Carbono e nitrogênio na biomassa microbiana em latossolo amarelo submetido a diferentes usos e manejos, em irai de minas – mg



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XI CONGRESSO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE DE POÇOS DE CALDAS


21 A 23 DE MAIO DE 2014 – POÇOS DE CALDAS – MINAS GERAIS





INFRAESTRUTURAS VERDES EM ÁREAS DE MANANCIAIS METROPOLITANOS: O DIAGNÓSTICO DAS MANCHAS E CORREDORES MAPEADOS NA SUBPREFEITURA DE CAPELA DO SOCORRO (SÃO PAULO – SP)
Vinicius de Souza Almeida(1); Marta Dora Grostein(2)
(1) Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental; Instituto de Energia e Ambiente; Universidade de São Paulo (USP); São Paulo – SP; almeida.vini@ig.com.br; (2) Professora Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto; Universidade de São Paulo; São Paulo – SP; martagrostein@uol.com.br

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RESUMO – Infraestruturas verdes urbanas são redes conectadas de estruturas e elementos configurados para sustentação da paisagem e seus serviços socioambientais, como florestas urbanas e espaços abertos. Esta pesquisa aplica tal conceito em áreas de mananciais metropolitanos. É apresentado aqui um diagnóstico das manchas e corredores mapeados na Subprefeitura de Capela do Socorro, localizada nas periferias da capital paulista, entre as Represas Billings e Guarapiranga. Por meio de técnicas de sensoriamento remoto e visitas de campo foram definidos 155 unidades da paisagem ou espaços de interesse. A ampla distribuição desses espaços favoreceria a configuração de uma rede interconectada, com área somada de 6518 hectares, ou metade do tamanho da subprefeitura. Em cerca de 84% desses espaços já existe cobertura vegetal significativa, como arborização de praças, campos de várzea e florestas secundárias tardias e em 65% do total foram verificadas áreas de nascentes, que podem chegar a mais de 70 por unidade. Em contrapartida o processo de urbanização descontrolada e o surgimento de novos focos de invasões para construção de moradias já comprometem pelo menos 35% das unidades dessa rede potencial. As condições verificadas revelam uma infraestrutura verde potencial significativa na Capela do Socorro, que poderia ser aproveitada para múltiplas funções na paisagem, além de ser essencial produção hídrica, onde, entretanto são necessários um controle urbano imediato para sua garantia e a introdução de parâmetros ecológicos no planejamento territorial.


Palavras-chave: Infraestrutura Verde. Áreas de Mananciais. Planejamento Ecológico da Paisagem. Conflitos ambientais urbanos.
Introdução

A fragmentação de habitats, a redução da cobertura vegetal e a impermeabilização descontrolada do solo têm sido apontadas como algumas das principais causas da perda de biodiversidade a nível global, modificando assim os processos ecológicos que sustentam a paisagem e as atividades econômicas, sociais e culturais humanas que dela dependem (PEARSON e MCALPINE, 2010). Neste contexto, surge o conceito de infraestrutura verde que parte do princípio de que o homem deve conservar e desenvolver redes conectadas de espaços e estruturas promotoras de serviços ecológicos e paisagísticos com a mesma importância com que planeja e desenvolve as chamadas infraestruturas tradicionais tais como as de telecomunicação, coleta e tratamento de efluentes e de transporte público (BENEDICT e MCHANON, 2002; AHERN, 2007).

Em escala regional, a infraestrutura verde pode ser criada pela manutenção e conexão das unidades de conservação e outras grandes manchas e corredores de ecossistemas. Em escala urbana, pode ser configurada a partir das redes de florestas e águas urbanas e as estruturas que as suportam, como os parques, parques lineares, praças, canteiros viários, campus de universidade, cemitérios, clubes e chácaras. Por fim, em escala de projeto ela pode ser implantada como tetos e paredes verdes, lagoas pluviais, trincheiras de infiltração e outras estruturas que integram vegetação e funções paisagísticas diversas aos espaços construídos, onde um dos principais benefícios procurados está relacionado ao manejo ecológico das águas de chuva. Todos esses níveis de escalas podem ser integrados de maneira complementar, envolvendo tanto manchas e corredores verdes quanto a melhoria da permeabilidade ecológica da matriz envolvida, seja ela rural ou urbana (ROTERMUND, 2012).

O planejamento da infraestrutura verde tem como um de seus princípios básicos a integração de conservação ambiental com o desenvolvimento da sociedade, onde a mesma pode deve ser planejada para múltiplos objetivos. Em um ambiente urbano esses podem ser desde a configuração integrada de redes de habitat, de proteção de ecossistemas aquáticos (matas ciliares), de corredores de trilhas e ciclovias, redução de ilhas de calor a provisão de espaços de lazer e contato com a natureza. Desta forma, um plano de infraestrutura verde também deve envolver diferentes departamentos de governo, segmentos sociais e tipos de proprietários, sendo construído necessariamente a partir de diversos tipos de saberes e ciências integrados (BENEDICT e MCHANON, 2002; AHERN, 2007).

A Metrópole de São Paulo é cercada por sua Reserva da Biosfera do Cinturão Verde (RBCV-SP), uma região estratégica de áreas rurais, florestas, espaços não construídos e unidades de conservação, cuja definição muito se assemelha ao conceito de infraestrutura verde. Este cinturão foi reconhecido no final da década de 1980 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura e foi instituído pelo governo estadual em 1994. Uma de suas principais funções reconhecidas é a de produção hídrica, pois nele estão localizadas diversas Áreas de Proteção e Recuperação aos Mananciais (APRMs) como no caso de grande parte do Sistema Cantareira, além da totalidade dos Sistemas Alto Tietê, Billings e Guarapiranga cujo processo de degradação é crescente, principalmente no caso dessas duas últimas bacias.

Diversos processos urbanos e ambientais históricos têm gerado uma fragmentação, redução e degradação ambiental dos mananciais inseridos no cinturão verde metropolitano, onde eles dentre estão desde o crescimento disperso de empreendimentos de alto padrão, a implantação de malhas rodoviárias e infraestruturas tradicionais, mas também principalmente a expansão urbana periférica. Este padrão de urbanização é produto da desigualdade social, da especulação imobiliária e da deficiência nas políticas públicas de habitação e controle urbano, gerando bairros de baixa renda densos e precários que se expandem para as áreas mais periféricas e desvalorizadas da cidade, incluindo aquelas de maior fragilidade e importância ambiental, como no caso de encostas e margens de rios e represas (GROSTEIN, 1987; 2001; 2004).

Esta pesquisa parte do princípio que o uso do conceito de infraestrutura verde em estudos de paisagens inseridas em áreas de mananciais metropolitanos revela redes de espaços remanescentes que poderiam ser contempladas em políticas públicas focadas em múltiplas funções socioambientais como conservação e melhoria qualitativa da produção hídrica, criação de redes de habitat e conectividade para biodiversidade, agricultura urbana e periurbana e manutenção de redes de espaços de lazer. É apresentado aqui um breve diagnóstico dos espaços remanescentes mapeados na Subprefeitura de Capela do Socorro localizada na Zona Sul de São Paulo, focando-se nas características de padrões espaciais, cobertura vegetal, hidrografia e estado de conservação.

Material e Métodos

A Capela do Socorro possui uma área de aproximadamente 13300 hectares e quase 600 mil habitantes, com 94% de seu território dentro das APRMs das Represas Billings e Guarapiranga. Possui ainda três distritos (Socorro, Cidade Dutra e Grajaú) e ocupações espaciais que incluem desde bairros residenciais de médio ou alto padrão, centros comerciais, áreas industriais a uma das maiores quantidades de loteamentos irregulares e favelas do município, além de significativa uma zona rural mais ao sul. A localização e delimitação desta subprefeitura podem ser visualizadas no mapa apresentado na Figura 1.





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