Biografias



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Biografias

Alexandre Eulálio

Nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1932 e faleceu em São Paulo no dia 04 de junho de 1988. Filho de Elisiário Pimenta da Cunha 1890-1961 e Maria Natália Eulalio de Sousa da Cunha 1891-1974. Cursou: Scuola Principe di Piemonte (1937-1941); Colégio São Bento (1942-1948); Colégio Andrews (1949-1951) e por último Faculdade Nacional de Filosofia (1952-1955). Dedicou-se à elaboração da biografia de Dom Luís, no seu modo de ver, o mais ilustre dos netos de Dom Pedro II. Alexandre deixou um vasto material iconográfico e documental. Investiu tempo e energia para colaborar com outros historiadores do período. Criou legendas, que se constituem num autêntico tratado estético-cultural da época, para as iconografias do Palacete do Caminho Novo (1975) de Afonso Arinos. Da mesma forma a seleção e os comentários das ilustrações inseridas na reedição da História de Dom Pedro (1977) enriqueceram esta obra de Heitor Lira publicada também com prefácio - "O Ofício de Escrever" - e estabelecimento de texto de Alexandre. A pesquisa em torno de Dom Luís o levou a relacionar-se cordialmente com o ramo dos Orléans e Bragança de Petrópolis e da Itália. Nas solenidades ligadas à família imperial, deslocava-se para o Palácio do Grão-Pará a fim de cumprimentar Dom Pedro Gastão com quem mantinha correspondência.

Recuperou vários textos de Joaquim Felício dos Santos, preparou a edição anotada da sátira utópica estampada n'O Jequitinhonha de Diamantina (1868-1871) - Páginas do Ano de 2000 (1957). As investigações a respeito dessa entusiástica visão feliciana antimonarquista e o projeto sobre aquela curiosa figura da realeza serviram de base para Alexandre pleitear uma estadia nos Estados Unidos pela Fundação Guggenheim (1967-1969).
Atuou na imprensa carioca e mineira nos anos 50, realizando anonimamente reportagens de interesse histórico-cultural e mantendo colunas fixas em vários jornais (no Diário Carioca, 1953-1955. Publicou, entre outros, três ensaios importantes e muito atuais: "Uma farsa de Cromelynck", "O Édipo de Gide" e "Retrato do Tiradentes"; no Correio da Manhã, 1954-1965, da mesma forma escreveu "Relendo Hesíodo", "Helena Morley vinte e dois anos", e manteve a seção Fato Literário, juntamente com Fausto Cunha; no Jornal de Letras assinou a coluna Notas de uma Agenda, 1955-1963; no O Globo, 1964-1965 e criou as colunas Matéria & Memória e Turismo.

Publica o livro A Aventura Brasileira de Blaise Cendrars (1978) premiado pelo Pen Club do Brasil em 1979. Notável também foi o exercício cuidadoso de tradutor - O Belo Antonio (1962), Nathanael West (1964), Isadora (1985) e de Borges, traduziu uma coleção de textos publicados nas revistas Senhor e Leitura e a tradução integral de O Congresso do Mundo(1983).

"O Ensaio Literário no Brasil" (1962) rendeu-lhe o Prêmio Brito Broca, instituído pelo jornal Correio da Manhã. "A Literatura em Minas Gerais no Século XIX" (1982).

Publicou também em suplementos literários do Rio, Belo Horizonte e São Paulo. Concluiu o boneco de um livro de poesia conhecido somente em fragmentos - LT a Murilo Mendes - espécie de itinerário mitológico da obra do poeta-amigo, ilustrado com grafitos de outro amigo, o escultor português Charters de Almeida. Atuou na arte cinematográfica na parceria do roteiro de O Homem do Pau Brasil e na direção de quatro curta-metragens. Um deles - Murilo Mendes: a poesia em pânico - recebeu o prêmio Governador do Estado de São Paulo (1978). Publicou inúmeras resenhas, prefácios, introduções e apresentações feitas geralmente sobre e para amigos, entre eles: "Um Lance Triplo de Dados. Mallarmé-Campos-Pignatari-Campos" (1976), "Pai de Família, mas Desconfiado" (1979), "Verso e Reverso de Gonzaga" (1983), "Exercício de Libertação" (1985), "Duas Palavras" (1986) e "Pano para Manga" (1987).

Entre os anos de 1956-1965 comandou a mais importante revista literária da época - a Revista do Livro (INL). Divulgou textos de fôlego da sua própria lavra - "Cartas a Eduardo Prado" (1960), O Último Bom Selvagem (1960), "Cartas de Abdir a Irzerumo" (1964), "Carranquinhas" (1966), etc. Publica "Uma Educação Mineira: a Travessia de Joaquim de Sales" (1974), inédita edição anotada em dois volumes das mémórias desse conterrâneo ilustre. Proferiu conferências sobre: Paulo Prado, Blaise Cendrars, Machado de Assis, Gonzaga Duque, Sérgio Buarque de Holanda, etc. Ensinou algum tempo no exterior como leitor brasileiro na Itália, comissionado pelo Ministério das Relações Exteriores, junto ao Instituto Universitário e Università degli Studi di Venezia (1966-1972). Trabalhou na divulgação da literatura brasileira por meio de conferências, aulas, organização de antologias - Stella della Vita de Manuel Bandeira (1971) -, revistas - Cineforum (número especial sobre o cinema brasileiro, 87, 1969) -, bibliografias e exposições - Mostra del Libro Portoghese (1966), da sua experiência veneziana nasceram os modelares ensaios machadianos - "A estrutura narrativa de Quincas Borba" (1967) e "Esaú e Jacó de Machado de Assis: narrador e personagem diante do espelho" (1971).

Foi Assessor Superior do Departamento de Assuntos Culturais do MEC, de 1972 a 1975. Atividades culturais no Rio de Janeiro e em São Paulo com a belíssima exposição - "Seculo XIX" - Tradição e Ruptura (1984), patrocinada pela Fundação Bienal de São Paulo.

Como pesquisador universitário realizou "Literatura e Pintura: simpatia, diferenças, interações" (1979), financiado pela FAPESP, "O Ateneu: Inspeção", 1962, "O Concreto Corbusier", 1965) e analisada em profundidade nos textos - "De um Capítulo do Esaú e Jacó ao Painel do O último baile" (1983) e "Ainda Reflexos do Baile" (1984). Nessa fase acadêmica privilegiaria antigos temas e afeições literárias: a poesia de Jorge de Lima - "A Obra e os Andaimes" (1983), Tomás Antônio Gonzaga Lírico e Satírico - "O Pobre, Porque é Pobre, Pague Tudo" (1983), "Verso e Reverso de Gonzaga" (1983), bem como o planejamento e a organização dos volumes da obra do amigo Brito Broca.

Ana Hatherly

Poeta, romancista, ensaísta e tradutora, Ana Hatherly iniciou a carreira literária em 1958.


Tendo sido um dos principais elementos do grupo de Poesia Experimental nos anos 60 e 70, o seu trabalho está representado nas mais importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Suécia, Holanda, e República Checa.
É também autora de várias traduções para português de obras inglesas, francesas, italianas e espanholas.
Durante as últimas duas décadas, tem-se dedicado ao estudo da literatura portuguesa e espanhola do "Siglo d'Oro", tendo publicado vários ensaios e comunicações sobre o tema em várias das mais conceituadas publicações literárias de Portugal e do estrangeiro.
Licenciada pela Universidade de Lisboa e Doutorada em Literaturas Hispânicas pela Universidade de Berkeley (U.S.A.), é actualmente Professora Catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa e Presidente do Instituto de Estudos Portugueses da mesma Universidade. É ainda membro da Direcção do PEN Club, de que já foi Presidente.
Referenciada, a nível poético, como um dos nomes mais importantes das vanguardas portuguesas da segunda metade do século, a sua poesia reúne fortes tendências barroquizantes e visuais que a têm já levado a um apagamento de fronteiras entre expressão poética e intervenção plástica. É esse o caso, por exemplo, de Mapas da Imaginação e da Memória (1973), bem como das várias exposições que incluem desenho, pintura e colagem, realizadas em galerias e centros de exposições, como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu do Chiado e Fundação da Casa de Serralves, para além das participações na Bienal de Veneza e Bienal de S. Paulo (Brasil).
Poeta, ensaísta e professora universitária, dedicou-se à Poesia Visual e ao Barroco como corrente literária. Obras poéticas: Um Ritmo Perdido (Lisboa, 1958), As Aparências (Lisboa, 1959), A Dama e o Cavaleiro (Lisboa, 1960), Sigma (Lisboa, 1965), Anagramático (Lisboa, 1970), O Escritor (Lisboa, 1975), Poesia (1958-1978) (Lisboa, 1979), Joyciana (obra colectiva, Lisboa, 1982), O Cisne Intacto (Porto, 1983), A Cidade das palavras (Lisboa, 1988), 77 Tisane (Verona, Colpo di Fulmine Editore, 1994), Volúpia (Lisboa, 1997), 351 Tisanas (Lisboa, 1997), A Idade da Escrita (Lisboa, Edições Tema, 1998). Poesia Visual - Mapas da Imaginação e da Memória (Lisboa, 1973), A Reinvenção da Leitura (Lisboa, 1975), Escrita Natural (Lisboa, 1988). Ensaio: A Experiência do Prodígio: Bases Teóricas e Antologia de Textos-Visuais Portugueses dos Séculos XVII e XVIII (Lisboa, IN-CM, 1983).


Aníbal Machado

Aníbal Monteiro Machado nasceu em Sabará, Minas Gerais, em 9 de dezembro de 1894. Os pais, Virgílio Cristiano Machado e Maria Helena Monteiro Machado, ou dona Marieta, muito religiosa e dotada de notável equilíbrio.


Do lado paterno, seus ascendentes eram negociantes, armadores e pescadores de baleias em Santa Catarina. O pai, todavia, se tornou apenas negociante e empreiteiro da Central do Brasil, radicando-se em Minas Gerais, com residência em Sabará.
Este notável escritor brasileiro ligou-se ao Movimento Modernista que despontava em São Paulo e fez contos, novelas, poesia, romance e peças teatrais. Em sua terra natal, passou a infância numa grande e prazerosa chácara, à beira rio. Os primeiros estudos foram em casa. Mas logo foi estudar no Colégio Dom Viçoso e no Colégio Mineiro, em Belo Horizonte. Depois, no Colégio Abílio, Rio de Janeiro. Em 1913, volta a Minas como aluno da Faculdade de Direito. Algum tempo, e seu temperamento boêmio arrefeceu o entusiasmo e sobrevém certa negligência nos estudos. Depois tudo volta ao normal e todo o ânimo se refaz ao conhecer a jovem Aracy Jacob, de Ouro Preto. E daí o noivado. Conclui seu curso, e logo se casa em janeiro de 1918.
Professor no Ginásio Mineiro e jornalista no Diário de Minas, onde conheceu Carlos Drummond, o grande amigo da vida inteira. E se uniu logo aos intelectuais da época.
Enquanto vai ocupando outros cargos, dirige uma revista literária, e publica o seu primeiro conto: O Rato, o Guarda-Civil e o Transatlântico, e colaborou em revistas e jornais, publicando ensaios e crítica de arte e fazendo roteiros para o cinema. Foi Presidente da Associação Brasileira de Escritores (1944), tendo organizado o seu I Congresso, em São Paulo (1945), e um dos fundadores dos grupos teatrais Os Comediantes, do Teatro Experimental do Negro, do Teatro Popular Brasileiro e do Tablado. Participou da Segunda fase da Antropofagia, movimento literárioi chefiado por Oswald de Andrade. E traduziu várias obras, como de Bermanos, Kafka e outros. O escritor faleceu em 19 de janeiro de 1964, e foi sepultado no Cemitério do Caju, daquele mesmo Rio, onde deixou boa parte da sua existência. Ao pé do leito derradeiro, lá estavam: Selma, a mulher do segundo casamento e as seis filhas. Uma delas, Maria Clara, é hoje teatróloga. Eram seus irmãos o antigo político Cristiano Machado e a escritora Lúcia Machado de Almeida, hoje residente na Paulicéia.
Principais publicações: "Vila feliz" (1946), "ABC das catástrofes" (1951), "Topografia da insônia" (1951), "Poemas e prosa" (1955), "Cadernos de João" (1958), "Novelas reunidas" (1959), "João ternura" (1964). São consideradas obras primas os contos: "O telegrama de Artaxerxes", "O piano", "A morte da porta-estandarte", "O iniciado do vento" e "Viagem aos seios de Duília".

Genevieve Naylor

Genevieve Naylor nasceu em Springfield, Massachusetts, em 1915 e morreu em 1989. Estudou pintura no Arts Student League de Nova York, passando depois à fotografia, sob a direção de Berenice Abbott, na New School for Social Research. Seus primeiros trabalhos fotográficos foram feitos para a Associated Press (da qual foi uma das primeiras repórteres fotográficas) e as revistas Time e Fortune. Nesse período ela participou do Harlem Document Project, além de fotografar eventos variados e a cidade de Nova York. Em seguida Naylor trabalhou para a Works Progress Administration, uma agência criada nos anos 30 para ajudar artistas americanos durante a Grande Depressão. Pouco depois foi convidada, junto com seu marido, a integrar o corpo artístico da divisão brasileira do Office of Inter-American Affairs (OIAA). Sua visita ao Brasil, entre 1940 e 1943, foi patrocinada por esse escritório do Departamento de Estado, uma das primeiras agências de intercâmbio cultural dos Estados Unidos. Residindo no Rio de 1940 a 1943, Naylor e Reznikoff se integraram rapidamente à comunidade intelectual da cidade: seus amigos, muitos deles fotografados por Naylor, incluem Manuel Bandeira, Vinícius, Niemeyer, Aníbal Machado, Di Cavalcanti, Villa Lobos e Murilo Mendes. Naylor viajou extensivamente pelo Brasil, registrando, em mais de 1500 fotos, cenas e figuras das metrópoles e do interior.


Retornando aos Estados Unidos em 1943, apresenta essas fotos no Museum of Modern Art e em uma turnê pelo país. Logo depois é contratada como fotógrafa de moda e de celebridades pela Harper's Bazar. Trabalhos seus posteriores que merecem destaque são uma série sobre as enfermeiras na Guerra da Coréia e a campanha presidencial de Kennedy e Nixon em 1960.

José Oswaldo de Araújo
José Oswaldo de Araújo nasceu em 11 de março de 1887, em Dores do Indaiá, MG, e morreu em Belo Horizonte, MG, em 13 de fevereiro de 1975. Foi poeta, jornalista, professor universitário, advogado, empresário e prefeito de Belo Horizonte. Lecionou Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da UFMG e no Instituto de Educação de Minas Gerais, tendo pertencido à Academia Mineira de Letras, da qual foi presidente.

Filho de José Pedro de Araújo, fundador do Clube Republicano de Dores do Indaiá, fazendeiro, coletor federal e estadual, e de Firmina Melo de Araújo, José Oswaldo fez os primeiros estudos na cidade natal. Transferiu-se para Belo Horizonte em 1907, formando-se na Faculdade de Direito em 1914. Foi redator e diretor do “Diário de Minas”, órgão do PRM, onde publicou crônicas de Alphonsus de Guimaraens, a fim de ajudar financeiramente o poeta. Publicou, também, os primeiros poemas de Carlos Drummond de Andrade, que se referiu a tal apoio como sendo “a primeira palavra amiga da vida literária”.

José Oswaldo de Araújo teve intensa atividade literária nas décadas de 1910 e 1920, em Belo Horizonte, convivendo com parnasianos e simbolistas e apoiando a emergência dos modernos. Foi amigo de Da Costa e Silva e de Mendes de Oliveira, Arduíno Bolivar e Mário Matos. Escreveu sonetos parsanianos, publicados em livro (“Canções de um Sonho Distante”) somente no final da década de 1940, quando ingressou na Academia Mineira de Letras. Lançou, ainda, os livros “Palavras que lembram momentos amáveis” (discursos) e “Instantes de Ternura” (crônicas).

Foi professor do Ginásio Mineiro e, depois, da Escola Normal (Instituto de Educação), bem como da Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais, depois UFMG. Deu aula até atingir a compulsória, dizendo ser essa a sua atividade predileta. Como empresário, foi fundador e presidente da Companhia de Seguros Minas-Brasil. Participou, também, da fundação do Banco de Minas Gerais, do qual foi vice-presidente.

Foi prefeito de Belo Horizonte de abril de 1938 a abril de 1940, entre as gestões de Octacílio Negrão de Lima e Juscelino Kubistchek, todos nomeados pelo governador Benedito Valadares. Recuperou as finanças municipais e inaugurou a sede da Prefeitura na Avenida Afonso Pena, em 1939. Implantou o serviço de tratamento de água, combatendo a doença “horizontina”, decorrente da má qualidade da água da Capital. Concluiu a pavimentação da Avenida do Contorno. Conferiu atenção especial à cultura, apoiado em seu chefe de gabinete, o poeta e tradutor José Carlos Lisboa. Reformou o Teatro Municipal (vendido pelo prefeito Kubitschek e transformado em Cine Metrópole) e consolidou o Salão de Arte da Prefeitura.

Casou-se em 1917 com Clélia de Campos Continentino (1894-1988), natural de Oliveira, MG, filha do desembargador João Pereira da Silva Continentino e de Amanda de Campos Continentino. O casal teve três filhos: Maria Clélia de Araújo Santos, casada com Christino Teixeira Santos; Myriam Continentino de Araújo Penna, casada com Roberto Magalhães Penna; e Alberto Oswaldo Continentino de Araújo, casado com Ivana Barroca de Araújo. Deixou 14 netos, entre os quais o jornalista e escritor Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, ex-prefeito de Ouro Preto e secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais, e o arquiteto Gustavo de Araújo Penna, professor da UFMG.



Valmiki Villela

(ainda não temos a biografia)



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