Blavatsky e os Mistérios Tibetanos



Baixar 80,93 Kb.
Página2/2
Encontro12.07.2018
Tamanho80,93 Kb.
1   2

Vocês querem ver onde isso fica extremamente claro, com uma visão mais realista do que é o treinamento interior, qual é a ótica que os Instrutores têm desse processo? Eu vou ler uma passagem de uma carta de um dos Mahatmas ao Sinnett. Nessa carta, entre vários assuntos interessantíssimos, encontra-se essa passagem: “Compreenda, meu amigo, que os afetos pessoais têm pouca ou nenhuma influência sobre qualquer Adepto verdadeiro no cumprimento do seu dever. À medida que ele se eleva em direção ao perfeito adeptado, as fantasias e antipatias do seu eu inferior são enfraquecidas. Como K.H. explicou, o Adepto acolhe toda a humanidade em seu coração e a considera em comum. O seu caso é uma exceção. (...toda a história do Sinnett, a gente vai ver isso também no nosso estudo) Você se impôs a eles. Você se impôs a um Adepto. Circunstâncias históricas levaram a essa troca de correspondência. E conquistou a sua posição pela própria violência e intensidade do seu afeto por Ele. Uma vez que Ele o aceitou terá que arcar com as conseqüências no futuro.” Agora, o que interessa: “Entretanto, não pode ser um problema para Ele, o Adepto, o que o Sinnett visível possa ser. Os seus impulsos, os seus fracassos e êxitos em seu rumo, a sua consideração maior ou menor por Ele, o Mestre. Com o indivíduo visível nós nada temos a ver (olha que interessante) ele é para nós apenas um véu que oculta dos olhos profanos o outro ego em cuja evolução nós estamos interessados. No rupa externo, ou seja, na casca externa, no veículo externo, faça você o que quiser, tente o que quiser. Só quando os efeitos dessa ação voluntária são vistas no corpo que está em sintonia conosco, é nosso dever prestar atenção a ela.” Olha que coisa interessante. Os verdadeiros Mestres do budismo secreto atuam num nível nosso mais profundo do que a personalidade. Nós podemos não estar conscientes disso e ainda assim, já estarmos em sintonia com Estes Seres. Porque eles atuam na nossa dimensão imortal que é como uma sementinha. É lá que os sonhos ocorrem, é lá que um outro nível de trabalho, de simpatia para o amadurecimento desse ser interior vai ocorrendo. O que se passa no mundo físico é retirar as obstruções para que essa natureza interior desenvolvida possa se expressar através da personalidade. A personalidade pode bloquear completamente o aparecimento desta luz interna, dependendo dos seus condicionamentos, dependendo dos seus obstáculos interiores. Portanto, toda a caminhada, no nível psicológico, psicofisiológico, vamos dizer assim, se dá para suavizar a estrutura interior, a vida emocional, física e mental para que essa luz interna possa fluir através. Agora, esta luz interior já está sendo nutrida numa outra dimensão pela ação dos verdadeiros Adeptos. Essa é a ação das verdadeiras Escolas interiores. O Mestre atua numa outra dimensão sua. E é seu dever levar sua prática interior para que a personalidade deixe de atrapalhar ... Quando a gente deixa de atrapalhar com nossas limitações pessoais, vem o que já existe dentro de nós. Então, estes Mestres que podem usar o corpo físico, podem ser conhecidos por um nome, vocês podem estar perto deles e não ter a menor idéia de quem realmente são. Porque é fora da personalidade que eles vão mostrar sua verdadeira capacidade.

Outras passagens desse manuscristo de Urga mostram que o aprendizado e o amadurecimento de um iniciado se dá de uma forma espantosamente rápida. Porque se o seu corpo físico - o caso dos tibetanos - ficasse em repouso em algum templo guardado, o seu eu interior ganhava uma liberdade de ação nas dimensões superiores que lhe permitia conhecer o que ocorria em qualquer parte do mundo mesmo que seu corpo físico tivesse adormecido em algum lugar, em alguma montanha dos Himalaias. Então, estes seres aprendiam com tudo o que ocorria na humanidade. Eram capazes de compreender os pensamentos mais íntimos da humanidade, aprofundar sua compreensão do funcionamento da humanidade, desenvolver qualificações para servir às necessidades interiores dos seres humanos, mesmo que o corpo que não tivesse absolutamente em movimento.

Lá pelas tantas, num destes níveis, diz o manuscrito de Urga, “o indivíduo ganha condições de escolher o seu nascimento”. Ou seja, aí é o tulku, a hoje conhecida tradição dos tulkus. E um escritor chamado Geoffrey Barborka lançou um livro chamado “Blavatsky, Tibet e Tulku”, onde ele defende que o treinamento interno da Blavatsky torna claro que ela poderia ser classificada como um tulku, ou um ser que tem já consciência dos seus nascimentos prévios e que tem capacidade de escolher o próximo nascimento, porque já conhece toda a dinâmica da ocupação do corpo, porque já conhece, com o auxílio de seu mestre, já conhece alguns condicionantes kármicos. Portanto, nesse nível maior pode fazer escolhas que qualquer um de nós não poderia fazer.

Um outro tópico interessante a respeito da relação de Blavatsky com o tantrismo tibetano se dá numa confusão que acabou sendo gerada através dos termos que ela usou. Por exemplo: nesse livro aqui eu encontrei uma passagem em que ela fala que “quase todos os indianos versados nesse assunto já teriam ouvido falar do, se não me engano, Banda-chan Rambouji.., algo assim,. E eu passei reto por isso. E lendo a segunda vez, a terceira vez, foi que caiu a ficha de que o que Blavatsky escreveu como Banda-chan Rambouji... não é mais do que Rinpoche que hoje todos nós conhecemos o que é. Mas quando ela esteve no Tibet, não havia qualquer tradução do tibetano para as línguas ocidentais. Então, coisas do tipo, livros de kyu-te, onde ela fala que baseia as suas obras, no livro de Kiltare, ..., foi saber o que era o livro de Kyu-te, até que um filólogo americano descobre que o livro de kyu-te que Blavatsky chamava, a exemplo do Rambouji, não passava do livro de Gyud que significa tantra em tibetano. Ou seja, livros de Kyu-te são os tantras tibetanos e foi nisso que Blavatsky baseou a sua obra. Ela conheceu os livros tântricos no seu treinamento interior numa época em que ninguém sabia disso. Então, muitos outros pequenos relatos poderiam ser dados a respeito desse detalhe. Talvez nas perguntas a gente possa expor isso um pouquinho melhor. Mas, então, onde que eu quero chegar com isso tudo?

Os poderes extraordinários que esta mulher demonstrou ter no seu período de ação, quando ela foi para a Europa, foi aos Estados Unidos primeiro, depois à Europa, e ela então começa um movimento que teve a grande função de resgatar para o Ocidente, a sabedoria do Oriente. E essa interessante idéia de que sempre existiram os guardiões do sagrado, vivos, em todas as épocas da humanidade, inclusive hoje, e que esse sagrado na verdade é uma ciência que pode ser conhecida e será conhecida por aquele que tiver qualificação para pedir e ser aceito. Bater e a porta se abrir. Tudo isso que ela desenvolve, esse trabalho maravilhoso que ela faz, as obras que escreve, o efeito impactante e profundo que esse movimento provoca porque não era confiando apenas na Sociedade Teosófica. A Sociedade Teosófica foi uma das pioneiras. Mas quantos outros pensadores atuaram na mesma direção fazendo com que hoje essas idéias sejam tão populares para muitos de nós, coisa que não se tinha como chegar nem perto disso, cento e vinte anos atrás. Pois todo o trabalho que ela fez, a força interior que ela desenvolveu para poder desenvolver esse trabalho, tiveram a sua origem na sua preparação interior que foi feita, segundo esses relatos, em Escolas Secretas pertencentes ao budismo tibetano mas que não são restritas ao budismo tibetano. Na verdade, nessa dimensão já não se pode falar de budismo, de cristianismo, de judaísmo, do que for. Lá só se pode falar da Força Imensurável. Se pode falar da realidade por trás das palavras, por trás das divisões, por trás do racional. Ela viveu .., teve o seu treinamento e trouxe para nós algumas indicações de que essa é uma faceta da realidade extremamente interessante para todo aquele que é sério na busca da sua espiritualidade essencial.

Então, creio, para concluir esse trabalho, que Blavatsky não foi teórica nas coisas que escreveu. Ela viu de perto. Ela conviveu com o Mestre dessa ... Esteve lá e fez o seu treinamento. E se o budismo tibetano hoje guarda ainda essa dimensão secreta, quem poderia dizer? Tampouco quero eu mistificar o budismo tibetano e seus representantes através dessa apresesentação. Porque a natureza dessas escolas transcende absolutamente qualquer representação religiosa no tempo e no espaço. Os budistas tibetanos viveram sim, espero eu que ainda tenham essa porta aberta, como os cristãos viveram isso, como os judeus em seu tempo viveram isso também. Como todas as grandes tradições em seu tempo áureo, também puderam viver. Então, era apenas isso que eu queria compartilhar com vocês.

(Alguém faz uma pergunta que não ficou gravada. A resposta, sim)

As polaridades em que ... (barulho). da luz e da sombra. Você vai encontrar nas Cartas referências a isso o tempo todo. Que cada passo - isso é uma coisa extremamente interessante pelos efeitos práticos - Cada passo que nós damos em direção à luz, ou cada passo que nós damos genuinamente, na direção de nós próprios, vai sofrer uma oposição em igual medida. Em igual proporção. Não existe caminho linear em direção à luz. O caminho é um caminho de confrontação da sombra. Parece que em muitos níveis diferentes esse processo se dá. Nós vamos encontrar isso na natureza que exemplifica a polaridade de várias formas, da mais clássica à mais básica. O dia e a noite. O Tao e o Todo foi a grande lição de que não é possível ter a realidade sem ter também os dois aspectos, sempre dialeticamente. Alguém uma vez .se é verdade, se tiver alguém mais qualificado em línguas, por favor me corrija. Alguém me disse que o chinês antigo ele trabalhava. Por exemplo, o termo chi significava espírito, era traduzido como não paixão. Quer dizer, remete para o oposto, para o negativo para você compreender o que é. Estamos vendo mais um exemplo de que a dialética nesse nível da realidade é altamente chave.

Mas concretamente falando, assim como existe a fraternidade daqueles que trabalham na direção do crescimento, existe a fraternidade que trabalha na direção da degeneração. São todos irmãos que empreendem caminhos diferentes e que fazem trabalhos opostamente diferentes. E o tempo todo esses Adeptos que trabalham com a luz precisam confrontar a oposição dos seus opositores que usam todos os recursos para isso, inclusive a própria religião. Dentro das próprias religiões é que a gente vai encontrar o. das forças negras. Vocês vão ver (barulho) alguns traços muito curiosos, como por exemplo, o assassinato dos Dalai Lamas, coisas assim. Então, é normal. Impressionante a clarividência deles porque nas Cartas, muitas vezes, eles anunciam com meses de antecedência crises que estão já se formando nos mundos mentais e que vão acabar logo ali, em geral pela ação da confusão mental de um ou de outro, ou pela deliberada má intenção de um com o outro. Houveram organizações religiosas, inclusive, que fizeram verdadeiros trabalhos de boicote contra o trabalho que o Dalai Lama empreendeu. (não ficou claro se as três últimas palavras são mesmo essas)

Alguém pergunta: Qual seriam os interesses deles? Porque eles querem fazer o negócio regredir? O que se ganha com isso?

Eu acho que para entender isso, precisa lembrar daquela coisa de que nós somos de uma natureza dual. Todos nós somos uma natureza dual. Nós temos uma personalidade cuja força básica é a auto manutenção. E para essa personalidade baseada na auto manutenção, os prazeres decorrentes do mundo nos servindo é a coisa mais gostosa para a personalidade. O movimento espontâneo da personalidade é fazer o mundo ficar a nosso serviço. Tanto que você vai ver que nos estágios de desenvolvimento infantil a criança começa a manipular o mundo. Ela começa a colocar o mundo a seu serviço em determinado momento. Quer dizer, nos níveis mais inferiores da consciência, a ação é sempre essa. É a manipulação... (terminou a fita I). esquecer alguns parâmetros éticos básicos. Na medida em que ele começa a esquecer isso e não tem mais limites para a sua ação, a primeira coisa que ele faz é entrar no crime. Um passo além, é usar forças ocultas para o crime ou para criar situações para si próprio. A gente não pode ver a questão das forças da oposição como uma coisa muito abstrata, não, porque é absolutamente concreta. Esse mundo que nós vivemos é o reino das forças de oposição. É ou não é? Basta ver como os países estão organizados, basta ver como a economia está organizada, e vocês vão ver ali a ação dessas forças da oposição. Quando o Dalai Lama propõe que as relações entre os países deveriam ser repartidas meio a meio, sem explorar. Por que um país explora outro? Vamos nos relacionar sem exploração. Parece um vento de tão abstrato num mundo tão denso em relação a outros princípios completamente diferentes. Princípios que levam, que motivam todo o processo exploratório, imperialista, que considera sempre o meu acima de tudo e “vamos usar os outros para me favorecer.” Então, nos níveis mais profundos, vocês só vão ver o exagero desse princípio nas nossas vidas pessoais, mas também, às vezes...

Ao contrário, o caminho das forças brancas, ele é muito mais difícil, mas evidentemente mais poderoso. Mas ele é muito mais difícil porque envolve esforço, envolve esquecimento de si próprio para priorizar o outro. Aquele que vai no caminho da mão direita, pensa no outro primeiro. Pensa sempre mais no outro. Até o ponto em que ele já não pensa mais em si próprio. Isso é muito interessante. O indivíduo que deixa de pensar em si próprio - não é não ter consciência de si próprio, isso aí é outra história - ter consciência de si próprio, mas deixar de pensar em si próprio e viver absolutamente a serviço de todas as formas de vida, torna a vida absolutamente leve, deliciosa. É a única leveza sustentável do ser, possível. Agora, a dificuldade é que nós todos temos como referência de felicidade, os nossos prazeres. Em geral os nossos prazeres dependem de terceiros. Aí começa a grande confusão.



Alguém - É aí que as forças negras entram em ação.

Exatamente. A função delas, dentro da trajetória oculta, a função das forças negras dentro da trajetória oculta, é identificar em você cada semente de egoísmo que você guarda. E há uma passagem interessante aqui nas Cartas que os Mestres dizem que eles dão carta branca para as forças negras para atuarem sobre os seus discípulos. Porque só assim os discípulos podem se desenvolver. O ser humano não se desenvolve sem essa oposição. E se o mais nefasto não vier à tona, aquilo vai ficar lá dentro guardado e como um obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento. Por isso que a verdadeira caminhada ela é exatamente oposta da caminhada externa da religião que mostra - aqui tem uma passagem, uma passagem belíssima - que mostra que, olha só. Este Mahatma está se referindo ao julgamento que o correspondente dele, o Sr.Sinnett, fez em relação a um personagem. Este personagem chamava-se Bennett e era um camarada extremamente ativo socialmente, lutando por causas sociais, humanitárias e sendo perseguido de uma forma cruel. Este Bennett era um americano e ele usava as mãos sujas, não tirava a sujeira das unhas, o colarinho estava meio desgrenhado, estava meio sujo também e ele falava de um jeito meio grosseiro, meio direto, assim. Então para o refinamento de um inglês como Sinnett, que era um cavalheiro, aquilo era absolutamente inadmissível. Ele tinha um preconceito pelo Bennett. Aí ele recebe uma carta, mas uma carta do Mahatma, avaliando. O Mahatma viu o coração dele, o Mahatma viu o que ele sentia pelo Bennett e Ele diz o seguinte: “Você só viu que as mãos de Bennett não estavam lavadas, que tinha as unhas sujas, usava uma linguagem grosseira e tinha, na sua opinião, um aspecto geral desagradável. Mas se esse modo de apreciar é seu critério de excelência moral, sahib, quantos Adeptos ou Lamas que produzem maravilhas passariam em seu exame? Esta é parte de sua cegueira. (Este Mahatma tem um estilo impressionante de falar. Olha que bonito) Se ele morresse neste minuto, e empregarei uma fraseologia cristã para fazê-lo compreender melhor, o Anjo Registrador da Morte derramaria, por outros homens igualmente maltratados, poucas lágrimas mais amargas dos que as que derramaria por Bennett. Poucos homens têm sofrido e sofrido injustamente tanto como ele. E também poucos têm o coração mais bondoso, altruísta e sincero. Isso é tudo. E o sujo Bennett é moralmente tão superior ao cavalheiresco Hume, (que é outro personagem) como você é superior ao seu carregador.” Agora vejam essa passagem: “A doce polpa da laranja está dentro da casca, Sahib. (Sahib é a forma como os hindus se dirigem a outro). Tente localizar as jóias dentro das caixas e não confie naquelas que estão desenhadas na tampa. Digo novamente. O homem Bennett é honesto e muito decidido. Não exatamente um anjo. Esses têm que ser procurados nas igrejas elegantes, em festas e mansões aristocráticas, teatros e clubes e outros locais semelhantes.” O que ele dizia é que o caminho da aparência é exatamente o oposto do caminho do ocultismo. No caminho do ocultismo é fundamental que as sementes de egoísmo, de maldade, de qualquer coisa que nós tenhamos, venham à tona. Por isso que o verdadeiro ocultista tem que ser uma pessoa meio difícil também. Porque é normal. Não pode estar escondendo de si próprio, e provavelmente dos outros, as questões ainda primitivas no interior de si próprio. Ele tem que ter consciência ao lidar com isso e ele é ajudado a lidar com isso da forma mais cruel, ou seja, pela ação das forças negras.

E existe uma passagem interessante citada num livro teosófico que faz referência ao Anjo Negro, que impede até o fim o progresso final da alma. Mas quando a alma consegue por fim se livrar de todos os seus empecilhos, de todas as artimanhas, e entra na luz, esse Anjo Negro solta seu sorriso de glória. Ou seja: missão cumprida. Conseguiu fazer o Adepto chegar até o seu destino. Se não fosse pela ação das forças da oposição, não haveria a possibilidade do fortalecimento dele até à luz.

Alguém - Quer dizer que nós também temos que usar as forças negras a nosso favor e não deplorar elas?

Nós vamos ter que usar a nosso favor.

Alguém - Veja bem. Você é humilhado por alguém. Em vez de você ficar com raiva, você perceba o que está passando.

Isso é extremamente difícil mas é o caminho. Eu falho freqüentemente.



O mesmo alguém - Não só você.

1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal