Bolivia aclaró que no habrá expropiaciones de equipos



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Encontro18.08.2017
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O gás bolivariano


Julio Dorneles*

O que está em jogo na questão boliviana, o gás natural do subsolo da Bolívia ou a permanente dependência econômica que têm as nações latino-americanas em relação ao capital internacional? Brincando com as palavras: trata-se do "gás bolivariano" e não o "boliviano". Explico-me:

Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela são seis dentre as nações que, outrora colônias do Império Espanhol na América, foram libertadas pelo protagonismo político e militar de Simón Bolívar (1783-1830). De origem Basca (Espanha), a família de Bolívar radicou-se na Venezuela desde fins do séc. XVI e tamanha foi sua importância que produziu o Libertador da América. Passados quase 200 anos das "independências" desses países que Bolívar gostaria de ter visto reunidos na Grande Colômbia, em uma América unida e forte, capaz de antepor-se às potências da Europa e ao gigante do Norte (EUA).

A chegada de um líder "indígena" à presidência da Bolívia reforça a perspectiva de independência e reparação do passado de expropriação dos povos latino-americanos. Contudo, não há em curso uma concertação mundial e perspectivas de reparação de saques passados e estes são de fato irreparáveis. Após 500 anos, com reduzidas exceções, permanecemos como "colônias de fato" e "nações independentes" no papel, exportando a preços irrisórios nossas riquezas naturais, produtos agrícolas e pecuários, e importando a altos custos bens de capital e todo tipo de tecnologia e mão-de-obra especializada. De tal forma que nem mesmo todas as riquezas dos grandes centros financeiros seriam inversões suficientes para financiar as débeis economias latino-americanas.

Em 1952, os trabalhadores da Bolívia se levantaram contra os barões do estanho e queriam à força a nacionalização das minas e reforma agrária. Sua revolução foi traída, sufocada por oligarquias, pelo exército e pela dependência do capital externo. O governo Evo Morales tem essa perspectiva de tratar de remediar o problema e um fundo largamente nacionalista, pois os bolivianos não suportam fornecer seu gás aos EUA via Chile (para o qual perderam seu acesso ao Pacífico na Guerra que travaram em 1879-1883).

Enquanto a revolução bolivariana for uma aventura de um Hugo Chaves ou de um Evo Morales, estaremos muito longe do sonho bolivariano, mais próximos das mazelas de disputas nacionalistas do que da grandeza de uma América Latina unida e forte.

* Julio Dorneles é professor licenciado em história (Unisinos), bacharel em teologia (EST), pós-graduando em administração pública (CEAPE/EA/UFRGS). – juliodorneles@hotmail.com - fones: 51  35928108 - 51 8176.1970.



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