Brasileira ignora o uso do computador, aponta pesquisa



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Encontro12.04.2018
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Brasileira ignora o uso do computador, aponta pesquisa

A revolução digital está passando ao largo das mulheres brasileiras. E, com isso, sua exclusão dos postos de trabalho mais qualificados pode se tornar um problema crônico. Estudo pioneiro realizado pela Fundação Perseu Abramo revela que apenas 29% das brasileiras são usuárias de computador e somente 14% da população feminina acessa sempre ou vez ou outra a internet.


Trata-se de uma proporção inferior à média nacional. Segundo a Folha iBrands, pesquisa realizada sobre o assunto pelo Datafolha, 19% da população brasileira é internauta. E, desses, apenas 20% acessam todo dia. As entrevistas foram feitas com 11,2 mil pessoas, em agosto do ano passado.
O estudo da Fundação Perseu Abramo, finalizado no mês passado, foi feito a partir de entrevistas com 2,5 mil mulheres e usou como referência a Contagem Populacional de 1996, e o Censo 2000, ambos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A margem de erro é de dois pontos, para cima ou para baixo.
A forma de participação no mercado de trabalho, se formal ou informal, cria duas realidades distintas da mulher com a informática. Em média, 57% das mulheres que estão na população economicamente ativa (PEA) já viram um computador, mas nunca o usaram. O número de mulheres que utilizam o computador com freqüência restringe-se a 14%.
Entre as que trabalham no mercado formal, 48% usam computador com alguma freqüência, enquanto no informal, o percentual cai a 27%. Isso porque em qualquer comércio há um computador, observa o sociólogo do Núcleo de Opinião Pública (NOP) da fundação, Gustavo Venturi.
O acesso à internet segue a mesma tendência, mas o quadro é agravado, comenta o coordenador da pesquisa. Das entrevistadas, 23% não sabem nem mesmo o que é internet – no mercado informal, o número sobe para 32%.

Entre as mulheres com carteira assinada, 59% nunca utilizaram a internet e 29% acessam a rede com certa regularidade. Entre as que estão na informalidade, 55% estão fora da rede, contra 13% que estão on line com freqüência.


Uma das conclusões mais surpreendentes do estudo é a de que o crescente nível de escolaridade entre as mulheres não tem ajudado a reverter sua situação diante da realidade virtual. Só as mulheres que concluíram pelo menos o ensino superior têm o hábito de acessar a internet. Nesse universo, a proporção de usuárias chega a 69%.
Mesmo para as que têm o segundo grau completo, a internet é algo bem distante – 20% usa de vez em quando e 8%, sempre. As mulheres que estudaram até a oitava série praticamente a ignoram – somente 4% sabem o que é. É uma sinalização importante de que grande parte da população brasileira vai ficar fora da nova economia, comenta o pesquisador Sergei Soares, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Ele observa que o resultado pode ser um indicativo de um problema generalizado entre os brasileiros.
É preciso pensar que a população analfabeta funcional, no Brasil, passa da casa dos 20%; um touro mecânico pode ser manejado por uma pessoa pouco instruída, mas não se ensina computação para um analfabeto, continua Soares.
Especialista em economia do trabalho, o secretário municipal do Trabalho de São Paulo, Marcio Pochmann concorda com Soares, ressaltando que se pode tirar uma média brasileira do resultado.
Tradicionalmente, mulheres brasileiras têm escolaridade maior que os homens. O que poderia pressupor maior preparo para ocupar cargos que exigem conhecimentos de novas tecnologias. Não é o caso.
Ao que tudo indica, ainda há uma concentração masculina nos setores mais informatizados e, às mulheres, estão sendo direcionados postos na saúde, educação, que são mais simples, afirma Pochmann.
Nem os indicadores entre as mais jovens se sobressaem desse cenário. Mulheres entre 15 e 24 anos usam pouquíssimo a internet – 22% responderam que acessam a rede com relativa freqüência. E, em relação às que nunca a usaram, a média se mantém praticamente constante – 60% das entrevistadas – independentemente da idade.
Há alguma melhora quando se tem a idade como parâmetro, apenas em relação ao uso do computador. A diferença entre as que afirmam usá-lo e as que nunca o fizeram vem diminuindo entre as mais jovens.
De 15 a 24 anos, a média de utilização regular do computador é de 50%. A partir daí, a distância se alarga: na faixa etária entre 25 e 34, 31% usam computador; entre 35 e 44, a percentagem reduz-se para 23%, sendo que apenas 8% afirmam usá-lo sempre.
Se o computador não faz parte nem do cotidiano das mais jovens, para as mais velhas, é quase um desconhecido: 12% das mulheres entre 45 e 59 anos têm alguma noção de informática.


Fonte


GUTERMAN, Débora. Brasileira ignora o uso do computador. [S.l.:s.n.]. Acesso em: 21 ago. 2002.







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