Autos nº 2005. 35. 00. 022911-4 classe



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Eu ainda não mandei aquilo (DINHEIRO) para você porque o homem (DOLEIRO EM PORTUGAL) tá de férias, quando eu cheguei aqui ele tava de férias e ainda não chegou. / ROCINE - ah! / DAMASO - tá certo. Assim que ele chegar, fica descansado que eu envio para você. É porque esse mês é mês de férias / ROCINE - para dar a senha, a senha. Eu já tenho o endereço tudo / DAMASO - não, mas é que o homem, quando eu cheguei ele tava de férias e ainda não chegou / ROCINE - não, eu digo, quando você mandar, quando tu mandar / DAMASO - não, fica descansado. Fica descansado, tá bom / ROCINE - você só fala a senha, só a senha / DAMASO - tá bom, ta / ROCINE – ta / DAMASO - olha só. Ele o cumpadre(COHEN) já mandou as coisas ou não (PGTA SE COHEN JÁ MANDOU A CARNE) / ROCINE - não disse que vai chegar doze toneladas e meia, até quarta-feira, e a outra, na outra semana / DAMASO - só para outra / ROCINE - não, chega um caminhão essa semana, na outra...é, eu tive ontem com ele (COHEN) / DAMASO - ah, tá bom, tá certo / ROCINE - vem de duas vezes / DAMASO - TÁ TUDO PRONTO AÍ / ROCINE - tá! / DAMASO - e o camisola (MÁRCIO) tá sossegado / ROCINE - tá, não vem mais aqui não / DAMASO - tá um abraço

No mesmo dia, JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS ou GEORGE COHEN renovou contato com ANTÔNIO DÂMASO, ratificando o diálogo acima, ao informar que estava resolvendo um “pequeno problema”. Na verdade, tal problema era a documentação necessária ao envio em nome da Agropecuária da Bahia, sediada formalmente em Salvador, do bucho comprado do Frigorífico Mozaquatro:

Índice 1729896, GEORGE COHEN 2181232123, 08/08/2005, 12:23:47 - DAMASO X COHEN:DAMASO - tudo bem/ COHEN - tudo jóia, tentei te ligar, anteontem eu te liguei / DAMASO - eu vi / COHEN - escuta, no sábado de manhã eu encotrei lá a figurassa / DAMASO - o velho (ROCINE) / COHEN - isso, aí ele / DAMASO - ah, ele me falou / COHEN - falou né / DAMASO - foi hoje, eu liguei para ele hoje / COHEN - tá então tá, então não precisa falar mais nada, porque ele sabe qual é o assunto / DAMASO - tá bom / COHEN - tá, essa semana TÃO LÁ AS COISAS (CARNE), ta / DAMASO - tá bom / COHEN - e aí como é que estão as coisas / DAMASO - aqui tá tudo, o outro, o outro charutão (JORGE MONTEIRO) é que me fode a cabeça toda...(RECLAMA DO JORGE MONTEIRO) / COHEN - olha, eu já tô resolvido, ta / DAMASO - tá bom / COHEN - e o resto está se resolvendo / DAMASO - tá bom. Está a correr bem? / COHEN - tá, tá tudo correndo bem, houve um pequeno problema mas já está resolvido(INSCRIÇÃO ESTADUAL) / DAMASO - isso é que é preciso, foda-se / COHEN - então tá, vamos correndo / DAMASO - no final, no final do mês... / COHEN - tá bom, tá bom / DAMASO - se tá quietinho / COHEN - exatamente, fica em paz / DAMASO - um abraço / COHEN - tchau, outro”

Em 25/08/2005, o acusado ANTÔNIO DÂMASO voltou a falar com ROCINE, que então se mostrava nervoso com a chegada do carregamento de bucho. ANTÔNIO DÂMASO, que negou ter mantido negócios com o denunciado, salvo a ajuda na “importação de bacalhau”, transmitiu tranqüilidade, fez referência ao “problema” informado pelo acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS ou PALHA no diálogo acima e combinou encontro para o dia 05/09/2005, no Rio de Janeiro:

Índice 1761303, telefone 2181949736 (ROCINE), 25/08/2005, 14:10:38 - DAMASO X ROCINE: ROCINE – alô / DAMASO – oi / ROCINE - e aí! / DAMASO - como é que vai? / ROCINE - tá tudo bem! / DAMASO - tá preocupado, é!? / ROCINE – porra / DAMASO – ah / ROCINE - tu vai vir, quando? / DAMASO - fica calmo. Até dia cinco, eu tô aí perto de você, ta / ROCINE – ta / DAMASO - eu tô a espera que o homem chegue, e ele chega, e ele chega na próxima semana, que é para ele mandar aquilo (dinheiro) que eu falei para você, tá. Pode ficar tranquilo que ele na próxima semana, até o final da próxima semana, ele já vem, ele tá de férias / ROCINE – falou / DAMASO - por isso é que ta / ROCINE - e aí tá pegando fogo em tudo, né / DAMASO - é. Como é, lá o, o PALHA (COHEN) ééé. Houve um problemazinho técnico (atraso na entrega da carne - Inscrição Estadual), mas não é nada, e mais alguns diaszinhos está aí, tá. / ROCINE - tá legal / DAMASO - fica tranquilo, ta / ROCINE - heim? / DAMASO - o PALHA!(PALINHOS) / ROCINE – ah / DAMASO - houve um problemazinho técnico, não é nada, é só mais uns diazinhos e ele tá, por estar por aí. Tá! /ROCINE - tá legal / DAMASO - tá certo? / ROCINE - tá jóia, e aí tá tudo bem, né! / DAMASO - tá tudo em ordem, ta / ROCINE - ...AMENIDADES... / DAMASO - e o mocinho (MÁRCIO JUNQUEIRA) tá tranquilo? / ROCINE - tá. /DAMASO - tá? / ROCINE - Eu tenho falado com ele, aconselhado ele / DAMASO - claro. Tá bom / ROCINE - tá, tá nego / DAMASO - o outro, o BAIXINHO (JORGE MONTEIRO) não passou por aí, não? / ROCINE - não, não. Se apareceu, não procurou nada e eu não quero nem conversa / DAMASO - eu acho muito bem. Tá bom / ROCINE - tá legal / DAMASO - pronto. Assim que o homem chegar aqui na próxima semana eu faço isso pra você, tá bom/ ROCINE - tá. Fica tranquilo tu, também / DAMASO - tá. Tchau, um abraço / ROCINE – outro.”

Tais elementos de convicção, porque concatenados, já afastam as declarações prestadas pelo réu ANTÔNIO DÂMASO em Juízo, negando, não apenas relação próxima com o acusado ROCINE, como também que soubesse do relacionamento entre ROCINE e JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS, quando são explícitas as referências nos vários diálogos ao galpão onde estava armazenado o entorpecente.



A propósito, acerca do relacionamento entre o réu e ROCINE, convém realçar que a versão apresentada contraria, de pronto, as declarações prestadas em Juízo pelo próprio denunciado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS, que demonstram a ligação estreita e de longa data entre ambos os réus. No depoimento judicial, o mencionado réu afirmou que ANTÔNIO DÂMASO e Jorge Monteiro, em sociedade na qual se confundiam, eram os verdadeiros donos da Eurofish, tendo usando ROCINE e MÁRCIO JUNQUEIRA como laranjas, atividade ilícita que o réu negou fazer uso:

(...) / - Réu: Ué, eu conheci o senhor Antônio Dâmaso e conheci o senhor Jorge Monteiro na altura em que eu era, tava na VIVA MAR, tava fazendo a exploração de pescado. Inclusive eles me procuraram pra exportação de pescados e depois me compraram alguma coisa, eu acho que eu tinha uma LULA naquela época que tinha muita LULA estocada na CONAP e foi essa a intenção deles, comprar a LULA, depois com o desenvolver do tempo eles vieram, quiseram comprar uma firma, aí foi na altura que eu quis, enfim, passei a EUROFISH porque ela tava, já tinha outra, a tal da MIRAGE e entretanto eles me apresentaram, não me apresentaram nada, eles entretanto, eles quiseram comprar a EUROFISH e quando compraram a EUROFISH eles vieram com essas duas pessoas que são o tal do senhor ROCINE e do senhor MÁRCIO que seriam os laranjas deles, né, na verdade laranjas deles, não me apresentaram porque eu não conhecia eles, nem um nem outro, quando eu conheci foi praticamente na altura que eles botaro eles como sócios dizendo “olha, nós não podemos ficar” e ficaram eles como... / - Juiz: Eles quem? O senhor fala eles quem? / - Réu: O seu Jorge Monteiro e o seu Dâmaso. / - Juiz: O seu Jorge Monteiro e o seu Dâmaso estavam usando como laranja o seu Rocine e... / - Réu: Ah, sim. Não só nessa firma aí como inclusive numa outra que foi a tal da IGROS parece, também que eles... / - Juiz: O seu Dâmaso disse que nunca usou laranja. / - Réu: Aí eu não sei. Eu não conhecia o senhor Rocine e nem o senhor Dâmaso, nem o senhor, seu Márcio, né. Quem me apresentaram e eles foi eles. O seu Monteiro que foi realmente quem me apresentou o seu Márcio, o seu Rocine e... eu quando falo no seu Márcio, ou aliás quando eu falo no seu Dâmaso ou falo no seu Monteiro eu tô falando, pra mim são os dois a mesma coisa, né, tanto pode ser um como o outro, na verdade, quer dizer, pode ser que hoje um me diga uma coisa, amanhã eu penso que é o Monteiro, depois é que é o... então, mas na verdade os dois são a mesma coisa pra mim. /(...)/ / - Defesa: Se ratifica também que o fechamento de câmbio da EUROFISH ficou a cargo de...o senhor Jorge Monteiro? / - Réu: Veja, quando eu vendi a Eurofish foi com a incumbência de eles fecharem o câmbio. / - Juiz: De eles fecharem, o senhor fala Antônio Dâmaso e... / - Réu: O Dâmaso e o Monteiro. / (...) / - Juiz: Mais alguma pergunta pela defesa? Pelo acusado Márcio Junqueira? / - Defesa: Excelência, pelo acusado Márcio Junqueira, pergunta-se ao senhor é Palinhos, né, senhor Palinhos se ele manteve algum relacionamento de negócios ou de amizade com o Márcio Junqueira? / - Réu: Não. Eu só conheci o Márcio Junqueira na época que foi feita a transferência da EUROFISH, nunca mais vi o seu Márcio Junqueira. / (...) / - Réu: Não, não, o Márcio Junqueira só assinou o contrato. / - Defesa: Ah, só assinou o contrato. / - Réu: Só assinou o contrato a mando do senhor Monteiro e do senhor Damaso (...)”

Note-se que ROCINE e MÁRCIO JUNQUEIRA, este último confessadamente na condição de laranja, adentraram formalmente na referida empresa no ano de 1997, quando passaram a constar no contrato social, o que faz prova da estruturação da organização criminosa e do vínculo associativo há bastante tempo, conforme os autos de seqüestro de n° 2005.35.00.017947-0, de amplo acesso às partes.



O acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS disse também que a Agropecuária da Bahia foi aberta a pedido de Jorge Monteiro, o que era de conhecimento de ANTÔNIO DÂMASO, o qual afirmou, em Juízo, desconhecer a empresa e igualmente o denunciado Luís Chagas:

(...) - Defesa: Com relação à aquisição do buxo do FRIGORÍFICO MOZA QUATRO, ele disse que inicialmente se tratava de um negócio exclusivo do Monteiro que queria fazer os negócios sem o senhor Antônio Dâmaso. Se ele confirma isso? / - Réu: O pedido inicial do senhor Monteiro foi inclusive na frente do bar do hotel Sheroton, ele me fez o pedido de buxo, de picanhas e de filé mignon, ele mesmo, assim como fez todo aquele discurso em Búzios e em momento algum falou no Dâmaso, até aquele momento. / - Defesa: Se posteriormente ele tomou conhecimento que não seria só o senhor Jorge Monteiro que estaria na negociação? / - Réu: Não, na negociação foi só o Jorge Monteiro, só tomei foi um choque quando o seu Dâmaso me liga perguntando pela firma e pela entrega do buxo que eu não entendi. / - Juiz: Qual firma que o senhor fala? /(...) / - Réu: A firma? Da MOZA QUATRO. / - Juiz: MOZA QUATRO? / - Réu: É, do FRIGORÍFICO MOZA QUATRO. / (...) / - Juiz: Com relação a essa ligação que o senhor fez pro Rocine? / - Réu: Não, eu fiz a ligação pro Rocine pra avisar a chegada de uma carreta carregada, essa da FRIGO MOZA QUATRO, eu em momento algum liguei pra outro sentido. / - Defesa: E quem que solicitou? Ele tinha conhecimento do endereço do galpão do Rocine? / - Juiz: Quem foi que informou ao senhor o endereço? / - Réu: Ah sim, isso aí deve ter sido o Jorge Monteiro ou o Dâmaso, um dos dois me informou, porque repare o que que Acontece, eu acho que deve ter sido mais talvez o Monteiro via Luís Chagas, não sei, isso aí eu até, eu já fiz questão e até uma certa força pra lembrar como é que eu consegui tanto o telefone do Rocine como o endereço. (...) - Juiz: O endereço, quem foi que informou o endereço do galpão pro senhor? / - Réu: Excelência, eu tenho impressão, só pode ter sido um dos dois, ou o senhor Monteiro ou o senhor Dâmaso. / - Defesa: Quem que pediu que ele ligasse para o senhor Rocine? / - Juiz: Quem pediu pra ligar? / - Defesa: Informando a chegada do carregamento? / - Réu: O senhor Chagas, porque ele não estava, ele tava em contato direto com a fábrica, a carreta estava no Rio de Janeiro querendo entregar e o Chagas não conseguia entrar em contato como frigorífico aí foi quando ele me solicitou pra eu entrar em contato com alguém do frigorífico e eu falei com o Rocine que a carreta estaria chegando. Até ele me pergunta “que curso...” / - Juiz: Qual a ligação do seu Luiz Chagas com o senhor Antônio Dâmaso? / - Réu: Quando eu conheci o Luiz Chagas, eu conheci o Luiz Chagas através do Manoel Kleyman em São Paulo, de São Paulo, não vi, até agora depois de preso soube que houve há muitos anos atrás, porque era do mesmo mercado o senhor Chagas conhecia o senhor Dâmaso e desconhecia o senhor Monteiro (...) - Defesa: Com relação à empresa AGROPECUÁRIA DA BAHIA, essa empresa ela foi constituída a pedido de quem e sobre qual fundamento? / - Réu: Jorge Monteiro, pra exportar mercadorias. /(...)/ - Juiz: Com relação ao senhor Antônio Dâmaso, qual a relação dele com a AGROPECUÁRIA DA BAHIA? / - Réu: Apenas naquele dia que ele me ligou procurando se a firma que o Monteiro tinha mandado fazer se já tava pronta e se a mercadoria já havia chegado. Se não me....; - Juiz: E o senhor não achou estranho? / - Réu: Não. Achei. Achei na medida que o Monteiro e o, o Monteiro tinha me dito que eles já tavam brigados definitivo. / (...)

A afirmação de vínculo entre o réu ANTÔNIO DOS SANTOS DÂMASO e a Agropecuária da Bahia ganha veracidade porque não divergente, também, do depoimento do acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS por ocasião do flagrante, quando, após declarar que conhecia bem ANTÔNIO DÂMASO e confirmar a compra do bucho ao Frigorífico Mozaquatro, disse que a nota fiscal, em nome da Agropecuária da Bahia, estaria em poder de ROCINE, MÁRCIO JUNQUEIRA ou ANTÔNIO DÂMASO, sendo que este último havia encomendado o carregamento de bucho (fls. 46/47).

Novamente reinquirido em 11/10/2005, na Superintendência da Polícia Federal em Goiás, quando estava assistido por advogado, JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS confirmou as alcunhas de ANTÔNIO DÂMASO como CHARUTÃO e declarou que há cerca de 03 (três) anos não mantinha contato com o réu. Contou que há cerca de 03 (três) ou 04 (quatro) meses, manteve contato para que o réu providenciasse a exportação de grande quantidade de bucho bovino para Portugal, o que fez GEORGE COHEN solicitar, por não manter relação direta com frigoríficos, a Luís Chagas, seu representante comercial, os contatos com fornecedores, o que resultou na aquisição das 25 (vinte e cinco) toneladas, metade das quais entregue no galpão de ROCINE, pagas por ANTÔNIO DÂMASO, que era sócio de Jorge Monteiro na empreitada. Confirmou telefonema para ROCINE noticiando a chegada do bucho, embora alguém já o tivesse informado, não sabendo dizer quem. Após a entrega, reconheceu ter avisado a ANTÔNIO DÂMASO.

Também contraria as declarações de ANTÔNIO DÂMASO, quanto à ausência de relacionamento próximo com o acusado ROCINE, o teor do contato telefônico travado entre ROCINE e o acusado no final de 2004, no qual ANTÔNIO DÂMASO, diante do contexto, insiste com aquele e sobre a situação do galpão onde já estava depositado o entorpecente, fazendo referência também a MÁRCIO JUNQUEIRA ou CAMISOLA:

Índice 1361274, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 09/11/2004, 18:24:26 - DAMASO X ROCINE: DAMASO - o patrão... / ROCINE - e aí..? / DAMASO - tudo bom comandante..? / ROCINE - tudo bom... já tá aqui...? / DAMASO - não... ainda não to ai não... mais uns dias eu vou estar aí... tá..? / ROCINE - tá legal... / DAMASO - tudo em ordem...? / ROCINE - ta tudo bem... / DAMASO - ta tudo tranquilo..? / ROCINE - tudo tranquilo... / DAMASO - então tá bom... / ROCINE - tá..? / DAMASO - tá... ó... espanta o "camisola"... ham... / ROCINE - tá legal... / DAMASO - tá... ? / ROCINE - ta legal.../ DAMASO - tudo em ordem né... ? / ROCINE - tudo em ordem... / DAMASO - tá tchau... um abraço...

Com efeito, diferentemente da versão do acusado, o diálogo telefônico é coerente com o momento de inquietação do grupo criminoso após a apreensão feita pela Polícia Federal em São José do Rio Preto de 492 kg de cocaína, noticiada em 25/08/2004 ao acusado ROCINE pelo indivíduo de alcunha Capixaba, em telefonema no qual este, em linguagem cifrada, avisava que “o menino lá foi hospitalizado” ou “o menino foi hospitalizado sexta feira”:



"Índice 1292168, telefone 2199810133 (ROCINE), 25/08/2004, 18:43:11 - CAPIXABA X ROCINE: - ROCINE alô / CAPIXABA,é Capixaba,, / ROCINE Já to em São Paulo / CAPIXABA a é / ROCINE é / CAPIXABA o menino lá foi hospitalizado viu / ROCINE ein / CAPIXABA o menino foi hospitalizado sexta feira / ROCINE foi ? / CAPIXABA é ce viu aquele lado seu lá / ROCINE não / CAPIXABA onde é que ce ta amanhã para a gente conversar / ROCINE to Interlago / CAPIXABA que hora mais ou menos ? / ROCINE onde é o KART / CAPIXABA horário ? / ROCINE deu 8 horas eu to lá / CAPIXABA o dia inteiro então. (...)"

Como na linguagem do tráfico dizer que "foi hospitalizado" significa que "foi preso", foi identificada a referida apreensão, que se encaminhava ao Rio de Janeiro, tendo sido objeto do IPL nº 6-579/04-DPF.B/SJE/SP. Registre-se que o mesmo Capixaba alertou ROCINE dizendo que “o negócio é FICAR DE OLHO LÁ (...)”, numa clara alusão à cocaína depositada no galpão-frigorífico, e acertou encontro em São Paulo:



"Índice 1292891, 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 26/08/2004, 12:05:54 - CAPIXABA X ARTUR(ROCINE): -Rocine vem ao telefone - HNI fala quer saber se Rocine tá sabendo o que aconteceu né – CAPIXABA e surege para Rocine “o negócio é FICAR DE OLHO LÁ NÉ- Rocine diz que vai falar pessoalmente fica de passar o endereço (cai a ligação).

Índice 1292991, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 26/08/2004, 14:24:41 - CAPIXABA X PATRÍCIA: - Capixaba fala que está em baixo no hotel pede Patricia para avisar Rocine para descer.

Índice 1293324, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 27/08/2004, 11:33:01 - HNI(CAPIXABA) X ROCINE: Capixaba quer encontrar, Rocine diz que está onde se encontraram ontem capixaba diz que está indo (endereço- Av. Teotônio Vilela Hotel Pit Stop Park Hotel em Interlagos - SP) "

No mesmo dia 27/08/2004, em razão de tal fato, o acusado ROCINE manteve contato com o réu MÁRCIO JUNQUEIRA, quando é informado que o Gordo, reconhecidamente o apelido de ANTÔNIO DÂMASO, havida determinado a retirada do entorpecente do galpão:



"Índice 1293339, telefone 2199810133 (ROCINE GALDINO DE SOUZA), 27/08/2004, 11:58:55 - HNI(MARCIO JUNQUEIRA) X ROCINE: - Rocine diz que o cara(Pedro contador) está pedindo duas testemunhas para ti(Marcio Junqueira) se já arrumou - Marcio diz que não - Rocine quer saber se o GORDO chegou? - Marcio diz que não mas falou com ele e ele falou para voce tratar de arrumar um espaço em outro lugar lá - Rocine diz que não tem - Marcio quer sabes se aquele alí do lado não consegue - Rocine diz que ali acabou e que quem tem que arrumar é o cara que eu te disse para botar onde a gente vai, fica de conversar domingo onde meu neto corre que a gente conversa lá ás 10: 00 hs. “

Ademais, em 12/07/2005, ANTÔNIO DÂMASO, em telefonema reconhecido pelo réu em Juízo, ligou para a sobrinha de ROCINE, Patrícia Galdino, que estava na Paraíba, para que esta repassasse a informação de um encontro dos dois no Rio de Janeiro:



"Índice 1698495, telefone 352021195738 (ANTÔNIO DÂMASO), telefone de contato 8399791464, 12/07/2005, 16:38:50 - DAMASO X PATRÍCIA GALDINO: PATRÍCIA - alô! / DAMASO - oi, PATRÍCIA! / PATRÍCIA - oi, caiu a ligação! / DAMASO - é eu. É, VOCÊ PODE DAR O RECADO PARA ELE (ROCINE), QUE AMANHÃ, ÀS 11:00 H, QUERO FALAR COM ELE (ROCINE)! / PATRÍCIA - ELE SABE AONDE? / DAMASO - FALA, QUE É NO LUGAR DE COSTUME. / PATRÍCIA - ....PODE DEIXAR QUE EU VOU PASSAR AGORA O RECADO PARA ELE. / DAMASO - tchau, heim. Obrigado! / PATRÍCIA - tchau!”

O teor da conversa é confirmado em ligação posterior, entre o acusado ROCINE e um empregado de nome Russinho:

Índice 1698656, telefone 2182119226 (ROCINE), 12/07/2005, 18:38:13 - RUSSINHO X ROCINE: RUSSINHO diz que O ZÉ WILSON ligou dizendo que a PATRÍCIA LIGOU PARA LÁ QUERENDO DAR UM RECADO(DE ANTÔNIO DÂMASO) PARA ROCINE e PEDIU O NÚMERO DO TELEFONE. ROCINE diz que VAI LIGAR PARA SEU IRMÃO.”

Em 13/07/2005, novo encontro dos réus. A documentação de fls. 534/535 demonstra que policiais federais efetuaram vigilância detalhada sobre ROCINE, com início às 06:30 h, na Rua da Cevada, 109, Mercado S. Sebastião, Bairro da Penha, Rio de Janeiro. Conforme o relatório, por volta das 09:30 h, o mencionado acusado dirigiu-se, via Linha Amarela, e após breves paradas ao longo do percurso, para Barra da Tijuca, onde adentrou no Barra Shopping. Lá chegando, depois de estacionar o automóvel Astra na área VIP, fez algumas compras e, por volta das 11:15 h, dirigiu-se ao quiosque Empório Pax, onde foi muito bem recebido por todos, demonstrando ser assíduo freqüentador. Logo após, chegou ANTÔNIO DÂMASO, os dois conversam e este último fez algumas anotações em um papel.

Sem embargo, a partir de setembro de 2005, mês da apreensão do entorpecente no galpão alugado por ROCINE, os contatos foram cada vez mais freqüentes, com expressa alusão à programada chegada do carregamento de bucho, e não a suposta tratativa de “importação de bacalhau” por parte de ROCINE.

Em 08/09/2005, às seis horas da manhã, houve um diálogo entre ROCINE e ANTÔNIO DÂMASO com o seguinte conteúdo:

Índice 1786268, telefone 2181949736 (ROCINE), 08/09/2005, 06:10:05 - DAMASO X ROCINE -: - DAMASO - O COMPANHEIRO / -ROCINE - FALA COMANDANTE / -DAMASO - TUDO BOM / -ROCINE - TUDO BOM / -DAMASO - OS DOCUMENTOS, PÕE A MUSICA UM POUQUINHO MAIS BAIXA, OS DOCUMENTOS QUE VOCÊ PEDIU, OS DOCUMENTOS DE IDENTIDADE QUE VOCÊ PEDIU, PORTANTO ESTÁ A SAIR HOJE DAQUI TÁ / -ROCINE – TÁ / -DAMASO - MAS É OUTRO ENDEREÇO, AMANHÃ OU SEGUNDA FEIRA JÁ TE DOU O ENDEREÇO A VOCÊ QUE É AI NA CIDADE TÁ BOM / -ROCINE - NÃO SÓ DÁ O NUMERO... / -DAMASO - QUE É AI NA CIDADE TÁ BOM / -ROCINE - A É AQUI / -DAMASO - É TÁ BOM, DEPOIS EU FALO COM VOCÊ TÁ BOM / -ROCINE - TÁ, DIZ QUE CHEGA O CAMINHÃO COM BUCHO HOJE NÉ/ -DAMASO - NÃO TENHO CONHECIMENTO / -ROCINE - ELE(COHEN) FALOU PARA MIM NA TERÇA FEIRA QUE CHEGAVA HOJE / -DAMASO - TÁ BOM, EU SEGUNDA FEIRA EU FALO AÍ COM VOCÊ NO ESCRITÓRIO TÁ BOM / -ROCINE - TÁ LEGAL / -DAMASO - VOCÊ QUER MARCAR MEIO DIA / -ROCINE - MEIO DIA / -DAMASO - TÁ INDO HOJE OS DOCUMENTOS TÁ BOM / -ROCINE - TÁ LEGAL “

Imediatamente após encerrado o contato, ocorreu outra ligação, na qual



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