Camille Flammarion



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Camille Flammarion

O Poeta das Estrelas

Fontes: Sociedade de Estudos Espíritas Camille Flammarion



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Biografia 01

O popularizador da Astronomia e divulgador do Espiritismo, "de estatura regular, de expressiva fisionomia, o ilustre astrônomo parece concentrar em seu olhar toda a energia de sua alma, toda a vivacidade de seu espírito. Até o nome leva o selo de sua natureza e, por assim dizer, o signo estranho de seu destino (Flamma Orionis...)" (Biografias, Artículos y Datos Espiritistas, recopilados por E.E.G. - Madrid - Revista Psicologia La Irradición, 1896).

Astrônomo célebre, sábio e filósofo, o extraordinário investigador francês é, também, famoso e respeitado autor espírita, presidente da "Societé Astronomique de France", diretor do Observatório de Juvisy, dotado de "estilo encantador" (como se refere Léon Denis); ex-presidente da S.P.R. (Society for Psychical Research), encarnado em Montigny-le-Roi, Haute-Marne, França, num sábado, à uma hora do dia 26 de fevereiro de 1842; e, como ele mesmo diria mais tarde, "estava muito impaciente para chegar à Terra, e não esperou os 9 meses; nasceu aos 7 meses."

A região da cidade onde nasceu teve uma grande influência romana; daí a razão de muitos dos seus habitantes terem nomes com essa origem. Camille é um deles.

Era descendente de modesta família de lavradores. Aos 4 anos sabia ler. Na Escola Comunal foi o primeiro da classe, conquistando, nos primeiros cursos, uma Cruz de Honra, que guardava como recordação de seu primeiro mestre, o Senhor Crapelet.

Sua desencarnação ocorreu, aos 83 anos, em Juvisy-sur-Orge, França, tendo sido "inhumé dans son jardin", no vasto Parque do Observatório, de Juvisy, no dia 4 de junho de 1925. "Il est mort comme um poète, comme um amourex du ciel."

Com a sua desencarnação, sua esposa Mme. Gabrielle Camille Flammarion (quando solteira, Gabrielle Renaudot, que era sua secretária) assumiu a direção do Observatório, desencarnando, porém, dois anos após.

Em 1858, com 16 anos de idade, Camille foi admitido como auxiliar no Observatório de Paris e fez parte do "Bureau des Longitudes", como calculador.

Desde muito jovem se deu a conhecer no mundo das letras com a notável obra "La Pluralité des Mondes Habités", que escreveu aos 19 anos de idade.

Ele morou em Paris, no piso mais alto de uma casa que forma a esquina da rua Cassini com a avenida do Observatório, a que se ligou muito, pois foi aí que sofreu as amargas vicissitudes da luta pela própria existência e onde gozou das maiores alegrias de sua vida. Nesta casa ele escreveu a maioria das obras que lhe deram fama; onde também, depois de casar-se, morou com a sua fiel companheira, esclarecida confidente de todos os seus trabalhos, e sua preciosa secretária.

O gabinete de Flammarion era muito singelo; mas, nas paredes, sobre o pavimento, em cima das mesas e das cadeiras, por todos os lados, uma montanha de livros, periódicos, folhetos e papéis. A sua mesa estava sempre coberta de cartas, que chegavam todos os dias, dos quatro extremos do mundo, e de provas para a sua Revista "L´Astronomie", que fundara em 1882, e para o "Nouveau Dictionnaire Encyclopedique, etc."

Durante cerca de uma dezena de anos, Flammarion recebia, quase todas as semanas, extensas cartas de um Senhor chamado Meret, de Burgos, que o felicitava. - Flammarion, demasiado ocupado para responder a tal desbordamento de entusiasmo, se contentava em dar-lhe graças de vez em quando, por um breve bilhete de recebimento. Flammarion já não se preocupava com o generoso Bordelés, quando, um dia, se apresentou um notário em seu domicílio, para anunciar-lhe que M. Meret, sentindo próximo o seu fim, e não tendo herdeiros, lhe legava totalmente - objetivando que a utilizasse para seus estúdios - a bela e vasta propriedade que possuía em Juvisy, e que se chamava, no país, o " castelo da corte de França..."

Em 1883, Flammarion fundou o Observatório Juvisy, que dirigiu durante toda a sua vida.

Foi presidente da "Societé Astronomique de France" e professor do Príncipe Imperial.

Em 1923 presidiu a "Society for Psychical Research". Fez experiências, entre outras, com as médiuns Madame Girardin (na casa de Victor Hugo, em Jersey), Mademoiselle Huet e Eusápia Paladino.

O "Anuário Espírita do Brasil" (1931, 1ª ed.) destaca que "o sábio das constelações siderais, com a sabedoria de mestre, provou ao mundo que os domínios da Astronomia não iam somente ao conhecimento dos corpos celestes".

O Imperador Pedro II, amante das ciências, foi visitar o astrônomo em seu retiro e plantou, com as suas próprias mãos, no parque, para perpetuar a memória de sua passagem, um pequeno cedro do Líbano, de cujo ato Flammarion, por sua vez, gravou em uma prancha de cobre, os detalhes desse acontecimento.

Espírita sincero e fervoroso, publicou, ainda, entre outras, as seguintes obras:
1) Filosóficas:
"La Pluralité des Mondes Habités", Paris, Ledoyen, 1862, 2 vol. "in" 12, de 108 e 108 pp.; 2ª ed. Aumentada e ilustrada, Paris, Didier, 1864, "in" 12; publicada ao deixar o Observatório.

Trata-se de um estudo em que se expõe as condições de habitabilidade das terras celestes, discutidas sob o ponto de vista da Astronomia, da Fisiologia e da Filosofia Natural.

"A Astronomia", refere-se " Flammarion, deixou de ser uma ciência abstrata, reservada unicamente a um mui pequeno número de práticos. Tornou-se popular, conforme a esperança há trinta anos, formulada por Arago, o engenhoso astrônomo, que a não viu realizada como desejava" (Paris, 1872, tomo I, em Advertência da 17ª ed., p.11)

Essa obra foi traduzida para o português, do original francês da 23ª edição, com o título "A Pluralidade dos Mundos Habitados", por J.M. Vaz Pinto Coelho, em 1878, em dois tomos, tomo I, edição da Livraria Garnier Irmãos, Rio de Janeiro, "in" 8, 266 pp., e tomo II, de B. L. Garnier, Rio de Janeiro, "in" 8, 234 p.p. Versão espanhola de Juan Olivers, Ed. Barcelona, 1873 (RE - 1863 - Janeiro e RE - 1864 - Agosto e Setembro).

Allan Kardec faz extenso comentário dessa obra (RE - 1863 - Janeiro): "Posto não se trate de Espiritismo nesta obra", diz, "o assunto é daqueles que entram no quadro de nossas observações" (ob. cit.), e esclarece que "a obra é dividida em três partes. Na primeira, sob o título de Estudo Histórico, o autor passa em revista a imensa lista de sábios e filósofos, antigos e modernos, religiosos e profanos, que professaram a doutrina da pluralidade dos mundos habitados, desde Orfeu até Herschel e Laplace" (ibidem)

Do tomo II - Livro IV, p. 8 - Os Céus, destacamos: "o microscópio revelou-nos que a potência criadora tem espalhado a vida em todos os lugares sobre a Terra, e, que, abaixo do mundo visível há seres até a mais extrema pequenez; o telescópio vai ensinar-nos que é impossível ao nosso espírito abraçar toda a extensão desta potência, e que, segundo a palavra de Pascal, em vão incharíamos nossas concepções além dos espaços imagináveis; não chegaríamos nunca senão a produzir átomos a preço da realidade.

Eis aqui, com efeito, o quadro o mais magnífico que possam admirar os nossos olhos, o espetáculo o mais imponente que seja dado ao homem testemunhar: aquele da IMENSIDÃO DOS CÉUS".

-"Les Mondes Imaginaires et les Mondes Réels" (Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais). Viagem pitoresca no Céu. Paris, 1876, "in" 12.

"Les Habitantes de l´autre monde". Revelações do além túmulo, primeira e segunda série. Comunicações ditadas por "coups frapés" (batidas de copos ou copos batedores) e por escrita medianímica no "Salon Mont Thabor", pela médium Mademoiselle Huet. Paris, Ledoyen, 1862, 2 vols. "in" 12, ambos de 108 pp.

"Lúmen - Histoire d´une Comète". História de uma Alma; História de um cometa no infinito; A Vida Universal e Eterna, Paris, 1867, Librairie International, 15 Boulevard Montmartre, "in" 8º; outra edição, Paris, 1875, "in" 12. Ilustrações de Lucien Rudaux.

Essa obra foi traduzida para o português, com o título "Narrações do Infinito", por Almerindo Martins de Castro, FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1938, 1ª ed., 188 pp. (RE - 1867 - Março e Maio) e, para o espanhol, por "La Vida Editorial", Barcelona, Espanha, s.d. tomo I; "Historia de um Cometa e Estrela de la Mañana", 127 pp.,tomo II, "El Infinito e La Musa Del Cielo", 125 pp., tomo III, "Dios e El Progresso Eterno", 126 pp.

"Dieu dans la Nature"., Trata da Força e da Matéria, da Vida, da Alma, da Destinação, dos Estados e das Coisas, das Diferentes idéias de Deus segundo os homens, etc. Foi a maior alavanca assestada contra o materialismo científico. Paris, 1867, Didier et Cie. "in" 12.

Traduzida para o português, com o título "Deus na Natureza", por M. Quintão, FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1959, 1ª ed. 416 pp., 1987, 4ª ed. 416 pp. (RE - 1867 - Setembro). Versão espanhola de A. Lopez llasera, Ediciones "Constancia", Buenos Aires, Argentina, 1960, 367 pp.

"La Fin du Monde". A ameaça celeste. Como o mundo acabará. A Crença do fim do mundo. As etapas do futuro. Após o fim do mundo terrestre, etc. Paris, Ernest Flammarion, Éditeur, 1894, 418 pp. "in" 12. - Traduzido para o português, com o título "O Fim do Mundo", por M. Quintão, FEB - Federação Espírita Brasileira, RJ, 1951, 1ª ed., 1979 4ª ed. 247 pp.

"Uranie", com numerosas ilustrações de Bieler, Gambard e Myrbach; Paris, Marpon et Flammarion, 1889, "in" 12, 288 pp. "A Criação é um poema, do qual cada letra é um sol".

"Stella". Romance de palpitante interesse, pleno de ciência espiritualista. Paris. Flammarion, 1897, "in" 12. Traduzido para o português, com o título "Estela", por Almerindo Martins de Castro, FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1938, 1ª ed., reeditado em 1950, 332 pp. 1992, 6ª ed. 332 p.

"Rêves étoiles". Paris, s.d. E. Flammarion, Éditeur, 1 vol. "in" 12; traduzida para o português, com o título "Sonhos Estelares", por Arnaldo S. Thiago, ed. FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ., 1ª ed. 1941, 244 pp.

"L´Inconnu et les Problèmes Psychiques". Manifestações dos moribundos, aparições, telepatia, comunicações psíquicas, sugestões mentais, visão à distância, etc. - Paris, Ernest Flammarion, 1907, "in" 12. Foi traduzido para o português, com o título "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos", por Arnaldo São Thiago, FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, Vol. I, 1954, 1ª ed. 512 pp., 1990, 5ª ed. 512 pp., e Vol. II, 1937, 1ª ed. 1990, 5ª ed.

"Les Forces Naturelles Inconnues" (As Forças Naturais Desconhecidas), sob o pseudônimo de Hermés, Paris, Didier et Cie. Fred Henry, Dentu, 1865, monografia com 152 pp., declarando que é "uma refutação, sob o ponto de vista da ciência, às críticas dirigidas contra os fenômenos espíritas, a propósito dos irmãos Davenport, e à assimilação que se pretendeu estabelecer entre esses fenômenos e os "tours" de prestidigitação" (Fonte: Allan Kardec, vol. III, p. 62")

"La Morte et son Mystère", 3 vols. Síntese espiritualista na busca de provas positivas da sobrevivência da alma, relatando fatos observados e comprovados de aparições, hipnotismo, premonições e telepatia, entre outros. A realidade do ser espiritual sobrevivente é demonstrável no atual estágio da Ciência.

Tomo I - "Avant La Mort", Ernest Flammarion, Editeur, Paris, 1920, 400 pp. "in" 18.

Tomo II - "Autour de la Mort", Ernest Flammarion, Editeur, Paris, 1921, 422 pp. "in" 18.

Tomo III - "Après la Mort", Ernest Flammarion, Editeur, Paris, 1922; 443 pp. "in" 18.

Traduzidas para o português (sem nomear o tradutor), com o título "A Morte e os seus Mistérios"; ed. FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, v. 1, 1955, 1ª ed. 319 pp; 1989, 4ª ed. v. 2, 1955, 1ª ed, 361 pp., 1990, 4ª ed; v. 3, 1955, 1ª ed. 366 pp., 1990, 4. ed.

"Les Maison Hantées". Aborda fenômenos psíquicos comprobatórios da existência do Espírito. Paris, "in" 8º. Traduzida para o português, com o título "As Casas Mal-Assombradas", por M. Quintão, FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1937, 1? ed. 332 pp., 1980, 3ª ed., 331 pp. 1991, 5ª ed. 331 pp.
2) Astronomia prática:
"La Terre et la Lune", Limoges, s.d. "in" 4. A Terra no Céu. A Terra Planeta e o mundo. Condições de habitabilidade do mundo lunar. As influências da Luz, etc.

"Le Planète Mars et ses conditions d´habitabilité". Enciclopédia geral das observações marcianas. Tomo I, 1892. da Origem, 1636 a 1890; e Tomo II, 1909, de 1891 a 1900 (1000 desenhos e 40 cartas).

"Le Planète Vênus". Discussão geral das observações (94 desenhos).

"Les Étoiles doubles". Catálogo de estrelas múltiplas em movimento.

"Histoire du Ciel", Filosofia do Céu. Os hierofantes egípcios. Sistemas astronômicos. A superstição dos números. Astrólogos, alquimistas e magos, etc. Paris, 1872, "in" 8. Ilustrados com inúmeros desenhos e cartas.

"Études sur l´Astronomie", Nove volumes, "in" 18.

"L´Invention des lunettes d´approche et Galilée", "in" 8.

"Grande Atlas Céleste" , contendo a relação de mais de mil estrelas. In fólio.

"Grande Carte Céleste", contendo todas as estrelas visíveis a olho nú.

"Planisphère móbile" , dando a posição diária de cada estrela.

"Globes de la lune et de la planète Mars".

"Carte Générale de la Lune".


3) Ensinos de astronomia:
"Qu´est ce que le Ciel? Astronomie elementaire", "in" 18.

"Initiation Astronomique"

Com 89 gravuras, "in" 12. Foi traduzida para o português, com o título "Iniciação Astronômica", por Manuel Ribeiro, s.d. Lisboa, Portugal, Livraria Editora Guimarães & Cia., 68 do Mundo, 70, 216 pp.

Destacando que "o conhecimento das maravilhas do universo constitui uma ciência muito vasta", Flammarion se refere que "durante longos séculos, a ilusão criada pelas aparências enganou os observadores sobre a realidade dos movimentos celestes, sobre a natureza dos astros e principalmente sobre a posição e as condições de estabilidade do nosso planeta. Supunha-se que a Terra permanecia imóvel no centro do mundo, base e fim de toda a criação." (ob. cit. p.6)

"Astronomie des Dames", "in" 12, ilustrada.

"Astronomie Populaire". Paris, C. Marpon et E. Flammarion, 1881, "in" 8, 483 pp., 300 figuras. A Academia Francesa, pela publicação dessa obra conferiu-lhe o prêmio "Montyon" de 1880.

Esta obra foi traduzida pra os principais idiomas; posteriormente foi incluída uma parte filosófica - "Les Étoiles et les Curiosités du Ciel". Suplemento de "Astronomie Populaire" - que a tornou, em 1864, revolucionária, por demonstrar os enganos das antigas crenças.

"Les Terres du Ciel". Descrição astronômica, física, climatológica, geográfica dos planetas que gravitam com a Terra em torno do Sol. Paris, 1877, "in" 8.

"Les Merveilles Célestes", Paris, Hachette, 1 vol. "in" 12.

Traduzida para o português, com o título "As Maravilhas Celestes", Por Alexandre da Conceição, 1937, Editora Educação Nacional, Porto, Portugal, Rua do Almada, 125, 4ª ed. 452 pp.

"Copérnic et le sistème du monde", "in" 18.

"Annuaires astronomiques".


4) Ciências gerais
"Le Monde avant l' apparition de l´homme". Origem da Terra. Origens da Vida. Origens da Humanidade. Paris, Marpon, 1886, "in" 8.

"L´Atmosphère, Météreologie Populaire". Paris, Hachette, 1888, ‘in' 4, colorida, com 107 figuras.

"Mes Voyages aériens", "in" 12.

"Contémplations Scientifiques". A natureza, os homens e os animais. 2ª. série, Paris, Flammarion, 1887, "in" 16.

"L´Eruption du Krakatoa", "in" 18.

"Les Tremblements de terre et les Eruptions volcaniques", "in" 12.

"Curiosités de la Science, le temps et le Calandrier", "in" 18.

"Les Phénomènes de la Foudre", "in" 8º.

"Les Caprices de la Foudre", "in" 18.
5) Variedades
"Mémoires biographiques et philosophiques d´un Astronome" , 1 vol. ilustrado.

"Contes philosophiques".

"Vie de Copérnic" História da descoberta do sistema do mundo. Paris, Didier, 1872, "in" 12.

"Voyage dans le Ciel", extraído de "Rêves étoiles", "in" 18.

"Dans le Ciel et sur la Terre", "in" 12.

"Clairs de Lune", Paris, Flammarion, 1903, "in" 18. Traduzida para o português, em 1914, com o título "Contos de Luar", por Jayme Cortesão, ed. Guimarães & Cia., Lisboa, Portugal, 68, Rua do Mundo, 70, 164.

"Excursion sur les autres mondes", "in" 18.

Rendendo homenagem a Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, que desencarnara, repentinamente, dia 31 de março de 1869, Flammarion, a convite da Direção da Sociedade Espírita de Paris, consigna, no seu discurso, para a posteridade que "Ele era o que eu denominarei o bom senso encarnado", publicado, posteriormente, sob o título "Discours prononcé sur la tombe d´Allan Kardec", por Didier et Cie. Paris, 1869, Imp. P. A. Bourdier, 24 pp.; reeditado pela "Librairie Spirite", com o título "Le Spiritisme et la Science", Paris, 1869, "in" 8º., 24 pp., e incluída, por Pierre-Gaëtan Leymarie, em "Oeuvres Posthumes d´Allan Kardec" (Obras Póstumas) (RE - 1869 - Maio; OP, Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec).

As obras de Flammarion foram traduzidas para grande número de idiomas - para o inglês, espanhol, sueco, dinamarquês, italiano, húngaro, checo, holandês, romeno, russo, alemão, português - e são referidas na "Revue Spirite", que também publica seus artigos, que relacionamos a seguir:

1863 - Janeiro: Bibliografia - A Pluralidade dos Mundos Habitados;

1863 - Abril: Os Espíritos e o Espiritismo.

1864 - Janeiro: Variedade - Fontenelle e os Espíritos Batedores.

1867 - Março: Notícias Bibliográficas - Lúmen - relato Extraterreno.

1867 - Maio: Lúmen.

1867 - Agosto: Notícias Bibliográficas - Deus na Natureza.

1867 - Dezembro: O Homem antes da História - Ancianidade da Raça Humana.

1869 - Maio: O Espiritismo e a Ciência.

(Da Revista ICESP, ano 4, nº 14, 2º trimestre/2005 - autoria Dr. Paulo Toledo Machado)


Biografia 02
Camille Flammarion
Fontes: Autores Espíritas Clássicos
www.autoresespiritasclassicos.com

Nascido em Montigny-Le-Roy, França, no dia 26 de fevereiro de 1842, e desencarnado em Juvissy no mesmo país, a 4 de junho de 1925.

Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o século 19. Ele era o mais velho de uma família de quatro filhos, entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades excepcionais. Queixava-se constantemente que o tempo não lhe deixava fazer um décimo daquilo que planejava. Aos quatro anos de idade já sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco já dominava rudimentos de gramática e aritmética.

Tornou-se o primeiro aluno da escola onde freqüentava.

Para que ele seguisse a carreira eclesiástica, puseram-no a aprender latim com o vigário Lassalle. Aí Flammarion conheceu o Novo Testamento e a Oratória. Em pouco tempo estava lendo os discursos de Massilon e Bonsuet.

O padre Mirbel falou da beleza da ciência e da grandeza da Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as palavras. Esse auxiliar era Camille Flammarion, aquele que iria ilustrar a letra e a significação ítalo-romana do seu nome - Flammarion: "Aquele que leva a luz".

Nas aulas de religião era ensinado que uma só coisa é necessária: "a salvação da alma", e os mestres falavam: "De que serve ao homem conquistar o Universo se acaba perdendo a alma?".

Foi dura a vida dos Flammarions, e Camille compreendeu o mérito de seu pai entregando tudo aos credores. Reconhecia nele o mais belo exemplo de energia e trabalho, entretanto, essa situação levou-o a viver com poucos recursos.

Camille, depois de muito procurar, encontrou serviço de aprendiz de gravador, recebendo como parte do pagamento casa e comida. Comia pouco e mal, dormia numa cama dura, sem o menor conforto; era áspero o trabalho e o patrão exigia que tudo fosse feito com rapidez. Pretendia completar seus estudos, principalmente a matemática, a língua inglesa e o latim. Queria obter o bacharelado e por isso estudava sozinho à noite. Deitava-se tarde e nem sempre tinha vela. Escrevia ao clarão da lua e considerava-se feliz. Apesar de estudar à noite, trabalhava de 15 a 16 horas por dia.

Ingressou na Escola de desenho dos frades da Igreja de São Roque, a qual freqüentava todas as quintas-feiras. Naturalmente tinha os domingos livres e tratou de ocupá-los. Nesse dia assistia as conferências feitas pelo abade sobre Astronomia. Em seguida tratou de difundir as associações dos alunos de desenho dos frades de São Roque, todos eles aprendizes residentes nas vizinhanças. Seu objetivo era tratar de ciências, literatura e desenho, o que era um programa um tanto ambicioso.

Aos 16 anos de idade, Camille Flammarion foi presidente da Academia, a qual, ao ser inaugurada, teve como discurso de abertura o tema "As Maravilhas da Natureza". Nessa mesma época escreveu "Cosmogonia Universal", um livro de quinhentas páginas; o irmão, também muito seu amigo, tornou-se livreiro e publicava-lhe os livros. A primeira obra que escreveu foi "O Mundo antes da Aparição dos Homens", o que fez quando tinha apenas 16 anos de idade. Gostava mais da Astronomia do que da Geologia. Assim era sua vida: passar mal, estudar demais, trabalhar em exagero.

Um domingo desmaiou no decorrer da missa, por sinal, um desmaio muito providencial. O doutor Edouvard Fornié foi ver o doente. Em cima da sua cabeceira estava um manuscrito do livro "Cosmologia Universal". Após ver a obra, achou que Camille merecia posição melhor. Prometeu-lhe, então, colocá-lo no Observatório, como aluno de Astronomia. Entrando para o Observatório de Paris, do qual era diretor Levèrrier, muito sofreu com as impertinências e perseguições desse diretor, que não podia conceber a idéia de um rapazola acompanhá-lo em estudos de ordem tão transcendental.

Retirando-se em 1862 do Observatório de Paris, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar à Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regiões silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observatório, publicou no mesmo ano a sua obra "Pluralidade dos Mundos Habitados", atraindo a atenção de todo o mundo estudioso. Para conhecer a direção das correntes aéreas, realizou, no ano de 1868, algumas ascensões aerostáticas.

Pela publicação de sua "Astronomia Popular", recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o prêmio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rotação dos corpos celestes, através do qual demonstrou que o movimento de rotação dos planetas é uma aplicação da gravidade às suas densidades respectivas. Tornando-se espírita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as últimas palavras à beira do túmulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou "o bom senso encarnado".



Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado espírita da pluralidade dos mundos habitados e são as seguintes: "Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais", "As Maravilhas Celestes", "Deus na Natureza", "Contemplações Científicas", "Estudos e Leitura sobre Astronomia", "Atmosfera", "Astronomia Popular", "Descrição Geral do Céu", "O Mundo antes da Criação do Homem", "Os Cometas", "As Casas Mal-Assombradas", "Narrações do Infinito", "Sonhos Estelares", "Urânia", "Estela", "O Desconhecido", "A Morte e seus Mistérios", "Problemas Psíquicos", "O Fim do Mundo" e outras.

Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um filósofo enxertado em sábio, possuindo a arte da ciência e a ciência da arte. Flammarion - "poeta dos Céus", como o denominava Michelet - tornou-se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convicções inabaláveis, foi um verdadeiro idealista e inovador. FIM



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