Autos nº 2005. 35. 00. 022911-4 classe



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ESTILAQUE era pessoa de confiança do co-réu JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS e a este se encontrava subordinado na atuação criminosa. A atuação, além de superar relação de amizade, que não se confunde com partipação criminosa (art. 29, do Código Penal), extrapolava a mera atuação como advogado, chegando a fornecer seu nome para figurar como sócio de empresa àquele pertencente, como é o caso da Lakenosso (fl. 660).

Noutro prisma, o réu participava intensamente, inclusive recebendo poderes, na formalização e realização de negócios relacionados ao proveito econômico da atividade ilícita em benefício de JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS, mediante a aquisição de bens imóveis de luxo e constituição de empresas-fantasma, com movimentação de recursos em espécie, via doleiros. Com efeito, a sucessão de diálogos telefônicos seguintes, travados entre os dias 08 e 09/11/2004, atesta a efetiva e contínua participação consciente do acusado em tal mister, inclusive tendo manuseado expressivos valores sob ordem de GEORGE COHEN, o que foi negado em Juízo:



Índice 1358713, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 08/11/2004, 12:36:19, GEORGE X MAURENÍCIO: MAURENICIO fala que já conversou com IVAN, que ele está em SÃO PAULO e vem fazer a procuração amanhã, que IVAN pediu para que os cheques que fossem dados a ele, não viessem de doleiros, porque depois poderia haver um problema futuro. MAURENÍCIO fala que GEORGE pode sim dar os cheques dos doleiros para IVAN, porque ele não sabe quem é ou não doleiro aqui no rio. MAURENÍCIO pergunta a que horas GEORGE quer fazer a documentação, ele responde que é a tarde, porque ainda tem que mandar vir os cheques de SÃO PAULO e podem demorar, porque vai ter que confirmar com "ela" lá para ver a hora que chega.

Índice 1360302, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 11:51:30 - GEORGE X TONI: GEORGE fala que está precisando de OITOCENTOS MIL REAIS reais para hoje, TONI fala que para isso precisa ter o CABO na frente, que seria GEORGE. porque trata-se de valores altos, GEORGE fala que se ele quiser pode ir buscar o dinheiro agora (dólares), TONI pergunta se ele tem "papel", ele responde que sim, TONI fala que não vai cobrar nenhuma taxa, só vai pagar 2,88, a vista. GEORGE não gosta da proposta e fala que assim não faz. TONI fala que só pode entregar tudo no final do dia, GEORGE fala que é para entregar no centro da cidade. GEORGE manda buscar os CENTO E CINQUENTA MIL DÓLARES, em sua casa na RUA PRUDENTE DE MORAES 302, que a FABIANA vai estar lá esperando com o dinheiro.

Índice 1360595, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 14:03:16 - GEORGE X MARCIA: GEORGE liga novamente para a casa de câmbio e pede mais dinheiro, VINÍCIUS fala que está fazendo umas contas e vai ver agora, JORGE fala que precisa de pelo menos TREZENTOS E CINQUENTA OU QUTROCENTOS MIL REAIS, para as três horas da tarde. VINÍCIUS fala que já mandou QUATROCENTOS E TRINTA E CINCO MIL REAIS, e vai mandar mais CENTO E CINQUENTA MIL REAIS. JORGE desiste da segunda parte do dinheiro.

Índice 1360778, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 15:24:56 - GEORGE X MARTA: GEORGE pergunta a MARTA, qual foi o valor do apartamento que eles fecharam, ela responde que foi UM MILHÃO CENTO E VINTE E CINCO, ele fala que havia escutado UM MILHÃO CENTO E QUINZE MIL.

Índice 1360856, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 16:15:05 - ESTILAQUEX GEORGE: ESTILAQUE fala que está contando o dinheiro, e precisa dos dados do IVAN, porque isso vai para o BANCO CENTRAL.

Índice 1360866, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 16:19:22 - IVAN BEZERRA X ESTILAQUE. IVAN pergunta se eles estão precisando de alguma coisa, ESTILAQUE fala que ainda estão contando o dinheiro, que é muita coisa.

Índice 1360876, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 09/11/2004, 16:20:33 - JORGE X ESTILAQUE - :ESTILAQUE fala que o IVAN tem que ir ao banco, para depositar o dinheiro porque senão vai sair em nome de ESTILAQUE.

Índice 1362127, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 10/11/2004, 09:25:45 - GEORGE X ESTILAQUE: GEORGE pergunta se os caras já estão lá, ESTILAQUE fala que ainda não chegou lá. GEORGE fala que é para ESTILAQUE falar com o pessoal, para não depositar os cheques da escritura no mesmo dia, porque pode complicar. Que é para depositar qinta , sexta e segunda. GEORGE fala que o cheque de TREZENTOS E NOVENTA MIL REAIS, eles vão depositar hoje através de uma TED.

Índice 1362170, telefone 2178157029 (GEORGE COHEN), 10/11/2004, 10:00:06, GEORGE X ESTILAC: GEORGE pergunta qual a conta que IVAN quer que deposite o restante do dinheiro, ESTILAC fala que pode ser na CC 08793-25 Ag 1258, BANCO HSBC. CNPJ 05482226/000190. PRAIA BRANCA EMPREENDIMENTOS Ltda.. GEORGE fala que vai depositar TREZENTOS E NOVENTA MIL REAIS. GEORGE fala que quer receber uma parte do aluguel desse mês, ESTILAC passa o telefone para IVAN. GEORGE pergunta sobre o aluguel de novembro, IVAN fala que só de lavagem e esquentamento de dinheiro, GEORGE já está ganhando mais de DUZENTOS E CINQUENTA MIL REAIS. E ESQUENTOU 800 MIL.”

Conquanto Aldo Teixeira e Esdras Garcia não tenham afirmado categoricamente a ciência pelo réu da droga no depósito, bem como da associação para o tráfico com o acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS, conforme invocam as alegações finais, as duas testemunhas confirmaram, porém, a atuação de ESTILAQUE na abertura da empresa Agropecuária da Bahia e a estreita ligação deste com aquele réu:



Aldo Teixeira de Oliveira (fls. 1.775/1.815):

(...) - Juiz: O Seu Estilaque de Oliveira o Senhor falou que ele é do grupo mais ligado com o Senhor José Palinhos. / - TESTEMUNHA: Correto. / - Juiz: E o que que ele mais fazia no grupo? / - TESTEMUNHA: O Dr Estilaque ele prestava um assessoramento jurídico na aquisição de imóveis do Sr José Palinhos, ele ajudava o Seu José Palinhos também na abertura de empresas, inclusive com nomes de pessoas que não existiam; ele ajudou na Opertrade na Lacnoss, inclusive ele chegou a entrar como sócio na Lacnoss, ele ajudou na abertura da empresa da Agropecuária da Bahia, inclusive fazendo reconhecimento de firmas em cartório de nomes, digamos assim falsos, porque essas pessoas não existiam que era o Seu Hélio e o Senhor, não tô recordando o nome do outro sócio, eu sei que eram dois sócios: Wanderley e Hélio, então o Seu Estilaque foi providenciou toda documentação, todos os contratos como ele sempre fazia a respeito das empresas do Seu José Palinhos. (...)”



Esdras Batista Garcia (fls. 1.923/1924):

(...) O seu Estilaque, ele assessorava o senhor José Palinhos ou seu Jorge Cohem na questão de alguns aspectos legais, coisas voltadas à questão de contabilidade, abertura de empresas, reconhecimento de firmas, e atividades afins. No caso a... ele promovia ele ajudou a promover a abertura de uma das empresas que seria responsável pela exportação da droga. / - Juiz: Qual seria a empresa? / - TESTEMUNHA: Agropecuária da Bahia."

Porém, a testemunha Roberto Bastos de Araújo ( fls. 1.824/1.850):

(...) - TESTEMUNHA: Era o advogado, prestava toda assessoria com relação a constituição de empresas, à lavagem, à sonegação, a falsificação de documentos, cabia a ele toda essa parte. / (...) / - Juiz: O senhor já falou uma parte. Tem algo a acrescentar com relação à participação do acusado Estilaque? O senhor falou que ele abria empresas. / - TESTEMUNHA: Ele constituía as empresas, dava toda assessoria, a falsificação de documentos. / (...) / - Defesa: Além dessas que o senhor acabou de informar, o senhor identificou alguma outra conduta? Ou ficou apenas na abertura de empresa e falsificação de documentos? / - TESTEMUNHA: Somente nisso. No que diz ao tráfico eu posso afirmar que ele tinha conhecimento. Ele participava da organização e o que ficou claro na investigação é que a parte dele era essa, a constituição, dar todos os meios para que a organização fizesse a exportação. De que forma? Constituindo empresas falsas no Brasil. / (...) / - TESTEMUNHA: Bom, no dia 02/05, no índice 1576361, o Jorge Cohem, o Estilaque, em diálogo travado o Jorge JOSÉ PALINHOS diz que "precisamos muito de tu, sem falta, porque nós temos muitíssimo pouco tempo". Ele estavam... a movimentação tava, tinha se intensificado para constituição da empresa que seria utilizada para exportação da droga. Então o seu Jorge JOSÉ PALINHOS se refere a "nós precisamos de tu sem falta, pois nós temos muitíssimo pouco tempo". / (...) / - TESTEMUNHA: Eles estavam tratando aqui da constituição da Agropecuária da Bahia que seria utilizada para a exportação da droga que foi apreendida. / - Defesa: Ele teve conhecimento que existiu uma empresa chamada Lake Nosso, que foi constituída e o Estilaque figurava na sociedade? / - TESTEMUNHA: O Estilaque, ele figurava no quadro societário de diversas empresas constituídas pelo seu José Palinhos. Eles abriam empresa e em seguida ele saía do quadro societário e apresentava um outro sócio. /- Defesa: Especialmente da Lake Nosso, ele sabia? /- TESTEMUNHA: Sabia. / (...) / - TESTEMUNHA: Excelência, foram arrecadados documentos que constam o Estilaque como advogado, representando seu Antônio DÂMASO. / - Juiz: A Agropecuária da Bicuda, por exemplo, quem foi que abriu? / - TESTEMUNHA: Quem abriu eu não me recordo, mas o seu Estilaque, ele participou ele e o fundou a... / (...) / - TESTEMUNHA: Ele, o seu Estilaque, ele representou o seu ANTÔNIO DÂMASO em alguns assuntos referentes à Agropecuária da Bahia, perdão, a Quinta da Bicuda. (...)"

A declaração é ratificada por Manoel Divino de Moraes (fls. 1.851/1.900), que participou da investigação desde o início:

(...) Estilaque de Oliveira colaborava com José Antônio de Palinhos na montagem de suas empresas, sendo que as empresas não tinham endereço fixo, a documentação dela nós encontramos no apartamento dele, as empresas Monte Mor, Torres Vedras, Oper Trade, todas elas com características de fraude, alterações contratuais tanto dos seus nomes, quanto nomeação de pessoas que não entrou com capital, pra gerenciar, ou mesmo empresas igual a empresa, um bar que ele tava montando, foi uma série de alterações contratuais que veio no final ficar em nome de Vânia e de Carlos Lage, pessoas desprovidas de posse, indicando que certamente tão logo entrassem em funcionamento, haveria aí uma série de situações comprometendo a parte tributária. / (...) / - Juiz: Antônio DÂMASO e senhor Estilaque. / - TESTEMUNHA: Não houve relacionamento. O relacionamento que houve, somente após a apreensão e arrecadação dos materiais após a busca e apreensão soubemos que a Agropecuária Quinta da Bicuda, pertencente a Antônio DÂMASO, o seu contrato inicial foi feito pelo Dr. Estilaque, inclusive constando o mesmo endereço, endereço inexistente, evidente que as diligências não localizassem a empresa lá no Rio de Janeiro, lá nesse endereço do Tribunal, a maioria dessas empresas eram lá nesse endereço do Tribunal. (...)”

As testemunhas de Defesa nada acrescentaram à verdade processual, não servindo para afastar os robustos e concatenados elementos de convicção já expostos.

Com efeito, a testemunha Ilmar Boechat Ladeira disse trabalhar na mesma empresa que ESTILAQUE (Serra Leste, situada no Rio de Janeiro/RJ), da qual era empregado, embora, acredite, não exclusivo. Declarou ter ficado surpreso com o envolvimento do acusado com os fatos. Declarou que o réu não era ganancioso nem ostentava riquezas, sendo uma pessoa falante e que brincava muito e que possui um escritório na Rua Dom Geraldo, no centro do Rio de Janeiro/RJ (fls. 2.397/2.398).



Também Dimas Carlos de Oliveira Monteiro declarou trabalhar na mesma empresa que o réu, que não tinha horário fixo, embora comparecesse todos os dias na empresa, onde havia uma sala só para ele. Afirmou que o acusado recebia R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês atuando como advogado trabalhista. Disse que o acusado não trabalhava exclusivamente na empresa e funcionava com o elo entre a empresa e os órgãos públicos, como Junta Comercial, Receita Federal, etc. Disse, também, que o réu era Juiz Arbitral e Contador, além de honesto. Informou que se ESTILAQUE usasse drogas seria demitido, dada a função que desempenhava na empresa (fls. 2.400/2.401).

Sérgio Abbiate declarou conhecer o acusado ESTILAQUE há mais de 10 (dez) anos, o qual é advogado e prestou, sem horário fixo ou exclusividade, assessoria jurídica na empresa “Serra Leste Indústria e Comércio”, para a qual a testemunha trabalha, além de outras empresas, cujos nomes não soube informar. Alegou que o réu é uma pessoa desprovida de ganância, emprestava dinheiro a quem pedisse, era alegre, extrovertido e muito falante. Afirmou que o réu ESTILAQUE auxiliava pessoas na abertura de empresas, já que era advogado e consultor. O acusado nunca fez comentários a respeito de clientes que são réus nesta Ação Penal e que raramente tecia comentários a respeito de seus clientes. Disse confiar no acusado (fls. 2.408/2.409.).

Wagner Pinheiro da Costa informou conhecer o acusado desde 1976 e que este, apesar das dificuldades, trabalha muito, além de ”sempre ajudar seus amigos, sem nada lhes cobrar, por alguns serviços prestados”. Sustenta que ESTILAQUE ficou conhecido na área de restaurantes como tributarista e contador. Alegou que o acusado não bebia muito nem mexia com drogas (fls. 2.427/2.428).

Antônio Fleichner Novaes da Costa Reis afirmou que também é advogado e conheceu ESTILAQUE há 16 (dezesseis) anos, já tendo alugado casas em Búzios, juntos. Nunca ouviu falar que ESTILAQUE tivesse envolvimento com entorpecentes. Disse que o réu é um bom profissional e tinha um escritório na Rua Dom Gerardo, Centro do Rio de Janeiro, além de ser juiz arbitral e contador. Declarou que, certa vez, encontrou o réu no Leblon em companhia de uma pessoa a qual apresentou como GEORGE COHEN, dizendo ser seu amigo. Informou que ESTILAQUE advogava ou prestava serviços de contadoria para um restaurante e uma boate, recebendo em troca apenas consumo franqueado e prestígio social. A testemunha disse não conhecer JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS (fls. 2.424/.2425).

João Francisco Gonçalves Netto declarou que o réu era amigo de seus filhos, e sempre foi muito educado, simpático, solícito e trabalhador (fls. 2426).

Amanda Viana Ferreira afirmou ter conhecido JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS como GEORGE e não sabia que aquele era seu nome verdadeiro. Disse ter trabalhado com ESTILAQUE na empresa CBA por 8 anos, sendo que o réu era dono um escritório e prestava serviços. Não soube informar se ESTILAQUE prestava serviços para PALINHOS, o qual era bem-sucedido e dono de uma "rede de restaurantes". Declarou que ESTILAQUE tem um escritório na Rua Dom Gerardo, Centro do Rio de Janeiro, acreditando que o referido escritório é especializado na área contábil. Disse que o acusado já a ajudou nas declarações de imposto de renda e quando constituiu uma empresa, formatando o contrato social sem nada cobrar por isso. Disse ser amiga pessoal de ESTILAQUE e nunca notou qualquer envolvimento com entorpecentes, salientando que o mencionado réu não conseguia expressar-se corretamente (fls. 2.433/2.434).

Nada obstante, diante do conjunto probatório harmônico, a condenação se impõe, também, para o acusado. Assim, inexistindo causas excludentes de tipicidade, ilicitude e culpabilidade, incidem as penas dos crimes descritos nos arts. 12 c/c 18, I, e 14 da Lei 6.368/76.



7) VÂNIA DE OLIVEIRA DIAS

Na fase de inquérito a ré, na presença de advogado, declarou ser sócia-gerente da Lakenosso apenas de direito, tendo combinado com GEORGE COHEN, o qual na verdade administrada a empresa, de permanecer assim durante seis ou doze meses. Afirmou que ANTÔNIO PALINHOS sempre se apresentou como GEORGE COHEN, embora já tenha visto documentação portuguesa com o nome de JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS JORGE PEREIRA. Confirmou que o referido acusado adquiriu um lote em Búzios/RJ, no qual construiu um casa e montou a empresa Torres Vedras, em nome da qual construiu um prédio na Vila da Penha, Rio de Janeiro. Noticiou que a Mont Mor foi aberta para adquirir um apartamento, tendo GEORGE COHEN, com tal nome, adquirido ainda dois flats, um no edifício Tiffany's e outro no Country, e um terreno. Admitiu ser procuradora da empresa Mont Mor. Admitiu, também, a aquisição de uma cobertura na Barra em nome de uma das empresas (Mont Mor ou Torre Vedras). Afirmou que ESTILAQUE negociou o imóvel da Vila da Penha e a cobertura da Barra da Tijuca, sendo GEORGE COHEN proprietário dos veículos Cherokee, Porsche, Golf e Caravan, embora não estivessem em seu nome, conforme acerto com a concessionária, em nome da qual eram registrados. Negou participar de negociações relacionadas a veículos de GEORGE COHEN e manter contatos pessoais com doleiros, reconhecendo, porém, que enviava faxes para estes. Negou conhecer atividade de GEORGE COHEN relativa à exportação de carne e reconheceu que movimentava contas tituladas pela Lakenosso, pela Torres Vedras e por GEORGE COHEN, sob orientação deste. Disse ignorar a origem do dinheiro, acreditando fosse "de exportação", confirmando como doleiros Odete, Kiko e Tony, sendo que os valores repassados por Odete eram depositados nas contas referidas ou diretamente nas contas da ZJ Construções e Bremen Veículos. Não recordou de ter mantido contato, inclusive via fax, tratando de valores relacionados às Indústrias Reunidas CMA com Odete. Admitiu que as transações com Odete eram confirmadas em contato telefônico. Disse nunca ter ouvido falar da Agropecuária da Bahia. Declarou que GEORGE COHEN adquiriu um Mercedes Benz Classe A e colocou em nome da acusada, negociando posteriormente.

Continuou, dizendo que realizou cinco viagens à Europa e duas a Portugal, sempre a passeio e em companhia de GEORGE COHEN. Confirmou o teor do índice 1103893 de 26/08/2004, no qual consta ordem de GEORGE para envio de fax para ANTÔNIO DÂMASO, informando que a empresa Igros não mais existia. Afirmou que viu ANTÔNIO DÂMASO duas vezes em companhia de GEORGE, no Rio de Janeiro, não sabendo dizer a razão do fax ou o motivo do fechamento da empresa. Confirmou que algumas vezes GEORGE confiava a ela valores em dólares para entrega a terceiros, quando usava o apelido de FABIANA. Reconheceu que o endereço das intimações arrecadadas em sua residência e relacionadas ao IPL 764/2003, entre as quais intimação em nome de MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA, é o mesmo do imóvel onde foi apreendida a droga, local onde ROCINE e MÁRCIO trabalhavam, segundo GEORGE. Declarou que soube do endereço em razão de contato telefônico com Luís Manoel Neto Chagas, o qual perguntou o endereço para a entrega de uma carga de picanha, há cerca de 06 (anos). Afirmou que os valores enviados por Odete, segundo informação de GEORGE, estavam vinculados à "exportação". Informou que a casa de Búzios, avaliada em U$ 1.300.000,00, é de propriedade de GEORGE COHEN, mas com IPTU ou ITU em nome de Rodrigo (fls. 239/246).

Em Juízo, no dia 03/11/2005, a acusada, após declarar-se inocente, afirmou que nunca administrou empresa, tendo conhecido o acusado JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS em 1997, numa firma posteriormente fechada:

(...) E logo a seguir, ele sempre fez esse trabalho de intermediações de frigoríficos, ele sempre teve vários clientes, mas eu nunca, na verdade, eu não apoiava ele em nisso, eu não trabalhava com ele. / (...) / - Ré: Ele ligava para os frigoríficos, fazia compra de cortes de carne e ele tinha uma secretária que era a Eliane. Era a que trabalhava com ele porque eu trabalhava no ramo de bolinhos de bacalhau. E como não deu certo no de bolinhos de bacalhau é... foi quando eu comecei a trabalhar mais na parte do frigorífico, ligando para os frigoríficos pegando cotação de preço. Isso eu quero deixar bem claro, eu nunca fiz uma compra, nunca comprei absolutamente nada, sempre fazia cotações de preço e sempre repassava, isso sempre a mando dele, do Jorge. (...)”

Afirmou que, na ocasião, conheceu o réu Luís Chagas e logo em seguida começou a trabalhar para GEORGE COHEN procurando imóveis cuja compra era efetuada pelo próprio acusado. Declarou que no início do ano de 2005, GEORGE pediu fosse sócia da Lakenosso, como forma de pagamento pelos anos de trabalho sem carteira assinada. Negou manter contato com ANTÔNIO DOS SANTOS DÂMASO, ficando “surpresa” com a ligação telefônica, da qual não ser lembrava, pedida por GEORGE para informar que os documentos estavam prontos. Negou ter ciência dos apelidos de ANTÔNIO DÂMASO e de GEORGE COHEN. Também negou conhecer os codinomes de MÁRCIO JUNQUEIRA DE MIRANDA, ROCINE GALDINO, CARLOS ROBERTO DA ROCHA, Luís Carlos da Rocha, Luís Manoel e Manoel Horácio Kleiman, conhecendo Antônio de Palinhos, como irmão de GEORGE COHEN, e Jorge Monteiro ou Jorginho, embora nada soubesse sobre este. Quanto ao depoimento na Polícia Federal, após a Defesa apresentar duas retificações, negou que fosse de JOSÉ ANTÔNIO DE PALINHOS o carregamento de bucho, tendo natureza compensatória dos serviços prestados a participação na empresa e disse:

(...) - Juiz: Mas consta no depoimento, então, que a senhora declarou que funcionava como “laranja” do Palinhos. / - Ré: Não. “Laranja”? / - Juiz: Sim. / - Ré: Não, eles me chamaram de “laranja”. Se mesma falei que ele tinha me dado essa oportunidade de entrar como sócia na empresa, não poderia ser “laranja”. / - Juiz: “...Que a interrogada era sócia-gerente apenas de direito, uma vez que a empresa pertencia a George...” Esse nome é um nome de “laranja”, termo pejorativo mas... / - Ré: Não, é porque... não sei se eu me fiz entender, mas ele foi a pessoa que botou o capital. Eu não tive dinheiro para entrar. Ele simplesmente me emprestou, mas então eu falei... / - Juiz: Certo, mas eu indaguei da senhora se a senhora era a dona ou se o dono era o George, e a senhor está dizendo aqui que era sócia-gerente apenas de direito, uma vez que a empresa pertencia a George. A senhora disse aqui na delegacia. / - Ré: Sim. / - Juiz: E então? / - Ré: É... / - Juiz: A quem pertencia a empresa a George ou a senhora? / - Ré: A empresa pertencia, quer dizer, é uma estória que eu, eu... / (...) / - Ré: ...tenho que falar, não simplesmente assim, é dele, é minha. Isso aí foi um acordo que ele fez, que ele me colocou, entendeu, dizendo que ia abrir a empresa, entendeu, que ele ia entrar de sócia na empresa, que era para eu entrar também, porque, na verdade, essa empresa, ele iria colocar o ex-sogro dele, o filho dele pra administrar a empresa. E ele como o filho dele estava com problemas de... enfim, com o nome sujo e tudo, que era realmente para eu entrar como sócia, como uma das donas também. / (...) /



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