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BRUNA SANTOS FREITAS DA SILVA

A REPRESENTAÇÃO DA FAMILIA NAS TELINHAS

A GRANDE FAMÍLIA

UERJ


2011
A REPRESENTAÇÃO DA FAMILIA NAS TELINHAS

A GRANDE FAMÍLIA

BRUNA SANTOS FREITAS DA SILVA

Monografia de conclusão do curso de Comunicação Social apresentada ao Departamento de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social da UERJ.

Orientador Dr. Marcelo Ernandez.

Rio de Janeiro, 2°. sem. de 2011

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
A REPRESENTAÇÃO DA FAMILIA NAS TELINHAS- A GRANDE FAMÍLIA

BRUNA SANTOS FREITAS DA SILVA WOZON


Monografia submetida ao corpo docente da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel.


Banca Examinadora:


Marcelo Ernadez - Orientador

Fátima Regis - Banca

Fernando Gonçalves- Banca

Resultado:____________________

Conceito:_____________________

Grau obtido:__________________

Rio de Janeiro,___ / ___ / ______

Dedico esta monografia, primeiramente a Deus que só dá obstáculos aos que podem superar e capacita aos escolhidos rumo à vitória. A minha mãe que sempre me deu apoio em todos os momentos de minha vida. Ao meu esposo que sempre acreditou em meus esforços e sempre me incentivou a alcançar meus ideais. Ao meu pai que é meu anjo protetor. Ao meu irmão, meu amigo que me tem como exemplo a seguir. As minhas avós, pelos conselhos e palavras de amor. Aos parentes e amigos por acreditarem em meu potencial e sucesso.

Agradeço ao meu orientador, Prof. Marcelo Ernandez, pela paciência, dedicação e credibilidade que demonstrou durante o projeto e reuniões. A Mariana Mesquita roteirista do seriado A Grande Família, por sua entrevista, as famílias brasileiras entrevistadas e a todos que colaboraram para realização da monografia com sucesso.

“Dos presentes que o Senhor já te deu

Tua família é um dos mais importantes tesouros.”

Banda louvor e Glória.



RESUMO
SILVA,Bruna Santos Freitas da. A representação da familia nas telinhas- A Grande família. Uma análise sobre a representação da familia brasileira na midia através do seriado A grande Familia.

Orientador: Marcelo Ernandez. Rio de Janeiro: UERJ / FCS, 2011.

Monografia (Graduação em Comunicação Social)

Esta monografia tem como objetivo analisar a família brasileira como uma aliança social que influência e é influenciada por diversos meios externos a relação dos familiares, entre eles, outras pessoas, instituições religiosas, de educação, de trabalho, de lazer, pela mídia entre outros.

A ligação entre os membros de uma família pode ser ditada por descendência, ou seja, seus membros possuírem algum grau de parentesco, muitas vezes possuem o mesmo sobrenome. Ela pode ser formada também pela existência de interesses sentimentais ou materiais, entre os membros.

O presente estudo tem irá analisar a familia brasileira contemporânea retratada na mídia através do seriado A Grande Familia e por meio de questionários aplicados en diferentes famílais brasileiras. E verificar as semelhanças da familia ficticia com a realidade da familia contemporânea.

O tema é constituido a partir da análise dessas representações a fim da compreensão do indivíduo a respeito da familia apresentada nas telinhas. A teoria deste trabalho está constituida através do conceito dos autores Murray, Freyre, Beltrão, Zambelam e Marlise e analise do seriado A Grande Família exibido na emissora Globo em 1972 e 2001.
Palavras chave: familia, indivíduo, mídia.
LISTA DE SIGLAS



  1. SITCOM: comédia de situação encenada para uma platéia. A Grande família foi a primeira comedia de situação brasileira.




  1. IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


LISTA DE GRÁFICOS



  1. Família tradicional X família contemporânea

  2. Distribuição das famílias por tipo Brasil 1992-2002


.


LISTA DE ANEXOS


  1. Participações especiais

  2. Questionário


SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO.............................................................................................12

  2. FAMÍLIA ......................................................................................................13

2.1 SIGNIFICDO DO TERMO FAMILIA.............................................13

2.2 A ORIGEM DA FAMILIA.................................................................13



  1. .FAMILIA PATRIARCAL.............................................................................14

3.1 A FAMILIA PATRIARCAL NO BRASIL.............................................19

3.2 NOVOS MODELOS DE FAMILIA........................................................32



  1. A GRANDE FAMILIA...................................................................................37


Introdução

A família contemporânea possui a função de transmitir cultura e formar sujeitos. Ela é apresentada como um sistema onde cada membro exerce uma determinada função. Contar com o outro se tornou essencial à sobrevivência. A família é um espaço onde os opostos se complementam e é nela que as lembranças e emoções são despertadas.

Com o passar dos anos ocorreram mudanças na organização familiar, surgiram os diferentes tipos de famílias. Entre elas podemos destacar: As famílias de estrutura mono parental onde os pais criam seus filhos sem a ajuda de uma companheira (o), as famílias consangüíneas, onde há uma extensão entre pais e filhos para avós e netos, as famílias comunitárias onde o papel de educar os filhos é descentralizado dos pais, e se torna responsabilidade de todos os membros adultos que estão em volta da criança, sobretudo na escola, as famílias homossexuais, formadas pela união de membros do mesmo sexo podendo ter filhos, neste caso, adotados; e ainda a família tradicional que é a família patriarcal, onde o pai é o chefe da família, a mãe e os filhos são obedientes ao pai.

Este trabalho tem o objetivo de analisar aos seriados A Grande Família de 1972 e 2001. Comparar e mostrar a estrutura familiar das telinhas, como ela é apresentada nas mídias com os modelos de família contemporânea e tradicional. Estudar as mudanças ocorridas desde a família patriarcal até a família contemporânea e como podemos ver estas transformações exibidas na mídia; a fim de verificar como as mudanças foram significativas e capazes de mudar até mesmo na formação do indivíduo.

Para analisar o seriado A Grande Família foi aplicado um questionário a roteirista Mariana Mesquita e pesquisas bibliográficas sobre seriados. O método utilizado para estudar a família brasileira foi uma pesquisa bibliográfica em autores das ciências sócias, comunicação e psicologia e questionários aplicados em diferentes grupos de famílias.

FAMÍLIA


A palavra família derivada do latim familya. No dicionário podemos encontrar as seguintes definições para o termo: casa, escravos domésticos, comitiva, cortejo, pessoas que vivem sob o mesmo tetoteto, conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela. A família costuma ser formada por pais, filhos e/ou por duas pessoas ligadas pelo casamento e seus eventuais descendentes. Pessoas que têm um ancestral em comum e indivíduos com mesmo o sobrenome que possuam um antepassado semelhante. 
  1. “Um sistema social composto por indivíduos, cada um com seu papel, que trabalham para o funcionamento do sistema como um todo. Um lugar de acolhimento entre pessoas que possuem algum vínculo de afinidade.”

  2. (Artigo Sociedade, escola e família)

A família existe desde os primórdios da humanidade, aparece já na pré-história como uma forma de relacionamento entre as pessoas. Segundo Morgan a Família apareceu em três estágios: a família consanguínea onde pais e filhos não tinham relações sexuais e as famílias eram classificadas por gerações, nesta fase os irmãos mantinham um relacionamento de marido e mulher. Esta família evoluiu para a família panaluana onde não havia relações sexuais entre irmãos, apareceram os sobrinhos e primos; surgiam laços entre grupos fechados de parentes e os parentes não mais casavam entre si. Os casamentos começam a ser formalizados em instituições religiosas que separam o grupo familiar dos outros membros da comunidade. E com essas mudanças nas normas de casamento aparecia à família sindiásmica onde começa a ser exigida a fidelidade, o casamento era feito entre casais, e o adultério era visto com maus olhos, o que mais tarde se tornou o modelo familiar monogâmico formado por pai, mãe, filhos e escravos. Nesse modelo o marido era o pai e chefe da família, ele poderia possuir apenas uma mulher. O casal não deveria possuir relações sexuais e afetivas com outras pessoas (extraconjugais), sendo assim fiéis. O homem teria o dever de dar continuidade à vida e gerar herdeiros legítimos. Os laços entre o casal não poderiam ser desfeitos, pois existia um compromisso entre as partes em manter o relacionamento. (Engels 1948)

A FAMÍLIA PATRIARCAL

A família monogâmica evoluiu para a família patriarcal, onde o casal era reconhecido por um membro religioso, geralmente na cerimônia do casamento, (assim como na família panaluana) e a partir deste momento o marido passava a obter autoridade sobre os membros da família. Primeiramente sobre a esposa e os escravos; e mais tarde sobre os filhos. O poder do patriarca era a maior característica deste modelo familiar, influenciando os filhos até nos casamentos. Um exemplo são as famílias que tiveram sua origem com os casamentos arranjados, onde os noivos não se conheciam, e todo o matrimônio era planejado pelas famílias dos nubentes, desde a escolha dos noivos até o local onde o casal iria morar. Muitas vezes esses casamentos eram feitos por motivos politicos ou financeiros das famílais envolvidas.



1 família Patriarcal-Imagem retirada do site mhuther.org.br

A família patriarcal era numerosa, além dos membros fundamentais pai, mãe e filhos, possuía um grande número de criados, parentes entre outros agregados; todos sempre obedientes às ordens do patriarca, este produzia, cuidava da renda, dos bens e dos interesses da família. Todos dependiam dele para viver, e era ele quem decidia como seria o futuro dos membros da família. O autor Gilberto Freyre (1933) fala da família patriarcal como um meio de convívio entre seus membros:

“A família patriarcal era uma esfera onde todos conviviam com a autoridade do chefe e existia uma afetividade entre os membros. Existia uma unidade política, social e econômica com um importante papel histórico para humanidade”. (1933)

Segundo Freud o chefe da família, o patriarca, gerenciava o poder da vida e da morte daqueles que viviam em seus domínios. Nestas famílias pai e filho disputavam os olhares da mãe que representava a satisfação dos desejos, enquanto o pai representava o poder. Todos os problemas do indivíduo vinham de seu relacionamento com seus pais. (Disponível nos link shttp://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1666http://www.domusterapia.com.br/principal/ShowMateria.asp?var_chavereg=116)



A família patriarcal sobreviveu ao passar dos anos através da tradição, ou seja, seu modelo foi passado de geração em geração, e deste modo resistiu às transformações nos tempos modernos. A ciência nos ensina que a família patriarcal é responsável pela manutenção da vida no planeta, é o modelo que faz a humanidade sobreviver ao longo dos anos através da procriação; ela nos proporciona um elo entre o passado e o futuro através das recordações transmitidas entre as diferentes gerações.

A religiosidade que faz parte da cultura de vários povos, é uma fonte formadora de opinião nos exibe a família patriarcal em seus ritos, nos mostra o modelo patriarcal como o modelo familiar ensinado por Deus, o modelo correto o qual deve ser seguido por todos os membros da religião. As maiores religiões do mundo adotam a família patriarcal, fazendo assim o modelo familiar encontrar um grande número de adeptos em todo o planeta. O modelo está presente no Cristianismo, Budismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, entre outras.

.“O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a mulher, e eles formarão uma só carne.” (Bíblia Sagrada Genesis:2:24).“E Deus os abençoou, e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.”(Bíblia Sagrada 16:22,25)

2.Imagem Sagrada Família retirada do site cancaonova.com

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1No Cristianismo, encontramos em seu principal livro a Bíblia relatos de que a primeira familia patriarcal foi formada assim que Deus construiu o homem, Adão, e o pôs para viver no Paraíso. Deus não queria que o homem vivesse só e de sua costela modelou uma mulher, Eva, e a apresentou a Adão. Estes formaram uma família. Quando vemos a mulher sendo criada através da costela, podemos ver que ela foi criada para sempre estar ao lado de seu esposo, por essa razão não foi criada de outra parte do corpo do homem. Deus criou assim a primeira familia. Após serem expulsos do Paraíso por pecarem contra Deus, tiveram filhos, Caim e Abel e Set o qual gerou mais filhos e filhas, e assim começou o progresso da humanidade,originada de uma familia patriarcal. No novo testamento cristão o maior exemplo de familia patriarcal é mostrado através da Sagrada Família, a familia mais importante da religião. Como membros desta familia estão: Jesus Cristo, o filho de Deus, que desceu à terra como homem, Maria, sua mãe, que é uma jovem casta, obediente aos pais, futuramente ao esposo e temente a Deus e seu

A familia patriarcal é dada como o modelo a seguir nas religiões com mais adeptos no planeta, porém podemos analisar diferenças no modelo da familia, nas funções de seus membros. Nas familias cristãs e judaícas o marido sustenta a família, a esposa cuida dos filhos e do lar. Já na família mulçulmana a mulher é totalmente submissa ao marido, dotada de regras, de costumes, os quais jamais podem ser feridos pois todas as regras possuem penas rigorosas. Em todos essas religiões o marido tem o papel de prover sustento ao lar; sua figura é obedecida por todos os membros da familia.Uma diferença entre as familias destas religiões está presente na criação dos filhos. No islamismo o marido é o dono dos filhos, cabe a ele as decisões de como cuidar das crianças, nas outras religiões é uma tarafa da mãe. No Hinduísmo o modelo patriarcal é diferente dos demais, pois são atribuídos deveres aos membros da família, a mulher é a responsável pelas finanças e os outros membros de acordo com a idade e sexo têm funções no lar. A familia muda sua estrutura quando o filho pode sustentar-se, nesta familia os pais quem saem de casa , sendo a maior diferença em relação aos outros modelos, odne os filhos saem de casa quando podem sustentar-se. No hiduísmo a característica semelhante ao Islamismo é que a mulher também tem deveres ditados pela religião. Quando a mulher se casa, deixa de ser membro de sua familia original, de obedecer as ordens de seu pai e passa a ser membro da sua nova familia, obedecendo as ordens de seu marido.

esposo José que casa com ela mesmo sabendo que ela está grávida e cria o Filho como seu. Ele vive como marceneiro sustentando a familia que mais tarde seria a familia que deu origem ao Cristianismo.Outra grande religião é o Islaminismo, em seu livro principal o Alcorão, a familia patriarcal é retratada de forma a dar valor aos laços que os uni. Ela menciona a familia patriarcal logo nas primeiras revelações, através do profeta Maomé (Mohammad) que possuia um casamento monogâmico com Kharidija sua amada esposa, submissa e fiel. Somente após a morte da esposa, Maomé casa-se novamente com outras dezesseis mulheres. E leva uma boa vida sendo o patriarca desta numerosa familia. O livro procura mostrar a importância do amor no casamento, este que na religião é arranjado, mas acredita-se que o amor vem com o tempo. O Alcorão prega também, como a familia deve comporta-se, o adultério jamais será permitido sob pena de morte para os adulteros. As mulheres devem ser submissas aos seus maridos, devem vestir-se comportadamente para não exporem a figura, os homens devem ser fiéis à suas esposas, os filhos tementes aos seus pais, pois através da conduta deles o nome da familia será honrado ou não.

A FAMILIA PATRIARCAL NO BRASIL



A familia patriarcal foi o primeiro modelo de organização familiar no Brasil. Os patriarcas mantinham sua familia (a esposa, os filhos, os criados e os bens ) como propriedades privadas. Segundo o autor Pontes de Miranda(1971), o termo familia era usado em relação ao patrimônio pertencente ao chefe da familia, representado na figura do pai, o patriarca. Nesta fase da história brasileira a mulher era totalmente submissa e obediente ao esposo, não possuia direitos como cidadã, apenas deveres com a familia. Os demais membros viviam em condições semelhantes ao da esposa, todos tementes a autoridade do patriarca.

3imagem família colonial retirada do site profomar.blogspot.com

Segundo Freyre, a família colonial no Brasil era reunida com base na capitalização agrícola e no trabalho escravo.

“A família possuía vários papéis na sociedade, na política e na economia. A família colonial teve um papel importante na construção do país, pois era a família colonial quem cultivava o solo, comprava escravos e construía benfeitorias. Estes atos que muitas vezes tinham cunho políticos fizeram do rei de Portugal no Brasil um soberano que reinava, mas não governava.” (Freyre 1933:19)



2 O Judaísmo é considerada a religião da família, a origem da religião foi ordenado por Deus através de um pacto entre Abraão e seus descendentes. Os judeus acreditam na relação especial entre Deus e o povo judeu, manifestada através de uma revelação contínua de geração a geração.A esposa de abraão,Sara, que era estéril, mas foi abençoada por Deus e teve um filho Isaac, que teve Jacó e gerou a descendência de Abraão. O judaísmo acredita fazer parte de uma comunidade global com laços estreitos entre seus membros, os judeus. Sua fé tem fundamentos no lar e nas atividades da família, que tem uma estrutura patriarcal,onde esposa e filhos são obedientes ao pai e tementes a Deus.

A família colonial brasileira possuía diversas funções sociais e políticas. Existia um desejo de comandar, expresso nas relações privadas e na autoridade pública. Este desejo vinha de casa, onde o senhor de engenho comandava todos os membros da família e adotava costumes cruéis aos seus escravos, esses costumes estendiam-se para a vida social e política. Podemos observar atualmente o poder da família na sociedade, através da identidade nacional marcada por símbolos que a retratam. Nas expressões proclamadas pelo povo como “pátria mãe” e associações entre políticos e autoridades paternais, como Getúlio Vargas são exemplos do poder da família na história brasileira. (Lenharo 1986).

Segundo Freyre, a cultura brasileira tem seus fundamentos e princípios na relação familiar. No período colonial esses ideais eram apontados na relação entre a casa grande e a senzala, na forma de convivência entre os membros da família e na sua relação com a sociedade. Neste período, tinha como principal exemplo a infidelidade dos senhores com suas escravas, foi quando surgiu nas famílias brasileiras à mistura de raças.

“A história social da casa-grande é a história íntima de quase todo brasileiro: da sua vida doméstica, conjugal, sob o patriarcalismo escravocrata e polígamo; da sua vida de menino; do seu cristianismo reduzido à religião de família e influenciado pelas crendices da senzala. “(FREYRE, 2006, p. 44)


A principal atuação da família colonial no Brasil foi à construção social do país. O relacionamento com a família tinha importância no relacionamento político. Freyre aponta a família como célula- mater da sociedade, uma célula viva que sobrevive às gerações.

No Budismo, Buda significa o iluminado, e refere-se ao príncipe Siddharta Gautama fundador da religião. No budismo a família patriarcal é mostrada através do exemplo da familia do Buda, formada pelo patriarca, pela mãe, por Buda e pelos criados. Seu pai era denominado como o rei dos pais,o grande patriarca, e assim sua família pertencia à casta nobre dos chátrias. Segundo a tradição na noite do parto a mãe sonhou com um elefante branco que lhe penetrava no ventre, o qual foi interpretado pelos brâmeres que a criança se tornaria um príncipe universal ou um grande místico,um buda. A rainha Mahamaya teve seu filho ao ar livre, em uma visita a seus pais. A religião dá importância a familia patriarcal através do exemplo da principal familia, que é a familia do Buda, formada pelo patriarca, pela mãe, por Buda e pelos criados.

No Hiduísmo os seres humanos passam por diferentes vidas, nelas lições espirituais são aprendidas através da experiência na Terra. A religião fala sobre a familia patriarcal, onde o chefe será chamado de Gribasta, o qual é responsável pela manutenção familiar e em gerar proventos para todos. Sua posição no Hinduísmo é a mais importante, porque ele mantém os outros funcionando. A mulher é responsável pelas finanças, ela deve ser desapegada para não levar a família a ruina. Tudo que o marido ganha passa na mão da esposa, que deve gerenciar os bens da familia. As tarefas da casa são divididas de acordo com sexo e idade, e todos estão envolvidos, pois é um centro espiritual. E a família passa por uma mudança quando seu chefe vê que um filho pode sustentar-se, o patriarca da familia retira-se do grupo para pregação, neste ato poderá ter companhia de sua esposa.

“A família era vista como um grupo primário de socialização, no qual absorvia os cidadãos em seu sentimentalismo, evitava a concretização de uma organização política moderna. Era um fator empreendedor sobre o qual o arranjo político se apoiava e se configurava, mesmo que marcada por valores originados no meio doméstico.”

(Freyre 1933)

Confrontando o modelo de Freyre o autor Sérgio Buarque de Holanda nega a família e a ordem privada como construtores da política. Em Raízes do Brasil, mostra uma oposição entre o governo e a família, mostra uma governança sem vínculos com os desejos da família patriarcal. Holanda enxerga a família e seus valores como impedimentos a evolução de uma organização política moderna.

“A grande família patriarcal será a agravante das grandes alternativas que impedem o desenvolvimento normal do Estado no país”.

Segundo Nestor Duarte outro fator negativo para o crescimento político do Brasil é fundamentado na propriedade privada e na disseminação do poder político (Apud Friedrich Engels, 1983).

“A familia patriarcal é uma espécie de matriz que permeia todas as esferas sociais: a da politica, através do clientelismo e do populismo: e das relações de trabalho e de poder, onde o favor e a alternativa da violência prepoderam nos contratos de trabalho e na formação dos feudos políticos, muito mais que a idéia de direitos universais dos cidadãos, e por fim, nas próprias relações interpessoais que a personalidade “cordial” do brasileiro impõe pela intimidade e desrepeitada a privacidade e a independência do indivíduo.” (Almeida, 1987:55)

A família colonial tinha como característica ser uma organização social, a qual concretizava seu poder na forma de casa-grande e no mandonismo apresentados pelo autor Gilberto Freyre. As instituições existentes eram religiosas, mas a Igreja dirigia-se a organização familiar na forma dos cultos privados. Como consequências para o país houve um impedimento no crescimento da economia e da divisão do trabalho. A estrutura familiar rural que possuía mão-de-obra escrava impedia o desenvolvimento das cidades e do comércio. Segundo Friedrich Engels, o nacionalismo buscou sustento na família, solicitando dela a educação das crianças para se tornarem cidadãos que servissem ao país e não a sua família, o que se realizou com a reformulação da instituição familiar, a transformando na família que conhecemos atualmente.

“A familia patriarcal, se instala nas regiões onde foram implantadas as grandes unidades agrárias de produção-engenhos de açúcar, fazendas de criação ou de plantações de café, se mantém através da incorporação de novos membros, de preferência parentes, legítimos ou ilegítimos, com suas extensas clãns que asseguram a indivisibilidade de seu poder. Sua transformação dá-se por decadência, com o advento da industrialização e a ruína das grandes propriedades rurais, sendo então substituída pela familia conjugal moderna.” (Correa, 1993:15)
Segundo Freyre (1979), a construção do nacionalismo no período imperial teve apoio na família. “O discurso higienista foi gerado como uma normatização do comportamento familiar, contra a organização rural oligárquica tradicional. Quebrando o poder da família patriarcal colonial, pelo controle sobre a propriedade e pela política.” (Engels 1983)

Segundo Freyre (1979), a família se constrói com a diferença entre público e privado no Brasil, tornando a família privada rígida. Essa análise é questionada pela incompetência do governo em assumir as funções públicas em sua totalidade, mantendo um importante papel no suporte e solidariedade entre seus membros na persistência da organização política com bases da família.

Segundo Friedrich Engels (1948) o novo ideal de organização familiar daria lugar ao surgimento de identidades e iniciativas aos membros da família. Assim como Karl Marx pregava, Engels acreditava que a família seria” uma instituição fracassada que com o passar dos anos, outra instituição com o mesmo caráter humanizante, a substituiria.” Na contemporaneidade podemos observar o surgimento de novos modelos familiares, mas não podemos afirmar que existe um fracasso da família patriarcal, pois ela ainda sobrevive em alguns lares, com algumas adaptações aos novos tempos, como veremos a seguir:

AS TRANSFORMAÇÕES NOS MODELOS DE FAMÍLIA



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Imagem 1- Família Pré-Histórica retirada do site http://www.google.com.br/imagprehistoria/brasilesescola. Imagens 2 Jesus de Nazaré e A Sagrada Familia retiradas do site www.google.com/grupo-aguaviva.bogspotImagem3 Família nobre feudal retirada do site www.glooge.com/cidademedieval.blogspost.comImagem4Família camponesa medieval retirada do site WWW.google.com/cidademedieval.blogspost.comImagem 5 Família Moderna retirada do site WWW.google.com/miniweb.com.brImagem6 Família funcional retirada do portal -series.comImagem 7 Família mono parental retirada do site WWW.google.com.br/lookfordiagnoses.comImagem8 Família comunitária retirada do site novo.contagem.mg.gov.brImagem 9 Família Homossexual retirada do site anhtidoto.wordpress.com

A Família na Idade Contemporânea aparece como um espaço privilegiado onde os opostos se tornam complementares, pois nela as lembranças, desejos e emoções são aflorados e vividos. A família é vista como um “sistema social uno composto por diferentes indivíduos que trabalham juntos para o funcionamento do grupo. Os papéis do grupo ultrapassam de seus comportamentos, são direitos e deveres associados à posição no grupo social.” (Duvall, Miller cit. por Stanhope, 1999 p.502)
Segundo Cristina Zamberlam (2001) “A criança de hoje será o adulto de amanhã”, o foco passou a ser na criança. Diferente das épocas anteriores onde a criança era vista como um pequeno adulto, por essa razão era vestido como tal, e já trabalhava nas fábricas. A criança contemporânea, teoricamente, vive com direitos e deveres ditados por lei. Não é vista como um adulto, ela é somente uma criança. E também tem um papel dentro da família, assim como o pai, a mãe, e os empregados. As crianças vão para as escolas e na grande maioria retornam para seus lares onde findam o dia em companhia da família. Possuem vínculos de amor com pais e mães; que muitas vezes trabalhavam fora, mas conseguem tempo para sempre estarem próximos.

Atualmente a história de submissão da mulher ao homem tem se mostrado diferente na maioria dos lares brasileiros, o ideal de direitos iguais invade a sociedade, nascendo assim, a família igualitária. Mudando a relação entre pais e filhos e entre marido e mulher. Agora existe “a liberdade na demonstração de ideias e os sentimentos pelo diferente são valorizados. O certo e o errado perdem seu rigor, aparece o talvez, o castigo aplicado nas crianças começa a sofrer alterações, espancar uma criança se tornou crime. Os pais devem manter o diálogo entre si e com seus filhos, uma boa argumentação mantém uma família feliz e unida.” (Zamberlam 2001)

“O diálogo entre pais e filhos, apesar de difícil, é fundamental para criar um ambiente de confiança que facilite a educação de crianças e adolescentes.” (Fúlvio Giannella 2009)
Como sustenta o autor A. Figueira (1987) sobre as famílias igualitárias:

“... homem e mulher se percebem como diferentes pessoal e idiossincraticamente, mas como iguais porque indivíduos. As diferenças pessoais subordinam (e são percebidas como mais importantes que) as diferenças sexuais, etárias e posicionais. Os sinais estereotipados da diferença homem/mulher tendem a desaparecer, a se confundir ou se multiplicar, e os marcadores visíveis da diferença tendem, na medida do possível, a serem expressões do gosto pessoal. As noções bem delineadas de “certo” e “errado” perdem suas fronteiras, a noção de desvio de comportamento, pensamento ou desejo perde a clareza, e instaura-se, aparentemente, o reino da pluralidade de escolhas, que só são limitadas pelo respeito à individualidade do outro.



(Apud Bianca Bergamo, Passagem ao ato e adolescência contemporânea: pais desmapeados, filhos desamparados)
A revolução feminina transformou os ideais da mulher, aquela que era treinada para o casamento, para os costumes domésticos, deixou de ser apenas dona de casa e começou a trabalhar fora, agora pai e mãe sustentam o lar. A mulher aos poucos conquistou um lugar no mercado, se tornando independente e estudada. Ela é mãe, esposa, dona de casa e aquela que sustenta a família. Os ritos de existência humana: nascimento, casamento e morte não são mais necessários a vida do homem, que agora poderá ter uma vida feliz sem ter passado pelo casamento, sem ter filhos, sem constituir uma família.

Imagem família e sombras de felicidade retirada do site foxempregos.blogspot.com

A família contemporânea muda de tamanho, o modelo patriarcal numeroso perde sua extensão com o surgimento do planejamento familiar, com a pílula e os demais meios contraceptivos é possível planejar o número de filhos que o casal deseja criar. Os jovens se tornam mais independentes, o sexo passa a ser liberado, tornando o casamento uma mera formalidade, deixando de ser uma instituição.

“Para ser adulto é necessário assumir o papel de pai e mãe na sua própria vida, era entender que o seu destino depende somente de si mesmo; e que o papel de próprio pai e mãe não podem ser delegados sob pena de grandes estragos na vida emocional da pessoa. tornarmo-nos atuante, na sociedade, na família, deixando de depender da mãe e da autorização do pai, é a saída para as nossas mazelas e o desenvolvimento de nossa personalidade somos todos adultos, e por isso a solução é nossa. Cabe à mãe estado apoiar;” Esse poder sobre os demais muda quando os cônjuges lutam pela igualdade de direitos, as crianças são protegidas pela lei, e nos dias de hoje, essa figura de chefe da família vem desaparecendo. Segundo os ideais de Foucault a sociedade estaria passando por uma mudança, essa imagem de poder do patriarca perde sua força, passando esse poder para todos os membros da família. E agora a construção do indivíduo não se dá mais pelos conflitos com o patriarca, os membros da família vivem como irmãos, com uma igualdade de direitos. E começa uma luta pela igualdade, todos desejam ser iguais, se trajem iguais, pensem igual. Somos membros de uma grande família.” (Freud disponível em http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1666)


O matrimônio passa por duas etapas em um mesmo século. A primeira etapa foi na primeira metade do século onde o casamento tinha como objetivo formar um lar, criar alicerces em uma realidade social definida dentro da coletividade. O casamento tinha como fundamento ter filhos, deixar a herança. Não era necessário existir amor para um casal receber o matrimônio. A outra etapa ocorre na segunda metade do século quando nasce à espiritualidade conjugal, a valorização do amor. O casamento como amadurecimento afetivo e o desejo do casal em ter filhos, em construir uma família.

Com essas mudanças, a família passa a conviver em meio a conflitos e crises, as idéias instauradas de como agir, quem ser e como ser; começam a sofrer alterações. O casamento que era uma instituição, ou seja, seus membros possuíam uma dependência entre si, principalmente do pai, o chefe da família, se transforma. Agora cada membro procura alcançar seus ideais, sem depender de outra pessoa. Atualmente temos famílias fundamentadas na procura da satisfação amorosa. Cada vez é mais frequente famílias com entes diferenciados como padrastos, enteados, meios-irmãos entre outros.



Podemos comparar semelhanças e diferenças nos modelos mais frequentes de famílias tradicionais e as contemporâneas. Como fez Wladimir Forreca psicólogo e padre brasileiro:



IMAGEM amor materno retirada do site yeshuahamashiamen.blogspot.com


FAMÍLIA TRADICIONAL

FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA

FAMILIA PATRIARCAL

(O PAI COMO CENTRO)

FAMÍLIA CONJULGAL

(PAI E MÃE COMO CENTRO)

EXTENSA

(TIOS, PRIMOS, AVÓS, IRMÃOS, PAIS)

NUCLEAR

(MÃE, PAI E FILHOS)

NUMEROSA

(MUITOS FILHOS)

REDUZIDA

(MENOS FILHOS)

HABITAÇÃO UNIFAMILIAR

(MORAM NA MESMA CASA, RUA, SÍTIO VÁRIAS FAMILIAS)

APARTAMENTAL

(CADA FAMÍLIA COM SEU ESPAÇO)

PROPRIEDADE FAMILIAR

(DONO DA TERRA, HORTA, QUINTAL)

RÉDITOS FAMILIARES

(SÁLARIOS DOS MEMBROS)

MATRIMÔNIO DA “RAZÃO”

MATRIMÔNIO DO SENTIMENTO

PRIMAZIA PARENTAL

(OS PARENTES)

PRIMAZIA CONJUGAL

(CASAL)

AUTORIDADE MARITAL

(MARIDO MANDA)

AUTORIDADE PARENTAL

(MARIDO E ESPOSA)

LONGA SUBORDINAÇÃO DOS FILHOS

(OBEDIÊNCIA)

PRECOCE EMANCIPAÇÃO

(AUTONOMIA)

ESTADO MATRIMONIAL

(POR TODA A VIDA)

CONTRATO MATRIMONIAL

(ENQUANTO DURAR O AMOR)


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