Benedito Nicolau dos Santos



Baixar 4,81 Kb.
Encontro09.09.2017
Tamanho4,81 Kb.

Benedito Nicolau dos Santos nasceu em Curitiba no ano de 1878. Homem de múltiplos talentos e mente ativa e criadora, viajou pelos meandros da crítica, do teatro, da poesia, da música... Modesto, costumava escrever sem deixar assinatura, ou no máximo com pseudônimo. Assim recheou a imprensa da época com seus escritos. Após esgotar as possibilidades de estudo na provinciana Curitiba, decidiu ir ao Rio de Janeiro aperfeiçoar-se no Instituto Nacional de Música, não conseguindo inscrever-se, entretanto, ao que consta, por falta de vaga. Passou a ter aulas com o maestro Chevallier Darbilli, que mantinha um curso livre na capital federal. Mas Benedito insurgiu-se contra o sistema de ensino de harmonia do professor, que considerou aborrecido e ultrapassado. Decidiu pelo autodidatismo e mais: voltando a Curitiba escreveu a obra de sua vida, “Sonometria e Música”, em 4 volumes, em que revolucionariamente lança novas bases para o sistema musical. Hoje esta obra está esquecida nas estantes poeirentas, mas na época causou frisson nos meios musicais, tendo merecido comentários elogiosos de mestres do quilate de um Mário de Andrade. É uma obra difícil, hermética e talvez por isso assuste o comum dos mortais. Maria Nicolas narra em seu “Almas das Ruas”, vol. I, que tendo ido ao Rio em 1935, achava-se na afamada Casa Viúva Guerreiro, onde fora em busca de uma partitura, quando ao identificar-se com o paranaense, o proprietário apontou-lhe os quatro volumes de “Sonometria” que estavam numa prateleira e derramou-se em elogios, chamando a obra de “notável” e o autor de “maior músico do Brasil”. Maria Nicolas confessa que não conhecia Benedito, seu conterrâneo, e que ficou sem saber o que dizer diante do entusiasmo do proprietário da então mais importante casa de partituras, freqüentado pela nata musical brasileira. Pois é, nem os conterrâneos conheciam Benedito, nem lhe faziam justiça. No entanto, dava palestras no Instituto Nacional de Música sobre seu novo método de simplificação do sistema gráfico musical, obra que lhe consumiu quarenta anos de trabalho. A coroação por sua vida de estudos e o reconhecimento da classe musical brasileira veio com a posse na cadeira número 19 da Academia Brasileira de Música, fundada por Villa-Lobos em 1945. Benedito nos deixou mais de duzentas peças musicais, entre tangos, schottisch, valsas, polcas, operetas e peças religiosas. Há um catálogo de músicas preparado pela pesquisadora Charlene Neotti que reúne grande parte de sua obra.”
Paulo José da Costa, no encarte do CD “Todo amor desta terra – canções paraenses”.



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal