Caminhos do sindicalismo: trajetória de vida de professores do sepe – nova iguaçÚ



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CAMINHOS DO SINDICALISMO: TRAJETÓRIA DE VIDA DE PROFESSORES DO SEPE – NOVA IGUAÇÚ

Andréa Cristina Oliveira Duarte de Souza S. da Silva

PPGE/FE/UFRJ

acs-cris@hotmail.com



Palavras Chave: História de Vida/ Trajetória de vida; Identidade Docente e Socialização

Objetivos

O presente trabalho pretende servir de fomento a pesquisas que tomem a atuação docente como tema de pesquisa. Logra-se contribuir com algumas ponderações acerca do pensamento sociológico de Bourdieu, tomando como lócus o Sindicato de Professores de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense – área metropolitana do estado do Rio de Janeiro.


Metodologia

Para alcançar o objetivo central exposto acima, tentarei expor parte da pesquisa de mestrado em andamento que conta com uma busca da historia oral, enveredando pela história de vida de alguns dos agentes envolvidos na pesquisa. Tratarei da história da profissão docente, ainda que de forma breve, para, logo a seguir, tratar da questão subjetiva da condição docente. Essas análises permitem a aproximação entre a atuação profissional dos professores e o SEPE, o que é abordado antes de partir para as considerações finais.


Problemática

A história da profissão docente tem se constituído em um tema bastante fértil para as pesquisas no campo da História da Educação. Desdobra-se em uma variedade de sub-temas que se desenvolvem principalmente a partir dos anos de 1980, período de redemocratização do país e de intensa atividade grevista.

Durante a década de 1990 há um aumento desses estudos que podem ser definidos como formação docente; as formas de organização dos professores; representações e formas de organização do trabalho docente; práticas pedagógicas e espaços escolares.

Os trabalhos de Alvarenga (1991), Souza (1993), Silva (2006), Badaró (1996), Silva (2010), Najjar (2004), Vianna (1999), Vicentini e Lugli (2009) focalizam os modos de organização do professor, especificamente a historia do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE) e dos movimentos coletivos, seus sindicatos, o trabalho urbano e a educação.

Ajudam-nos a compreender a história da profissão docente através de uma visão macro da historia sindical ou mesmo com base no movimento social, suas lutas e conflitos frente à conjuntura política. Enfim, optam por uma perspectiva coletiva da história.

Esses estudos, entretanto, têm se modificado e, nesse caso, vêm buscando outra perspectiva analítica que se aproxima dos sujeitos – professores – e se distancia das análises que recaem quase que exclusivamente sobre os sindicatos que, na maioria das vezes, justamente, excluem aqueles que os compõem. Esses esforços ainda permitem que se ressignifique as fontes de estudo, as temáticas e as abordagens, possibilitando o avanço da investigação sobre o tema.

Neste sentido, os sujeitos como foco privilegiado de análise dão chance para que se abra a oportunidade de se retomar a investigação sobre a temática historia de vida, o que nos aproxima da realidade subjetiva dos indivíduos. Inclusive, nos permite compreender seus modos de socialização e interação com os diversos espaços sociais por onde circulam. Portanto, o estudo aqui apresentado, consiste em um trabalho de investigação que relaciona história de vida, socialização, formação e política.

Desenvolve, ainda, uma reflexão sobre a trajetória escolar e profissional dos pesquisados. Com isso, queremos ressaltar a importância de suas escolhas frente a sua profissão e suas relações com as configurações familiar, escolar e sindical. Ou seja, pretendemos compreender se esses espaços sociais vivenciados pelos sujeitos estão de algum modo atravessados por algum tipo de socialização que os tenha levado a uma atuação política mais ativa, foco principal de nosso estudo.

Este trabalho ainda dialoga com alguns conceitos sociológicos tais como campo, habitus (BOURDIEU) que permitem, em certa medida, observar o quanto as subjetividades são dependentes do meio social, bem como do volume de capital político acumulado.

Desse modo, pretendemos compreender como um grupo especifico – liderança do SEPE do município de Nova Iguaçu – consegue traçar sua identidade profissional (docente) e política. Além disso, também procuremos analisar as experiências, possibilidades e os limites que esses sujeitos vivenciaram a fim de que pudessem garantir uma escolha profissional e política subjetiva.

Além disso, essa temática nos permite ainda perceber a necessidade em se estabelecer vínculos da militância sindical com outras dimensões da trajetória de vida desses sujeitos e que, inclusive, poderiam despertá-los para a política (experiência familiar, grêmios, associações religiosas, movimentos sociais e movimentos culturais). Assim, a investigação busca nas formas de organização em que essa categoria de profissionais foi se estabelecendo, analisar como se constituíram as disposições políticas dos professores entrevistados.

Historia de vida: subjetividade em questão
As pessoas normalmente vem ao SEPE buscar dados estatísticos, índices e você é uma das pessoas que vem com uma outra indagação e eu achei legal e até reproduzir isso para as outras meninas que estão comigo...i
Na observação da entrevistada, percebemos uma deficiência na existência de trabalhos que abordam essa temática, o que tornar o campo ainda fértil para ser explorado. Alguns estudos buscam nos sujeitos do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE) informações e dados estatísticos para delinear um histórico do movimento da categoria profissional e sua forma de organização.

Consideramos a utilização desta abordagem como uma estratégia teórico-metodológica que permite a reconstrução da memória destes indivíduos sobre as diferentes experiências que tenham vivenciado, como também, apreender elementos da sociedade na qual estão inseridos.

A nossa opção de estruturar um estudo sobre os sujeitos da instituição e sua trajetória de vida, nos coloca em uma visão que parece ser inovadora, pois recai na subjetividade dos indivíduos as análises sobre suas disposições, o nosso interesse no caso, a política.

A adequação desse tipo de abordagem diante dos limites e as especificidades do trabalho com história de vida nos mostram que a trajetória e conseqüentemente a formação docente constituem elementos para análise e reflexão sobre a identidade profissional.

Esta identidade iria se formando no decorrer de sua prática e estaria diretamente relacionada à sua capacidade de produzir e refletir sobre sua própria história. As convicções dos professores, seus desejos, medos e expectativas são postas diante da atividade profissional e, desta forma, o faz repensar sobre sua formação, suas práticas pedagógicas e principalmente sua função social.

Nosso estudo busca na historia de vida/trajetória de vida, mostrar que os sujeitos não possuem percursos isolados, mas possuem diferentes condições sociais (diferentes espaços de socialização) para tornar favorável suas disposições. A oportunidade de estudar a trajetória dos sujeitos do SEPE implica estudar também sua posição ocupada em determinado lugar social, cada sujeito possui uma trajetória social diferente dentro da sua classe social ou da fração de classe.

Percebemos que ao trazer à memória as lembranças da infância e as demais experiências vivenciadas, o entrevistado também se colocar no lugar do observador, dialogando de forma critica com os saberes e as crenças adquiridas no decorrer de sua formação, o que colabora na construção da identidade desse profissional.

Destacamos outra observação da entrevistada quando diz que:


Eu às vezes fico me perguntando, como que me veio essas coisas, assim, de socialismo, de está lutando né, na militância, de saber a importância da organização do povo? ”
Nóvoa (1995) afirma que, ao trazer as memórias para a discussão, elas são colocadas em relevância e provocam reflexão sobre suas escolhas profissionais. Assim, notamos que a entrevistada resgata na sua memória o ponto de partida para sua atuação militante. A esse respeito, Nóvoa (1995, p. 24) destaca que:
ao produzir e analisar (individualmente e em grupo) a minha própria historia de vida, eu afirmo a necessidade de um 'tempo de balanço'. [...] um trabalho de investigação e de reflexão sobre os momentos significativos dos meus percursos pessoais e profissionais.
A seleção que fazemos do que revelar e do que esconder de nossas trajetórias e de nossa própria memória está relacionado a uma intenção e configura uma estratégia de construção da própria identidade dos indivíduos. O individuo buscaria na sua subjetividade entender e analisar suas ações forjadas no individual e no coletivo e incluiria suas singularidades à prática pedagógica, assim como, à militância. Para Nóvoa a identidade não é um dado adquirido, não é uma propriedade, não é um produto. A identidade é um lugar de conflitos, é um espaço de construção de maneiras de ser e de estar na profissão. (1995: p.16 )

No campo da sociologia, Dubar (1998) distingue dois modos de analisar qualquer trajetória individual – subjetivamente e objetivamente – que interferem de certa forma no conhecimento sobre as formas identitárias. O autor nos apresenta que:


De fato, considerar a identidade de alguém como um processo e não como uma espécie de estado inicial (e a fortiori como um destino) não implica ipso facto que a subjetividade das elaborações biográficas (por exemplo, em entrevistas de pesquisas) deva ser considerada como ilusória nem mesmo "secundária" em face das determinações sociais objetivas. Inversamente, tomar muito a sério os modos subjetivos pelo quais indivíduos se narram não significa, necessariamente, menosprezar o lugar das categorizações "objetivas" nas construções identitárias pessoais.
Para o autor a construção da identidade ocorre na interação entre o individuo e o meio social - como o resultado de um processo de socialização - a socialização é dita como dinâmica, desse modo, permite a construção e reconstrução da identidade.

Podemos destacar que o conceito de identidade depende da trajetória de vida do indivíduo e da configuração social de cada momento de sua vida, permitindo a existência de socializações posteriores àquela primeira socialização familiar. Com isso, compreendemos que não existe um único processo de socialização e tão pouco a identidade seja imutável, a construção de identidades ocorre em processo ao longo do tempo.

Bourdieu (2005) chama atenção para que os entrevistadores não se submetam a armadilha do senso comum, quando estes tendem a tratar historia de vida como um percurso linear ou como o relato coerente de uma seqüência de acontecimentos com significado e direção (185), sem que se preocupe com os imprevistos que possam ocorrer na trajetória de vida do entrevistado. O que, nesse sentido, acaba por contribuir para uma concepção ilusória do mundo social, pois confere ao individuo uma autonomia e uma consciência na direção de suas ações.

Achamos importante essa observação do autor e entendemos sua preocupação no que concerne a subjetividade do individuo, mas nossas analises procuram superar essa posição. Levamos em conta o conjunto de relações sociais o qual o entrevistado tenha vivenciado o que pode fazer com que ele incorpore um conjunto especifico de disposições.

No entanto, Bourdieu (2005) busca superar as dicotomias objetivismo/ subjetivismo e apresenta o conceito de habitus como uma possibilidade de explicar as práticas dos sujeitos. Ele se afastar do subjetivismo (os sujeitos não são autônomos e também não possuem consciência de suas práticas) e do objetivismo (suas criticas quanto essa perspectiva recaem sobre a falta de instrumentos conceituais que possam compreender a mediação entre a estrutura e a prática) para mostrar que os sujeitos tendem a agir guiados por uma estrutura incorporada.

Relaciona, portanto, estrutura do sujeito à socialização primaria e às demais dimensões sociais como família, escola, trabalho, associações, grêmios, etc..

Outro ponto de fragilidade desta abordagem está pautado na relação social entre entrevistado e o entrevistador que possuem lugares sociais diferentes, o entrevistador conhece seus objetivos e suas hipóteses, já o entrevistado procura atender as expectativas do outro, o que pode influenciar os resultados finais do estudo (Bourdieu, 1997).

Iniciamos uma aproximação amistosa (vários telefonemas e visitas) – para reduzir ao máximo a violência simbólica (Bourdieu, 1997: p.695) - com os entrevistados do SEPE o que nos permitiu criar uma rede de relação com indicações de outros sindicalizados que participaram na construção ou que possuíam maiores informações sobre a história da instituição. “Eu vou te dar uma referência de alguém que é um dos fundadores da sede aqui em Nova Iguaçu”ii.

Deste modo, contribuiu tecer uma teia de relações com os entrevistados para não causar estranhamento da nossa presença ou para não atrapalhar as futuras aproximações.

Nesse aspecto Bourdieu orienta que:


A proximidade social e a familiaridade asseguram efetivamente duas das condições principais de uma comunicação “não violenta”quando o entrevistador está socialmente muito próximo daquele que entrevista, ele lhe dá, por sua permutabilidade com ele, garantias contra a ameaça de ver suas razões subjetivas reduzidas a causas objetivas; suas escolhas vividas como livres, reduzidas aos determinismos objetivos revelados pela analise. Por outro lado, encontra-se também assegurado neste caso um acordo imediato e continuamente confirmado sobre os pressupostos concernentes aos conteúdos e às formas da comunicação (...) (Bourdieu, 1997: 697)
Reconhecemos as limitações da abordagem, mas defendemos sua relevância, pois tem um caráter particular para recuperar nas lembranças fatos que muitas vezes não foram registrados em documentos como as impressões particulares. Percebemos que os entrevistados pareceram não sentir nenhum desconforto ao mostrarem experiências passadas (lembranças tenras ou difíceis, estas em alguns momentos se fizeram presente e emocionaram), eles buscaram na memória experimentos, interpretações de determinados acontecimento e contexto de conflitos vivenciados na instituição.

O SEPE e seu contexto
Faremos uma breve incursão à história do SEPE no intuito de localizar os sujeitos (complexo que se constitui de maneira múltipla, heterogênea e fragmentada; sujeito coerente e incoerente; dono de angustias e de projeções) na instituição que se legitimou por meio das ações de seus sujeitos. A história da profissão docente é marcada por embates e disputas para se definir ou redefinir o papel dos professores e seu estatuto socioprofissional.

As primeiras iniciativas de organização do magistério em associações foram empreendidas por professores primários na metade do século XIX.

Nas primeiras três décadas do século XX é possível identificar o aparecimento de outras iniciativas, também, relacionadas aos professores primários. Por conta da política trabalhista nos anos de 1930, do governo de Getulio Vargas – começaram a aparecer os sindicatos representativos dos professores secundários que atuavam em instituições privadas. No entanto, os professores primários que trabalhavam em instituições privadas, também tinham suas representações nesses sindicatos.

No entanto, algumas dessas entidades também representavam os professores primários, mas sempre das instituições privadas. Com o aparecimento de novas associações de professores primários em diversos estados brasileiros – no período dos anos de 1950 e 1960 – favoreceu a fundação, em 1960, de uma entidade representativa do magistério em nível nacional, a Confederação dos Professores Primários do Brasil (CPPB), dando origem a atual Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

No decorrer das décadas de 1970, 1980 e 1990, através da complexificação do movimento social ocorreram algumas fusões entre associações já existentes, o que demonstra o próprio aumento do nível de organização docente.iii

O SEPE foi se estruturando nos municípios de acordo com as necessidades, inicialmente ele era unicamente zonal, no entanto, os núcleos regionais começaram a ser criados na década de 1980 (SILVA, 2006). Hoje em dia o SEPE é formado por nove núcleos regionaisiv situados na capital e nos seus bairros, adjacentes.

Quanto ao atendimento aos demais municípios do Estado, o SEPE/RJ foi se municipalizando e com isso, sua representatividade nesses municípios procurou atender tanto os profissionais da rede Estadual quanto aos profissionais da rede Municipal, como é o caso do SEPE de Nova Iguaçu.

Os núcleos municipais são de Angra dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Belford Roxo, Cabo Frio (Lagos),Cachoeiras de Macacu, Campos, Conceição de Macabu, Costa do Sol, Costa Litorânea, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Itaocara, Itaperuna, Itatiaia, Japeri, Lage de Muriaé, Macaé, Magé/Guapimirim, Mangaratiba, Maricá, Mendes, Miguel Pereira, Nilópolis, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Pinheiral, Porciúncula, Porto Real/Quatis, Queimados, Resende, Rio Bonito, Rio das Ostras, Santo Antônio de Pádua, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica, Tanguá, Teresópolis, Três Rios, Valença, Vassouras e Volta Redonda.v

A administração vida sede de Nova Iguaçu é composta por um colegiado, cujos sujeitos de nossa análise assumiram cargo de liderança por meio de eleição. Assim, ficou estabelecida que por maioria de votos, a chapa 2 ficou responsável pela diretoria geral e é representada por dois sindicalistas e um suplente, a chapa 1 ficou responsável pela tesouraria também representada por dois sindicalistas e um suplente, a chapa 4 ficou responsável pelos eventos culturais com apenas um representante e por fim a chapa 3 também com uma representação. Desta maneira, a tomada de decisões não se restringe apenas a uma pessoa ou uma chapa.

Contudo, diante desta forma de direção, encontramos embates de posição, uma das chapas possui ligação com o governo. Atendendo, portanto, interesses específicos do grupo de esta no poder.

Ao analisar as relações de poder que os lideres sindicais ocupam, percebemos que conscientemente ou não eles procuraram adotar estratégias para conservar suas posições, seja por meio de alianças com o governo ou por acordos com outras chapas.

A entrevistada sinaliza que:


Teve uma eleição do SEPE em 2009, nos organizamos e montamos uma chapa, mas a chapa do governo ganhou de novo, o governo bancou a campanha, o material. O carisma do prefeito Lindeberg ajudava a chapa 2. O governo sabe da importância do sindicato...
Estamos trabalhando aqui com o conceito de campo (Bourdieu, 1983) para compreender a organização dos espaços de trabalho – SEPE - como um espaço estruturado, que possui disputas próprias do campo educacional onde são travados conflitos e lutas em seu interior para legitimar regras e princípios de regulação, assim como, seu funcionamento e interesses específicos.

Para entender um campo – nosso caso, o campo político - é importante entender como os sujeitos se identificam uns com os outros. O que consiste nas relações entre os indivíduos, grupos e estruturas sociais. Um espaço dinâmico que obedece a leis próprias, animada sempre pelas disputas ocorridas em seu interior.

O que determina a existência de um campo e define seus limites são os interesses e investimentos específicos, com isso, cada campo cultivam seu próprio objeto – artístico, político, religioso, educacional, cientifico, etc. – funcionando de forma autônoma no interior da sociedade. Os indivíduos que compõe um campo específico possuem habitus semelhantes, isto é, a forma como produzem e acumulam.

Enfim, os sujeitos que compõe a liderança sindical do SEPE de Nova Iguaçu, possuem elementos que os caracteriza dentro do campo político, como a ocupação do cargo de liderança.



Considerações finais
Com base nas considerações acima, este estudo teve a pretensão de contribuir para a discussão sobre a forma de constituição de uma disposição política. Acreditamos as narrativas/ histórias de vida do professor seja uma alternativa que possibilita o avanço dos trabalhos sobre essa mesma questão.

Investigar as trajetórias dos professores sindicalizados implica em conhecer melhor o espaço institucional que os mesmos estão inseridos.

É, também necessário, reconhecer que todo o processo de evolução política da organização da categoria / movimento sindical docente, passou e continua passando por mudanças. A difícil configuração – socioeconômica - a qual a sociedade vem passando e que envolve algumas ideologias seja de extrema esquerda ou de direita provocam possíveis implicação sociais, isto é, colaboram para que haja crise nos movimentos sindicais.

Nesse sentido, acreditamos que as reflexões acima sirvam para meu estudo no âmbito do Mestrado, uma vez que estou desenvolvendo um trabalho onde entrevistas com professores sobre sua trajetória de vida/profissional me possibilitam identificar as formas como certas disposições políticas dos professores entrevistados foram forjadas.

Para isso, as leituras acima poderão servir de fomento para a construção de uma dissertação mais consistente. Utilizarei estes trabalhos como fontes, onde pretendo unir historia de vida, socialização e formação política. Neste sentido, pretendo analisar através de entrevistas a trajetória de vida de oito professores que estão na liderança do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do município de Nova Iguaçu e compreender em que medida a escolarização influenciou a opção pela profissão docente e posteriormente a militância no sindicato. Também desejo entender  se as opções políticas dos professores sindicalistas entrevistados são fruto de relações sociais anteriores (grêmios, associações religiosas, movimentos sociais e movimentos culturais).

Enfim, para uma reflexão  crítica sobre as trajetórias de vida/profissionais é preciso entender  algumas influências e escolhas que os próprios professores realizaram para,  assim, poder compreender o processo da construção da identidade profissional e das disposições políticas dos professores em foco. Enfim, entender que na formação profissional existem  elementos que são fatores que interferem diretamente na construção identitária  e política do profissional.

Nesse sentido, posso afirmar que o desafio está lançado!
Referências

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BADARÓ, Marcelo Mattos. Novos e velhos sindicalismos no Rio de Janeiro (1955-1988).Niterói: UFF, 1996 (Tese de Doutorado).
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GIROUX, Henry  A. Os professores como intelectuais. Rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Tradução Daniel Bueno. Porto Alegre. Ed. Artmed, 1997.
Notas

i A entrevistada está se referindo a proposta do estudo que coloca como ponto central os sujeitos do Sepe de Nova Iguaçu. No caso deste estudo, a escolha dos entrevistados esteve vinculada à necessidade de compreender como é formada uma disposição política da liderança sindical.


ii Oferecendo o número do celular do indicado para marcar entrevista.

iii A exemplo disso temos no movimento docente do Rio de Janeiro: “A União dos Professores do Rio de Janeiro (UPRJ) – fundada em 1948 como a União dos Professores Primários do Distrito Federal (UPP - DF) e posteriormente denominada União dos Professores do Estado da Guanabara (UPEG) – fundiu-se, em 1979, com a Associação de Professores do Estado do Rio de Janeiro (APERJ) e com a Sociedade Estadual de Professores (SEP/RJ) - ambas criadas em 1977 – dando origem ao Centro Estadual de Professores do Rio de Janeiro (CEP/RJ).” (Quintanilha,1999; Masson,1988; Sobreira,1989. Apud. Vicentini e Lugli, 2009; p. 100)


iv As 9 regionais encontran-se situadas na capital do Estado do Rio de Janeiro:Regional I – Laranjeiras; Regional II – Madureira; Regional III – Méier; Regional IV – Bonsucesso; Regional V - Campo Grande; Regional VI - Jacarepaguá / Taquara; Regional VII - Ilha do Governador; Regional VIII - Bangu e Regional IX - Santa Cruz.

v As informações foram consultadas no site www.sepe.org.br no dia 05 de fevereiro de 2011-02-18

vi Instanciado ao Congresso Estadual, Conferência Estadual, Assembléia geral,Conselho Deliberativo, Diretoria Estadual e Conselho Fiscal, o sindicato é dirigido por um colegiado composto por 48 membros; sua estrutura de funcionamento divide-se em Coordenadorias (Geral, da Capital; do Interior e Grande Rio) e Secretarias de Organização, Finanças, Imprensa e Comunicação, de Aposentados, Funcionários Administrativos, de Assuntos Educacionais, de Cultura e Formação Sindical, de Assuntos Jurídicos e Funcionais, de Gênero, Anti-racismo e Orientação Sexual, de Saúde. (SEPE/RJ, Art.36, in: Silver, 2002,p.91. Apud Silva, 2006).





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