foram oficializadas pela Prefeitura de Porto Alegre em 1977. KRAWCZYK (1992, p.47) escreve que:

“A oficialização da Muamba indica a centralizaçãp, em um só local, do Carnaval mais participativo, o Carnaval anterior do Desfile Oficial, em que não se precisaris pagar ingresso para ver as escola e do qual participa a população mais humilde da cidade.”

Atualmente, as Muambas dos bairros Restinga, Cavalhada, Sarandi, Vila do IAPI e Partenon não são mais realizadas devido ao fato de não mais terem o apoio da Prefeitura de Porto Alegre, como antigamente, visto que, atualmente, a Prefeitura apóia, somente, a Muamba Oficial, que é realizada uma semana antes do Desfile Oficial na passarela do samba, a Avenida Carlos Albeto Barcelos, o Roxo, e que conta com a presença das

escolas de samba do grupo principal de Porto Alegre. Em relação ao descaso da sociedade de elite de Porto Alegre, KRAWCYZK (1992, p.65) escreveu que:

“O Carnaval de rua de Porto Alegre particulariza-se pela pouca participação da população branca, diferentemente de outros centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo. O espaço carnavalesco dentro das escolas de samba ou o dos desfiles não congrega indivíduos de origem étnica diversas, mas reúne majoritariamente descendentes de africanos.”

O Carnaval de Rua de Porto Alegre era um festejo ligado às camadas média e alta da sociedade portoalegrense que foi aperfeiçoado pelas camadas inferiores da cidade, formada basicamente por negros, pobres e índios, até 1935. A partir de então, o bairro Cidade Baixa abrigou expressivos carnavais de rua organizados pelos descendentes de escravos alforriados do Barão e da Baronesa do Gravataí, constituindo-se num marco importante para a afrimação da identidade étnica dessa camada da população de Porto Alegre. Foi também no início dessa década que os traços populares do Carnaval acentuaram-se e a festa começou a ter a

chegada do Rei Momo no cais do porto como um ritual freqüente, promovido pela Prefietura. No final da década de 30 ocorre o processo de “cariocarização” do Carnaval de Porto Alegre. Na década seguinte, o Carnaval de bairro viveu sua época de ouro. Surgiram as escolas de samba sem estrutura na elaboração de enredos e a divisão das alas e figurinos.

A organização e o crescimento das entidades ocorreram somente na década de 60, quando foi fundada a Sociedade Cultural Academia de Samba Praiana, em 10 de março de 1960. Nesta mesma época, o Carnaval é centralizado pelo Desfile Oficial e a imprensa conceitua o acontecimento como um festa de caráter artístico e os carnavalescos buscam resgate da identidade negra. Com a chegada do Regime Militar, a festa de Momo cai sob o controle dopoder público, que começa a distribuiir verbas entre as escolas de samba para que a produção do espetáculo, que passa a ter data, local e hora pré-estabelecidos, possa ter maior luxo e beleza no desfile.

O concurso de marchinhas e sambas do Carnaval teve sua origem em 1925 no Rio de Janeiro por um grupo de jornalistas, quando também foi criado o Centro dos Cronistas Carnavalescos. Esse concurso, atualmente denominado Festival de Samba-Enredo, precede, juntamente com a Escolha da Rainha do Carnaval e com a chegada do Rei Momo (eleito após avaliação de seus conhecimentos sobre o Carnaval e sua história, bem como a Rainha e suas Princesas devem ter esse saber), as comemorações do carnaval da cidade de Porto Alegre. CORTES (1990, p.12) afirma que é “Por tudo isso, pode-se dizer que os meios de comunicação, sozinhos, não fazem milagres, mas, sem dúvida, se constituem na melhor arma para manter o Carnaval.”

Os primeiros Reis Momos de Porto Alegre foram Aníbal Augusto Paco (1945 à 1948), Júlio Resemberg (1949), o primeiro q ser o Rei Momo eleito da capital do Rio Grande do Sul foi Vicente Rao (1950 à 1972), e seus sucessores, que também foram eleitos, Miudinho (1973) e o Queixinho (198- à 1997).

Os Desfiles do Carnaval de Rua da cidade de Porto Alegre, com competições e premiações para as melhores apresentações, tiveram iníco no ano de 1940 na Avenida Borges de Medeiros e por lá permaneceram durante dois anos, onde desfilaram as associações, agremiações, blocos e cordões. De 1943 à 1945, não houve Carnaval no país inteiro devido à Segunda Guerra Mundial. Em 1947 houve o primeiro Carnaval no Areal da Baronesa do Gravataí, onde a população era predominantemente composta por negros. Em 1969, o desfile foi tranferido para a Avenida João Pessoa, centro da cidade, que a partir de então, começou a visualizar a centralização do Carnaval de Rua, e ali continuou até 1975. No seguinte ano, os desfiles aconteceram na Avenida Perimetral, a Avenida José Loureiro da Silva, até 1987. A partir de 1988, o desfile ocorreu, e continua ocorrendo, na Avenida Augusto de Carvalho, onde a pista de eventos denomina-se Carlos Alberto Barcelos, o Roxo, em homenagem ao maior incentivador do Carnaval de Rua de Porto Alegre. Fora desta pista de eventos, é proibido desfiles, como informa KRAWCZYK (1992, p.38) “( . . . ) como o são os blocos humorísticos que desfilavam pelas ruas da cidade”.

Os blocos também tinham os seus concursos. Neles eram eleitos os representantes de cada cluve ou sociedade elitizada da época. Esses blocos tocavam sambase concorriam entre si. O bloco campeão de 1976, foi o da Sociedade Gondoleiros, seguido do Teresópolis Tênis Clube, que teve como tema o show-man Carlos Machado, um produtor de teatro musicado da época, numa competição em que também teve a participação

da Sociedade Beneficiente Recreativa Floresta Aurora, do Grêmio Náutico União e do Petrópole Tênis Clube.



5 CONCLUSÃO

Definitivamente o Carnaval não originou-se no Brasil, mas foi aqui que a festividade mais se aproximou do seu real sentido. É aqui que a sensualidade assume o seu lugar, numa combinação de música e corpo inexistente em outras partes do mundo onde também é festejado, pois aqui ele é a época em que se brinca popularmente; é um evento que ocorre, habitualmente, por três dias. Dias esses, que antecedem o início da Quaresma, em que se manifestam o canto, a dança, o disfarce e o gozo de certa liberdade de comunicação humana grandemente refreada durante o resto do ano.

Aqui em Porto Alegre não é diferente do resto do país, com exceção ao Carnaval do nordeste, que inicia-se uma semana antes das datas previstas e continuam uma semana após o término do prazo.

O Carnaval de Rua de Porto Alegre engloba várias entidades que participam desta festa popular. Não chega ao luxo, nem ao modo estritamente comercial do Carnaval do Rio de Janeiro nem o do nordeste, onde o comércio é o que mais importa para estas regiões brasileiras. O nosso Carnaval é feito com o intuito de divertir seus participantes e de

recompensar as escolas de samba vencedoras pelos seus esforços durante o ano para realizarem um belo e maravilhoso trabalho.

Com o passar dos tempos, nosso Carnaval teve várias modificações, mas nunca deixou de ser uma exaltação à folia, visando a diversão dos seus foliões. Existem dois locais onde ele ocorre: um é a Avenida Carlos Alberto Barcelos, o Roxo, que fica no centro da cidade. Lá é a população da classe média da sociedade negra gaúcha que participa, visto que o valor dos ingressos são pouco acessíveis e somente nos camarotes é que pode-se ter uma boa visão dos Desfile Oficial do Carnaval de Porto Alegre. Na Avenida Antônio de Carvalho os foliões são os percenntes à classe baixa da população. Nesta avenida não há a cobrança de ingresso, como também não há apresentação regular dos grupos que participam no Desfile Oficial.

Com todas as dificuldades encontradas pelos carnavalescos, pode-se observar a evolução da qualidade profissional do Carnaval de Porto Alegre. Falta de apoio e incentivo financeiro para as entidades são uma constante na capital dos gaúchos, mas, todavia, os carnavalescos unem-se para conseguir um espaço que seja seu: a pista de eventos, mais conhecida como sambódromo, cuja sua construção há anos vem sendo estudada e elaborada para ser construída na capital, o que reduziria os gastos da prefeitura com a montagem e a desmontgem da pista de eventos, atualmente situada na Avenida Augusto de Carvalho. Mas a discussão de tal obra é social, visto que o espaço disponível em Porto Alegre para essa obra situa-se, ironicamente, no bairro Menino Deus, que pertence aos arredores do berço do Carnaval de Rua Porto Alegre, onde há moradores da elite porto alegrense que não aceitam que essa construção seja realizada no local estabelecido pela prefeitura, pois eles alegam que o bairro é uma área nobre e residencial da cidade.

Mas com certeza, haverá um espaço para este tipo de evento, porque cada carnavalesco tem na alma o mesmo sentimento de João do Rio, que afirmou:

“ Eu amo absurdamente o Carnaval, não o Carnaval elegante, com fatos de seda e complicações de bailes ultraperfeitos, mas o Carnaval delirante, despedaçante, dos cordões suarentos, dos batuques, dos tamborins, o Carnaval em que a multidão urra, sem máscara, roja e se estorce, suando e bebendo na ânsia de todas as luxúrias, de todos os excessos.”

Que esse amor pelo Carnaval de Rua não morra, visto que é uma das manifestações culturais mais belas e espontâneas da nossa colonização, que também foi constituída por brancos e índios, mas que sobretudo, tem muito da contribuição africana.



BIBLIOGRAFIA
BARROS, Hemérito. Memórias de um Carnavalesco.
JORNAL Correio do Povo.
JORNAL Zero Hora.
KRAWCZYK, Flávio; GERMANO, Isis; POSSAMAI, Zita. Carnavais de Porto Alegre. Porto Alegre, SMC, 1992. 66 p. il.
SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: crônicas da minha cidade. Porto Alegre, IEL, UCS, 1979.
SITE da Internet: www.riogrande.com.br, visitado em 30 de dez. de 1999.
TINHORÃO, José Ramos. Os Sons dos Negros no Brasil. São Paulo, Art Editora, 1988.



1 Comemoração agressiva pelos “foliões” nas ruas de Porto Alegre, onde haviam arremessos de limões de cheiro, águas de seringas, farinha, ovos, urina, confetes entre seus integrantes. Tembém conhecido por Buffonerie.


2 Pessoa que realizava a ação de animar a Folia Carnavalesca ao som de Zabumbas, cuícas, tamborins, pandeiros, frigideiras e tambores percutidos em passeata pelas ruas, introduzido pelo português José Nogueira do Azevedo Paredes.


3 Desfile de carros de passeio ou caminhões, quase que enfeitados na totalidade, que conduziam famílias ou grupos e foliões dispostos a brincar com os outros ocupantes de veículos vizinhos e com os transeuntes que presenciavam alegremente essa confraternização diferente do velho e agressivo Entrudo.

4


 Ensaio geral do Carnaval de Rua, inicialmente realizado nas comunidades de origem das escolas de samba de Porto Alegre.





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