Bem-vindo a hollywood



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SEXO COBIÇA AMBIÇÃO

BEM-VINDO A HOLLYWOOD

Apontada como a grande revelação da literatura feminina, Tilly Bagshawe apresenta uma história inesquecível. Siena McMahon tem uma vida com a qual todas as mulheres sonham. Nascida em Hollywood, a família fez fortuna nos estúdios cinematográficos. O avô de Siena é uma lenda do cinema e o pai, um produtor bilionário. Mas essa vida não é tão glamorosa quanto parece. Por trás dos muros da luxuosa mansão, reina um ambiente de inveja e traições que pode destruir todos os sonhos da bela Siena.

Nos Estados Unidos, Adorada esteve na lista de mais vendidos do New York Times.

DISPONIBILIZAÇÃO: Vania F.S

DIGITALIZAÇÃO E REVISÃO: MARINA.C

Tilly Bagshawe

ADORADA

Tradução de ELIANE FRAGA



EDITORA RECORD

RIO DE JANEIRO SÃO PAULO 2006

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Bagshawe, Tilly B 134a Adorada / Tilly Bagshawe; tradução Eliane Fraga. -

Rio de Janeiro: Record, 2006.

Tradução de: Adored ISBN 85-01-07428-4

1. Indústria cinematográfica - Estados Unidos -Ficção. 2. Hollywood (Los Angeles, Estados Unidos) - Ficção. 3. Ficção inglesa. I. Fraga, Eliane, 1947-. II. Título.

06-1796 CDD-823 CDU - 821.111-3

Título original inglês: ADORED

Copyright © 2005 by Tilly Bagshawe

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, através de quaisquer meios.

Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa somente para o Brasil adquiridos pela EDITORA RECORD LTDA.

Rua Argentina 171 - Rio de Janeiro, RJ - 20921-380 -Tel.: 2585-2000 que se reserva a propriedade literária desta tradução Impresso no Brasil ISBN 85-01-07428-4 PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052 Rio de Janeiro, RJ - 20922-970

EDITORA AFILIADA

Para Robin.

Na alegria e na tristeza, jamais encontrarei palavras para expressar o amor que sinto por você.\

PRINCIPAIS PERSONAGENS

DUKE MCMAHON

MINNIE MCMAHON PETE MCMAHON CLAIRE MCMAHON LAURIE MCMAHON

TARA


CAROLLNE BERKELEY

GEORGE e WILLIAM BERKELEY SEBASTIAN BERKELEY HUNTER MCMAHON

SIENA MCMAHON

MAX DE SEVILLE

HENRY ARKELL

MUFFY ARKELL BERTIE, CHARLIE e ADDIE ARKELL


Lendário astro de cinema de Hollywood e um Don Juan. Patriarca autocrático da dinastia McMahon. A esposa eternamente sofredora de Duke. Seu amargo filho. Produtor. A esposa calada e letrada de Pete. Mãe de Síena. A filha gorda e imprestável de Duke e Minnie, irmã de

Pete.A assistente despeitada de Pete.

Caça-dotes da classe alta inglesa, amante de Duke e mãe irresponsável de Hunter.

Irmãos arrogantes e preconceituosos de Caroline. Pai idoso e orgulhoso de Caroline. Filho ilegítimo de Duke e Caroline, bonito e encanta­dor, ignorado pelos pais. Neta mimada de Duke e única filha de Pete e Claire

McMahon, de uma beleza estonteante. O melhor amigo de infância era Hunter McMahon. Rapaz louro, sensual, criado na mais fina tradição inglesa, x O amado meio-irmão de Max, fazendeiro, um homem bom e dedicado à família. Sua dedicada esposa, muito bonita e atormentada. Seus filhos. TTTUS e BORIS TIFFANY WEDAN

LENNOX JACKe MARCIE WEDAN RANDALL STEIN SEAMUS GARYELLIS CHRISTOPHER WELLESLEY MARSHA INES PRIETO MORENO DIERK MULLER HUGH ORCHARD

JAMIE SILFEN CAMILLE ANDREWS MÍRIAM STANLEY

E SEUS CÃES.


Atriz e namorada de Hunter. Como ele, bonita por dentro e por fora.

Ator e garçom gay, amigo leal de Tiffany.

Pais de Tiffany, pessoas simples do Colorado. Produtor bilionário e o homem mais poderoso de Hollywood depois de Duke McMahon. Um canalha. Velho amigo de infância de Duke, seu secretário parti­cular.

Construtor de origem humilde, sem escrúpulos.

Charmoso fazendeiro de meia-idade, dono de uma das mais belas propriedades em Cotswolds, um cavalheiro. Agente de modelos de Siena, uma baixinha poderosa, de natureza enérgica e trabalhadora. Top model ruiva espanhola.

Diretor de cinema alemão de muito talento, porém sem grande carisma.

Um todo-poderoso do mundo da televisão americana, muito respeitado e discretamente gay. Escritor e cria­dor de vários programas de sucesso, inclusive Homem da Lei e UCLA.

O mais poderoso diretor de elenco de Hollywood. Garota de programa texana que arranja clientes no Sky Bar.

Estrelinha em ascensão de Los Angeles. Já dormiu com todos os produtores de sucesso da cidade.

PRÓLOGO
Inglaterra, 1998

Siena queria voltar para Hollywood de qualquer maneira.

— Veja bem, irmã Mark — continuou ela, empenhada em fazer uma ex­pressão que parecesse ao mesmo tempo de arrependimento e de resignação —, cu compreendo perfeitamente que se trata de uma transgressão passível de expul­são. Quero que saiba que assumo total responsabilidade pelos meus atos.

Ela conseguia parecer quase chorosa. Mas, afinal, Siena sempre soube que era uma atriz fantástica. A velha bruxa podia estar mesmo caindo como um patinho.

— Só não sei o que me levou a agir assim. — Siena baixou os olhos em atitude envergonhada. Já aprendera que um pouco de humildade sempre encan­tava as freiras.—Mas compreendo que deixei a senhora sem escolha. Desapontei o Saint Xavier's.

Fabuloso. Funcionou como mágica. Mentalmente, Siena começou a calcu­lar quanto tempo levaria para arrumar a mala e esvaziar seu quartinho aperta­do. É claro que precisaria despedir-se das garotas, mas, caso se apressasse, talvez ainda conseguisse pegar o vôo das 18 horas para Los Angeles. Ou será que precisaria enfrentar outras formalidades? Quem sabe teria que falar com o di­retor geral? Mesmo assim, se conseguisse um vôo no dia seguinte bem cedo, ainda chegaria a tempo de fazer uma escova no Zapata antes de aparecermos bares da Melrose Avenue.

— Srta. McMahon. —A voz irlandesa de cadência suave da madre superio­ra ocultava a firmeza de propósito tão bem conhecida de Siena. Ela aprendera a odiar a maneira como irmã Mark pronunciava seu nome: "McMaaarn." Parecia esticar a palavra numa espécie de tortura. Siena perguntou-se que tipo de sermão entediante a irmã estava prestes a fazer.

Olhando à sua volta, Siena observou o ambiente familiar da sala da irmã Mark, segundo esperava, pela última vez. Era mobiliado com simplicidade, como convinha a uma freira, sem ser austero. Um ramo de rosas cor de pêssego ocupava a mesa, e seu aroma espalhava-se até a poltrona junto à janela, coberta de almofadas coloridas, já levemente puídas, produto do trabalho de gerações costureiras em potencial. Um crucifixo imponente pendia de uma das paredes caiadas, en­quanto as outras eram cobertas de fotografias de alunas do Saint Xavier's, do presente e do passado, comemorando várias realizações desportivas ou teatrais. Siena, que não era boa nem em uma coisa nem em outra, só figurava no quadro gigante que exibia as detenções recebidas pelas alunas, onde seu nome aparecia repetidas vezes.

Na verdade, pela terceira vez no semestre Siena era chamada à sala da madre superiora, localizada sobre a capela da escola. Aliás, a irmã Mark já perdera a conta das vezes que tivera aquele rostinho lindo, truculento e zangado à sua frente por alguma travessura. Desde o dia em que chegara, havia sete anos, com 10 anos de idade, Siena era uma das mais talentosas, mas, ao mesmo tempo, uma das mais indisciplinadas alunas.

Por mais que olhasse para Siena, nunca deixava de se impressionar com a extraordinária semelhança: ela era realmente a cópia do famoso avô. Quando jovem, em Connemara, a irmã Mark (ou Eileen Dineen, seu nome então) tinha uma queda por Duke McMahon. Ora, era difícil não ter. Eileen e suas amigas devem ter assistido Capri sunseí, seu primeiro filme importante, com Maureen CHara, umas nove ou dez vezes. A cabeleira ondulante, aquela voz grave e cheia, quase ardente. Ah, sim, nos tempos do velho Duke, seus filmes românticos pro­vocavam pensamentos pecaminosos em metade dos adolescentes da Irlanda — para não mencionar o resto do mundo. E agora estava ela aqui, cinqüenta anos depois, freira há quarenta, imaginando o que fazer, em nome de Deus, com a difícil neta do ator.

A irmã Mark alisou a saia de sarja marrom — as freiras de Saint Xavier's não usavam mais o hábito, sendo distinguidas das demais professoras apenas por uma simples cruz de prata pendurada ao pescoço — e recuou um pouco sua cadeira de mogno para fixar o olhar mais uma vez no enigma que era Siena McMahon.

Por alguma razão, a menina nunca se ajustara a Saint Xavier's. Era bastante popular, este não era o problema. Quase todas as meninas queriam ser amigas de Siena: neta de uma lenda de Hollywood e filha de um dos mais bem-sucedidos produtores de cinema, representava uma vida glamour e agitação muito além de tudo o que essas inglesas bem-nascidas, filhas de aristocratas, jamais vivenciaram.

Siena também tinha outras vantagens. Era sem dúvida uma beldade, e 15 anos de experiência em um internato feminino tinham ensinado à irmã Mark que isso, infelizmente, era um passaporte garantido para a popularidade, com ou sem o nome McMahon por trás. E, apesar de sua impressionante indisciplina e quase patológica aversão ao trabalho duro, Siena atravessara seus anos de escola com as notas mais altas em todas as matérias. Nesse aspecto, a irmã tinha pouco a reclamar.

Ainda assim, não era preciso ser um Einstein para concluir que, com todas as suas vantagens e seus talentos, a garota era profundamente infeliz na escola.

Sua reclamação era a mesma desde a primeira semana em que chegara, sem­pre uma mocinha beligerante e teimosa: ela queria voltar para casa. Era isso que irmã Mark estranhava, pois era óbvio que Siena sentia uma profunda aversão pelos pais. Chegava a ser trágico.

Fora a comemoração anual de entrega de prê­mios, à qual ambos compareciam religiosamente, Pete e Claire McMahon dedi­cavam o menor tempo possível à filha. O único período em que ficavam juntos eram as seis semanas das férias de verão, quando se encontravam na mansão da família em Hollywood. Siena nunca ia para casa nos feriados de meio de semes­tre ou nos feriados menores. Em vez disso, passava esses períodos aos cuidados de uma empregada espanhola no apartamento dos pais, em Knightsbridge. Com certeza isso não era vida para uma criança, e só tornava a menina mais obstinada, mais determinada e mais desesperada do que nunca para voltar para casa.

Ao observar Siena, a irmã Mark percebeu que ela mordia o lábio inferior, um sinal pueril de nervosismo que parecia inadequado a uma moça de 17 anos. Al­guém de uma geração anterior teria descrito Siena como "cheinha", mas, para o padrão das garotas de hoje, ela devia ser considerada "gorda". De fato, para sua pequena estatura, o busto avantajado aderia à blusa de um jeito quase obsceno, espremido na jaqueta do uniforme. A boca pequena como um botão de rosa, a pele clara e a densa cascata de cachos escuros pertenciam a uma outra época, mais sensual e feminina. Somente seus olhos — duas contas azuis cintilantes de uma determinação cruel — davam ao rosto angelical o toque moderno e ansioso. Hoje seu olhar era de desconfiança. A madre superiora suspirou. Estava quase tão cansada dessa guerra quanto Siena.

Dessa vez, a menina fora surpreendida fumando maconha na sala dos alu­nos. Na verdade, "surpreendida" não era bem a palavra, pois ela não fizera um movimento sequer para ocultar o delito. Em circunstâncias normais, deveria, obviamente, ser expulsa. Mas eles estavam a poucos meses dos exames de fim de curso, e Siena com certeza se sairia excepcionalmente bem. Além do mais, depois de sete longos anos, não seria agora que a irmã Mark faria a tolice de mandar a pestinha para casa.

Relutando em desviar os pensamentos dos casacos da Burberry, no dutyfree do aeroporto de Heathrow — ou quem sabe uma bolsa, para acalmar sua mãe? —, Siena voltou-se para a freira. Será que ela não podia dizer tudo logo e pular os malditos sermões?

— Srta. McMahon — prosseguiu a irmã Mark —, como disse bem, você de fato decepcionou Saint Xavier's.

Graças a Deus, pensou Siena, ela finalmente vai me expulsar deste lugar infernal.

— No entanto, sinto que seria... — um sorriso surgia vacilante nos lábios da velha mulher — precipitado... ou deveríamos dizer imprudente? — presumir que você me deixou "sem escolha" quanto à sua punição. .

Siena engoliu em seco. Merda. O que ela estava planejando agora?

O baru­lho explosivo de um cano de descarga furado interrompeu o silêncio por um ins­tante, e os olhos de Siena desceram para o micro-ônibus velho e cambaleante que descia o caminho da escola soltando fumaça, com o chassi parecendo tremer e sacudir ao vento cortante de janeiro. A viatura deveria ser branca, mas estava coberta por uma camada tão densa de fuligem que sobressaía como se fosse quase cinza-metálico contra o pano de fundo da grama alva de neve. Dentro dela, gru­pos de meninas de riso afetado e tolo acotovelavam-se, agitadas, a caminho de algum jogo de hóquei. As imbecis pareciam tão felizes e saltitantes que ela teve vontade de vomitar.

— Não me passou inteiramente despercebido, Siena — continuou a irmã Mark quando o barulho do motor falhando desapareceu com a distância —, que você nutre um forte desejo de ir embora de Saint Xavier's. Se bem que devo confessar que não compreendo o porquê disso.

Não compreende por que ela gostaria de ir embora de Saint Xavier's? Cer­tamente a pergunta deveria ser por que alguém ia querer ficar. Estar na capela às 7h30 da manhã, apagar as luzes às 10h30 da noite, mais regras sem sentido do que a Gestapo? E o pior era que a maioria das garotas era totalmente mani­pulada. Elas de fato ansiavam por voltar para o colégio e cursar a última série, porque passariam a ter sua própria torradeira na sala dos alunos! O "privilégio da torrada", como chamavam. Seria Siena a única a querer gritar aos quatro ventos que "COMER TORRADA NÃO É UM PRIVILÉGIO, É UMA MERDA DE UM DIREITO HUMANO BÁSICO"? Em Los Angeles, as garotas de 17 anos tinham carros. Elas usavam roupas de grife, não um uniforme assexuado de antigamente. Iam a festas. Transavam. Elas viviam, pelo amor de Deus. Saint Xavier's — na verdade, toda a porra da Inglaterra, a cinzenta, gelada, deplorá­vel Inglaterra — estava aprisionada em alguma espécie de pesadelo em que o tempo parará.

— Não pretendo ser coagida a expulsá-la e sei muito bem que essa era a atitude que você esperava — anunciou a irmã Mark Siena agora a fitava aberta­mente com muita raiva, sem mais nenhum sinal de pretensa humildade. A ma­dre superiora continuou. — Ao contrário, decidi retirar todos os seus privilégios de última série até o fim do ano letivo.

Ah, meu Deus. O rosto sofrido de Siena dizia tudo.

— Até o fim do ano letivo? Não pode fazer isso!

— Ah, eu acho que vai descobrir que posso. — A freira sorriu, serena. — Ademais, não poderá sair nas próximas quatro semanas. Nenhuma saída em fins de semana, nenhum evento social, nenhuma atividade depois do horário escolar. Fora a missa, claro.

Ah, claro. A missa. Fantástico.

— Siena, ouça-me. — O tom de voz da irmã Mark suavizou-se, mas Siena não estava atenta. Se não iria para casa, então para que ouvi-la? O que mais importava? A freira estendeu a mão sobre a mesa para pegar a sua e apertou-a com um carinho genuíno, ignorando a expressão de repugnância da menina. — Você está na reta final, minha querida.

Siena observou o brilho da luz do sol no crucifixo e protegeu os olhos. Ela não queria ouvir.

— Estamos em janeiro. Até julho, terá concluído os exames de fim de curso, c, se começar a se dedicar, você tem grande chance de conseguir entrar para Oxford. Toda a chance. — A freira acariciou de novo a mão da menina para encorajá-la, querendo que ela prestasse atenção.

Mas Siena estava longe. A irmã Mark não compreendia. Como poderia? Re­tirando a mão, Siena olhou pela janela, para além do gramado do convento co­berto de geada, para os morros congelados no horizonte distante de Gloucestershire. O frio era tal que os pingentes de gelo ainda estavam presos aos galhos dos plátanos, e ela podia ver o calor emanando da boca das meninas que conversavam animadamente a caminho da aula, felizes com a neve, sem dúvida, c a perspectiva de andar de tobogã no final do dia.


PARTE UM
Apesar da beleza da paisagem, a mente de Siena estava a 10 mil quilômetros de distância. Não na casa de seus pais nos morros de Hollywood, mas na casa de seu avô Duke, em Hancock Park, de volta à sua infância. De repente ela voltara aos oito anos, pulando os degraus que a levavam à mansão e aos braços dele. Sempre que fechava os olhos, podia sentir o calor e a força daquele abraço como se fosse hoje. Sentada na cadeira de mogno de espaldar duro no gabinete pouco aquecido da irmã Mark, Siena ansiava por aquela sensação com cada célula do seu corpo.

Para sua mente infantil, tudo aquilo parecia eterno. Vovô Duke, a casa, sua felicidade. Mas tudo acabara, tudo, como acontece com a neve de Gloucestershire. E aqui estava ela, o mais distante possível do conforto e da felicidade.

CAPÍTULO 1
Hancoc Par , Los Angeles, 1975

— Quarenta e oito, quarenta e nove... cinquenta! Bom trabalho, Duke, você está com uma aparência ótima.

Deitado de costas no seu colchonete de exercício, Duke McMahon olhou para seu treinador. Esses jovens de hoje têm uma aparência horrível. Usam coste-letas enormes, roupas de ginástica aveludadas e um exagero de jóias que nem a Máfia. É por isso que cada vez mais as gatinhas de Hollywood procuram homens mais velhos.

Mesmo assim, Mikey tinha razão quanto a uma coisa. Ele estava com uma aparência ótima. Duke sentou-se e admirou satisfeito sua imagem em um dos imensos espelhos que forravam as paredes da sala. Aos 64 anos, ainda tinha o corpo de um homem vinte anos mais novo, e não devia um centímetro disso a cirurgias. Odiava fazer exercícios, sobretudo os malditos abdominais, mas era extremamente vaidoso. Nos seis anos de trabalho com Duke, Mikey nunca o vira cancelar uma única sessão.

— Ainda precisa trabalhar um pouco o abdômen, sabe disso — ralhou Mikey ao observá-lo desamarrar o tênis e encaminhar-se para o chuveiro.

— É, e você precisa dar um jeito na porra do seu guarda-roupa, homem. Para não falar do seu cabelo. — Duke levou as mãos para o alto, fingindo-se exasperado. — Estou lhe dizendo, amigo, você está com uma cara horrível. Vê se corta esse cabelo!

Mikey riu e diminuiu o som alto do disco de Mick Jagger. Duke adorava seus discos dos Stones.

Há muito tempo Mikey não o via tão alegre. Evidentemente, a nova namo­rada estava fazendo maravilhas. Ele sabia que não devia gostar de Duke, mas não podia evitar. Sim, o velho era um canalha. Um mulherengo incorrigível que tratava sua pobre mulher, Minnie, como lixo. E era tão preconceituoso — contra os gays, as mulheres e os impostos — que chegava a ser revoltante. Mas também tinha uma energia incrível, uma ânsia de viver que parecia atrair as pessoas para si. Mikey tinha muitos clientes ricos e famosos — se bem que não tão ricos ou famosos quanto Duke McMahon —, e nenhum deles chegava per­to de seu carisma natural.

Duke saiu do chuveiro, nu e molhado, e caminhou até a janela para apreciar o sol da Califórnia. Ele mandara construir a sala de ginástica no primeiro andar da sua mansão em Hancock Park, uma obra de arte da arquitetura espanhola, mas conhecida simplesmente como a propriedade dos McMahon pelos inúmeros turistas que faziam ponto do lado de fora dos portões.

A mansão em si foi construída na década de 1920, quando Hancock Park começava a ganhar popu­laridade entre os grupos crescentes de atores de cinema e músicos que vinham para o Oeste em busca de fama e fortuna. No entanto, a parte interna da casa era uma mistura dos estilos moderno e tradicional.

Minnie, a esposa sofredora de Duke, tinha um gosto impecável, bastante con­servador, e muitos dos cômodos da parte social refletiam sua influência refinada e discreta.

Em gritante contraste, o gosto novo-rico de Duke e seu encanto por tudo o que era moderno o levaram a algumas decisões horripilantes quanto à decoração, e a sala de ginástica era um exemplo típico. A aparelhagem de som era moderníssima, estéreo, com oito toca-fitas e inúmeras caixas de som, e estava instalada em uma imensa estante de madeira forrada de veludo. Havia uma praça central de exercí­cio com piso de madeira envernizada, cercada por um mar de carpete alto em tom creme que ia de parede a parede sob os espelhos onipresentes, e, em lugar de destaque, uma bola espelhada de discoteca descia do teto abobadado.

— Pelo amor de Deus, Duke, quer vestir uma roupa? — Seamus, amigo de infância de Duke e seu braço direito, um misto de empregado, secretário particu­lar e agente, enfiou o rosto corado e sempre jovial pela porta e fez um breve sinal de agradecimento para o treinador.—Como sabe, você tem uma reunião às onze. Sei que em Hollywood se usa roupa informal, mas tenho certeza de que John McGuire apreciaria pelo menos uma cueca.

Duke olhou para o velho amigo e sorriu. Eles eram praticamente contempo­râneos, mas Seamus parecia ter idade para ser seu pai. Suas entradas eram tão acentuadas que, de frente, ele parecia completamente calvo, e uma queda eterna pela bebida contribuíra para a tez corada e a cintura expandida. Se fosse qualquer outra pessoa, Duke agiria com sarcasmo por tamanha falta de autocontrole, mas Seamus era especial. Duke batalhara para chegar aonde estava e convivera com muita gente inescrupulosa nos estúdios de Hollywood. Por isso dava valor à lealdade e à amizade verdadeiras. Seamus era uma preciosidade.

— Vá se foder, está bem? — respondeu ele bem-humorado, cocando o saco para dar mais ênfase à cena. — Estou tentando apreciar a vista.

E era uma senhora vista. Gramados muito bem tratados partiam da casa e desciam morro abaixo até onde a vista alcançava. Uma piscina azul de tamanho olímpico refletia a luz do sol, cercada de várias laranjeiras e limoeiros carregados de frutos. Pequenos beija-flores, suas listras coloridas brilhantes contrastando com o intenso azul do céu, voavam de flor em flor apreciando o brilho do sol.

Era difícil imaginar que tal jardim do Éden pudesse ter sido inteiramente criado pelo homem; que, sem irrigação, plantação e poda contínuas, todo Hancock Park não passaria de um pântano sem vegetação. Mas era precisamente isso que Duke amava em Los Angeles. Era um lugar onde se podia transformar um pedaço de terra em um paraíso, se você trabalhasse com afinco e muita vontade.

Qualquer um dos inúmeros jardineiros mexicanos e seus ajudantes que esta­vam no gramado abaixo poderia ter olhado para cima e visto o dono da casa com­pletamente nu admirando seu reinado da janela, como já acontecera em muitas outras manhãs. Duke não se importava. A casa era dele. Trabalhara para merecer cada centímetro e, se quisesse, poderia cagar no raio da equipe de funcionários. Além do mais, gostava de ficar nu na frente deles porque isso deixava Minnie louca de vergonha. Humilhar sua mulher era um dos maiores e mais antigos prazeres de Duke.

— Onze horas. — Seamus levantou um dedo de repreensão na direção da traseira nua de Duke e saiu apressado para preparar os papéis para as reu­niões do dia.

— Olha só, homem.—Duke fez um gesto amplo na direção da janela quan­do Seamus foi embora. — Que dia fenomenal!

— Estamos na Califórnia, Duke. Todos os dias são bonitos.

— O treinador fechou o zíper de sua bolsa de ginástica e apoiou-se contra a parede espelhada. Não tinha nenhuma pressa para sair. Seu próximo cliente era uma viúva de Beverly Hills muito acima do peso que não parecia importar-se com seu training aveludado e cabelo comprido na altura dos ombros. Conversar fiado com Duke era muito mais divertido. — E então o que o deixou de tão bom humor de repente? Não teria nenhuma relação com... é a Catherine? Qual é o nome dela mesmo, sua nova namorada?

— Amante, minha nova amante. — Duke sorriu. — Sou velho demais para ter uma "namorada". Para o alívio de Mikey, ele vestiu calças de linho e sentou no banco, animado com o tema da conversa. — Uma namorada é alguém com quem você fica de mãos dadas e vai ao cinema — explicou Duke. — Um dia, se con­cluir que gosta mesmo dela, talvez se case e faça dela sua mulher. Isso é uma namorada. Já uma amante... é muito diferente. — Ele fez uma pausa para dar um efeito teatral, e um sorriso sarcástico tomou conta de seu rosto.—Uma amante é basicamente uma puta que você possui.

— Deus do céu! — Mikey explodiu numa risada, genuinamente chocado. — Não se diz esse tipo de coisas. Ninguém possui ninguém, Duke.

— Ah, meu rapaz. — Duke sacudiu a cabeça. — Você não sabe de nada.

Ele se levantou para admirar a roupa escolhida: calça e sapato de couro bran­cos e uma camisa de gola rulê cor de chocolate colada ao corpo, quente demais para o clima californiano, mas que lhe acentuava o peito e o bíceps. Feliz com sua imagem, abraçou o treinador com o carinho de um pai. Por que nunca podia falar assim com seu próprio filho, Pete? O rapaz estava sempre estressado e era pedante e presunçoso como a mãe. Duke costumava dizer que Pete Jr. era uma réplica de Minnie com colhões — mas já não tinha tanta certeza se ainda havia essa distinção.

— Enfim, respondendo à sua pergunta, sim, é provável que o meu humor se deva um pouquinho a Caroline.

— Me desculpe, Caroline, já havia me dito.

Duque estava feliz da vida. Ela deve ser uma garota especial. Como se tivesse lido a mente do treinador, o velho homem continuou.

— Não só ela é uma trepada de nível internacional... — Duke percebeu que Mikey lutava para reprimir o rubor. — Falando sério, homem, você devia ver, ela é a mais sacana das putinhas, mas fala como a rainha. Se você ainda não trepou com uma garota inglesa, vou dizer uma coisa, tem que experimentar.

— Vou me lembrar disso — disse Mikey. — Obrigado.

— Mas a melhor parte é que... — Duke fitou-o, triunfante. — Ela concor­dou em vir morar comigo. Permanentemente. A partir de hoje.

Será que Mikey ouviu bem?

— O que quer dizer com ela morar com você? — Ele sabia que seria uma descortesia jogar água na fervura de Duke quando ele estava nitidamente nas nuvens. Mas como Caroline poderia estar se mudando para lá? — E a Minnie? Vocês, hum, se separaram, se divorciaram, ou algo assim? Como é que eu nunca ouvi nada a esse respeito?

— Não.—Duke estalou os dedos e abriu ura amplo sorriso. Evidentemente ele estava se divertindo, deleitando-se com a confusão do rapaz. — Nem separa­ção, nem divórcio. Eu apenas informei a ela. Esta casa é minha, e quero que Caroline more aqui. Minnie fará o que eu mandar se quiser continuar fazendo parte desta família.

Mikey estremeceu. Não se conformava com a crueldade de Duke, especial­mente quando dizia respeito à pobre sra. McMahon. Não conseguia entender por que diabo ela tolerava aquilo. Mesmo assim, até mesmo pelos padrões de Duke, isso era demais, trazer a namorada para a mansão bem no nariz dela. Ima­ginou que Peter não ficaria muito satisfeito tampouco.

— Vamos fazer um jantar de boas-vindas esta noite às oito — continuou Duke, nem um pouco consternado.—Vai ser só a família: Caroline e eu, Laurie, Pete e a mulher dele... e a minha mulher, claro.

— Ele deu um sorriso sádico de desprezo. — Mas será um prazer tê-lo conosco se desejar. Pedirei a Minnie para colocar mais um lugar à mesa.

Meu Deus, então Minnie faria o papel de anfitriã nesse teatro? De repente Mikey sentiu-se estranho, culpado. Não queria fazer parte de nada daquilo.

— Não posso — disse ele corando. — Sinto muito mesmo, mas não posso. Com todo o seu charme, era óbvio que Duke tinha um grande vácuo justo onde deveria ter algum senso de moralidade ou compaixão humana. E, quando você espiava dentro desse vácuo, ele era preto. Francamente, chegava a dar medo.

— Sim, claro — disse Duke com um sorriso sem alegria. Lembrou a Mikey o lobo sorrindo para Chapeuzinho Vermelho. De repente, a sala pareceu ficar terrivelmente fria. — Sem problema, meu rapaz, sério — disse Duke, encaminhando-se para a porta. — Eu compreendo.

Sentada em frente à penteadeira na ala leste da casa, Minnie apertou o fecho de suas pérolas com a mão firme. O aroma doce das trepadeiras de ciclâmen em volta da janela de seu quarto de vestir sempre a relaxavam. Ela inspirou o ar quente da manhã e depois deu um suspiro.

Minnie adorava o quarto de vestir, seu pequeno santuário particular cheio de lembranças amadas e familiares de uma vida anterior: a escrivaninha inglesa de seu pai, agora sua, e o tapete persa desbotado que um dia enfeitara o chão do quarto das crianças na sua casa em Connecticut, onde ela e o irmão Austin engatinharam, brigaram e construíram com blocos cidades elaboradas. Vasos cheios de flores cobriam todas as superfícies disponíveis, e, ao lado da porta, havia uma antiga estante levemente danificada mas encantadora, cheia de livros não apenas colecionados mas lidos por gerações dos Miller. Alguns tinham pertencido ao leu tetravô, e Minnie adorava segurá-los, acariciar as lombadas e pensar em todos os seus ancestrais que os seguraram e leram antes dela.

Trinta anos em Los Angeles não serviram para diminuir sua saudade da Cos­ta Leste. Contudo, com seu jeito para decoração de interiores — Minnie tinha aquela habilidade rara de transformar uma casa em um lar sem diminuir sua elegância, com um estilo que combinava o conservadorismo tradicional e um verdadeiro aconchego —, ela criara dentro da propriedade a miniatura de um oásis da Costa Leste. Ali passou a se recolher e se confortar nos seus frequentes períodos de infortúnio.

Depois de arranjar cuidadosamente as pérolas em frente ao espelho, ela pe­gou no armário a escova de roupas de prata e limpou alguns fiapos de tecido da saia. Hoje seria um dia difícil. Mas, como sua mãe sempre lhe ensinara, uma dama nunca perde a compostura, por mais penosa que seja a situação.

Mesmo que lhe custasse muito, deveria manter a dignidade, fazer dela um escudo que a envolvesse diante dessa... dessa... ocasião lamentável.

Dez anos mais jovem que Duke, com 54 anos, Minnie assumira a maturida­de com o mesmo entusiasmo com que seu marido resistia a ela. Ela parecia mãe dele. Quer dizer, se vestia como a mãe dele; ou como a mãe dele teria se vestido se viesse de uma família tradicional de Greenwich como a de Minnie (e não de uma tribo de irlandeses empobrecidos de Nova York que faziam dinheiro com traba­lhos braçais ou pequenos roubos). Seu uniforme diário pouco mudara desde o casamento, há mais de trinta anos: uma saia de linho caqui até os joelhos, uma blusa branca impecável com o colarinho elegantemente levantado, meias de seda em tom bronzeado (mesmo no calor intenso, uma dama nunca ficava de pernas nuas), sapatos de ponta arredondada com o salto ligeiramente alto e, claro, as pérolas de sua avó.

Graças a uma simples porém rigorosa rotina diária de beleza, à base de sabo­nete, água e uma boa quantidade de creme noturno, seu rosto bonito e nobre tinha poucas rugas. Os anos de sofrimento nos últimos estágios de seu casamento com Duke as delineara timidamente em torno dos olhos, onde outras mulheres mais felizes tinham criado "rugas de riso".

Mesmo assim, relembrou Minnie sem piedade, tinha muito que agradecer. A vida como mulher do astro de cinema mais famoso do mundo lhe proporcionara muitos confortos materiais, e isso certamente aplacara a dor de alguns desaponta­mentos no casamento. E, claro, ela tinha os filhos. A doce e amiga Laurie e seu amado filho Pete ainda moravam na propriedade de Hancock Park e, com a jo­vem esposa de Pete, Claire, serviam-lhe de apoio emocional contra o ódio cada vez mais escancarado que Duke sentia por ela.

Seu marido podia insistir em trazer a sua amantezinha barata para viver na casa deles. Mas, se ele pensava que afastaria ela ou os filhos dali com seus joguinhos vingativos, estava muito enganado.

— Mãe? Ah, finalmente encontrei você.

O rosto desamparado de Laurie apareceu no vão da porta. Aos 28 anos, a filha mais nova de Duke e Minnie já assumira a aparência de uma solteirona convicta. Sua saia larga de cigana e a blusa marroquina solta, sem forma, não conseguiam Ocultar os pneus de gordura adquiridos durante décadas de excessos alimentares para compensar suas carências. Com seu cabelo castanho oleoso puxado para trás em um rabo-de-cavalo apertado e o rosto sem nenhuma maquiagem, era quase Impossível acreditar que essa garota tímida e trêmula pudesse ser a filha legítima de pais tão bem-apessoados. Esta manhã, sua aparência estava prejudicada por Um nariz vermelho brilhante e olhos muito inchados de tanto chorar.

— É claro que estou aqui — disse Minnie com sua voz firme e clara.

— Onde mais eu estaria? Temos muito que fazer hoje para o jantar, e vou precisar de lua ajuda com as flores, Laurie-Loo.

Durante toda a semana, a chegada de Caroline fora mencionada simples­mente como "o jantar". Ninguém conseguia pronunciar seu nome.

— Ah, mãe! — O rosto inchado e contraído de Laurie finalmente cedeu e ela se desmanchou em soluços infantis vindos do fundo da garganta.

— Como pode estar tão tranquila sobre isso? Quero dizer, como papai pode fazer isso com você, com todos nós?

— Pelo amor de Deus, Laurie, componha-se — ordenou Minnie. Se havia uma coisa que ela não tolerava era ver alguém sucumbir às emoções. Isso era extremamente indigno. — É um momento difícil para todos nós, mas não temos nada para nos envergonharmos e, por certo, nenhuma razão para chorar.

Ela entregou à filha um lenço branco com monograma e bateu de leve na Cadeira que estava ao seu lado. O jacarandá rangeu quando Laurie jogou sobre ela o corpo volumoso. Minnie gostaria que sua filha demonstrasse pelo menos um pouco mais de autodisciplina quanto à comida, mas sorriu para ela com bon­dade e procurou não manifestar seus sentimentos.

— De verdade, querida, não deve chorar. — Minnie acariciou o cabelo da filha como se ela fosse um cão obediente. —Acredite em mim, seu pai se cansará dessa jovem em pouco tempo. Como aconteceu com todas as outras.

Espero que sim, mãe. — Laurie fungou. — Realmente espero. Mas ele nunca trouxe nenhuma das outras para viver conosco, não é?

— Nisso ela tinha razão. — Quero dizer, tenha dó, essa garota só tem 29 anos. É mais nova que Pete.

— Eu sei contar, querida — suspirou Minnie. Ajustando os ombros em uma postura de coragem, ela acariciou com firmeza a mão de Laurie.

— Procure não se preocupar. Vai depender de todos nós, você, eu e Pete, garantir que essa jovem de fato siga o mesmo caminho que as outras. Mas uma coisa posso prometer a você, querida. Sou a esposa de seu pai e a dona desta casa. E nada, Laurie, abso­lutamente nada, irá mudar isto.

Não era a primeira vez que Laurie se maravilhava com a mãe. Pete sempre dizia que a disposição em aceitar uma vida inteira de abuso por parte de Duke era um sinal de fraqueza, mas Laurie admirava a calma resoluta de Minnie em face de qualquer tipo de adversidade. Ela pensava na mãe como uma espécie de heroína de uma tragédia, seu espírito indestrutível emergindo triunfante de to­dos os golpes que o destino e a vida lançavam sobre ela.

Se pelo menos ela, Laurie, tivesse herdado um pouco daquele espírito, daquela força, então talvez a sua vida não fosse tão horrível.

— Então... — Minnie sorriu bravamente, ansiosa para concluir essa con­versa emocional com a filha. — Por que não começamos a escolher as flores para esta noite? Queremos que tudo fique perfeito para papai, não é?

Para todos que os conheciam, o casamento de Duke e Minnie McMahon era um eterno mistério.

Quando se conheceram, na década de 1930, Minnie era a filha adolescente tímida e incrivelmente bela de Pete Miller, o último de uma longa linhagem de abastados proprietários de terras de Connecticut, e sua esposa, Marilyn, uma res­peitada anfitriã da sociedade. Duke, que fora levado por uma namorada casual a um dos eventos de caridade de Marilyn Miller, era um jovem ator conhecido, a caminho de se tornar um grande astro, e já possuía uma reputação de cafajeste e mulherengo que só pensava em se divertir.

Sua atração pela jovem Minnie Miller foi instantânea. Em um canto da sala, escondendo-se desajeitada atrás do desenxabido irmão mais velho, Austin, ela parecia representar tudo o que a vida lhe havia negado: beleza, fragilidade, ino­cência, riqueza e educação. Parecia intocada e intocável, exatamente o tipo de princesa virgem protestante que a sociedade educada considerava completamen­te indisponível para um rapaz católico irlandês devasso como ele.

Naquela noite, ele a convidou a dançar—para o desgosto de sua companheira —e ela declinou, corando muito e insistindo em que não sabia dançar, segurando-se à mão do irmão para não mais soltar. Duke ficou encantado. Ele não sabia que ainda existiam garotas tão ingênuas quanto ela em um raio de 150 quilômetros de Manhattan. Certamente nunca conhecera uma assim. Logo decidiu que Minnie tinha de ser sua e, nos nove meses seguintes, dedicou-se à árdua tarefa de seduzi-la.

Quanto a Minnie, ela adorou Duke a partir do momento em que bateu os olhos nele. Ele era absurdamente bonito, com o cabelo negro azulado brilhante como as penas de um corvo, o queixo firme projetado para a frente e a voz lírica profunda e maravilhosa, com um leve traço de sotaque irlandês; mas também havia nele algo de perigoso, alguma coisa adulta, masculina e proibida que o diferenciava de todos os colegas de seu irmão que freqüentavam a escola prepara­tória para Harvard, ou dos garotos a quem fora apresentada nas festas de dança de sua mãe, onde não faltavam damas de companhia.

A intensidade e a natureza de seus sentimentos por ele a amedrontavam. Ser cortejada abertamente por Duke, um católico de uma família sem tradição, com O que sua mãe chamava com desdém de "uma reputação", era inconcebível.

Por outro lado, aos olhos de Minnie, um romance secreto era um passo de tamanha seriedade e gravidade que, durante meses, ela quase não conseguia dormir de tanto pensar nisso, torturada em igual medida pelo amor e desejo apaixonado por Duke e pela culpa desesperada que a consumia.

Por fim, como sempre acontece, o amor e a paixão venceram a culpa. Minnie ainda tinha 18 anos quando Duke lhe tirou a virgindade, em uma velha casa de barco que ficava na margem do lago, na casa de veraneio de seus pais, no Maine. Para Duke, que estava acostumado aos desempenhos das garotas mundanas de Hollywood, a transa em si, em termos técnicos, foi horrível. Ela ficou deitada sob ale, rígida c trêmula, os olhos bem abertos de pavor, como um coelho diante de Uma arma. E depois chorou tanto em seus braços que encharcou sua camisa.

Mas a sensação de triunfo e júbilo, não apenas por destruir as defesas dela em termos sexuais, mas por ganhar o coração de alguém tão rara, perfeita e preciosa, mais do que compensou o desapontamento do evento em si. Havia algo em Minnie que o levava a querer ser um homem melhor, o homem que ela merecia. Nin­guém ficou mais surpreso que Duke ao descobrir que, pela primeira vez em sua vida, ele estava apaixonado.

Eles se casaram três meses depois, em uma igrejinha católica perto da Broadway. Pete Miller tinha o rosto pálido ao levar a filha pelo corredor da igreja: Minnie emur-sc com um patife como o McMahon já era ruim o suficiente, mas um casa­mento católico! Seus pobres pai e avô deviam estar se revirando nos túmulos.

Para Duke, o dia foi de pura exultação, e ele não entendeu quando, ao levar a nova esposa para casa depois da reduzida recepção na mansão de Manhattan dos Miller, ela caiu em prantos.

— Qual é o problema? — perguntou ele ao passar-lhe seu lenço com uma expressão de perplexidade e consternação. — Não me diga que já está arrependida!

— Ah, Duke, não — insistiu ela entre soluços —, claro que não. Não é isso. É que amanhã nós vamos para a Califórnia. Eu nunca me afastei de meus pais antes, pelo menos não mais que uma semana, e sentirei muito a falta deles. Ah, e de Austin!

Ao pensar no irmão, ela recomeçou a chorar, e Duke procurou não se aborre­cer com aquilo. Afinal, que diabo ela via no filho-da-mãe daquele estudantezinho de escola particular sem queixo e moralista?

— Convenhamos — disse ele, estendendo a mão para acariciar-lhe a perna num gesto compreensivo. — Eu não estou levando você para a Europa ou algo assim. Seus pais poderão nos visitar. Garanto que os veremos sempre.

Minnie sacudiu a cabeça com tristeza.

— Não tenho tanta certeza assim — disse ela. — Sabe que eles desaprova­ram nosso casamento. E se nunca me perdoarem?

— Claro que a perdoarão — afirmou Duke. Mas, no íntimo, gostaria que sua mulher não pensasse no casamento deles como uma espécie de peca­do a ser perdoado.

O primeiro ano do casamento foi feliz. Duke comprara para eles uma casa gran­de em North Hollywood, quando as propriedades em Los Angeles ainda eram muito baratas, e Minnie deleitava-se decorando e cuidando da casa enquanto seu marido estava no sei. A carreira dele ia muito bem, e, em 1941, ele conseguiu seu primeiro papel principal, em uma comédia ridícula chamada Xeque-mate. Os problemas no relacionamento com a família de Minnie continuaram inten­sos. Naquele primeiro ano, ela só viu os pais uma vez, quando passaram juntos um fim de semana longo e angustiante na recém-construída estação de veraneio de Palm Springs. Mas a vida com Duke era tão alegre, e ela estava tão envolvida na função de anfitriã dos novos amigos do marido em Hollywood, um grupo animado, que passou a sentir cada vez menos saudade e menos culpa.

Depois veio a guerra. E, como aconteceu com muitos casais jovens, tudo mudou do dia para a noite.

Duke foi mandado para a Ásia, onde passaria os três anos e meio seguintes. Como gostava de dizer às pessoas, ele foi um dos sortudos: conseguiu voltar são e

•alvo. Mas a casa e a mulher para quem ele retornou haviam mudado a ponto de «tarem irreconhecíveis.

Durante os primeiros seis meses depois que ele foi recrutado, Minnie per­maneceu em Hollywood e procurou criar uma vida própria entre as outras es­posas de soldados. Contudo, a solidão logo a venceu e, encorajada pela mãe e pelo irmão, decidiu voltar para Connecticut. Sentia uma saudade enorme de Dlike c escrevia para ele religiosamente duas vezes por semana. Mas, aos poucos, também se viu voltando naturalmente ao antigo ritmo de vida.

Logo começou a sair para cavalgar com o pai e participar de almoços em Manhattan com a mie, como antes; e sua vida de casada da Califórnia parecia cada vez mais um sonho distante.

Quando Duke vinha para casa de licença, ficava com os Miller. O velho era chato— agora que estava servindo, o velho aparentemente passou a aceitá-lo Um pouco mais —, mas ainda o tratava com uma certa superioridade de que Duke te ressentia com amargura.

Quando reclamou com Minnie sobre isso, ela contestou, dizendo que ele fitava imaginando coisas, que ninguém o estava menosprezando ou insultando.

Duke quis que ela voltasse para Los Angeles, mas sua reação foi quase de histeria diante da mera sugestão.

— Qual o sentido de eu ir para lá se você estará longe? — perguntou ela. — Fico isolada e sozinha, enquanto aqui tenho amigos e a família para me apoia­ram. As coisas estão bem melhores agora com mamãe e papai. Por favor, não estrague tudo de novo.

Duke na verdade não conseguia discutir com ela. Voltou para o fiont com Uma sensação amarga de que, de alguma forma, a estava perdendo. Ela não esta­va mais totalmente do seu lado.

Depois da guerra, eles retornaram para casa, e durante algum tempo a vida parecia normalizada. Duke voltou a trabalhar no estúdio, e Minnie quase ime­diatamente engravidou de Peter. Os problemas, no entanto, não demoraram multo a aparecer.

Nestes últimos anos, o esnobismo dos pais de Minnie e os preconceitos da Coitu Leste pareciam ter entranhado por osmose na personalidade dela. Enquanto antes cia ficava feliz por receber amigos para um jantar improvisado na cozinha, agira insistia em jantares completos com prataria toda vez que tinham convida­dos, o que Duke considerava pretensioso e desnecessário. Pior, ela começou assentir sinais de embaraço com o comportamento social de Duke, repreenden­do-o na frente de estranhos por excesso de bebida, sendo que, em uma ocasião, chegou a corrigir sua gramática diante de toda a equipe do set.

— É "eu deveria ter", querido, não "eu devia de ter", disse ela em voz alta, ao ouvi-lo por acaso ensaiar algumas linhas.

Duke enfureceu-se.

— É, Min, talvez você devesse ter ficado na casa de seus pais cuidando da merda dos seus interesses.

O pior era que Minnie não percebia nela mesma nenhuma das mudanças de que Duke a acusava. Na sua cabeça, ela era exatamente a mesma que sempre fora, e ainda amava seu marido desesperadamente.

— É claro que estou do seu lado—protestava ela em lágrimas. — Eu o amo tanto, Duke, precisa acreditar nisso.

Mas, quanto mais o tempo passava, menos ele tinha essa certeza. Com o amor e a aprovação de Minnie, ele achava de fato que poderia se tornar um ho­mem honesto e ser um bom marido e bom pai. Sem isso, nada o impediria de voltar aos velhos hábitos.

Duke começou um caso com uma das atrizes com quem trabalhava. Durou alguns meses, e depois, infeliz e culpado, ele chegou em casa uma noite e confes­sou tudo para a angustiada Minnie.

— Desculpe, mas eu não sabia o que fazer — disse ele. — Parece que não sirvo mais para você.

— Ah, Duke, que absurdo! Como pode dizer isso? — exclamou ela em prantos.

Mesmo no seu desespero, Minnie parecia dispensá-lo.

— Por que não dorme comigo então? — perguntou ele. — Há meses, toda vez que a procuro, você me rejeita! Parece que sou uma praga maldita.

— Eu já expliquei! — gritou ela. — E pelo bebê. Só estou com medo, pois não quero que nada de errado aconteça.

— E não irá acontecer—afirmou ele, puxando-a para si e abraçando-a aper­tado. Por que diabo ele a estava traindo? Deus sabia o quanto a amava, era tanto que chegava a dar medo.

Naquela noite eles fizeram sexo, mas foi um desastre. Duke, desesperado pelo seu amor e seu perdão, tentou de tudo o que sabia para agradá-la. Mas Minnie estava tão apavorada de perder o bebê que ficou o tempo todo rígida, tensa, sofrendo as carícias dele como um grande sacrifício. A mulher que um dia o enchera de tanta confiança e autoestima agora o fazia sentir-se inútil, rejeitado e só.

As coisas foram de mal a pior. O bebê nasceu, e imediatamente o pequeno Peter passou a ser o centro das atenções de sua mãe, levando Duke a sentir-se ainda mais excluído. Ele começou a ter um caso após o outro, esperando sempre chocar Minnie e fazê-la entender o quanto precisava dela.

Minnie o amava, e suas infidelidades a entristeciam profundamente. Mas, quando os casos se tornaram cada vez mais freqüentes, ela passou a acreditar que não tinha poder para evitá-los. Duke estava se tornando um grande astro muito rápido, e as mulheres mais belas do mundo se jogavam aos seus pés. Obviamente, Minnie deduziu que ele deixara de amá-la. Ela passou a buscar conforto e alegria nos filhos e se refugiou no conservadorismo estoico e reservado de sua educação. Aos poucos, ela e Duke distanciaram-se de forma irreparável.

Ainda assim, para surpresa de todos os que os conheciam, eles nunca se divor­ciaram. Na verdade, nem sequer discutiram essa possibilidade. Alguns diziam que era o catolicismo de Duke, tão forte que quase chegava a ser supersticioso, que mantinha o casamento. Outros viam Minnie como uma masoquista que suporta­ria qualquer coisa pelo bem dos filhos e para evitar um escândalo na sociedade.

A verdade, contudo, era muito mais simples. Em algum lugar, enterrado bem DO fundo de seus corações, por baixo do ódio, da amargura e de todas as traições, 0 amor sobrevivia.

CAPÍTULO 2
Na visão de Duke, a chegada de Caroline foi um grande sucesso.

Em oito horas, a casa estava um primor. Imensos lírios rosa e brancos sobre as delicadas mesas de nogueira estilo Luís XV enfeitavam o enorme hall de entrada de mármore. Lenha de verdade crepitava nas lareiras das salas de jantar e de estar (ou "sala íntima", como Duke insistia em chamar, a despeito da dimensão gigan­tesca), e um cheiro festivo de pinho misturava-se ao aroma doce e pungente das flores. Dois assistentes haviam sido contratados para ajudar Conchita, a cozi­nheira dos McMahon, e garantir que o creme de lagosta, o peixe assado e a sobre­mesa de musse de limão ficassem perfeitos, para a fúria da dedicada mexicana. Minnie detestava contrariar Conchita, mas era essencial que o jantar desta noite fosse impecável.

Pete McMahon chegou do trabalho às seis horas. Embora fosse mais bonito do que a irmã mais nova estava longe de despertar paixões e, como Laurie, quase não se parecia com os pais. Para começar, seu cabelo era ruivo, se bem que, com a idade, a cor desbotara do laranja-cenoura da infância para um vermelho indescritível, com prematuras mechas grisalhas. Pete herdara a pele clara da mãe, mas, em vez de ser luminosa e imaculada como a dela, a sua estava permanente­mente gordurosa e doentia, devido ao suor excessivo. Seu físico era bem constituído, apesar da baixa estatura, e, mesmo sem se exercitar, era forte, o que algumas mulheres achavam atraente. Ainda assim, tinha o péssimo hábito de piorar sua aparência com ternos mal cortados e uma eterna expressão de ressentimento no rosto, cujas feições não chegavam a ser feias.

Hoje ele parecia mais mal-humorado que de costume. O dia tinha sido hor­rível. A tão esperada reunião com o produtor Mort Hanssen fora pura perda de tempo. Pete aspirava a ser produtor e recebera alguns créditos insignificantes por filmes baratos e quase pornográficos. Mas era óbvio que Mort o via simplesmente como o filho de Duke McMahon, como todos em Hollywood. O fato de ainda morar sob o teto do pai aos trinta anos de idade também não contribuía para melhorar sua credibilidade. Ele de fato precisava fazer alguma coisa, enfrentar o problema de frente.

Ele e Claire, sua calada e tímida mulher, continuavam financeiramente de­pendentes de Duke, e moravam em um apartamento na ala sul da mansão. A despeito de Duke jamais ter demonstrado algum interesse pelos dois filhos, insis­tia que toda a sua família continuasse morando em Hancock Park. De origem irlandesa e sendo o mais novo de sete irmãos, acostumara-se a dormir com dois OU três na mesma cama. Por isso, gostava de famílias grandes, além de ter um medo quase patológico da solidão.

Para Pete, morar na mansão era uma verdadeira tortura. Ele não tinha priva­cidade, nem vida independente. Depois do dia que tivera hoje, ainda precisaria participar do comitê de boas-vindas a uma amante de seu pai.

Ao entrar na sala de visitas, observou a movimentação de Minnie a provar a sopa e afofar as almofadas já perfeitas. Seu coração ficou apertado. Sentiu um misto de amor e de pena, mas não podia fazer nada. De algum modo, para a sua mãe, era uma questão de honra deixar a casa impecável para aquela putinha. Parecia que eles iriam receber a visita do padre no Dia de Ação de Graças ou algo assim. Por que ela não podia pelo menos uma vez enfrentá-lo?

Contudo, Pete sabia, melhor que ninguém, que não era tão fácil fazer frente • leu pai. Desde menino, observava, impotente e indefeso, Duke destruir siste­maticamente a felicidade de sua mãe. Não eram apenas as outras mulheres. Na Verdade, a infidelidade talvez fosse dos menores crimes de seu pai. Afinal, a luxa­ria é instintiva. Já o ressentimento, as décadas de crueldade constante, de tortura mental — isso exigia dedicação.

E Duke se empenhara de verdade. Invejoso da estirpe superior da mulher, da educação da Costa Leste e de seu inato bom gosto, ele firmara sua autoridade brutalmente, através de uma combinação de controle econômico — Minnie nunca tivera uma conta bancária nem gastara um centavo sem primeiro pedir ao marido — c da simples força de personalidade.

O fato de o pai ter sido um grande astro durante toda a vida de Pete não ajuda­va, ídolo nas décadas de 1930 e 1940, Duke soubera investir muito bem seu dinhei-|0 e sc tornara uma pessoa influente e respeitada. As pessoas o bajulavam. Ele fascinava quem nem sequer o conhecia. Os homens sonhavam em ser como ele; as mulheres, cm dormir com ele. Mas ninguém conhecia o verdadeiro Duke McMahon — O marido perverso, o pai frio e autocrático. Pete o conhecia e sempre o odiara.

Nunca, porém, tanto quanto hoje, pensou ele. No início, Pete recusara-se a participar do "jantar", dizendo ao pai, com ar pomposo e uma coragem que não lhe era característica, que ele e Claire nunca se sentariam à mesa com sua mais nova vagabunda. Por fim, a própria Minnie o persuadira a mudar de ideia. Ela precisava dele e de sua mulher ali, para apoiá-la, quando Caroline chegasse. Pete acabou cedendo.
Às 20:15, Pete estava sentado em frente à lareira da sala de visitas, com ex­pressão séria, rejeitando as frágeis tentativas de sua mulher de confortá-lo. Sua irmã Laurie, ainda com o rosto vermelho de tanto chorar, usando um vestido de lamê dourado absolutamente inadequado para a ocasião, andava ansiosa de um lado para o outro da sala, o que não contribuía para melhorar o péssimo humor de Pete. Por que ela sempre tinha que ser tão grotesca?

Minnie, calma e elegante como sempre, vestindo um traje simples de crepe preto e usando suas pérolas, estava sentada ao lado da porta. Contrariando toda a aparência externa, seu estômago estava embrulhado. Houve um tempo em que ela acreditava que nenhum comportamento de seu marido ainda poderia surpreendê-la ou feri-la. Agora, pela primeira vez em muitos anos, não sabia o que esperar, nem como deveria se comportar. Estava em um território inexplorado, e nem Pete, com sua raiva evidente, nem Laurie, com sua histeria, abrandavam seu nervosismo. O que ela teria feito para merecer isso? Só queria que esta noite terminasse logo.

Os quatro pularam quando a campainha soou.



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