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SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO. 001

  2. METODOLOGIA. 007

  3. ANÁLISE TEXTUAL: Língua, Palavra & Informação. 016

    1. ANÁLISE DE CONTEÚDO. 019

    2. ANÁLISE DOCUMENTÁRIA. 025

  4. ANÁLISE DE DISCURSO. 029

    1. PERSPECTIVA TEÓRICA FRANCESA, Michel Pêcheux. 032

      1. Subjetividade, Althusser. 035

      2. Psicanálise, Lacan. 036

      3. Texto e Discurso. 038

      4. Linguagem e Simbologia. 041

      5. Interpretação e Sentidos. 043

      6. Enunciação e Subjetividade. 046

  5. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. 048

    1. UM MODELO TRI-PARTITE. 052

      1. Vertente Anglo-Saxã : da ALA ao ADI, 1937. 054

      2. Vertente Francesa : do IIB à FID, 1938. 055

      3. Vertente Soviética : VINITI, 1952. 056

    2. BUSH x OTLET : a paternidade da CI e os anos 1940. 057

    3. Reativação do ADI pela esfera Privada e os anos 1950. 060

      1. Bibliografia Internacional : UNESCO, FID e Library of Congress, 1950. 060

      2. Instituto de Cientistas da Informação, IIS : Oficialização da CI, UK 1958. 061

      3. A ICSI : da Documentação à CI, Washington 1958. 062

    4. Reativação do ADI pela esfera Estatal e os anos 1960. 063

      1. Departamento de Informação Científica, Universidade de Moscou, 1963. 065

      2. VINITI : O Relatório FID 435. Moscou, 1969. 067

      3. NAS / NAE Committee : o Relatório SATCOM. Washington, 1969. 068

    5. O ARIST e o Significado de uma Mudança, pós 1968. 069

  6. UMA POSSIBILIDADE CONCEITUAL. 074

  7. UMA POSSIBILIDADE METODOLÓGICA. 081

  8. CONSIDERAÇÕES FINAIS. 088

  9. BIBLIOGRAFIA. 090



  1. INTRODUÇÃO

"Por que os pesquisadores da área não parecem preocupados com o novo quadro tecnológico que afeta, profundamente, as suas práticas informacionais, a sua construção teórica e a condição do mercado de trabalho e do profissional de informação?" (Aldo Barreto, por ocasião do III ENANCIB, 1997).

Na semana seguinte ao III Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), já como presidente da ANCIB1 (1997-2000), Barreto sugeria aos coordenadores de pós-graduação e suas respectivas comunidades algumas reflexões, entre as quais somamos àquela motivo de nossa epígrafe:

"Quais são os limites da interdisciplinaridade na definição de temas de pesquisa ou na adoção de metodologias para a pesquisa na área, em geral?"

Conforme Solange Mostafa, então coordenadora de pós-graduação na PUC de Campinas, estas duas questões refletiam a baixíssima proporção de trabalhos, apenas 6% incluindo o seu, versando sobre novas metodologias de pesquisa ou sobre linguagens de transferência de informação, naquele Encontro.

Segundo a pesquisadora, as duas perguntas justificavam uma necessária investigação epistemológica envolvendo a interdisciplinaridade na Ciência da Informação, projeto este a que denominou Interdisciplinaridade na perspectiva arqueológica de Michel Foucault (o caso da Ciência da Informação)2.

É com motivação semelhante que nos empenhamos neste trabalho e, consecutivamente, na polêmica sobre a interdisciplinaridade nas ciências sociais, que remonta 1973, ano da publicação da Patologia do Saber, de Hilton Japiassú3.

Já vão mais de trinta anos de discursos sobre a natureza interdisciplinar da Ciência da Informação; desde Shera (1973), passando por Pinheiro (1996), divulgadora do pensamento de Japiassú neste campo, até hoje:

"[...] vem se somar toda uma família de discursos que falam na horizontalidade ou onipresença da informação em todos os campos do conhecimento como fator determinante das relações interdisciplinares" (Pinheiro apud Mostafa 1997).

Na tentativa de problematizar os espaços entre as disciplinas, ou seus intermeios4, Mostafa se apoia em Orlandi, "a primeira autora brasileira a fugir das filosofias da consciência e do poder regenerador da razão interdisciplinar", e se justifica na apresentação de seu referido projeto na Internet:

"[...] tornou-se quase uma impossibilidade falar em CI sem falar, no mesmo movimento, em Lingüística, Comunicações, Informática, em Psicologia, em Sociologia; agora também Antropologia. [...] É como se a interdisciplinaridade funcionasse apenas para constituí-la ( por isso fala-se tanto na "natureza" interdisciplinar da CI ). [...] Mais sério: a ciência fica sem dialogar consigo mesma, numa identidade disciplinar autoritária fazendo falar alguns autores (os santos fundadores) e calando outros, numa impossibilidade de refundações" (Mostafa 1997).

Gonzáles de Gomez já propunha, no sentido dessas refundações, uma nova agenda de questões para a pesquisa na área de organização e representação do conhecimento visando à recuperação da informação:

"Por um lado, desenha-se, em torno da questão da representação, um campo interdisciplinar que reúne, ao menos, as ciências do conhecimento, da linguagem, da informação e suas interfaces com as novas tecnologias. Por outro lado, o tratamento da representação no quadro operacional da recuperação da informação como metalinguagem, perde em parte seu objeto de referência" (1993 222).

De outro lado, contra o distanciamento em relação a versão original de um determinado texto, mesmo que acertada, a partir da representação simbólica e das linguagens digitais, a comensurabilidade e comutabilidade de todos os discursos que ainda se possa nele identificar, resta-nos lembrar, com Heidegger, a permanência, ainda, da linguagem natural como pano de fundo de toda a transformação técnica (1995 40).

Neste sentido, o saber se aproximaria mais daquela originalidade enquanto a ciência se aproximaria mais da representação, como domínios científicos formadores de discursos específicos.

A Análise de Discurso, por envolver justamente estes discursos legitimados, ou institucionalizados, será de enfoque teórico e metodológico controverso, exigindo, no mínimo, mudanças de paradigma na metodologia corrente da Análise de Conteúdo. Há quem proponha que mesmo a questão dos paradigmas já não se aplique a tal problemática, substituindo a epistemologia pela descrição arqueológica de Michel Foucault:

"Sendo arqueologia do saber um método histórico que considera o discurso como saber, e não como ciência, uma das primeiras distinções que Foucault nos pediria para fazer é a distinção entre domínios científicos e territórios arqueológicos, pois seus princípios de organização são completamente diferentes" (Mostafa e Máximo 2003 100).

Assim, precisamos atentar para certas individuações históricas que em realidade não remontam mais do que um ou dois séculos. Por exemplo, como chama a atenção Foucault, em relação à "literatura" ou à "política" como

"categorias recentes que só podem ser aplicadas à cultura medieval, ou mesmo à cultura clássica, por uma hipótese retrospectiva e por um jogo de analogias formais ou de semelhanças semânticas; mas nem a literatura, nem a política, nem tampouco a filosofia e as ciências articulavam o campo do discurso nos sículos XVII ou XVIII como o articularam no século XIX" (2004 25) .

Em palestra de abertura ao V ENANCIB, Rafael Capurro se refere a duas raízes da CI: uma, a que chama "ciência das mensagens" está centrada na biblioteconomia clássica, a outra na computação digital:

"A primeira raiz nos leva às próprias origens, certamente obscuras, da sociedade humana entendida como um entrelaçamento ou uma rede de relações, baseadas na linguagem. [...] A outra raiz é de caráter tecnológico recente e se refere ao impacto da computação nos processos de produção, coleta, organização, interpretação, armazenagem, recuperação, disseminação, transformação e uso da informação, e em especial da informação científica registrada em documentos impressos" (Capurro 2003).

Neste mesmo correlacionamento entre linguagem de recuperação e tecnologia, Gilda Braga considerava a Análise Documentária como uma vertente da Análise de Conteúdo onde tomaria função preponderante a indexação, realizada manualmente ou através de um software. Neste caso, considerava como problema crucial, em sistemas de informação, a recuperação de conteúdos textuais em bases de dados, devido ao frequente empobrecimento acarretado pela perda de contextualização:

"[...] realmente é possível falar-se de desconstrução do contexto das palavras para construção de um conteúdo semântico de interesse imediato para os processos de representação da informação e de indexação, em geral" (Braga 1996 55-56).

Fernandes (1993) argumenta que a CI, em meio a alguns equívocos relacionados a delimitação de seu objeto de estudo e de seu campo fenomenológico, acaba por construir, sem se dar conta, um objeto que a autora denomina gestão institucional dos saberes, produtor da informação como um artefato cultural, sob ação das 3 instituições modernas: o Estado, a Ciência e o Sistema Produtivo Capitalista. "Como esta gestão opera seletivamente e é padronizadora, exerce-se como uma forma de poder" (1993 145).

Assim, um artefato cultural por si só não é informação mas, (re)contextualizado numa coleção museológica, ao lado de outros artefatos nem sempre de uma mesma época, se torna informação, agora em novo contexto, dependendo da temática da exposição. Este exemplo pode ilustrar também o caráter temporal da informação: para além do contexto de sua geração como artefato, a novos contextos de usos institucionais.

A informação não seria, portanto, o único fenômeno de interesse para a CI, mas também as instâncias ideológicas e de poder, em suas ações de recontextualização, deveriam ser levadas em conta,

"[...] mesmo porque a informação não se realiza em si mesma ou em seu contexto de produção, mas em outros contextos que não o informativo. E estudá-la apenas nesta esfera nos levaria a andar em círculos. [...] a adoção deste objeto não significa ignorar as influências que elementos fora dele possam exercer sobre ele, como por vezes parece querer o método científico, mas adotar um modo de olhar" (Fernandes 1995 29).

O tema da Análise de Discurso estaria inserido, até pela questão da ascendência do poder das Instituições, conforme o parágrafo acima, na atual discussão sobre novas metodologias em CI, recorrente, por exemplo, nos últimos eventos tri-anuais da ANCIB.


  1. METODOLOGIA

Após as formalidades acadêmicas de qualificação e reavaliação dos objetivos de nosso projeto de mestrado - acolhidas, naquela ocasião, as sugestões da banca examinadora - partimos para a realização deste ensaio introdutório sobre a relação da metodologia da AD com o campo da CI, na expectativa da preparação do terreno para novos estudos, concernentes, como originalmente projetávamos, à formação e contribuição do conhecimento geocientífico, particularmente no contexto da cultura brasileira.

Ao elegermos a forma ensaística para a apresentação deste trabalho, não deixamos de assumir um rigor metodológico. Daí conceituarmos, a partir da filosofia:

"Ensaio - (Do L. exagium, ação de pesar). Forma de composição sem reflexão cerrada, composição que se prende à parte essencial do assunto. Caracteriza-se pelo alheamento dos tons peremptórios, a emoção aparecendo meio-expressa, com reservas sem frieza. Não confundir com síntese: o ensaio é substrato que repousa mais nas qualidades do assunto. [...] Em certo sentido enigmático e erudito, ao mesmo tempo leve e incisivo e em forma de experiência pessoal muito particular. [...] O ensaio propõe seu pensamento ao leitor, não o impõe. É essencialmente um gênero de boa companhia. [...] Em resumo, podemos dizer: o ensaio é um escrito ideológico, ordenado, pouco extenso e isento de dogmatismo." (Soares 1968).

Longe de um rigorismo, utilizamos esta forma como guia para a elaboração de um texto que se pretende científico, nem tanto filosófico, nem tanto literário.

A dissertação, estruturada em capítulos e seções, apresenta a Introdução (1) seguida desta Metodologia (2) e mais sete capítulos versando sobre Análise Textual (3), Análise de Discurso (4), Ciência da Informação (5), Uma Possibilidade Conceitual (6), Uma Possibilidade Metodológica (7), Considerações Finais (8) e a Bibliografia (9).

Estudos teóricos sobre a AD como metodologia inserida às práticas da CI são raros na bibliografia, embora o método tenha sido aplicado, por exemplo, aos discursos da Sociedade da Informação (Freitas 2001, 2002) e da Biblioteconomia (Lucas 2000).

Seguindo González de Gómez, esta pesquisa procura enfocar, dentro de um caráter poliepistemológico da CI, a instância semântico-discursiva do que a autora denomina ação de informação que, como a ação de documentar, "antecipa e condiciona a concepção ou aceitação de algo como informação" e articula três principais dimensões da informação:

"uma, semântico-discursiva, [...] estabelecendo relações com um universo prático-discursivo ao qual remetem sua semântica ou conteúdos; outra, meta-informacional, onde se estabelecem as regras de sua interpretação e de distribuição, especificando o contexto em que uma informação tem sentido; a terceira, uma dimensão infra-estrutural, reunindo tudo aquilo que como mediação disponibiliza e deixa disponível um valor ou conteúdo de informação, através de sua inscrição, tratamento, armazenagem e transmissão." (2000 3).

Esta visão, no entanto, não representa consenso: CI, e também a AD, como áreas do conhecimento científico, continuam despertando polêmicas, nem tanto em relação às suas origens, já oficialmente estabelecidas, mas às origens conceituais de seus pretensos objetos: o discurso e a informação.

Neste sentido, podemos adiantar que nosso texto representa o resultado de uma pesquisa bibliográfica, exploratória e qualitativa, a partir de fatos sociais da CI, ligados principalmente às instâncias semântico- discursivas da informação.

Costa, por sua vez, classifica como pesquisa exploratória5, aquela em que pouco se sabe sobre o tema, onde: "com bibliografia escassa e teorias explicativas inadequadas, torna-se difícil a formulação de hipóteses" (2001 30).

Daí porque utilizarmos, com Ortega (2000), a hipótese de se considerar a CI, como originária da Biblioteconomia e da Documentação, um campo de conhecimento onde se realizariam as condições histórico- epistemológicas para se discutir a cientificidade tanto da Biblioteconomia e da Documentação quanto da Recuperação da Informação.

Tomamos, então, entre os objetivos principais desta pesquisa, a identificação e a construção de outras hipóteses que possam servir a estudos futuros, ou a maior familiarização com o problema, mais por parte dos cientistas da informação que dos lingüistas e comunicólogos.

Quanto à AD, salientamos, é vista aqui mais como objeto de estudo, do que como método aplicado a nossa pesquisa propriamente dita. Esta, mais proximamente, como pretendemos, realizada pela conjugação de métodos históricos e epistemológicos.

No sentido de Beaud (2000), que advoga o necessário estabelecimento de uma questão principal ou idéia diretriz para a execução de um trabalho de pesquisa, achamos por bem eleger, neste sentido, a verificação da AD como uma possibilidade metodológica aplicável ao campo da CI, como questão principal e norteadora de nosso estudo.

Mais exatamente, como estratégia fio condutora deste trabalho, nossos pontos de vista estarão necessariamente circunscritos ao conceito de informação, ou mensagem/ informação; conceito, este, polêmico e bastante explorado na busca de um estatuto científico ao campo da CI.

Como procedimento de coleta, utilizamos principalmente pesquisa bibliográfica e visitas a web sites. Daí, as fontes de informação, ou o corpus de nossa pesquisa, se originarão na bibliografia.

Barthes, em seu Sistema da Moda utiliza, a partir de Martinet (1960), uma definição bem sintética de corpus: "coletânea sincrônica intangível de enunciados sobre os quais se trabalha" (apud Barthes 1979 10).

Orlandi, por outro lado, considera que em AD o corpus forma-se, em grande parte e necessariamente, no transcurso da própria análise (2000 121).

De qualquer forma, o levantamento bibliográfico, como exemplo da natureza social da pesquisa, não deixará de ser visto em seu resultado como mais um discurso sobre o tema pesquisado.

Reconhecemos, com Goldenberg (1999 79), que o olhar sobre o objeto de estudo está condicionado historicamente pela posição social do pesquisador e pelas correntes de pensamento existentes. Em nosso caso, o autor se posiciona como geólogo em atividade no Serviço Geológico do Brasil, onde trabalha com informação geocientífica, em sua disponibilização para os públicos especialista e não- especialista.

A busca por conceitos básicos, processos, técnicas e, principalmente, dos contextos de desenvolvimento e uso destes últimos, foi o que nos levou à pesquisa histórica sobre a CI e à AD e à aproximação ao método de pesquisa da Epistemologia Histórica:

"que consiste em observação empírica, na medida em que recorre elementos históricos e, ao mesmo tempo crítica, na medida em que se utiliza da base filosófica e dos princípios da lógica para observar os discursos de uma ciência" (Fernandes6 1993 36).

Nos aproximamos também de Canguilhem, ao verificar seu seguinte enunciado:

"Sem a epistemologia seria impossível discernir dois tipos de história ditas das ciências, aquela dos conhecimentos superados, e aquela dos conhecimentos sancionados, quer dizer ainda atuais porque ativos" (1966 in TB n.28 1972 11).

Em síntese, ao lado de uma história cronologicamente organizada, procuramos dar uma abordagem epistêmica no que concerne à relação significado/ informação, assim como a inclusão da AD e da CI nas Ciências Sociais.



Primeira Parte ( Capítulos 3 e 4 )

A metodologia está dividida em 3 partes. Na primeira, procuramos realizar uma síntese histórica acompanhada de aspectos conceituais sobre a análise textual enfocando originalmente a análise de conteúdo e seus desdobramentos relacionados a análise documentária; até o surgimento da AD, sob a perspectiva de Michel Pêcheux. Daí, centrarmos nossa leitura em Bardin (2002,1ed.1977), para a história e teoria da análise de conteúdo e, coplementarmente, em Thiollent (1986), para a sociolingüística.

Na questão da AD, naturalmente, nos baseamos em Pêcheux (1988,1ed.1975; 1990,1ed.1984) e na introdução a sua obra, Gadet e Hak (Orgs. 1997,1ed.1983), além de Orlandi (1988,1996,1999,2000 e 2001), inclusive por aspectos que a distinguem de Pêcheux.

Em nossa opinião, Roudinesco (1986) revela o lado psicanalítico da AD, com o enfoque metodológico de história das ciências, de Canguilhem, ao relacionar Pêcheux, como aluno de Althusser e interessado em Lacan.

Ou, para sabermos "de que" é feita a História das Ciências, é preciso que citemos:

"A história das ciências não é o progresso das ciências derrubado, quer dizer o colocar em perspectiva de etapas superadas das quais a verdade de hoje seria o ponto de fuga. Ela é um esforço para pesquisar e fazer compreender em que medida ações ou atitudes ou métodos superados foram, na sua época, uma superação, e consequentemente em que o passado superado continua a ser o passado de uma atividade a qual é necessário conservar o nome de científica. Compreender o que foi a instrução do momento é tão importante quanto expor as razões da destruição em seguida" (Canguilhem 1968 in TB n.28 12-13).



Segunda Parte ( Capítulo 5 )

Na segunda parte, uma síntese histórica da CI, a partir da Biblioteconomia, da Documentação e da Recuperação da Informação, é pontuada pela cronologia de instituições científicas, e de poder, que foram surgindo pari passu com o aumento de complexidade dos conceitos em CI, principalmente naquela dimensão semântico-discursiva e, secundariamente, nas dimensões meta-informacional e infra-estrutural, já salientadas. Nesses aspectos nos servimos de Ortega (2002), como subsídio para a história das origens e da diferenciação das áreas e atividades profissionais da CI; de Pinheiro (1997), como roteiro para a história da CI, envolvendo a criação de instituições, além do estabelecimento de interdisciplinaridades e de aspectos da atividade profissional. Com mesmo intento, utilizamos Rayward (1997,1999), por fornecer um ponto de vista britânico na interpretação da CI em suas origens e Herner (1984), por fazê-lo sob o ponto de vista americano. Buckland (1991,1992,1997), especialmente por considerar, em sua revisão das origens da CI, os trabalhos dos pioneiros franceses e alemães, esquecidos no pós-Guerra.



Terceira Parte ( Capítulos 6 e 7 )

Na terceira parte, seguimos Ingwersen (1992), numa panorâmica do percurso da CI, do pós- Guerra até se estabelecer como disciplina em 1977-1980. Nesta hipótese, é o estabelecimento do paradigma cognitivo por Brookes (1977, 1980) que marca este período, o que é corroborado por Capurro(2003). Neste contexto histórico-epistemológico, situamos e passamos a examinar o conceito de relevância, na concepção de Ranganathan (1963), como possível ligação, ou ponte, entre os conceitos de informação e discurso.

Como hipótese, se conseguíssemos caracterizar esta possibilidade, o conceito relevância estaria promovido, de conceito a categoria, na construção de uma possível futura teoria, no sentido de Goldenberg:

"Um dos primeiros passos do pesquisador é o de definir alguns conceitos fundamentais para construir o quadro teórico da pesquisa. Toda construção teórica é um sistema cujos eixos são os conceitos, unidades de significação que definem a forma e o conteúdo de uma teoria. Categorias são os conceitos mais importantes dentro de uma teoria" (1999 79).

Ainda com enfoque exploratório, levantamos em Buckland (1991,1992) outra possível origem, anterior a Ranganathan, do uso da relevância como critério de indexação, além da primeira referência ao termo discurso em CI. Buckland também representa o primeiro autor a utilizar o termo discurso, em conotação a seu conceito de informação como coisa (1992), corroborado por Nascimento e Marteleto (2004).

Do surgimento da CI como disciplina a sua existência no contexto das sociedades contemporâneas, sob domínio da comunicação e das intervenções tecnológicas, vai uma grande diferença. E, por isso, consideramos González de Gómez (2000) em sua preocupação metodológica de especificar a quais dimensões da informação (semântica, metainformaçional e infraestrutural) remeteria determinado objeto de estudo; também, a especificação da interdiscursividade estabelecida num programa de pesquisa, em relação aos espaços que denomina: o da comunidade, o da polis e o da rede.

Optamos por utilizar, com Santos (1989) e, mais próximo à CI, Wersig (1993), o termo pós- moderno em nosso trabalho. Não nos cabe aqui criticar o seu uso, já bastante extensivo em nossa área.

Além de Wersig que estabelece o paradigma social para se pensar a CI, consideramos Day (1996), Nascimento e Marteleto (2004), González de Gómez (2000), Fernandes (1993,1995), além de Capurro (1991,2003), em sua proposta de uma hermenêutica da informação, na formalização teórica da relação entre informação e sentido. Esta formalização nos interessa, como evidência da possibilidade de aplicação do método da AD ao campo da CI. Considerada esta hipótese, teremos alcançado nosso objetivo como pesquisa exploratória.



Pesquisa Bibliográfica na Internet

Preliminarmente e via Internet, procuramos formar um espectro de utilização da AD na CI. Tal espectro se mostrou qualitativamente incoerente pois que o termo AD não apresenta uma unidade de significado. Ou seja, AD não é o mesmo para os cientistas da informação tanto discriminados por campo de conhecimento quanto por países de atuação profissional ou acadêmica.

Portanto, em pesquisa na Internet, a que termo consultar? Já que além de se incluir entre os métodos da análise textual e se confundir com a análise de conteúdo clássica, o termo AD remete tanto a escola americana quanto a escola francesa. É preciso descriminar que AD e dentre este termo, aquele que irá se referir a escola francesa, de nosso interesse. Assim, confirmamos a possibilidade satisfatória de se lançar mão, na pesquisa àquele termo, da referência cruzada a Michel Pêcheux, fundador da AD e, no Brasil, a Eni Orlandi, sua ex-orientanda, que é referência em AD, junto ao Centro de Estudos da Linguagem, na Unicamp.

Deste mapeamento e resgate informativo, montamos nosso plano de trabalho e, a seguir, a partir de uma estruturação temática, nosso primeiro esquema de redação.

Pela diretriz temática e metodológica deste trabalho, particularmente na teorização ligada ao estabelecimento de um novo paradigma de análise, procuramos evidenciar, como já nos referimos, o aspecto informacional dos conceitos e argumentos envolvidos. Assim, desde o levantamento e a organização de nossos dados, mais concernentes possível com a CI, pretendemos finalmente contribuir na caracterização e desenvolvimento deste campo, particularmente no IBICT.



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